{"id":95,"date":"2014-03-22T13:52:31","date_gmt":"2014-03-22T16:52:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=95"},"modified":"2017-09-10T11:31:10","modified_gmt":"2017-09-10T14:31:10","slug":"jomar-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/jomar-moraes\/","title":{"rendered":"Jomar da Silva Moraes"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Nasceu em Guimar\u00e3es-MA, a 6 de maio de 1940. \u00a0Filho de Jos\u00e9 Alipio de Moraes Filho e Marcolina Cyriaca da Silva. Pesquisador, ensa\u00edsta, cronista, cr\u00edtico e historiador da literatura maranhense. Editor de textos; mant\u00e9m ass\u00eddua colabora\u00e7\u00e3o na imprensa de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o, colou grau em 24 de julho de 1976. Especialista em Direito Empresarial (curso realizado em S\u00e3o Lu\u00eds, de 31 de julho de 1976 a 5 de fevereiro de 1977, com 360 horas\/aula; conv\u00eanio UFMA\/INCRA\/UnB. Especialista em Comunica\u00e7\u00e3o Social, \u00e1reas de R\u00e1dio e TV, Publicidade e Propaganda (curso realizado em 5 etapas, de 6 de julho de 1982 a 21 de abril de 1984, com 600 horas\/aula. S\u00e3o Lu\u00eds, UFMA. Mestre em Hist\u00f3ria, com \u00e1rea de concentra\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria do Brasil, Conv\u00eanio UFMA\/UFPE. Recife, 2002. Doutor Honoris Causa da UEMA \u2013 Universidade Estadual do Maranh\u00e3o. S\u00e3o Lu\u00eds, 6 de agosto de 2010.<\/p>\n<p>Sua primeira fun\u00e7\u00e3o foi soldado da Pol\u00edcia Militar do Maranh\u00e3o, onde permaneceu de 1959 a 1967, chegando, por cursos, \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o de 3\u00b0 sargento. Diretor do Servi\u00e7o de Administra\u00e7\u00e3o da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura (1970-71); diretor da Biblioteca P\u00fablica do Estado (1971-73); diretor do Departamento de Assuntos Culturais da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Maranh\u00e3o (1973-75); diretor do Servi\u00e7o de Imprensa e Obras Gr\u00e1ficas do Estado-Sioge (1975-80); diretor do Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (1981-85); secret\u00e1rio de Estado da Cultura do Estado do Maranh\u00e3o (1985-87).<\/p>\n<p>Pertenceu, em dois mandatos consecutivos, ao Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Instituto de Previd\u00eancia do Estado do Maranh\u00e3o-IPEM e ao Conselho Estadual de Cultura, que posteriormente presidiu, na condi\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio da Cultura. Representou a Academia Maranhense de Letras no Conselho Universit\u00e1rio da Universidade Federal do Maranh\u00e3o em cinco mandatos de dois anos cada. Integrou, de 1987 a 1988, a Comiss\u00e3o Nacional do Centen\u00e1rio da Aboli\u00e7\u00e3o e a Comiss\u00e3o Nacional do Guia Brasileiro de Fontes para a Hist\u00f3ria da \u00c1frica, da Escravid\u00e3o Negra <em>e <\/em>do Negro na Sociedade Atual.<\/p>\n<p>Foi estagi\u00e1rio da Escola Superior de Guerra (Rio de Janeiro, 1980).<\/p>\n<p>Membro correspondente dos Institutos Hist\u00f3ricos e Geogr\u00e1ficos do Piau\u00ed e do Distrito Federal, da Academia Paraibana de Letras e da Academia Paranaense de Letras.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3o honor\u00e1rio de S\u00e3o Lu\u00eds, de Buriti Bravo e de Alc\u00e2ntara.<\/p>\n<p>Auditor Fiscal do Estado do Maranh\u00e3o; advogado da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, desde setembro de 1984 e, a contar de 1990, procurador federal com exerc\u00edcio na referida Institui\u00e7\u00e3o de Ensino Superior, da qual foi procurador-chefe no per\u00edodo de novembro de 1996 a agosto de 2006.<\/p>\n<p>Detentor das medalhas: Santos Dumont, do Minist\u00e9rio da Aeron\u00e1utica; Brigadeiro Falc\u00e3o da Pol\u00edcia Militar do Maranh\u00e3o; Jo\u00e3o Lisboa, do Conselho Estadual de Cultura do Maranh\u00e3o; do Sesquicenten\u00e1rio da Ades\u00e3o do Maranh\u00e3o \u00e0 Independ\u00eancia, do M\u00e9rito Timbira, da Ordem dos Timbiras (grande oficial) de comendador do 4\u00ba Centen\u00e1rio de S\u00e3o Lu\u00eds do Governo do Maranh\u00e3o; comendador da Ordem de Rio Branco (Brasil) e da Ordem Nacional do M\u00e9rito de Portugal; Medalha Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras; Padre Ant\u00f4nio Vieira, da UBE-RJ, e Sim\u00e3o Est\u00e1cio da Silveira, da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Agraciado ainda com a medalha do 4\u00ba Centen\u00e1rio de S\u00e3o Lu\u00eds, outorgada pela Assembleia Legislativa do Estado e, com as Palmas Universit\u00e1rias, conferidas pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Distinguido com 11 pr\u00eamios liter\u00e1rios e com os diplomas de Personalidade Cultural (1980) e de M\u00e9rito Cultural (1981, 1988, 2000 e 2005) da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores \u2013 Se\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<ul>\n<li><em>Seara em flor <\/em>(poesia); Rio: CPAD, 1963; <em>Gra\u00e7a Aranha. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1968; <em>Vida e obra de Ant\u00f4nio Lobo. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1969; <em>Bibliografia cr\u00edtica da literatura maranhense. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Departamento de Cultura do Estado, 1972; <em>Guia hist\u00f3rico da Biblioteca P\u00fablica Benedito Leite. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Maranh\u00e3o, 1973; <em>Tributo &amp; desenvolvimento. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sec. da Fazenda, 1975; <em>Apontamentos de literatura maranhense. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1976 (2.e 3.ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1979); <em>O f\u00edsico e o s\u00edtio. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980; <em>O rei touro e outras lendas maranhenses. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980 (2\u00aa ed. Imperatriz: \u00c9tica, 2008); <em>Guia de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1989 (2.ed. rev. e aumentada, S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1995); <em>Ana Jansen, rainha do Maranh\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 1989 (2\u00aa ed., ALUMAR, 1999; 3\u00aa ed., Imperatriz: \u00c9tica, 2007; 4\u00aa ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2012);<em> No imp\u00e9rio dos incas; <\/em>notas e impress\u00f5es de uma viagem ao Peru, levando, a tiracolo, <em>O Guesa, <\/em>de Sous\u00e2ndrade. S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1991; <em>Programa completo de portugu\u00eas e literatura para o vestibular da UEMA; <\/em>julho de 96; com resumos interpretativos de <em>Maria da tempestade, <\/em>de Jo\u00e3o Mohana, e <em>Noite sobre Alc\u00e2ntara, <\/em>de Josu\u00e9 Montello. S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1996; <em>Gon\u00e7alves Dias: vida e obra. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1998 (v. 16 da cole\u00e7\u00e3o Documentos Maranhenses).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em coautoria: <em>Cadeira 10. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1970 (com Ant\u00f4nio de Oliveira); <em>De Pindaro \u00e0 raposa ou Castro Alves! quem diria&#8230; acabou num aranhol. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Ed. part., 1977 (com Jos\u00e9 Chagas); <em>Mano a mano. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980 (com Joila Moraes).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Edi\u00e7\u00f5es de textos, com introdu\u00e7\u00f5es e notas<\/strong>:<\/p>\n<p><em>Harpa de oiro, <\/em>de Sous\u00e2ndrade. S\u00e3o Lu\u00eds: Func, 1969; Os <em>novos atenienses, <\/em>2.ed., de Ant\u00f4nio Lobo. S\u00e3o Lu\u00eds: AML, 1970 (3\u00aa ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2008); Dois <em>estudos maranhenses, <\/em>de Ant\u00f4nio Lopes. S\u00e3o Lu\u00eds: Func, 1975; <em>Rela\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria das cousas do Maranh\u00e3o, <\/em>7\u00aa ed., de Sim\u00e3o Est\u00e1cio da Silveira. S\u00e3o Lu\u00eds: UFMA\/Sioge, 1979 (8\u00aa ed., S\u00e3o Paulo: Siciliano, 2001; 9\u00aa ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2013); <em>Seman\u00e1rio Maranhense, <\/em>1867-68 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1979; <em>O Guesa<\/em>, de Sous\u00e2ndrade (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1979; <em>O Censor Maranhense, <\/em>1825-30 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980; <em>O Argos da Lei, <\/em>1825 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980; <em>O Arquivo, <\/em>1846 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980; <em>A casca da caneleira, <\/em>2.ed., de Joaquim Serra <em>et alii. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1980; <em>30 sonetos de amor, ternura e encantamento, <\/em>de Gon\u00e7alves Dias <em>et alii. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 1984; <em>Perfis acad\u00eamicos. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: AML, 1986 (2.ed., 1987; 3.ed., 1993; 4. ed., 1999; 5\u00aa ed., 2013)<em>Fanfarras, <\/em>de Te\u00f3filo Dias (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Secma, 1987; <em>Echo da Juventude, <\/em>1864-65 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: Secma, 1987; <em>Maranh\u00e3o 1908: \u00e1lbum fotogr\u00e1fico de Gaud\u00eancio Cunha<\/em>. Rio de Janeiro\/S\u00e3o Lu\u00eds: Spala\/Secretaria da Cultura, 1987 (2\u00aa ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2008); <em>Almanak do Maranh\u00e3o, <\/em>1849 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds, AML, 1990; <em>Frutuoso Ferreira, o poeta devolvido <\/em>(pesquisa, cr\u00edtica textual, introdu\u00e7\u00e3o e notas). S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1991; <em>O alienista, <\/em>de Machado de Assis; <em>I-Juca-Pirama, <\/em>de Gon\u00e7alves Dias. S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1991. <em>Obras de Jo\u00e3o Francisco Lisboa, <\/em>v. IV. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1991; <em>A festa de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios, <\/em>folhetim de Jo\u00e3o Francisco Lisboa. S\u00e3o Lu\u00eds: Legenda, 1992; <em>Folhinha de algibeira para <\/em>o ano de 1843 (ed. fac-similar). S\u00e3o Lu\u00eds: AML, 1992; <em>O cativeiro, <\/em>2\u00aa. ed., de Dunshee de Abranches. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1992; (3\u00aa ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2013); <em>A esfinge do Graja\u00fa. <\/em>2. ed., de Dunshee de Abranches. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1993; <em>Dez estudos hist\u00f3ricos, <\/em>de M\u00e1rio M. Meireles. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1994; <em>Mensagem, <\/em>de Fernando Pessoa. S\u00e3o Lu\u00eds: AML, 1995; <em>Cr\u00f4nica da Companhia de Jesus no Maranh\u00e3o, <\/em>de Jacinto de Carvalho, S. J. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1995; <em>Velhos ritmos, <\/em>de Mata Roma. S\u00e3o Lu\u00eds: AML\/ Lithograf, 1996; <em>O meu pr\u00f3prio romance, <\/em>4. ed., de Gra\u00e7a Aranha. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1996; <em>Poesia e prosa escolhidas de Gon\u00e7alves Dias e Machado de Assis. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Edufma, 1997; <em>Hist\u00f3ria dos animais e \u00e1rvores do Maranh\u00e3o, <\/em>3\u00aa. ed., de Frei Crist\u00f3v\u00e3o de Lisboa. S\u00e3o Lu\u00eds: Alumar, 1998; <em>Poesia e prosa escolhidas de Cruz e Sousa e Artur Azevedo. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 1998; <em>Estatuto e regimento interno da Academia Maranhense de Letras<\/em> (em ap\u00eandice, Estatutos e Regimento Interno anteriores; Pesquisa, organiza\u00e7\u00e3o e notas. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2002.(2\u00aa ed., S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2013);<em>Livro do Centen\u00e1rio da Academia Maranhense de Letras &#8211; 1908\/2008<\/em>. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2009; <em>Can\u00e7\u00e3o do abandono<\/em>, 2. ed., de Ol\u00edmpio Cruz. S\u00e3o Lu\u00eds: Clara\/Legenda, 2010; <em>Cousa alguma.;.. &amp;+ Alguma coisa de\/sobre Vespasiano Ramos<\/em>. S\u00e3o Lu\u00eds: UEMA, 2010; Promotor da 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada do <em>Dicion\u00e1rio hist\u00f3rico-geogr\u00e1fico da Prov\u00edncia do Maranh\u00e3o<\/em>, de C\u00e9sar Augusto Marques. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2008. 1.038p. Reedi\u00e7\u00e3o acrescida de 809 verbetes e \u00e0 qual adicionou 105 ilustra\u00e7\u00f5es e 1.508 notas de retifica\u00e7\u00e3o, esclarecimento ou atualiza\u00e7\u00e3o. Vol. 20 da cole\u00e7\u00e3o Documentos Maranhenses, da AML, patrocinada por Alumar. 21x32cm, encadernado; Editor e revisor final do <em>Cat\u00e1logo dos manuscritos existentes no Arquivo Hist\u00f3rico Ultramarino<\/em>. S\u00e3o Lu\u00eds: FUNC\/AML, 2002. 662p.; Coeditor, com Frederick G. Williams, de <em>Sous\u00e2ndrade: in\u00e9ditos. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Departamento de Cultura do Estado, 1970, e de <em>Sous\u00e2ndrade: prosa. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1979; <em>Poesia e prosa reunidas<\/em> de Sous\u00e2ndrade. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2003 (volume que re\u00fane <em>O Guesa<\/em> e <em>O Guesa, o Zac, Novo \u00c9den, Harpa de oiro e Liras perdidas, <\/em>Trabalhos em prosa, Documentos diversos e Projeto da primeira Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Maranh\u00e3o)<em>;<\/em> revisor t\u00e9cnico de<em> O Guesa, <\/em>ed.,organizada por Luiza Lobo. S\u00e3o Lu\u00eds\/Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es AML\/Ponteio, 2012; promotor da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o das<em> Obras de Jo\u00e3o Francisco Lisboa<\/em>, 4 volumes. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2012 (cole\u00e7\u00e3o Documentos Maranhenses) e da 3\u00aa ed. de <em>Poranduba maranhense ou Rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da Prov\u00edncia do Maranh\u00e3o, de Frei Francisco de Nossa Senhora dos Prazeres Maranh\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2012 (cole\u00e7\u00e3o Documentos Maranhenses); <em>Not\u00edcia acerca da vida e obra de Jo\u00e3o Francisco Lisboa <\/em>de Ant\u00f4nio Henrique Leal. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2012; <em>O mulato<\/em> (2\u00aa edi\u00e7\u00e3o maranhense). S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML\/Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o, 2013; <em>Sertanejas <\/em>(poesias), de Trajano Galv\u00e3o, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AML\/Secretaria de Estado da Educa\u00e7\u00e3o, 2013. <em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Preparador dos textos, revisor, autor de introdu\u00e7\u00f5es e notas, al\u00e9m de idealizador das capas destes livros publicados em coedi\u00e7\u00e3o AML\/EDUEMA, da cole\u00e7\u00e3o Publica\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio, S\u00e9rie Fundadores. S\u00e3o Lu\u00eds: AML\/EDUEMA, 2008: <em>Funda\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o<\/em>, 2\u00aa ed., de Jos\u00e9 Ribeiro do Amaral; <em>Silhuetas<\/em>, 2\u00aa. ed., de Domingos Barbosa; <em>Coisas de vida<\/em> (contos), 2\u00aa ed., de Alfredo de Assis; <em>Hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o<\/em>, 2\u00aa ed., de Barbosa de God\u00f3is; <em>Por onde Deus n\u00e3o andou<\/em> (romance), 2\u00aa ed., de <em>Godofredo Viana<\/em>; <em>Harpas de fogo<\/em> (poesias), 2\u00aa ed., de Corr\u00eaa de Ara\u00fajo; <em>O Pal\u00e1cio das L\u00e1grimas<\/em> (novela maranhense), 2. ed., de Clodoaldo Freitas; <em>Missas negras<\/em> (poesia), 2. ed., de I. Xavier de Carvalho; <em>Natal <\/em>(quadros), 2\u00aa ed., de Astolfo Marques; <em>Os novos atenienses (subs\u00eddios para a hist\u00f3ria liter\u00e1ria do Maranh\u00e3o)<\/em>, 3\u00aa ed., de Ant\u00f4nio Lobo; <em>Poesias (1907-1908)<\/em>, 2. ed., de Vieira da Silva; <em>O Maranh\u00e3o subs\u00eddios hist\u00f3ricos e corogr\u00e1ficos)<\/em>, 3. ed., de Fran Paxeco.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Posse<\/h1>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE POSSE<\/h5>\n<p>Quando um povo, atrav\u00e9s de preceitos orais contidos em lendas, adivinha\u00e7\u00f5es, m\u00e1ximas e ditos rimados consagra princ\u00edpios e elege verdades, d\u00e1 a todos n\u00f3s a medida por que devem ser aferidos os seus padr\u00f5es morais e filos\u00f3ficos.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Na enuncia\u00e7\u00e3o dessa cren\u00e7a, afirma que o casamento e a morte \u2014 os dois maiores acontecimentos, s\u00e3o decididos no c\u00e9u, desejando, com tal assertiva, apenas significar que, em nossa vida, nada ocorre sen\u00e3o por determina\u00e7\u00e3o divina. Exmo. Sr. Presidente da Academia Maranhense de Letras,<\/span>O nosso povo refere o princ\u00edpio de que, transcendendo as delimita\u00e7\u00f5es todas de nosso querer, o destino de cada um \u00e9 ditado pela onisci\u00eancia de Deus, que nos d\u00e1 a vida e, com ela, um mapa cheio de conven\u00e7\u00f5es e caminhos, para o itiner\u00e1rio que se nos imp\u00f5e cumprir.<\/p>\n<p>Dign\u00edssimas Autoridades,<br \/>\nSenhores Acad\u00eamicos,<br \/>\nSenhoras minhas,<br \/>\nMeus Senhores:<\/p>\n<p>Venho hoje a esta Casa, a mais alta institui\u00e7\u00e3o cultural de minha terra, para tomar posse da C\u00e1tedra de Ant\u00f4nio Henriques Leal, que antes de ser minha, por vossa expressa vontade, j\u00e1 o fora de um ilustre chefe de Estado e do jurisconsulto eminente a quem tenho a honra de suceder. Isto sem falar no intelectual que a fundou, maranhense que fez nome e ganhou prest\u00edgio em nossa terra, pela for\u00e7a construtiva de seu talento e de sua honradez.<\/p>\n<p>Seria eu ainda bem crian\u00e7a quando, numa das noites maiores da Academia, o desembargador Henrique Costa Fernandes ingressava em seu quadro de s\u00f3cios efetivos, como ocupante da Cadeira 10, recebendo de M\u00e1rio Martins Meireles a sauda\u00e7\u00e3o de praxe.<\/p>\n<p>Desse recuado ano de 1948 em diante, cada um percorreu os caminhos de sua pr\u00f3pria destina\u00e7\u00e3o, conforme Deus foi servido.<\/p>\n<p>Ao menino que trazia no sangue algum talento e tivera, como Sous\u00e2ndrade e Urbano Santos, o seu nascimento em Guimar\u00e3es, uma caminhada sofrida e sinuosa foi imposta. E ele a tem cumprido alegremente, at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Aparentemente n\u00e3o estava no roteiro de peregrina\u00e7\u00f5es do mo\u00e7o humilde, nascido pobre de bens materiais, que na \u00e2nsia de lutar pela vida j\u00e1 foi tudo quanto nada seja, esta passagem pela Academia.<\/p>\n<p>N\u00e3o que a sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Ilustre Companhia representasse fato estranho ao seu cl\u00e3. Afinal de contas, os irm\u00e3os portugueses vindos para o Maranh\u00e3o, onde filharam com negras da terra, deixaram uma descend\u00eancia que tem profundas e entranhadas afinidades com a hist\u00f3ria de nosso talento e da nossa intelig\u00eancia. E no dia em que, valendo\u00ad-se dos subs\u00eddios que tantas m\u00e3os generosas recolheram, algu\u00e9m se impuser \u00e0s honras do nosso respeito pelo levantamento cr\u00edtico de toda a hist\u00f3ria liter\u00e1ria do Maranh\u00e3o, a assertiva que hoje poderia ser inquinada de suspeita e comprometida, ter\u00e1 a confirma\u00e7\u00e3o que bem merece.<\/p>\n<p>Quero agora fazer\u00ad-vos uma confid\u00eancia: quando o professor Carlos Cunha se preparava a fim de tomar posse como novo acad\u00eamico, chamou\u00ad-me para datil\u00f3grafo de sua ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E certamente desejando pagar\u00ad-me os servi\u00e7os prestados, deu\u00ad-me as sobras do papel que lhe fora especialmente presenteado pelo nosso comum amigo em Caxias, industrial Jos\u00e9 Castro, com a seguinte recomenda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Guarda esse papel com muito cuidado. Nele escrever\u00e1s o teu discurso de posse na Academia.<\/p>\n<p>Os tempos passaram, e eu n\u00e3o alimentava pretens\u00f5es de, pelo menos t\u00e3o cedo, ingressar na Academia. Mas guardei o papel. E ele aqui est\u00e1. Comigo ainda restam algumas folhas que publicamente coloco \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do primeiro mo\u00e7o que ingresse nesta Casa, a que est\u00e3o ligadas as mais expressivas figuras de todos os tempos desta prov\u00edncia liter\u00e1ria, nascidas na capital ou vindas dos mais diversos pontos do interior, que tudo \u00e9 Maranh\u00e3o. Entre as regi\u00f5es tribut\u00e1rias desse imenso caudal de cultura e talento, a grande contribui\u00e7\u00e3o do vale do Itapecuru.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 tese brilhantemente defendida a de que os rios \u2014 e digo eu: principalmente os de n\u00e3o mui grande volume \u2014 exercem extraordin\u00e1ria influ\u00eancia sobre o talento criador dos que lhes nascem \u00e0s margens ou mesmo distante delas, bastando que estejam sob os limites de sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim aconteceu ao nosso Itapecuru, cantante rio de pedras eri\u00e7adas, fertilizando a zona maranhense que igualou a abund\u00e2ncia de riquezas representadas em termos de gado, baba\u00e7u, arroz e algod\u00e3o, \u00e0 prodigalidade \u2014 espantosa prodigalidade \u2014 de intelig\u00eancia! De l\u00e1 vieram para orgulho do Maranh\u00e3o e admira\u00e7\u00e3o do Brasil, Gon\u00e7alves Dias, C\u00e9sar Marques, Teixeira Mendes, Almeida Oliveira, Jo\u00e3o Lisboa, Dias Carneiro, Frederico Jos\u00e9 Correia, Pedro Nunes Leal, Te\u00f3filo Dias, Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Morais e Silva, Gomes de Sousa e mais pr\u00f3ximos de n\u00f3s, Coelho Neto, Vespasiano Ramos e Viriato Correia, todos eles, nomes vinculados a esta corpora\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m de l\u00e1, grande bacia do Itapecuru, viria Ant\u00f4nio Henriques Leal, valor cuja luminosidade n\u00e3o carece de adere\u00e7os para se real\u00e7ada.<\/p>\n<p>O lugar \u00e9 sagrado, o momento, sublime; e, por isso mesmo, qual novo Mois\u00e9s em meio \u00e0 sar\u00e7a ardente da cultura e da intelig\u00eancia de Ant\u00f4nio Henriques Leal, sinto que \u00e9 preciso descal\u00e7ar as sand\u00e1lias.<\/p>\n<p>Escritor militante, prestou servi\u00e7o realmente grandioso ao Maranh\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 no campo liter\u00e1rio, como tamb\u00e9m na qualidade de m\u00e9dico, educador e pol\u00edtico, originando-\u00adse de projeto de sua iniciativa, quando no exerc\u00edcio do mandato de deputado provincial, a lei que autorizava o governo a conceder bolsas a estudantes que, concluindo o curso com distin\u00e7\u00e3o e sendo pobres, desejassem continuar seus estudos na Europa. Foi tamb\u00e9m de sua autoria um projeto de lei dispondo sobre a catequese dos \u00edndios.<\/p>\n<p>O seu nacionalismo proclamava a necessidade imperiosa de que todos se voltassem para a terra comum, a buscar nos seus elementos constitutivos o <em>leitmotiv<\/em> de nossa literatura, chegando mesmo a sentenciar que \u201cn\u00e3o temos que invejar ou pedir emprestado a estranhos\u201d.<\/p>\n<p>Em Lisboa, manteve pol\u00eamicas liter\u00e1rias com Latino Coelho e escreveu admir\u00e1veis artigos em defesa do Brasil, acusado, pela imprensa portuguesa, de culpado da Guerra do Paraguai. De seu valor como jornalista, diria tudo apenas esta afirma\u00e7\u00e3o de Joaquim Serra: \u201cO dr. Henriques Leal \u00e9 jornalista consumado. Na imprensa do Maranh\u00e3o o seu nome \u00e9 um dos mais ilustres. Em todos os jornais que redigiu deu mostras de possuir talento pronto e cultivado\u201d.<\/p>\n<p>O bi\u00f3grafo e ensa\u00edsta percuciente dos quatro volumes que formam o <em>Pantheon maranhense<\/em>, revela\u00adse ainda um homem de qualidades morais indiscut\u00edveis. Perfilou para a posteridade muitas mais representativas figuras do Maranh\u00e3o, todas j\u00e1 falecidas ao tempo em que produziu a obra que o imortalizaria, conferindo-\u00adlhe o cognome de Plutarco Maranhense.<\/p>\n<p>Em que pesem as cr\u00edticas muitas vezes injustas de Frederico Jos\u00e9 Correia, lan\u00e7ando contra o autor do <em>Pantheon<\/em>, obje\u00e7\u00f5es fulminantes, contraditas e emprazamentos, o trabalho resistiu \u00e0 a\u00e7\u00e3o do tempo e permanece vivo, como excelente fonte de consulta para o estudo dos maranhenses nele biografados. E de l\u00e1 at\u00e9 hoje um fato interessante acontece: <em>Um livro de cr\u00edtica<\/em>, de Frederico Jos\u00e9 Correia, ainda \u00e9 citado e consultado apenas por ser uma contesta\u00e7\u00e3o ao <em>Pantheon maranhense<\/em>. E diga-\u00adse, embora de passagem, que a Frederico n\u00e3o faltaram raz\u00f5es para investir contra o nosso Plutarco, acusado de colocar no <em>Pantheon<\/em> somente os seus amigos, fazendo vista grossa a personalidades da estatura de um regente Jo\u00e3o Br\u00e1ulio Muniz, \u00fanico maranhense a exercer fun\u00e7\u00f5es mon\u00e1rquicas. Seria isso, talvez, efeito da pol\u00edtica vigente nas chamadas igrejinhas liter\u00e1rias. E quem haver\u00e1 escapado a esse doce e enleante fasc\u00ednio das igrejinhas? Poucos, muito poucos, ser\u00e3o os que possam responder pela negativa. H\u00e1, nelas, toda uma liturgia estabelecida, com segredos e mist\u00e9rios quase divinais.<\/p>\n<p>E os santos do <em>Pantheon maranhense<\/em> n\u00e3o s\u00e3o santos de igrejinhas, mas santos de portentosas catedrais.<\/p>\n<p>Sotero dos Reis, opinando a respeito da Not\u00edcia Acerca da Vida e Obras de Jo\u00e3o Francisco Lisboa, que Henriques Leal escreveu como introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s <em>Obras completas<\/em> do grande publicista maranhense, diz:<\/p>\n<p><em>Foi uma soberba estreia que fez do seu talento, o que o torna impreterivelmente conhecido, n\u00e3o s\u00f3 dentro como fora do pa\u00eds, porque trabalho t\u00e3o bem desempenhado n\u00e3o pode deixar de adquirir-lhe nome onde quer que se fale a l\u00edngua portuguesa. E \u00e9 de notar que n\u00e3o presta ele unicamente servi\u00e7o \u00e0s letras p\u00e1trias com o seu incontest\u00e1vel talento de escritor, mas tamb\u00e9m colecionando e revendo os escritos das nossas principais celebridades, como Gon\u00e7alves Dias e Jo\u00e3o Lisboa,\u00a0muitos dos quais se teriam irremediavelmente perdido sem a sua dilig\u00eancia em procur\u00e1-los e coorden\u00e1-los.<\/em><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ver\u00edssimo atinaria para esse aspecto da a\u00e7\u00e3o de nosso Plutarco, ao afirmar: \u201cFoi Henriques Leal o erudito que registrou em livros preciosos para a nossa Hist\u00f3ria pol\u00edtica e liter\u00e1ria essa \u00e9poca gloriosa de sua terra\u201d.<\/p>\n<p>De tudo quando li de Henriques Leal, tem minha particular predile\u00e7\u00e3o o estudo introdut\u00f3rio produzido para as <em>Obras completas de Jo\u00e3o Lisboa<\/em>, editadas sob sua dire\u00e7\u00e3o e gra\u00e7as aos seus esfor\u00e7os, logo ap\u00f3s o falecimento do T\u00edmon Brasileiro.<\/p>\n<p>Bem distante dos cronistas que escreveram farta quantidade de informa\u00e7\u00f5es acerca da terra e da gente maranhense, e havendo j\u00e1 transposto nosso primeiro ciclo liter\u00e1rio, de import\u00e2ncia quase que exclusivamente hist\u00f3rica, cheg\u00e1vamos a 1821, ano em que o Maranh\u00e3o punha a funcionar a Tipografia Imperial Nacional. Esse \u00e9 um fato de grande significa\u00e7\u00e3o para a hist\u00f3ria de nossa cultura. Come\u00e7ou a surgir, no exerc\u00edcio de sua miss\u00e3o educativa, a imprensa. Os jornais, refletindo a ebuli\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos pr\u00f3pria dos instantes que antecedem os grandes eventos, apareciam e desapareciam com tanta frequ\u00eancia, que em menos de dez anos, j\u00e1 se contavam \u00e0s dezenas.<\/p>\n<p>O ano de 1821 assinala o in\u00edcio de uma fase \u00e1urea para o Maranh\u00e3o, sendo marco de nova e brilhante etapa liter\u00e1ria, a publica\u00e7\u00e3o do Hino \u00e0 Tarde, de Odorico Mendes. Da\u00ed por diante, o chamado grupo maranhense, formado por tantos e t\u00e3o grandes valores, entrou em cena, trazendo para a terra natal o cognome glorioso de Atenas Brasileira.<\/p>\n<p>Dessa gera\u00e7\u00e3o privilegiada fez parte Ant\u00f4nio Henriques Leal, a quem o destino, al\u00e9m de fazer t\u00e3o grande quanto os seus maiores contempor\u00e2neos, conferiu a tarefa merit\u00f3ria de preservar, pelas maneiras mais diversas, consider\u00e1vel parcela de fatos e atos liter\u00e1rios que sem o seu concurso poderiam francamente estar hoje perdidos para sempre.<\/p>\n<p>Econ\u00f4mica e politicamente, a Prov\u00edncia ia bem, obrigado, com muitos de seus filhos entre os ministros, parlamentares e conselheiros mais proeminentes do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>E nesse ambiente de orgulho pela terra, Atenas conhecia seus dias de grande gl\u00f3ria e prest\u00edgio.<\/p>\n<p>O exuberante ciclo cultural parecia ter ainda muitos lustros pela frente, e eis que se abate, como um anjo exterminador inclemente, o lutuoso bi\u00eanio 1863\/64, impondo ao Maranh\u00e3o a dor profunda de chorar pelos mortos mais caros e mais queridos.<\/p>\n<p>De Portugal e logo depois da Inglaterra, chegam not\u00edcias de que Jo\u00e3o Lisboa e Gomes de Sousa n\u00e3o mais vivem. Nem ainda est\u00e3o aliviados os grandes lacrimais da terra comum, e \u00e9 mesmo em seu rega\u00e7o maternal que tomba Trajano Galv\u00e3o, educador em\u00e9rito e precursor da poesia social do negro escravo.<\/p>\n<p>A dor n\u00e3o passa e a ferida n\u00e3o sara, pois Odorico Mendes, no m\u00eas seguinte, morre em Londres; e Gon\u00e7alves Dias, buscando para t\u00famulo a terra que lhe fora ber\u00e7o, naufraga no Baixio dos Atins, avistando, longe, o vulto das palmeiras que t\u00e3o enternecidamente cantara.<\/p>\n<p>Est\u00e1 entre os que lastimam t\u00e3o grandes perdas, Ant\u00f4nio Henriques Leal, que para transmitir \u00e0 posteridade sinais da grandeza dos mortos queridos, toma a si a tarefa gloriosa e \u00e1rdua de escrever o <em>Pantheon maranhense<\/em>. Diz, em nota ao primeiro tomo, que sua recompensa maior estaria diretamente vinculada \u00e0 fama e admira\u00e7\u00e3o que do trabalho resultassem para a mem\u00f3ria dos var\u00f5es biografados.<\/p>\n<p>\u201cTrabalho precioso, superior a tudo quanto se fez no g\u00eanero no per\u00edodo passado\u201d, \u00e9 como Brito Broca, na Introdu\u00e7\u00e3o ao <em>Estudo cr\u00edtico da literatura brasileira<\/em>, classifica a obra marcantemente caracter\u00edstica de Henriques Leal.<\/p>\n<p>Ao investir\u00adme das altas dignidades de novo ocupante da Cadeira 10, sinto aceitar um desafio: o de arcar, doravante, com pesadas responsabilidades. Estudando a hist\u00f3ria de minha Cadeira, vejo que a cultura e a intelig\u00eancia foram\u00adlhes presentes, desde sua funda\u00e7\u00e3o, h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo. Institu\u00edda sob a \u00e9gide da luminosidade espiritual do Plutarco Maranhense, teve por primeiro titular o ensa\u00edsta, tradutor e contista Raul Astolfo Marques, que ligou o seu nome definitivamente \u00e0s nossas letras.<\/p>\n<p>Astolfo Marques \u00e9 um dos exemplos mais eloquentes de quanto vale a coragem de lutar, enfrentando os embates da vida. Foi nesta mesma Casa que ele come\u00e7ou a trabalhar, na modesta fun\u00e7\u00e3o de servente da Biblioteca P\u00fablica, meio honesto de prover o ganha\u00ad-p\u00e3o cotidiano.<\/p>\n<p>Humberto de Campos d\u00e1 not\u00edcias de Astolfo Marques atravessando a ent\u00e3o rua da Paz, a fim de comprar, na Casa Trasmontana, refresco para Ant\u00f4nio Lobo e Fran Pacheco. E quem vendia, esticado nas pontas dos p\u00e9s, detr\u00e1s do balc\u00e3o, era o menino Humberto.<\/p>\n<p>Anos depois, entretanto, funda-\u00adse tamb\u00e9m aqui, a Academia Maranhense de Letras. Est\u00e1 entre os luminares que a integram, Astolfo Marques, cujo amor ao ensaio e \u00e0 pesquisa pode ser facilmente avaliado pelo patrono que escolheu \u2014 Ant\u00f4nio Henriques Leal \u2014 e pelos trabalhos biobibliogr\u00e1ficos que escreveu, boa parte dos quais, publicados na <em>Revista do Norte<\/em>.<\/p>\n<p>Quando, por seu falecimento, a Cadeira \u00e9 declarada vaga, ocupa-\u00ada, por pouco tempo, no entanto, o dr. Lu\u00eds Domingues da Silva, maranhense dos mais ilustres, que brilhou na C\u00e2mara Federal e, entre n\u00f3s, governou o Estado.<\/p>\n<p>Com o falecimento do dr. Lu\u00eds Domingues, durante muitos anos a Cadeira 10 haveria de permanecer vazia de ocupante, por\u00e9m cheia de gl\u00f3rias dos que a ela se ligaram perpetuamente, pelo patronato ou pela posse efetiva.<\/p>\n<p>Contudo, valeu a pena esperar. O homem que, no decorrer de t\u00e3o prolongados anos a ocuparia, era algu\u00e9m capaz de recuperar o tempo perdido, se me permitem relembrar Proust.<\/p>\n<p>Falo do desembargador Henrique Costa Fernandes, que prestou \u00e0 nossa terra servi\u00e7os de assinalada relev\u00e2ncia. Dedicado ao Direito, em que, ap\u00f3s bacharelar-\u00adse, conquistou com brilhantismo o grau de doutor, Henrique Costa Fernandes inscreveu-\u00adse entre os grandes jurisconsultos maranhenses de seu tempo.<\/p>\n<p>Autoridade em doutrina e hermen\u00eautica, deixou espalhada por um sem n\u00famero de jornais e revistas, volumosa contribui\u00e7\u00e3o aos estudos jur\u00eddicos, fruto de sua cultura profissional, que lamentamos n\u00e3o tenha sido recolhida em livros. Exerceu, em sua carreira, al\u00e9m da advocacia, as fun\u00e7\u00f5es de promotor p\u00fablico, juiz de Direito, procurador\u00adgeral do Estado e desembargador, presidindo por v\u00e1rias vezes os egr\u00e9gios Tribunais de Justi\u00e7a e Regional Eleitoral do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Catedr\u00e1tico nas Faculdades de Direito de Manaus e S\u00e3o Lu\u00eds, ministrou os seus ensinamentos a v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. E na imprensa, deixou farto material para o estudo da l\u00edngua portuguesa, disseminado em jornais maranhenses, assinando, sob o pseud\u00f4nimo de Pantale\u00e3o Teles, artigos em que deixa comprovada boa cultura filol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A sua folha de servi\u00e7os inclui ainda o desempenho, em v\u00e1rias legislaturas, do mandato de representante do povo maranhense na Assembleia Legislativa.<\/p>\n<p>Pena que, reunindo tanta cultura e intelig\u00eancia, n\u00e3o haja deixado obra que esteja \u00e0 altura de seu valor intelectual. Entretanto, <em>Administra\u00e7\u00f5es maranhenses<\/em> \u00e9 livro que a\u00ed est\u00e1, servindo para dizer do esp\u00edrito de pesquisa e indaga\u00e7\u00e3o de seu autor, a par de apreci\u00e1vel esp\u00edrito cr\u00edtico na interpreta\u00e7\u00e3o dos per\u00edodos administrativos, que estuda detalhadamente.<\/p>\n<p>Mas em t\u00e3o alta conta hoje tenho, pelas investiga\u00e7\u00f5es realizadas, a capacidade intelectual do desembargador Costa Fernandes, que n\u00e3o alimento a menor d\u00favida de que ele poderia, se quisesse, realizar\u00ad-se melhor como escritor.<\/p>\n<p>Cada um, entretanto, possui as suas tend\u00eancias e predile\u00e7\u00f5es naturais. O desembargador Henrique Costa Fernandes foi, sobretudo, um jurista. E como tal, encontrou a sua plena realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E agora, o que nele mais me comove: n\u00e3o obstante toda essa grandeza, jamais deixou de ser um homem simples, um homem bom. Esse o testemunho dos que com ele conviveram.<\/p>\n<p>E eu vos asseguro, pois, que tenho prazer e orgulho de, nesta Casa, suced\u00ea\u00ad-lo.<\/p>\n<p>A minha gera\u00e7\u00e3o, que viver\u00e1 o ano 2000, assistiu, emocionada e perplexa, ao primeiro grande passo dessa que ser\u00e1 a extraordin\u00e1ria caminhada do homem pelo infinito profundo, em busca de mundos outros para conhecer e explorar.<\/p>\n<p>Estamos sentindo um mundo em crise de estruturas, onde a quase desesperada busca de renova\u00e7\u00e3o para os padr\u00f5es ultrapassados pela pr\u00f3pria din\u00e2mica dos tempos presentes, exige de todos n\u00f3s, profundo senso de equil\u00edbrio e posi\u00e7\u00f5es corajosas. Os intelectuais, reconhecemos a necessidade imperiosa de ajustamento \u00e0 \u00e9poca, ou do contr\u00e1rio n\u00e3o transmitiremos aos outros homens a mensagem dos dias que correm, que essa \u00e9 a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Assumo as responsabilidades graves e honras de membro da Academia Maranhense de Letras, na certeza de que o fato n\u00e3o representa uma vit\u00f3ria individual, mas coletiva. E desejaria ser, aqui, int\u00e9rprete e porta-\u00advoz dos anseios e as aspira\u00e7\u00f5es dos que ficaram l\u00e1 fora, a provar que, em se tratando de maranhenses, quarenta Cadeiras n\u00e3o bastam para quantos sejam ilustres e inteligentes.<\/p>\n<p>Por isso que aqui n\u00e3o venho em meu pr\u00f3prio nome, que tal n\u00e3o seria cab\u00edvel, mas no de todos aqueles que j\u00e1 deram mostras de que o fogo sagrado de Atenas haver\u00e1 de ser mantido bem alto e bem aceso, para a perpetuidade das nossas gl\u00f3rias de ra\u00e7a inteligente.<\/p>\n<p>Um povo que tem, dentro e fora da Academia, poetas, escritores e jornalistas do quilate de Nauro Machado, Franklin de Oliveira, Osvaldino Marques, Manuel Caetano Bandeira de Melo, Nunes Pereira, Jos\u00e9 Sarney, Jo\u00e3o Mohana, Ribamar Carvalho, Bacelar Portela, Reginaldo Teles e muitos, muitos outros, n\u00e3o se arreceia da perda de sua vitalidade espiritual.<\/p>\n<p>Assim fomos no passado; somos assim neste presente que nos enche das maiores esperan\u00e7as para o grande futuro que come\u00e7a a chegar.<\/p>\n<p>Senhor Presidente,<br \/>\nSenhores acad\u00eamicos:<\/p>\n<p>Ao penetrar neste templo em que t\u00e3o generosamente me concedestes assento, sinto\u00ad-me invadido por uma emo\u00e7\u00e3o muito grande e muito intensa. E transfiro \u00e0 minha terra e \u00e0 minha gente todas as gl\u00f3rias deste momento que n\u00e3o me pertence a mim, porque \u00e9 um legado espiritual das mulheres, dos homens e das crian\u00e7as que me s\u00e3o m\u00e3e, esposa, filhos e irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Bendigo a minha sina de mo\u00e7o humilde, para quem todas as vit\u00f3rias s\u00e3o grandes feitos, e pago \u00e0 mem\u00f3ria esmaec\u00edvel de meu Pai, o tributo do meu reconhecimento por tudo quanto, porventura, seja ou venha a ser.<\/p>\n<p>Orgulha-\u00adme haver iniciado minha vida p\u00fablica na condi\u00e7\u00e3o de integrante das fileiras da Pol\u00edcia Militar do meu Estado, glorificada pela bravura e pelo hero\u00edsmo, ao longo de sua exist\u00eancia secular. Ali servi ao governo de minha terra e tive a forja em que retemperei a disposi\u00e7\u00e3o cong\u00eanita para enfrentar a vida, no decurso de sete dos mais belos anos de minha juventude.<\/p>\n<p>Rendo, neste instante, as minhas homenagens mais sinceras e mais comovidas \u00e0 cidade de Buriti Bravo, que n\u00e3o sendo a terra do meu nascimento, \u00e9 o ch\u00e3o do meu amor, porque o ber\u00e7o da esposa querida e dos filhos idolatrados.<\/p>\n<p>Honra\u00ad-me sobremodo ser recebido por Ant\u00f4nio de Oliveira, um grande e leal amigo que se fez meu companheiro de lutas e meu irm\u00e3o de ideais. A ele devo muito das alegrias desta noite.<\/p>\n<p>O que de mim para o bem da Academia seja requerido e esteja ao alcance de minhas modestas possibilidades, terei prazer e orgulho em realizar.<\/p>\n<p>Prometo formar ao lado dos que se empenham para manter sempre bem vidas t\u00e3o gloriosas tradi\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia, estudo e cultura, contribuindo para que a Academia se renove conservando-\u00adse e se conserve renovando-\u00adse, para que as gera\u00e7\u00f5es vindouras recebam de n\u00f3s um organismo referto das gl\u00f3rias de que \u00e9 leg\u00edtimo deposit\u00e1rio, por\u00e9m estuante de vitalidade.<\/p>\n<p>Recebo o simbolismo da imortalidade acad\u00eamica, bem certo de que ele me foi conferido mais como est\u00edmulo, que por merecimento, representando avultado cr\u00e9dito de confian\u00e7a a que desejo corresponder. E creio em Deus que, se a mim n\u00e3o me faltarem vida e sa\u00fade, assim como da falta de talento e capacidade de trabalho injusto seria lamentar\u00ad-me, haverei de saldar esse d\u00e9bito \u2014 formid\u00e1vel d\u00e9bito contra\u00eddo \u2014 sem nenhum vexame ou inc\u00f4modo aos bondosos avalistas.<\/p>\n<p>Lutarei, atrav\u00e9s do estudo e do trabalho intelectual o que humilde mais honestamente realizo, para n\u00e3o permitir que os fantasmas do remorso de uma a\u00e7\u00e3o mal praticada perturbem o sono bom dos que votaram em mim. E aos que n\u00e3o me sufragaram o nome, empenhar\u00ad-me-\u00adei, de corpo e alma, por levar a certeza de que, se o fizessem, n\u00e3o haveriam desgra\u00e7adamente ca\u00eddo em pecado mortal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE RECEP\u00c7\u00c3O por Ant\u00f4nio de Oliveira<\/h5>\n<p>Um cientista patr\u00edcio, creio que o saudoso autor de <em>O torr\u00e3o maranhense<\/em>, ressaltou, num dos seus not\u00e1veis ensaios, a influ\u00eancia exercida pelos rios sobre a intelig\u00eancia humana. Verdadeira ou n\u00e3o a tese do famoso etn\u00f3grafo, naturalista do Museu Nacional, o que podemos afirmar \u00e9 que em nosso Estado parece verificar\u00ad-se a sua confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 orla do Itapecuru, rio de indiscut\u00edveis tradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, nasceram muitos desses homens representativos que se acham perfilados na galeria de retratos deste ilustre are\u00f3pago de nossas letras. Poderia citar\u00ad-vos os nomes de todos os que ali est\u00e3o, prestando-\u00adlhes, destarte, a merecida homenagem. N\u00e3o seria exagero incluir\u00ad-se entre eles o nosso harmonioso Trajano Galv\u00e3o de Carvalho, pioneiro da poesia abolicionista, que, embora nascido \u00e0s margens do barrento Mearim, desfrutou a meninice junto \u00e0s festivas ribanceiras do Itapecuru.<\/p>\n<p>Acha-\u00adse presente a esta solenidade um dos mais brilhantes companheiros de minha gera\u00e7\u00e3o, o poeta e ensa\u00edsta Manuel Caetano Bandeira de Melo, secret\u00e1rio geral do Conselho Federal de Cultura, nascido em Caxias, portanto em terras banhadas pelo nosso rio sagrado.<\/p>\n<p>\u00c9, assim, o Taboucurou dos cronistas franceses e, em outras arrevesadas grafias, o Tapucuru dos conquistadores lusitanos, um manancial privilegiado.<\/p>\n<p>Quando, exatamente h\u00e1 um ano, em id\u00eantica solenidade, tomei posse na Cadeira patron\u00edmica de Raimundo Teixeira\u00a0Mendes, oriundo da mesma Caxias que se abre em flor de um lado e do outro do grande rio imortalizado no poema singelo de Dias Carneiro, referi\u00ad-me \u00e0 tese raimundiana, que talvez n\u00e3o passe de uma dessas coincid\u00eancias.<\/p>\n<p>Contudo, pareceu-\u00adme oportuno reviv\u00ea\u00ad-la neste momento, ao evocar a figura extraordin\u00e1ria de Ant\u00f4nio Henriques Leal, glorioso patrono do nosso recipiend\u00e1rio. N\u00e3o desejo, entretanto, sobrepor\u00ad-me ao elogio de Jomar Moraes \u00e0 figura daquele que inspirou ao saudoso Astolfo Marques, um dos seus not\u00e1veis \u201capuntos biobibliogr\u00e1ficos\u201d.<\/p>\n<p>Henriques Leal exercitou efetivamente memor\u00e1vel e herc\u00falea tarefa ao cinzelar as dezenove soberbas colunas do seu <em>Pantheon<\/em>, com que conquistou a antonom\u00e1sia de Plutarco Maranhense, n\u00e3o obstante os espinhos de mandacaru de Frederico Jos\u00e9 Correia.<\/p>\n<p>Todos se lembram dos apelos de Gra\u00e7a Aranha no sentido da reforma dos quadros sociais da Academia Brasileira de Letras, a fim de que esta, para que n\u00e3o viesse a perecer, providenciasse com urg\u00eancia uma transfus\u00e3o de sangue mo\u00e7o.<\/p>\n<p>A Academia Maranhense de Letras, sabiamente e sem aperturas de uma autodestrui\u00e7\u00e3o, aos poucos vai renovando, com o predom\u00ednio de gente nova, \u201cpra frente\u201d, como se diz agora, o seu quadro de s\u00f3cios.<\/p>\n<p>Contemplai esta galeria de retratos dos gloriosos patronos e fundadores desta Casa, que se notabilizaram em todos os ramos do saber. Muitos salientaram\u00ad-se pela intelig\u00eancia e pela cultura, como esse at\u00e9 h\u00e1 pouco injusti\u00e7ado Joaquim de Sous\u00e2ndrade, cuja poesia de vanguarda, ao passar por esclarecida revis\u00e3o, vai granjeando o que n\u00e3o conseguiu em vida de seu autor: compreens\u00e3o e renome.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Henriques Leal, o Plutarco Maranhense, credor de nossa eterna gratid\u00e3o, foi admir\u00e1vel arquiteto desse gigantesco monumento de dezenove altaneiras colunas que, repito, resistiram \u00e0s terr\u00edveis arremetidas do panflet\u00e1rio de <em>Um livro de cr\u00edtica<\/em>.<\/p>\n<p>Detende\u00ad-vos mais uma vez ante estas fisionomias serenas, hirtas na sua perenidade, entre as quais se encontram as daqueles denodados obreiros idealizadores desta Casa Senhorial, o ardoroso grupo remanescente da Oficina dos Novos. Todos envoltos na \u00e1urea da imortalidade. Glorifiquemos, pois, todos esses nossos deuses tutelares, principalmente o patrono da Cadeira que hoje tem novo ocupante. Sentou\u00ad-se nela, at\u00e9 bem pouco, um dos maiores ornamentos das letras e da magistratura do nosso Estado, o saudoso desembargador Henrique Costa Fernandes.<\/p>\n<p>Vede, pois, senhor Jomar Moraes, a responsabilidade que pesa sobre os vossos ombros, ao empossar\u00ad-vos nesta C\u00e1tedra de gloriosas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Conta seu autorizado bi\u00f3grafo haver Ant\u00f4nio Henriques Leal deixado dois trabalhos romanceados: um, inspirado na vida, paix\u00e3o e morte do nosso m\u00e1rtir Bequim\u00e3o, e o outro, sobre Evaristo da Veiga. Quem nos poder\u00e1 dizer onde se encontram os originais dessas produ\u00e7\u00f5es de real interesse para as letras maranhenses? \u00c9 esta a indaga\u00e7\u00e3o que ouso fazer\u00ad-vos, neste instante, na certeza de que, grande pesquisador que sois, dentro em breve podereis dar\u00ad-nos a resposta, j\u00e1 que vindes com o louv\u00e1vel prop\u00f3sito de dinamizar este Sodal\u00edcio. H\u00e1 muito que lavrar nesta seara inesgot\u00e1vel, merc\u00ea de Deus. Felizmente o imenso potencial de nossas reservas est\u00e1 agora sendo ativa e inteligentemente explorado, gra\u00e7as \u00e0 figura mo\u00e7a e operosa que em boa hora lhe rege os destinos.<\/p>\n<p>Senhor Jomar Moraes, chegou tamb\u00e9m a vossa vez.<\/p>\n<p>Rogo tamb\u00e9m n\u00e3o vos esque\u00e7ais, nas indaga\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 rica personalidade do vosso patrono, de estudar a figura interessante de Hugo Leal, filho do autor do <em>Pantheon<\/em>,\u00a0malogrado romancista e poeta de voo de gar\u00e7a real nas <em>Rosas de maio<\/em>, livro que o contista de <em>A vida maranhense<\/em> classificou de \u201cprimoroso\u201d.<\/p>\n<p>Abrindo um par\u00eantese em meio a esta parlenda, congratulo\u00ad-me com o brilhante grupo de jovens dirigentes da p\u00e1gina liter\u00e1ria Azulejos, gr\u00e1fica e substancialmente impec\u00e1vel, que valioso servi\u00e7o vem prestando \u00e0s letras e \u00e0 cultura de nossa terra. Por sinal, num de seus \u00faltimos n\u00fameros, estampou um cap\u00edtulo do vosso livro in\u00e9dito <em>Bronzes eternos<\/em>, dedicado ao ensa\u00edsta de <em>Locubra\u00e7\u00f5es<\/em>, e ladeado por um poema do alt\u00edssimo Nauro Machado e por uma luminosa p\u00e1gina de Lago Burnett.<\/p>\n<p>Consenti que vos leia alguns per\u00edodos desse formoso perfil, que facilmente seriam memorizados por qualquer crian\u00e7a de escola:<\/p>\n<p><em>Os primeiros a chegar junto ao busto de Ant\u00f4nio Henriques Leal, na Pra\u00e7a do Pantheon, foram Marta e Marisa. Logo ap\u00f3s surgia o professor, acompanhado de Irene, Cl\u00e1udio e Miriam. Os demais n\u00e3o tardaram, de sorte que num espa\u00e7o de dez minutos o grupo estava completo.<\/em><\/p>\n<p><em>E teve in\u00edcio a palestra, falando o professor:<\/em><\/p>\n<p><em>\u2014 Disse a voc\u00eas que estudar\u00edamos hoje a vida e a obra de Ant\u00f4nio Henriques Leal, cognominado o Plutarco Maranhense. Devo, ent\u00e3o, informar que Plutarco era o nome de um grande s\u00e1bio grego que foi moralista, professor, historiador e bi\u00f3grafo. O nosso Henriques Leal, homem de grande cultura e corre\u00e7\u00e3o moral, tamb\u00e9m foi professor, bi\u00f3grafo e historiador.<\/em><\/p>\n<p>Por isso andou bem, como sempre, esta Academia, ao premiar os vossos <em>Bronzes eternos<\/em>.<\/p>\n<p>Quero evocar, nesta solenidade, a figura ilustre do ap\u00f3stolo e pregador Ant\u00f4nio Vieira, a quem o Maranh\u00e3o, segundo um dos seus bi\u00f3grafos, o jesu\u00edta, E. Carel, muito est\u00e1 no dever de erguer condigno monumento, num dos seus mais atraentes logradouros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m desejo fazer\u00ad-vos, ao jeito do ardoroso advogado dos nossos silv\u00edcolas, esta indaga\u00e7\u00e3o: \u2014 Por que deixastes de remeter ao pobre autor desta arenga os elementos necess\u00e1rios \u00e0 vossa biografia?<\/p>\n<p>Provavelmente n\u00e3o mo remetestes apenas movido por um sentimento de mod\u00e9stia. N\u00e3o resistirei, entretanto, \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de transcrever estas excelentes linhas autobiogr\u00e1ficas, em quase tudo semelhantes \u00e0s deste enfadonho confrade que tem a grata honra de vos receber:<\/p>\n<p><em>Dizes que ainda n\u00e3o tens minha biografia. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o a tenho ainda. Sou um sujeito sem hist\u00f3ria alguma. O que te poderia dizer, assim de supet\u00e3o, \u00e9 que conto 29 anos de idade, sou detentor de tr\u00eas pr\u00eamios liter\u00e1rios de nossa Academia e, antes que me iniciasse na imprensa daqui, j\u00e1 o fizera, desde os 14 anos, em jornais e revistas do Rio e S\u00e3o Paulo. No Rio publiquei meu primeiro livro, aos 23 anos. E n\u00e3o conhe\u00e7o o Rio. Comecei a vida de maneira muito humilde, tendo que sentar pra\u00e7a como soldado de nossa Pol\u00edcia Militar, onde cheguei ao \u201celevad\u00edssimo\u201d posto de 3\u00ba sargento. Fui delegado de pol\u00edcia em duas cidades do interior maranhense, uma das quais \u2014 Buriti Bravo \u2014 \u00e9 o ch\u00e3o do meu amor. L\u00e1 encontrei minha esposa. E de l\u00e1 s\u00e3o tamb\u00e9m meus tr\u00eas filhinhos. Sou o \u00fanico indiv\u00edduo a ter o t\u00edtulo de cidad\u00e3o honor\u00e1rio de Buriti Bravo. O \u00fanico! Hoje, sou funcion\u00e1rio p\u00fablico federal, postalista, por concurso em que brilhei, gra\u00e7as a Deus. Sou muito pobre e sempre o fui. Mas sempre venci conquistando, jamais pedindo, naquela postura subserviente que, segundo o Padre Vieira, humilha e deixa o cabra moralmente aniquilado.<\/em><\/p>\n<p><em>Sinto que n\u00e3o tenho mais hist\u00f3ria. Mas a verdade \u00e9 que nunca me faltou disposi\u00e7\u00e3o para lutar pela vida. E, a\u00a0considerar de onde venho, j\u00e1 fiz muito; embora nada seja, j\u00e1 dei o \u201cmurro\u201d, como se diz: Em Buriti Bravo ajudei a fundar o Gin\u00e1sio Presidente Kennedy, que neste ano forma sua primeira turma. Quando, m\u00eas passado, o vi desfilar, chorei. Acho que j\u00e1 dei sentido e explica\u00e7\u00e3o a minha vida. L\u00e1 tamb\u00e9m fundei e presidi o Centro Cultural F\u00e9lix Aires e os jornaizinhos semanais A Luz<em> e <\/em>O Eco<em>, ambos por mim escritos e mimeografados. A duras penas.<\/em><\/em><\/p>\n<p>Senhor Jomar Moraes:<\/p>\n<p>Um dia, quando escreverdes as vossas mem\u00f3rias, rogo\u00ad-vos desde j\u00e1 a inclus\u00e3o nelas deste cap\u00edtulo, digno da pena de um Raul Brand\u00e3o ou, sem sair de casa, da de Humberto de Campos. Pela amostra, sois um memorialista nato. Obrigado, porque assim me poupastes de improvisar a vossa biografia. E agradecido, tamb\u00e9m, pelo gozo do bem urdido trecho de prosa.<\/p>\n<p>Certa vez, falando de si mesmo, afirmara Camilo Castelo Branco ser ele o escritor de mais atrapalhada biografia. A vossa, como vimos, n\u00e3o chega a ser como a do artista das <em>Novelas do Minho<\/em>. N\u00e3o \u00e9, pois, a vossa biografia como a do grande mestre da l\u00edngua, cheia de lances dram\u00e1ticos; mas considerando a vossa origem humilde, j\u00e1 fizestes bastante.<\/p>\n<p>Retomando o fio da hist\u00f3ria de vossa vida liter\u00e1ria, senhor acad\u00eamico, n\u00e3o desejo concluir esta sauda\u00e7\u00e3o sem antes relacionar, para fim de registro, as vossas interessantes produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Publicastes, primeiramente, <em>Seara em flor<\/em>, Rio de Janeiro, 1963, livro que sem raz\u00e3o repudiais, pois constitui o primeiro bot\u00e3o do vosso hoje matizado canteiro. Depois, o ensaio intitulado <em>Gra\u00e7a Aranha<\/em>, publicado em S\u00e3o Lu\u00eds, 1968, durante as comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio de nascimento desse extraordin\u00e1rio agitador de ideias e tamb\u00e9m not\u00e1vel memorialista de <em>O meu pr\u00f3prio romance<\/em>. Finalmente, destes \u00e0 estampa, neste ano de 1969, em S\u00e3o Lu\u00eds, o vosso premiado <em>Vida e obra de Ant\u00f4nio Lobo<\/em>, com que merecidamente conquistastes o direito de ingresso nesta Casa.<\/p>\n<p>Gostaria tamb\u00e9m de apreciar, embora ligeiramente, a vossa atividade como excelente jornalista e atilado rep\u00f3rter que sois. Vossas magn\u00edficas reportagens em <em>Legenda<\/em> e outras publica\u00e7\u00f5es desta cidade dos meus quindins, algumas justamente premiadas, mereciam estudo \u00e0 parte, neste meu pobre discurso de sauda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era isto, queridos confrades, o que eu pretendia dizer\u00ad-vos, nesta hora ecum\u00eanica de renova\u00e7\u00e3o de valores. A mocidade, mais uma vez, acaba de obter o almejado ingresso nesse Cen\u00e1culo, atrav\u00e9s de uma de suas mais representativas figuras.<\/p>\n<p>Assumis, por\u00e9m, senhor acad\u00eamico Jomar Moraes, sob a vossa palavra de honra, o solene compromisso de zelar pelas nossas melhores tradi\u00e7\u00f5es e de ajudar\u00ad-nos a manter vivo o calor desta flama, raz\u00e3o de ser da Casa de Ant\u00f4nio Lobo e de nossa exist\u00eancia de homens dedicados \u00e0s letras.<\/p>\n<p>Escolhestes, \u00e9 verdade, o mais obscuro camarada para vos dar, no limiar deste templo, o fraterno e caloroso aperto de m\u00e3os das boas vindas.<\/p>\n<p>Alegramo-\u00adnos todos em ter\u00ad-vos como nosso companheiro.<\/p>\n<p>Conquanto pobre e inteiramente desprovida de bens materiais, esta Casa tem como riqueza tudo aquilo que nos pode vir do esp\u00edrito e da intelig\u00eancia. Por isso que ela conserva aquele orgulho de primo pobre, que a fez manter\u00ad-se honrada e altiva em todas as vicissitudes por que tem passado.<\/p>\n<p>Seu glorioso e \u00fanico patrim\u00f4nio \u00e9 o da cultura, representado, entre outros valores, pelos quatro alentados volumes desse imenso <em>Pantheon maranhense<\/em>, cujo autor acabastes de elogiar brilhantemente.<\/p>\n<p>Tudo o que possu\u00edmos a\u00ed est\u00e1, nobre companheiro, nestes autores que se tornaram os mais brilhantes de nossa literatura,\u00a0imortalizados nesses retratos, nesses vultos sagrados dos nossos maiores que assistem, silenciosos, por\u00e9m felizes, \u00e0 espadeirada do ritual com que fostes armado paladino.<\/p>\n<p>Assim, podeis pronunciar, ao sentar\u00advos na Cadeira que de agora em diante vos pertence pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos, as mesmas palavras que o vosso patrono espargiu, como olentes cam\u00e9lias, na portada do seu imortal <em>Pantheon<\/em>.<\/p>\n<p>Depositai, senhor acad\u00eamico, sobre as l\u00e1pides memoriais destes \u00edcones benditos, as flores imarcesc\u00edveis da vossa juventude e da vossa intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Sede, portanto, bem\u00advindo!<\/p>\n<p>A sedutora imortalidade vos espera!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p>Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n<p>Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia Nasceu em Guimar\u00e3es-MA, a 6 de maio de 1940. \u00a0Filho de Jos\u00e9 Alipio de Moraes Filho e Marcolina Cyriaca da Silva. Pesquisador, ensa\u00edsta, cronista, cr\u00edtico e historiador da literatura maranhense. Editor de textos; mant\u00e9m ass\u00eddua colabora\u00e7\u00e3o na imprensa de S\u00e3o Lu\u00eds. 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