{"id":3237,"date":"2019-08-17T09:02:12","date_gmt":"2019-08-17T12:02:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=3237"},"modified":"2019-08-19T09:04:17","modified_gmt":"2019-08-19T12:04:17","slug":"um-poeta-insular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/um-poeta-insular\/","title":{"rendered":"Um poeta insular"},"content":{"rendered":"<address>Editora 7Letras lan\u00e7a &#8220;Filarm\u00f4nica para fones de ouvido&#8221;, impressionante livro de poemas do maranhense F\u00e9lix Alberto Lima<\/address>\n<div id=\"attachment_3238\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3238\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3238\" src=\"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/1556109195-16391945-747x429.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/1556109195-16391945-747x429.jpg 747w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/1556109195-16391945-747x429-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/1556109195-16391945-747x429-382x219.jpg 382w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><p id=\"caption-attachment-3238\" class=\"wp-caption-text\">Obra de F\u00e9lix Alberto Lima tem se destaco no cen\u00e1rio liter\u00e1rio (Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>S\u00c3O LU\u00cdS- Do Norte chegam not\u00edcias de mais um poeta fabuloso que j\u00e1 foi centro avante sem camisa no time de sua aldeia e invejou meninos carvoeiros de cal\u00e7\u00e3o pu\u00eddo. O nome dele \u00e9 F\u00e9lix Alberto Lima, tem 52 anos, \u00e9 maranhense como Ferreira Gullar e Nauro Machado, mas sua poesia \u00e9 feita de imagens lindamente desconcertantes (quase penhascos, paredes de carmen\u00e8re, penumbra de dicion\u00e1rios), cr\u00f4nicas de ruas sem placas e estilha\u00e7os visuais do notici\u00e1rio distra\u00eddo (em alepo em meio ao sil\u00eancio dos escombros\u201d).<\/p>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"moz-reader-content line-height4 reader-show-element\">\n<div id=\"readability-page-1\" class=\"page\">\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel reencontrar em sua poesia tanto o sabor de Lawrence Ferlinghetti (onde corriam rios sagrados junto \u00e0s cidades costeiras) quanto de Walt Whitman (regurgitou folhas de relva aos quinze e uns quebrados) ou de Paulo Leminski (Sofrer vai ser minha \u00faltima obra).<\/p>\n<p>F\u00e9lix fez do livro \u201cFilarm\u00f4nica para fones de ouvido\u201d (editora 7 Letras) uma das melhores boas-novas da poesia brasileira desde a vit\u00f3ria do cearense Mailson Furtado no Pr\u00eamio Jabuti de 2019 com o livro artesanal \u00c0 Cidade. Em 2015, F\u00e9lix j\u00e1 havia publicado, pela mesma editora, \u201cO que me importa agora tanto\u201d, que n\u00e3o chegou at\u00e9 os Sudestes ou n\u00e3o foi procurado devidamente.<\/p>\n<p>Esse novo livro traz uma poesia de ritmo, coreogr\u00e1fica, de cad\u00eancia irresist\u00edvel. \u00c9 absolutamente maranhense, mas incontestavelmente do mundo, alcan\u00e7a todas as falas e todas as loca\u00e7\u00f5es de um jeito instant\u00e2neo. Negras batendo caixas para o Divino nas ladeiras de Alc\u00e2ntara est\u00e3o a um pulinho da noite fumegante do Covent Garden, em Londres.<\/p>\n<p>Alguns dos seus poemas parecem revisitar outros, e n\u00e3o necessariamente poemas com p\u00e1ginas, mas a poesia cantada. O verso \u2018Como n\u00f3s os velhos vamos costurando nesgas de esperan\u00e7a\u2019 lembra Cazuza e a sua can\u00e7\u00e3o \u201cS\u00f3 as m\u00e3es s\u00e3o felizes\u201d (\u2018Reparou como os velhos v\u00e3o perdendo a esperan\u00e7a\/ Com seus bichos de estima\u00e7\u00e3o e plantas?). Mas \u00e9 menos e.e. cummings do que Jo\u00e3o Cabral. H\u00e1, principalmente, uma rever\u00eancia \u00e0s coisas, ao inerme, ao despercebido, e \u00e0s marcas de uma forma\u00e7\u00e3o insular, circundada por uma cidade antiga. \u2018Come\u00e7arei pelo gr\u00e3o das coisas, diz o mote do poema Cartografia dos Mares de Dentro, assinalando a geografia que destaca a \u2018igreja e a cadeia p\u00fablica\/ f\u00e9 e castigo lado a lado\u2019.<\/p>\n<p>A ep\u00edgrafe cita o poeta catarinense Cruz e Souza (1861-1898), \u00fanico negro entre literatos mesti\u00e7os do seu tempo, como anotou o cr\u00edtico Antonio Candido: \u201c&#8230; E nas zonas de tudo, na candura de tudo, extremo, passa certo mist\u00e9rio mudo\u201d. \u00c9 desse mist\u00e9rio mudo que se alimenta a poesia de F\u00e9lix Lima, certamente uma das grandes revela\u00e7\u00f5es da poesia brasileira deste final de d\u00e9cada.<\/p>\n<p>* Texto publicado na revista \u201cCarta Capital\u201d, de 7 de agosto de 2019.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editora 7Letras lan\u00e7a &#8220;Filarm\u00f4nica para fones de ouvido&#8221;, impressionante livro de poemas do maranhense F\u00e9lix Alberto Lima S\u00c3O LU\u00cdS- Do Norte chegam not\u00edcias de mais um poeta fabuloso que j\u00e1 foi centro avante sem camisa no time de sua aldeia e invejou meninos carvoeiros de cal\u00e7\u00e3o pu\u00eddo. 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