{"id":495,"date":"2014-03-16T10:57:05","date_gmt":"2014-03-16T10:57:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=495"},"modified":"2014-09-09T23:44:34","modified_gmt":"2014-09-09T23:44:34","slug":"godofredo-mendes-viana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/godofredo-mendes-viana\/","title":{"rendered":"Godofredo Mendes Viana"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p style=\"color: #000000;\">Nasceu em Cod\u00f3, a 14 de junho de 1878, \u00e9poca em que seu genitor exercia as fun\u00e7\u00f5es de juiz de Direito naquela cidade maranhense, e faleceu no Rio de Janeiro, a 12 de agosto de 1944. Repete-se, para elidir qualquer d\u00favida, em face dos reiterados registros err\u00f4neos sobre local e data de nascimento desse ilustre maranhense, que Godofredo Viana nasceu em Cod\u00f3, a 14 de junho de 1878. Ap\u00f3s fazer os estudos de Humanidades em S\u00e3o Lu\u00eds, seguiu para Salvador-BA, em cuja Faculdade Livre de Direito bacharelou-se em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais, no ano de 1903, integrando turma da qual foi o orador. De volta ao Maranh\u00e3o, exerceu as fun\u00e7\u00f5es de promotor p\u00fablico em Alc\u00e2ntara, e posteriormente as de juiz seccional substituto.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Jurista na verdadeira express\u00e3o do termo, produziu diversas obras nesse ramo do saber, a exemplo de\u00a0<em>No pa\u00eds do Direito<\/em>\u00a0(S\u00e3o Lu\u00eds: Imprensa Oficial, 1914), al\u00e9m de haver redigido o C\u00f3digo de Processo Civil e Comercial e o C\u00f3digo de Processo Criminal do Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Foi professor de Direito Constitucional da antiga Faculdade de Direito do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Pertenceu \u00e0 Oficina dos Novos, onde ocupava a Cadeira N\u00ba 17, patroneada pelo tamb\u00e9m codoense dos mais ilustres, Almeida Oliveira.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Governou o Maranh\u00e3o de 1923 a 1926, havendo realizado administra\u00e7\u00e3o operosa, que lhe possibilitou implantar, em bases modernas, os servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua, luz e esgoto de S\u00e3o Lu\u00eds. Exerceu ainda o mandato de Senador da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">A par de numerosos trabalhos de natureza diversa e de copiosa colabora\u00e7\u00e3o em jornais e revistas, publicou, no campo da literatura, os livros:\u00a0<em>Terra de ouro<\/em>\u00a0(evoca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas). Rio de Janeiro: Calvino Filho, 1935;\u00a0<em>Ocasi\u00e3o de pecar<\/em>\u00a0(romance sob a forma de missivas a um destinat\u00e1rio fict\u00edcio, e subintitulado Cartas Fr\u00edvolas). Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1939, e o romance\u00a0<em>Por onde Deus n\u00e3o andou<\/em>\u00a0(Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1946), de publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma, reeditado em 2008 (volume 5 da S\u00e9rie Fundadores, cole\u00e7\u00e3o Publica\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio).<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Godofredo Viana, com toda certeza uma das mais brilhantes figuras do grupo fundador da Academia, teria deixado in\u00e9dito um livro de poesia, intitulado\u00a0<em>Versos de outrora.<\/em><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Romance regional sem resqu\u00edcio de culpa em raz\u00e3o de eventual anacronismo que n\u00e3o se lhe pode imputar, por desconhecimento da \u00e9poca em que foi escrito, j\u00e1 que livro de publica\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma,\u00a0<em>Por onde Deus n\u00e3o andou<\/em>\u00a0\u00e9 ambientado em Cod\u00f3, terra natal do autor, que apesar de l\u00e1 n\u00e3o ter vivido por longo tempo, revela profundo conhecimento do microcosmo tomado para cen\u00e1rio da narrativa, que abrange, por extens\u00e3o, larga faixa da hinterl\u00e2ndia maranhense, notadamente a chamada Regi\u00e3o dos Cocais, m\u00edstica de prolongado percurso do rio Itapecuru. Das profundezas desse pequeno mundo em si completo e autossuficiente, a despeito de suas car\u00eancias end\u00f3genas, Godofredo Viana emerge, trazendo o registro dos costumes, do linguajar, das lendas, sagas, racontos, crendices, abus\u00f5es, adagi\u00e1rio, rituais l\u00fadicos, enfim \u2013 todas as manifesta\u00e7\u00f5es culturais dos pagos long\u00ednquos e pobres, mas estuantes de vida. Vida vivida e manifestada nos folguedos populares, nas gestas antanhas ligadas ao ciclo do gado, a exemplo do Rabicho da Geralda, de que tratam Jos\u00e9 de Alencar (<em>Nosso cancioneiro<\/em>), S\u00edlvio Romero (<em>Estudos sobre poesia popular do Brasil<\/em>) e outros mais. Tamb\u00e9m o bumba-meu-boi, sotaque daquela regi\u00e3o em determinada \u00e9poca, \u00e9 percucientemente coletado, inclusive com a inteireza de seu auto, esp\u00e9cie de entremez ou fac\u00e9cia hoje de ocorr\u00eancia cada vez mais rara, inclusive por m\u00edngua de quem lhe fa\u00e7a a representa\u00e7\u00e3o. Presentes, como seria de esperar, os acepipes e comes-e-bebes tipicamente regionais, e as dan\u00e7as\u00a0<em>da sociedade<\/em>\u00a0tamb\u00e9m, pois no romance h\u00e1 vida, e vida em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Digna de especial men\u00e7\u00e3o a engenhosa compet\u00eancia com que Godofredo Viana conduz a trama romanesca, desviando-a providencialmente de um desfecho que, manejado por m\u00e3os toscas, resultaria, talvez, em sanguinolenta tragicom\u00e9dia cabocla, posto que o tri\u00e2ngulo amoroso formado pelo engenheiro Alberto, chegado do Rio de Janeiro para conhecer as terras de sua fam\u00edlia, a encantadora mulata In\u00e1cia, de cabelos ondulados e corpo escultural recendente a baunilha, e o companheiro desta, Am\u00e2ndio, homenzarr\u00e3o destemido, escopeteiro que n\u00e3o erra sequer um beija-flor, sendo que este, por ignorar o t\u00f3rrido romance, era a maior amea\u00e7a em caso de seu desvelamento.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Nada disso, por\u00e9m, aconteceu. A narrativa tangencia a trag\u00e9dia, mas passa ao largo dela, possibilitando que todos os actantes fossem felizes para sempre.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Embora este n\u00e3o seja um romance de tese, ocorrem nele importantes discuss\u00f5es de fundo social, inclusive e principalmente em torno do baba\u00e7u, importante item da vida econ\u00f4mica da regi\u00e3o, \u00e0 \u00e9poca ocupando posi\u00e7\u00e3o de grande peso na economia maranhense.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Por fim, Am\u00e2ndio e In\u00e1cia retomam seu id\u00edlio, ao passo que Alberto embarca de volta para o Rio de Janeiro. A bordo do vapor Manaus, na amurada, contempla a cidade de S\u00e3o Lu\u00eds, que vai sumindo, sumindo, \u00e0 medida em que o vapor dela se afasta. At\u00e9 que as ameias neomanuelinas das duas torres da Igreja de Santo Ant\u00f4nio desaparecem, tragadas pelas \u00e1guas revoltas da ba\u00eda de S\u00e3o Marcos.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cGodofredo Viana<br \/>\n[&#8230;] \u201c\u00c0 gera\u00e7\u00e3o, aos companheiros de aventura renovadora e, mesmo, aos mestres, causava espanto aquele mo\u00e7o de vinte e dois anos, t\u00e3o fortemente aparelhado para os pr\u00e9lios da intelig\u00eancia. Poeta e prosador, com um estilo s\u00f3brio e um admir\u00e1vel poder descritivo, poderia ser o melhor conteur, de todo o grupo. A sua paix\u00e3o pelo Direito era, por\u00e9m, evidente. E de tal maneira, e t\u00e3o imperativa, que, ao regressar formado ao Maranh\u00e3o, em 1903, havia lacrado, j\u00e1, para exuma\u00e7\u00e3o oportuna, o formoso livro de contos em que depositara, anos antes, toda a sua esperan\u00e7a de gl\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cJurista de grande cultura, conhecendo, em uma cidade de vida forense retardada, os mais novos e complexos aspectos do Direito, era Godofredo Viana apontado, em breve, como a primeira cabe\u00e7a jur\u00eddica do Maranh\u00e3o. Os ju\u00edzes mais antigos consultavam-no nas suas senten\u00e7as. Os presidentes do Estado se desejavam um contrato ou uma lei, mandavam busc\u00e1-lo a casa, metiam-no em pal\u00e1cio, e confiavam \u00e0 sua compet\u00eancia a salvaguarda do interesse oficial. Foi assim que ele organizou os C\u00f3digos de Processo do Estado, e escreveu, no estilo mais l\u00edmpido e com a cultura mais profunda, o C\u00f3digo de Processo Civil e Comercial do Estado do Maranh\u00e3o, o C\u00f3digo de Processo Criminal, as Formas e f\u00f3rmulas processuais, No pa\u00eds do Direito, a Pr\u00e1tica do Processo Criminal, e outras obras que constituem hoje, nos do\u00a0\u00a0 m\u00ednios do Direito, o que o Maranh\u00e3o possui de mais perfeito, de mais s\u00f3lido, e de mais moderno, em mat\u00e9ria de legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cModesto at\u00e9 os limites da inconveni\u00eancia, Godofredo contentava-se com a alegria desse trabalho, quando lhe deram, como pr\u00eamio de construir a gl\u00f3ria alheia, o cargo de juiz substituto federal. E exercia essas fun\u00e7\u00f5es, muito abaixo do seu merecimento e dos seus direitos, quando, ao chegar ao Maranh\u00e3o como presidente, Urbano Santos ficou indignado.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201c\u2013 Mas voc\u00ea, com esse talento, aqui? Isto \u00e9 um crime!<br \/>\n\u201cE enviou-o, logo, diretamente, ao Senado da Rep\u00fablica, onde se imp\u00f4s, de pronto, aos juristas mais ilustres da casa, e de onde saiu, altivo, digno, glorificado pela admira\u00e7\u00e3o nacional, para governar o Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">\u201cPresidente do Estado, Godofredo Viana quis ser para a sua terra, e para a sua gente, o que era quando simples advogado: a mesma criatura af\u00e1vel, boa, gene-rosa. As portas do Pal\u00e1cio ficaram abertas, escancaradas a todas as classes. O dono da casa n\u00e3o sabia dizer \u201cn\u00e3o\u201d a ningu\u00e9m. \u00c0s vezes, aparecia um sujeito a pedir uma cousa dif\u00edcil \u2013 licen\u00e7a, emprego ou pagamento. O presidente oferecia uma evasiva, desculpando-se. O sujeito ensaiava, por\u00e9m, uma l\u00e1grima na ponta da pestana. O presidente umedecia os olhos. E o sujeito estava servido.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<p style=\"color: #000000;\"><strong>Humberto de Campos\u00a0<\/strong><br \/>\n<em>Perfis<\/em>, II s\u00e9rie<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Poss\u00ea<\/h1>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em Desenvolvimento<\/span>&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em Desenvolvimento<\/span>&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Em Desenvolvimento<\/span>&#8230;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia Nasceu em Cod\u00f3, a 14 de junho de 1878, \u00e9poca em que seu genitor exercia as fun\u00e7\u00f5es de juiz de Direito naquela cidade maranhense, e faleceu no Rio de Janeiro, a 12 de agosto de 1944. 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