{"id":420,"date":"2014-03-02T12:03:56","date_gmt":"2014-03-02T12:03:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=420"},"modified":"2014-09-30T23:04:26","modified_gmt":"2014-09-30T23:04:26","slug":"alex-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/alex-brasil\/","title":{"rendered":"Alex Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Nasceu a 28 de dezembro de 1954 no povoado Saco, munic\u00edpio de Cod\u00f3. Fillho de Raimundo da Silva Garcia e Maria das Dores Duailibe Garcia. Ainda no interior, iniciou seus estudos em Lima Campos, passando depois por Bacabal e Ros\u00e1rio e transferindo-se finalmente para S\u00e3o Lu\u00eds, onde terminou o primeiro grau, no Centro Educacional do Maranh\u00e3o, e, o segundo, no Liceu Maranhense. Na d\u00e9cada de 1970, iniciou os cursos de Engenharia Civil, de Agronomia e de Direito, sem se adaptar a nenhum deles, para, afinal, concluir o de Jornalismo e Radialismo, na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o Social, na Universidade Federal do Maranh\u00e3o. Ap\u00f3s os estudos, insatisfeito com os empregos p\u00fablicos no Banco do Brasil e no Banco do Nordeste, trabalhou em televis\u00e3o, jornalismo e publicidade. Nesta \u00faltima atividade encontrou, afinal, seu caminho profissional como diretor-propriet\u00e1rio da AB Propaganda.<\/p>\n<p>Poeta, contista, jornalista e publicit\u00e1rio, Alex Brasil participa da vida intelectual da cidade, colaborando com movimentos, homenageando artistas e fazendo-se presen\u00e7a constante em acontecimentos culturais. Foi distinguido com o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds, outorgado pela C\u00e2mara Municipal.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<p>a) poesia: <em>Planeta vermelho. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1979; <em>Idade do ouro negro. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Gr\u00e1fica S\u00e3o Lu\u00eds, 1980; <em>O sonho deve continuar. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sistema Difusora, 1981; <em>Crep\u00fasculo vinte. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Star Gr\u00e1fica, 1982; <em>Inferno verde. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1983; <em>Brasil, n\u00e3o chores mais. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1985; <em>Crian\u00e7as do apocalipse. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1986; <em>A solid\u00e3o \u00e9 cinza. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Grafica S\u00e3o Lu\u00eds, 1986; <em>Peregrino das emo\u00e7\u00f5es. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1987; <em>Meninos de S\u00e3o Lu\u00eds. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Gr\u00e1fica Escolar, 1992; <em>A voz do cora\u00e7\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Gr\u00e1fica Escolar, 1993; <em>Ilha verde. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Gr\u00e1fica Escolar, 1995; <em>P\u00e1tria amarga, Brasil. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Unigraf, 1998; <em>Raz\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds: Unigraf, 2000; Todas as e<em>sta\u00e7\u00f5es <\/em>(antologia) S\u00e3o Lu\u00eds. Unigraf, 2003; Amor.com. S\u00e3o Lu\u00eds: 2013: Lithograf.<\/p>\n<p>b) prosa: <em>Amores perdidos <\/em>(contos). S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1987; <em>Len\u00e7\u00f3is proibidos <\/em>(contos). S\u00e3o Lu\u00eds. Minerva, 2007; <em>Quatro discursos. <\/em>S\u00e3o Lu\u00eds. Minerva, 2007; \u00daltimo sol nascente (contos). S\u00e3o Lu\u00eds: 2012; Lithograf.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Posse<\/h1>\n<p>Ilustr\u00edssimo Senhor Doutor Jomar Moraes, Presidente da Academia Maranhense de Letras, Demais Autoridades, Senhoras e Senhores:<\/p>\n<p>Certa vez, diante do Teatro Artur Azevedo, observei um di\u00e1logo entre dois an\u00f4nimos e humildes funcion\u00e1rios daquele templo, sobre o poeta Nauro Machado, que passava solit\u00e1rio, alheio \u00e0s superficialidades da selva de pedra. Um dizia ao outro, em tom respeitoso: \u201cDizem que ele \u00e9 um imortal. Ser\u00e1 que n\u00e3o morre, como qualquer um de n\u00f3s?\u201d O outro respondeu: \u201cMorre, mas \u00e9 imortal. Por que, eu n\u00e3o sei.\u201d<\/p>\n<p>Relembro agora esta cena, sabendo que muitos perguntam o que \u00e9 ser imortal, conscientes que s\u00e3o da inexorabilidade da morte, e n\u00e3o sabem a resposta e muito menos que h\u00e1 \u201cimortais\u201d n\u00e3o s\u00f3 nas academias, mas tamb\u00e9m fora delas e que muitas vezes s\u00e3o, eles pr\u00f3prios, tamb\u00e9m imortais no sentido usado aqui, \u201cuma imortalidade inteiramente deste Mundo\u201d, como a considerou Ernest Becker, em seu livro <em>A nega\u00e7\u00e3o da morte<\/em>. Uma imortalidade sem nenhuma conota\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>Se o homem \u00e9 um ser-para-a-morte, como diziam os existencialistas, essa finitude, no entanto, pode ser contrariada com atos que se eternizam e nos eternizam para al\u00e9m de nossos tempos, atrav\u00e9s das artes, das ideias revolucion\u00e1rias ou dos gestos de coragem e bondade.<\/p>\n<p>Os gregos, pais de todo o nosso racionalismo ocidental, j\u00e1 sabiam dessa imortalidade e que o altru\u00edsmo do esp\u00edrito humano permanece e merece ser perpetuado na mem\u00f3ria das gera\u00e7\u00f5es\u00a0futuras. J\u00e1 a vis\u00e3o de imortalidade do Iluminismo \u00e9 a de que \u201cimortalidade significa ser amado por muitas pessoas an\u00f4nimas\u201d.<\/p>\n<p>P\u00e9ricles, que viveu cercado de fil\u00f3sofos e artistas, 431 anos antes de Cristo, exaltando as bravuras de alguns her\u00f3is atenienses mortos em defesa da p\u00e1tria, disse o seguinte:<\/p>\n<p><em>De fato, deram-lhe suas vidas para o bem comum e, assim fazendo, ganharam o louvor imperec\u00edvel e o t\u00famulo mais insigne, n\u00e3o aquele em que est\u00e3o sepultados, mas aquele no qual as suas gl\u00f3rias sobrevivem relembradas para sempre. Com efeito, a terra inteira \u00e9 o t\u00famulo dos homens valorosos&#8230; Fazei agora destes homens, portanto, o vosso exemplo, e tendo em vista que a felicidade \u00e9 liberdade e a liberdade \u00e9 coragem.<\/em><\/p>\n<p>Como vemos, merece tamb\u00e9m a gl\u00f3ria aquele que cultiva a esperan\u00e7a e luta pela justi\u00e7a. Todos respeitar\u00e3o o juiz, se ele for justo; todos respeitar\u00e3o o religioso, se ele for porta-voz da bondade, mas se o juiz \u00e9 injusto, dizemos n\u00e3o \u00e0s suas senten\u00e7as; se o padre \u00e9 a inquisi\u00e7\u00e3o, o denunciaremos a Deus. N\u00e3o \u00e9 a riqueza, nem a cultura, nem a nobreza ou qualquer forma de poder que torna algu\u00e9m digno de lembran\u00e7a na mem\u00f3ria das gera\u00e7\u00f5es futuras, \u00e9 a pr\u00f3pria dignidade que h\u00e1 nos seus atos que o torna exemplo perene \u00e0 posteridade. \u00c9 o seu olhar \u00fanico sobre a vida que o distingue. Este homem procura que horas s\u00e3o, mas quer saber o que \u00e9 o tempo. Ele diz que a mulher \u00e9 bela, mas quer saber o que \u00e9 a beleza. Ele diz que est\u00e1 apaixonado, mas quer saber o que \u00e9 o amor. Ele v\u00ea a crian\u00e7a abandonada e pergunta: o que posso fazer diante desta cena, quem s\u00e3o os culpados, quais s\u00e3o as causas? O homem digno de lembran\u00e7a \u00e9 um oper\u00e1rio da humanidade, ele n\u00e3o se conforma, tem um olhar cr\u00edtico sobre a vida e o Mundo, e este olhar est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o daqueles que sabem que a vida \u00e9 para ser vivida, repartida e preservada, como uma chama sagrada, porque, como dizia o poeta Bandeira Tribuzi, \u201cO infinito maior \u00e9 o pr\u00f3prio homem.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA op\u00e7\u00e3o de continuar empurrando a pedra ladeira acima \u00e9 que supera o nada da exist\u00eancia\u201d. A hist\u00f3ria da humanidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a biografia de grandes homens, mas a contribui\u00e7\u00e3o de homens criativos e participativos, cada um na relatividade de sua import\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o de um Mundo melhor e sempre novo, como assim o via Fernando Pessoa, atrav\u00e9s de seu heter\u00f4nimo Alberto Caeiro: \u201cSei o pasmo existencial\/ Que tem uma crian\u00e7a se, ao nascer,\/ Reparasse que nascera deveras&#8230;\/ Sinto-me nascido a cada momento\/ Para a eterna novidade do Mundo.\u201d<\/p>\n<p>Desta forma, a humanidade caminha gra\u00e7as, tamb\u00e9m, \u00e0 vida de homens, poetas e n\u00e3o poetas, que observam a eterna novidade, al\u00e9m dos preconceitos, do senso comum, da ignor\u00e2ncia e da insensibilidade.<\/p>\n<p>Portanto, imortal \u00e9 o homem criativo, aquele que v\u00ea o que todos veem, mas que pensa e faz o que ningu\u00e9m pensou e fez.<\/p>\n<p>Aquele que ao ver uma pedra rolando, n\u00e3o viu apenas uma pedra rolando, mas viu a roda, este \u00e9 imortal. Aquele que ao ver o fogo amea\u00e7ador, n\u00e3o apenas viu o perigo de se queimar, mas a potencialidade de iluminar os caminhos do futuro, controlando a chama em favor da civiliza\u00e7\u00e3o, este \u00e9 imortal. Aquele que ao ver a planta germinar e n\u00e3o viu apenas uma \u00e1rvore crescer, mas viu a agricultura, este \u00e9 imortal. Aquele que ao ver um peda\u00e7o de madeira, tamb\u00e9m viu um instrumento, ou uma alavanca, este \u00e9 imortal. Aquele que ao ver rabiscos, viu o alfabeto e que, ao ver o alfabeto, viu as palavras e os poemas, os romances, a literatura, este \u00e9 imortal. Aquele que ao ver o outro, n\u00e3o v\u00ea apenas uma imagem semelhante, mas exatamente o outro, a quem amar\u00e1 como a si mesmo, este \u00e9 imortal. Aquele que v\u00ea as leis e a sociedade com suas incongru\u00eancias, mas ainda assim compreende que Deus n\u00e3o criou pobres e ricos, apenas criou o\u00a0Mundo e suas reservas como heran\u00e7as, e n\u00f3s \u00e9 que ainda n\u00e3o soubemos administr\u00e1-las, este \u00e9 imortal.<\/p>\n<p>Imortal \u00e9 o que realiza a prospec\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida \u2013 e da vida mesma \u2013, como fizeram e fazem os ocupantes destas Cadeiras, projetando-se um ap\u00f3s outro, e um pelo outro, sucessivamente. \u201cA minha sombra h\u00e1 de ficar aqui\u201d \u2013 vaticinou Augusto dos Anjos sobre si mesmo.<\/p>\n<p>Estas pessoas, que constituem um por cento de um por cento da humanidade e que apesar de serem raras ainda assim n\u00e3o se consideram semideuses, estas pessoas s\u00e3o imortais, porque t\u00eam a humilde consci\u00eancia de que se tornam apenas instrumentos na constru\u00e7\u00e3o de um Mundo mais belo, mais justo e mais humano. Os imortais que tomaram assento antes de mim, na Cadeira que me acomodar\u00e1 nesta casa, morreram; mas cada um que substituiu o anterior, fez ecoar o nome e os feitos desse antecessor, imortalizando-o.<\/p>\n<p>Estes seres, de certa forma iluminados, est\u00e3o nas academias, mas n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o nas academias, onde seu n\u00famero \u00e9 limitado. Est\u00e3o em toda parte. Podem estar nesta plateia (e est\u00e3o, porque neste instante vejo-os diante de mim, pessoas que admiro e respeito pelo seus atos e ideias). Est\u00e3o tamb\u00e9m no anonimato das periferias, cumprindo, \u00e0s vezes, a sagrada miss\u00e3o de iluminar vidas desvalidas, desvendando caminhos por onde seus companheiros devem trilhar, praticando o imortal gesto de amar e exercendo a solidariedade e a fraternidade que os far\u00e3o eternos na lembran\u00e7a dos seus e na harmonia do mundo em volta.<\/p>\n<p>Estes seres raros n\u00e3o s\u00e3o vegetais, est\u00e3o sempre tentando traduzir o Mundo, os mist\u00e9rios do existir; espantam-se diante do pr\u00f3prio cotidiano, como diz o poema de Ferreira Gullar:<\/p>\n<p><em>Uma parte de mim<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 todo mundo:<\/em><br \/>\n<em>outra parte \u00e9 ningu\u00e9m:<\/em><br \/>\n<em>po\u00e7o sem fundo.<\/em><br \/>\n<em>Uma parte de mim<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 multid\u00e3o:<\/em><br \/>\n<em>outra parte estranheza<\/em><br \/>\n<em>e solid\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Uma parte de mim<\/em><br \/>\n<em>pesa, pondera:<\/em><br \/>\n<em>outra parte<\/em><br \/>\n<em>delira.<\/em><br \/>\n<em>Uma parte de mim<\/em><br \/>\n<em>almo\u00e7a e janta:<\/em><br \/>\n<em>outra parte<\/em><br \/>\n<em>se espanta.<\/em><br \/>\n<em>Uma parte de mim<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 permanente:<\/em><br \/>\n<em>outra parte<\/em><br \/>\n<em>se sabe de repente.<\/em><br \/>\n<em>Uma parte de mim<\/em><br \/>\n<em>\u00e9 s\u00f3 vertigem:<\/em><br \/>\n<em>outra parte\/linguagem.<\/em><br \/>\n<em>Traduzir uma parte<\/em><br \/>\n<em>na outra parte<\/em><br \/>\n<em>\u2013 que \u00e9 uma quest\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>de vida ou morte<\/em><br \/>\n<em>ser\u00e1 arte?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 arte sim, a arte de traduzir os des\u00edgnios de Deus, que nos quer, a todos, imortais, e mais que imortais, divinos, porque o homem, apesar da jornada dolorosa da exist\u00eancia, nasceu para, afinal, ser feliz, numa felicidade constru\u00edda com a consci\u00eancia do respeito e da responsabilidade diante do milagre da vida.<\/p>\n<p>E a prop\u00f3sito de tudo que falei at\u00e9 agora, afirmo, sem a m\u00ednima d\u00favida, que aqui, na Casa de Ant\u00f4nio Lobo, aqui na Academia Maranhense de Letras, ao longo de sua hist\u00f3ria e neste momento, habitam homens, ausentes e presentes, que s\u00e3o exemplos de imortalidade pelas suas ideias, pelos seus atos e pelas suas contribui\u00e7\u00f5es, cada um em sua miss\u00e3o particular, operando na constru\u00e7\u00e3o de um humanismo pleno.<\/p>\n<p>E aqui, lembro o nosso Presidente, Professor Jomar Moraes, um escritor atuante, defensor e entusiasta operoso da cultura maranhense, a quem, de certa forma, minha biografia se interliga por ter sido ele quem publicou o meu primeiro livro, <em>Planeta vermelho<\/em>, pelo Sioge, generosidade que nunca esquecerei.<\/p>\n<p>E como a Academia vive para que os seus patronos e acad\u00eamicos permane\u00e7am imortais, passo a lembrar e homenagear, pelos seus feitos, o patrono da Cadeira n\u00famero 30, pensador Raimundo Teixeira Mendes; o fundador da Cadeira, poeta Alarico da Cunha; e o meu antecessor, escritor Ant\u00f4nio de Oliveira.<\/p>\n<p>Raimundo Teixeira Mendes nasceu em Caxias, aos 5 de janeiro de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, aos 28 de junho de 1927. Filho do engenheiro Raimundo Teixeira Mendes e de dona In\u00eas do Vale Teixeira Mendes, muito cedo transferiu-se para a capital do pa\u00eds, estudando inicialmente num col\u00e9gio jesu\u00edta e depois na ent\u00e3o Escola Polit\u00e9cnica, sempre aplicado aos estudos e com raros dotes de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fervilhavam no Brasil as ideias positivistas de Auguste Comte, divididas neste pa\u00eds e na Fran\u00e7a em duas vertentes, a dos seguidores de Littr\u00ea e a dos seguidores de Laffitte. Entre os colegas da antiga Escola Polit\u00e9cnica, Teixeira Mendes encontra Miguel Lemos, tornando-se grandes e insepar\u00e1veis amigos, ligados ambos \u00e0 vertente litre\u00edsta do Positivismo e ambos com forte atua\u00e7\u00e3o junto ao meio. Depois de serem suspensos por dois anos, em consequ\u00eancia de censuras p\u00fablicas que fizeram ao diretor da Escola, aproveitaram para viajar at\u00e9 Paris, partindo juntos a 3 de outubro de 1877, com pouco mais de 20 anos de idade cada um.<\/p>\n<p>Teixeira Mendes permanecer\u00e1 em Paris por um ano, ocupando-se ali dos estudos da Matem\u00e1tica, autor que era, com t\u00e3o pouca idade, de livros j\u00e1 publicados sobre essa mat\u00e9ria. Voltando ao Rio de Janeiro, reingressa na Escola Polit\u00e9cnica, celeiro de positivistas, onde presta exames brilhantes. Enquanto isso, Miguel Lemos inicia na Fran\u00e7a o curso de Medicina e se relaciona com os seguidores de Laffitte, abandonando de vez a vertente positivista liderada por Littr\u00ea. De l\u00e1, Miguel Lemos estabelece com Teixeira Mendes, agora tamb\u00e9m um ferrenho seguidor de Laffitte, uma intensa correspond\u00eancia, correspond\u00eancia essa publicada em livro que se constitui hoje em documento raro.<\/p>\n<p>\u00c9 oportuno dizer que \u00e9 rica a bibliografia de Teixeira Mendes, e o Maranh\u00e3o est\u00e1 no dever de juntar essa obra, para que os leitores brasileiros possam ajuizar melhor a enorme contribui\u00e7\u00e3o de Teixeira Mendes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do pa\u00eds. Basta consultar o <em>Cat\u00e1logo da Exposi\u00e7\u00e3o Comemorativa do Primeiro Centen\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o da Igreja Positivista do Brasil<\/em>, evento promovido pela Biblioteca Nacional em 1981, para se ter uma ideia dessa intensa atividade de Teixeira Mendes.<\/p>\n<p>Com Miguel Lemos (quando este retornou da Fran\u00e7a), ambos agora exacerbados seguidores da corrente ortodoxa de Laffitte, exerce forte lideran\u00e7a junto ao movimento positivista do Brasil, colocando-se, ao lado do pr\u00f3prio Miguel Lemos, como o mais importante nome da vertente comtista que extrapola para o fanatismo religioso, fundando com alguns outros a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, logrando, no entanto, o nosso conterr\u00e2neo, conquistas extremamente significativas para o desenvolvimento da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Fil\u00f3sofo, ensa\u00edsta e poeta, foi o idealizador de nossa bandeira nacional. Manifestou-se contra a cria\u00e7\u00e3o da universidade brasileira, n\u00e3o por que fosse inimigo dos estudos\u00a0superiores, mas por saber que grande parcela de nossas institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias atuaria como estimulador de nossa bacharelice end\u00eamica, hoje tornada epid\u00eamica pela prolifera\u00e7\u00e3o de centenas de faculdades que s\u00e3o, antes de tudo, facilidades anunciadas e oferecidas como um produto comercial qualquer. Essa a raz\u00e3o por que apresentou argumentos a favor dos cursos profissionalizantes nos estabelecimentos de ensino superior do pa\u00eds, a fim de contemplar a imensa massa de trabalhadores. \u00c9 significativa a sua atua\u00e7\u00e3o, quando analisou, atrav\u00e9s de confer\u00eancias p\u00fablicas, o <em>Projeto do Governo Provis\u00f3rio<\/em>, de autoria principalmente de Rui Barbosa, contribuindo decisivamente para a elabora\u00e7\u00e3o da nossa primeira Constitui\u00e7\u00e3o Republicana.<\/p>\n<p>Ivan Lins, em sua <em>Hist\u00f3ria do Positivismo no Brasil<\/em>, edi\u00e7\u00e3o de 1967, assim se refere a Teixeira Mendes:<\/p>\n<p><em>Contribui\u00e7\u00e3o interessante de Teixeira Mendes e que o torna um precursor de nossa legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, \u00e9 o Projeto de melhoria das condi\u00e7\u00f5es do proletariado por ele submetido em 25 de dezembro de 1889, ao Governo Provis\u00f3rio, por interm\u00e9dio de Benjamin Constant. O Projeto de Teixeira Mendes, que foi elaborado depois de consulta e troca de vistas com cerca de 400 oper\u00e1rios de oficinas do Estado, foi procedido de uma explana\u00e7\u00e3o sobre o papel do proletariado e a urg\u00eancia de incorpor\u00e1-lo \u00e0 sociedade onde, na frase de Auguste Comte, apenas se acha acampado. Expunha [acrescenta Ivan Lins] a teoria positivista do sal\u00e1rio e regulava n\u00e3o s\u00f3 este \u00faltimo, mas ainda as horas de trabalho, os dias de descanso, os acidentes de trabalho e as pens\u00f5es a conceder aos oper\u00e1rios chegados \u00e0 velhice, ou \u00e0s suas fam\u00edlias.<\/em><\/p>\n<p>Eis, a seguir, um pequeno trecho que tamb\u00e9m escolhemos desse projeto de Teixeira Mendes, todo ele exemplar, tornando-se dif\u00edcil para n\u00f3s a escolha deste trecho:<\/p>\n<p><em>[&#8230;] a eleva\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter brasileiro consiste essencialmente na eleva\u00e7\u00e3o do proletariado, porque ele constitui a quase totalidade da na\u00e7\u00e3o: \u00e9 ele que forma propriamente o povo; \u00e9 dele que saem e \u00e9 para ele que revertem todas as outras classes sociais. Como, pois, conceber a regenera\u00e7\u00e3o de nossa P\u00e1tria mantendo a fam\u00edlia prolet\u00e1ria no grau de abatimento em que at\u00e9 hoje ela se acha em todo o Mundo?<\/em><\/p>\n<p>Pelo cinquenten\u00e1rio de morte de Teixeira Mendes, a Academia Brasileira de Letras prestou-lhe significativa homenagem na sess\u00e3o de 27 de outubro de 1977, manifestando-se na ocasi\u00e3o alguns acad\u00eamicos, a partir do depoimento de Paulo Carneiro, que assim iniciou sua fala:<\/p>\n<p><em>Sr. Presidente, a 28 de junho de 1927 morria Teixeira Mendes. Faz 50 anos. A n\u00e3o ser no pequeno c\u00edrculo dos seus disc\u00edpulos e correligion\u00e1rios, nenhuma homenagem foi, at\u00e9 agora, prestada ao insigne brasileiro. Nem um s\u00f3 jornal assinalou o cinquenten\u00e1rio de seu desaparecimento; nem uma s\u00f3 das nossas institui\u00e7\u00f5es oficiais recordou o papel proeminente que lhe coube na propaganda da Aboli\u00e7\u00e3o, na funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, na cria\u00e7\u00e3o de nossa bandeira, na institui\u00e7\u00e3o de preceitos morais para nossa pol\u00edtica internacional. Ningu\u00e9m evocou a mem\u00f3ria do homem de excepcional intelig\u00eancia \u2013 que foi, pela sua cultura enciclop\u00e9dica, o mestre da sua gera\u00e7\u00e3o. Ao desaparecer, foi ele, entretanto, objeto das mais expressivas homenagens em todo o Brasil. O Presidente da Rep\u00fablica decretou que fosse a nossa bandeira hasteada em funeral em todo o nosso territ\u00f3rio&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Paulo Carneiro continuou enumerando as homenagens a Teixeira Mendes, por ocasi\u00e3o da morte dele, que, para n\u00e3o me alongar, deixo de cit\u00e1-las. Adiante, na sua fala, acrescentou o seguinte na Academia Brasileira de Letras sobre este maranhense:<\/p>\n<p><em>Foi, para muitos, surpreendente o choque emocional em todo o Pa\u00eds pelo seu falecimento. O Brasil, de repente, teve consci\u00eancia de que possu\u00eda, discreto, humilde, quase recluso na sua c\u00e9lula apost\u00f3lica, um grande s\u00e1bio e um grande santo, como todos os jornais de ent\u00e3o o qualificaram. Para que n\u00e3o fique esquecido, no Rio de Janeiro, esse grande maranhense que aqui viveu e lutou at\u00e9 os 72 anos, um grupo de seus admiradores e amigos resolveu oferecer \u00e0 cidade o seu busto, esculpido por Bruno Giorgi, r\u00e9plica do que j\u00e1 foi por n\u00f3s inaugurado em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, gra\u00e7as ao prestimoso concurso do Governador Pedro Neiva de Santana e do Prefeito Haroldo Tavares<\/em>.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m soube me informar onde se encontra esse busto de Teixeira Mendes, colocado inicialmente numa pra\u00e7a do bairro de S\u00e3o Francisco, em nossa cidade. Na Academia Maranhense de Letras, ele \u00e9 o patrono da Cadeira n\u00famero 30, que passo a ocupar, fundada por Alarico da Cunha.<\/p>\n<p>Alarico Jos\u00e9 da Cunha nasceu em Timon (antigo S\u00e3o Jos\u00e9 dos Mat\u00f5es, depois Parnarama) no Maranh\u00e3o, a 31 de dezembro de 1883. Poeta, jornalista, folclorista, soci\u00f3logo, professor e tradutor, autor de aproximadamente duas dezenas de livros, quase todos publicados, dos quais, destacam-se: <em>Discurso ma\u00e7\u00f4nico<\/em>, <em>Ode \u00e0 mendiga<\/em>, <em>Exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 beleza<\/em>, <em>Nostalgia do c\u00e9u<\/em>, <em>Ora\u00e7\u00e3o f\u00fanebre<\/em>, <em>Epopeia de Toulon<\/em>, <em>As ex\u00e9quias de D. Francisco<\/em>, <em>Impress\u00f5es de Tutoia<\/em>, entre outros, deixando ainda alguns in\u00e9ditos. Membro da Academia Piauiense de Letras e da Associa\u00e7\u00e3o Piauiense de Imprensa, residiu em Parna\u00edba, onde foi vice-c\u00f4nsul de Portugal. Em 1950, tornou-se membro da Academia Maranhense de Letras, falecendo no Rio de Janeiro, a 22 de setembro de 1965. Um ano depois, era eleito para esta Cadeira n\u00famero 30 o pesquisador e escritor Ant\u00f4nio de Oliveira.<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Barbosa de Oliveira nasceu em Curador, ent\u00e3o munic\u00edpio de Barra do Corda, hoje Presidente Dutra, no Maranh\u00e3o, a 4 de mar\u00e7o de 1911, e faleceu em Niter\u00f3i a 26 de junho de 2003.<\/p>\n<p>Estudou as primeiras letras ainda no interior do Estado, transferindo-se para S\u00e3o Lu\u00eds, onde se matriculou no Centro Caixeiral e depois no Liceu Maranhense. Na d\u00e9cada de 30 do s\u00e9culo passado, foi um dos integrantes do famoso Cen\u00e1culo Gra\u00e7a Aranha, sob a forte lideran\u00e7a de Ant\u00f4nio Lopes, de quem era dileto disc\u00edpulo, ao lado de Franklin de Oliveira, Manoel Caetano Bandeira de Mello e Josu\u00e9 Montello \u2013 este, seu grande companheiro de leituras e estimado amigo. Al\u00e9m do Cen\u00e1culo, participou ativamente do Centro Maranhense de Artes e Letras e do Movimento Renova\u00e7\u00e3o. Funcion\u00e1rio da Faculdade de Direito de S\u00e3o Lu\u00eds, organizou a biblioteca dessa institui\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que nela fazia o curso de Direito. Antes de termin\u00e1-lo, transferiu-se para o Rio de Janeiro, colando grau na ent\u00e3o Capital Federal, em 1949. No Rio, trabalhou em jornais, chegando a redator de publicidade. Depois, funcion\u00e1rio p\u00fablico federal, tornou-se assistente do Gabinete Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Em 1966, foi eleito para a Academia Maranhense de Letras, tomando posse em 1968. Aposentando-se pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, continuou como pesquisador e escritor de qualidade, publicando em 1980, pelo Sioge, alguns de seus ensaios no livro <em>Camilo no Maranh\u00e3o<\/em> e <em>outros ensaios<\/em>. Ant\u00f4nio de Oliveira foi um devotado admirador de Sous\u00e2ndrade, cuja obra conhecia profundamente, e muito fez para difundi-la, contribuindo substancial e efetivamente para o processo de revis\u00e3o do poeta, sobre quem escreveu numerosos e importantes trabalhos.<\/p>\n<p>Para Jomar Moraes, amigo de Ant\u00f4nio de Oliveira por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas e o editor de seu \u00fanico livro publicado, \u201cna verdade, mais do que laborioso produtor de obras liter\u00e1rias, Ant\u00f4nio de Oliveira foi um \u00e1vido consumidor delas.\u201d Por isso acercou-se de uma vasta e seleta biblioteca particular cuidada\u00a0com zelo t\u00e3o excessivo, que chegava a ser ci\u00fame e ego\u00edsmo. Somente quando n\u00e3o mais podia ler, desfez-se de alguns preciosos livros, entre os quais todos os de Sous\u00e2ndrade. O restante desse tesouro terminou sendo adquirido pela Academia e aqui se encontra ainda \u00e0 espera de um lugar onde seja devidamente arranjado.<\/p>\n<p>Por isso, tamb\u00e9m, por ser um bibli\u00f3filo em tempo integral e um leitor voraz, Ant\u00f4nio de Oliveira acumulou s\u00f3lida cultura liter\u00e1ria e conhecimentos bibliogr\u00e1ficos que fariam inveja a qualquer livreiro qualificado, desses que hoje raramente encontramos. Aqueles que o conheceram na intimidade, referem-se ao seu jeito humano e educado de ser, sua figura bondosa e gentil, seus gestos largos de amigo sincero e generoso. Uma rara figura humana, como tamb\u00e9m foram Teixeira Mendes e Alarico da Cunha, vivenciando os tr\u00eas, curiosamente, um humanismo crist\u00e3o, que os aproxima atrav\u00e9s de uma vida repleta de beleza e santidade.<\/p>\n<p>Candidato em 2002 a uma vaga nesta Academia Maranhense de Letras, e estando Ant\u00f4nio de Oliveira ainda vivo, quis, no Rio de Janeiro, conhec\u00ea-lo e pedir-lhe o voto. Em companhia do poeta Nauro Machado e de sua filha, doutora Maria Isabel, fui visit\u00e1-lo num asilo em Niter\u00f3i, encontrando-o j\u00e1 cego e praticamente alheio a tudo o que se passava \u00e0 sua volta. Quando ouviu o nome do poeta Nauro, conhecido seu, fragmentos de lembran\u00e7as vieram-lhe \u00e0 tona, balbuciando palavras soltas sobre o Maranh\u00e3o, como Maioba, Anil, bumba-boi, ficando o poeta e eu emocionados de v\u00ea-lo naquele estado, repetindo o nome da esposa j\u00e1 falecida.<\/p>\n<p>Folheando um livro, que ele sabia ser maranhense,\u00a0pude aquilatar o amor que devotava \u00e0 sua terra pela maneira quase obsessiva, mas especialmente carinhosa, como repetia incansavelmente o gesto. Essa delicadeza que o aureolava naquele instante, era o pren\u00fancio de uma imortalidade que o conservaria para\u00a0sempre no meu pensamento. Mal sabia eu naquele instante que, perdendo aquela elei\u00e7\u00e3o, dois anos depois, ao pleitear novamente ingresso nesta casa, seria eu mesmo o ocupante da Cadeira que o acolhera aqui por mais de 30 anos.<\/p>\n<p>Dito isto, devo confessar que \u00e9 a partir das ideias, ideais e lutas de homens como estes, que inspiro os meus atos e travo as minhas pr\u00f3prias lutas, sentindo-me honrado por estar aqui, entre mestres e s\u00e1bios, podendo cham\u00e1-los de confrades, depois de uma longa jornada que exibe em minha alma um filme onde minha inf\u00e2ncia e este momento se interligam numa ponte de livros e de biografias que me ensinaram e ensinam a compreender a dura realidade do existir e do viver.<\/p>\n<p>H\u00e1 um poema do poeta Jos\u00e9 Sarney, sint\u00e9tico, do qual gosto muito, intitulado Homilia do Ju\u00edzo Final, que diz o seguinte: \u201c \u2013 Jos\u00e9!\/ onde est\u00e3o tuas m\u00e3os que eu enchi de estrelas?\/ \u2013 Est\u00e3o aqui, neste balde de ju\u00e7aras e sofrimentos\u201d. Gosto deste poema, porque ele \u00e9 de certa forma a met\u00e1fora de minha vida, pois n\u00e3o importam os sonhos que sonhei e realizei; n\u00e3o importa onde eu esteja; o que eu tenha feito ou farei, as minhas ra\u00edzes tel\u00faricas sempre me enla\u00e7am de saudades e mergulham minha alma num balde de bacaba e sofrimento, \u00e0 beira do igarap\u00e9 do meu povoado para onde sempre volto nas horas de solid\u00e3o e ang\u00fastia de homem cosmopolita que agora sou.<\/p>\n<p>O riacho do meu povoado ainda conversa comigo, mesmo quando leio Plat\u00e3o, quando avalio a teoria da relatividade, a teoria qu\u00e2ntica ou as manchetes dos jornais. \u00c9 a partir da simplicidade da lavoura azul de minha inf\u00e2ncia, lembrando aqui o poeta Jos\u00e9 Chagas (tamb\u00e9m nascido nos confins do Nordeste, mas que se recusou a ser nordestinado), que elaboro a minha vis\u00e3o de Mundo e as minhas convic\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00f3pria vida e a morte.<\/p>\n<p>Eu acredito no exerc\u00edcio da humildade necess\u00e1ria para promover o respeito e a conc\u00f3rdia entre os semelhantes.<\/p>\n<p>Eu acredito que o mais dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9 praticar o bem ou o mal, mas praticar a justi\u00e7a que deixa em paz a nossa consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos nossos atos.<\/p>\n<p>Eu acredito que praticar o bem faz bem a n\u00f3s mesmos e aos outros, e que o fruto da a\u00e7\u00e3o positiva \u00e9 a amizade, a gratid\u00e3o e a eleva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Eu acredito que a toler\u00e2ncia com as nossas fraquezas e com os defeitos do pr\u00f3ximo, corrige e dignifica o ser humano.<\/p>\n<p>Eu acredito que o poder exercido com \u00f3dio, arrog\u00e2ncia e arbitrariedade, como uma espada fria, pronta a decepar os mais fracos, \u00e9 o podre poder que destr\u00f3i coisas belas, que expressa a nossa barb\u00e1rie at\u00e1vica; creio que o poder n\u00e3o deve ser exercido como uma simples pot\u00eancia f\u00edsica, onde n\u00e3o h\u00e1 moralidade ou \u00e9tica alguma, mas com responsabilidade, sabedoria e equil\u00edbrio, que s\u00f3 os grandes de esp\u00edrito e alma n\u00e3o pequena sabem exercer.<\/p>\n<p>Eu penso que n\u00e3o vivemos no \u201cmelhor de todos os mundos poss\u00edveis\u201d, mas devemos e podemos fazer o poss\u00edvel com o mundo que temos.<\/p>\n<p>Eu penso que Deus \u00e9 maior que a realidade, Ele est\u00e1 em tudo e fora de tudo, \u00e9 particular e universal; creio que o Universo foi criado de modo a gerar a vida, porque o Universo \u00e9 Deus e n\u00f3s somos reflexos desse Deus.<\/p>\n<p>Eu penso que as fontes da virtude e da sabedoria est\u00e3o na coragem, na temperan\u00e7a, na justi\u00e7a, na f\u00e9, na esperan\u00e7a e no amor.<\/p>\n<p>Penso que o novo sempre vem, que cabe \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, atrav\u00e9s do estudo, corrigirem nossos erros, cabe aos mais jovens desvendarem outros caminhos e outras alternativas por onde os nossos descendentes caminhar\u00e3o rumo ao futuro sempre em evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Penso que, se h\u00e1 alguma vit\u00f3ria na minha hist\u00f3ria pessoal, \u00e9 a consci\u00eancia de que n\u00e3o existe sucesso sem estudo, trabalho e colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua, e que qualquer sucesso n\u00e3o d\u00e1 o direito de nos acharmos semideuses ou iluminados, por\u00e9m muito mais respons\u00e1veis pelo aperfei\u00e7oamento pessoal e social e mais compreensivos com o fracasso dos outros.<\/p>\n<p>Embora eu saiba que a vida \u00e9 uma eterna renova\u00e7\u00e3o e uma busca incessante de novos horizontes, eu n\u00e3o mais pergunto a Deus o que Ele pode fazer por mim, mas o que eu posso fazer pelos outros, agradecendo a esse Deus por estar aqui entre amigos, festejando a vit\u00f3ria do esp\u00edrito humano com a ajuda Dele.<\/p>\n<p>Sou mais que um lutador; sou um sobrevivente. Mas n\u00e3o quero parecer her\u00f3i, mito ou n\u00famero um em nada. Venci o analfabetismo, venci a fome, venci meu complexo de inferioridade, e logo depois, o meu orgulho e soberba. Eu me\u00e7o as minhas vit\u00f3rias, a partir de meus sonhos de crian\u00e7a no povoado humilde onde nasci, onde muitos anjos de minha inf\u00e2ncia t\u00e3o logo se foram sem conhecer o mar e os amores que tanto sonh\u00e1vamos conhecer.<\/p>\n<p>Queria amar e ser amado. Amei e fui amado. Amo e sou amado. Queria ser chofer de caminh\u00e3o para viajar mundo adentro e mundo afora. Sou chofer de minha pr\u00f3pria vida e no meu caminh\u00e3o de sonhos posso viajar pelas estradas que bem me aprouver, guiado pelo meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Queria apenas ler e escrever, simplesmente. Li e leio obras primas, escrevi livros que outras pessoas leem. Pensei que morreria antes dos 40 anos, hoje acho que morrerei aos 100, e ainda dizem que agora sou imortal. Sou um sobrevivente, porque me\u00e7o as minhas vit\u00f3rias a partir dos meus sonhos de crian\u00e7a. E n\u00e3o tenho inveja dos n\u00fameros 1. Os muito poderosos s\u00e3o escravos do poder. Os muito famosos s\u00e3o escravos da fama. Os belos s\u00e3o escravos da beleza. Os ricos s\u00e3o escravos do dinheiro. Os g\u00eanios sofrem na vis\u00e3o alucinada da vida. Eu apenas sei o que eles s\u00e3o, porque s\u00e3o e como chegaram a ser, e sou suficientemente feliz por tentar sempre\u00a0ser senhor de mim mesmo e de meus sonhos, que compartilho solidariamente e como posso com os meus semelhantes e meus pr\u00f3ximos \u2013 companheiros na breve viagem da vida que nos cabe no imenso mist\u00e9rio do existir.<\/p>\n<p>Finalmente, penso que, se a noite \u00e9 filha da ignor\u00e2ncia e das guerras cotidianas, \u00e9 necess\u00e1rio que brote a luz das sepulturas dos s\u00e1bios e santos imortais, a luz eterna que ilumina, com o pensamento livre e a consci\u00eancia l\u00edmpida, o futuro onde o homem n\u00e3o mais seja o lobo do homem, mas o irm\u00e3o do seu irm\u00e3o, no respeito m\u00fatuo e na fraternidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>Declaro, parafraseando o fil\u00f3sofo ingl\u00eas Bertrand Russell, que depois de tudo que os meus sentidos provaram, carrego e destaco em meu cora\u00e7\u00e3o \u201ctr\u00eas grandes paix\u00f5es, simples mas esmagadoramente fortes: o desejo de amar, a busca do conhecimento e uma compaix\u00e3o insuport\u00e1vel pelo sofrimento da humanidade\u201d e das formas todas de vida.<\/p>\n<p>Por fim, voltando ao tema da imortalidade, recordo este conselho genial que li e que, afinal, me basta: \u201cO m\u00e1ximo que qualquer um de n\u00f3s parece poder fazer \u00e9 criar alguma coisa \u2013 e larg\u00e1-la na confus\u00e3o, fazer dela uma oferenda [&#8230;] \u00e0 for\u00e7a vital\u201d espalhada no universo.<\/p>\n<p>Muito obrigado e que Deus nos aben\u00e7oe!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p>Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n<p>Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia Nasceu a 28 de dezembro de 1954 no povoado Saco, munic\u00edpio de Cod\u00f3. 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