{"id":3170,"date":"2019-05-11T06:57:55","date_gmt":"2019-05-11T09:57:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=3170"},"modified":"2019-05-13T07:02:04","modified_gmt":"2019-05-13T10:02:04","slug":"impressoes-sobre-o-poeta-maranhense-nauro-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/impressoes-sobre-o-poeta-maranhense-nauro-machado\/","title":{"rendered":"Impress\u00f5es sobre o poeta maranhense Nauro Machado"},"content":{"rendered":"<address>Arlete Nogueira, personagem mais que importante na cultura do Maranh\u00e3o, publicou &#8220;Impress\u00f5es sobre Nauro Machado&#8221;, uma homenagem afetuosa e justa ao companheiro de tantos anos<\/address>\n<div id=\"attachment_3171\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3171\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3171\" src=\"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1550479959-308779220-747x429.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1550479959-308779220-747x429.jpg 747w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1550479959-308779220-747x429-300x172.jpg 300w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/1550479959-308779220-747x429-382x219.jpg 382w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><p id=\"caption-attachment-3171\" class=\"wp-caption-text\">O Poeta Nauro Machado<\/p><\/div>\n<p>Neste come\u00e7o de ano que se anuncia dif\u00edcil, pesado, penumbroso, recheado de tantas mortes, tantas cat\u00e1strofes, recebo um presente inesperado e lindo, daqueles de deixar a gente de bem com a vida: um volume de ensaios, estudos diversos, cartas, cr\u00edticas, artigos reportagens, sobre um dos maiores poetas brasileiros da atualidade, o maranhense Nauro Machado. Da t\u00eampera de alguns de seus contempor\u00e2neos que trouxeram gl\u00f3ria para o estado que os viu nascer, e continuando a inspira\u00e7\u00e3o de dois importantes sanluisenses do \u00faltimo s\u00e9culo, Jos\u00e9 Chagas e Ferreira Gullar. Arlete Nogueira, personagem mais que importante na cultura do Maranh\u00e3o, cronista, poetisa, romancista, contista, ensa\u00edsta, critica liter\u00e1ria, animadora cultural (que mais?) publicou este \u201cImpress\u00f5es sobre Nauro Machado\u201d, uma homenagem afetuosa e justa ao companheiro de tantos anos. Desde a capa do livro (mais de seiscentas p\u00e1ginas, meus amigos!) j\u00e1 a imagem do poeta, entre angustiado e s\u00e9rio, ao modo de sua grande, enorme, poesia. Mas na \u00faltima p\u00e1gina, a foto de Nauro risonho, sentado em mesa na livraria da Praia Grande, muito mais a imagem que dele guardei, h\u00e1 uns anos, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O livro cont\u00e9m nada menos que 131 textos relativos \u00e0 obra de Nauro, \u00e0 pessoa de Nauro, alguns estudos que podemos considerar definitivos sobre o que foi a obra de uma vida inteira dedicada \u00e0 poesia, de um intelectual para quem escrever versos nunca foi diletantismo nem desejo de aparecer, como s\u00f3i acontecer frequentemente em nossos meios liter\u00e1rios. Mas antes, uma s\u00e9ria, profunda, bela, reflex\u00e3o sobre o fazer po\u00e9tico e em seu questionamento sobre as grandes quest\u00f5es que enfrentamos os seres humanos nesta nossa breve passagem sobre a terra. Que somos, finalmente, por que a vida, por que a morte, por que a poesia, e esse desejo de nos dizer, de acrescentar uma pedra \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do mundo, quando somos ef\u00eameros, sozinhos \u201cna correnteza da vida\u201d? Apaixonado por sua cidade, o poeta percorre seus becos e ruas, v\u00ea seus defeitos, suas mis\u00e9rias, a decad\u00eancia do que restou de seus \u00e1ureos tempos, a cidade \u00e0 sua imagem, \u201csempre dispon\u00edvel\u201d e, como ele, carregando \u201ca dor de ser\u201d.<\/p>\n<p>Discorda de Pessoa, \u201ctoda alma aqui \u00e9 pequena\u201d. Sofre pelas injusti\u00e7as que abrigam esses casar\u00f5es, essas ru\u00ednas, entre as quais vive \u201ca mis\u00e9ria que sem d\u00f3 se infinitiza na dor\u201d. Como falar dessas coisas? Ele escreve. Tem plena consci\u00eancia da luta com as palavras que lhe imp\u00f5e a poesia. Pois \u201cser poeta \u00e9 duro e dura e consome toda uma exist\u00eancia.\u201d Neste livro organizado por Arlete, outros companheiros de of\u00edcio, poetas e criticos, entre os mais importantes do Brasil, analisaram os livros de Nauro Machado, uniram-se ao seu testemunho no questionar o mist\u00e9rio da vida, o mist\u00e9rio da morte, o dilema colocado pelas palavras com as quais buscamos falar o que a linguagem comum n\u00e3o alcan\u00e7a. Leram os poemas de Nauro, interrogaram os poemas de Nauro, analisaram a escrita justa, sens\u00edvel e inteligente que percorre a totalidade de uma obra empenhada em servir a literatura. Que nela apostou a vida, ciente de que, como afirmou outro grande poeta, Rainer Maria Rilke, a poesia \u00e9 a p\u00e1tria do diz\u00edvel. Obrigada, Arlete, obrigada Nauro por ter escrito, por ter existido.<\/p>\n<p>*Luzil\u00e1 Gon\u00e7alves Ferreira \u00e9 romancista e membro da Academia Pernambucana de Letras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arlete Nogueira, personagem mais que importante na cultura do Maranh\u00e3o, publicou &#8220;Impress\u00f5es sobre Nauro Machado&#8221;, uma homenagem afetuosa e justa ao companheiro de tantos anos Neste come\u00e7o de ano que se anuncia dif\u00edcil, pesado, penumbroso, recheado de tantas mortes, tantas cat\u00e1strofes, recebo um presente inesperado e lindo, daqueles de deixar a gente de bem com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3171,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3170"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3174,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170\/revisions\/3174"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3171"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}