{"id":2627,"date":"2018-04-21T19:27:37","date_gmt":"2018-04-21T22:27:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=2627"},"modified":"2018-04-22T19:37:37","modified_gmt":"2018-04-22T22:37:37","slug":"causos-de-uma-vida-inteira-na-verve-de-jose-sarney","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/causos-de-uma-vida-inteira-na-verve-de-jose-sarney\/","title":{"rendered":"Causos de uma vida inteira na verve de Jos\u00e9 Sarney"},"content":{"rendered":"<address>Ex-presidente da Rep\u00fablica e imortal da Academia Brasileira de Letras lan\u00e7ou, recentemente, \u201cGalope \u00e0 Beira-Mar \u2013 Casos e Acasos da Pol\u00edtica e Outras Hist\u00f3rias\u201d, livro com 319 p\u00e1ginas e no qual ele apresenta narrativa repleta de eventos ao longo de sua vi<\/address>\n<div id=\"attachment_2628\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2628\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2628\" src=\"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1524263018-202469445.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"430\" \/><p id=\"caption-attachment-2628\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Sarney: \u201cN\u00e3o s\u00e3o textos de folclore nem casos de pol\u00edtica, embora possam surgir uns e outros. S\u00e3o retalhos da vida\u201d (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>S\u00c3O LU\u00cdS &#8211; Autor de 121 livros, entre romances, contos, ensaios, cr\u00f4nicas e discursos, o ex-presidente Jos\u00e9 Sarney prova, em \u201cGalope \u00e0 Beira-Mar \u2013 Casos e Acasos da Pol\u00edtica e Outras Hist\u00f3rias\u201d, que \u00e9 uma usina intelectual a todo vapor. O decano culto e observador da Academia Brasileira de Letras apresenta mais uma p\u00e9rola liter\u00e1ria reunida em 319 p\u00e1ginas. \u00c9 uma narrativa de eventos que ele protagonizou ou observou em d\u00e9cadas de vida p\u00fablica e j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nas livrarias de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo \u00e9 uma homenagem a um dos ritmos dos cantadores do Nordeste, cantoria da qual o escritor se declara apreciador, pois que consegue sentir o sabor de conversar na linguagem do desafio, com temas que surgem na hora, inspirados em fatos reais ou imagin\u00e1rios, ao toque da viola. \u201cE ent\u00e3o se formaram os ritmos e g\u00eaneros da arte do papear, que se faz de porta em porta, de boteco em boteco, de fazenda em fazenda, de feira em feira. Assim como essas lembran\u00e7as pitorescas, que ilustram a comunica\u00e7\u00e3o entre amigos e ouvintes\u201d, conta, no pref\u00e1cio.<\/p>\n<p>Sem pretens\u00e3o anal\u00edtica ou de expressar ju\u00edzo de valor, os cap\u00edtulos de \u201cGalope \u00e0 Beira-Mar\u201d trazem breves relatos de um mosaico de passagens curiosas recheadas com nomes de v\u00e1rias personalidades: Rui Barbosa, Get\u00falio Vargas, Juscelino Kubitschek, Ulysses Guimar\u00e3es, J\u00e2nio Quadros, os presidentes militares, e por a\u00ed vai. S\u00e3o personagens reais que aparecem em epis\u00f3dios por ele vivenciados quando no governo do Maranh\u00e3o e na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Escritores, jornalistas e padres surgem ao lado de an\u00f4nimos, pois a pena leve, impec\u00e1vel e instigante de Jos\u00e9 Sarney vai costurando, tamb\u00e9m, hist\u00f3rias que ele ouviu na inf\u00e2ncia ou nas viagens que fez pelo mundo.<\/p>\n<figure id=\"foto-legenda-1\">\n<p><div id=\"attachment_2629\" style=\"width: 423px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2629\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2629 size-full\" src=\"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1524262996-202469445.jpg\" alt=\"\" width=\"413\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1524262996-202469445.jpg 413w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1524262996-202469445-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1524262996-202469445-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/1524262996-202469445-275x275.jpg 275w\" sizes=\"(max-width: 413px) 100vw, 413px\" \/><p id=\"caption-attachment-2629\" class=\"wp-caption-text\">(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div><\/figure>\n<p>\u201cTen\u00f3rio Cavalcanti, famoso \u2018homem da metralhadora\u2019, uma vez, na C\u00e2mara dos Deputados, invocou uma cita\u00e7\u00e3o, inventada, de Rui Barbosa: \u2018A locomotiva da honestidade limpar\u00e1 os trilhos da corrup\u00e7\u00e3o\u2019. Carlos Lacerda n\u00e3o deixou passar em branco; pegou o microfone de aparte e retrucou: &#8211; Deputado Ten\u00f3rio Cavalcante, Rui Barbosa nunca disse isso! Ten\u00f3rio Cavalcanti respondeu-lhe: &#8211; N\u00e3o disse? Pois o digo eu!\u201d.<\/p>\n<p>Inf\u00e2ncia &#8211; Entre outras coisas, \u201cGalope\u201d evoca relatos de fam\u00edlia, da inf\u00e2ncia em Pinheiro, da juventude em S\u00e3o Lu\u00eds, bem como cenas do trabalho em Bras\u00edlia e em v\u00e1rios pa\u00edses. \u201cMinha av\u00f3, quando dei o primeiro choro de rec\u00e9m-nascido, gritou: &#8211; Nasceu Jos\u00e9 Adriano! \u2013 nome que tinha combinado com meu pai e minha que eu teria se fosse homem; se mulher, o nome seria o seu, Rita Am\u00e9lia. Meu pai explicou: &#8211; N\u00e3o nasceu Jos\u00e9 Adriano porque, quando Kyola come\u00e7ou a ter problemas no parto, fiz promessa para S\u00e3o Jos\u00e9 de que, se fosse homem, colocaria o nome do santo, Jos\u00e9 Ribamar. Foi a primeira vez que mudei de nome: depois passei de Jos\u00e9 Ribamar para Jos\u00e9 Sarney\u201d, escreve na p\u00e1gina 189, segunda do cap\u00edtulo \u201cHist\u00f3rias que ouvi na minha inf\u00e2ncia e outras lembran\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>A obra do intelectual e ex-presidente que se tornou conselheiro de seus sucessores tamb\u00e9m comprova o frescor de sua mem\u00f3ria, pois que ele discorre sobre fatos com riqueza de detalhes, assim como fez em livros anteriores, entre eles, \u201cO Dono do Mar\u201d, \u201cMarimbondos de Fogo\u201d, \u201cMorte das \u00c1guas\u201d e \u201cSaraminda\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00faltima viagem como presidente, Juscelino foi a Portugal com uma grande comitiva para uma solenidade dos velhos tempos em que chefes de Estado, em visitas oficiais, viajavam em seus melhores vasos de guerra, comboiados por uma esquadra de navios num grande desfile naval. Ao chegar em Lisboa, para onde viajou de avi\u00e3o, embarcou no cruzador brasileiro Barroso, e foi recebido num grande desfile que saiu da margem do Tejo\u201d, conta na p\u00e1gina 58, referindo-se ao ent\u00e3o presidente Juscelino Kubitschek.<\/p>\n<p>A pena de Jos\u00e9 Sarney, o mais longevo pol\u00edtico da hist\u00f3ria brasileira, e que no pr\u00f3ximo dia 24 completa 88 anos, mais parece um profundo reservat\u00f3rio de palavras, como um cordel de sonoridades factuais. Muitas das passagens contidas na obra resultaram de escritos sem ordenamento de tempo nem de assunto, mas, inevitavelmente, uns iam puxando outros e o resultado final equivale a uma enciclop\u00e9dia de mem\u00f3rias. \u201cN\u00e3o s\u00e3o textos de folclore nem casos de pol\u00edtica, embora possam surgir uns e outros. S\u00e3o retalhos da vida na gra\u00e7a da mem\u00f3ria que a generosidade de Deus me deu\u201d, resume.<\/p>\n<p><strong>Algumas Hist\u00f3rias<\/strong><\/p>\n<p><strong>As Excel\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Marco Maciel contou-me que, quando era governador, numa peregrina\u00e7\u00e3o pelo interior, um prefeito, ao saudar a comitiva, come\u00e7ou assim:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor governador do estado, senhor vice-governador do estado, senhores deputados&#8230;.<\/p>\n<p>E fechou a sauda\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; E todos os presentes em n\u00edvel de excel\u00eancia&#8230;<\/p>\n<p>Mais objetivo foi, em Minas Gerais, o prefeito que saudou o chefe do Estado:<\/p>\n<p>&#8211; Senhor governador, sa\u00fado V.Exa. e todos os seus dignos sucessores!<\/p>\n<p><strong>A Quadra<\/strong><\/p>\n<p>Certa vez, na tribuna, estava falando o Trist\u00e3o da Cunha, que era um liberal cl\u00e1ssico e tinha, como deus, Adam Smith. Estava a falar e foi aparteado pelo Pl\u00ednio Salgado.<\/p>\n<p>Carvalho Sobrinho, um deputado de S\u00e3o Paulo que gostava de fazer quadrinhas ridicularizando os colegas, fez a seguinte quadra:<\/p>\n<p>Na tribuna, Trist\u00e3o da Cunha<\/p>\n<p>Pl\u00ednio Salgado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>De um lado, voz de fantasma<\/p>\n<p>Do outro, voz do al\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>O crime<\/strong><\/p>\n<p>O Governador Lob\u00e3o iniciara uma campanha contra a sonega\u00e7\u00e3o. Equipou a fiscaliza\u00e7\u00e3o com lanchas e os infratores as incendiaram.<\/p>\n<p>Foi aberto inqu\u00e9rito no munic\u00edpio de Cururupu. Algum tempo depois veio a den\u00fancia:<\/p>\n<p>\u201cAutor: fogo; v\u00edtima: lancha\u201d.<\/p>\n<p>A caneta<\/p>\n<p>Pl\u00e1cido Castello, que foi governador do Cear\u00e1, numa imagem bem popular e sertaneja, dizia:<\/p>\n<p>&#8211; O poder democr\u00e1tico \u00e9 uma caneta. Com ela se pode fazer tudo. Felicidade e infelicidade. Mas, no dia em que acaba a tinta, n\u00e3o escreve mais. A elei\u00e7\u00e3o \u00e9 a tinta nova.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex-presidente da Rep\u00fablica e imortal da Academia Brasileira de Letras lan\u00e7ou, recentemente, \u201cGalope \u00e0 Beira-Mar \u2013 Casos e Acasos da Pol\u00edtica e Outras Hist\u00f3rias\u201d, livro com 319 p\u00e1ginas e no qual ele apresenta narrativa repleta de eventos ao longo de sua vi S\u00c3O LU\u00cdS &#8211; Autor de 121 livros, entre romances, contos, ensaios, cr\u00f4nicas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2628,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2627"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2627"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2627\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2630,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2627\/revisions\/2630"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2628"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}