{"id":430,"date":"2014-02-27T12:11:12","date_gmt":"2014-02-27T12:11:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=430"},"modified":"2014-12-04T04:55:21","modified_gmt":"2014-12-04T04:55:21","slug":"jose-carlos-sousa-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/jose-carlos-sousa-silva\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Carlos Sousa Silva"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Nasceu no povoado Pau d\u2019\u00c1gua, munic\u00edpio de Santa Quit\u00e9ria, no Maranh\u00e3o, a 13 de dezembro de 1944. \u00c9 filho de Raimundo Nonato Costa Silva e de Maria Raimunda Sousa Silva. Viveu a sua inf\u00e2ncia no referido povoado, onde foi alfabetizado. Em fevereiro de 1956, foi para Teresina (PI), onde trabalhou na Garapeira Estudantina, na Rua Coelho Neto, centro, e concluiu o Curso Prim\u00e1rio no Grupo Escolar Engenheiro Sampaio, na Rua Campos Sales. Foi aprovado no Exame Admiss\u00e3o e em Exame de Sele\u00e7\u00e3o e obteve uma bolsa de estudo federal. Assim ingressou no Gin\u00e1sio Le\u00e3o XIII, de Teresina, onde cursou a 1\u00aa S\u00e9rie ginasial. Em fevereiro de 1960, transferiu-se para S\u00e3o Lu\u00eds, e continuou trabalhando e concluiu o curso ginasial, no Col\u00e9gio S\u00e3o Luiz, sob a dire\u00e7\u00e3o do professor Luiz de Moraes Rego. Submeteu-se a exame e, \u00a0aprovado, ingressou no Curso Cl\u00e1ssico no Liceu Maranhense (Col\u00e9gio Estadual do Maranh\u00e3o), concluindo-o em dezembro de 1966. Em fevereiro de 1967, fez vestibular e foi aprovado, ingressando na Faculdade de Direito de S\u00e3o Lu\u00eds. Em 1971, concluiu o Curso de Direito e, logo, come\u00e7ou a atuar como advogado. Por\u00e9m, desde o 4\u00ba ano, devidamente registrado no Quadro de Solicitadores da Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 Se\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o, atuou no exerc\u00edcio da advocacia.<\/p>\n<p>Em julho de 1974, retornou, j\u00e1 como professor, \u00e0 Faculdade de Direito de S\u00e3o Lu\u00eds, mais tarde, foi incorporada \u00e0 Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 1978 a 1979, cursou o mestrado em Direito na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). De volta a S\u00e3o Lu\u00eds, foi eleito presidente da Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 Se\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o, da qual \u00e9, hoje, conselheiro nato. Em diversos mandatos foi conselheiro federal da OAB, representando o Maranh\u00e3o. \u00c9 membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros.<\/p>\n<p>Ao final de 1963, iniciou a sua atua\u00e7\u00e3o como revisor e rep\u00f3rter do <em>Jornal do Dia<\/em>, hoje, jornal<em> O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, onde permanece escrevendo artigos aos domingos. \u00c9 membro, na categoria de colaborador, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<p>Trabalhos jur\u00eddicos publicados nos seguintes peri\u00f3dicos:Pol\u00edtica Jur\u00eddica. <em>Boletim n\u00ba 13 da Editora Forense<\/em>, agosto de 1978, e <em>Revista do Conselho Federal da OAB<\/em>, n\u00ba 69, 1999; Positivismo Jur\u00eddico. <em>Revista n\u00ba 10 da Ordem dos Advogados do Brasil<\/em> \u2013 Se\u00e7\u00e3o do DF \u2013 1981; O Parlamentarismo no Brasil<em>.<\/em> Jornal OAB-Bras\u00edlia \u2013DF \u2013 1983; O Estado no Banco dos R\u00e9us.<em> Revista do Conselho Federal da OAB<\/em>, n\u00ba 68, janeiro-junho\/1999; Justi\u00e7a: Realidade e Utopia. <em>Jornal do Conselho Federal da OAB \u2013 <\/em>agosto de 1999; Teoria Final\u00edstica da A\u00e7\u00e3o<strong>.<\/strong> <em>Revista do Conselho Federal da OAB,<\/em> n\u00ba 72, janeiro-junho\/2001; Cidadania, \u00c9tica e Estado. <em>Jornal do Conselho Federal da OAB<\/em>, setembro de 2002;Maioridade Penal.<em>Consulex \u2013 Informativo Jur\u00eddico<\/em>. 21 de maio de 2007; Constitucionalismo.<em>Consulex,<\/em> 18 de junho de 2007; Dever de Urbanidade. <em>Consulex,<\/em> 16 de julho de 2007; Garantias Criminais Repressivas. <em>Consulex,<\/em> 15 de dezembro de 2009; Com a Palavra. <em>Consulex,<\/em> 15 de agosto de 2010; O Ensino do Direito.\u00a0 <em>Consulex, <\/em>31 de outubro de 2010; <em>Caminho \u00e0 Democracia Plena<strong>.<\/strong><\/em> <em>Consulex,<\/em> 15 de janeiro de 2011;Justos x Pecadores. <em>Consulex, <\/em>1\u00ba de abril de 2011.O Professor \u00e9 o Profissional Mais Importante. <em>Consulex, <\/em>30 de junho de 2011;Poderes da Uni\u00e3o. <em>Consulex,<\/em> 30 de setembro de 2011; Rep\u00fablica Federativa do Brasil &#8211; Um Breve Hist\u00f3rico da Proclama\u00e7\u00e3o. <em>Consulex, <\/em>15 de novembro de 2011;Direito \u00e0 Propriedade \u2013 Disciplina e Limita\u00e7\u00f5es. <em>Consulex, <\/em>1\u00b0 de maio de 2012;A Import\u00e2ncia das Elei\u00e7\u00f5es Municipais. <em>Consulex,<\/em> 1\u00b0 de agosto de 2012;Direito de Vizinhan\u00e7a. <em>Consulex, <\/em>31 de dezembro de 2012;Democracia Econ\u00f4mica e Social. <em>Consulex,<\/em> 1\u00b0 de maio de 2013.<\/p>\n<p><strong>Livros publicados<\/strong><\/p>\n<p style=\"color: #000000;\"><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Abuso de poder no Direito Administrativo<\/em>. Belo Horizonte: Nova Alvorada Edi\u00e7\u00f5es Ltda, 1997; <em>\u00c9tica na advocacia.<\/em> Porto Alegre: S\u00e9rgio Ant\u00f4nio Fabris Editora, 2000; <em>Direito \u00e0 vida.<\/em> Porto Alegre: S\u00e9rgio Ant\u00f4nio Fabris Editora, 2006; <em>Princ\u00edpios fundamentais do Estado Brasileiro.<\/em> Porto Alegre: S\u00e9rgio Ant\u00f4nio Fabris Editora, 2009;<em>O menino Jos\u00e9.<\/em> S\u00e3o Lu\u00eds: 2010. <em>Direito \u00e9 ci\u00eancia.<\/em>Porto Alegre: S\u00e9rgio Ant\u00f4nio Fabris Editora, 2012; <em>S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 cidade luz. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: 2012<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Posse<\/h1>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE\u00a0POSSE<\/h5>\n<p>Desde a minha adolesc\u00eancia, ao passar frente \u00e0 sede desta Academia Maranhense de Letras, quase sempre, eu parava, pensava muito e, como se estivesse conversando com algu\u00e9m querendo ouvir\u00ad-me, dizia-\u00adlhe: n\u00e3o estou dentro de ti, mas est\u00e1s dentro de mim. Vou sempre pedir a Deus que me ilumine e me coloque no caminho que me conduza at\u00e9 ficar dentro de ti, para sempre.<\/p>\n<p>Deus me ouviu e me trouxe at\u00e9 aqui. Estou muito feliz! Estou, enfim, onde sempre quis estar.<\/p>\n<p>Para chegar aqui percorri imenso caminho. Comecei a caminhar na margem do rio Parna\u00edba, onde recebi, como melhor presente at\u00e9 hoje, o amor dos meus pais, um casal de lavradores: Raimundo Nonato Costa da Silva, conhecido como Alim Silva, j\u00e1 falecido, e Maria Raimunda Sousa Silva, que aqui se encontra com os seus 88 anos, ajudando-\u00adme a ser mais feliz. No seu rosto, aqui, agora, vejo a sua pr\u00f3pria beleza e sua grandeza espiritual, expressando tamb\u00e9m o amor com o que sempre me ensinou e me orienta at\u00e9 hoje. Muito grato, mam\u00e3e!<\/p>\n<p>Nos momentos mais dif\u00edceis de minha vida, para vencer obst\u00e1culos, ainda como crian\u00e7a e adolescente, tive o apoio de meus tios Olinto, Edenir e Jos\u00e9 Ferreira de Sousa, e assim tamb\u00e9m de minhas tias Bernarda Sousa Garcia (conhecida como Ded\u00e9), Aradi Sousa Santos e Maria dos Aflitos Sousa Silva, e de minhas queridas irm\u00e3s Maria Hercila, Regina Helena e Maria dos Aflitos Sousa Silva.<\/p>\n<p>A minha querida esposa, Maria da Paz, com a qual tenho tr\u00eas lindas filhas Ana Maria, casada com Alan Kardec, Raquel,\u00a0casada com Ricardo Ata\u00edde, e Diana, casada com Jos\u00e9 Manuel de Macedo Filho, t\u00eam sido at\u00e9 hoje apoio importante na minha vida. Hoje, sou av\u00f4 de V\u00edtor, Davi, Mariana e Lara, que me fazem mais feliz a cada dia que passa.<\/p>\n<p>Apoiado nas li\u00e7\u00f5es, na solidariedade permanente de meus pais, e sob a prote\u00e7\u00e3o de Deus, consegui ultrapassar as barreiras impostas comumente aos meninos pobres. Aprendi, muito cedo, que a dificuldade \u00e9 s\u00e1bia, ensina muito e que a facilidade n\u00e3o ensina nada.<\/p>\n<p>Para mim, foi muito bom, sim, encontrar nesse caminho, somente meu, a \u201cprofessora\u201d dificuldade. Ela me ensinou muito, ensinou\u00ad-me a amar a minha pr\u00f3pria vida e a dos meus semelhantes. Por isso, estou, aqui, s\u00e3o e salvo. N\u00e3o vim para ser contra ningu\u00e9m. Vim para colaborar, trabalhar sempre na constru\u00e7\u00e3o do melhor para esta Academia e em favor da uni\u00e3o eterna de todos que a integram.<\/p>\n<p>A imortalidade n\u00e3o deve nunca ser banalizada. Ela expressa um sentimento que o tempo nunca apaga.<\/p>\n<p>Nunca fui conduzido pela vaidade. Fui, sim, conduzido pela vontade e comandando minhas a\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es, estas sempre nos limites da legalidade e esta fundada na raz\u00e3o e na l\u00f3gica.<\/p>\n<p>A Cadeira N\u00ba 33 desta Academia, que passo a ocupar, tem a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, que nos revela nomes dos mais ilustres e merecedores do nosso respeito e da nossa admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O seu fundador Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho nasceu em Pirapemas, no Maranh\u00e3o. Deixou a sua identidade liter\u00e1ria na literatura infantil, al\u00e9m de ser poeta e jornalista de prest\u00edgio nacional e que por isso mesmo mereceu integrar-\u00adse ao quadro de membros efetivos da Academia Brasileira de Letras.<\/p>\n<p>Fez\u00adse, portanto, merecedor do t\u00edtulo de fundador da Cadeira N\u00ba 33 desta Academia Maranhense de Letras, pois ele estreou nas letras com apenas 18 anos, com o livro de contos <em>Minaretes<\/em>, publicado em 1902.<\/p>\n<p>Por sua vez, Pedro Nunes Leal, patrono desta Cadeira N\u00ba 33, nasceu em Itapecuru Mirim, em 22 de agosto de 1823, e faleceu em S\u00e3o Lu\u00eds, aos 7 de novembro de 1901. Formou\u00ad-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Fundou e dirigiu o famoso Instituto de Humanidades, considerado um dos melhores col\u00e9gios no Maranh\u00e3o. Redigiu o <em>Jornal da Lavoura<\/em>, jornal <em>O Progresso<\/em> e a <em>Revista Universal<\/em>, sendo merecedor de muitos elogios o seu <em>Dicion\u00e1rio Homofonol\u00f3gico<\/em>.<\/p>\n<p>Enfim, Viriato Correia e Pedro Nunes Leal estiveram juntos no jornalismo, onde deixaram marcas de suas intelig\u00eancias e expressando o seu pr\u00f3prio tempo.<\/p>\n<p>Meus antecessores Lu\u00eds Carlos da Cunha e Lu\u00eds Carlos Belo Parga nasceram em S\u00e3o Lu\u00eds, venceram obst\u00e1culos e constru\u00edram espa\u00e7os pr\u00f3prios com obras que sempre refletiram positivamente na hist\u00f3ria liter\u00e1ria maranhense.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Carlos da Cunha, um excelente poeta, jornalista e professor, que, com a palavra, sabia expressar a dimens\u00e3o exata do seu sentimento diante da beleza da natureza e do alcance desta dentro de cada ser humano. Soube fazer o seu tempo e nele deixar marcas do seu talento. Com ele trabalhei em jornal e pude perceber bem de perto a sua for\u00e7a interior na constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em versos e em prosa. Morreu novo, mas deixou nesta Academia marcas de sua intelig\u00eancia para a eternidade.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Carlos Belo Parga nasceu a 20 de dezembro de 1928 e faleceu em 13 de maio de 2008. Viveu, portanto, quase 80 anos. Pude v\u00ea-\u00adlo bem de perto tamb\u00e9m. No que escrevia e falava deixava marcas de ser, sem d\u00favida, um profundo conhecedor da l\u00edngua portuguesa. Era intransigente defensor da import\u00e2ncia do ensino rigoroso das regras gramaticais.<\/p>\n<p>Ele foi banc\u00e1rio de profiss\u00e3o. Em 1951, no Rio de Janeiro, ingressou no Banco do Brasil, para o qual trabalhou tamb\u00e9m em Fortaleza, em Bras\u00edlia e em S\u00e3o Lu\u00eds, onde se aposentou em 1986, como seu superintendente regional de opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Foi assistente do secret\u00e1rio particular do presidente da Rep\u00fablica, Castelo Branco, no per\u00edodo de 1964 a 1965. Foi presidente do Banco do Estado do Maranh\u00e3o no per\u00edodo de 1966 a 1967 e diretor do Banco do Nordeste do Brasil, em Fortaleza, no per\u00edodo de 1967 a 1973. Foi ainda presidente da Companhia Maranhense de Pesquisa Mineral no per\u00edodo de 1973 a 1974.<\/p>\n<p>Teve atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e por isso foi suplente do senador Jos\u00e9 Sarney, eleito em 1978, tendo exercido o mandato no per\u00edodo de outubro de 1986 a janeiro de 1987. Eleito suplente do senador Alexandre Costa, este falecido, assumiu a sua vaga em 1998, passando assim a ser o titular do mandato. Possuiu as condecora\u00e7\u00f5es seguintes: da Ordem de Rio Branco, da Ordem do M\u00e9rito Aeron\u00e1utico, ambas do Governo Federal, nos graus de cavaleiro e grande oficial respectivamente; do M\u00e9rito Timbira e do M\u00e9rito Cultural Jo\u00e3o Lisboa, ambas do Governo do Estado do Maranh\u00e3o. Pertenceu ao Conselho Estadual de Cultura.<\/p>\n<p>Na sua posse aqui nesta Academia, em 14 de maio de 1992, assim se manifestou:<\/p>\n<p><em>No mundo moderno, a ci\u00eancia e a tecnologia s\u00e3o ferramentas indispens\u00e1veis na oficina onde se confecciona o desenvolvimento econ\u00f4mico e social. Como adquirir esses instrumentos do saber com a difus\u00e3o de conhecimento, ideias, conceitos, doutrinas e li\u00e7\u00f5es, numa linguagem incorreta gramaticalmente e de pobreza vocabular? Despossu\u00edda de uma l\u00edngua bem ensinada e bem aprendida, a sociedade n\u00e3o obter\u00e1 a comunica\u00e7\u00e3o clara, geral e eficaz, essencial ao empenho comum na conquista do progresso.<\/em><\/p>\n<p>A\u00ed nessas afirma\u00e7\u00f5es, temos, sem d\u00favida, um caminho para um encontro com seu autor diante da necessidade do conhecimento do idioma que falamos para a efici\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o sobre a tecnologia e a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Ele sempre foi elogiado como poeta com estilo modernista. Foi um dos integrantes do Grupo Ilha, de S\u00e3o Lu\u00eds, do qual faziam parte Jos\u00e9 Sarney e Bandeira Tribuzzi.<\/p>\n<p>Teve uma atua\u00e7\u00e3o muito elogiada tamb\u00e9m como integrante do Conselho Editorial da <em>Revista Ilha<\/em>, considerada porta\u00ad-voz do seu grupo, que divulgava, pregava as ideias do modernismo. A sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, em grande parte, foi publicada em jornais e revistas liter\u00e1rias de S\u00e3o Lu\u00eds e de Fortaleza.<\/p>\n<p>\u00c9 autor do livro de poesia <em>Lira destemperada<\/em> e da pe\u00e7a teatral <em>Auto dos pastores de Bel\u00e9m<\/em>. Deixou, por \u00faltimo, <em>Lira alheia<\/em>, tradu\u00e7\u00f5es de poetas da l\u00edngua inglesa, obra esta que merece ser divulgada, posta \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s e em especial das novas gera\u00e7\u00f5es de estudiosos, para que tenham a dimens\u00e3o exata da intelig\u00eancia e da cultura de Lu\u00eds Carlos Belo Parga, que permanece, pelo que foi e \u00e9, entre todos n\u00f3s aqui, nesta Academia, onde deixou eternas saudades.<\/p>\n<p>Aqui, agora, quero deixar registrado o que sou. Sou o que eu sempre quis ser, um defensor intransigente da vida, do bem, e dos valores que lhe s\u00e3o essenciais. Procuro sempre conhecer as desigualdades reais em defesa da igualdade pura, para assim n\u00e3o cometer erros. Adoro ver o triunfo do bem sobre o mal. Enfim, adoro tamb\u00e9m ver a vit\u00f3ria das pessoas que s\u00f3 fazem o bem. A vida me ensinou muito. Muito cedo, aprendi que, ao inv\u00e9s de lutar exclusivamente para ter, o melhor mesmo \u00e9 lutar para ser. Por isso, estou aqui nesta Academia, onde quero continuar lutando para ser sempre \u00fatil \u00e0 comunidade a que perten\u00e7o e merecedor da confian\u00e7a de todos que dela tamb\u00e9m participam.<\/p>\n<p>O ser humano vale o que pensa e faz. Tenho a exata dimens\u00e3o dessa realidade. Por isso, antes de agir sempre pensei.<\/p>\n<p>E assim quero continuar.<\/p>\n<p>Muito obrigado!<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE RECEP\u00c7\u00c3O por\u00a0Benedito Buzar<\/h5>\n<p>\u201cT\u00e3o pr\u00f3diga \u00e9 a vossa bondade, que me levais a principiar, n\u00e3o por saudar-vos, como prescrevem as uzan\u00e7as que entre n\u00f3s j\u00e1 s\u00e3o leis, mas poder dar-vos, em obedi\u00eancia a um dever que, , se n\u00e3o \u00e9 maior, \u00e9 aquele que melhor me apraz. O meu agradecimento, portanto, todo e bem de cora\u00e7\u00e3o, assim amigo como sincero, \u00e9 t\u00e3o veraz quanto profundo, \u00e0 maneira fidalga com que me acariciastes a vaidade, na formosa ora\u00e7\u00e3o com que acabais de nos deleitar o esp\u00edrito\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de tal sorte dadivosa a vossa gentileza que a ela n\u00e3o lhe bastou lizonjear-me o orgulho, como se a este n\u00e3o bastasse j\u00e1 a circunst\u00e2ncia de ter sido eu o escolhido para vos receber, a v\u00f3s, nesta Casa, onde a vossa posse n\u00e3o ratifica uma conquista, pois apenas vos assegura um direito h\u00e1 muito e galhardamente conquistado\u201d.<\/p>\n<p>Ao inserir aspas nas palavras que acabais de ouvir, significa dizer, obviamente, que elas n\u00e3o s\u00e3o da minha lavra e nem foram produzidas pelo orador que se encontra no momento nesta tribuna.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 leu meus modestos trabalhos, invariavelmente publicados em O Estado do Maranh\u00e3o, ou compulsou os despretenciosos livros de minha autoria, sobre a\u00e7\u00f5es e atividades pol\u00edticas, ocorridas no Maranh\u00e3o, num passado n\u00e3o t\u00e3o remoto, n\u00e3o precisar\u00e1 empreender grandes esfor\u00e7os de mem\u00f3ria para concluir que quem as escreveu, al\u00e9m de fugir da linha orto gr\u00e1fica contempor\u00e2nea, est\u00e1 longe de lembrar ou se assemelhar \u00e0s mal tra\u00e7adas linhas que trazem a marca registrada deste modesto var\u00e3o nascido e criado \u00e0s margens do rio Itapecuru, em uma terra aben\u00e7oada por Deus e bonita por natureza.<\/p>\n<p>Para satisfazer a ansiedade ou sufocar a curiosidade dos mais afoitos, quantyo ao nome do intelectual e autor das palavras encimadas, ali\u00e1s, magn\u00edficas no seu conte\u00fado e literalmente recheadas de fidalguia,\u00a0 sinceridade\u00a0 e compet\u00eancia liter\u00e1ria, que serviram de intr\u00f3ito a este discurso, nada me impede de declin\u00e1-lo, procedimento que o fa\u00e7o com muita honra e prazer. Trata-se do jornalista, contista e pol\u00edtico Domingos Barbosa, o primeiro ocupanta da Cadeira n\u00ba 2, patroneada por Alu\u00edsio Azevedo, e um dos fundadores da Academia Maranhense de Letras, em nome da qual saudou o m\u00e9dico e cientista Jos\u00e9 de Almeida Nunes, quando de sua posse em 11 de janeiro de 1911.<\/p>\n<p>ainda como pre\u00e2mbulo, devo tamb\u00e9m confessar: n\u00e3o hesitei e nem tiveo menor constrangimento de us\u00e1-las, porque me faltasse inspira\u00e7\u00e3o intelectual ou motiva\u00e7\u00e3o suficiente para saudar esta figura extraordin\u00e1ria chamada Jos\u00e9 Carlos Sousa e Silva, que hoje ingressa nesta Casa de maneira imp\u00e1vida e retil\u00ednea.<\/p>\n<p>Se as incorporei a este discurso de recep\u00e7\u00e3o, foi como forma de enriquec\u00ea-lo, n\u00e3o com os corriqueiros e repetitivos floril\u00e9gios liter\u00e1rios e as filigranas intelectuais, que servem, quase sempre,\u00a0 para expor vaidaddes ou acalenta egolatrias incontroladas, mas com o indeclin\u00e1vel prop\u00f3sito de cumprir estritamente o Regimento Interno da AML que manda o acad\u00eamico, em nome da Academia, saudar o empossado, \u201cem discurso escrito, que lhe estudar\u00e1 a personalidade e a obra\u201d.<\/p>\n<p>Fiel cumpridor das determina\u00e7\u00f5es regimentais, esta ora\u00e7\u00e3o, repito, longe de se ater aos exagerados salamaleques intelectuais, pretende enveredar por um caminho que me parece o mais adequado e pertinente: mostrar, em toda a plenitude, o retrato real da personalidade que chega para compor o quadro deste sodal\u00edcio, procurando real\u00e7ar em pinceladas bem fortes e vivas as suas atividades intelectuais, o seu desempenho profissional e o comportamento moral e \u00e9tico do empossado, a fim de que, qo final desta solenidade, todos saiam daqui absolutamente convencidos do acerto da nossa decis\u00e3o de eleg\u00ea-lo membro desta confraria acad\u00eamica, que prima por ocupar um lugar de destaque na sociedade. E, queiram ou n\u00e3o os recalcitrantes, a Academia vem sendo, ao longo de uma cent\u00faria, a agulha que norteia os assuntos da cultura maranhense, conquanto, nos \u00faltimos tempos, venha ela, lamentavelmente, se afastanto do esp\u00edrito de fraternidade e do bom companheirismo, atributos que devem reinar como princ\u00edpio de conviv\u00eancia e fundamento para a plenitude da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Senhor Presidente, confrades e soleto audit\u00f3rio, a partir deste momento, para que se tenha a exata dimens\u00e3o, no tempo e no espa\u00e7o, da figura humana que ora ingressa nesta centen\u00e1ria Casa, vos convido a uma viagem com v\u00e1rias escaladas e paradas. Vale ressaltar que em cada uma delas foram projetados fatos, epis\u00f3dios e acontecimentos que permearam a hist\u00f3ria de vida do empossado, sempre digna de registro pela grandeza espiritual e humildade pessoal.<\/p>\n<p>Com respeito \u00e0s figuras humanas, com o perfil e o biotipo de Jos\u00e9 Carlos, que nasceram humildes e se fizeram grandes, o ilustrado maranhense Humberto de Campos, em seu discurso de posse, na Academia Brasileira de Letras, em 8 de mais de 1920, j\u00e1 chamava a aten\u00e7ao sobre elas, identificando-as como \u201cfiguras brilhantes e curiosas, que, sem proced\u00eancia conhecida, integram e dignificam a sociedade brasileira, que n\u00e3o lhes regatei aplausos\u201d.<\/p>\n<p>Essa longa e interessante viagem tem como marco inicial um pequeno lugar que poucos maranhenses sabem onde fica localizado, n\u00e3o apenas pelo inexpressivo tamanho que ocupa no munic\u00edpio do qual faz parte, mas tamb\u00e9m pela aus\u00eancia de servi\u00e7oes p\u00fablicos. Trata-se do povoado, com o sugestivo nome de Pau D&#8217;\u00e1gua, situado nos limites dos munic\u00edpios de Santa Quit\u00e9ria e S\u00e3o Bernardo, \u00e0 margem do rio Parana\u00edba. Foi ali que veio ao mundo, em plena vig\u00eancia do Estado Novo, no dia 13 de dezembro de 1944, uma crian\u00e7a, pequena apenas quanto ao tamanho f\u00edsico, do sexo masculino que os pais, Raimundo Nonato Costa da Silva, conhecido por Alim, e Maria Raimunda Sousa e Silva, ambos lavradores, portanto, pobres e vivendo da pequena lavoura de subsist\u00eancia, decidiram batizar com o nome de Jos\u00e9 Carlos.<\/p>\n<p>Aos nove anos, Jos\u00e9 Carlos, j\u00e1 alfabetizado pela prima, Diva Silva, foi convocado a fazer sua primeira e curta viagem. Deixou o povoado onde nasceu, em companhia dos pais, indo instalar-se em outro vilarejo, t\u00e3o atrasado quanto Pau D&#8217;\u00e1gua, conhecido pelo exc\u00eantrico nome de Currais, situado no munic\u00edpio de S\u00e3o Bernardo, onde o primog\u00eanito do casal, j\u00e1 inquieto e interessado em leituras, continuou a estudar, estimulado pela professora Ana\u00edtes Sp\u00edndola, uma educado que marcou a sua inf\u00e2ncia, merc\u00ea das s\u00e1bias li\u00e7\u00f5es e dos bons exemplos.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1956, ele, com doze anos de idade, ainda adolescente, mas com o pensamento no futuro, desta feita, sem a presen\u00e7a dos pais, realiza sua segunda viagem, certo de que, se ficasse em Pau D&#8217;\u00e1gua ou em Currais, n\u00e3o passaria de um roceiro. N\u00e3o poderia, portanto, ali permanecer, pois os dosi povoados eram desprovidos de escolas em condi\u00e7\u00f5es de oferecer um ensino mais avan\u00e7ado e capaz de faz\u00ea-lo subir na vida.<\/p>\n<p>Do interior do Maranh\u00e3o, Jos\u00e9 Carlos toma o destino da capital do Piau\u00ed, j\u00e1 que, na \u00e9poca, quem morava no Vale do Parna\u00edba tinha mais facilidade de se relacionar com Teresina do que com S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0 capital piauiense, \u201csem len\u00e7o e sem documento\u201d, como diria Caetano Veloso, imediatamente lan\u00e7a-se \u00e0 busca de col\u00e9gio para cursar o prim\u00e1rio e de emprego para se manter e n\u00e3o passar fome.<\/p>\n<p>A empreitada que se prop\u00f4s alcan\u00e7ar, a despeito das dificuldades, coroou-se de \u00eaxito, pois se matriculou no Grupo escolar Engenheiro Sampaio, onde estudava \u00e0 tarde. Quando n\u00e3o estava em sala de aula, auxiliava o propriet\u00e1rio da Garapeira Estudantina, no centro da cidade, na venda de caldo de cana. O dinheiro era pouco, mas o suficiente para alimentar-se e prover-se de coisas essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Mesmo vivendo dias atribulados e dif\u00edceis, dava conta dos deveres colegiais e do trabalho. Sem pensar em abandonar os estudos, ao contr\u00e1rio, se entrega com tamanho empenho e fervor aos livros e \u00e0s li\u00e7\u00f5es, a ponto de as professoras, depois de avalia\u00e7\u00f5es e testes, o promoverem para classes mais avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>Corria o ano de 1960 e ele se preparava com afinco para submeter-se ao exame de admiss\u00e3o. No jornal Folha da Mnh\u00e3, soube que, nesse ano, haveria tamb\u00e9m exame seletivo para bolsas de estudos aos cursos ginasial e cient\u00edfico. Resultado: logra aprova\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, no exame de adimiss\u00e3o ao Gin\u00e1sio Le\u00e3o XIII e conquista a ambicionada bolsa de estudo. Ainda n\u00e3o havia conclu\u00eddo o primeiro ano ginasial, mas a vontade de viajar para lugares nunca dantes navegados era forte e irrefre\u00e1vel. Impelido por essa vontade, parte para uma nova e audaciosa viagem. Desejava ir para um lugar mais adiantado, onde encontrasse alternativas para estudar e trabalhar, de modo a incorporar ao seu patrim\u00f4nio intelectual mais conhecimentos e materializar o grande sonho de sua vida: diplomar-se em Direito.<\/p>\n<p>Por isso, Jos\u00e9 Carlos decide trocar Teresina por S\u00e3o Lu\u00eds, na certeza de que, na capital do Maranh\u00e3o, encontraria campo mais vasto para crescer culturalmente, melhor viver e bater \u00e0s portas da Faculdade de Direito, \u00e0 \u00e9poca, localizada na Rua do Sol.<\/p>\n<p>Com poucos recursos, mas cheio de alentadas esperan\u00e7as e de herc\u00falea vontade de vencer, embar num trem da Estrada de Ferro S\u00e3o Lu\u00eds-Teresina. Depois de mais de doze horas de viagem, s\u00f3 deixa o comboio quando tem certeza de que chegara, s\u00e3o e salvo, na esta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Sem conhecer ningu\u00e9m e apenas com duas refer\u00eancias sobre a cidade. Usa sua intui\u00e7\u00e3o: aluga um quarto em modesta hospedaria na Rua Luzia Bruce e matricula-se no Col\u00e9gio de S\u00e3o Luiz, do provesto professor Luiz R\u00eago, onde, ainda com os recursos da bolsa de estudos, conclui o curso ginasial.<\/p>\n<p>Com o diploma do gin\u00e1sio, Jos\u00e9 Carlos, que s\u00f3 pensava em estudar Direito, deixa o col\u00e9gio de S\u00e3o Lu\u00eds e tranfere-se para o Liceu Maranhense. O curso cl\u00e1ssico ali ministrado decerto facilitaria o seu ingresso na Faculdade da Rua do Sol, cujo o diretor era o saudoso e querido professor Antenor Bog\u00e9a.<\/p>\n<p>Ao matricular-se no Liceu Maranhense, depara-se com um s\u00e9rio e incontorn\u00e1vel problema: o dinheiro escasseava e o desespero rondava em torno de si. Lembra-se ent\u00e3o de que, desde os tempos de gin\u00e1sio, tinha uma prefer\u00eancia especial pelo estudo de portugu\u00eas. Quem sabe se encontrasse alguns alunos n\u00e3o poderia atrav\u00e9s do ensino do nosso idioma auferir alguns trocados. Deixou a timidez de lado e passou a fazer propaganda de si mesmo, dando conta aos colegas de turma de suas reais potencialidades para ensinar o referido idioma. N\u00e3o demorou muito e j\u00e1 contava com numerosos alunos, quase todos oriundos de fam\u00edlia bem dotadas financeiramente.<\/p>\n<p>Em dois anos, de 1964 a 1966, Jos\u00e9 Carlos, em fun\u00e7\u00e3o da razo\u00e1vel remunera\u00e7\u00e3o, advinda das aulas particulares, consegue ter uma vida mais tranquila e conclui o curso cl\u00e1ssico, ap\u00f3s o que, em fevereiro de 1967, presta exame de habilita\u00e7\u00e3o para a Faculdade de Direito de S\u00e3o Lu\u00eds, sendo aprovado entre os primeiros lugares. Na condi\u00e7\u00e3o de estudante de Direito, resolve, ent\u00e3o, revelar um sentimento que cultivava desde a adolenc\u00eancia, mas que guardava no rec\u00f4ndito da alma, merc\u00ea da sua exagerada timidez: o gosto para escrever cr\u00f4nicas, artigos e poesias, em que exprima de modo simples, mas verdadeiro, as coisas que sentia e via, sem esquecer de registr\u00e1-las num caderno especial.<\/p>\n<p>Numa bela noite de ver\u00e3o, cria coragem, entra no extinto Jornal do Dia, apresenta-se ao poeta e hornalista Bandeira Tribuzzi, redator principal do matutino da rua de Santana, de quem era admirador, e pede-lhe para ler e opinar do contido naquele caderno.<\/p>\n<p>Tribuzzi gosta do jovem estudante de Direito e dos textos por ele produzidos. Ademais, sabendo das dificuldades que enfrentava para estudar e viver em S\u00e3o Lu\u00eds, prontamente passa a ajud\u00e1-lo, destinando-lhe duas atividades no Jornal do Dia: \u00e0 tarde, confere-lhe a fun\u00e7\u00e3o de rep\u00f3rter policial: \u00e0 noite, confia-lhe a tarefa de revisor, sem esquecer de outorgar-lhe o direito de publicar mat\u00e9rias de sua autoria no jornal, em qualquer dia, ato que continua a fazer at\u00e9 os dias correntes.<\/p>\n<p>As atividades desenvolvidas no Jornal do Dia e as aulas de Portugu\u00eas praticadas em casa particulares passaram a ser as bases que o mantinham e permitiam continuar os estudos na Faculdade de Direito, onde se destacava como aluno de primeira linha, a ponto de, no 4\u00ba ano do curso, gra\u00e7as aos benef\u00edcios da lesgisla\u00e7ao da \u00e9poca, lograr aprova\u00e7\u00e3o, com distin\u00e7\u00e3o, no quadro de Solicitadores da Ordem dos Advogados do Brasil, condi\u00e7\u00e3o que o habilita a das os primeiros passos na profiss\u00e3o, da qual mais tarde seria um dos expoentes do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>As primeiras a\u00e7\u00f5es impetradas por Jos\u00e9 Carlos, na fun\u00e7\u00e3o de solicitador inscrito na OAB, causaram nele fortes emo\u00e7\u00f5es e serviram para comprovar o acerto da decis\u00e3o de ser no futuro um profissional do Direito. Nesse decisivo per\u00edodo de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, jamais se ouvidar\u00e1 de dois fatos que o tornaram, em curto per\u00edodo de tempo, conhecido e bem conceituado.<\/p>\n<p>O primeiro, originou-se no levantamento da situa\u00e7\u00e3o dos presos da Penitenci\u00e1ria de Pedrinhas, quando oconstatou que mais de trinta detentos cumpriam penas de maneira irregular, o que contrariava a legisla\u00e7\u00e3o penal. Sem titubear, ingressa com uma a\u00e7\u00e3o para libert\u00e1-los imediatamente da pris\u00e3o. E ganha a quest\u00e3o. O segundo, quando, de maneira volunt\u00e1ria, assume a causa dos trabalhadores de transporte coletivo de S\u00e3o Lu\u00eds, que, em estado de greve, estavam amea\u00e7ados de pris\u00e3o e de demiss\u00e3o pelos empregadores. Por obra e gra\u00e7a de sua brilhante atua\u00e7\u00e3o, os grevistas n\u00e3o foram molestados nem pela Pol\u00edcia nem pelos patr\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda como Solicitador cometeu uma proeza que poucos teriam a aud\u00e1cia de ralizar: compra um fusquinha, em estado de pres\u00e1ria conserva\u00e7\u00e3o, e invade o interior do Maranh\u00e3o, na busca de causas, algumas complicadas, outras n\u00e3o, para question\u00e1-las perante os ju\u00edzes de comarcas distantes.<\/p>\n<p>Ao tempo que atuava como solicitador, embora n\u00e3o lhe faltasse dinheiro para as necessidades do cotidiano, n\u00e3o deixa de pensar em empregar-se no setor p\u00fablico. A fim de que sua receita pessoal incrementasse. Na \u00e9poca, o governador Jos\u00e9 Sarney concitava e convocava a juventude para trabalhar nos novos \u00f3rg\u00e3os criados na sua administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que, em 1967, participa de um concurso p\u00fablico promovido pelo Departamento Estadual de Estat\u00edstica, \u00f3rg\u00e3o vinculado \u00e0 Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Maranh\u00e3o. Aprovado em primeiro lugar, Bandeira Tribuzzi, um dos ide\u00f3logos e operadores da Sudema, que j\u00e1 conhecia Jos\u00e9 Carlos, indica-o para prestar servi\u00e7os como datil\u00f3grafo e redator.<\/p>\n<p>Com recursos mais volumosos que come\u00e7aram a cair em seu bolso, que depositava em caderneta de poupan\u00e7a, Jos\u00e9 Carlos decide levar a s\u00e9rio o namoro mantido, h\u00e1 mais de seis anos, com a bela mo\u00e7a chamada Maria da Paz. Ela queria ser professora normalista e morava no bairro de Monte Castelo. Com a cara e a coragem, Jos\u00e9 Carlos pede a jovem em casamento e marca, mesmo sem o diploma de advogado, o enlace matrimonial para o dia 27 de maio de 1970. a cerim\u00f4nia estava marcada para as 17 horas, mas, no come\u00e7o da tarde, o noivo ainda pecorria a Rua Grande atr\u00e1s de lojas em liquida\u00e7\u00e3o, para comprar objetos e utens\u00edlios b\u00e1sicos para o casal come\u00e7ar a vida desfrutando de m\u00ednimo conforto.<\/p>\n<p>Dessa feliz uni\u00e3o com Maria da Paz, companheira e amiga de todas as horas e momentos, resultou o nascimento de tr\u00eas lindas e inteligentes meninas \u2013 Ana Maria, Raquel e Diana. Elas n\u00e3o foram orientads pelo empossado para estudar Direito. Mesmo assim, seguiram o exemplo luminoso do pai e hoje as tr\u00eas s\u00e3o advogadas, com bons empregos e bem casadas.<\/p>\n<p>No ano seguinte ao casamaento, ou seja,\u00a0 em dezembro de 1971, a gl\u00f3ria profissional bate \u00e0s suas portas, diplomando-se bacharel em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e sociais pela Universidade Federal do Maranh\u00e3oi. Com o anel de rubi no dedo, conquistado com muito denodo e sacrif\u00edcio, consegue, afinal, o indispens\u00e1vel passaporte que lhe d\u00e1 o direito de usa, em definitivo, a toga de advogado e assinar, n\u00e3o mai como solicitador, as peti\u00e7\u00f5es os processos e as a\u00e7\u00f5es judiciais impetradas a favor de seus clientes, que o procuravam para defender causas de todos os tipos, algumas das quais extrapolavam o territ\u00f3rio maranhense.<\/p>\n<p>Quem definiu com a maior precis\u00e3o e qualidade a glorifica\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Carlos como advogado foi o inesquec\u00edvel jornalista Paulo Nascimento Moraes em cr\u00f4nica publicada em O Estado do Maranh\u00e3o, em 09 de abril de 1981: \u201cFormado em Direito, inicia a profiss\u00e3o que escolheu e diante dele os mestres, o bom exemploa ser seguido e um mundo a lhe exigir mais esfor\u00e7o e tenacidade, abrindo os caminhos a golpes de talento e cultura\u201d.<\/p>\n<p>Senhor Presidente, senhores e senhoras, quem imaginar que, ap\u00f3s diplomado em bacharel em Direito, a viagem de Jos\u00e9 Carlos acabaria definitivamente na capital do Maranh\u00e3o, por acomoda\u00e7\u00e3o ou pelo cumprimento da fa\u00e7anha realizada, equivoca-se redondamente. Nem bem recebe o canudo, surge uma excelente oportunidade para escalar n\u00edveis ainda mais altos. Agora, por conta da Universidade Nacional de Bras\u00edlia, que oferece aos portadores de n\u00edvel superior um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pensa duas vezes. Imediatamente viaja para a capital da Rep\u00fablica, onde passa dois anos, ao final dos quais recebe o honroso e merit\u00f3rio t\u00edtulo de mestre em Direito.<\/p>\n<p>No retorno de Bras\u00edlia, em julho de 1974, a Universidade Federal do Maranh\u00e3o aguardava-o anciosa e de bra\u00e7os abertos para o cumprimento de uma miss\u00e3o sobremodo gratificante: ministrar aulas para os jovens sobre as mais diferente disciplinas, pois delas tinha conhecimento suficiente para impor-se como um dos mais competente\u00a0 membros do corpo docente da UFMA.<\/p>\n<p>\u00c9 de bom alvitre enfatizar que, como advogado ou professo universit\u00e1rio, durante mais de vinte anos de atividade, Jos\u00e9 Carlos fez dezenas de cursos, participou de v\u00e1rios simp\u00f3sios e exerceu ininterruptamente cargos, postos e fun\u00e7\u00f5es importantes na cena acad\u00eamica e jur\u00eddica maranhense. Se, neste instante, eu resolvesse inumer\u00e1-los e cit\u00e1-los, garanto que esta solenidade invadiria a madrugada adentro. Ao eximir-me dessa ingente tarefa, gostaria apenas, por dever de justi\u00e7a, de ressaltar que, entre taantas iniciativas e a\u00e7\u00f5es por ele assumidas, presidiu a Seccional da Ordem dos Advogados no Maranh\u00e3o, travando uma batalha contra candidatos que se alternavam por anos a fio no comando da OAB, representou o Maranh\u00e3o no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, exerceu o cargo de juiz do Tribunal Regional Eleitoral, coordenou o Curso de Direito da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, dirigiu a Faculdade de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Administrativas do CEUMA e a Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas. Atualmente preside a Funda\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Republicana, transformada em Funda\u00e7\u00e3o Cultural Jos\u00e9 Sarney, e integra a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa e oo Instituto dos Advogados Brasileiros.<\/p>\n<p>No exerc\u00edcio da advocacia, \u00e9 bom que se diga, entre as numerosas causas que defendeu, uma ficou para sempre registrada na sua mem\u00f3ria,at\u00e9 porque aconteceu no \u00e2mbito do direito Eleitoral, uma especialidade para a qual devotava pouca\u00a0 milit\u00e2ncia. Foi uma longa e dram\u00e1tica luta, que extrapolou a \u00e1rea pol\u00edtica atingindo a jur\u00eddica, travada simultaneamente no TRE do Maranh\u00e3o e no Tribunal Superior Eleitoral, em Bras\u00edlia, para que os deputados estaduais, membros do Col\u00e9gio eleitoral, contr\u00e1rios a Jos\u00e9 Sarney, n\u00e3o votassem em Paulo Maluf, mas em Tancredo Neves para presidente da Rep\u00fablica. Ap\u00f3s uma batalha tit\u00e2nica, de sete meses, entre agosto de 1984 e janeiro de 1985, Jos\u00e9 Carlos cpnseguiu que os delegados maranhenses sufragassem os candidatos da Alian\u00e7a Democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Todo esse sucesso de Jos\u00e9 Carlos na vida profissional, quem o conhece, como n\u00f3s outros, atribu\u00edmos \u00e0 sua compet\u00eancia, responsabilidade e capacidade de trabalho. Todavia, coma mod\u00e9stia que lhe \u00e9 peculiar, credita a uma ave de porte m\u00e9dio, da fam\u00edlia dos titon\u00eddeos e estrig\u00eddeos, de h\u00e1bitos crepusculares e v\u00f4os sillenciosos, a raz\u00e3o de seu sucesso como advogado e professor.. trata-se da coruja, tida, por muita gente, como agourenta, mas considerada por ele como um aut\u00eantico amuleto, pois, ao longo da vida, s\u00f3 lhe proporcionou boa sorte e bons aug\u00farios n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que nas duas salas que comp\u00f5em o seu escrit\u00f3rio, no Edif\u00edcio Catu, na Rua de Santa Rita, as corujas s\u00e3o ali encontradas em profus\u00e3o, como objetos de cora\u00e7\u00e3o ou pe\u00e7a de arte. S\u00e3o tantas que, se quantificadas, ultrapassam \u00e0 casa de mil, sob os mais variados tipos e tamanhos, e origin\u00e1rias de todas as partes do mundo, pois s\u00e3o presentes de amigos e clientes.<\/p>\n<p>Senhor Presidente,\u00a0 confrades e convidados, depois de tra\u00e7ar o perfil biogr\u00e1fico e profissional do novo ocupante da Cadeira 13, ao que parece, s\u00f3 me resta enveredar pelos mendros da cena cultural, na qual ele realiza e desenvolve atividades importantes\u00a0 e iniciativas fundamentais, que n\u00e3o deixam d\u00favidas quanto ao seu desempenho intelectual.<\/p>\n<p>Ao avaliar a obra intelectual do empossado, produzida ao longo de sua exemplar hist\u00f3ria de vida, raz\u00e3o plaus\u00edvel para ingressar na Casa de Ant\u00f4nio Lobo, nada mais educativo e convincente de que explicitar a imensa quantidade de trabalhos jur\u00eddicos e acad\u00eamicos de sua lavra, quase todos publicados em peri\u00f3dicos especializados e de renomado conceito nacional, destacando-se as Revistas da OAB de Bras\u00edlia, do Conselho Federal da OAB e da Consulex, em que o autor exp\u00f5e, com clarivid\u00eancia e sapi\u00eancia, temas, assuntos e proposi\u00e7\u00f5es que se encontram na pauta das discuss\u00f5es nacionais e recebem dele tratamenta abalizado e interpreta\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pelo expressivo n\u00famero de artigos e ensaios publicados e se o tempo fosse mais pr\u00f3digo em toler\u00e2ncia, eu n\u00e3o teria o menor constrangimento de enunci\u00e1-los um a um, para se sentir a qualidade e o peso dos conte\u00fados neles contidos e emitidos, sempre \u00e0 luz da doutrina e da jurisprud\u00eancia, sem que haja discrep\u00e2ncia entre o seu pensamento e o dos mais respeitados mestres do Direito do nosso pa\u00eds e do estrangeiro.<\/p>\n<p>Se na \u00e1rea dos ensaios, dos artigos e das cr\u00f4nicas, estas, veiculadas no jornal O Estado do Maranh\u00e3o, a sua produtividade intelectual \u00e9 rica e invej\u00e1vel, n\u00e3o menos f\u00e9rtil e positiva \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Carlos na seara bibliogr\u00e1fica, pois j\u00e1 publicou quatro obras e duas est\u00e3o em processo de editora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua estr\u00e9ia no mundo editorial ocorreu em 1980, ao publicar pela Editora Alc\u00e2ntara, de S\u00e3o Lu\u00eds, a obra \u201cAbuso de Poder\u201d, na qual o orador que vos fala, no pref\u00e1cio escreveu. \u201cCom esse livro, o autor, louvado em bases cient\u00edficas, dissipa de uma vez as limita\u00e7\u00f5es e as defici\u00eancias da doutrina e da jurisprud\u00eancia brasileiras, que pecam por n\u00e3o fazer com clareza a diferencia\u00e7\u00e3o entre abuso, excesso e desvio de poder\u201d.<\/p>\n<p>Seu segundo livro recebeu o t\u00edtulo de \u201c\u00c9tica da Advocacia\u201d, editado oem 2000 pela Fabris Editora, de Porto Alegre. Coube ent\u00e3o ao presidente da Sec\u00e7\u00e3o Maranhense da OAB, Raimundo Ferreira Marques, o privil\u00e9gio de prefaci\u00e1-lo e nele est\u00e1 grafado em letras bem expressivas que Jos\u00e9 Carlos \u201cno aprofundar a pesquisa sobre o tema nuclear da obra, a \u00e9tica, como indissoci\u00e1vel do homem, quer como simples indiv\u00edduo quer como profissional, oferta\u00a0 a todos os operadores do Direito, especialmente aos advogados, uma contribui\u00e7\u00e3o inestim\u00e1vel, cuja import\u00e2ncia \u00e9 incontroversa e marcante\u201d.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o de seu terceiro livro, intitulado \u201cDireito \u00e0 Vida\u201d, tamb\u00e9m editado no Rio Grande do Sul, pela Fabris Editora, o professor ga\u00facho Rberto Rosas, manifestou uma insuperel admira\u00e7\u00e3o pela obra com este registro: \u201cComo grande ser humano que \u00e9, Jos\u00e9 Carlos encontrou a necessidade de debater o tema do Direito \u00e0 Vida, em todas as suas formas, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s formas jur\u00eddicas, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 as suas nuances c\u00edveis e penais\u201d.<\/p>\n<p>Recentemente, publicou mais um trabalho, que certamente enriquecer\u00e1 as letras jur\u00eddicas nacionais. Pela Fabris Editora, vem de lan\u00e7ar \u201cPrinc\u00edpios Fundamentais do Estado Brasileiro\u201d sobre o oqual o editor S\u00e9rgio Ant\u00f4nio afirma: \u201cTrata-se, sem d\u00favida, deuma obra que preencher\u00e1 o vazio at\u00e9 ent\u00e3o rxistente na literatura jur\u00eddica, pois muitas outras existentes focalizam o Estado brasileiro na forma como ele se nos apresenta na forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de seus poderes constitu\u00eddos\u201d.<\/p>\n<p>Desejo agora amplificar minha voz para, em bom som, afirmar que o exemplar cidad\u00e3o, o brilhante advogado, o erudito professor e o modelar intelectual Jos\u00e9 Carlos Sousa e Silva,<\/p>\n<p>nesta noite de j\u00fabilo e de esplendor ingressa na AMLn\u00e3o com o fito de se ornamentar com a l\u00e1urea acad\u00eamica para desfrutar de mais prest\u00edgio na sociedade, ou para que sua ilustrada biografia ganhe mais vivibilidade, como fazem alguns que, depois de eleitos e empossados, deixam de marcar presen\u00e7a nesta Casa, passam a n\u00e3o dar a m\u00ednima contribui\u00e7\u00e3o aos trabalhos acad\u00eamicos, n\u00e3o comparecem \u00e0s solenidades e \u00e0s enfermidades programadas, fogem das reuni\u00f5es, ou se escondem dos pr\u00f3prios confrades. Ao contr\u00e1rio, o nosso mais novo membro aporta aqui cheio de esperan\u00e7a e de expectativa e com a alma, o corpo, osentimento e o pensamento unidos em torno de uma aspira\u00e7\u00e3o intectual que alimentava desde os tempos de mocidade, quando come\u00e7ou a trabalhar no extinto Jornal do Dia.<\/p>\n<p>Nesse particular, com emo\u00e7\u00e3o e humildade, ele conta que ao t\u00e9rmino de sua faina noturna, no jornal da Rua de Santana, e em se dirigindo \u00e0 casa onde morava, localizada na Rua Luzia Bruce, fazia quest\u00e3o de passar antes pela Rua da Paz. Parava, ent\u00e3o, alguns minutos em frente \u00e0 Academia Maranhense de Letras, pensava e falave consigo mesmo: um dia entrarei nesta Casa.<\/p>\n<p>Certa feita, o amigo e colega de jornal, o saudoso colunista social Benito Neiva, ao ouv\u00ed-lo dizer isso, comento com fina ironia: &#8211; Voc\u00ea pode entrar quando quiser, basta que a porta esteja aberta. Ao que Jos\u00e9 Carlos retrucou de imediato: &#8211; N\u00e3o \u00e9 assim que quero entrar, pois desejo fazer parte dela pelos meus m\u00e9ritos pessoais e intelectuais, que espero, um dia, sejam reconhecidos pela institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se Benito Neiva vivo fosse, de certo estaria entre n\u00f3s para comprovar o que Jos\u00e9 Carlos lhe disse h\u00e1 mais de quarenta anos. Tratava-se de uma premuni\u00e7ao e de um pren\u00facio que nada tinha de fantasioso, de mirabolante e n\u00e3o era \u201cum sonho de uma noite de ver\u00e3o\u201d. Era um sonho verdadeiro de um garoto do interior do Maranh\u00e3o, que, com f\u00e9rrea vontade, lutou e venceu obst\u00e1culos de todos os tamanhos e matizes, pa integrar uma institui\u00e7\u00e3o conceituada e respeitada e dar a ela uma contribui\u00e7\u00e3o incomensur\u00e1vel, que, parafraseando o verso do poeta Vin\u00edcius de Moraes, ser\u00e1 infinita enquanto durar.<\/p>\n<p>Antes de finalizar esta ora\u00e7\u00e3o de sauda\u00e7\u00e3o, fa\u00e7o quest\u00e3o de recordar e contar um outro epis\u00f3dio, ocorrido, desta feita, no dia em que Jos\u00e9 Carlos Sousa e Silva elegeu-se para suceder a Luiz Carlos Bello Parga.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, como reza a tradi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, um grupo de \u201cimortais\u201d esteve na sua resid\u00eancia, onde recebe do presidente Lino Moreira a comunica\u00e7\u00e3o de sua retumbante vit\u00f3ria. Emocionado, Jos\u00e9 Carlos pede a palavra e externa de maneira sincera o seu contentamento e a sua felicidade pelo fato de ter sido eleito para AML, com esta frase, que ficou guardada na minha mem\u00f3ria e me deixou orgulhoso e satisfeito pelo acerto do meu voto. Disse ele: \u201cEu n\u00e3o estava ainda dentro da Academia Maranhense de Letras, mas ela j\u00e1 estava dentro de mim h\u00e1 muito tempo\u201d.<\/p>\n<p>Meu caro amigo e confrade Jos\u00e9 Carlos Sousa e Silva, se h\u00e1 tempo v\u00f3s cultivais o sentimento de ter a Academia Maranhense de Letras dentro da alma e do corpo, em nome desta centen\u00e1ria Casa, quero assegurar, com toda firmeza e franqueza, que, a partir de hoje, sem receio ou temeridade, a vossa presen\u00e7as no quadro de s\u00f3cios efetivos da Academia\u00a0 \u00e9 uma alvissareira realidade que lhe garante o usufruto da conviv\u00eancia em ambiente acad\u00eamico e dos meios necess\u00e1rios \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o, <em>ad imortalitatem,<\/em> de vossos pensamentos, palavras e obras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p>Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n<p>Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia Nasceu no povoado Pau d\u2019\u00c1gua, munic\u00edpio de Santa Quit\u00e9ria, no Maranh\u00e3o, a 13 de dezembro de 1944. \u00c9 filho de Raimundo Nonato Costa Silva e de Maria Raimunda Sousa Silva. Viveu a sua inf\u00e2ncia no referido povoado, onde foi alfabetizado. 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