{"id":2118,"date":"2014-03-20T13:40:04","date_gmt":"2014-03-20T16:40:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=2118"},"modified":"2021-01-16T10:06:34","modified_gmt":"2021-01-16T13:06:34","slug":"ana-luiza-almeida-ferro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/ana-luiza-almeida-ferro\/","title":{"rendered":"Ana Luiza Almeida Ferro"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds, Maranh\u00e3o, em 23 de maio de 1966. Promotora de Justi\u00e7a, jurista, professora, escritora premiada, histori\u00f3grafa, poeta e conferencista internacional, conhecida oradora e declamadora, \u00e9 filha \u00fanica do professor universit\u00e1rio Wilson Pires Ferro, j\u00e1 falecido, e da contabilista Eunice Gra\u00e7a Marcilia Almeida Ferro.<\/p>\n<p>Ana Luiza estudou no Col\u00e9gio Santa Teresa, em S\u00e3o Lu\u00eds-MA (1972-1982), e no Col\u00e9gio Itamarati, Instituto Guanabara, no Rio de Janeiro-RJ (1983). Graduada em Letras (Licenciatura), com habilita\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Inglesa (1984-1988), e Direito (1988-1993), pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o \u2013 UFMA, Mestra (2002) e Doutora (2006) em Ci\u00eancias Penais, pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais \u2013 UFMG, e P\u00f3s-Doutora em Derechos Humanos, pelo Programa Postdoctoral Derechos Humanos en perspectiva comparada: Brasil y Espa\u00f1a, da Universidad de Salamanca, Espanha (2018), \u00e9 Promotora de Justi\u00e7a titular da 14\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a Criminal da Comarca da Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds, Estado do Maranh\u00e3o, al\u00e9m de professora e Coordenadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o \u2013 ESMP, em S\u00e3o Lu\u00eds. Integra a Comiss\u00e3o Gestora do Programa Mem\u00f3ria Institucional do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Fez o <em>Curso La Ense\u00f1anza de la Traducci\u00f3n<\/em>, promovido pela San Diego State University, da Calif\u00f3rnia, Estados Unidos, realizado no \u00e2mbito da UFMA em 1988. Na condi\u00e7\u00e3o de bolsista do Rotary, realizou estudos de pr\u00e9-mestrado, na \u00e1rea de Ingl\u00eas, com foco em Literatura, sobretudo a inglesa, na University of Oregon, em Eugene, Estado do Oregon, Estados Unidos, no ano de 1991. Na universidade americana, cursou as seguintes disciplinas: <em>English Drama<\/em><em> (<\/em><em>Jacobean Drama<\/em><em>), <\/em><em>Edmund Spenser<\/em><em>, <\/em><em>Advanced Shakespeare<\/em><em>, <\/em><em>The Renaissance Hero<\/em><em>, <\/em><em>Seminar: Post-Colonial Strategies in the Novel<\/em><em>, <\/em><em>Film and Folklore<\/em><em>, <\/em><em>Modern Drama<\/em><em>, <\/em><em>Seminar: Feminist Constructions of Voice \u2013 A Craft Course<\/em><em>, <\/em><em>English Drama (Medieval and Tudor Drama)<\/em><em>, <\/em><em>Top: 18th Century Literature (Sex &amp; Gender in the Restoration)<\/em> e <em>Introduction to Graduate Studies.<\/em><\/p>\n<p>Participou do Curso intensivo <em>Lotta al crimine organizzato<\/em> (Combate ao Crime Organizado), 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, oferecido pela Universit\u00e0 degli Studi di Roma \u2013 \u201cTor Vergata\u201d, no per\u00edodo de 2 a 12 de maio de 2016.<\/p>\n<p>\u00c9 detentora do<em> First Certificate in English <\/em>e do<em> Certificate of Proficiency in English<\/em>, concedidos pela University of Cambridge, Inglaterra, e do <em>Certificat pratique de langue fran\u00e7aise (1<sup>er<\/sup> degr\u00e9)<\/em>, do <em>Dipl\u00f4me d\u2019\u00e9tudes fran\u00e7aises (2<sup>e<\/sup> degr\u00e9) <\/em>e do<em> Dipl\u00f4me sup\u00e9rieur d\u2019\u00e9tudes fran\u00e7aises<\/em> <em>(3<sup>e <\/sup>\u00a0degr\u00e9)<\/em>, pela Universit\u00e9 de Nancy II, Fran\u00e7a. Al\u00e9m dos idiomas ingl\u00eas e franc\u00eas, cursados, respectivamente, no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos \u2013 ICBEU (1978-1985) e na Alian\u00e7a Cultural Franco-Brasileira, conhecida como Alian\u00e7a Francesa (1984-1995), estudou alem\u00e3o (1986-1988) e espanhol (1988-1989) no N\u00facleo de Cultura Lingu\u00edstica do Departamento de Letras da UFMA, sempre em S\u00e3o Lu\u00eds, e italiano (2000-2002) e, novamente, alem\u00e3o (2002-2003) na Escola Luziana Lanna Idiomas em Belo Horizonte-MG.<\/p>\n<p>No plano internacional, \u00e9 membro da European Society of International Law \u2013 ESIL e da Accademia Internazionale Il Convivio, da It\u00e1lia. Integrou o Latin American Quality Institute \u2013 LAQI, sediado no Panam\u00e1 (2016), e a Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do II Congresso Global de Direitos Humanos: a defesa da democracia e do Estado Constitucional: os desafios das organiza\u00e7\u00f5es e da sociedade civil na contemporaneidade, na cidade de Lamego, Portugal, em 2020.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito nacional, \u00e9 Membro de Honra da Sociedade Brasileira de Psicologia Jur\u00eddica \u2013 SBPJ, membro titular do PEN Clube do Brasil, membro da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores \u2013 UBE (S\u00e3o Paulo) e membro correspondente MA da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores RJ (UBE RJ), al\u00e9m de membro efetivo e perp\u00e9tuo da Academia Brasileira de Direito \u2013 ABD, ocupando a Cadeira n\u00ba 16, patroneada por C\u00e2ndido Mendes, desde 31 de maio de 2019.<\/p>\n<p>Ademais, \u00e9 membro efetivo da Academia Maranhense de Letras \u2013 AML (Cadeira n\u00ba 12, que j\u00e1 pertenceu ao grande poeta Odylo Costa, filho, patroneada pelo jornalista Joaquim Maria Serra Sobrinho, com posse em 6 de abril de 2017); da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas \u2013 AMLJ (Cadeira n\u00ba 5, cujo patrono \u00e9 o Ministro Augusto Olympio Viveiros de Castro, com posse em 3 de dezembro de 2004) e da Academia Caxiense de Letras \u2013 ACL (Cadeira n\u00ba 9, patroneada pela Professora Filomena Machado Teixeira, com posse em 26 de abril de 2008); s\u00f3cia efetiva do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o \u2013 IHGM (Cadeira n\u00ba 36, cujo patrono \u00e9 o escritor Astolfo Henrique Serra, com posse em 26 de agosto de 2011); e um dos 25 fundadores da Academia Ludovicense de Letras \u2013 ALL (Cadeira n\u00ba 31, patroneada pelo historiador M\u00e1rio Martins Meireles). \u00c9 autora dos projetos do bras\u00e3o e da bandeira da ALL, assim como o seu patrono M\u00e1rio Meireles j\u00e1 idealizara o bras\u00e3o da Academia Maranhense de Letras no passado. Foi Presidente da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas no bi\u00eanio 2011-2013, a primeira mulher a exercer tal posto. Recebeu o t\u00edtulo de membro honor\u00e1rio da Academia Paraibana de Letras Jur\u00eddicas \u2013 APLJ em 2014 e de membro correspondente da Academia Cearense de Letras \u2013 ACL em 2016 e do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Santa Catarina \u2013 IHGSC em 2017. Foi admitida para integrar a categoria de associado correspondente do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Minas Gerais \u2013 IHGMG em 2019. \u00c9 membro do Conselho Editorial da <em>Revista Juris<\/em>, do Centro de Estudos Constitucionais e de Gest\u00e3o P\u00fablica \u2013 CECGP, desde janeiro de 2015, em S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Foi aprovada, pelo Departamento de Letras da UFMA, na Sele\u00e7\u00e3o de Ingl\u00eas para professores pr\u00f3-labore, em setembro de 1988, e em Concurso P\u00fablico para ingresso na carreira do Magist\u00e9rio Superior, na Classe de Professor Auxiliar, na \u00e1rea de L\u00edngua Inglesa, obtendo o segundo lugar, em 1994, assim como, pelo Departamento de Direito da UFMA, no Processo Seletivo Simplificado para Contrata\u00e7\u00e3o de Professor Substituto, \u00e1rea de Direito P\u00fablico, obtendo o primeiro lugar, em 1999.<\/p>\n<p>No magist\u00e9rio, sua experi\u00eancia se divide, em especial, entre o ensino da l\u00edngua inglesa e o das Ci\u00eancias Criminais. Foi Professora de Ingl\u00eas no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos \u2013 ICBEU (1982) e no Yes \u2013 Instituto de Idiomas (1989-1990). J\u00e1 na universidade, foi professora dos cursos de extens\u00e3o de L\u00edngua Inglesa I, II, III e IV, promovidos pelo N\u00facleo de Cultura Lingu\u00edstica \u2013 NCL do Departamento de Letras da UFMA, nos anos de 1992 e 1993. Em Belo Horizonte foi Professora de Criminologia da Funda\u00e7\u00e3o Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais, ministrando em cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Penais, de 2001 a 2003. Ministrou a disciplina Criminologia no Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Criminais do ent\u00e3o Centro Universit\u00e1rio do Maranh\u00e3o \u2013 UNICEUMA, hoje Universidade Ceuma, no ano de 2008. Na Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o \u2013 ESMP-MA, ministrou os cursos sobre \u201cCrime organizado\u201d e \u201cCriminologia: o criminoso de colarinho branco sob a perspectiva criminol\u00f3gica\u201d, ambos em 2011, como etapas de vitaliciamento do Curso de Ingresso na Carreira do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o, e a disciplina Criminologia no VIII M\u00f3dulo do Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Criminais em 2012. Ministrou aulas sobre os temas \u201cTutela repressiva \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d e \u201cCrime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d nos cursos de Especializa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Criminais, da Faculdade de Direito de Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, nos anos de 2013 e 2014, bem como a disciplina Cultura e Criminologia Comparada em duas edi\u00e7\u00f5es do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o Conducente ao Mestrado em Criminologia, oferecido pelo Instituto Universit\u00e1rio Atl\u00e2ntico \u2013 IUA, em parceria com a Universidade Fernando Pessoa, de Portugal, na Funda\u00e7\u00e3o Sous\u00e2ndrade, na capital maranhense, em julho de 2015 e no final de abril e in\u00edcio de maio de 2017. Ainda em S\u00e3o Lu\u00eds, ministrou o curso \u201cOrganiza\u00e7\u00f5es criminosas e crime organizado\u201d para servidores do Poder Judici\u00e1rio estadual, a convite da Escola Superior da Magistratura do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 ESMAM, em S\u00e3o Lu\u00eds no dia 24 de setembro de 2018. E foi professora de Direito da Universidade Ceuma de 2004 a 2017. Hodiernamente, pertence ao corpo docente da ESMP-MA.<\/p>\n<p>Comp\u00f4s v\u00e1rias bancas examinadoras. Desempenhou a fun\u00e7\u00e3o de Membro da Equipe de Corre\u00e7\u00e3o de Reda\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Permanente de Vestibular \u2013 COPEVE, quando da realiza\u00e7\u00e3o do Concurso Vestibular de 1993, da UFMA. Orientou diversos trabalhos acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>Foi bolsista do Programa Interinstitucional de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica CNPq\/UFMA, desenvolvendo o Projeto de Pesquisa \u201cPrograma Permanente de An\u00e1lise e Indexa\u00e7\u00e3o de Jurisprud\u00eancia: Quest\u00e3o Agr\u00e1ria 1981\/1989\u201d, no per\u00edodo de abril a dezembro de 1990, em S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Integrou o quadro de servidores do Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o em S\u00e3o Lu\u00eds (1993). Ingressou no Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o em concurso p\u00fablico realizado em 1993. Exerceu o cargo de Promotora de Justi\u00e7a nas Comarcas de Icatu, Olho D\u2019\u00c1gua das Cunh\u00e3s e S\u00e3o Mateus, como substituta; e nas Comarcas de Carutapera, S\u00e3o Mateus, Viana e Caxias, como titular. Foi Promotora Eleitoral de diversas zonas e Diretora das Promotorias de Justi\u00e7a de Caxias em v\u00e1rias oportunidades. Exerceu a fun\u00e7\u00e3o de Coordenadora de Pesquisa do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito da Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o de 2006 a 2009 e o cargo em comiss\u00e3o de Assessor de Procurador-Geral de Justi\u00e7a nos anos de 2009 e 2010.<\/p>\n<p>Proferiu numerosas palestras e confer\u00eancias em eventos ocorridos na Espanha, em Portugal, em S\u00e3o Lu\u00eds e em outras cidades brasileiras, a exemplo de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florian\u00f3polis, Goi\u00e2nia, Boa Vista, Manaus, Vit\u00f3ria, entre outras, versando sobre Direito (com destaque para o tema do crime organizado), Criminologia, Hist\u00f3ria ou Literatura, tais como as intituladas \u201cInstrumentos legais de defesa da mulher contra a viol\u00eancia\u201d, no II Encontro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Mulheres de Carreira Jur\u00eddica, em S\u00e3o Lu\u00eds, no ano de 1998, e no I Semin\u00e1rio sobre os Direitos da Mulher, na cidade de Caxias-MA, em 1999; \u201cO Minist\u00e9rio P\u00fablico e os Munic\u00edpios: a quest\u00e3o da improbidade administrativa\u201d, no Encontro de Prefeitos do Maranh\u00e3o, na capital maranhense, em 1998; \u201cO Tribunal de Nuremberg\u201d, na Funda\u00e7\u00e3o Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico\/MG, em Belo Horizonte, no ano de 2003; \u201cO idoso na sociedade\u201d, no I F\u00f3rum Municipal do Idoso, na cidade de Caxias, em 2006; \u201cPara entender o Minist\u00e9rio P\u00fablico\u201d, no I Semin\u00e1rio para Jornalistas, em S\u00e3o Lu\u00eds, no ano de 2007; \u201cCrime de colarinho branco: perspectiva criminol\u00f3gica\u201d, em cerim\u00f4nia da Sociedade Brasileira de Psicologia Jur\u00eddica, na capital ga\u00facha, em 2008, no 1\u00ba Semin\u00e1rio de Criminologia e Seguran\u00e7a P\u00fablica, no Rio de Janeiro, em 2009, e no IV Congresso Internacional Dimens\u00f5es dos Direitos Humanos \u2013 IV CONDIM: Direitos Humanos de 2\u00aa Gera\u00e7\u00e3o, promovido pelo Departamento de Direito da Universidade Portucalense \u2013 UPT e pelo Instituto Jur\u00eddico Portucalense \u2013 IJP, no \u00e2mbito do Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o <em>Dimensions of Human Rights<\/em>, em 2018; \u201cO Minist\u00e9rio P\u00fablico no combate \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, em painel no I Congresso Estadual do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o, em S\u00e3o Lu\u00eds, no ano de 2008; \u201cCrime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, no 7\u00ba Congresso Brasileiro de Direito Internacional, na Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP, na XVI Jornada Jur\u00eddica do Curso de Direito \u2013 UNICEUMA, em 2009, no Rotary Club de S\u00e3o Lu\u00eds, em 2010, na I Jornada de Direito Penal, da Escola de Magistratura Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o \u2013 ESMAF, em Manaus-AM, em 2012, na I Semana Acad\u00eamica do Curso de Direito, na UFMA, em S\u00e3o Lu\u00eds, no ano de 2013, na I Confer\u00eancia de Pol\u00edticas Prisionais do Estado do Maranh\u00e3o, promovida pela Escola de Gest\u00e3o Penitenci\u00e1ria do Maranh\u00e3o, da Secretaria da Justi\u00e7a e da Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2014, no Semin\u00e1rio sobre Crime organizado, em Vit\u00f3ria-ES, no ano de 2014, e na IV Jornada de Direito da Universidade Estadual do Maranh\u00e3o \u2013 UEMA, em S\u00e3o Lu\u00eds, no ano de 2015; \u201cOrganiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, no Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, na cidade de Florian\u00f3polis, em 2010; \u201cCrime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas mundiais: apontamentos\u201d, no I Semin\u00e1rio Nacional de Direito Penal e Processual Penal na Regi\u00e3o Serrana, na Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1 \u2013 Unidade Nova Friburgo, em 2010; \u201cDelinqu\u00eancia organizada e organiza\u00e7\u00f5es criminosas mundiais\u201d, no semin\u00e1rio O Minist\u00e9rio P\u00fablico e a repress\u00e3o ao crime organizado, em Goi\u00e2nia-GO, 2011; \u201cCrime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas mundiais\u201d, no Semin\u00e1rio: Combate ao crime organizado, em Boa Vista-RR, em 2011; \u201cA funda\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds: fatos e mitos\u201d, no Semin\u00e1rio 6: S\u00e3o Lu\u00eds foi fundada por quem? Conclus\u00f5es poss\u00edveis, do Ciclo de Estudos\/Debates A cidade do Maranh\u00e3o \u2013 uma hist\u00f3ria de 400 anos 2011\/2012, promovido pelo IHGM, em S\u00e3o Lu\u00eds, em 2012; \u201cO crime do colarinho branco sob a \u00f3tica criminol\u00f3gica\u201d, na Jornada Jur\u00eddica: Hermen\u00eautica constitucional e jurisdi\u00e7\u00e3o penal, em Imperatriz-MA, no ano de 2012; \u201cA Batalha de Guaxenduba: raz\u00f5es da vit\u00f3ria lusa e compara\u00e7\u00e3o com os embates da ocupa\u00e7\u00e3o holandesa no Maranh\u00e3o\u201d, no Simp\u00f3sio 400 anos da Batalha de Guaxenduba: a primeira guerra bras\u00edlica (1614-2014), promovido pelo IHGM, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2014; \u201cOrganiza\u00e7\u00f5es criminosas e crime organizado\u201d, no I Ciclo de Debates Acad\u00eamicos de Seguran\u00e7a P\u00fablica, evento integrante do Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Cidadania, Direitos Humanos e Gest\u00e3o da Seguran\u00e7a P\u00fablica, em S\u00e3o Lu\u00eds, na UFMA, no ano de 2014, e no II F\u00f3rum Acad\u00eamico de Seguran\u00e7a P\u00fablica, promovido pela UFMA, em parceria com a Secretaria Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica \u2013 SENASP-MJ, em 2016; \u201cM\u00e1rio Meireles\u201d, no painel sobre o \u201cCenten\u00e1rio do Nascimento de M\u00e1rio Martins Meireles\u201d, em evento da Academia Ludovicense de Letras, por ocasi\u00e3o das comemora\u00e7\u00f5es do segundo anivers\u00e1rio desta, em S\u00e3o Lu\u00eds-MA, 2015, e no \u201cCaf\u00e9 Liter\u00e1rio\u201d da 9\u00aa FeliS \u2013 Feira do Livro de S\u00e3o Lu\u00eds, em 2015; \u201cDagmar Dest\u00earro e Dil\u00fa Mello\u201d, no painel de apresenta\u00e7\u00e3o de poesia feminina, no evento Integra\u00e7\u00e3o Cultural Interestadual, promovido pela Uni\u00e3o Brasileira de Escritores RJ, na Academia Cearense de Letras \u2013 ACL, em Fortaleza-CE, 2016; \u201cA funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds e o mito das origens lusitanas da cidade\u201d, na mesa-redonda \u201cFunda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds: 404 ou 400 anos?\u201d, promovida pelo IHGM, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2016; \u201cCrimen organizado internacional: An\u00e1lisis jur\u00eddico-penal\u201d, no Congreso Internacional de Historia de los Derechos Humanos. El Cincuentenario de los Pactos Internacionales de Derechos Humanos de la ONU. Homenaje a la Profesora M\u00aa. Esther Mart\u00ednez Quinteiro, na Universidad de Salamanca, Espanha, em 2016; \u201cA Batalha de Guaxenduba\u201d, em evento da Casa de Cultura Huguenote Daniel de La Touche \u2013 CCHDLT, em S\u00e3o Lu\u00eds, em 2016; \u201cCrime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas no mundo\u201d, no II Semin\u00e1rio sobre Improbidade Administrativa e Crimes contra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica: Maranh\u00e3o contra a Corrup\u00e7\u00e3o, promovido pela Escola Superior da Magistratura do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 ESMAM, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2017; \u201cCrimen organizado, crimen de cuello blanco y derecho de seguridad\u201d, no XX Congreso Internacional de Historia de los Derechos Humanos: Dimensiones del Derecho Humano de Seguridad y Expansividad del Mismo, na Universidad de Salamanca, Espanha, em 2017; \u201cCrime organizado e direito \u00e0 seguran\u00e7a: Europa e Brasil\u201d, no Seminario Internacional de Historia de los Derechos Humanos, na Universidad de Salamanca, Espanha, em 2018; \u201cOrganiza\u00e7\u00f5es criminosas e crime organizado mundial: Europa e Brasil\u201d, no II Seminario Internacional en Cultura de la Legalidad: \u201cLos desafios del Estado de Derecho en el siglo XXI. El futuro de la democracia en los pa\u00edses ibero-americanos\u201d, na Universidad Carlos III de Madrid, Espanha, em 2018; \u201cAto infracional juvenil e redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal\u201d, em mesa-redonda no Encontro Maranhense de Psicologia Jur\u00eddica e Direitos Humanos, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psicologia Jur\u00eddica, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2018; \u201cEl mito de la Mafia\u201d, no XXI Congreso Internacional de Historia de los Derechos Humanos de la Universidad de Salamanca: Los derechos de segunda generaci\u00f3n, em Salamanca, Espanha, em 2018; \u201cOrganiza\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras\u201d, no Semin\u00e1rio Direitos Humanos, Seguran\u00e7a e as suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es, no IV Congresso Internacional Dimens\u00f5es dos Direitos Humanos \u2013 IV CONDIM, promovido pelo Departamento de Direito da Universidade Portucalense \u2013 UPT e pelo Instituto Jur\u00eddico Portucalense \u2013 IJP, no \u00e2mbito do Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o <em>Dimensions of Human Rights<\/em>, em 2018; \u201cUma viagem de conquistas pelo conhecimento\u201d, no Semin\u00e1rio Educa\u00e7\u00e3o Doroteana: uma caminhada de constru\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social (de Abertura dos 125 anos do Col\u00e9gio), promovido pelo Col\u00e9gio Santa Teresa, em 2019; \u201cOs desafios da inclus\u00e3o e da ressocializa\u00e7\u00e3o: o caso das fac\u00e7\u00f5es brasileiras do crime organizado\u201d, no I Congresso Global de Direitos Humanos: novas pol\u00edticas de cidadania e de desenvolvimento sustent\u00e1vel, em Lamego, Portugal, em 2019; \u201cA teoria procedimentalista de John Hart Ely e a quest\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial \u00e1 luz dos direitos humanos\u201d, no Seminario Internacional de Postdoctorado \u2013 Estudios Interdisciplinares sobre Derechos Humanos \u2013 Homenaje al Profesor Elder Lisboa Ferreira da Costa, na Universidad de Salamanca, Espanha, em 2019; \u201cO conjunto arquitet\u00f4nico tombado. O seu lugar na cidade\u201d, no VII Encontro Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico na Defesa do Patrim\u00f4nio Cultural, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Meio Ambiente \u2013 ABRAMPA, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2019; \u201cA remi\u00e7\u00e3o de pena pelo trabalho e pelo estudo \u00e0 luz dos Direitos Humanos: o caso brasileiro\u201d, no XXII Congreso Internacional de Historia de los Derechos Humanos de la Universidad de Salamanca \u2013 Los Derechos Sociales. Conmemoraci\u00f3n del Centenario de la OIT, em Salamanca, Espanha, em 2019; \u201cO direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e a remi\u00e7\u00e3o de pena pela leitura \u00e0 luz dos Direitos Humanos: o caso do Brasil\u201d, no V Congresso Internacional Dimens\u00f5es dos Direitos Humanos \u2013 V CONDIM, promovido pelo Departamento de Direito da Universidade Portucalense \u2013 UPT e pelo Instituto Jur\u00eddico Portucalense \u2013 IJP, no \u00e2mbito do Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o <em>Dimensions of Human Rights<\/em>, em 2019; \u201cDireito e literatura: contemporaneidade e o absurdo em Kafka e Camus\u201d, a convite da Defensoria P\u00fablica do Estado do Maranh\u00e3o, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2019; \u201c1612: os papagaios amarelos na Ilha do Maranh\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds\u201d (livro), na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o da ESMP Liter\u00e1ria, no Centro Cultural do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o, em S\u00e3o Lu\u00eds, 2019; \u201cConex\u00f5es entre o crime organizado e a corrup\u00e7\u00e3o e o combate \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, no II Congresso Global de Direitos Humanos: a defesa da democracia e do Estado Constitucional: os desafios das organiza\u00e7\u00f5es e da sociedade civil na contemporaneidade, em Lamego, Portugal, em 2020; \u201cA pandemia: comportamento e sociedade na literatura\u201d, no painel hom\u00f4nimo, do Webinar O Direito em tempos de Covid-19, organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito P\u00fablico \u2013 IDP, em 2020, entre outras.<\/p>\n<p>Foi oradora das turmas de licenciandos em Educa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, Estudos Sociais, Filosofia, Hist\u00f3ria e Letras em 1988 e da turma de bacharelandos do Curso de Direito em 1993, por ocasi\u00e3o das respectivas cola\u00e7\u00f5es de grau da UFMA, assim como dos Promotores de Justi\u00e7a do Maranh\u00e3o, na cerim\u00f4nia de entrega das vestes talares, em 1994.<\/p>\n<p>Logrou diversas premia\u00e7\u00f5es e classifica\u00e7\u00f5es em concursos liter\u00e1rios. Conquistou o segundo lugar, por duas vezes, no Pr\u00eamio \u201cPoesia, Prosa e Arti figurative\u201d, promovido pela Accademia Internazionale Il Convivio, da It\u00e1lia, primeiramente na Sezione Stranieri, Libro edito in portoghese, com a obra <em>Quando<\/em>: poesias, em 2014, depois na Sezione Autori Stranieri, com a obra <em>O Tribunal de Nuremberg<\/em>, em 2019; a Men\u00e7\u00e3o Honrosa no prestigioso Pr\u00eamio Pedro Calmon 2014, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro \u2013 IHGB; o tradicional Pr\u00eamio Liter\u00e1rio Nacional PEN Clube do Brasil 2015, categoria Ensaio, pelo livro <em>1612<\/em>; e o Pr\u00eamio Vianna Moog, Categoria Ensaio, no Concurso Internacional de Literatura da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores \u2013 UBE-RJ, edi\u00e7\u00e3o 2017, pela obra (ainda n\u00e3o publicada) \u201cUm Trem chamado Sonho, um Sonho chamado Academia\u201d. Foi um dos quatro vencedores do concurso liter\u00e1rio nacional intitulado Projeto \u201cMon\u00f3logos hist\u00f3ricos para o PEN Clube em tempos de confinamento e reclus\u00e3o \u2013 2020\u201d, com o texto \u201cO mundo cabe no meu quarto\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, obteve o primeiro lugar no Concurso Epistolar Internacional para jovens, promovido pela Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos, Delegacia Regional do Maranh\u00e3o, realizado em 1982. Foi premiada no Concurso Jovem Embaixador 1983, promovido por <em>O Globo<\/em>, pelo Instituto Guanabara e pelo Col\u00e9gio Princesa Isabel, no Rio de Janeiro-RJ. Igualmente recebeu Pr\u00eamio de Publica\u00e7\u00e3o no V Concurso Raimundo Correia de Poesia. Alcan\u00e7ou a primeira coloca\u00e7\u00e3o com a poesia \u201cQuando\u201d no I Concurso Liter\u00e1rio de Contos e Poesias em 2012 e o segundo lugar com a poesia \u201cA dama quatrocentona\u201d no II Concurso Liter\u00e1rio nos G\u00eaneros de Poesias e\/ou Cr\u00f4nicas \u201cS\u00e3o Lu\u00eds, minha cidade\u201d, no ano seguinte, ambos promovidos pela Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Universidade Federal do Maranh\u00e3o \u2013 AAUFMA. Conquistou o Trof\u00e9u \u201cMelhor Obra (Poesia)\u201d, no 1\u00ba Sal\u00e3o Nacional de Arte e Poesia, concedido pelo N\u00facleo Rio de Janeiro dos Grupos Artforum Brasil XXI (2015); o Trof\u00e9u \u201cImprensa sem Fronteiras\u201d, na categoria Literatura, em virtude de, \u201cpor m\u00e9rito e reconhecimento\u201d, haver promovido \u201co engrandecimento da Cultura do Pa\u00eds\u201d, outorgado pela Rede M\u00eddia de Comunica\u00e7\u00e3o Sem Fronteiras, em celebra\u00e7\u00e3o ao 3\u00ba anivers\u00e1rio do Jornal Sem Fronteiras, em Blumenau-SC (2016); o trof\u00e9u referente ao 2\u00ba lugar no Concurso \u201cColet\u00e2nea Internacional Bil\u00edngue \u2013 Sem Fronteiras pelo Mundo&#8230; Volume Verso\u201d, com o poema \u201cO n\u00e1ufrago VIII\u201d, o qual lhe foi conferido pela Editora Rede Sem Fronteiras tamb\u00e9m em Blumenau-SC (2016); o Pr\u00eamio Excel\u00eancia e Qualidade Brasil 2016 e o t\u00edtulo de Comendadora, concedidos pela Brasl\u00edder \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lideran\u00e7a, nas categorias \u201cProfissional do Ano\/Destaque Nacional\u201d e \u201cM\u00e9rito Acad\u00eamico-Cultural\u201d, em evento realizado no C\u00edrculo Militar, em S\u00e3o Paulo-SP (2016); a Men\u00e7\u00e3o Honrosa, pela participa\u00e7\u00e3o como escritor, na Exposi\u00e7\u00e3o Letra &amp; Imagem, promovida pela Cia. Arte Cultura e pela Academia de Letras e Artes Buziana \u2013 ALAB, em S\u00e3o Paulo-SP (2016); a distin\u00e7\u00e3o \u201cMo\u00e7\u00e3o Cultural de Aplausos\u201d, concedida pela Rede M\u00eddia de Comunica\u00e7\u00e3o e pela Editora Sem Fronteiras, por ocasi\u00e3o do projeto Letra &amp; Imagem, da Cia. Arte Cultura, em S\u00e3o Paulo-SP (2016); o trof\u00e9u Latin American Quality Institute 2016, o t\u00edtulo de <em>Master in Total Quality Administration<\/em> e a certifica\u00e7\u00e3o de <em>Global Quality<\/em>, por sua atua\u00e7\u00e3o como escritora, no M\u00e9xico (2016); o Pr\u00eamio Talentos Helv\u00e9ticos-Brasileiros 2017, na categoria \u201cMelhores livros de poesia\u201d, pela obra <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte<\/em>: poesias, concedido pela Helvetia Edi\u00e7\u00f5es, como resultado de concurso liter\u00e1rio; e o terceiro lugar no Concurso Liter\u00e1rio AJEB-RJ 2018, da Associa\u00e7\u00e3o de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria Rio de Janeiro, Categoria Conto, pelo conto \u201cJanelas para o mundo\u201d, em homenagem \u00e0 sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Recebeu v\u00e1rias medalhas e honrarias: a Medalha \u201cSous\u00e2ndrade\u201d do M\u00e9rito Universit\u00e1rio, concedida pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o, por haver obtido o maior coeficiente de rendimento escolar da universidade, durante o curso de gradua\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o primeiro semestre letivo de 1987; a Comenda Arcelina Mochel, outorgada pela AMPEM, pela passagem de quinze anos de servi\u00e7os prestados ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, em 2009; a Comenda Gon\u00e7alves Dias, conferida pelo IHGM, pela participa\u00e7\u00e3o e empenho na materializa\u00e7\u00e3o do Projeto Gon\u00e7alves Dias, em 2013; a Comenda Comemorativa Leonardo da Vinci, concedida pela Literarte \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Escritores e Artistas, sediada no Estado do Rio de Janeiro, em reconhecimento aos \u201cseus atos merit\u00f3rios de ideais c\u00edvicos, culturais e sociais\u201d, em 2015; o Diploma de Honra ao M\u00e9rito, conferido pela Seccional do Maranh\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil em 2018, pelos \u201crelevantes servi\u00e7os prestados ao Direito maranhense\u201d; o Diploma de Honra ao M\u00e9rito, conferido pela Procuradoria Geral de Justi\u00e7a do Estado do Maranh\u00e3o em 2018, \u201cem reconhecimento aos 20 anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o\u201d e ao \u201ccumprimento de suas atividades funcionais\u201d; a Medalha da Ordem do M\u00e9rito em Direitos Humanos, outorgada pelo Centro de Estudos Constitucionais e de Gest\u00e3o P\u00fablica \u2013 CECGP e pela SVT Faculdade em 2018; e o Pr\u00eamio Mulher de Express\u00e3o 2019, em evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher, organizado pela jornalista Rosenira Alves, com o apoio do <em>Jornal Pequeno<\/em>. Foi agraciada com o \u201cPr\u00eamio AMPEM\u201d, em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es (1997-1999), e, em sequ\u00eancia, com o \u201cPr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes\u201d, em suas edi\u00e7\u00f5es 2001, 2003, 2004, 2006, 2007 e 2008, concedidos pela AMPEM aos autores dos trabalhos jur\u00eddicos mais destacados.<\/p>\n<p>Pena vers\u00e1til, possui vasta bibliografia, compreendendo diversos livros, mormente de Direito Penal, Hist\u00f3ria e poesias, e mais de 40 artigos nas searas jur\u00eddica e historiogr\u00e1fica e pe\u00e7as processuais publicadas em livros e revistas especializadas, entre as quais a <em>Revista Internacional Consinter de Direito<\/em>, a <em>Revista dos Tribunais<\/em>, a <em>De Jure \u2013 Revista Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais<\/em>, a <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em>, a <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em> e a <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Santa Catarina<\/em>, al\u00e9m de artigos e cr\u00f4nicas veiculadas nos jornais <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em> e <em>O Imparcial<\/em> e poesias, inclu\u00eddas em publica\u00e7\u00f5es variadas, a exemplo da prestigiosa <em>Revista Poesia Sempre<\/em>, da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional (2008), da conceituada revista italiana <em>Il Convivio <\/em>(2014 a 2019) e dos livros <em>Poetas brasileiros de hoje 1986<\/em> e <em>Poetas brasileiros de hoje 1987<\/em>. Sua obra <em>Crime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas mundiais <\/em>(2009), baseada na tese de Doutorado na UFMG, levou-a a ser entrevistada pelo apresentador J\u00f4 Soares em seu <em>Programa do J\u00f4<\/em>, da Rede Globo, exibido em 26 de mar\u00e7o de 2010, e pela revista <em>Hist\u00f3ria em curso<\/em> (S\u00e3o Paulo, Minuano, v. 2, n. 8, 2012), entre outras entrevistas concedidas em diferentes meios de comunica\u00e7\u00e3o nacionais. \u00c9 um dos seis autores que colaboraram na obra <em>Fran\u00e7a Equinocial<\/em>: uma hist\u00f3ria de 400 anos, em textos, imagens, transcri\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios, organizada por Antonio Noberto (S\u00e3o Lu\u00eds, 2012 e 2018). V\u00e1rios de seus poemas foram traduzidos para o italiano pela revista <em>Il Convivio<\/em>. Igualmente teve poesias traduzidas para o ingl\u00eas. \u00c9 membro da Comiss\u00e3o Editorial da <em>Revista Eletr\u00f4nica de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas<\/em>, da AMPEM, desde 2004, e do Conselho Editorial da <em>Revista Juris<\/em>, do Centro de Estudos Constitucionais e de Gest\u00e3o P\u00fablica \u2013 CECGP, desde 2015, em S\u00e3o Lu\u00eds. \u00c9 um dos verbetes da <em>Enciclopedia di Grandi Artisti: Portoghese\/Italiano<\/em> (p. 16), publicada, em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue de luxo, pela Literarte \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Escritores e Artistas (2015). Foi um dos escritores homenageados na 1\u00aa FLAEMA \u2013 Feira do Livro do Autor e Editor Maranhense, realizada na capital maranhense em 2016. E foi homenageada na revista <em>Arte &amp; Estilo<\/em>, em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue (ano 7, 2018).<\/p>\n<p>No campo jur\u00eddico, teve dois artigos \u2013 \u201cReflex\u00f5es sobre o crime organizado e as organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d e \u201cOs modelos estruturais do crime organizado e das organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d \u2013 inclu\u00eddos no livro <em>Direito penal empresarial, crime organizado, extradi\u00e7\u00e3o e terrorismo<\/em>: volume VI, da Cole\u00e7\u00e3o Doutrinas essenciais: Direito penal econ\u00f4mico e da empresa, no ano de 2011, uma republica\u00e7\u00e3o, em edi\u00e7\u00e3o especial, dos melhores artigos doutrin\u00e1rios j\u00e1 publicados pela prestigiada Editora Revista dos Tribunais ao longo de 100 anos.<\/p>\n<p>Participou das atividades promovidas pelo Liceo Po\u00e9tico de Benidorm, da Espanha, em S\u00e3o Lu\u00eds, durante seguidos anos.<\/p>\n<p>Ana Luiza possui rela\u00e7\u00f5es de parentesco com o saudoso historiador M\u00e1rio Martins Meireles, pela linha do av\u00f4 paterno Jo\u00e3o Meireles Ferro. Igualmente teria distantes la\u00e7os de parentesco com o romancista cearense Jos\u00e9 de Alencar, pela linha da bisav\u00f3 materna Luisa Rodrigues de Alencar Almeida (depois Luiza de Araujo Almeida), m\u00e3e do radialista e locutor Marcos Vinicius S\u00e9rgio de Almeida, por duas vezes consecutivas eleito \u201cRei do R\u00e1dio\u201d (1953-1954).<\/p>\n<p>Afora as intensas atividades profissionais, acad\u00eamicas e de pesquisa, Ana Luiza sempre praticou esportes, tomando parte de diversas competi\u00e7\u00f5es. No t\u00eanis de mesa, foi campe\u00e3 universit\u00e1ria e maranhense. Sagrou-se campe\u00e3 de t\u00eanis de mesa na categoria individual simples feminino nos XI Jogos Universit\u00e1rios Maranhenses \u2013 JUM\u2019S, no ano de 1987, representando, como aluna do Curso de Letras da UFMA, o Centro de Estudos B\u00e1sicos, e nas categorias individual simples feminino e dupla mista nos XII Jogos Universit\u00e1rios Maranhenses, no ano seguinte, representando, como estudante de Direito, o Centro de Ci\u00eancias Sociais da UFMA, eventos promovidos pela Federa\u00e7\u00e3o Acad\u00eamica Maranhense de Esportes \u2013 FAME. Participou dos XL Jogos Universit\u00e1rios Brasileiros, realizados no per\u00edodo de 26 de julho a 5 de agosto de 1989. No mesmo ano, recebeu a medalha de ouro de t\u00eanis de mesa individual feminino na X Jornada Esportiva de Associa\u00e7\u00f5es Atl\u00e9ticas Banco do Brasil \u2013 JESAB, representando a AABB de S\u00e3o Lu\u00eds. Em 1990, conquistou a Ta\u00e7a Pedro Ara\u00fajo, na categoria de t\u00eanis de mesa feminino, oferecida pela Federa\u00e7\u00e3o Maranhense de T\u00eanis de Mesa \u2013 FMTM. Com seus companheiros da equipe de t\u00eanis de mesa da University of Oregon, de Eugene, no ano de 1991, venceu torneio disputado contra a Portland State University, de Portland, nos Estados Unidos. E conquistou uma medalha de prata, pela Federa\u00e7\u00e3o Maranhense de T\u00eanis de Mesa \u2013 FMATM, e uma de bronze, representando a Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Banco do Brasil \u2013 AABB S\u00e3o Lu\u00eds-MA, em modalidades de dupla feminina (Absoluto D), com Eliane Fernandes Nascimento, no 53\u00ba Campeonato Brasileiro de T\u00eanis de Mesa, organizado pela Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de T\u00eanis de Mesa \u2013 CBTM, na capital paulista (2019). Participou de diversas corridas de rua, obtendo v\u00e1rias premia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se dedica \u00e0 pintura a \u00f3leo, a exemplo dos quadros \u201cImpress\u00f5es do Lago Genebra\u201d e \u201cPoder feminino\u201d, e ao desenhos a grafite, como os relativos \u00e0s figuras de M\u00e1rio Meireles e Carlos Cunha.<\/p>\n<p>J\u00e1 visitou os seguintes pa\u00edses: Alemanha, \u00c1ustria, B\u00e9lgica, Bielorr\u00fassia, B\u00f3snia e Herzegovina, Canad\u00e1, China, Cingapura, Cro\u00e1cia, Dinamarca, Egito, Esc\u00f3cia, Eslov\u00e1quia, Eslov\u00eania, Espanha, Estados Unidos (onde, inclusive, morou por um ano, quando estudou na University of Oregon), Est\u00f4nia, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, Holanda, Hungria, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Inglaterra, Irlanda (Eire), Israel (incluindo a Autoridade Palestina), It\u00e1lia, Jap\u00e3o, Jord\u00e2nia, Let\u00f4nia, Liechtenstein, Litu\u00e2nia, M\u00e9xico, M\u00f4naco, Montenegro, Nepal, Noruega, Pa\u00eds de Gales, Pol\u00f4nia, Portugal, Rep\u00fablica Tcheca, R\u00fassia, Su\u00e9cia, Su\u00ed\u00e7a, Tail\u00e2ndia, Turquia e Vaticano.<\/p>\n<p>O endere\u00e7o do curr\u00edculo da escritora na Plataforma Lattes, do CNPq, \u00e9: http:\/\/lattes.cnpq.br\/0546143271528785.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<p>A sua bibliografia compreende:<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li>a) livros jur\u00eddicos, criminol\u00f3gicos e afins: <em>O Tribunal de Nuremberg<\/em>: dos precedentes \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o de seus princ\u00edpios (Belo Horizonte: Mandamentos, 2002, baseado na monografia de conclus\u00e3o do Curso de Direito); <em>Escusas absolut\u00f3rias no Direito Penal<\/em> (Belo Horizonte: Del Rey, 2003); <em>Robert Merton e o funcionalismo<\/em> (Belo Horizonte: Mandamentos, 2004); <em>O crime de falso testemunho ou falsa per\u00edcia<\/em>: atualizado conforme a Lei n. 10.268, de 28 de agosto de 2001 (Belo Horizonte: Del Rey, 2004, baseado na disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado); <em>Interpreta\u00e7\u00e3o constitucional<\/em>: a teoria procedimentalista de John Hart Ely (Belo Horizonte: Dec\u00e1logo, 2008); <em>Crime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas mundiais<\/em> (Curitiba: Juru\u00e1, 2009, baseado na tese de Doutorado); <em>Criminalidade organizada<\/em>: coment\u00e1rios \u00e0 Lei 12.850, de 02 de agosto de 2013 (Curitiba: Juru\u00e1, 2014, em coautoria com Fl\u00e1vio Cardoso Pereira e Gustavo dos Reis Gazzola); <em>Justi\u00e7a em Kelsen e Direito em Luhmann<\/em> (Curitiba: Juru\u00e1, 2018); e<em> O Tribunal de Nuremberg<\/em>: precedentes, caracter\u00edsticas e legado (Belo Horizonte: Del Rey, 2019, 2\u00aa ed.);<\/li>\n<li>b) livros historiogr\u00e1ficos e afins: <em>1612<\/em>: os papagaios amarelos na Ilha do Maranh\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds (Curitiba: Juru\u00e1, 2014); <em>1612<\/em>: os franceses na Ilha do Maranh\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds (Lisboa: Editorial Juru\u00e1, 2014); <em>M\u00e1rio Meireles<\/em>: historiador e poeta. Homenagem ao centen\u00e1rio de nascimento do patrono da Cadeira n\u00ba 31 da ALL: com textos in\u00e9ditos (Curitiba: Juru\u00e1, 2015); e<em> Na Casa de Ant\u00f4nio Lopes<\/em>: posse na cadeira n. 25 do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o (S\u00e3o Lu\u00eds: ESMAM, 2017, em coautoria com Cleones Carvalho Cunha);<\/li>\n<li>c) livros de poesias:<em> Versos e anversos<\/em> (Belo Horizonte: Mandamentos, 2002, em coautoria com o pai Wilson Pires Ferro e o tio Jos\u00e9 Ribamar Pires Ferro); <em>Quando<\/em>: poesias (S\u00e3o Paulo: Scortecci, 2008); <em>A odiss\u00e9ia ministerial timbira<\/em>: poema (S\u00e3o Lu\u00eds: AMPEM, 2008); e <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte<\/em>: poesias (S\u00e3o Paulo: Scortecci, 2012);<\/li>\n<li>d) livro de cr\u00f4nicas: <em>Folhas ludovicenses<\/em>: artigos e cr\u00f4nicas (S\u00e3o Luis: Edi\u00e7\u00f5es AML, 2019);<\/li>\n<li>e) artigos (em livros e revistas especializadas): \u201cA m\u00e3o da sociedade\u201d, na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (1998); \u201cAlgumas considera\u00e7\u00f5es sobre o testemunho infantil\u201d, na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (2000) e na <em>APMP Revista<\/em> (2001); \u201cQuem deu a ti, Carrasco, esse poder sobre mim?\u201d, na <em>Revista AMPEM<\/em> (2001) e em <em>O Sino do Samuel<\/em>, Jornal da Faculdade de Direito da UFMG (2002); \u201cO problema da Justi\u00e7a em Kelsen\u201d, no livro <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2001<\/em> e na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (2002); \u201cO sujeito ativo do crime de falso testemunho: a quest\u00e3o do n\u00e3o-compromissado e do n\u00e3o-advertido\u201d, na <em>Revista Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais<\/em> (2002); \u201cO contador como sujeito ativo do crime de falsa per\u00edcia\u201d, no livro <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2002\/2003<\/em>; \u201cAlgumas considera\u00e7\u00f5es sobre o imputado, o r\u00e9u e a autodefesa no Direito penal brasileiro e comparado\u201d, em <em>Justi\u00e7a e Direito \u2013 Revista da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas do UNICEUMA<\/em> (2004); \u201cOs novos conquistadores: as organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, no livro <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2006<\/em> e em <em>De Jure<\/em> \u2013 <em>Revista Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais<\/em> (2007); \u201cO crime organizado e as organiza\u00e7\u00f5es criminosas: uma proposta legislativa\u201d, na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (2006), no <em>site <\/em>Direito Penal Virtual (2006) e na <em>Revista \u00c2mbito Jur\u00eddico<\/em>, Revista Jur\u00eddica Eletr\u00f4nica (2007); \u201cReflex\u00f5es sobre o crime organizado e as organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, na<em> Revista dos Tribunais<\/em> (2007) e no livro <em>Direito penal empresarial, crime organizado, extradi\u00e7\u00e3o e terrorismo<\/em>: volume VI, da Cole\u00e7\u00e3o Doutrinas essenciais: Direito penal econ\u00f4mico e da empresa (2011); \u201cAlgumas considera\u00e7\u00f5es sobre os fen\u00f4menos do terrorismo e do crime organizado\u201d, no livro <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2007<\/em>, em formato CD-ROM, na Se\u00e7\u00e3o \u201cDoutrina\u201d, como parte integrante da <em>Revista Juris Plenum<\/em> (2008), e na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Alagoas<\/em> (2007); \u201cO crime organizado e o crime de colarinho branco\u201d, na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (2007) e em formato CD-ROM, na Se\u00e7\u00e3o \u201cDoutrina\u201d, como parte integrante da <em>Revista Juris Plenum<\/em> (2008); \u201cO crime \u00e0 luz da teoria da anomia\u201d, no livro <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2008<\/em>; \u201cOs modelos estruturais do crime organizado e das organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, na<em> Revista dos Tribunais<\/em> (2008) e no livro <em>Direito penal empresarial, crime organizado, extradi\u00e7\u00e3o e terrorismo<\/em>: volume VI, da Cole\u00e7\u00e3o Doutrinas essenciais: Direito penal econ\u00f4mico e da empresa (2011); \u201cSutherland, a teoria da associa\u00e7\u00e3o diferencial e o crime de colarinho branco\u201d, na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (2008); \u201cSutherland \u2013 a teoria da associa\u00e7\u00e3o diferencial e o crime de colarinho branco\u201d, em <em>De Jure<\/em> \u2013 <em>Revista Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais<\/em> (2008); \u201cDa (in)constitucionalidade do art. 23, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei Complementar n\u00ba 013\/1991 e da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 02\/2009-CPMP-MA\u201d, no CD <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2010<\/em>; \u201cA teoria procedimentalista de interpreta\u00e7\u00e3o constitucional de J. H. Ely\u201d, em <em>De Jure<\/em> \u2013 <em>Revista Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais<\/em> (2010) e na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o \u2013 Juris Itinera<\/em> (2010); \u201cJohn Hart Ely e sua teoria procedimentalista de interpreta\u00e7\u00e3o constitucional\u201d, no livro <em>Direitos fundamentais, democracia e cidadania<\/em>: estudos em homenagem a Elimar Figueiredo de Almeida Silva (2010); \u201cUma proposta legislativa no campo da criminalidade organizada\u201d, no CD <em>Pr\u00eamio M\u00e1rcia Sandes 2011<\/em>; \u201cUma proposta legislativa para o enfrentamento da criminalidade organizada\u201d, em <em>De Jure<\/em> \u2013 <em>Revista Jur\u00eddica do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais<\/em> (2012); \u201cA funda\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds: fatos e mitos\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em>, edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica (2012); \u201cA Era dos Descobrimentos e a parti\u00e7\u00e3o do Mar-Oceano\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em>, edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica (2012); \u201cCrime organizado: caracteriza\u00e7\u00e3o, exemplos de organiza\u00e7\u00f5es criminosas e proposta de tipifica\u00e7\u00e3o legal\u201d, na <em>Revista do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Maranh\u00e3o &#8211; Juris Itinera<\/em> (2012); \u201cAs primeiras tentativas portuguesas de povoamento e coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil e do Maranh\u00e3o e a origem do nome \u2018Maranh\u00e3o\u2019\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em>, edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica (2012); \u201cA presen\u00e7a dos franceses no Novo Mundo, no Brasil e no Maranh\u00e3o do s\u00e9culo XVI ao in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em>, edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica (2012); \u201cO caso O. J. Simpson na concep\u00e7\u00e3o de John Hart Ely\u201d, na <em>Revista da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas<\/em> (2013); \u201cA situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-religiosa e a pol\u00edtica exterior da Fran\u00e7a no fim do s\u00e9culo XVI e come\u00e7o do s\u00e9culo XVII\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em>, edi\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica (2013); \u201cCrime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas: caracteriza\u00e7\u00e3o e proposta de tipifica\u00e7\u00e3o legal\u201d, na obra <em>I Jornada de Direito Penal<\/em>, da ESMAF (2013); \u201cEdwin Sutherland: o crime de colarinho branco e o crime organizado\u201d, na <em>Revista Juris<\/em> (2014); \u201cAo Pensador, com carinho\u201d, na <em>Revista Juris<\/em> (2014); \u201cA prepara\u00e7\u00e3o da expedi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a Equinocial\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em> (2014); \u201cA Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica, Villegagnon e a funda\u00e7\u00e3o da Cidade do Rio de Janeiro\u201d, na <em>Antologia Hist\u00f3rica Comemorativa do Primeiro Centen\u00e1rio do Forte de Copacabana<\/em> (2015); \u201cA quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal\u201d, na <em>Revista Juris<\/em> (2015); \u201cO conceito de autopoiese em Luhmann\u201d, na <em>Revista da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas<\/em> (2017); \u201cEdwin Sutherland: o crime de colarinho branco e o crime organizado\u201d, na <em>Revista Juris Advocatus<\/em> (2017); \u201cAstolfo Serra, estrela de primeira grandeza das letras maranhenses\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o<\/em> (2017); \u201cCrime organizado internacional: an\u00e1lise jur\u00eddico-penal\u201d, no livro <em>El Cincuentenario de los Pactos Internacionales de Derechos Humanos de la ONU<\/em>: libro homenaje a la profesora Ma. Esther Mart\u00ednez Quinteiro (2018); \u201cBreves considera\u00e7\u00f5es sobre o crime organizado e o crime de colarinho branco\u201d, no livro <em>Direitos humanos e execu\u00e7\u00e3o penal<\/em>: estudos em homenagem ao Desembargador Jos\u00e9 de Ribamar Froz Sobrinho (2018); \u201cConex\u00f5es entre o crime organizado e o crime de colarinho branco e a amea\u00e7a ao direito humano \u00e0 seguran\u00e7a\u201d, na <em>Revista Internacional Consinter de Direito<\/em> (2018); \u201cReflex\u00f5es sobre o crime organizado internacional\u201d, na obra <em>Anais do Semin\u00e1rio do Centen\u00e1rio da Faculdade de Direito do Maranh\u00e3o da UFMA<\/em> (2018); \u201cO crime de colarinho branco sob a \u00f3tica criminol\u00f3gica: Freud, Adler e Sutherland\u201d, na obra <em>Direitos humanos e sistemas de justi\u00e7a<\/em>: estudos em homenagem ao professor Agostinho Ramalho Marques Neto (2019); \u201cA remi\u00e7\u00e3o de pena pelo trabalho no Direito brasileiro pela perspectiva dos Direitos Humanos\u201d, na obra <em>Trabalho e humanidade<\/em>: em homenagem ao Centen\u00e1rio da OIT e aos 10 anos da Escola Judicial do TRT da 16\u00aa Regi\u00e3o (2019); \u201cConsidera\u00e7\u00f5es sobre a proposta de redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal\u201d, na <em>Revista Tamises<\/em> 17, da Academia de Letras da Grande S\u00e3o Paulo (2019); e \u201cOs Descobrimentos, suas consequ\u00eancias e a quest\u00e3o da parti\u00e7\u00e3o do Mar-Oceano\u201d, na <em>Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de Santa Catarina<\/em> (2018\/2019);<\/li>\n<li>f) artigos e cr\u00f4nicas (em jornais): \u201cM\u00e1rio Meireles, o eterno\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 22 jun. 2003; \u201cErrar \u00e9 humano, punir tamb\u00e9m\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 22 fev. 2006; \u201cUm certo Josu\u00e9\u201d, em homenagem ao escritor Josu\u00e9 Montello, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 15 abr. 2006; \u201cSaint Louis\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 7 set. 2008; \u201cSede bem-vindos!\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 13 jun. 2010, Alternativo; \u201cO Rei do R\u00e1dio\u201d, em homenagem ao radialista Marcos Vinicius S\u00e9rgio de Almeida, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 9 set. 2010; \u201cR\u00e9quiem para a Biblioteca P\u00fablica\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 12 set. 2010; \u201cEssas mulheres extraordin\u00e1rias&#8230;\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 19 mar. 2011; \u201cConvite ao passado de S\u00e3o Lu\u00eds\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 18 ago. 2012; \u201cS\u00e3o Lu\u00eds, herdeira da Fran\u00e7a Equinocial\u201d, no jornal <em>O Imparcial<\/em>, 8 set. 2012 (em parceria com Wilson Pires Ferro); \u201cO fundador esquecido\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 9 set. 2012; \u201cO fundador esquecido II\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 8 set. 2013; \u201cAo meu her\u00f3i, com amor\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 27 jul. 2014; \u201cAo meu her\u00f3i, com amor II\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 3 ago. 2014; \u201cMeninos, eu vi!\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 10 ago. 2014; \u201cO fundador esquecido III\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 7 set. 2014; \u201cCenten\u00e1rio M\u00e1rio Meireles\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 8 mar. 2015; \u201cA quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 26 abr. 2015; \u201cO fundador esquecido IV\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 13 set. 2015; \u201cEntre a batina, a toga e as musas\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 14 fev. 2016; \u201cUm padre que fez hist\u00f3ria\u201d, no jornal <em>O Imparcial<\/em>, 14 mar. 2016; \u201cO casar\u00e3o, o jornal e eu\u201d, no jornal <em>O Imparcial<\/em>, 1 maio 2016; e \u201cFalta um\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 3 e 4 out. 2020;<\/li>\n<li>g) poesias avulsas: \u201cO Porteiro\u201d, no livro <em>Poetas brasileiros de hoje 1986<\/em> (Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1986), no <em>Informativo AAUFMA<\/em> (1997), no <em>Informativo<\/em>, da Procuradoria Geral de Justi\u00e7a do Estado do Maranh\u00e3o (1997), na <em>APMP Revista<\/em> (1997), na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 57 (abr.\/jun. 2014) e na <em>RenovArte VII<\/em> \u2013 Revista da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores (UBE-RJ, 2016); \u201cO Rei-Menino\u201d, no livro <em>Poetas brasileiros de hoje 1987<\/em> (Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1987); \u201cA Odiss\u00e9ia Ministerial Timbira\u201d, na <em>APMP Revista<\/em> (1997); \u201cO Tiro\u201d, na <em>Revista da AMPEM<\/em> (2005); \u201cQuando\u201d, na <em>Revista da AMPEM<\/em> (2006), na <em>Revista Conviv\u00eancia<\/em>, do PEN Clube do Brasil, Rio de Janeiro, ano 6, n. 6, 2016, na <em>Antologia Os melhores poemas de 2016 \u2013 Anthology The Best Poems of 2016 <\/em>(Rio de Janeiro: ZL, 2017) e na <em>Revista da Academia Cearense de Letras<\/em>, Fortaleza, ano 122, n. 78, 2017; \u201cEm ti, S\u00e3o Lu\u00eds\u201d, no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 8 set. 2007, Caderno Especial S\u00e3o Lu\u00eds 395 anos: 10 anos de Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade; \u201cQuero\u201d, na <em>Revista da AMPEM<\/em> (2007); \u201cO n\u00e1ufrago\u201d, \u201cO n\u00e1ufrago II\u201d e \u201cO n\u00e1ufrago III\u201d, na <em>Revista Poesia Sempre<\/em>: Pol\u00f4nia, Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, ano 15, n. 30, 2008, e na <em>Revista Conviv\u00eancia<\/em>, do PEN Clube do Brasil, Rio de Janeiro, ano 5, n. 5, 2015; \u201cMaria, que era Firmina\u201d, na <em>Antologia Cento e noventa poemas para Maria Firmina <\/em>(S\u00e3o Lu\u00eds: ALL, 2015); \u201cMarexist\u00eancia\u201d, na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 62 (jul.\/set. 2015); \u201cO n\u00e1ufrago VIII\u201d, no livro <em>Sem fronteiras pelo mundo&#8230; Without Borders Around the World&#8230;<\/em>: colet\u00e2nea liter\u00e1ria internacional bil\u00edngue, bilingual international literary anthology: verso, poetry (Arraial do Cabo: Rede Sem Fronteiras, 2016), e na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 66 (jul.\/set. 2016); \u201cMedo\u201d, na revista <em>Varal do Brasil<\/em> (Genebra, jun. 2016, ano 7, edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 41B); \u201cPoesia netuniana\u201d, na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 68 (jan.\/mar. 2017); \u201cProcurei-te\u201d, na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 70 (jul.\/set. 2017); \u201cDesperd\u00edcio\u201d, na <em>Revista Conviv\u00eancia<\/em>, do PEN Clube do Brasil, Rio de Janeiro, ano 7, n. 7, 2017, e na revista italiana <em>Il Convivio <\/em>72 (jan.\/mar. 2018); \u201cA cria\u00e7\u00e3o\u201d, na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 74 (jul.\/set. 2018); \u201cA amizade\u201d, na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 78 (jul.\/set. 2019); e \u201cO espelho\u201d, na revista italiana <em>Il Convivio<\/em> 79 (out.\/dez. 2019);<\/li>\n<li>h) organiza\u00e7\u00e3o, notas explicativas e revis\u00e3o: do livro <em>Horizontes<\/em>: reflex\u00f5es no Minist\u00e9rio P\u00fablico, de Elimar Figueiredo de Almeida Silva (S\u00e3o Lu\u00eds: Procuradoria Geral de Justi\u00e7a, 2020, em vers\u00f5es impressa e digital);<\/li>\n<li>i) pref\u00e1cios: do livro <em>Direito penal e processual penal garantista<\/em>: das ideias \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o, de autoria de Justino da Silva Guimar\u00e3es, S\u00e3o Lu\u00eds: AMPEM, 2009; do livro <em>No reinado das nuvens<\/em>, de autoria de Paulo Oliveira, S\u00e3o Lu\u00eds: AMPEM, 2009; do livro <em>Pedras em Izkor<\/em>, de autoria de Maruschka de Mello e Silva, S\u00e3o Paulo: Scortecci, 2010; do livro <em>Direito criminal contempor\u00e2neo<\/em>, organizado por Andr\u00e9 Gonzalez Cruz, Bras\u00edlia: Kiron, 2012; do livro <em>Fran\u00e7a Equinocial<\/em>: uma hist\u00f3ria de 400 anos, em textos, imagens, transcri\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios, organizado por Antonio Noberto, S\u00e3o Lu\u00eds, 2012 (em coautoria com Wilson Pires Ferro); do livro <em>Doses homeop\u00e1ticas de poesia<\/em>: lua e poesia num ato de amor libidinosamente sensual!!, de autoria de Dilercy Adler, S\u00e3o Lu\u00eds: ALL, 2015; e do livro <em>Retalhos de uma vida<\/em>: p\u00e1ginas de mem\u00f3rias e \u00faltimos textos esparsos, obra p\u00f3stuma, de autoria de Jos\u00e9 Maria Ramos Martins, S\u00e3o Lu\u00eds: EDUFMA, 2019;<\/li>\n<\/ol>\n<p>j) apresenta\u00e7\u00f5es: do livro <em>Sombras da noite:<\/em> contos para a juventude, de autoria de Wilson Pires Ferro, S\u00e3o Lu\u00eds: Lithograf, 2010; e da <em>Revista da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas<\/em>, na qualidade de sua Presidente, S\u00e3o Lu\u00eds: Edi\u00e7\u00f5es AMLJ, 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Posse<\/h1>\n<h5><strong>DISCURSO DE POSSE<\/strong><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exmo. Sr. Presidente Benedito Bog\u00e9a Buzar, da Academia Maranhense de Letras, na pessoa de quem sa\u00fado os membros desta Casa de Ant\u00f4nio Lobo,<\/p>\n<p>Caros Colegas Procuradores e Promotores de Justi\u00e7a do <em>parquet <\/em>timbira, membros da Magistratura, das esferas estadual e federal, e do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, advogados e outros representantes dos diversos segmentos jur\u00eddicos,<\/p>\n<p>Caros Confrades do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o, da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas, da Academia Ludovicense de Letras e da Academia Caxiense de Letras,<\/p>\n<p>Estimada Professora Ceres Costa Fernandes, na pessoa de quem cumprimento, em especial, todas as mulheres aqui presentes,<\/p>\n<p>Dign\u00edssimas autoridades civis e militares,<\/p>\n<p>Car\u00edssimos Professores,<\/p>\n<p>Caros parentes dos escritores Joaquim Serra, Clodomir Cardoso, Odylo Costa, filho e Evandro Sarney,<\/p>\n<p>Minha querida M\u00e3e, que hoje aniversaria,<\/p>\n<p>Estimados familiares e amigos,<\/p>\n<p>Senhoras e senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pai nunca acha feio o que os filhos escrevem. [&#8230;] Papai era o meu \u201cfan\u201d n\u00famero um. Apreciava como ninguem os meus versos, os meus artigos, a minha orat\u00f3ria. Guardava tudo o que eu escrevia. Aplaudia os meus discursos sem se preocupar que o achassem porventura desmedido. Perdoai-lhe ainda essa manifesta\u00e7\u00e3o de amizade por mim. [&#8230;] Quando anunciavam uma confer\u00eancia ou um discurso meu, n\u00e3o perdia. J\u00e1 fatigado de sofrimento e alcan\u00e7ado de anos, sempre compareceu a toda solenidade em que eu tivesse de atuar como orador.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>Hoje, j\u00e1 n\u00e3o o tenho vivo para me estimular na luta; desapareceu nele o meu melhor amigo e ouvinte. Que pena n\u00e3o poder ele continuar a me escutar nos meus versos, nas minhas locubra\u00e7\u00f5es, nos meus discursos!<\/p>\n<p>Esta narrativa o reviver\u00e1, e de tal maneira, o creio, que me fortale\u00e7o em escrev\u00ea-la, certo de que morto meu pai ainda me ouvir\u00e1.<\/p>\n<p>(Astolfo Serra, <em>A vida simples de um professor de aldeia<\/em>, 1944)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este discurso \u00e9 dedicado \u00e0 mem\u00f3ria do Professor Wilson Pires Ferro, meu pai, que tinha um sonho.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sonhei. Os sonhos s\u00e3o de muitas esp\u00e9cies. Os do tipo Martin Luther King Jr. costumam conquistar o mundo. S\u00e3o da mesma categoria os do tipo Or\u00edgenes Lessa, que se contrap\u00f5em \u00e0 mera luta pelo feij\u00e3o nosso de cada dia, e os do tipo Jos\u00e9 Chagas, que caminham devagar, n\u00e3o t\u00eam chegada ou partida, mas nos d\u00e3o a nossa medida e ainda viram poesia.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> H\u00e1 os sonhos do tipo Jorge Luis Borges, que viram livro, os do tipo Edgar Allan Poe, que viram pesadelo, e os do tipo Freud, sonhos de div\u00e3, que podem virar mat\u00e9ria de estudo. E h\u00e1 os do tipo tradicional, cabe\u00e7a no travesseiro \u00e0 noite, do tipo Lygia Fagundes Telles em uma de suas \u201cminiaturas\u201d: aparentemente n\u00e3o t\u00eam l\u00f3gica, mas, admiravelmente, fazem todo o sentido do mundo.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Tive sono, ent\u00e3o sonhei. N\u00e3o foi o sonho de uma noite de ver\u00e3o. No meu sonho, longo sonho, havia um trem, v\u00e1rias pequenas esta\u00e7\u00f5es, outro trem, quatro grandes esta\u00e7\u00f5es, um rio, outros rios, uma faca, um mar abra\u00e7ando uma ilha e uma ilha \u201ccercada de verdes campos,\/por todos os lados\u201d, no dizer de seu filho Evandro Sarney, que nela nasceu.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Eu estava em um trem, mas ainda n\u00e3o nascera. E soube disso porque n\u00e3o chorei. Nem quando vi Jo\u00e3o Meireles Ferro e sua \u201cBela\u201d, Izabel Pires Chaves Ferro, deixando a Princesa do Sert\u00e3o, onde nasceram, rumo a outras paragens. E as esta\u00e7\u00f5es se sucederam: Cod\u00f3, Coroat\u00e1, Ros\u00e1rio&#8230; S\u00f3 o rio, o Itapecuru, n\u00e3o ficou para tr\u00e1s. Os filhos igualmente brotaram do caminho de ferro, quatro morreram, seis vingaram.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Mas ele sonhava com o trem (era ferrovi\u00e1rio), enquanto ela sonhava com a Ilha, para os filhos poderem virar doutor (era m\u00e3e, afinal). \u201cJo\u00e3o, precisamos ir para S\u00e3o Lu\u00eds, os meninos precisam se formar!\u201d, escutei-a argumentar. Homem que \u00e9 homem apaixonado n\u00e3o aguenta muito tempo pedido persistente de mulher, ainda mais s\u00e1bia. Ou se rende ou n\u00e3o sei o que fa\u00e7a. Ele se rendeu. Mas por partes, como cabia a um homem. Primeiro partiu o rapazote Wilson para a Capital, onde foi recebido pelo parente respeitado, certo professor de Hist\u00f3ria de nome M\u00e1rio Meireles, em cuja homenagem o ferrovi\u00e1rio Jo\u00e3o batizara um filho menor, M\u00e1rio Pires Ferro. E Wilson conviveu com as primas Ana e Mimi, estudou na antiga Escola T\u00e9cnica e tamb\u00e9m virou professor de Hist\u00f3ria, seguindo os trilhos do segundo pai, grande historiador destas plagas e ex-presidente desta Casa.<\/p>\n<p>Desembarquei para o mundo na mesma esta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds. Era maio. Em outubro nasceria a Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA). Temos praticamente a mesma idade. Embora estando numa ilha, as primeiras ondas que peguei n\u00e3o foram as do mar, mas as do r\u00e1dio. Ouvi uma voz familiar: era o paraense Marcos Vinicius S\u00e9rgio de Almeida, eleito, por duas vezes consecutivas, \u201cRei do R\u00e1dio\u201d (1953-1954). O c\u00e9lebre radialista e locutor fazia sucesso entre as mulheres, tanto pela estampa quanto pela voz. Infelizmente para as f\u00e3s, era casado com uma baixinha de olhos azuis fulgurantes, D. Ducilia Ferreira de Almeida ou \u201cLulu\u201d, que enfrentara at\u00e9 mesmo a oposi\u00e7\u00e3o da futura sogra, a cearense Luisa Rodrigues de Alencar Almeida, para se casar com o mancebo. Jorge Nascimento confidenciou-me que a sogra, supostamente da mesma \u00e1rvore geneal\u00f3gica que j\u00e1 dera ao Brasil o escritor Jos\u00e9 de Alencar, era \u201cprofessora normalista e jornalista\u201d, colaborara em <em>A Tribuna<\/em>, de Nascimento Moraes, e era \u201cex\u00edmia pianista e violonista, cultivando tamb\u00e9m a poesia\u201d, al\u00e9m de declamadora \u201cfestejada\u201d.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Uma mulher pioneira, sem d\u00favida. Por\u00e9m, a paz s\u00f3 foi selada com o nascimento da primog\u00eanita do casal: Eunice.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Meu sonho deu um pulo, sem intervalos comerciais. Wilson e Eunice se encontraram na Casa Banc\u00e1ria Francisco Aguiar ou na pista de dan\u00e7a do Casino Maranhense ou do L\u00edtero, foram flechados pelo Cupido, ao som de um bolero ou de Elvis, e se casaram, e eu nasci ilhoa, como antes j\u00e1 o imortal Odylo Costa, filho, fora ilh\u00e9u:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nasci numa ilha.<\/p>\n<p>Era meu destino.<\/p>\n<p>Numa ilha vivo<\/p>\n<p>desde pequenino,<\/p>\n<p>a estender os bra\u00e7os<\/p>\n<p>pelo mundo todo<\/p>\n<p>em busca de tra\u00e7os<\/p>\n<p>que \u00e0 terra me liguem.<\/p>\n<p>Quero o continente!<\/p>\n<p>N\u00e3o me deixem s\u00f3,<\/p>\n<p>n\u00e3o me quero ausente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m me compreende<\/p>\n<p>esta busca ansiosa:<\/p>\n<p>tenho o mar comigo,<\/p>\n<p>quero ainda a rosa.<\/p>\n<p>Joguem fora a \u00e2ncora!<\/p>\n<p>[&#8230;]<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m comigo foi assim: primeiro, veio a ilha; depois, o continente. A fam\u00edlia foi minha primeira ilha. Minha m\u00e3e, meu anjo da guarda de todas as horas, respondeu a algu\u00e9m que n\u00e3o me ensinava a cozinhar porque me queria estudando. At\u00e9 hoje n\u00e3o me arrisco a fritar um m\u00edsero ovo. Mas me vi cercada de revistas e livros por todos os lados. Essa parte foi providenciada por meu pai. Eu esperava ansiosamente pelas visitas semanais ao Cai\u00e7ara. Os gibis, as reina\u00e7\u00f5es de Narizinho e os contos de fadas russos, de Hans Christian Andersen e dos irm\u00e3os Grimm eram \u201ccensura livre\u201d. Cresci e me apaixonei por Robin Hood e Ivanho\u00e9, lutei ao lado de Arthur, Carlos Magno e Bradamante, detestei D. Quixote (ele era a nega\u00e7\u00e3o do mundo dos cavaleiros medievais que eu aprendera a amar, s\u00f3 posteriormente lhe dei o cr\u00e9dito merecido), viajei ao redor da Lua e ao centro da Terra, percorri 20.000 l\u00e9guas submarinas com o Capit\u00e3o Nemo e cheguei \u00e0 ilha misteriosa, aprendi com o homem que calculava, contei quatro e n\u00e3o tr\u00eas mosqueteiros, quis saber quem estava por tr\u00e1s da m\u00e1scara de ferro e o que estava por tr\u00e1s do retrato de Dorian Gray, subi o morro dos Ventos Uivantes e voltei para casa com Ulisses, acompanhei a tirania de Ivan, o Terr\u00edvel, e a ca\u00e7ada a Moby Dick, sofri com Salamb\u00f4, Julieta, Jane Eyre, Iracema, Helena, a Escrava Isaura, Oliver Twist e os miser\u00e1veis, sorri com Elizabeth Bennet e a moreninha, admirei o Capit\u00e3o, isto \u00e9, a Capit\u00e3 Tormenta, testemunhei os \u00faltimos dias de Pompeia e a revolu\u00e7\u00e3o dos bichos, n\u00e3o lamentei a sorte (ou azar) de Fausto e investiguei, motivada por Sherlock Holmes, os crimes da rua Morgue, do Padre Amaro e de Lady Macbeth, diante de quem Odete Roitman era uma dama ador\u00e1vel. E isso foi s\u00f3 o come\u00e7o. Dei v\u00e1rias voltas ao mundo em infind\u00e1veis e recicl\u00e1veis 80 dias! Pois n\u00e3o disse certo poeta portugu\u00eas que, para viajar, basta existir?<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Na minha ilha, cada vez maior, igualmente cabiam meus av\u00f3s, tios, primos, entre outros. Filha \u00fanica, os irm\u00e3os de inf\u00e2ncia que tive foram, principalmente, os primos Mauro, Fl\u00e1vio, Cl\u00e1udio e Eduardo.<\/p>\n<p>No Col\u00e9gio Santa Teresa, jardim da minha inf\u00e2ncia e primeira adolesc\u00eancia, estudei, fiz as primeiras amizades, Val\u00e9ria, Maria de Jesus, Fl\u00e1via, Eug\u00eania, M\u00f4nica, Izabel El\u00edsia, Danielle, M\u00e1rcia Beatriz, Ac\u00e1cia, Jamila, Eul\u00e1lia, Wesley, ainda outros, lista sempre incompleta, rostos preservados no tempo ou levados pelo vento, estudei de novo, brinquei de Pol\u00edcia e ladr\u00e3o (naquele tempo, todo mundo queria ser Pol\u00edcia, ningu\u00e9m queria ser ladr\u00e3o, o que trazia certo inconveniente, mas isso parece ter mudado hoje), estudei mais (era dia de prova da professora Eulina Maranh\u00e3o!), joguei algum t\u00eanis de mesa e muito pingue-pongue, estudei muito mais, fiz a acusa\u00e7\u00e3o a Capitu no julgamento em que ela foi condenada por adult\u00e9rio (a primeira vez que fui Promotora de Justi\u00e7a!), a\u00ed n\u00e3o estudei mais l\u00e1, meu pai queria o continente, minha m\u00e3e tamb\u00e9m. Voltei ao trem, deixei S\u00e3o Lu\u00eds. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Desembarquei no Rio, n\u00e3o sei se era janeiro. O mar n\u00e3o era o mesmo, era pintado de outra cor. Santa Teresa n\u00e3o era col\u00e9gio, era bonde ou bairro. O jeito foi estudar no Col\u00e9gio Itamarati, Instituto Guanabara, da Tijuca. Foi somente um ano nessa esta\u00e7\u00e3o. Foi bom. Mas voltei ao trem. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o.<\/p>\n<p>Retornei \u00e0 ilha. De repente, do col\u00e9gio fez-se a universidade, a Federal do Maranh\u00e3o, e eu me formei em Letras, para ser diplomata ou professora. A professora Marisa Moreira me conduziu \u00e0 Roma Antiga, com a professora Ceres Fernandes fui Jocasta por uma manh\u00e3 e o saudoso professor Fernando Moreira, meu primeiro Virg\u00edlio \u2013 aquele da <em>Com\u00e9dia<\/em> que virou <em>Divina<\/em> \u2013, me levou num bonde chamado Desejo e me contou os segredos de Jane Austen, sem orgulho ou preconceito, at\u00e9 hoje minha autora de cabeceira. Na Alian\u00e7a Francesa, conheci Albert Camus, Prosper Merim\u00e9e, Corneille, Baudelaire&#8230; Era preciso honrar o idioma dos nossos fundadores.<\/p>\n<p>\u201cDe repente, n\u00e3o mais que de repente\u201d, como no soneto de Vinicius de Moraes,<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> eu joguei fora a \u00e2ncora e zarpei para a terra de Tennessee Williams. Aportei em Eugene, que n\u00e3o \u00e9 uma ilha, mas eu me senti numa. At\u00e9 me abrir para o continente. E para outra ilha. Ainda n\u00e3o a Ilha Desconhecida, Saramago ainda n\u00e3o era presente. Foram muitas aventuras na University of Oregon: Shakespeare, Edmund Spenser (o Cam\u00f5es da l\u00edngua inglesa), Thomas Kyd, Thomas Middleton, John Dryden, Aphra Behn, da Ilha da Rainha, al\u00e9m das viagens com Goethe, Maquiavel e outros. Mergulhei nas aulas e no livro <em>Mighty Opposites<\/em>: Shakespeare and Renaissance Contrariety (1979), do meu Professor Robert Grudin, especialista na obra do bardo ingl\u00eas, at\u00e9 hoje meu escritor favorito, desaparecido, mas n\u00e3o morto, h\u00e1 mais de 400 anos. Para mim, n\u00e3o h\u00e1 autor mais universal ou mais completo. Foi muito bom.<\/p>\n<p>Todavia, voltei \u00e0 minha ilha, atendendo ao chamado de T\u00eamis. Corri para n\u00e3o me atrasar nas aulas do professor Pedro Leonel Pinto de Carvalho, torci para que o tempo parasse nas aulas do professor Agostinho Ramalho Marques Neto, n\u00e3o dormi na v\u00e9spera das provas do saudoso professor Nywaldo Macieira e estive no Tribunal de Nuremberg com a tamb\u00e9m desaparecida professora Maria Eug\u00eania Serra Costa Aguiar, no papel de Beatriz. Formei-me em Direito, para ser algo que eu ainda n\u00e3o sabia o que seria. Embarquei na nau ministerial, sob o tim\u00e3o da Procuradora de Justi\u00e7a Elimar Figueiredo de Almeida Silva, quase por acaso. Mas foi amor \u00e0 segunda vista. E dei adeus ao Bar\u00e3o do Rio Branco, que sumiu no horizonte.<\/p>\n<p>Tive saudade do trem. Deixei de novo a ilha, rumo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o do Belo Horizonte. Caf\u00e9 com p\u00e3o de queijo, bolacha n\u00e3o. Falar de trem em Minas \u00e9 quase um pleonasmo. De repente, do mestrado fez-se o doutorado na Vetusta Casa de Afonso Pena. Meu segundo Virg\u00edlio foi o professor e Procurador de Justi\u00e7a Carlos Augusto Can\u00eado Gon\u00e7alves da Silva. E meus primeiros livros vieram a lume. Era hora de deixar as montanhas e voltar \u00e0 ilha, escorridos quase quatro anos. Outras viagens vieram. Tamb\u00e9m outros livros. De repente, era mar\u00e7o, n\u00e3o janeiro, e eu estava novamente no Rio, recebendo a Men\u00e7\u00e3o Honrosa do Pr\u00eamio Pedro Calmon no imponente audit\u00f3rio do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro. De repente, era dezembro, e l\u00e1 estava eu de novo para segurar o belo trof\u00e9u do PEN Clube do Brasil.<\/p>\n<p>No dia 15 de setembro de 2016, entretanto, recebi um bilhete para embarcar em um novo trem, fabricado em 1908, mas sempre remodelado, com vag\u00f5es elegantes e exclusivos. No primeiro, h\u00e1 12 poltronas fixas, originalmente ocupadas pelos passageiros fundadores, depois substitu\u00eddos por seus sucessores, todos efetivos; no segundo, h\u00e1 mais 28 poltronas fixas, reservadas aos demais passageiros da mesma classe; no terceiro, mais afastado, h\u00e1 20 poltronas, destinadas aos passageiros correspondentes; por derradeiro, nos seguintes, encontram-se as bagagens. O n\u00famero de cadeiras fixas nos tr\u00eas primeiros vag\u00f5es n\u00e3o se altera; as bagagens, por outro lado, est\u00e3o sempre aumentando. Essas cadeiras possuem patronos. De vez em quando, um passageiro desce do trem, com todas as honras; sua bagagem, no entanto, nele permanece. Disseram-me que eu agora seria imortal; a ideia me deixou animada, confesso, mas algo na palavra \u201cpassageiro\u201d me incomoda. Fico com a impress\u00e3o de que a \u00fanica imortalidade poss\u00edvel est\u00e1 na bagagem de cada um. O meu assento \u00e9 o de n\u00ba 12. A cadeira em quest\u00e3o tem como patrono Joaquim Maria Serra Sobrinho, como fundador Clodomir Serra Serr\u00e3o Cardoso e como \u00faltimos ocupantes Odylo de Moura Costa, filho e Evandro Ferreira de Ara\u00fajo Costa, mais conhecido por seu nome liter\u00e1rio, Evandro Sarney.<\/p>\n<p>Senhoras e senhores, na data de hoje, subo neste trem batizado de Academia Maranhense de Letras ou apenas AML, conduzido pelo competente e experiente maquinista Benedito Bog\u00e9a Buzar. O trem parte. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o. De logo, ou\u00e7o parte de um poema, cantado com a m\u00fasica da Tocata de Villa-Lobos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>l\u00e1 vai o trem sem destino<\/p>\n<p>pro dia novo encontrar<\/p>\n<p>correndo vai pela terra<\/p>\n<p>vai pela serra<\/p>\n<p>vai pelo mar<\/p>\n<p>cantando pela serra do luar<\/p>\n<p>correndo entre as estrelas a voar<\/p>\n<p>no ar<\/p>\n<p>[&#8230;]<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desculpai-me a ousadia, sem d\u00favida n\u00e3o tenho a voz de Edu Lobo para interpretar Ferreira Gullar na vers\u00e3o Villa-Lobos ou vice-versa, por\u00e9m eu sigo as instru\u00e7\u00f5es do Poeta, desaparecido em 2016, mas bastante vivo no meu sonho. Ademais, soube que cantar pode dar Pr\u00eamio Nobel de Literatura&#8230;<\/p>\n<p>Dou adeus ao meu grupo escolar. Dou adeus \u00e0 minha espada de brincar. Dou adeus ao menino que eu quis amar, \u201cque o trem me leva e nunca mais vai parar\u201d.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Estou eu ainda enlevada pela poesia gullariana, quando o trem se aproxima da primeira esta\u00e7\u00e3o. Pela janela, vislumbro uma aldeia em festa, acarinhada pelo luar, \u00e0 beira de um rio. L\u00e1 o tempo parou, e ainda \u00e9 dezembro, nos versos de um vate quase an\u00f4nimo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Repica o sino da aldeia,<\/p>\n<p>Troa o foguete no ar!<\/p>\n<p>O rio geme na areia,<\/p>\n<p>Na areia brilha o luar.<\/p>\n<p>Quantas vozes, que alegria!<\/p>\n<p>O povo da freguesia<\/p>\n<p>Corre em chusma, folgaz\u00e3o.<\/p>\n<p>No caminho arcos de flores,<\/p>\n<p>Por toda parte cantores,<\/p>\n<p>Folguedos e agita\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E antes que eu pergunte o motivo da agita\u00e7\u00e3o, vem-me a resposta: \u201cPorque produz tanto abalo\/Esta festa sem rival?\/\u00c9 hoje a missa do galo,\/Santa missa do Natal!<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Quero ouvir o final do poema ou conversar com o Poeta, mas o trem segue seu rumo e chega \u00e0 esta\u00e7\u00e3o. De repente, estou no Rio, n\u00e3o sei se \u00e9 janeiro, mas a Rep\u00fablica ainda n\u00e3o nasceu. Procuro pelo Poeta da aldeia, logo identificado como <strong>Joaquim Maria Serra Sobrinho<\/strong> ou, simplesmente, <strong>Joaquim Serra<\/strong>, patrono da Cadeira n\u00ba 12 desta Casa de Ant\u00f4nio Lobo, jornalista por excel\u00eancia, al\u00e9m de professor, pol\u00edtico, administrador p\u00fablico, teatr\u00f3logo e cr\u00edtico de arte, todavia modesto e recluso por op\u00e7\u00e3o. Tal \u00e9 sua mod\u00e9stia que costuma se refugiar em pseud\u00f4nimos. Sigo a trilha do Amigo Ausente, de Ignotus, Max Sedlitz, Pietro de Castellamare e Tragaldabas (Harry Potter ainda n\u00e3o era nascido!), que me levam a seus escritos, de p\u00e1ginas carregadas pelo vento ou reunidas em algumas obras: <em>Julieta e Cec\u00edlia<\/em> (1863), <em>Mosaico<\/em>, poesia traduzida (1865), <em>O salto de Leucade<\/em> (1866), <em>A casca da caneleira<\/em>, romance marcado pela autoria coletiva (1866), <em>Versos de Pietro de Castellamare<\/em>, tradu\u00e7\u00e3o (1868), <em>Um cora\u00e7\u00e3o de mulher<\/em> (1867), <em>Quadros<\/em> (1873) e <em>Sessenta anos de jornalismo, a imprensa no Maranh\u00e3o, 1820-80<\/em>, por Ignotus (1883).<\/p>\n<p>Nesse Rio imperial, continuo \u00e0 procura de Joaquim Serra, a prop\u00f3sito primo da Sra. Maria Tereza da Serra Costa, av\u00f3 das minhas estimadas professoras Maria Tereza Cabral Costa Oliveira e Maria Eug\u00eania Serra Costa Aguiar, refer\u00eancias inelut\u00e1veis de compet\u00eancia e amor ao magist\u00e9rio no Curso de Direito da UFMA.<\/p>\n<p>Sou atra\u00edda pela manifesta\u00e7\u00e3o de mais de 10.000 pessoas aclamando a Princesa Isabel da pra\u00e7a defronte ao Pa\u00e7o Imperial no dia 13 de maio de 1888. Conta-me Mary del Priore que ela, \u201cvestida de branco-p\u00e9rola e rendas valencianas, assinou com uma caneta de ouro a lei que p\u00f4s fim \u00e0 escravid\u00e3o no imp\u00e9rio\u201d.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> Leio nos jornais: \u201cDel\u00edrio e estrondosas manifesta\u00e7\u00f5es de regozijo popular\u201d.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> Nesse momento ou\u00e7o Andr\u00e9 Rebou\u00e7as comentar que o patrono da Cadeira n\u00ba 12 da AML foi \u201co publicista brasileiro que mais escreveu contra os escravocratas\u201d. T\u00e3o relevante foi o seu papel que Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio posteriormente o elegeu patrono da Cadeira n\u00ba 21 da Academia Brasileira de Letras (ABL).<\/p>\n<p>Leio a sua biografia. Nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds a 20 de julho de 1838, filho do pol\u00edtico e jornalista Leonel Joaquim Serra. Ele estudou humanidades na ent\u00e3o Prov\u00edncia do Maranh\u00e3o. Foi para o Rio, onde permaneceu entre 1854 e 1858 com o intuito de ingressar na antiga Escola Militar, por\u00e9m n\u00e3o seguiu tal carreira e retornou \u00e0 capital maranhense livre para explorar caminhos que n\u00e3o envolvessem a obten\u00e7\u00e3o de um diploma de faculdade. Muito jovem lan\u00e7ou-se no mundo do jornalismo e da poesia, encontrando no <em>Publicador maranhense<\/em>, capitaneado por Sotero dos Reis, de 1858 a 1860, o ve\u00edculo inaugural de seus escritos. Nos anos que se sucederam, ele fundou o jornal <em>Coaliz\u00e3o<\/em>, arauto das ideias do Partido Liberal, na companhia de amigos (1862), e o <em>Seman\u00e1rio maranhense<\/em> (1867). Tamb\u00e9m se dedicou ao magist\u00e9rio e \u00e0 pol\u00edtica, exercendo o of\u00edcio de professor de Gram\u00e1tica e Literatura no Liceu Maranhense, conquistado por concurso, o mandato de deputado provincial de 1864 a 1867 e o cargo de secret\u00e1rio do governo paraibano nesse mesmo per\u00edodo. Sua trajet\u00f3ria conheceu uma guinada quando ningu\u00e9m menos do que o grande Machado de Assis, um dos fundadores da futura Academia Brasileira de Letras, o apresentou \u00e0 intelectualidade da corte em cr\u00f4nica publicada no <em>Di\u00e1rio do Rio de Janeiro<\/em> em 24 de outubro de 1864, tornando-se o seu padrinho liter\u00e1rio. Quatro anos depois, Joaquim Serra estabeleceu-se no Rio, onde trabalhou nas reda\u00e7\u00f5es dos peri\u00f3dicos <em>Reforma<\/em>, <em>Gazeta de not\u00edcias<\/em>, <em>Folha nova<\/em> e <em>O pa\u00eds<\/em>. Dirigiu o <em>Di\u00e1rio Oficial<\/em> de 1878 a 1882, do qual decorosamente se afastou por motivo de discord\u00e2ncia com o Gabinete de 15 de janeiro de 1882. Por essa \u00e9poca, mais exatamente de 1878 a 1881, foi deputado geral pelo Maranh\u00e3o, firmando-se, sobretudo, mas n\u00e3o exclusivamente, com a pena incans\u00e1vel de jornalista, como um dos expoentes da campanha abolicionista, o que justifica plenamente o coment\u00e1rio de Andr\u00e9 Rebou\u00e7as.<\/p>\n<p>Afora os artigos, seus escritos incluem poesia, ensaio, teatro, como autor e tradutor, dentre outras modalidades textuais. Desafortunadamente, suas pe\u00e7as, pelo que \u00e9 sabido, jamais foram impressas. \u201cVersos sobre versos, prosa e mais prosa, artigos de toda casta, pol\u00edticos, liter\u00e1rios, o epigrama fino, o ep\u00edteto certo ou jovial, e, durante os \u00faltimos anos, a luta pela aboli\u00e7\u00e3o, tudo caiu daqueles dedos infatig\u00e1veis, prestadios, t\u00e3o cheios de for\u00e7a como de desinteresse\u201d, sintetiza o amigo Machado<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Mas foi com o jornalismo, sem d\u00favida, que Joaquim Serra alcan\u00e7ou o reconhecimento maior da intelectualidade brasileira. Chega-me aos ouvidos, pelos corredores do tempo, a observa\u00e7\u00e3o de Nelson Werneck Sodr\u00e9 de que ele era \u201crespeitado por seus contempor\u00e2neos como mestre do jornalismo\u201d, tamb\u00e9m lembrada por Benedito Buzar, o nosso Presidente da AML, para quem \u201cJoaquim Serra ter\u00e1 devido ao pr\u00f3prio jornalismo, \u00e0 marca ef\u00eamera da folha de jornal, a r\u00e1pida passagem de seu nome pelas letras p\u00e1trias\u201d. O mesmo Buzar me estende a terceira edi\u00e7\u00e3o do livro <em>Sessenta anos de jornalismo<\/em>: a imprensa no Maranh\u00e3o (2001), classificando-o como um dos primeiros \u201ce ainda um dos melhores\u201d estudos sobre a imprensa local, \u201ctanto por seu objeto espec\u00edfico como pela import\u00e2ncia de quem o escreve\u201d. E arremata afirmando que Joaquim Serra \u00e9 \u201cum dos maranhenses de maior lustre intelectual, um dos brasileiros de atua\u00e7\u00e3o mais intensa e polimorfa em seu tempo, hoje injusta e injustificadamente esquecido\u201d.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p>Volto \u00e0 capital do Imp\u00e9rio do Brasil. Ainda vagueio em busca de Joaquim Serra. Recorro ao seu amigo, o Bruxo do Cosme Velho, para conhecer de perto t\u00e3o ilustre personagem. Mas j\u00e1 \u00e9 tarde. Ele falece no Rio, terra que o imortalizaria no pante\u00e3o dos homens not\u00e1veis, apenas alguns meses ap\u00f3s a assinatura da Lei \u00c1urea, a 29 de outubro de 1888, no crep\u00fasculo do Imp\u00e9rio. Diz-me Machado de Assis, alguns dias ap\u00f3s a morte de seu mui estimado amigo, que, al\u00e9m de modesto \u2013 cujas ideias eram como \u201cmoedas de ouro, sem ef\u00edgie, com o pr\u00f3prio e \u00fanico valor do metal\u201d, j\u00e1 que \u201csa\u00edam todas endossadas por pseud\u00f4nimos\u201d \u2013, ele tinha \u201ca virtude do sacrif\u00edcio pessoal\u201d. O Bruxo do Cosme Velho lamenta o \u201ccontraste singular entre os m\u00e9ritos de Joaquim Serra e os seus destinos pol\u00edticos\u201d e o fato de que n\u00e3o recebeu em vida o reconhecimento popular que lhe seria devido pela sua atua\u00e7\u00e3o como paladino da justi\u00e7a: \u201cQuando chegou o dia da vit\u00f3ria abolicionista, todos os seus valentes companheiros de batalha citaram gloriosamente o nome de Joaquim Serra entre os disc\u00edpulos da primeira hora, entre os mais estr\u00eanuos, fortes e devotados; mas a multid\u00e3o n\u00e3o o repetiu n\u00e3o o conhecia\u201d. Pergunto-lhe sobre o estilo do publicista e pol\u00edtico ludovicense, e ele me responde que era \u201cfeito de simplicidade, e sagacidade, correntio, franco, f\u00e1cil, jovial, sem afeta\u00e7\u00e3o nem retic\u00eancias\u201d, que n\u00e3o se assemelhava ao \u201c<em>humour<\/em> de Swift, que n\u00e3o sorri, sequer\u201d, por\u00e9m, diversamente, que \u201co nosso querido morto ria largamente, ria como Voltaire, com a mesma gra\u00e7a transparente e fina, e sem o fel de umas frases nem a vingan\u00e7a cruel de outras, que comp\u00f5em a ironia do velho fil\u00f3sofo\u201d. Embora emocionado e triste, Machado de Assis conclui em tom triunfal: \u201cCreio que Joaquim Serra era principalmente um artista. Amava a justi\u00e7a e a liberdade, pela raz\u00e3o de amar tamb\u00e9m o (<em>sic<\/em>) arquitrave e a coluna, por uma necessidade de est\u00e9tica social\u201d.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p>Nada mais tenho a fazer nesse Rio imperial. O trem apita na esta\u00e7\u00e3o e eu parto com ele. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o. Vou para o Distrito Federal, \u00e0 procura do Senador <strong>Clodomir Serra Serr\u00e3o Cardoso<\/strong>, mais conhecido pelo nome parlamentar de <strong>Clodomir Cardoso<\/strong>, fundador da Cadeira n\u00ba 12 da AML e, a prop\u00f3sito, professor fundador da Faculdade de Direito do Maranh\u00e3o. A viagem \u00e9 curta, nem vejo surgir o cerrado pela janela. E ent\u00e3o me lembro de que Bras\u00edlia simplesmente n\u00e3o existe, ainda \u00e9 um sonho a esperar a chegada de Juscelino <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Juscelino_Kubitschek\">Kubitschek<\/a> ao poder. Desembarco novamente no Rio e me deixo levar pela corrente de suas ruas, at\u00e9 que reconhe\u00e7o Aglaia, sa\u00edda das p\u00e1ginas do romance <em>A coroa de areia<\/em>, do imortal Josu\u00e9 Montello, a caminho do Senado para tentar uma entrevista com o parlamentar. Deseja pedir-lhe a interven\u00e7\u00e3o em favor de seu marido Jo\u00e3o Maur\u00edcio, preso por ativismo pol\u00edtico na turbulenta d\u00e9cada de 30. L\u00e1 ou\u00e7o algu\u00e9m anunciar: \u201cAqui tem a senhora o Senador Clodomir Cardoso, uma das figuras mais eminentes do Brasil, em qualquer tempo. Mestre de todos n\u00f3s, aqui no Senado.\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> A apresenta\u00e7\u00e3o me parece insuficiente, pois se trata de algu\u00e9m que, al\u00e9m de destacado pol\u00edtico, foi professor, jornalista, jurista, poeta e autor de diversos trabalhos jur\u00eddicos e liter\u00e1rios. Recorro a seu colega Jos\u00e9 Sarney para descrev\u00ea-lo: \u201cCom seu porte ereto, a cabeleira branca, o olhar de autoridade e professoral, era tido como um dos homens que representavam, na linha da tradi\u00e7\u00e3o, as virtudes morais dos maranhenses\u201d, al\u00e9m de \u201cum dos maiores jurisconsultos do pa\u00eds\u201d, dotado da \u201cvis\u00e3o do estadista lastreada numa grande forma\u00e7\u00e3o cultural\u201d.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Da entrevista do Senador Clodomir Cardoso com Aglaia, guardo apenas uma de suas frases, que atravessou a porta que nos separava: \u201cN\u00e3o traio minha consci\u00eancia. Isso nunca.\u201d Ela parte, e sou levada ao gabinete do Senador, mas ele n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1. Espero. Interesso-me pelas obras de sua autoria, caprichosamente arrumadas na estante, a grande maioria versando sobre temas jur\u00eddicos: <em>A municipalidade de S\u00e3o Lu\u00eds<\/em> (1916), <em>A deb\u00eanture num concurso de credores<\/em> (1917), <em>A condi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da mulher casada em face da Constitui\u00e7\u00e3o de 1891<\/em> (1925), <em>A mulher e o direito de voto ante a Reforma Constitucional de 1926<\/em>, <em>A interven\u00e7\u00e3o federal nos Estados<\/em>, <em>Sociedades an\u00f4nimas<\/em> (1930), dentre outras. Mas o que mais me encanta \u00e9 o seu ensaio \u201cRuy Barbosa: a sua integridade moral e a unidade de sua obra\u201d, que alia a profundidade da abordagem \u00e0 escolha de um \u00edcone como objeto de estudo, publicado na <em>Revista de L\u00edngua Portuguesa<\/em> em 1926. Ele retorna, intimido-me, a princ\u00edpio, com a sua austeridade, por\u00e9m logo a conversa flui como as \u00e1guas de um rio caudaloso. Ele me fala dos seus tempos de magistrado no Par\u00e1 e de Promotor de Justi\u00e7a da Comarca de Bragan\u00e7a e Maracan\u00e3, de Prefeito em S\u00e3o Lu\u00eds, de Deputado, de seus v\u00e1rios livros&#8230; Pergunto-lhe sobre a sua poesia, e ele se revela modesto. O tempo passa e deixo-o relutante para retomar o trem, pensando em como um homem como ele, refer\u00eancia moral de toda uma gera\u00e7\u00e3o, faz falta no Brasil hodierno, mergulhado em aguda crise \u00e9tica.<\/p>\n<p>O trem se p\u00f5e em marcha e volto \u00e0 janela. O meu carro \u00e9 forrado de palhinha, por\u00e9m cai fa\u00edsca nele. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o. Logo vejo um rio, o Parna\u00edba, e uma barca, levando o velho Jo\u00e3o da Gr\u00e9cia e sua jovem Maria, esta arrastada pela correnteza da vida para um fim tr\u00e1gico nas m\u00e3os de seu marido ciumento, uma hist\u00f3ria que, desafortunadamente, continua a se repetir, com frequ\u00eancia intoler\u00e1vel, para desgra\u00e7a de outras tantas Marias, n\u00e3o obstante as sementes espalhadas pela Lei Maria da Penha, \u00e0 espera que o tempo e os homens as transformem em frutos vistosos. N\u00e3o vejo a faca de cabo de prata, mas ela est\u00e1 l\u00e1, todo o tempo, no fundo ou no topo da mala de couro de Jo\u00e3o e, por fim, no corpo indefeso de Maria. A corrente, diz o novelista Odylo Costa, filho, em <em>A faca e o rio <\/em>(1965), \u201cpuxa com for\u00e7a\u201d e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil \u201cir contra o velho rio poderoso\u201d.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a> N\u00e3o h\u00e1 remanso no futuro de Maria&#8230; Pelo menos, a sua hist\u00f3ria ganhou o mundo, foi traduzida para o ingl\u00eas pelo Prof. Lawrence Keates, da University of Leeds, e chegou \u00e0s telas de cinema pelo olhar do holand\u00eas George Sluizer.<\/p>\n<p>De repente, surpreendo-me ao ver Jo\u00e3o da Gr\u00e9cia e Maria no trem, ele a lhe oferecer laranjas maduras, que ela aceita com gosto.<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> E ent\u00e3o n\u00e3o mais os vejo. O trem chega \u00e0 terceira esta\u00e7\u00e3o. E estou de novo no Rio, ignoro se \u00e9 janeiro, mas o ano \u00e9 1963. Saio da esta\u00e7\u00e3o em busca do jornalista, cronista, poeta, ficcionista, cr\u00edtico liter\u00e1rio e pol\u00edtico maranhense <strong>Odylo de Moura Costa, filho<\/strong>, pen\u00faltimo ocupante da Cadeira n\u00ba 12 da Academia Maranhense de Letras e quarto ocupante da Cadeira n\u00ba 15 da Academia Brasileira de Letras, cujos padrinhos de casamento com a amada piauiense Nazareth, como testemunho de seu prest\u00edgio no meio intelectual nacional, foram ningu\u00e9m menos do que Manuel Bandeira, seu melhor amigo, que o tinha como filho, Ribeiro Couto e Carlos Drummond de Andrade. Na madrugada de Santa Teresa, encontro o seu primog\u00eanito, Odylinho, todavia \u00e9 uma ocasi\u00e3o tr\u00e1gica: ele \u00e9 assassinado por menores abandonados ao defender a namorada, o que causa uma verdadeira como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cM\u00e3os frias,\/porque m\u00e3os vazias\u201d, diria Dagmar Dest\u00earro, imortal desta Casa.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a> O pai, magnanimamente, perdoa publicamente o algoz de Odylinho e ainda vem a empreender incans\u00e1vel luta em prol dos menores infratores, de que resulta o nascimento da antiga Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Bem-Estar do Menor \u2013 FUNABEM. E faz de sua dor mat\u00e9ria-prima para o belo soneto petrarquiano \u201cA meu filho\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recorro a ti para n\u00e3o separar-me<\/p>\n<p>deste ch\u00e3o de sarga\u00e7os mas de flores,<\/p>\n<p>onde h\u00e1 bichos que amaste e mais os frutos<\/p>\n<p>que com tuas m\u00e3os plantavas e colhias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por essas m\u00e3os te pe\u00e7o que me ajudes<\/p>\n<p>e que afastes de mim com os dentes alvos<\/p>\n<p>do teu riso contido mas presente<\/p>\n<p>a tenta\u00e7\u00e3o da morte volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o deixes, filho meu, que a dor de amar-te<\/p>\n<p>Me tire o gosto do terreno barro<\/p>\n<p>E a coragem dos l\u00facidos deveres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que estas \u00e1rvores guardam, no c\u00e9u puro,<\/p>\n<p>entre rastros de estrelas, a lembran\u00e7a<\/p>\n<p>dos teus humanos olhos deslumbrados.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros eventos dolorosos se sucedem. Pouco mais de um ano depois, falece aos 11 anos a filha Maria Aurora, portadora de defici\u00eancia mental profunda. Um violento enfarte o acomete. E a dor do Poeta uma vez mais se transforma em verso, consoante testificam os tercetos de seu soneto intitulado \u201cDedicat\u00f3ria\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veio depois a vida e mergulhou<\/p>\n<p>a minha alma na grande dor severa,<\/p>\n<p>barco afogado em rio adormecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do sofrimento o verso rebentou.<\/p>\n<p>Antes, meu Pai e minha M\u00e3e, quisera<\/p>\n<p>que esse verso jamais fora nascido.<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Mallarm\u00e9, com efeito, <em>en po\u00e9sie, il s\u2019agit, avant tout, de faire de la musique avec sa douleur, laquelle directemente n\u2019importe pas<\/em>, o que leva o amigo Bandeira a dizer que Odylo <em>fait de la musique avec sa douleur<\/em>, isto \u00e9, \u201ctoca m\u00fasica com sua dor\u201d, pontificando: \u201cM\u00fasica de timbre pr\u00f3prio, de inef\u00e1vel do\u00e7ura, sem mela\u00e7o.\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a> Nesse per\u00edodo de luto, Manuel Bandeira faz um soneto para Odylo e Nazareth e Carlos Drummond carinhosamente dedica ao jornalista o \u201cSoneto de Odylo\u201d. Quando da prepara\u00e7\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o de sua <em>Antologia dos poetas brasileiros bissextos contempor\u00e2neos<\/em>, Bandeira, ali\u00e1s, tem o privil\u00e9gio de ser o primeiro a ler alguns dos poemas in\u00e9ditos do maranhense, especialmente aqueles marcados pela trag\u00e9dia com o filho adolescente, classificando-os entre \u201cos mais belos da poesia de l\u00edngua portuguesa\u201d.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a> E Odylo, que jamais abandonara a poesia completamente, se abre definitivamente para os encantos das musas \u00c9rato e Terps\u00edcore, vindo a publicar v\u00e1rios livros de poesia, principiando por <em>Tempo de Lisboa e outros poemas<\/em> (1966) e <em>Cantiga incompleta<\/em> (1971), no breve espa\u00e7o de 1966 a 1979, em que sobressai a predile\u00e7\u00e3o pelos sonetos, \u201ct\u00e3o perfeitos de inspira\u00e7\u00e3o e forma que ningu\u00e9m os acredita obra de principiante tardio, mas de grande poeta laureado\u201d, conforme constata Rachel de Queiroz.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a> Jorge Amado confessa que h\u00e1 muito \u201cn\u00e3o lia versos em voz alta para Z\u00e9lia ouvir\u201d, enquanto Carlos Drummond o chama de \u201cpoeta contumaz e geral\u201d, que \u201csabe tirar do soneto uma sutil modula\u00e7\u00e3o em que se casam o gosto moderno e cl\u00e1ssico\u201d.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>Foi como se houvesse arrebentado um dique no peito do Poeta ludovicense. Tamb\u00e9m o seu lado ficcionista vem \u00e0 tona com a novela <em>A faca e o rio<\/em> (1965) e os contos \u201cA inven\u00e7\u00e3o da ilha da Madeira\u201d (1966) e <em>Hist\u00f3ria de Seu Tom\u00e9 meu pai e minha m\u00e3e Maria<\/em> (1970). Para a mesma Rachel de Queiroz, a primeira obra \u00e9 uma \u201cbela trag\u00e9dia sertaneja\u201d, escrita pelo \u201cdono de uma prosa que tanto tem de po\u00e9tica e colorida quanto tem de segura e enxuta\u201d.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a> Tomo coragem e procuro o imortal escritor ludovicense. Ele me recebe calorosamente, com um largo sorriso. Em um canto, vejo algumas de suas numerosas obras. Pergunto-lhe, de chofre, qual o segredo de sua poesia, e ele me responde com estes versos do soneto \u201cOferta\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o me proponho \u2013 nunca! \u2013 \u00e0 faina ingrata<\/p>\n<p>da tortura da forma, essa que outrora<\/p>\n<p>jogava o poeta insone noite afora,<\/p>\n<p>artes\u00e3o de ouro trabalhando a prata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quero o abandono inc\u00f3lume do fruto,<\/p>\n<p>na disciplina rija e natural,<\/p>\n<p>onde a \u00e1rvore n\u00e3o p\u00f5e sinal de esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trago-te o verso, ap\u00f3s, como um tributo<\/p>\n<p>ofertado na m\u00e3o, luz matinal<\/p>\n<p>de abelha e mel a escorrer do dorso.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 algo no ar. O Poeta parece se despedir. Vejo os originais de seu livro <em>Boca da noite<\/em> (1979), e me deparo com este soneto shakespeariano, menos usual na sua obra po\u00e9tica:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De repente, eis-me em tudo t\u00e3o tranq\u00fcilo<\/p>\n<p>como se a morte j\u00e1 tivesse vindo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me ocupa o amanh\u00e3 para constru\u00ed-lo.<\/p>\n<p>Nem me lembra se o ontem n\u00e3o foi lindo.<\/p>\n<p>Da cinza n\u00e3o me queixo pois foi brasa.<\/p>\n<p>Entre os livros n\u00e3o sofro solit\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c1rvore e filhos deram luz \u00e0 casa.<\/p>\n<p>Tive flores de irm\u00e3os no meu calv\u00e1rio.<\/p>\n<p>Sinto entre as sombras o invis\u00edvel rio<\/p>\n<p>descer t\u00e3o lento agora que a canoa<\/p>\n<p>p\u00e1ra no susto antigo que a povoa.<\/p>\n<p>Nem alegria ou dor, calor ou frio.<\/p>\n<p>No mundo ponho uns olhos bons de av\u00f4:<\/p>\n<p>foi a boca da noite que chegou.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E a boca da noite acaba por trag\u00e1-lo aos 64 anos, uma semana depois de entregar esses originais \u00e0 sua editora. Os seus muitos e ilustres amigos das letras se re\u00fanem para homenage\u00e1-lo. Fica-me a eloquente senten\u00e7a de Guimar\u00e3es Rosa: \u201cVoc\u00ea \u00e9 um dos seis melhores, <em>maiores poetas nossos<\/em>. A mim, em muito, talvez o que me traz mais necessariamente a poesia, como conversa pr\u00e9via que Deus concede, como marulho do riacho. Como consola\u00e7\u00e3o. <em>Obrigado Odylo<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a> Quase posso ouvir a voz inconfund\u00edvel de outro Poeta destas bandas: \u201cser poeta \u00e9 duro e dura\/e consome toda\/uma exist\u00eancia\u201d.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a> Desejo quedar-me no Rio para poder apreciar mais da excepcional obra de Odylo, para poder me abandonar nessa <em>odyl\u00edada<\/em>,<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a> mas n\u00e3o devo atrasar o trem. Sou Cinderela, n\u00e3o devo passar de meia-noite.<\/p>\n<p>O trem deixa o Rio, Joaquim Serra, Clodomir Cardoso e Odylo Costa, filho para tr\u00e1s. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o. O mar vira sert\u00e3o, e o sert\u00e3o vira Baixada. O trem alcan\u00e7a uma ilha, terra de Joaquim Itapary, outro imortal desta Casa, mas \u00e9 uma ilha diferente, \u201ccercada de verdes campos,\/por todos os lados\u201d,<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a> como a descreve outro de seus insignes filhos, um poeta que, acompanhado de um amigo e um irm\u00e3o mais velho, sobe no trem na pequena esta\u00e7\u00e3o onde paramos por alguns minutos. O Poeta se despede de seu torr\u00e3o natal, S\u00e3o Bento, que vai desaparecendo no horizonte, com um soneto do qual consigno o \u00faltimo terceto: \u201cLonge de ti, jamais estou sozinho\/teu perfume ao meu lado vem, caminha\/qual uma imensa rosa, sem espinhos.\u201d<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/p>\n<p>Eu dele me aproximo para prosear e ele me acolhe com jeito de menino do interior, revela que nasceu <strong>Evandro Ferreira de Ara\u00fajo Costa<\/strong>, depois <strong>Evandro Sarney<\/strong>, a 16 de maio de 1931, tendo como pais Sarney de Ara\u00fajo Costa e Kiola Leopoldina Ferreira de Ara\u00fajo Costa, ela de \u201cvoz mais doce do que o mel\u201d na hora da b\u00ean\u00e7\u00e3o vespertina.<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a> Explica que terminou o prim\u00e1rio no Grupo Escolar Mota J\u00fanior e que foi \u201ccriado \u00e0 beira dos igarap\u00e9s sambentoenses, bem ali, acol\u00e1, onde o mar termina e o rio Aur\u00e1 come\u00e7a e desce, lento, enfeitado de verde do mangue, depois pelas folhas de murur\u00fa e que vai terminar no verde s\u00f3 verde e mais verde dos campos dos Perizes\u201d.<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a> Fala-me da primeira casa de sua fam\u00edlia, com suas \u201cmuitas e grandes janelas\u201d,<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a> situada atr\u00e1s da Igreja do Senhor S\u00e3o Bento, e eu penso que ele est\u00e1 destinado a abrir muitas janelas para o mundo. Seu amigo e o irm\u00e3o se apresentam, o primeiro se chama \u00c1lvaro, mas \u00e9 conhecido como \u201cVav\u00e1\u201d, e o segundo nasceu Jos\u00e9 Ribamar, contudo o Maranh\u00e3o, o Brasil e o mundo o conhecem como Jos\u00e9 Sarney, dono do mar e dos marimbondos de fogo.<\/p>\n<p>A prosa \u00e9 t\u00e3o boa que n\u00e3o percebemos quando o Rio Aur\u00e1 vira ba\u00eda. \u201cNossos caminhos eram de campos\/mas, tamb\u00e9m eram de mar\u201d,<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a> comenta o Poeta. Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o. Chegamos a S\u00e3o Lu\u00eds, nossa derradeira esta\u00e7\u00e3o. Evandro recorda outra chegada perdida no tempo e menciona que ali aportara ainda em idade escolar. Vejo e ou\u00e7o a Ilha pelos olhos e ouvidos do Poeta: o apito da f\u00e1brica Santa Am\u00e9lia e o barulho dos seus teares, aquela situada defronte da pousada de D. S\u00e9rgia, D. L\u00eddia Candido e Pedro Costa, onde residira com o irm\u00e3o Jos\u00e9, os p\u00e3es quentinhos da padaria da Rua S\u00e3o Pantale\u00e3o, as aulas no Liceu Maranhense da \u00e9poca de Mata Roma, Ruben Almeida e muitos outros mitos do magist\u00e9rio maranhense&#8230; N\u00e3o vejo lampi\u00f5es de g\u00e1s, porque, nos alvores do s\u00e9c. XX, o Prefeito Clodomir Cardoso j\u00e1 os substituiu por ilumina\u00e7\u00e3o el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Continuo com o Poeta, de mem\u00f3ria extraordin\u00e1ria, agora com o corvo de Edgar Allan Poe a seu lado. Evandro me conta a sua hist\u00f3ria. \u00c9 casado com D. Agla\u00e9,<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a> esposa exemplar, amor dos tempos do col\u00e9gio, e tem seis filhos, sendo tr\u00eas mulheres e tr\u00eas homens.<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a> Seu pendor para as letras se manifestou ainda na adolesc\u00eancia, tendo como ve\u00edculo inicial de express\u00e3o gr\u00eamios e movimentos liter\u00e1rios estudantis, em que se moldou o intelectual aos poucos amadurecido em talentoso poeta, apreciador dos sonetos, sem exclus\u00e3o do manejo de outros formatos po\u00e9ticos, a exemplo do amigo Odylo; em combativo jornalista, dedicado, sobretudo, \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas; em sens\u00edvel cronista, cujos temas iam de Erasmo Dias a Jorge Amado, da vida circense \u00e0 viagem para a Baixada Maranhense; e em celebrado orador, da mesma nobre estirpe de Astolfo Serra. Confidencia-me o irm\u00e3o Jos\u00e9 que Evandro Sarney, aos 18 anos, j\u00e1 \u201cera a estrela mais aplaudida\u201d dos com\u00edcios pol\u00edticos da ent\u00e3o Oposi\u00e7\u00e3o, que era corajoso nas refregas pol\u00edticas, grande cronista e bo\u00eamio, vivendo \u201ccomo os poetas do s\u00e9culo XIX, em que ser literato importava numa vida de inspira\u00e7\u00e3o aventureira\u201d.<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a><\/p>\n<p>Foi secret\u00e1rio na administra\u00e7\u00e3o de Eug\u00eanio Barros e eleito deputado estadual, exercendo o mandato, com sucessivas recondu\u00e7\u00f5es, de 1954 a 1970. Mas, como no poema de Drummond, no \u201cmeio do caminho tinha uma pedra\/tinha uma pedra no meio do caminho\u201d.<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\">[47]<\/a> E esta veio na forma de um grave acidente, que, conquanto sem sequelas f\u00edsicas, pouco a pouco o afastou da pol\u00edtica, por\u00e9m o aproximou mais da fam\u00edlia e da literatura.<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\">[48]<\/a> Evandro se aposentou no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito liter\u00e1rio, integrou o grupo da Guanabara, foi eleito para a Academia Maranhense de Letras em 24 de janeiro de 1980 e tomou posse na Cadeira n\u00ba 12 em 25 de abril do mesmo ano, em sucess\u00e3o ao grande poeta Odylo Costa, filho, ocasi\u00e3o em que foi saudado pelo Ministro Carlos Madeira. L\u00e1 o irm\u00e3o Jos\u00e9 j\u00e1 o esperava desde 1953. Em 1983, a tr\u00edade in\u00e9dita de irm\u00e3os nesta Casa se completaria, com o ingresso de Ivan Sarney, outro poeta, quase 15 anos mais jovem. Evandro \u00e9 ainda fundador da Cadeira n\u00ba 16 da Academia Sambentuense, tendo como patrono o constitucionalista Raymundo de Ara\u00fajo Castro.<\/p>\n<p>Sob a pena do jornalista atuante, possui volumosa colabora\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os da imprensa local. Sua produ\u00e7\u00e3o, abrangendo poesias, cr\u00f4nicas, contos, artigos e ensaios, est\u00e1 presente nas p\u00e1ginas de livros, jornais e revistas. E elogiados discursos de sua lavra encontram-se registrados nos anais da Assembleia Legislativa do Estado.<\/p>\n<p>No apartamento do Poeta, pergunto por seus livros, e ele me mostra a sua bibliografia: <em>N\u00e3o convertamos uma quest\u00e3o de futuro em quest\u00e3o<\/em><em>comercial<\/em> (S\u00e3o Lu\u00eds, 1956), <em>Cantigas de quebra-mar<\/em>: poesia e prosa (S\u00e3o Lu\u00eds, 1979), <em>Noite maranhense<\/em> (contendo o discurso de posse na AML; em coautoria com Carlos Madeira) e <em>Aquele verde t\u00e3o verde<\/em>: poemas e cr\u00f4nicas (S\u00e3o Lu\u00eds, 1981).<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 o grande tema, ainda que n\u00e3o exclusivo, de sua obra po\u00e9tica, tomada pelo lirismo, como demonstram estes versos de abertura do poema \u201cS\u00e3o Lu\u00eds em tempo de louva\u00e7\u00e3o\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meiga, morena e bela Ilha.<\/p>\n<p>Ilha pequena, ilha grande<\/p>\n<p>Que nos meus bra\u00e7os faz vazante<\/p>\n<p>E preamar nos meus olhos.<\/p>\n<p>Ai, que amor de pecados<\/p>\n<p>Na cama de tuas dunas<\/p>\n<p>E na espuma do teu mar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\">[49]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o menos eloquentes s\u00e3o os versos finais do poema \u201cApenas um relat\u00f3rio po\u00e9tico\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ilha de S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 um armist\u00edcio<\/p>\n<p>Perante todas as guerras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso eu canto esta ilha,<\/p>\n<p>Que nem uma Cigarra velha,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Canto at\u00e9 perder a voz.<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\">[50]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, Carlos Cunha sa\u00fada Evandro Sarney como o \u201ccantor da Ilha\u201d no final do pref\u00e1cio do livro <em>Cantigas de quebra-mar<\/em> (1979), ressaltando que ele \u201cvive em permanente di\u00e1logo com S\u00e3o Lu\u00eds, deslumbrado com as belezas da ilha, em exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza que o comove\u201d, bem como que ele \u201csabe como poucos captar as nuances id\u00edlicas do cotidiano de nossa terra\u201d.<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\">[51]<\/a> N\u00e3o \u00e9 uma cidade qualquer, entretanto, que se v\u00ea exaltada pela pena do Poeta. \u00c9 uma cidade inconstante, porque em constante movimento, ao sabor das mar\u00e9s, ora cercada \u201cde \u00e1guas e ondas, gaivotas e peixes\u201d,<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\">[52]<\/a> ora \u201csem verde e sem flores\u201d, envolvida por um mar \u201csem \u00e1gua e sem flores\u201d, um \u201cmar seco, vazante\u201d.<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\">[53]<\/a> \u00c9 uma cidade que ora lhe sorri, ora o \u201clan\u00e7a ao mar como amante usado\u201d.<a href=\"#_ftn54\" name=\"_ftnref54\">[54]<\/a> Da\u00ed a presen\u00e7a do mar em muitos de seus poemas devotados \u00e0 natureza, sua permanente fonte de inspira\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tantos os seus poemas molhados de mar! Enfim, a S\u00e3o Lu\u00eds de Evandro \u00e9 uma cidade com corpo \u201camigo de mulher\u201d,<a href=\"#_ftn55\" name=\"_ftnref55\">[55]<\/a> \u201csalgado de mar\u201d,<a href=\"#_ftn56\" name=\"_ftnref56\">[56]<\/a> com o perfume das rosas que transformam o jardim do Poeta em \u201cestranho anfiteatro\u201d.<a href=\"#_ftn57\" name=\"_ftnref57\">[57]<\/a> Nenhum outro poeta celebrou tanto a natureza desta ilha.<\/p>\n<p>Na sua obra impregnada do mais puro lirismo, ainda se destacam os poemas inspirados em experi\u00eancias marcantes de sua vida pessoal, como a chegada aos 50 anos,<a href=\"#_ftn58\" name=\"_ftnref58\">[58]<\/a> e nos seus amores, m\u00e3e, esposa, filhos e netos, a exemplo do poema \u201cLouva\u00e7\u00e3o em tr\u00eas cantos para a neta Evandra\u201d, al\u00e9m daqueles consagrados \u00e0 Baixada Maranhense e \u00e0 sua querida S\u00e3o Bento.<\/p>\n<p>Ainda uma palavra sobre a sua po\u00e9tica. Carlos Madeira, em seu discurso de recep\u00e7\u00e3o de Evandro Sarney nesta Casa, apresenta outra perspectiva sobre o verdadeiro sentido da exalta\u00e7\u00e3o do Poeta \u00e0 cidade:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A sua louva\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 a de um poeta visual, preso \u00e0 beleza das coisas ou \u00e0 sua historicidade. [&#8230;] A cidade \u00e9 apenas o espa\u00e7o que se alarga \u00e0 medida em que ele sofre e ama, sente e sonha, estabelecendo uma correspond\u00eancia entre o espa\u00e7o externo e a intimidade que se aprofunda, no dia-a-dia de sua vida. \u00c9 ela uma gaiola de ouro, onde o poeta pode recriar os caminhos de sua juventude e contemplar as ac\u00e1cias do seu jardim.<a href=\"#_ftn59\" name=\"_ftnref59\">[59]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Carlos Madeira, \u201cS\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 para ele o recanto essencial de um universo alargado por sua vis\u00e3o po\u00e9tica\u201d, sendo que o esconderijo de Evandro \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a velha cidade\u201d, mas tamb\u00e9m a sua vila natal, pois o \u201cpoeta s\u00f3 se acha seguro no seu ch\u00e3o de inf\u00e2ncia\u201d.<a href=\"#_ftn60\" name=\"_ftnref60\">[60]<\/a><\/p>\n<p>Aos 84 anos, a 10 de abril do ano passado, nesta S\u00e3o Lu\u00eds que tanto o inspirou, ele desce do trem da Academia e da vida, deixando valiosa bagagem para o nosso deleite. Creio que seu t\u00famulo \u00e9 o mar da Ilha. Lembro suas palavras: \u201cDesconhe\u00e7o o mar que me espera em naufr\u00e1gio.\u201d Ou\u00e7o o corvo que o acompanhava repetidamente sentenciar: <em>Nevermore. <\/em>\u201cNunca mais.\u201d<em> Nevermore.<\/em><a href=\"#_ftn61\" name=\"_ftnref61\">[61]<\/a> Mas o corvo logo voa, e um urubu pousa numa \u00e1rvore pr\u00f3xima. E ent\u00e3o vejo o Poeta renascido em seu poema mais c\u00e9lebre:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No topo dessa \u00e1rvore sem fruto<\/p>\n<p>Vejo-te, urubu, p\u00e1ssaro horrendo<\/p>\n<p>Na aberra\u00e7\u00e3o da tua dor trazendo<\/p>\n<p>A vestimenta do teu pr\u00f3prio luto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vendo-te triste, retra\u00eddo, escuto<\/p>\n<p>Tua voz rancorosa maldizendo<\/p>\n<p>O dia, a hora, o tr\u00e1gico minuto<\/p>\n<p>Da natureza, a ra\u00e7a concebendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ambos somos iguais, ave agoirenta<\/p>\n<p>O veneno que encheu a tua ta\u00e7a<\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo que interiormente me sustenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como tu, revoltado, e at\u00e9 profano<\/p>\n<p>Maldigo dez mil vezes minha ra\u00e7a<\/p>\n<p>E esse destino que me fez humano.<a href=\"#_ftn62\" name=\"_ftnref62\">[62]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olhando para tr\u00e1s, vejo que S\u00e3o Lu\u00eds sempre esteve presente na vida dos escritores ligados \u00e0 Cadeira n\u00ba 12 da AML, ou como ber\u00e7o, ou como t\u00famulo. Foi o alfa de Joaquim Serra, Clodomir Cardoso e Odylo Costa, filho, assim como o \u00f4mega de Evandro Sarney. E a Cidade Maravilhosa, em ep\u00edteto dado, segundo alguns, por um caxiense, Coelho Neto, foi o \u00f4mega dos tr\u00eas primeiros. H\u00e1 mais pontos em comum entre essas quatro ilustres figuras: todos foram jornalistas, pol\u00edticos e, em menor ou maior grau, com maior ou menor sucesso, poetas. Todos foram paladinos da Justi\u00e7a, como Joaquim Serra em sua luta pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e Odylo Costa, filho em sua cruzada em defesa dos direitos dos menores infratores.<\/p>\n<p>Alphonsus de Guimaraens, ao tomar posse na Cadeira n\u00ba 15 da ABL, chamou-a de \u201cCadeira da Poesia\u201d, por ter como patrono Gon\u00e7alves Dias e como fundador Olavo Bilac, dentre outros nomes de sua linha sucess\u00f3ria. Paulo Coelho, ao assumir a Cadeira n\u00ba 21, denominou-a \u201cCadeira da Utopia\u201d, por considerar ser este o elemento presente em todos os intelectuais de sua hist\u00f3ria. Fiquei ent\u00e3o a pensar qual ep\u00edteto daria \u00e0 Cadeira n\u00ba 12 da Casa de Ant\u00f4nio Lobo. Ocorreram-me v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, tal a riqueza da biografia de seus nomes: \u201cCadeira dos Grandes Tribunos\u201d, \u201cCadeira dos Poetas Esquecidos\u201d, \u201cCadeira do Bem Falar e do Bem Escrever\u201d, mas todas me pareceram insatisfat\u00f3rias, incapazes de abra\u00e7ar todas as facetas dos intelectuais que honraram a Cadeira n\u00ba 12. Ent\u00e3o me decidi por \u201cCadeira do Sonho\u201d, porque os quatro escritores de que falei nesta ora\u00e7\u00e3o foram todos idealistas, sonharam com um mundo melhor, pelo qual lutaram com a for\u00e7a da palavra, ora armada em prosa, ora vestida de poesia, ora com a pena do jornalista ou o discurso do pol\u00edtico, ora com a arte do poeta, contista ou cronista ou a profici\u00eancia do ensa\u00edsta.<\/p>\n<p>Tenho eu algo em comum, por m\u00ednimo que seja, com estes homens extraordin\u00e1rios? Deixo a quest\u00e3o para mentes mais esclarecidas. Contentar-me-ei em apontar uma diferen\u00e7a, que, de t\u00e3o singela, \u00e9 por si s\u00f3 evidente. Sou mulher. E a diferen\u00e7a \u00e9 t\u00e3o mais evidente porque sou apenas a nona mulher a ingressar nesta Augusta Casa, em quase 109 anos decorridos desde a sua funda\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 patronas na AML. S\u00e3o duas fundadoras de cadeiras: Laura Rosa (1943) e Mariana Luz (1949). Sucederam outros acad\u00eamicos Concei\u00e7\u00e3o Neves Aboud (1955), Dagmar Dest\u00earro (1974) e Lucy Teixeira (1979), estas j\u00e1 desaparecidas; Ceres Costa Fernandes (2002), Laura Am\u00e9lia Damous (2003) e Sonia Almeida (2006), estas as ilustres e ilustradas representantes atuais do sexo feminino na AML. Seja no magist\u00e9rio ou em cargo administrativo, seja no cultivo do ensaio ou da poesia, elas j\u00e1 provaram e continuam provando, cada uma em sua especialidade, o valor das intelectuais, escritoras e poetas maranhenses. Mais do que isso, s\u00e3o far\u00f3is da intelectualidade n\u00e3o apenas para as mulheres, mas tamb\u00e9m para os homens. Minhas homenagens \u00e0s confreiras da AML e a todas as escritoras maranhenses, que ainda pedem passagem para mostrar o seu valor, como na marcha carnavalesca de Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a Chiquinha Gonzaga: \u201c\u00d3 abre alas\/Que eu quero passar\/\u00d3 abre alas\/Que eu quero passar\/Eu sou da Lira\/N\u00e3o posso negar\/Eu sou da Lira\/N\u00e3o posso negar [&#8230;]\u201d.<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores Acad\u00eamicos, esta \u00e9 uma noite de celebra\u00e7\u00e3o. <em>The feast of reason and the flow of soul<\/em>, isto \u00e9, \u201ca festa da raz\u00e3o e o fluir da alma\u201d, nas palavras do poeta brit\u00e2nico Alexander Pope. \u201cBebo, a goles, a gl\u00f3ria deste dia,\/goles medidos de bebida rara\u201d,<a href=\"#_ftn63\" name=\"_ftnref63\">[63]<\/a> tomando de empr\u00e9stimo versos do poeta Odylo Costa, filho. E fostes v\u00f3s quem me oferecestes esta bebida inebriante, quem me proporcionastes a suprema honra de hoje transpor os umbrais desta Augusta Casa e realizar um sonho que n\u00e3o era s\u00f3 meu e que, na verdade, n\u00e3o acabou, s\u00f3 est\u00e1 come\u00e7ando. \u00c9 que integrar uma Casa cuja miss\u00e3o \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da cultura e das letras maranhenses \u00e9 uma grande responsabilidade. Prometo-vos sempre me esfor\u00e7ar para estar \u00e0 altura dessa honra.<\/p>\n<p>Por derradeiro, sinto-me na obriga\u00e7\u00e3o, para que n\u00e3o se configure propaganda enganosa, de vos dizer quem sou. Busco aux\u00edlio em Fernando Pessoa e vos declaro: \u201cN\u00e3o sou nada.\/Nunca serei nada.\/N\u00e3o posso querer ser nada.\/\u00c0 parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.\u201d<a href=\"#_ftn64\" name=\"_ftnref64\">[64]<\/a> Mas se julgardes haver alguma subst\u00e2ncia nesse nada, digo-vos que eu \u201csou eu\/mais peda\u00e7os dos outros\u201d,<a href=\"#_ftn65\" name=\"_ftnref65\">[65]<\/a> uns maiores, outros menores, uns do tamanho de uma vida, outros do tamanho de um momento, uns legados de indiv\u00edduos, outros pertencentes a institui\u00e7\u00f5es. Trago comigo peda\u00e7os de meus pais, e qu\u00e3o imensos s\u00e3o, de toda a minha fam\u00edlia, de meus amigos, das escolas e universidades onde estudei ou lecionei, das academias e institui\u00e7\u00f5es a que perten\u00e7o, particularmente o Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o (IHGM), a Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas (AMLJ), a Academia Ludovicense de Letras (ALL), a Academia Caxiense de Letras (ACL), a Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (AAUFMA), a Sociedade Brasileira de Psicologia Jur\u00eddica (SBPJ), o PEN Clube do Brasil&#8230; Sabei ainda que visto a armadura da Justi\u00e7a e empunho a espada da lei, como membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico, institui\u00e7\u00e3o altaneira patroneada por Celso Magalh\u00e3es, imortal desta Casa, a qual tanto tem contribu\u00eddo para a constru\u00e7\u00e3o de um Maranh\u00e3o mais cidad\u00e3o, a despeito das a\u00e7\u00f5es dos Bar\u00f5es de Graja\u00fa hodiernos.<\/p>\n<p>Avizinha-se a hora da nova partida do trem. \u00c9 hora, pois, dos agradecimentos.<\/p>\n<p>A Deus, Senhor de todos os trilhos e comboios da vida.<\/p>\n<p>Aos meus pais, Wilson Pires Ferro, desaparecido em 2014, e Eunice Gra\u00e7a Marcilia Almeida Ferro, hoje completando 82 anos, meus anjos protetores, condutores de todas as horas, que jamais me deixaram perder a dire\u00e7\u00e3o ou descarrilar e que me deram asas para voar e tentar repetir o voo de D\u00e9dalo: nem t\u00e3o perto do mar, que me fa\u00e7a negligenciar a grandeza e as alturas do sonho; nem t\u00e3o perto do Sol, que me fa\u00e7a olvidar as \u00e1guas frias da realidade e a pequenez da condi\u00e7\u00e3o humana. A v\u00f3s, todo o meu amor, todo o meu carinho, todo o meu respeito.<\/p>\n<p>\u00c0 Academia Maranhense de Letras, na pessoa de seu Presidente Benedito Buzar, e aos amigos acad\u00eamicos que, com afeto e tenacidade, promoveram a minha candidatura ou a ela aderiram ativamente em seus momentos embrion\u00e1rios.<\/p>\n<p>A todos os mais de 30 acad\u00eamicos desta Augusta Casa que sufragaram o meu nome em setembro do ano pret\u00e9rito.<\/p>\n<p>\u00c0 Acad\u00eamica Ceres Costa Fernandes, estimada professora, por haver carinhosamente aceito o convite para me receber na AML nesta data.<\/p>\n<p>Ao Acad\u00eamico Jos\u00e9 Maria Cabral Marques, por haver acalentado o meu sonho.<\/p>\n<p>\u00c0 D. Maria Thereza de Azev\u00eado Neves, grande incentivadora, muito mais que uma amiga.<\/p>\n<p>Aos meus saudosos av\u00f3s, senhores dos caminhos dos Ferros e dos Almeidas.<\/p>\n<p>\u00c0 fam\u00edlia, dos ramos Ferro, Almeida e Meireles, que s\u00e3o o meu porto seguro, e aos amigos, que trazem alegria \u00e0 minha viagem pelos trilhos da vida.<\/p>\n<p>Aos meus professores do Col\u00e9gio Santa Teresa, do Col\u00e9gio Itamarati, dos cursos de Letras e Direito da Universidade Federal do Maranh\u00e3o \u2013 a exemplo das acad\u00eamicas Ceres Costa Fernandes e Sonia Almeida e dos acad\u00eamicos Agostinho Marques, Jos\u00e9 Carlos Sousa Silva e Jos\u00e9 Maria Ramos Martins, este j\u00e1 ausente do trem, respectivamente \u2013, do Mestrado e Doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais e da University of Oregon, porque, se h\u00e1 uma profiss\u00e3o que leva o trem a avan\u00e7ar pela terra, pela serra e pelo mar, \u00e9 esta a do professor.<\/p>\n<p>Ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o, minha locomotiva no exerc\u00edcio do Direito e na busca pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>A todos que se fizeram presentes nesta solenidade.<\/p>\n<p>O trem apita na esta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o devo deixar os passageiros esperando. Tomo a m\u00e3o de meu pai, embarco com ele no trem e deixo falar em mim o Ferreira Gullar de todos n\u00f3s:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>o que pra ele era rotina<\/p>\n<p>para mim era aventura<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>quando chegamos \u00e0 gare<\/p>\n<p>o trem realmente estava<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ali parado esperando<\/p>\n<p>muito comprido e chiava<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>entramos no carro os dois<\/p>\n<p>eu entre alegre e assustado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>meu pai (que j\u00e1 n\u00e3o existe)<\/p>\n<p>me fez sentar ao seu lado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>talvez mais feliz que eu<\/p>\n<p>por me levar na viagem<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>meu pai (que j\u00e1 n\u00e3o existe)<\/p>\n<p>sorria, os olhos brilhando<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VAAR\u00c3 VAAR\u00c3 VAAR\u00c3 VAAR\u00c3<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>tchuc tchuc tchuc<\/p>\n<p>tchuc tchuc tchuc<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<a href=\"#_ftn66\" name=\"_ftnref66\">[66]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o, caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o, caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o, caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o, caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o, caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o, caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o&#8230;<a href=\"#_ftn67\" name=\"_ftnref67\">[67]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caf\u00e9 com p\u00e3o, bolacha n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muito obrigada.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> SERRA, Astolfo. <em>A vida simples de um professor de aldeia<\/em>. Rio de Janeiro, 1944. p. 111-112.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver CHAGAS, Jos\u00e9. <em>Os azulejos do tempo \u2013 patrim\u00f4nio da humana idade<\/em>. S\u00e3o Lu\u00eds: Sotaque Norte, 1999. p. 181. A poesia referida \u00e9 o soneto \u201cO sonho como medida\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver TELLES, Lygia Fagundes. <em>A disciplina do amor<\/em>: mem\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o. Posf\u00e1cio de Noemi Jaffe. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 37-38. O texto em quest\u00e3o intitula-se \u201cO sonho\u201d. Foi Carlos Drummond de Andrade quem chamou os textos curtos de <em>A disciplina do amor<\/em> de \u201cminiaturas\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> SARNEY, Evandro. <em>Aquele verde t\u00e3o verde<\/em>: poemas e cr\u00f4nicas. S\u00e3o Lu\u00eds, 1981. Estes versos s\u00e3o do poema \u201cCantiga do come\u00e7o e do fim\u201d ou \u201c1\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ainda na primeira inf\u00e2ncia, morreram Antonieta, Raimundo Nonato, Lauro e Aquiles. Sobreviveram Wilson, Jos\u00e9 Ribamar, Waldemar, M\u00e1rio, Salvador e Maria da Gra\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> NASCIMENTO, Jorge. Popularidades maranhenses. In: REIS, Jos\u00e9 Ribamar Souza dos; CORDEIRO FILHO (Coords.). <em>Perfil do Maranh\u00e3o 79<\/em>. S\u00e3o Lu\u00eds, 1980. p. 162.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Al\u00e9m de Eunice, Marcos Vinicius e Ducilia tiveram mais quatro filhos: Maria de Nazareth, Therezinha de Jesus, Raimundo e Marcos Vinicius Filho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> COSTA FILHO, Odylo<em>. Boca da noite<\/em>: poesia. Rio de Janeiro: Salamandra, 1979. p. 36; e COSTA FILHO, Odylo. <em>Poesia completa<\/em>. Organiza\u00e7\u00e3o de Virg\u00edlio Costa. Rio de Janeiro: Aeroplano: Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, 2010. p. 75-76. Estes versos abrem o poema \u201cIh\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> O poeta aludido \u00e9 Fernando Pessoa.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ver GULLAR, Ferreira. <em>Toda poesia (1950-1999).<\/em> 18. ed. Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 2009. p. 248-249. Refer\u00eancia a versos do famoso \u201cPoema sujo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> MORAES, Vinicius de. <em>Livro de sonetos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1991. p. 23.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> GULLAR. <em>Toda poesia (1950-1999)<\/em>, p. 245-246. O poeta Ferreira Gullar, no seu \u201cPoema sujo\u201d (1975), deu letra \u00e0 Tocata, mais conhecida como \u201cO Trenzinho do Caipira\u201d, composi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Heitor_Villa-Lobos\">Heitor Villa-Lobos<\/a> integrante da pe\u00e7a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bachianas_Brasileiras\">Bachianas Brasileiras<\/a> n\u00ba 2, cuja carater\u00edstica principal \u00e9 a imita\u00e7\u00e3o do movimento de uma locomotiva com os instrumentos da orquestra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 246.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> SERRA, Joaquim. Textos escolhidos. <em>Academia Brasileira de Letras<\/em>, Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.academia.org.br\/academicos\/joaquim-serra\/textos-escolhidos\">www.academia.org.br\/academicos\/joaquim-serra\/textos-escolhidos<\/a>&gt;. Acesso em: 01 out. 2016. Versos extra\u00eddos do poema \u201cA missa do galo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a><em>Ibidem<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> DEL PRIORE, Mary. <em>Beije-me onde o sol n\u00e3o alcan\u00e7a<\/em>: uma hist\u00f3ria de amor no s\u00e9culo XIX. S\u00e3o Paulo: Planeta do Brasil, 2015. p. 260.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ver <em>ibidem<\/em>, p. 260.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Frase extra\u00edda de artigo de Machado de Assis, originalmente publicado na <em>Gazeta de not\u00edcias<\/em>, Rio de Janeiro, 05 nov. 1888.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ver as orelhas, de autoria de Benedito Buzar, do livro de IGNOTUS [Joaquim Serra]. <em>Sessenta anos de jornalismo<\/em>: a imprensa no Maranh\u00e3o. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Siciliano, 2001.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Trechos extra\u00eddos do referido artigo machadiano em homenagem a Joaquim Serra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> MONTELLO, Josu\u00e9. <em>A coroa de areia<\/em>: romance. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 368.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> SARNEY, Jos\u00e9. Clodomir Cardoso: uma refer\u00eancia moral. In: CARDOSO, Clodomir. <em>Senador \u2013 Clodomir Cardoso<\/em>. Bras\u00edlia: Senado Federal, Subsecretaria de Edi\u00e7\u00f5es T\u00e9cnicas, 1996. p. 7-8.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> COSTA FILHO, Odylo. <em>A faca e o rio<\/em>. Rio de Janeiro: Livraria Jos\u00e9 Olympio, 1965. p. 123.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 80.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> SILVA, Dagmar Dest\u00earro. <em>Par\u00e1bola do sonho quase vida<\/em>: poesia. S\u00e3o Lu\u00eds: SIOGE, 1973. p. 43. Versos extra\u00eddos do poema \u201cM\u00e3os vazias\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> COSTA FILHO, Odylo. <em>Cantiga incompleta<\/em>. Pref\u00e1cio de Her\u00e1clio Salles. Rio de Janeiro: Livraria Jos\u00e9 Olympio, 1971. p. 93; e COSTA FILHO. <em>Poesia completa<\/em>, p. 517. O poema foi originalmente publicado na obra <em>Tempo de Lisboa e outros poemas<\/em> (1966).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> COSTA FILHO. <em>Boca da noite<\/em>, p. 15; e COSTA FILHO. <em>Poesia completa<\/em>, p. 57.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Palavras de Manuel Bandeira reproduzidas no livro <em>Cantiga incompleta<\/em> (1971), de Odylo Costa, filho (p. 149), extra\u00eddas da apresenta\u00e7\u00e3o da obra <em>Tempo de Lisboa e outros poemas<\/em> (1966).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Ver ODYLO Costa, filho. <em>Academia Brasileira de Letras<\/em>, Rio de Janeiro. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/<a href=\"http:\/\/www.academia.org.br\/academicos\/odylo-costa-filho\/biografia\">www.academia.org.br\/academicos\/odylo-costa-filho\/biografia<\/a>&gt;. Acesso em: 1 out. 2016.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Ver a apresenta\u00e7\u00e3o de Rachel de Queiroz nas orelhas do livro <em>A faca e o rio <\/em>(1965), de Odylo Costa, filho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> Ver a segunda orelha do livro <em>Boca da noite<\/em> (1979), de Odylo Costa, filho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> Ver a apresenta\u00e7\u00e3o de Rachel de Queiroz nas orelhas do livro <em>A faca e o rio <\/em>(1965), de Odylo Costa, filho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> COSTA FILHO. <em>Boca da noite<\/em>, p. 45; e COSTA FILHO. <em>Poesia completa<\/em>, p. 83.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> COSTA FILHO. <em>Boca da noite<\/em>, p. 33; e COSTA FILHO. <em>Poesia completa<\/em>, p. 73.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Ver a primeira orelha do livro <em>Boca da noite<\/em> (1979), de Odylo Costa, filho.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> MACHADO, Nauro. <em>Nauro Machado<\/em>. Sele\u00e7\u00e3o [de] Hildeberto Barbosa Filho. S\u00e3o Paulo: Global, 2005. p. 27. (Cole\u00e7\u00e3o Melhores poemas). Versos extra\u00eddos do poema \u201cO parto\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Ver CORR\u00caA, Dinacy. <em>Odyl\u00edada<\/em>: uma li\u00e7\u00e3o de amor. S\u00e3o Lu\u00eds: Eduema, 2015.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a> SARNEY. <em>Aquele verde t\u00e3o verde<\/em>. Estes versos s\u00e3o do poema \u201cCantiga do come\u00e7o e do fim\u201d ou \u201c1\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Versos do soneto \u201cOde a S\u00e3o Bento\u201d, reproduzido em: MELO, \u00c1lvaro Urubatan. <em>Apontamentos para a literatura de S\u00e3o Bento<\/em>. S\u00e3o Lu\u00eds: Academia Sambentuense, 2012. p. 87.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> SARNEY. <em>Aquele verde t\u00e3o verde<\/em>. Ver o referido poema \u201cCantiga do come\u00e7o e do fim\u201d ou \u201c1\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a><em>Ibidem<\/em>. Palavras extra\u00eddas da dedicat\u00f3ria da obra.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a><em>Ibidem<\/em>. Versos extra\u00eddos do poema \u201cCantiga do come\u00e7o e do fim\u201d ou \u201c1\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a><em>Ibidem<\/em>. Versos extra\u00eddos do poema \u201cCantiga do come\u00e7o e do fim\u201d ou \u201c1\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a> O nome completo da esposa de Evandro Sarney era Maria Agla\u00e9 Barbosa de Araujo Costa.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a> Evandro Sarney teve os seguintes filhos, do primog\u00eanito \u00e0 ca\u00e7ula: Roberto Sarney de Araujo Costa, Concei\u00e7\u00e3o de Maria de Araujo Costa (Conci), T\u00e2nia Maria de Araujo Costa, Evandro Sarney de Araujo Costa, Sarney de Araujo Costa Neto e Ana Luzia de Araujo Costa.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a> SARNEY, Jos\u00e9. Meu irm\u00e3o Evandro. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.josesarney.org\/blog\/meu-irmao-evandro\/\">www.josesarney.org\/blog\/meu-irmao-evandro\/<\/a>&gt;. Acesso em: 23 out. 2016.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a> Ver ANDRADE, Carlos Drummond. No meio do caminho. Drummond: 100 anos. Carlos Machado, 2002. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.algumapoesia.com.br\/drummond\/drummond04.htm&gt;. Acesso em: 2 abr. 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a> Ver POETA Evandro Sarney Costa morre aos 84 anos de idade. <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, S\u00e3o Lu\u00eds, 11 abr. 2016. Geral, p. 12.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a> SARNEY, Evandro. <em>Cantigas de quebra-mar<\/em>: poesia e prosa. S\u00e3o Lu\u00eds: SIOGE, 1979. p. 21.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a> SARNEY. <em>Aquele verde t\u00e3o verde<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a> Ver o pref\u00e1cio de Carlos Cunha, intitulado \u201cEvandro Sarney, o cantor da Ilha\u201d, em SARNEY. <em>Cantigas de quebra-mar<\/em>, p. 13.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52]<\/a> SARNEY. <em>Cantigas de quebra-mar<\/em>, p. 21. Palavras extra\u00eddas do poema \u201cS\u00e3o Lu\u00eds em tempo de louva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 29. Palavras extra\u00eddas de \u201cUm poema molhado de mar\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref54\" name=\"_ftn54\">[54]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 21. Palavras extra\u00eddas do poema \u201cS\u00e3o Lu\u00eds em tempo de louva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref55\" name=\"_ftn55\">[55]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 22. Palavras extra\u00eddas do poema \u201cS\u00e3o Lu\u00eds em tempo de louva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref56\" name=\"_ftn56\">[56]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 21. Palavras extra\u00eddas do poema \u201cS\u00e3o Lu\u00eds em tempo de louva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref57\" name=\"_ftn57\">[57]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 44. Palavras extra\u00eddas do poema \u201cO di\u00e1logo das rosas\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref58\" name=\"_ftn58\">[58]<\/a> Ver SARNEY. <em>Aquele verde t\u00e3o verde<\/em>. Os poemas s\u00e3o: \u201cCantiga do come\u00e7o e do fim\u201d ou \u201c1\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d, \u201cCantiga em auto-retrato\u201d ou \u201c2\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d, \u201c3\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d, \u201c4\u00ba poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d e \u201c\u00daltimo poema no p\u00f3rtico do meu cinquenten\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref59\" name=\"_ftn59\">[59]<\/a> SARNEY, Evandro; MADEIRA, Carlos. <em>Noite maranhense<\/em>. Posse de Evandro Sarney na Academia Maranhense de Letras. p. 31.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref60\" name=\"_ftn60\">[60]<\/a><em>Ibidem<\/em>, p. 32-33.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref61\" name=\"_ftn61\">[61]<\/a> Ver o poema <em>The Raven<\/em>, de Edgar Allan Poe. Poetry Foundation. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.poetryfoundation.org\/poems-and-poets\/poems\/detail\/48860&gt;. Acesso em: 2 Apr. 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref62\" name=\"_ftn62\">[62]<\/a> SARNEY. <em>Cantigas de quebra-mar<\/em>, p. 56. Trata-se do soneto \u201cO urubu\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref63\" name=\"_ftn63\">[63]<\/a> COSTA FILHO<em>. Boca da noite<\/em>, p. 22; e COSTA FILHO. <em>Poesia completa<\/em>, p. 63. Estes versos abrem o poema \u201cA glorious day\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref64\" name=\"_ftn64\">[64]<\/a> Ver o poema \u201cTabacaria\u201d, de Fernando Pessoa, sob o heter\u00f4nimo \u00c1lvaro de Campos. A magia da poesia. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.poesiaspoemaseversos.com.br\/fernando-pessoa-poemas\/&gt;. Acesso em: 2 abr. 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref65\" name=\"_ftn65\">[65]<\/a> FERRO, Ana Luiza Almeida. <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte<\/em>: poesias. S\u00e3o Paulo: Scortecci, 2012. p. 30. Versos extra\u00eddos do poema \u201cEu\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref66\" name=\"_ftn66\">[66]<\/a> GULLAR. <em>Toda poesia (1950-1999)<\/em>, p. 247. Versos extra\u00eddos do \u201cPoema sujo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref67\" name=\"_ftn67\">[67]<\/a> O par\u00e1grafo deve ser lido de modo a imitar a partida de um trem, em ritmo cada vez mais r\u00e1pido e com entona\u00e7\u00e3o cada vez mais alta, at\u00e9 atingir um \u00e1pice.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5><strong>DISCURSO DE\u00a0RECEP\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0HORIZONTE<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0(Fernando Pessoa \u2013 Mar Portugu\u00eas)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00d3 MAR anterior a n\u00f3s, teus medos<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tinham coral e praias e arvoredos<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desvendadas noites e\u00a0 a cerra\u00e7\u00e3o,\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 As tormentas passadas e o mist\u00e9rio,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Abria em flor o Longe, e o Sul sid\u00e9reo<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Splendia sobre as naus da inicia\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Linha severa da long\u00ednqua costa \u2013<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em \u00e1rvores onde o Longe nada tinha;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 E, ao desembarcar, h\u00e1 aves, flores,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Onde era s\u00f3, de longe a abstrata linha.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O sonho \u00e9 ver as formas invis\u00edveis<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Da dist\u00e2ncia imprecisa, e, com sens\u00edveis<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Movimentos de espran\u00e7a e de vontade,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Buscar na linha fria do horizonte<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A \u00e1rvore, a praia, a flor, a ave, a fonte \u2013<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os beijos merecidos da Verdade.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor Presidente,<\/p>\n<p>Caros Confrades,<\/p>\n<p>Minhas Senhoras e meus Senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Menina Ana Luiza, dona da minha admira\u00e7\u00e3o e do meu bem-querer, porque sois apaixonada por mares e conquistas e pelos instantes matinais da funda\u00e7\u00e3o da nossa S\u00e3o Lu\u00eds, achei estes versos parecidos convosco.<\/p>\n<p>N\u00e3o escondo que estou, sobremodo, agradada em ser distinguida, por vossa escolha, para receber-vos nesta noite constelada de tantos amigos e talentos.<\/p>\n<p>A Academia Maranhense de Letras vos recebe, hoje, em seu quadro, com grande orgulho e renovado j\u00fabilo, porque chegais a um lugar que vos pertence e vos aguardava, haja vista vossa consagradora vota\u00e7\u00e3o, merc\u00ea do m\u00e9rito de quem labora em incans\u00e1vel faina construtiva, objetivando a excel\u00eancia, apurando-se no uso de suas ferramentas de trabalho, na cria\u00e7\u00e3o de ideias, execu\u00e7\u00e3o de pesquisas e na produ\u00e7\u00e3o de escritos, em cont\u00ednua busca da realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho liter\u00e1rio valoroso.<\/p>\n<p>Emerge, no nosso universo acad\u00eamico, mais uma vez, a presen\u00e7a do elemento feminino.\u00a0 Apraz-me ter sido escolhida para receber uma mulher na Casa de Ant\u00f4nio Lobo, que se somar\u00e1 \u00e0s outras tr\u00eas valorosas representantes do g\u00eanero feminino, a nona em ordem de entrada, em um qu\u00f3rum de quarenta membros, ao longo de 109 anos. E n\u00e3o vai nisso nenhuma recrimina\u00e7\u00e3o a uma poss\u00edvel misoginia dos confrades, t\u00e3o-somente a alegria de ver a representa\u00e7\u00e3o feminina na literatura maranhense, t\u00e3o alta em excel\u00eancia e n\u00famero, ganhar mais e mais \u00a0espa\u00e7o neste conv\u00edvio acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minhas Senhoras, Meus Senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A confreira que recebemos, hoje, \u00e9 Promotora de Justi\u00e7a, professora da Universidade CEUMA (Centro de Ensino Universit\u00e1rio do Maranh\u00e3o) e professora do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o, Graduada em Letras e Direito (Universidade Federal do Maranh\u00e3o), Mestre e Doutora em Ci\u00eancias Penais pela Universidade Federal de Minas Gerais, membro da Academia Maranhense de Letras Jur\u00eddicas, da qual j\u00e1 foi presidente, membro fundador da Academia Ludovicense de Letras, membro da Academia Caxiense de Letras e membro do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o. Escritora, ensa\u00edsta, conferencista, historiadora e poeta, Ana Luiza ainda acrescenta \u00e0 sua cultura poli\u00e9drica o gosto pelo estudo das l\u00ednguas: l\u00ea, fala e escreve em ingl\u00eas e franc\u00eas; l\u00ea e fala em italiano e espanhol e cursou alem\u00e3o. Tem 14 livros publicados, entre livros de mat\u00e9ria jur\u00eddica, hist\u00f3ria e poesia.<\/p>\n<p>Como se ainda tempo lhe sobrasse, n\u00e3o descuida da pr\u00e1tica de esportes. Participa de corridas amadoras, mas j\u00e1 foi campe\u00e3 universit\u00e1ria e maranhense de t\u00eanis de mesa, cultivando o <em>mens sana in corpore sano. <\/em>Questionada pelo escritor e confrade, Jos\u00e9 Neres Costa, em entrevista de fevereiro de 2016, concedida ao <em>ilhavirtual.com<\/em>, informativo sobre Literatura Maranhense, editado por ele, de como enveredar por tr\u00eas caminhos, poesia, direito e historiografia, que nem sempre s\u00e3o confluentes e que exigem voca\u00e7\u00f5es e esfor\u00e7os diferenciados, tendo logrado sucesso nos tr\u00eas, e qual seria dessas \u00e1reas a que se sentiria mais realizada, ela respondeu:<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00c9 dif\u00edcil dizer, porque esses<\/em><em>tr\u00eas caminhos me realizam de diferentes maneiras. Com o Direito e a Historiografia, privilegio o meu olhar cient\u00edfico; com a Poesia, o meu olhar est\u00e9tico. Para mim, s\u00e3o vasos comunicantes, n\u00e3o campos estanques. A Justi\u00e7a \u00e9 um denominador comum. Uso poesia (ainda que de forma contida, \u201cdomada\u201d) nos meus livros de Direito e Hist\u00f3ria. E a Hist\u00f3ria, o Direito em geral e o Direito Penal em particular s\u00e3o fontes ricas e inesgot\u00e1veis de material para os meus poemas. Os meus livros jur\u00eddicos, que s\u00e3o os mais numerosos (sete ao todo), representam as profiss\u00f5es que abracei: Promotora <\/em>de Justi\u00e7a e professora universit\u00e1ria. <em>Os meus livros de poesia (quatro) refletem a minha paix\u00e3o at\u00e1vica pela literatura e pela poesia. S\u00e3o a janela principal de minha subjetividade para o mundo. [&#8230;] Finalmente, a Historiografia significa para mim o novo, o desafio mais patente, o territ\u00f3rio nunca dantes desbravado, porque n\u00e3o tenho forma\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria, sou graduada em Letras e Direito, embora apaixonada, desde crian\u00e7a, pela Hist\u00f3ria em si e pela sua rela\u00e7\u00e3o com a literatura [&#8230;] assim sinto-me mais realizada como profissional no Direito, mais realizada como pesquisadora na Historiografia e mais realizada como cidad\u00e3 do mundo na poesia.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Estimada Ana Luiza, v\u00f3s o dissestes: a vossa obra \u00e9 trina. Monta-se no trip\u00e9 Direito, Historiografia e Poesia. Com a preval\u00eancia das produ\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, e nem poderia ser diferente: dentre as quatorze obras editadas, a metade \u00e9 de conte\u00fado jur\u00eddico, a outra metade distribui-se entre a Historiografia e a Poesia.<\/p>\n<p>A preval\u00eancia do Direito em vossa bibliografia e a vossa entrada como membro desta casa de literatura s\u00e3o igualmente bem-vindas e n\u00e3o nos causam alguma estranheza; a Academia Maranhense de Letras, criada nos moldes da Academia Francesa e da Academia Brasileira de Letras, segue uma tradi\u00e7\u00e3o que delas nos vem: nossos quadros, nunca foram totalmente preenchidos por escritores dedicados exclusivamente a produzir \u00a0literatura, no sentido restrito de literatura\/arte.<\/p>\n<p>Esta agremia\u00e7\u00e3o, como as demais citadas, \u00e9 composta, sim, de genu\u00ednos escritores, com forma\u00e7\u00e3o essencial liter\u00e1ria ou n\u00e3o: te\u00f3ricos da literatura, poetas, linguistas, cr\u00edticos, ficcionistas, juristas, m\u00fasicos, gram\u00e1ticos, m\u00e9dicos, engenheiros, historiadores, jornalistas, economistas, publicit\u00e1rios e muito mais. A forma\u00e7\u00e3o original de cada um favorece a diversidade estil\u00edstica das obras e s\u00f3 enriquece a nossa produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Permanecendo nas ondas de inspira\u00e7\u00e3o n\u00e1utica, que embalam esta ora\u00e7\u00e3o, direi que naus oriundas de mares diversos, com os mais variados calados, encontram seu acolhimento no porto deste sodal\u00edcio. Sobre a ess\u00eancia destes mares-ber\u00e7os, informam-nos as palavras de Claude D\u2019Abbeville, na <em>Hist\u00f3ria da miss\u00e3o dos padres capuchinhos \u00e0 Ilha do Maranh\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Mas porque se denominam mares, no plural, e n\u00e3o mar, no singular? [&#8230;] por ser sabido haver muitos mares que chamamos de diferentes nomes, tendo diversos nomes, muitos tendo diversas propriedades e virtudes, diversos sabores e cores, ao menos em apar\u00eancia. Mas essa diversidade prov\u00e9m t\u00e3o somente dos tempos ou dos lugares e das profundezas de onde ela \u00e9 milagrosamente retirada, n\u00e3o deixa de ser una, em si, todas as \u00e1guas do mar quanto \u00e0s dos rios e das fontes, sendo da mesma natureza, todas receberam a fecundidade de engendrar e nutrir, por esse esp\u00edrito divino que lhes foi sobreposto, como est\u00e1 dito no G\u00eanesis \u2013 Spiritus Domini ferebatur super aquas. E o Esp\u00edrito de Deus pairava sobre as \u00e1guas.<\/em><\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>Parafraseando D\u2019Abbeville, narrador de viagens, poeta neste texto, n\u00f3s, escritores, tamb\u00e9m, recebemos o dom da fecundidade de engendrar e nutrir. Nossas \u00e1guas s\u00e3o plurais e nelas cabem g\u00eaneros tais como a epistolografia, a orat\u00f3ria, a prosa jornal\u00edstica, a historiografia, os ensaios liter\u00e1rios ou n\u00e3o, ao lado dos g\u00eaneros liter\u00e1rios considerados puros. O tratamento dado \u00e0 palavra, n\u00e3o importa o assunto, pode transmudar o texto de denotativo em conotativo, de simples informativo, em arte da palavra. Eis a fascinante quest\u00e3o: identificar o texto liter\u00e1rio. Os seus limites. Direi que o texto que exprime o belo\/arte, aquele que provoca a emo\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, seria o diferencial.<\/p>\n<p>Her\u00f3doto e S\u00f3crates, historiador e fil\u00f3sofo, s\u00f3 para exemplificar com estes dois grandes nomes, constam de todos os manuais de Hist\u00f3ria da Literatura, algu\u00e9m jamais p\u00f4s d\u00favidas nesta inser\u00e7\u00e3o, porque ambos escreveram pe\u00e7as de extrema beleza liter\u00e1ria inscritas, tamb\u00e9m, na Historiografia e na Filosofia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ana Luiza Almeida Ferro nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds, cresceu em meio ao afeto de uma fam\u00edlia educ\u00f3gena, que se desdobrou em oferecer \u00e0 menina um ambiente familiar prop\u00edcio ao desenvolvimento dos talentos revelados desde a mais tenra inf\u00e2ncia. Leitora voraz, ela encontrou na biblioteca do pai Wilson Ferro, professor de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, os livros chamados de capa e espada, que foram a sua primeira paix\u00e3o e, a seguir, os cl\u00e1ssicos da literatura francesa e inglesa, que lhe inspiraram tamb\u00e9m o aprendizado destas l\u00ednguas, levando-a a obter os certificados mais altos concedidos no Brasil a esses estudos. Dedicou-se tamb\u00e9m, j\u00e1 na idade adulta, ao estudo de alem\u00e3o, italiano e espanhol.<\/p>\n<p>Estudou o antigo prim\u00e1rio e parte do secund\u00e1rio no Col\u00e9gio Santa Teresa. Prenunciando a intelectual futura, destacou-se em todas as mat\u00e9rias e abiscoitou in\u00fameros pr\u00eamios; foi no col\u00e9gio das Irm\u00e3s Doroteias, que se iniciou no t\u00eanis de mesa; depois vice-campe\u00e3 do col\u00e9gio, o que a levaria mais tarde \u00e0 conquista do t\u00edtulo estadual e de campe\u00e3 universit\u00e1ria, na Universidade Federal do Maranh\u00e3o e na Universidade do Oregon, em Eugene, estado do Oregon, Estados Unidos.<\/p>\n<p>Terminou seus estudos secund\u00e1rios no Col\u00e9gio Itamarati, Instituto Guanabara, no Rio de Janeiro, em 1983, durante a breve estada da fam\u00edlia naquela cidade.<\/p>\n<p>Volta a S\u00e3o Lu\u00eds e o amor aos livros e \u00e0 literatura a encaminha para o vestibular do Curso de Letras da Universidade Federal do Maranh\u00e3o. Licenciada em 1988, ainda nesse ano, seguindo o chamado de outra voca\u00e7\u00e3o, ingressa no Curso de Direito da mesma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior.<\/p>\n<p>Diz a pr\u00f3pria Ana Luiza que, ainda no Col\u00e9gio Santa Teresa, se lhe revelou a voca\u00e7\u00e3o para o Minist\u00e9rio P\u00fablico, quando foi escolhida para ser a voz da acusa\u00e7\u00e3o, em tribunal de j\u00fari escolar, no qual foi julgada \u2013 e condenada por adult\u00e9rio, registre-se \u2013 a personagem Capitu, do romance <em>Dom Casmurro, <\/em>de Machado de Assis.<\/p>\n<p>Seguindo ainda o chamado da literatura, fez o curso La Ense\u00f1anza de la Traducci\u00f3n, promovido pela San Diego State University, da Calif\u00f3rnia, EUA. J\u00e1 os estudos de pr\u00e9-mestrado, na \u00e1rea de Ingl\u00eas, com foco em Literatura, sobretudo a inglesa, na condi\u00e7\u00e3o de bolsista do Rotary, f\u00ea-los na Universidade do Oregon. L\u00e1 a paix\u00e3o por Shakespeare levou-a tamb\u00e9m a especializar-se em English Drama (1991), ocasi\u00e3o em que trancou a matr\u00edcula na UFMA, no Curso de Direito, no qual viria a graduar-se em 1993.<\/p>\n<p>Constata-se que, mesmo cursando Direito, n\u00e3o abandonou os estudos liter\u00e1rios, os mesmos que direcionaram sua voca\u00e7\u00e3o para o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Chamo a aten\u00e7\u00e3o para a imbrica\u00e7\u00e3o dos fios que tecem o texto\/contexto das duas \u00e1reas de conhecimento, Letras e Direito na vida de Ana Luiza.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que a Faculdade de Direito do Recife, uma das mais antigas do Brasil, criada em 1827, foi o viveiro de grandes nomes da hist\u00f3ria da literatura brasileira, e produziu ex-alunos da estatura de Gra\u00e7a Aranha, Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna, Jos\u00e9 Lins do Rego, S\u00edlvio Romero e muitos mais.<\/p>\n<p>Ana Luiza cursou Mestrado e Doutorado em Ci\u00eancias Penais, em Belo Horizonte, na tradicional Universidade Federal de Minas Gerais \u2013 UFMG.<\/p>\n<p>Em 1994, foi aprovada no concurso p\u00fablico para ingresso na Carreira Inicial do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi aprovada, tamb\u00e9m, no concurso para Professora Auxiliar, na \u00e1rea de L\u00edngua e Literatura Inglesa, do Departamento de Letras da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, mas n\u00e3o chegou a exercer o magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, \u00e9 Promotora de Justi\u00e7a, titular da 14\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a Criminal da Comarca de S\u00e3o Lu\u00eds, de entr\u00e2ncia final, para onde foi promovida em 2009, al\u00e9m de Professora de Direito da Universidade CEUMA e Professora da Escola Superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>No plano internacional, \u00e9 membro do <em>Latin American Quality Institute<\/em>, organiza\u00e7\u00e3o sediada no Panam\u00e1, a qual lhe concedeu o trof\u00e9u <em>Latin American Quality Institute 2016<\/em>, o t\u00edtulo de <em>Master in Total Quality Administration<\/em> e a certifica\u00e7\u00e3o de <em>Global Quality<\/em>, no M\u00e9xico, por sua atua\u00e7\u00e3o como escritora, bem como da Accademia Internazionale Il Convivio, da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Professora Ana Luiza,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Declarastes que os vossos livros jur\u00eddicos s\u00e3o os mais numerosos (sete ao todo) e representam as profiss\u00f5es que abra\u00e7astes: Professora Universit\u00e1ria e Promotora de Justi\u00e7a. Foram eles que projetaram vosso nome dentro e fora do Brasil. Em especial, a obra <em>Crime organizado e organiza\u00e7\u00f5es criminosas mundiais<\/em> (2009, 704p.), estudo sistem\u00e1tico das organiza\u00e7\u00f5es criminosas, estrangeiras e brasileiras, das teorias e concep\u00e7\u00f5es criminol\u00f3gicas mais pertinentes \u00e0 compreens\u00e3o do fen\u00f4meno, como a teoria da associa\u00e7\u00e3o diferencial e a no\u00e7\u00e3o de crime do colarinho branco, do mito da M\u00e1fia, do terrorismo em confronto com o crime organizado, etc&#8230; Este livro vos levou a palestras e entrevistas, at\u00e9 mesmo na TV, em circuito nacional, no renomado <em>programa de J\u00f4 Soares.<\/em><\/p>\n<p>Desta publica\u00e7\u00e3o derivaram, ainda, dois artigos: \u201cReflex\u00f5es sobre o crime organizado e as organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d e \u201cOs modelos estruturais do crime organizado e das organiza\u00e7\u00f5es criminosas\u201d, inclu\u00eddos no livro <em>Direito Penal empresarial, crime organizado, extradi\u00e7\u00e3o e terrorismo, vol. 6, da cole\u00e7\u00e3o Doutrinas Essenciais, <\/em>2011, uma republica\u00e7\u00e3o, em edi\u00e7\u00e3o especial, dos melhores artigos doutrin\u00e1rios j\u00e1 publicados pela prestigiada Editora Revista dos Tribunais, ao longo de 100 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00f5es na \u00e1rea jur\u00eddica:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <em>O tribunal de Nuremberg: dos precedentes \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o de seus princ\u00edpios. <\/em>(2002).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Escusas absolut\u00f3rias no Direito Penal<\/em> (2003), no Direito penal brasileiro e comparado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <em>Robert Merton e o funcionalismo <\/em>(2004).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <em>O crime de falso testemunho ou falsa per\u00edcia: atualizado conforme a Lei n\u00ba 10, de 28 de agosto de 2001<\/em> (2004), no Direito penal brasileiro e comparado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; <em>Interpreta\u00e7\u00e3o constitucional: a teoria procedimentalista de John Hart Ely <\/em>(2008).<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211; Criminalidade organizada: coment\u00e1rios \u00e0 Lei 12.850, de 02 de agosto de 2013. Em coautoria com Fl\u00e1vio Cardoso Pereira e Gustavo Reis Gazzola.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A autora possui, ainda, in\u00fameras confer\u00eancias pronunciadas dentro e fora do Brasil, artigos e pe\u00e7as processuais publicados em revistas especializadas, tais como a Revista dos Tribunais, a De Jure, a Revista do IHGM e a da AMPEM.<\/p>\n<p>Omitimos aqui, a identifica\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as, para n\u00e3o cansar t\u00e3o augusta plateia, devido \u00e0 extens\u00e3o de seu curr\u00edculo.<\/p>\n<p>O valor de sua produ\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 reconhecido e n\u00e3o foi avaliado por mim, por se tratar de assunto que foge ao meu conhecimento. Para avali\u00e1-lo, louvei-me nas competentes cr\u00edticas exaradas e nos constantes convites para que a autora ministre confer\u00eancias e palestras, no Brasil e no estrangeiro, e no fato de seus artigos serem selecionados para publica\u00e7\u00e3o em peri\u00f3dicos de reconhecida import\u00e2ncia nacional e internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhoras e Senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento, em 2008, do primeiro livro solo de poemas de Ana Luiza, denominado <em>Quando: poesias, <\/em>surpreendeu alguns que a criam afeita unicamente ao mundo l\u00f3gico e \u00e1rido dos escritos jur\u00eddicos, dos quais, \u00e0 \u00e9poca, j\u00e1\u00a0 consolidada como autora da \u00e1rea, havia publicado cinco festejadas obras.<\/p>\n<p>Desconheciam que a veia po\u00e9tico-liter\u00e1ria de Ana Luiza veio a p\u00fablico bem antes, em 1982, com um pr\u00eamio \u2013 predecessor dos muitos que viria a receber por sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u2013, o 1\u00ba lugar no Concurso Epistolar Internacional para jovens, promovido pela Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos, Regional do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>A sensibilidade, alimentada na inf\u00e2ncia, na companhia constante dos livros de aventura e poesia que a menina devorava, identifica os autores da sua admira\u00e7\u00e3o e seus primeiros mentores liter\u00e1rios: Shakespeare, Jane Austen, Alexandre Dumas, J\u00falio Verne, Machado de Assis, Jos\u00e9 de Alencar e Goncalves Dias. A obra <em>Orgulho e preconceito, de <\/em>Jane Austen, analisada no original, inclusive, foi tema de sua monografia de conclus\u00e3o do Curso de Letras.<\/p>\n<p>Em Ana Luiza, o sentimento de pertencimento ao mundo liter\u00e1rio precede o seu ingresso no mundo das leis. O primeiro curso de elei\u00e7\u00e3o da autora foi o Curso de Letras Deste curso, dou o testemunho de professora, lugar de onde pude acompanhar a trajet\u00f3ria da aluna brilhante. Motivada pelas letras, chegou a cursar disciplinas no n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, com foco em literatura, principalmente a inglesa: o curso La Ensenha\u00f1za de la Traducci\u00f3n, da Universidade de San Diego State, Calif\u00f3rnia, realizado no \u00e2mbito da UFMA, e as disciplinas English Drama e Advanced Shakespeare na Universidade do Oregon, em Eugene, Estado do Oregon, Estados Unidos, em 1991, s\u00e3o alguns deles. O lan\u00e7amento de seus livros de poesia coroa a numerosa publica\u00e7\u00e3o de artigos em revistas e a participa\u00e7\u00e3o em concursos na \u00e1rea, obtendo pr\u00eamios e publica\u00e7\u00e3o das obras.<\/p>\n<p>No livro <em>Quando: poesias <\/em>(2008), Ana Luiza n\u00e3o se prende a um \u00fanico modelo de forma ou escola: ela nos apresenta sonetos, poemas rimados, versos brancos, experimentos com a linguagem &#8211; em alguns poemas beirando o concretismo, noutros flertando com as alitera\u00e7\u00f5es de inspira\u00e7\u00e3o simbolista -, buscando, ainda, a sua identidade po\u00e9tica, mas sempre com o dom\u00ednio apropriado da linguagem.<\/p>\n<p>Se o lado jurista se faz presente na sede de saber manifesta, no manejo das hip\u00f3teses e no cuidado com o sentido l\u00f3gico das coisas, n\u00e3o podemos dizer que o pensamento se sobrep\u00f5e ao sentimento. Aqui busco a palavra de Fernando Pessoa, quando diz, \u201c<em>o que em mim sente, est\u00e1 pensando.\u201d<\/em> A capacidade criadora, somando-se \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o da ang\u00fastia existencial, cria sentimentos profundos expressos em palavras fortes, como acontece no poema \u201cQuero\u201d. O sentimento do mundo e a intera\u00e7\u00e3o com o Outro est\u00e3o presentes em v\u00e1rios poemas: citamos \u201cPixote\u201d, de viva inquieta\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Este livro lhe proporcionou a primeira premia\u00e7\u00e3o internacional na \u00e1rea da poesia, o segundo lugar do pr\u00eamio \u201cPoesia Prosa ed Arti Figurative, categoria \u201cLibro edito in portoghese\u201d, promovido pela Accademia\u00a0 Internazionale Il Convivio, da It\u00e1lia, em 2014. Escolhido por uma banca mista de escritores italianos e portugueses.<\/p>\n<p>Em <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte: poesias <\/em>(2012), a autora mant\u00e9m a linguagem culta e intensifica a ang\u00fastia existencial do seu primeiro livro solo. O tema mar\u00edtimo, que subjaz, emerge do seu inconsciente nos versos que marcam a poeta, <em>pari passu,<\/em> com a jurista e a intelectual.<\/p>\n<p>O mar, que engolfa todos os poemas, poderia constituir-se no fio de Ariadne ou na rosa dos ventos que aponta o caminho da liberta\u00e7\u00e3o a ser achado. Tentativa in\u00fatil, esse mar n\u00e3o \u00e9 o lugar da aprendizagem, de engendrar e nutrir, mas o reposit\u00f3rio da ang\u00fastia, onde os sonhos submergem, ou se congelam<em>. <\/em>\u00a0Do seu labirinto n\u00e3o h\u00e1 sa\u00eddas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O soneto <em>O<\/em><em>N\u00e1ufrago<\/em> \u00e9 expressivo dessa nega\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c0 espera do chamado, encharco o meu pensamento<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0do que emerge de dentro, do que submerge de fora<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0dos ventos que colho, das entranhas que alimento<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0borbulham ideias no caos oceano do eu em mora.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No \u00faltimo terceto, do mesmo soneto [&#8230;]<em> \u201ca chuva cai e os sonhos enrijecem no sangue\u201d, <\/em>mas, ainda assim, a poeta tenta subir aos p\u00edncaros ol\u00edmpicos do transcender:<em> \u201ca carruagem de Apolo procura os dom\u00ednios de P\u00e3\u201d,<\/em> para, em seguida, renunciar ao sonho, frente \u00e0 crua realidade<em>: \u201ce eu me debato embalde, e mergulho no mangue\u201d.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em fragmento de outro poema, a identifica\u00e7\u00e3o negativa chega ao \u00e1pice e a poeta n\u00e3o divisa mais a linha do horizonte, abre-se o abismo para sepultar o sonho:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sou o beco escuro em noite sem luar<\/em><\/p>\n<p><em>Sou o rev\u00f3lver empunhado pronto a disparar<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sou a voz sufocada que n\u00e3o consegue falar<\/em><\/p>\n<p><em>Sou o barco condenado que afunda em alto-mar<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Neste espa\u00e7o, entre o naufr\u00e1gio e a linha do horizonte, que se faz mais long\u00ednquo e invi\u00e1vel, a poeta braceja, luta e so\u00e7obra em alto mar, ou por vezes, em falso horizonte de lama. O mar, metaforicamente, se configura como o espa\u00e7o de sua luta. A luta com as palavras, que no dizer de Carlos Drummond de Andrade: \u201c\u00c9 a luta mais v\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>Como agudamente observam, na apresenta\u00e7\u00e3o deste livro, as confreiras e poetas Laura Am\u00e9lia e S\u00f4nia Almeida: \u201c[&#8230;] o n\u00e1ufrago est\u00e1 para o horizonte, assim como o poeta, para a poesia. O que acontece no percurso justifica a ilus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Escritora Ana Luiza,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chegais como estudiosa e pesquisadora de Hist\u00f3ria, em momento muito oportuno. O recebimento em nossa Academia de mais um representante da pesquisa historiogr\u00e1fica nos \u00e9 muito bem-vindo. Perdemos, ao longo dos \u00faltimos anos, alguns dos nossos mais valorosos trabalhadores da messe da historiografia maranhense. Em\u00e9ritos e saudosos pesquisadores, que interpretaram, reconstitu\u00edram e editaram numerosas obras da Hist\u00f3ria do nosso estado: M\u00e1rio Meireles, Ant\u00f4nio Carlos de Lima e por \u00faltimo o pol\u00edgrafo Jomar Moraes, humanista, historiador e editor, por excel\u00eancia, que partiu h\u00e1 menos de um ano. Todos deixaram lacunas dif\u00edceis de serem preenchidas.<\/p>\n<p>Dissestes que a Historiografia seria para v\u00f3s o desafio mais patente, representando o novo, o inexplorado, \u201co territ\u00f3rio nunca desbravado\u201d, porque n\u00e3o tendes a forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e formal de um curso universit\u00e1rio para referend\u00e1-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhoras e senhores,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Discordo de tal a\u00e7odada afirma\u00e7\u00e3o. Entendo que, dos caminhos da escritora Ana Luiza, a Historiografia foi o \u00faltimo a ser trilhado. Mas, como dizem os ingleses,<em> last but not the least<\/em>, o \u00faltimo, mas n\u00e3o o menos importante. O gene da Historiografia est\u00e1 contido no seu DNA. Do lado materno, a ancestralidade vem de, nada menos que, o escritor rom\u00e2ntico e \u00e9pico, de <em>Minas de Prata, O guarani, Iracema,<\/em> o grande Jos\u00e9 de Alencar, por meio da bisav\u00f3 da nossa confreira, Luisa Rodrigues de Alencar Almeida, nascida no Cear\u00e1, professora normalista, jornalista, pianista, violonista, poeta e poliglota, de quem ela herdou o segundo prenome, descendente do grande escritor e mulher <em>avant la lettre, <\/em>dentre as suas contempor\u00e2neas; do lado paterno, seu av\u00f4, Jo\u00e3o Meireles Ferro, era familiar do grande historiador maranhense, membro desta Casa, M\u00e1rio Meireles, autor de dezenas de livros hist\u00f3ricos, dentre eles os cl\u00e1ssicos <em>Hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o, Fran\u00e7a Equinocial e O Brasil e a parti\u00e7\u00e3o do mar-oceano, <\/em>e mais \u00a0dezenas de publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No lar da menina Ana Luiza, outra refer\u00eancia fundamental na sua forma\u00e7\u00e3o, o pai, Wilson Ferro, professor de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Maranh\u00e3o. L\u00e1, respirava-se Hist\u00f3ria. A biblioteca, repleta n\u00e3o s\u00f3 de comp\u00eandios da mat\u00e9ria, como de livros de aventura, os chamados capa e espada, era o mundo onde a menina mergulhava nas \u00e1guas da imagina\u00e7\u00e3o. Montava grandes batalhas com a sua cole\u00e7\u00e3o de soldadinhos de chumbo e vivia com eles guerras e conquistas de novos mundos.<\/p>\n<p>Em 2011, licenciada em Letras e bacharel em Direito, cursos de sua livre e soberana escolha, j\u00e1 Promotora de Justi\u00e7a concursada, envolve-se com pesquisas e trabalhos sobre a Fran\u00e7a Equinocial, direcionada por seu esp\u00edrito investigativo e motivada pela pol\u00eamica da funda\u00e7\u00e3o de sua bela S\u00e3o Lu\u00eds e pelos escritos de Claude d\u2019Abbeville e Yves d\u2019Evreux.<\/p>\n<p>Tendo ingressado no Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o em 2011, participa com outros autores da obra<em> Fran\u00e7a Equinocial: uma hist\u00f3ria de 400 anos<\/em> (2012). Os estudos historiogr\u00e1ficos, brasa dormida no seu \u00edntimo e na sua inquietude intelectual, reacendem-se, atingem seu \u00e1pice, e ela produz o premiad\u00edssimo livro <em>1612: os papagaios amarelos na Ilha do Maranh\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds (<\/em> 2014).<\/p>\n<p>Este alentado comp\u00eandio, 776 p., prefaciado pelos em\u00e9ritos historiadores Lucien Proven\u00e7al e Vasco Mariz, e pelo pesquisador Antonio Noberto, al\u00e9m de carinhosamente apresentado por seu pai, Wilson Ferro, tem como tema central a funda\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a Equinocial no Maranh\u00e3o, em 1612, focalizando desde os seus antecedentes at\u00e9 os primeiros anos que se seguiram \u00e0 expuls\u00e3o dos franceses do norte do Brasil. Nesta obra, o mar reverte seu sinal para positivo, a linha do horizonte alarga-se e alegra-se, povoada de humana gente, animais, flores e frutos. \u00c9 uma viagem explorat\u00f3ria e cr\u00edtica que acompanha a Era dos Descobrimentos e a parti\u00e7\u00e3o do Mar-Oceano, as primeiras tentativas portuguesas de povoamento e coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil e do Maranh\u00e3o, as investidas gaulesas pelo Novo Mundo, as guerras de religi\u00e3o que ensanguentaram a Fran\u00e7a na segunda metade do s\u00e9culo XVI e cujos efeitos ainda assombrariam esse pa\u00eds e seus empreendimentos no s\u00e9culo seguinte, a chegada de cerca de 500 franceses (os \u201cpapagaios amarelos\u201d, como eram chamados pelos \u00edndios) \u00e0 Ilha do Maranh\u00e3o, o reconhecimento da terra, a funda\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds, a decreta\u00e7\u00e3o das leis institucionais da col\u00f4nia, a conviv\u00eancia dos padres capuchinhos Claude d\u2019Abbeville e Yves d\u2019Evreux com os tupinamb\u00e1s da Ilha e das circunvizinhan\u00e7as, a Batalha de Guaxenduba, a subsequente tr\u00e9gua firmada entre os gauleses e os lusos, a rendi\u00e7\u00e3o do Forte S\u00e3o Lu\u00eds, o destino das principais figuras da disputa franco-ib\u00e9rica pelo Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse estudo, \u00e9 reafirmada pela autora, em primeiro plano, a atribui\u00e7\u00e3o da honra da funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds aos gauleses.<\/p>\n<p>Sobre esta obra diz <em>Lucien Proven\u00e7al, historiador, Membro da Academia Estadual de Var e da sociedade Francesa de Hist\u00f3ria Mar\u00edtima<\/em>, <em>autor de v\u00e1rias obras, entre as quais La Ravardi\u00e8re e a Fran\u00e7a Equinocial:<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>L<\/em>\u2019<em>auteur a consult\u00e9 avec une tr\u00e8s louable pers\u00e9v\u00e9rance tout ce que les historiens de toutes nacionalit\u00e9s ont \u00e9crit sur le sujet; ele expose et analyse avec talent tous les arguments d\u00e9velopp\u00e9s; rien ne lui \u00e9chappe; les citations nombreuses renforcent une \u00e9tude sans faille. Je partage totalement les conclusions de l\u2019ouvrage.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Tradu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio autor:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A autora consultou com uma perseveran\u00e7a muito louv\u00e1vel tudo o que os historiadores de diferentes nacionalidades escreveram sobre esse tema; ela exp\u00f5e e analisa todos os argumentos desenvolvidos com grande talento, maestria e exaustividade; as numerosas cita\u00e7\u00f5es refor\u00e7am um estudo sem falhas. Compartilho plenamente das conclus\u00f5es da obra.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tal ju\u00edzo \u00e9 complementado por <em>Vasco Mariz, ex-embaixador, s\u00f3cio em\u00e9rito do Instituto Hist\u00f3rico e <\/em>Geogr\u00e1fico Brasileiro <em>e autor de Os franceses no Maranh\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O presente livro da senhora Ana Luiza Ferro \u00e9 um estudo s\u00e9rio, bem documentado e pormenorizado desse epis\u00f3dio hist\u00f3rico, escrito com eleg\u00e2ncia e flu\u00eancia de estilo. Naturalmente, nem sempre estive de acordo com todos os seus pontos de vista, mas, na interpreta\u00e7\u00e3o de fatos t\u00e3o remotos de nossa hist\u00f3ria, \u00e9 mais do que normal que existam pequenas diverg\u00eancias entre os autores que se ocuparam de assunto t\u00e3o fascinante. Recomendo aos interessados e sobretudo aos pesquisadores a leitura e o estudo desta obra, que veio enriquecer a bibliografia da Fran\u00e7a Equinocial.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este novo dom\u00ednio intelectual proporcionou-lhe duas importantes premia\u00e7\u00f5es nacionais, com o livro <em>1612: os papagaios amarelos na Ilha do Maranh\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds<\/em>: a men\u00e7\u00e3o honrosa do Pr\u00eamio Pedro Calmon, 2014, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro, e o Pr\u00eamio Liter\u00e1rio Nacional PEN Clube do Brasil, 2015, categoria Ensaio. A obra tem duas edi\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas: a brasileira e a europeia, em Portugal, ambas de 2014.<\/p>\n<p>Podemos encaixar aqui, na categoria ensaio biobibliogr\u00e1fico, o livro <em>M\u00e1rio Meireles, historiador e poeta. (2015).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acad\u00eamica Ana Luiza,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta noite \u00e9 uma noite \u00fanica para v\u00f3s. N\u00e3o se repetir\u00e1. \u00danica, porque s\u00f3 tereis uma entrada aqui, nesta Casa, e esta \u00e9 para sempre, guardai-a, pois, com muito carinho.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia da sucess\u00e3o, rediviva a cada nova posse, encerra o significado do esp\u00edrito de imortalidade, inspirador desta academia, cultuado e renovado, a cada novo confrade que chega, guardando e reavivando a mem\u00f3ria dos que se foram.<\/p>\n<p>Realizando esta liturgia, recriamos o desiderato da imortalidade acad\u00eamica, que n\u00e3o \u00e9 a do indiv\u00edduo, e, sim, a da sua cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e a da pr\u00f3pria Academia Maranhense de Letras, a caminho de seus 109 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confreira Ana Luiza,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Academia Maranhense de Letras \u00e9 composta por membros que aqui se encontram para cumprir um compromisso de constante e aplicado servi\u00e7o \u00e0 cultura do nosso estado. N\u00e3o pretendemos a l\u00e1urea de agremia\u00e7\u00e3o de eruditos instalados em uma redoma de incomunicabilidade; n\u00e3o aceitamos o ferrete de elitistas, nem de vestais de uma cultura passadista. Queremos, sim, ser, ao mesmo tempo, guardi\u00f5es e promotores da cultura, aqui entendida como uni\u00e3o de intelig\u00eancia, raz\u00e3o e sensibilidade, fantasia e mem\u00f3ria, valores eruditos e populares, vanguardismo e preserva\u00e7\u00e3o. Cumprir este compromisso: eis a vossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Sede bem-vinda, entrai, a Casa \u00e9 vossa.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p><strong>ENSAIO (FRAGMENTOS)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTA INTRODUT\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds, a Atenas dos tr\u00f3picos, em sua condi\u00e7\u00e3o insular, diversamente da Atenas dos gregos, sempre estimulou a corte do mitol\u00f3gico deus grego dos mares, Poseidon.<\/p>\n<p>Foi pelos mares que, durante o s\u00e9culo XVI, franceses e portugueses frequentaram a ilha que lhe serviria de ber\u00e7o. Foi pelos mares que os primeiros, chamados de \u201cpapagaios amarelos\u201d pelos \u00edndios, chegaram \u00e0 mesma ilha, no alvorejar do s\u00e9culo XVII, com a miss\u00e3o de torn\u00e1-la um peda\u00e7o da Fran\u00e7a e a sede de um idealizado imp\u00e9rio ultramarino na Am\u00e9rica do Sul. Foi pelos mares que os \u00faltimos, designados pelo nome ind\u00edgena de <em>per\u00f3<\/em>, a conquistaram, depois a perderam para os holandeses e, por fim, a retomaram at\u00e9 o rompimento definitivo dos la\u00e7os coloniais do Maranh\u00e3o com Portugal j\u00e1 no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Ao leitor que deseje embarcar nesta nau explorat\u00f3ria, esta \u00e9 uma viagem ao passado primordial do Maranh\u00e3o e do Brasil setentrional.<\/p>\n<p>\u00c9 uma viagem a uma \u00e9poca em que a partilha do mundo dependia da parti\u00e7\u00e3o do Mar-Oceano e da intrepidez dos navegadores no desafio ao Mar Tenebroso e a seus monstros lend\u00e1rios. \u00c9 uma viagem, a bordo da temida nau <em>R\u00e9gent<\/em>, seguida por mais dois navios, \u00e0 Fran\u00e7a Equinocial dos fidalgos Daniel de la Touche e Fran\u00e7ois de Razilly, promissora tentativa de implanta\u00e7\u00e3o de uma col\u00f4nia no Maranh\u00e3o, em nome da Coroa gaulesa, sob a reg\u00eancia de Maria de M\u00e9dicis, durante a minoridade do Rei Lu\u00eds XIII, menos de um s\u00e9culo ap\u00f3s o malogro da Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica, no Rio de Janeiro. \u00c9 uma viagem de descobrimentos ao tempo das primeiras tentativas portuguesas de povoamento e coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil e do Maranh\u00e3o, da defini\u00e7\u00e3o nebulosa da origem do nome \u201cMaranh\u00e3o\u201d, das investidas dos gauleses pelo Novo Mundo, das guerras de religi\u00e3o que ensanguentaram a Fran\u00e7a na segunda metade do s\u00e9culo XVI e cujos efeitos ainda assombrariam o pa\u00eds e seus empreendimentos no s\u00e9culo seguinte, da chegada de cerca de 500 \u201cpapagaios amarelos\u201d \u00e0 Ilha do Maranh\u00e3o, do reconhecimento da terra, da funda\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds, da decreta\u00e7\u00e3o das leis institucionais da col\u00f4nia, da conviv\u00eancia dos padres capuchinhos Claude d\u2019Abbeville e Yves d\u2019\u00c9vreux com os tupinamb\u00e1s da ilha e das circunvizinhan\u00e7as, do regresso de Fran\u00e7ois de Razilly \u00e0 Fran\u00e7a, dos antecedentes, da deflagra\u00e7\u00e3o e dos desdobramentos da Batalha de Guaxenduba, da subsequente tr\u00e9gua firmada entre os gauleses e os lusos, da rendi\u00e7\u00e3o do Forte S\u00e3o Lu\u00eds, dos fatos que determinaram o destino das principais figuras da disputa franco-ib\u00e9rica pelo Maranh\u00e3o e dos sucessivos governos de S\u00e3o Lu\u00eds at\u00e9 a invas\u00e3o holandesa.<\/p>\n<p>Esta nau navega sob o signo de 1612, o Ano de Ouro dos \u201cpapagaios amarelos\u201d na Ilha do Maranh\u00e3o, no qual, a 8 de setembro, em uma memor\u00e1vel cerim\u00f4nia solene de posse dos rec\u00e9m-vindos, uma grande cruz foi chantada pelos aliados tupinamb\u00e1s, chefiados por Japi-a\u00e7u, e a fortifica\u00e7\u00e3o da infante povoa\u00e7\u00e3o foi batizada de Forte <em>Saint Louis<\/em>, em honra a Lu\u00eds XIII, e a 1\u00ba de novembro, em cerim\u00f4nia complementar, o estandarte real, contendo as armas de Fran\u00e7a, foi plantado por membros da mesma na\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e foram decretadas as Leis Fundamentais da Fran\u00e7a Equinocial. Mas esta embarca\u00e7\u00e3o vai muito aqu\u00e9m e muito al\u00e9m desse marco temporal simb\u00f3lico, em busca das rotas que levaram \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a Equinocial e dos caminhos que se abriram ou se fecharam ap\u00f3s o seu fim. Por este oceano de \u00e1guas ainda pouco exploradas pela historiografia, j\u00e1 navegaram em \u00e1guas profundas alguns poucos ilustres timoneiros, a exemplo de Philippe Bonnichon, M\u00e1rio Meireles, maior historiador maranhense, Vasco Mariz e Lucien Proven\u00e7al e Andrea Daher.<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a dos tr\u00eas navios que compuseram a not\u00e1vel expedi\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a Equinocial, <em>R\u00e9gent<\/em>, <em>Charlotte<\/em> e <em>Sainte Anne<\/em>, em honra, respectivamente, a Maria de M\u00e9dicis, \u00e0 esposa de um almirante e \u00e0 Condessa de Soissons, esta nau \u00e9 uma modesta homenagem a uma Dama j\u00e1 quatrocentona: S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 uma cidade peculiar: nascida francesa, tornou-se, afinal, uma das mais lusitanas das urbes brasileiras, de Cidade de La Ravardi\u00e8re a Cidade dos Azulejos ao passo dos s\u00e9culos, Patrim\u00f4nio Mundial da Humanidade.<\/p>\n<p>Ostentando uma popula\u00e7\u00e3o superior a um milh\u00e3o de habitantes, em contraste com os cerca de dez a doze mil tupinamb\u00e1s residentes na Ilha Grande quando do desembarque dos franceses em Jevir\u00e9 em 1612, S\u00e3o Lu\u00eds guarda incompar\u00e1veis tesouros em sua rica hist\u00f3ria. Seus sobrad\u00f5es, revestidos de azulejos, que j\u00e1 testemunharam \u00e9pocas de fausto, ainda conservam a majestade de outrora, n\u00e3o obstante os imperdo\u00e1veis maus-tratos infligidos ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico; seus mirantes, que j\u00e1 fitaram horizontes mais alvissareiros, ainda identificam no mar arg\u00eanteo o rega\u00e7o ou o cemit\u00e9rio das embarca\u00e7\u00f5es empregadas nas \u00e9picas navega\u00e7\u00f5es dos gauleses e lusos, a despeito da limitada vis\u00e3o de alguns de seus novos caciques; seus monumentos, que j\u00e1 serviram de celebra\u00e7\u00e3o a tantos feitos e desagravo a tantos malfeitos, ainda preservam acesa a chama de um amanh\u00e3 mais afortunado; seus modernos pr\u00e9dios, que j\u00e1 se inseriram no cen\u00e1rio quadrissecular, ainda prometem o desembarque do progresso nas praias do marasmo.<\/p>\n<p>O Pal\u00e1cio dos Le\u00f5es e a Igreja e Semin\u00e1rio de Santo Ant\u00f4nio, na opini\u00e3o de uns, ou o antigo Recolhimento (atual Col\u00e9gio Santa Teresa) e a Igreja do Ros\u00e1rio, na Rua do Egito, na concep\u00e7\u00e3o de outros, assinalam os mesmos s\u00edtios onde os franceses ergueram, respectivamente, o Forte S\u00e3o Lu\u00eds e o Convento de S\u00e3o Francisco, onde funcionou a primeira escola do Maranh\u00e3o, para os meninos colonos e ind\u00edgenas, no que, ainda nos dias atuais, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da cidade, compreendendo o seu centro administrativo e as suas igrejas tradicionais.<\/p>\n<p>Se herdou dos portugueses os tra\u00e7ados das ruas, as linhas arquitet\u00f4nicas do casario colonial e os azulejos dos sobrad\u00f5es, S\u00e3o Lu\u00eds recebeu de seus fundadores vencidos, por\u00e9m jamais olvidados, o nome, a localiza\u00e7\u00e3o e as primeiras constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esta nau deve o seu primeiro \u00edmpeto explorat\u00f3rio \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o proporcionada pela paix\u00e3o dos escritores M\u00e1rio Meireles e Wilson Pires Ferro pelo fascinante cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do Brasil intitulado \u201cFran\u00e7a Equinocial\u201d, escrito com sangue, palavras e a\u00e7\u00f5es, envolto em fatos e lendas, a merecer uma maior aten\u00e7\u00e3o por parte dos historiadores e de outros estudiosos das Ci\u00eancias Sociais e Humanas. O epis\u00f3dio, apesar de fundamental para a efetiva coloniza\u00e7\u00e3o lusitana de toda a por\u00e7\u00e3o norte do Brasil, \u00e9 pouco conhecido.<\/p>\n<p>Para a sua viagem de descobrimentos, esta nau se valeu n\u00e3o apenas de in\u00fameros documentos de \u00e9poca e dos cl\u00e1ssicos livros de bordo dos cronistas Claude d\u2019Abbeville, Yves d\u2019\u00c9vreux e Diogo de Campos Moreno, testemunhas privilegiadas dos eventos, mas tamb\u00e9m de um variado e qualificado acervo de livros, artigos e escritos em geral sobre o tema selecionado ou um de seus aspectos, impressos ou eletr\u00f4nicos, antigos ou recentes, alguns ainda n\u00e3o explorados pela historiografia espec\u00edfica.<\/p>\n<p>O itiner\u00e1rio n\u00e3o se restringe \u00e0 passagem pelo mar sereno dos fatos incontroversos, nem ao recolhimento no porto seguro dos pontos assentados pela Hist\u00f3ria; igualmente inclui a navega\u00e7\u00e3o pelas \u00e1guas encrespadas pelas tormentas das pol\u00eamicas relativas \u00e0 Fran\u00e7a Equinocial e aos seus principais personagens, como a quest\u00e3o central da funda\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds, ante a mar\u00e9 revisionista dos propugnadores do mito da \u201corigem\u201d lusitana de S\u00e3o Lu\u00eds. E n\u00e3o se esquiva de explorar mais detidamente algumas enseadas pouco visitadas pelos estudiosos, como aquela na qual Fran\u00e7ois de Razilly assume o papel de cofundador quase esquecido da cidade e tem o seu papel na implanta\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia gaulesa no Maranh\u00e3o largamente subestimado.<\/p>\n<p>Embarquemos, pois, nesta nau com destino \u00e0 Fran\u00e7a Equinocial de La Ravardi\u00e8re e Razilly, com seus segredos, credos, sonhos, esperan\u00e7as, intrigas, jogos de bastidores, documentos, conquistas, estrat\u00e9gias, alian\u00e7as, batalhas, tr\u00e9guas, reviravoltas, casamentos, trai\u00e7\u00f5es e abandonos, eventos e lendas, antecedentes e consequ\u00eancias, defensores e opositores, visando \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de uma contribui\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e abrangente para os estudos do tema, que alie o rigor cient\u00edfico exigido pela academia ao interesse despreocupado dos amantes leigos da Hist\u00f3ria, mediante a narra\u00e7\u00e3o o mais poss\u00edvel fiel dos fatos, o esclarecimento de d\u00favidas, a an\u00e1lise de epis\u00f3dios obscuros e o oferecimento de novos pontos de vista.<\/p>\n<p><em>A Autora<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>CAP\u00cdTULO 14 \u2013 O MITO DA \u201cFUNDA\u00c7\u00c3O\u201d PORTUGUESA DE S\u00c3O LU\u00cdS E A POL\u00caMICA SOBRE AS ORIGENS DA CIDADE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>O que chamamos de mito da \u201cfunda\u00e7\u00e3o\u201d portuguesa da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds ostenta perfeitamente as caracter\u00edsticas apontadas pelos estudiosos. Trata-se de um mito de origem, que narra a \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d da capital maranhense, isto \u00e9, a sua funda\u00e7\u00e3o, \u201co tempo fabuloso do \u2018princ\u00edpio\u2019\u201d, do ponto de vista lusitano. Constitui um movimento de \u201cvoltar para tr\u00e1s\u201d, de \u201cretorno \u00e0s origens\u201d da cidade, sob a \u00f3tica lusa, quando da conquista do Maranh\u00e3o em 1615, em consequ\u00eancia do triunfo dos portugueses sobre os franceses comandados por La Ravardi\u00e8re e Fran\u00e7ois de Razilly.<\/p>\n<p>Este mito foi constru\u00eddo por uma historiografia, alimentada por relat\u00f3rios, cartas e outros documentos da \u00e9poca colonial, que, no per\u00edodo subsequente \u00e0 conquista lusitana, vocalizaram as posi\u00e7\u00f5es, interesses e preocupa\u00e7\u00f5es das elites pol\u00edticas ib\u00e9ricas (da metr\u00f3pole) e dos segmentos sociais que as representavam ou simplesmente as apoiavam no Maranh\u00e3o, para os quais era importante \u201cencobrir a realidade\u201d, ou seja, apagar os tra\u00e7os da ocupa\u00e7\u00e3o gaulesa efetuada pelas letras e pelas armas na Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds a partir de 1612 e, concomitantemente, tach\u00e1-la de invas\u00e3o promovida por hereges (protestantes), em desacordo com a vontade divina (da\u00ed a \u201chist\u00f3ria sagrada\u201d relatando a interfer\u00eancia da divina Provid\u00eancia em favor dos cat\u00f3licos lusos).<\/p>\n<p>E hoje tal mito sobrevive por meio de uma historiografia que desconsidera ou descontextualiza evid\u00eancias hist\u00f3ricas do feito de La Touche e Razilly, em prol da equivocada vers\u00e3o de que S\u00e3o Lu\u00eds foi fundada pelos portugueses. Este mito oferece, desde a sua concep\u00e7\u00e3o original, idealiza\u00e7\u00f5es no tocante \u00e0 atua\u00e7\u00e3o dos lusitanos na forma\u00e7\u00e3o da cidade (elevados, com todas as gl\u00f3rias, \u00e0 categoria de heroicos conquistadores e fundadores de algo que j\u00e1 existia, que j\u00e1 fora fundado). Estas idealiza\u00e7\u00f5es incluem, mormente a partir do s\u00e9culo XX, a exalta\u00e7\u00e3o, ora sutil, ora arrebatada, da figura de Jer\u00f4nimo de Albuquerque como s\u00edmbolo de brasilidade, de afirma\u00e7\u00e3o da identidade e integridade nacional, por suas ra\u00edzes mesti\u00e7as (em refer\u00eancia a a\u00e7\u00f5es praticadas numa \u00e9poca em que o Brasil ainda nem sonhava em ser uma na\u00e7\u00e3o independente), em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a do estrangeiro invasor, predominantemente retratado e atacado na figura do fidalgo Daniel de La Touche.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>Este mito, como manda a tradi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 parcialmente verdadeiro, tem um \u201cfundo de verdade\u201d: os portugueses efetivamente conquistaram o Maranh\u00e3o, mas n\u00e3o o reconquistaram, porque Aires da Cunha, Lu\u00eds de Melo da Silva e outros que antecederam os franceses da expedi\u00e7\u00e3o de 1612 jamais haviam logrado \u00eaxito nesse prop\u00f3sito; o dia 8 de setembro de 1612 marca a condu\u00e7\u00e3o de uma cerim\u00f4nia gaulesa de tomada de posse da Ilha do Maranh\u00e3o, contudo serve igualmente de marco da funda\u00e7\u00e3o da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds; Jer\u00f4nimo de Albuquerque, de fato, dedicou-se \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds, de que esta necessitava, por\u00e9m n\u00e3o fundou a cidade, iniciada por Razilly e La Ravardi\u00e8re, tanto que n\u00e3o ousou mudar-lhe a denomina\u00e7\u00e3o, dada pelos inimigos vencidos, nem foi o \u00fanico respons\u00e1vel por um processo urbanizador que ultrapassaria em muito os limites temporais de seu governo; o grupo dos Novos Atenienses realmente defendeu a interpreta\u00e7\u00e3o da atribui\u00e7\u00e3o da funda\u00e7\u00e3o da cidade aos franceses, todavia esses intelectuais n\u00e3o a criaram, pois ela j\u00e1 existia antes do s\u00e9culo XX e n\u00e3o estava restrita \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de Ferdinand Denis, tratando-se, na verdade, do resgate da mem\u00f3ria de um fato hist\u00f3rico, por longo tempo desestimulada e sufocada pelos ib\u00e9ricos, especialmente pela metr\u00f3pole portuguesa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua col\u00f4nia sul-americana, e por seus aliados.<\/p>\n<p>O mito portugu\u00eas, destarte, re\u00fane todos os elementos cl\u00e1ssicos do g\u00eanero: relato de uma \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d, permitindo o conhecimento das \u201corigens\u201d, do \u201ctempo fabuloso do \u2018princ\u00edpio\u2019\u201d, dos \u201ctempos heroicos\u201d; representa\u00e7\u00e3o de figuras e fatos hist\u00f3ricos idealizados, amplificados e glorificados por meio de tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias; manipula\u00e7\u00e3o do real, de fei\u00e7\u00e3o a ocultar ou subestimar aspectos do fato n\u00e3o enquadr\u00e1veis na narrativa tida como verdadeira e a sobrevalorizar e exagerar alguns aspectos selecionados; e presen\u00e7a do elemento sobrenatural ou sagrado. Na atualidade, o mito analisado exibe seis caracter\u00edsticas bastante peculiares:<\/p>\n<ol>\n<li>a) desqualifica\u00e7\u00e3o da historiografia (dominante) que propugna o reconhecimento aos franceses do papel de fundadores da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds, tachada de \u201cn\u00e3o cient\u00edfica\u201d (simples repetidora acr\u00edtica de posicionamentos de trabalhos anteriores) ou de mera express\u00e3o dos interesses e anseios das elites do Maranh\u00e3o;<\/li>\n<li>b) desqualifica\u00e7\u00e3o dos autores que defendem as origens gaulesas de S\u00e3o Lu\u00eds, historiadores ou n\u00e3o, pesquisadores ou n\u00e3o, visualizados como \u201cn\u00e3o cientistas\u201d e como meros reprodutores de uma vers\u00e3o m\u00edtica franc\u00f3fila;<\/li>\n<li>c) desqualifica\u00e7\u00e3o dos fundadores da Fran\u00e7a Equinocial e de suas realiza\u00e7\u00f5es e exalta\u00e7\u00e3o do papel desempenhado pelos vencedores de Guaxenduba;<\/li>\n<li>d) escolha de Daniel de la Touche como antagonista do her\u00f3i Jer\u00f4nimo de Albuquerque;<\/li>\n<li>e) subvaloriza\u00e7\u00e3o do papel do ind\u00edgena na funda\u00e7\u00e3o da cidade e na disputa franco-portuguesa pelo Maranh\u00e3o;<\/li>\n<li>f) mecanismo de proje\u00e7\u00e3o de seus tra\u00e7os caracter\u00edsticos como mito para um <em>alter<\/em>, mediante a identifica\u00e7\u00e3o de um suposto \u201cmito\u201d da funda\u00e7\u00e3o francesa de S\u00e3o Lu\u00eds, o que denominamos \u201cvis\u00e3o de espelho\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Antes de passarmos ao exame da configura\u00e7\u00e3o do mito portugu\u00eas em textos de autores modernos, vejamos o que pode ser compreendido como funda\u00e7\u00e3o de uma cidade.<\/p>\n<p>Segundo o <em>Dicion\u00e1rio Houaiss<\/em>, fundar significa \u201cassentar as funda\u00e7\u00f5es de (uma constru\u00e7\u00e3o); edificar\u201d; \u00e9, por deriva\u00e7\u00e3o, \u201cdar in\u00edcio; estabelecer o princ\u00edpio de; criar, instituir\u201d, enquanto funda\u00e7\u00e3o exprime o \u201cato ou efeito de fundar, de instituir\u201d; a \u201cbase sobre a qual se constr\u00f3i um edif\u00edcio; alicerce\u201d (no campo da constru\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>No livro <em>Hist\u00f3ria da cidade<\/em>, Leonardo Benevolo explica a origem das cidades e acompanha a sua forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o no tempo e no espa\u00e7o. N\u00e3o h\u00e1, nem nunca houve, uma \u00fanica modalidade de funda\u00e7\u00e3o. As cidades nascem de diversas maneiras. O espa\u00e7o onde est\u00e1 situada a cidade italiana de Bolonha na atualidade, por exemplo, \u201ctem sido habitado desde a mais remota Antiguidade, e foi escolhido pelos romanos para a funda\u00e7\u00e3o de uma col\u00f4nia, em 189 a.C\u201d. A belga Bruges, tida como a maior cidade mercantil na regi\u00e3o da Europa transalpina, desenvolveu-se \u201cem volta de um castelo fortificado \u2013 chamado posteriormente Oudeburg, o velho burgo \u2013 fundado pelos condes de Flandres ao longo do curso do Rio Reye, no final do s\u00e9culo IX\u201d. A alem\u00e3 Nuremberg, que ficou t\u00e3o conhecida ap\u00f3s o t\u00e9rmino da Segunda Guerra Mundial, em virtude do julgamento dos grandes criminosos de guerra nazistas, \u201cfoi fundada pelo Imperador Henrique III em 1040, no ponto de conflu\u00eancia das vias de comunica\u00e7\u00e3o entre a Baviera, a Franc\u00f4nia, a Su\u00e1bia e a Bo\u00eamia\u201d, sendo que o local selecionado \u201c\u00e9 um vale percorrido pelo Rio Pegnitz, e dominado por um morro onde foi constru\u00eddo um castelo\u201d, aparecendo o conjunto habitado inicial \u201centre o morro e o rio, concentrado ao redor do mercado, que permanece a partir de ent\u00e3o o centro principal da vida da cidade\u201d.<\/p>\n<p>O autor deixa claro que umas cidades sofreram repetidas transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, n\u00e3o preservando a configura\u00e7\u00e3o original assumida quando da funda\u00e7\u00e3o, enquanto outras tiveram definido o seu feitio ao tempo mesmo da funda\u00e7\u00e3o, sem altera\u00e7\u00f5es posteriores expressivas, al\u00e9m de enfatizar que as cidades variam muito de forma, sem que haja uma regra geral para a op\u00e7\u00e3o por um ou outro modelo, e que o fundador de uma cidade \u00e9 tamb\u00e9m o dono da \u00e1rea ocupada:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veneza, Bruges, Bolonha e Floren\u00e7a s\u00e3o exemplos de grandes cidades, fundadas na Antiguidade ou na Alta Idade M\u00e9dia e repetidamente transformadas na Baixa Idade M\u00e9dia. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descrev\u00ea-las sem levar em conta este dinamismo, e sua forma complicada registra todas as vicissitudes de seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Muitas outras cidades menores, ao contr\u00e1rio, foram fundadas na Baixa Idade M\u00e9dia, e muitas vezes sua forma definitiva foi fixada, de uma vez por todas, no momento da funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estas cidades t\u00eam todas as formas poss\u00edveis. Os estudiosos tentaram classific\u00e1-las em v\u00e1rios tipos: <em>lineares, circulares, radioc\u00eantricos, em tabuleiro<\/em> etc.; mas n\u00e3o se conseguiu encontrar uma causa constante pela qual se escolhe um tipo de cidade e n\u00e3o outro. Cada cidade \u00e9 imaginada como um caso especial, seja quando \u00e9 desenvolvida com uma cadeia de decis\u00f5es sucessivas, seja quando \u00e9 inventada com uma \u00fanica decis\u00e3o inicial. N\u00e3o se aceita nenhuma regra geral, mas se leva em conta um sem-n\u00famero de circunst\u00e2ncias: a natureza do terreno, a tradi\u00e7\u00e3o local, as sugest\u00f5es ex\u00f3ticas, o simbolismo sagrado e profano. Cada um destes motivos pode ser determinado.<\/p>\n<p>Quem funda uma cidade \u2013 o rei, o feudat\u00e1rio, o abade, ou o governo de uma cidade-Estado \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m o propriet\u00e1rio de todo o terreno [&#8230;].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 evidente que o in\u00edcio das cidades igualmente ostenta pontos em comum. A pesquisa de Benevolo parece apontar, em geral, para os seguintes tra\u00e7os comuns na forma\u00e7\u00e3o das cidades mundiais:<\/p>\n<ol>\n<li>a) delimita\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea geogr\u00e1fica, com modifica\u00e7\u00e3o da paisagem natural mediante o erguimento de constru\u00e7\u00f5es, mais ou menos pr\u00f3ximas entre si, de destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e\/ou privada, laboral e\/ou residencial;<\/li>\n<li>b) aglomera\u00e7\u00e3o est\u00e1vel de pessoas;<\/li>\n<li>c) exist\u00eancia de um governo oficial;<\/li>\n<li>d) exist\u00eancia de vias e de um lugar de ajuntamento para fins c\u00edvicos, comerciais, militares e\/ou religiosos;<\/li>\n<li>e) especializa\u00e7\u00e3o de atividades, n\u00e3o diretamente ligadas ao cultivo da terra, como as comerciais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>No dia 8 de setembro de 1612, S\u00e3o Lu\u00eds reunia todos estes padr\u00f5es fundacionais. Possu\u00eda, no m\u00ednimo, um forte principal, que n\u00e3o era o \u00fanico na ilha; uma pra\u00e7a p\u00fablica para celebra\u00e7\u00f5es c\u00edvico-religiosas, que ganharia brevemente um pelourinho e uma forca; um porto; numerosas habita\u00e7\u00f5es de um ou dois pavimentos; um convento parcialmente edificado, primeira escola do Maranh\u00e3o, cuja capela seria conclu\u00edda no Natal, seguida da constru\u00e7\u00e3o de outra capela; um grande armaz\u00e9m, tudo assentado em uma \u00e1rea delimitada e preparada por seus fundadores e pelos aliados \u00edndios para abrigar essa estrutura (um promont\u00f3rio previamente escolhido).<\/p>\n<p>E ainda cresceria nos anos subsequentes, at\u00e9 a queda da col\u00f4nia, com o acr\u00e9scimo, por exemplo, de lojas e uma serraria. At\u00e9 a conquista lusitana, l\u00e1 viveram, al\u00e9m dos nobres e dos soldados, diversos art\u00edfices \u2013 carpinteiros, pedreiros, fundidores, serralheiros, tecel\u00f5es, alfaiates, sapateiros, entre outros \u2013, dois astr\u00f3logos e um cirurgi\u00e3o, n\u00e3o apenas homens, por\u00e9m igualmente mulheres e crian\u00e7as, comprovando a variedade populacional e a especializa\u00e7\u00e3o de atividades j\u00e1 existentes na cidade em evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia de 8 de setembro foi, sem d\u00favida, um evento solene de tomada de posse da terra; afinal, quem funda uma col\u00f4nia e com ela uma cidade precisa ser, por antecedente de ordem l\u00f3gica e material, o senhor do territ\u00f3rio. S\u00e3o Lu\u00eds come\u00e7ou como sede de uma promissora col\u00f4nia, como muitas cidades pelo mundo nascidas de col\u00f4nias fundadas, por exemplo, pelos gregos e, depois, pelos romanos. Formou-se a partir da constru\u00e7\u00e3o de um forte, assim como incont\u00e1veis cidades europeias se originaram de castelos, posto que a fortifica\u00e7\u00e3o dos lugares escolhidos para o abrigo de povoa\u00e7\u00f5es era uma necessidade daqueles tempos de imensa inseguran\u00e7a territorial. Do mesmo modo que outras tantas cidades do Velho Continente, S\u00e3o Lu\u00eds teve a sua fei\u00e7\u00e3o original \u2013 imprimida pelos franceses \u2013 profundamente transformada posteriormente \u2013 pelos conquistadores lusitanos.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>Como visto, a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds em nada foi inferior \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da maior metr\u00f3pole brasileira da atualidade, das duas primeiras capitais do Brasil e da primeira capital de Sergipe, j\u00e1 que a instala\u00e7\u00e3o de fr\u00e1geis n\u00facleos primordiais, de palha, barro e madeira, foi um tra\u00e7o compreensivelmente comum a grande parte das cidades iniciadas pelos lusitanos no Brasil Col\u00f4nia.<\/p>\n<p>J\u00e1 vimos como o mito da \u201cfunda\u00e7\u00e3o\u201d portuguesa da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds foi constru\u00eddo e fomentado como instrumento de afirma\u00e7\u00e3o da legitimidade da conquista e da coloniza\u00e7\u00e3o lusitana do Maranh\u00e3o, por meio do apelo ao sagrado e da desqualifica\u00e7\u00e3o dos franceses (acoimados de invasores, usurpadores e hereges), numa rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre a promo\u00e7\u00e3o dos interesses da f\u00e9 e a dos interesses da Coroa, traduzida na comunh\u00e3o de estrat\u00e9gias pol\u00edtico-militares e letradas, em prol da edifica\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio luso, da justifica\u00e7\u00e3o do poder colonial da metr\u00f3pole e da expans\u00e3o dos esfor\u00e7os de evangeliza\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo colonial, o portugu\u00eas Bernardo Pereira de Berredo representa muito bem a historiografia que bebeu das \u00e1guas originais desse mito.<\/p>\n<p>Com a proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia do Brasil e a gradativa laiciza\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o de mundo, principia uma segunda fase, na qual o mito foi aos poucos adaptado aos novos tempos, quase dessacralizado, contudo sem perder os seus tra\u00e7os franc\u00f3fobos de origem. Os franceses ainda eram os invasores da terra, antes luso-espanhola, depois somente lusa, agora brasileira, mas perdeu o sentido cham\u00e1-los de hereges. Nesse contexto, Barbosa de God\u00f3is (1860-1923) confirma Berredo na atribui\u00e7\u00e3o da honra da funda\u00e7\u00e3o da cidade aos portugueses, ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos gauleses \u201cinvasores\u201d, por\u00e9m deixa no passado o enfoque anti-heresia.<\/p>\n<p>Em artigo de 1993, Olavo Correia Lima reflete uma terceira fase do mito lusitano, na qual predomina o ataque a um suposto mito da funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds pelos s\u00faditos de Maria de M\u00e9dicis, denominado \u201cMito Capital\u201d (\u00e9 o que designamos \u201cvis\u00e3o de espelho\u201d).<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas, portanto, sobre a exist\u00eancia de um mito lusitano a respeito das origens de S\u00e3o Lu\u00eds. Todavia, n\u00e3o h\u00e1 mito gaul\u00eas no sentido que lhe atribuem Lacroix e os seus seguidores, de \u201ctradi\u00e7\u00e3o inventada\u201d, de \u201ccria\u00e7\u00e3o fantasiosa de algo que desconhece o real\u201d. A atribui\u00e7\u00e3o da autoria da funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds aos franceses encontra s\u00f3lida justifica\u00e7\u00e3o nos fatos conhecidos, revelados pelas fontes prim\u00e1rias. Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 frequentemente propalado, n\u00e3o \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o criada pelos Novos Atenienses, n\u00e3o est\u00e1 adstrita a um tempo (s\u00e9culo XX) ou a um espa\u00e7o (Maranh\u00e3o). Neste sentido, o \u00fanico mito poss\u00edvel \u00e9 o da \u201cfunda\u00e7\u00e3o\u201d portuguesa da cidade. Da\u00ed a constata\u00e7\u00e3o de que a controv\u00e9rsia sobre a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds \u00e9 uma falsa pol\u00eamica, em que um mito (luso), travestido de \u201cci\u00eancia\u201d, \u00e9 contraposto \u00e0 verdade hist\u00f3rica autorizada nas fontes dispon\u00edveis, inadequadamente transformada em mito (franc\u00eas).<\/p>\n<p>Por outro lado, todo acontecimento humano, todo fato relevante na hist\u00f3ria da humanidade, ocorrido em um tempo primordial, admite interpreta\u00e7\u00f5es m\u00edticas, o que significa que a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds promovida por Daniel de la Touche e Fran\u00e7ois de Razilly admite mitifica\u00e7\u00f5es, entre franc\u00f3filos e lus\u00f3filos indistintamente, por raz\u00f5es distintas, sobre a atua\u00e7\u00e3o dos gauleses em aspectos raramente percebidos pelos estudiosos, como aquela que obscurece a figura de Razilly e o converte em um fundador constantemente esquecido, apesar de sua posi\u00e7\u00e3o de \u201csenhor da col\u00f4nia\u201d, participante de todos os eventos preparat\u00f3rios e implementadores da funda\u00e7\u00e3o e respons\u00e1vel pelo batismo do pr\u00f3prio forte que daria o nome \u00e0 cidade, em favor da onipresente supervaloriza\u00e7\u00e3o da figura de La Ravardi\u00e8re, pois, afinal, \u00e9 mais f\u00e1cil e mais simb\u00f3lico destacar os feitos de um \u00fanico her\u00f3i ou concentrar as cr\u00edticas em um \u00fanico vil\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que o culto \u00e0s origens francesas do Maranh\u00e3o do final do s\u00e9culo XIX ofereceu condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias a que um grupo de intelectuais maranhenses do s\u00e9culo XX resgatasse do limbo do esquecimento importantes fatos hist\u00f3ricos relacionados \u00e0 hist\u00f3ria de S\u00e3o Lu\u00eds. \u00c9 claro que a origem francesa da cidade tem mais apelo tur\u00edstico, pela sua singularidade. E pode servir a diferentes interesses e fins, de diferentes grupos e diferentes elites. Mas n\u00e3o \u00e9 por isso que defendemos os franceses como fundadores de S\u00e3o Lu\u00eds. Fazer ci\u00eancia \u201chonesta\u201d, primar pela \u201chonestidade hist\u00f3rica\u201d, n\u00e3o significa neutralidade, porque esta \u00e9 um mito; no entanto, implica investigar todos os principais aspectos e implica\u00e7\u00f5es de uma quest\u00e3o, e n\u00e3o desconsiderar como acr\u00edtico, alienado ou n\u00e3o cient\u00edfico <em>a priori<\/em> todo o entendimento que n\u00e3o navegue pelas mesmas \u00e1guas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do livro <em>1612<\/em>: os papagaios amarelos na Ilha do Maranh\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds, 2014)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CR\u00d4NICAS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>UM CERTO JOSU\u00c9<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o foi na d\u00e9cima noite, nem numa v\u00e9spera de Natal. Foi na d\u00e9cima quinta noite. Nos idos de mar\u00e7o. N\u00e3o J\u00falio C\u00e9sar, mas um certo Josu\u00e9, imperador das letras timbiras. Nesta data, Josu\u00e9 empreendeu a viagem sem regresso, uma viagem fant\u00e1stica, m\u00e1gica. Perto da meia-noite. Subiu os degraus do Para\u00edso com a eleg\u00e2ncia machadiana que sempre marcou a sua arte, a sua profunda e prol\u00edfica rela\u00e7\u00e3o com a palavra escrita, com uma palavra depois de outra.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve baile da despedida. E nem seria poss\u00edvel. Her\u00f3is n\u00e3o se despedem, nem dizem adeus. Porque jamais partem de verdade. S\u00e3o imortais, permanecem na mem\u00f3ria, nas mentes, nos cora\u00e7\u00f5es, nas obras. Por\u00e9m, no grande teatro da literatura maranhense, h\u00e1 certamente um camarote vazio, o de n\u00ba 31. Outro camarote vazio, o de n\u00ba 29, repousa solit\u00e1rio no teatro maior da literatura brasileira. No palco, enquanto o tempo n\u00e3o passa, os personagens guardam o sil\u00eancio reverencial, o sil\u00eancio da confiss\u00e3o. Nada \u00e9 como dantes. A mulher proibida est\u00e1 acess\u00edvel ao mundo; o carrasco que era santo abandonou o seu of\u00edcio; o Tio Juca n\u00e3o est\u00e1 para conversa; Dom Jos\u00e9 perdeu o seu tesouro; a formiguinha que aprendeu a dan\u00e7ar n\u00e3o consegue caminhar; o bicho deixou o circo.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds, cora\u00e7\u00e3o de sua geografia ficcional, qu\u00e3o bela noiva de Vila Rica, ainda mais que o Maranh\u00e3o, ainda mais que o Brasil, ainda mais que o mundo, chora o desaparecimento de seu consorte ilustre e ilustrado. Os tambores de S\u00e3o Lu\u00eds lhe rendem homenagem, imprimindo ao presente os sons do passado, enquanto o Largo do Desterro se cobre de luto, na encruzilhada do tempo, tempo aprisionado em cada fachada de azulejo, em cada janela de mirante da Praia Grande, atrav\u00e9s do olho m\u00e1gico da literatura. O mar lhe presta tributo, batendo-se, amuado, contra o Cais da Sagra\u00e7\u00e3o, sagra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o lhe vem apenas de seus conterr\u00e2neos, mas igualmente de leitores e admiradores de al\u00e9m-mar.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 herdeiro ou herdeira do trono. N\u00e3o h\u00e1 herdeiro poss\u00edvel para um professor de uma estante girat\u00f3ria, que percorreu tantos caminhos liter\u00e1rios com o mesmo brilhantismo, do romance \u00e0 novela, do conto \u00e0 biografia, da literatura infantil e juvenil ao ensaio, da hist\u00f3ria \u00e0 cr\u00f4nica, da confer\u00eancia ao teatro. N\u00e3o h\u00e1 herdeiro poss\u00edvel para quem cultivou a arte liter\u00e1ria com a suprema habilidade de um semeador da palavra, para quem recebeu tantos pr\u00eamios e exerceu tantas fun\u00e7\u00f5es e cargos expressivos. O maior escritor maranhense do s\u00e9culo passado e um dos principais do pa\u00eds de todos os tempos n\u00e3o deixa herdeiros, deixa seguidores.<\/p>\n<p>Perdoa-me a intimidade, por chamar-te simplesmente Josu\u00e9. O outro, o teu hom\u00f4nimo, desbravou Cana\u00e3 como ningu\u00e9m. Derrubou as muralhas de Jeric\u00f3 ao som de trombetas. Tu conheceste S\u00e3o Lu\u00eds e a alma maranhense como nenhum outro. Derrubaste muralhas de papel ao leve ro\u00e7ar de tua pena. Descortinaste para o Brasil o ser ludovicense com a sinceridade expressionista de um Van Gogh, o sentimento impressionista de um Renoir e a genialidade de ambos. No labirinto de espelhos da tua obra, compuseste um mosaico de raz\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es, que mais se assemelha aos azulejos dos casar\u00f5es coloniais da cidade. A ti pertence a coroa de areia, esta que emoldura a cabe\u00e7a de ouro de todos os representantes da \u201cAtenas Brasileira\u201d, coroa que se constr\u00f3i e desconstr\u00f3i com a areia que cobre, qu\u00e3o manto imaculado, as praias desta ilha aben\u00e7oada. \u00c9s a pedra viva de nossas mem\u00f3rias. Sempre ser\u00e1s lembrado cada vez que os usos, as gentes, as paisagens, os acordes, as cores de teu mundo imagin\u00e1rio, de tua S\u00e3o Lu\u00eds ficcional, que tamb\u00e9m \u00e9 t\u00e3o real, aflorarem de teus romances, de tuas novelas, de teus livros encantados, como encantadora \u00e9 a tua arte, o teu ba\u00fa da juventude e da maturidade. Cada vez que os temas e as personalidades sobre os quais te debru\u00e7aste, com o olhar cr\u00edtico do cientista, emergirem de teus ensaios. Conquistaste um apartamento no c\u00e9u. Sei que n\u00e3o o manter\u00e1s com as janelas fechadas. Sei que de l\u00e1, pensativo, sob ou sobre a luz da estrela morta, contemplar\u00e1s a noite sobre Alc\u00e2ntara, a agita\u00e7\u00e3o dos tambores de S\u00e3o Lu\u00eds e o despertar do Largo do Desterro. E, antes que os p\u00e1ssaros acordem, de uma varanda sobre o sil\u00eancio, sob um beiral para os bem-te-vis celestiais, retomar\u00e1s o fio da meada e pegar\u00e1s a tua pena, j\u00e1 saudosa de ti, para escreveres, uma vez mais, sobre a cidade que amavas, a primeira e a \u00faltima convidada de teus sonhos e preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aleluia!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 15.04.2006)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>SEDE BEM-VINDOS!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhores visitantes e turistas, neste m\u00eas de tantas celebra\u00e7\u00f5es, gostaria de vos dizer que S\u00e3o Lu\u00eds vos recebe de mar\u00e9 cheia, sob a toada do bumba-meu-boi, na Pra\u00e7a da Alegria ou no Largo dos Amores. Sobre a cidade, n\u00e3o espereis de mim o esfor\u00e7o da imparcialidade dos julgadores, mas a prosa apaixonada dos que n\u00e3o se cansam de lhe fazer a corte. Principio vos lembrando de que \u201cminha terra tem palmeiras\u201d, tomando de empr\u00e9stimo as palavras de certo poeta que ganhou o Brasil e o mundo. Por\u00e9m, isso j\u00e1 sab\u00edeis, n\u00e3o \u00e9 surpresa, sobretudo se j\u00e1 percorrestes as suas vias mais pr\u00f3ximas do aconchego do mar, na companhia, talvez, dos holandeses, ou se j\u00e1 pisastes na ponta d\u2019areia, no calhau ou no olho d\u2019\u00e1gua de nossas belas praias. N\u00e3o vos garantirei, no entanto, que nessas famosas palmeiras ainda cante algum sabi\u00e1. Mais f\u00e1cil encontrardes um bem-te-vi. Mas vos asseguro, e n\u00e3o me tomo de pejo em faz\u00ea-lo, seguindo a constata\u00e7\u00e3o inspirada do mesmo vate, que \u201cminha terra tem primores\u201d e, ainda mais induvidoso, que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nosso c\u00e9u tem mais estrelas,<\/p>\n<p>Nossas v\u00e1rzeas t\u00eam mais flores,<\/p>\n<p>Nossos bosques t\u00eam mais vida,<\/p>\n<p>Nossa vida mais amores. (<em>Can\u00e7\u00e3o do Ex\u00edlio<\/em>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De fato, esta \u00e9 a \u201cIlha dos Amores\u201d. Primeiro vieram os franceses, que s\u00e3o conhecidos nessa arte, e a fizeram sua. Talvez j\u00e1 tenhais vos deparado com o seu fundador, Daniel de La Touche, descansando no Pal\u00e1cio La Ravardi\u00e8re, sede do Poder Executivo Municipal, ou transitando em larga avenida. E S\u00e3o Lu\u00eds se tornou a \u00fanica capital brasileira que nasceu gaulesa no long\u00ednquo ano de 1612. Em seguida, vieram os portugueses, que a cobriram de mimos, enfeitando os seus imponentes sobrad\u00f5es com azulejos. E S\u00e3o Lu\u00eds, do alto de seus mirantes \u2013 que s\u00f3 posteriormente seriam sin\u00f4nimo de prestigiada rede de TV \u2013, ao som do vira, virou a \u201cCidade dos Azulejos\u201d, um peda\u00e7o de Lisboa no Brasil, bem representado pela Rua Portugal. Depois, vieram os intelectuais, os escritores e os poetas, que n\u00e3o eram gregos, mas a transformaram, com justi\u00e7a, na \u201cAtenas Brasileira\u201d. E S\u00e3o Lu\u00eds nunca mais deixou de ser, na observa\u00e7\u00e3o de Astolfo Serra, \u201cterra onde se amam os versos, os recitativos, a orat\u00f3ria, as tert\u00falias liter\u00e1rias e onde existe verdadeiro culto pela arte de dizer e de escrever\u201d (<em>Guia hist\u00f3rico e sentimental de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o<\/em>, p. 17). Basta atentardes para o apre\u00e7o que temos pelo \u201ctu\u201d, prefer\u00eancia, ali\u00e1s, que compartilhamos, por exemplo, com os irm\u00e3os ga\u00fachos.<\/p>\n<p>E quando visitardes a Praia Grande e a Rua da Estrela, cora\u00e7\u00e3o do Centro Hist\u00f3rico e do casario colonial da urbe, apurai a vista, pois podeis vos encontrar com o Mulato de Alu\u00edsio Azevedo. Se desejais um encontro com o Poeta, procurai o Largo dos Amores, donde Gon\u00e7alves Dias, altaneiro, descortina o Rio Anil e aproveita para cortejar a Maria Arag\u00e3o. E, como n\u00e3o sabemos o porvir, recomendo-vos uma visita \u00e0 Igreja dos Rem\u00e9dios, com sua majestade g\u00f3tica. Todavia, se sentirdes falta de um serm\u00e3o, segui para a Igreja de Santo Ant\u00f4nio, onde podereis, qui\u00e7\u00e1, ouvir, extasiados, as prele\u00e7\u00f5es do Padre Ant\u00f4nio Vieira. Ou entrai no Convento das Merc\u00eas, constru\u00eddo em 1863, ou na Catedral Metropolitana, de cujo acrot\u00e9rio vigia Nossa Senhora da Vit\u00f3ria, a qual, conforme a lenda, em forma de radiosa Virgem, possibilitou o triunfo dos lusitanos sobre os franceses na Batalha de Guaxenduba, ao transformar a areia em p\u00f3lvora para os soldados. Ou adentrai o pr\u00e9dio ao lado, o Pal\u00e1cio Arquiepiscopal, antigo Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas. Em ambos os casos, estareis em frente ao s\u00edtio de funda\u00e7\u00e3o da cidade, guardados pelos le\u00f5es do poder, postados na entrada do Pal\u00e1cio que se estende sobre os alicerces do outrora Forte de S\u00e3o Lu\u00eds, que deu nome \u00e0 capital maranhense, em honra ao rei franc\u00eas. Ainda nessa \u00e1rea, podereis ver caminhar Gra\u00e7a Aranha, a pensar na sua Cana\u00e3.<\/p>\n<p>Se o que quereis \u00e9 mist\u00e9rio, dai uma espiadela para o interior da Fonte do Ribeir\u00e3o, edificada em 1796, e imaginai para que serviam as suas famosas galerias subterr\u00e2neas no Maranh\u00e3o Colonial, se para o contrabando de escravos ou se para o tr\u00e2nsito dos jesu\u00edtas da Igreja do Carmo at\u00e9 a Igreja de S\u00e3o Pantale\u00e3o. Ou, se tendes coragem, esperai a passagem da carruagem de Dona Ana Jansen, senhora de grande fortuna e marcante personalidade, duas vezes vi\u00fava, de grande influ\u00eancia na vida socioecon\u00f4mica e pol\u00edtica da cidade no s\u00e9c. XIX, nas noites escuras de sexta-feira, deixando o cemit\u00e9rio em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas de S\u00e3o Lu\u00eds. Atentai para os cavalos e o cocheiro escravo decapitados, mas n\u00e3o esperai para receber da alma penada de Donana uma vela acesa, que certamente se transmutar\u00e1 em osso de defunto no dia seguinte. Preferi a lagoa da mesma senhora, onde, nesta \u00e9poca, no arraial, como em muitos outros espalhados pela cidade, \u00e9 poss\u00edvel dan\u00e7ar, em homenagem aos santos juninos, com Pai Francisco e M\u00e3e Catirina ao redor do boi, que n\u00e3o \u00e9 meu, por\u00e9m da Companhia Barrica, de Morros, Nina Rodrigues, Axix\u00e1, Icatu, Cururupu, Maioba, Maracan\u00e3, Pindoba, Guimar\u00e3es, Alc\u00e2ntara, Ribamar, F\u00e9 em Deus, S\u00e3o Sim\u00e3o&#8230; Mas quando fordes ao mirante da lagoa, procurai a serpente que, segundo contam, envolve a cidade e continua a crescer at\u00e9 que sua cauda alcance a cabe\u00e7a, momento em que n\u00e3o desejareis estar aqui, porque ser\u00e1 o tempo em que S\u00e3o Lu\u00eds desaparecer\u00e1 em meio \u00e0s \u00e1guas do Oceano Atl\u00e2ntico&#8230; Ou talvez isto ocorra antes, quando o Rei Touro, El-Rei D. Sebasti\u00e3o, se desencantar e voltar \u00e0 forma humana&#8230; N\u00e3o vos preocupeis, todavia; lembrai-vos de que a Virgem est\u00e1 vigilante, do alto da fachada da Catedral.<\/p>\n<p>Por fim, quando vos fatigardes com a perambula\u00e7\u00e3o pelas ruas e becos estreitos do centro da cidade, como, por exemplo, a Rua Direita, que \u00e9 tortuosa; a Rua do Norte, que fica ao sul; a Rua dos Rem\u00e9dios, onde n\u00e3o h\u00e1 farm\u00e1cias; a Rua do Sol, onde h\u00e1 somente sombra por causa dos casar\u00f5es; a Rua do Passeio, que termina no Cemit\u00e9rio do Gavi\u00e3o; e o Beco do Quebra-costas, que, ao contr\u00e1rio, realiza o que promete; ou ainda for cedo para a brincadeira dos arraiais, fazei uma pausa para provar do sapoti, do bacuri e do caj\u00e1. N\u00e3o vos olvideis que graviola \u00e9 jacama, a\u00e7a\u00ed \u00e9 ju\u00e7ara e fruta-do-conde \u00e9 ata. E preparai-vos para um delicioso almo\u00e7o ou jantar \u00e0 base de camar\u00e3o, pescada ou carne-de-sol, com arroz de cux\u00e1, cux\u00e1 e macaxeira, \u00e0 beira do mar de \u00e1guas prateadas.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds vos sa\u00fada com a hospitalidade que caracteriza a alma ludovicense, carregada de sonho e poesia. Pois, afinal, como disse o Poeta, nossa vida, sem d\u00favida, tem mais amores. Sede bem-vindos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 13.06.2010)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O REI DO R\u00c1DIO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o o conheci em seus tempos \u00e1ureos. E n\u00e3o o vi partir para a eternidade em 18 de janeiro de 1983, pouco depois de recuperar a vis\u00e3o que a vida levara de seus olhos, mas n\u00e3o de seu esp\u00edrito. Lembro-me de visit\u00e1-lo muitas vezes, menina e, mais tarde, adolescente, na Rua S\u00e3o Pantale\u00e3o, 817, onde morava. Gostava de me exibir seus livros, como os de Jos\u00e9 de Alencar e Humberto de Campos, e suas hist\u00f3rias, colhidas em um passado n\u00e3o t\u00e3o distante, n\u00e3o necessariamente nessa ordem. Aqueles e estas constantemente se tornavam mat\u00e9ria de uma prosa f\u00e1cil, fluente, sem termo, carregada de um natural saudosismo. Nunca o vi zangado. Pouco me recordo de detalhes; ficou-me, entretanto, a lembran\u00e7a do carinho e amor que me devotava, vis\u00edveis na aten\u00e7\u00e3o que dedicava \u00e0quela crian\u00e7a curiosa, que, apenas posteriormente, teria a real dimens\u00e3o dos momentos especiais de conviv\u00eancia com aquele senhor de sorriso amig\u00e1vel e fala mansa, seu padrinho, com tantas hist\u00f3rias \u2013 e talvez algumas est\u00f3rias \u2013 para contar. De fato, eu jamais soube o que era verdade ou fic\u00e7\u00e3o. Certa vez, contou-me que descendia de Jos\u00e9 de Alencar. O Alencar de sua genitora era, sem d\u00favida, deveras sugestivo. Nunca pude confirmar, no entanto. \u00c0quela altura, \u00e9 verdade, sua mem\u00f3ria j\u00e1 lhe pregava pe\u00e7as, e n\u00e3o eram as de teatro, com as quais estava acostumado. Entretida com suas hist\u00f3rias, era trazida das brumas do passado para as luzes do presente por Dona Lulu, sua dileta esposa, de fulgurantes olhos azuis:<\/p>\n<p>\u2013 Deixa a menina descansar e vir tomar o lanche, Beni.<\/p>\n<p>Reencontro-o hoje, muito \u00e0 vontade ao ser entrevistado, nas p\u00e1ginas do livro <em>Perfil do Maranh\u00e3o 1979<\/em>, um pouco amarelecido pela impiedosa a\u00e7\u00e3o de Cronos, editado por Cordeiro Filho e Jos\u00e9 de Ribamar Souza dos Reis, em que \u00e9 citado como uma das \u201clegendas do nosso r\u00e1dio\u201d, no cap\u00edtulo das \u201cPopularidades maranhenses\u201d (p. 161-163), na honrosa companhia da educadora Zuleide Bog\u00e9a, do mestre Ruben Almeida, do tamb\u00e9m radialista Carlos Celso e do boxeador Lupercino Almeida.<\/p>\n<p>Marcos Vinicius S\u00e9rgio de Almeida ou \u201cBeni\u201d, como simplesmente o chamava Dona Lulu, veio ao mundo no dia 09 de setembro de 1913, em Bel\u00e9m do Par\u00e1. Em tributo ao seu quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio, o p\u00f3rtico da casa de seu nascimento recebeu uma placa comemorativa. Filho de Luisa Rodrigues de Alencar Almeida, cearense, professora normalista e conhecida jornalista, pianista, violonista e declamadora de poesias \u2013 a quem devo parte de meu prenome \u2013, e de Raimundo Tom\u00e1s de Almeida, propriet\u00e1rio da Casa Ribamar, fundada em 1926, na \u00e9poca tida como o maior emp\u00f3rio musical do norte do pa\u00eds, Marcos Vinicius fez como J\u00falio C\u00e9sar: veio, viu e venceu. N\u00e3o com a espada, mas com a potente e aveludada voz de radialista e locutor, seu principal instrumento de trabalho. Todavia, o prenome composto, recebeu-o, por obra de sua m\u00e3e, de outro romano, sa\u00eddo da fic\u00e7\u00e3o do polon\u00eas Henryk Sienkiewicz, <em>Quo Vadis<\/em>.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds acolheu-o calorosamente e fez dele um filho devotado, de forma que a C\u00e2mara, por voto un\u00e2nime de seus vereadores, concedeu-lhe o t\u00edtulo honor\u00edfico de \u201cCidad\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds\u201d. \u201cRei do R\u00e1dio\u201d, eleito por duas vezes consecutivas (1953-1954), teve como madrinhas na posse da elei\u00e7\u00e3o nada menos do que Marion e \u00c2ngela Maria, o Sapoti do R\u00e1dio nacional. Pioneiro, criou na R\u00e1dio Timbira o Departamento Especial de R\u00e1dio Teatro. Trabalhou, igualmente, na R\u00e1dio Ribamar. Integrou, juntamente com Otelo Cavalcanti e Nobre Fonseca, o c\u00e9lebre trio art\u00edstico conhecido como \u201cOs Tr\u00eas Mosqueteiros\u201d, participando de <em>tourn\u00e9es<\/em> bem-sucedidas em Bel\u00e9m e Recife. Acontecimento naqueles anos dourados foi a encena\u00e7\u00e3o da novela \u201cO Direito de Nascer\u201d, via microfone, sendo sempre lembrado o duelo entre Marcos Vinicius e Otelo Cavalcanti, em conex\u00e3o com Rodolfo Mayer, famoso astro de \u201cReden\u00e7\u00e3o\u201d, primeira novela a ser levada ao ar neste pa\u00eds. O esporte bret\u00e3o tamb\u00e9m o fascinava: foi presidente do saudoso Tupan Esporte Clube, per\u00edodo em que o time conquistou o bicampeonato.<\/p>\n<p>O leitor que surfou nas ondas do r\u00e1dio, quando por l\u00e1 navegavam sereias como \u00c2ngela Maria, Dalva de Oliveira, Emilinha Borba, Linda Batista, Concei\u00e7\u00e3o de Oliveira e Orlandira Matos, certamente o ouviu ou dele ouviu falar. Alto, bem-apessoado, aut\u00eantico <em>gentleman<\/em>, assediado pelas f\u00e3s, o que lhe rendeu muita confus\u00e3o com Dona Lulu, senhora dos estonteantes olhos azuis que mencionei, era pai de cinco filhos (os que vingaram): Eunice, Maria de Nazareth (\u201cNan\u00e1\u201d), Therezinha de Jesus, Raimundo e Marcos Vinicius Filho (\u201cMarquinho\u201d). Sou uma de suas netas.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns, vov\u00f4, pelo seu anivers\u00e1rio!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, 09.09.2010)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>POEMAS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O PORTEIRO<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sob t\u00eanue e d\u00fabia luz,<\/p>\n<p>entre pr\u00e9dios, paus e pedras,<\/p>\n<p>pap\u00e9is apressados e triste ladrar,<\/p>\n<p>caminha solit\u00e1rio o porteiro<\/p>\n<p>\u2013 porteiro da noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Passo inquieto, eterno esperar,<\/p>\n<p>olhar fugidio e instinto treinado,<\/p>\n<p>aperta a cruz e segue calado<\/p>\n<p>sob cortante e \u00e9brio a\u00e7oite,<\/p>\n<p>prossegue acuado o porteiro<\/p>\n<p>\u2013 porteiro do frio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sil\u00eancio errante perde o fasc\u00ednio:<\/p>\n<p>vozes e vultos emergem distantes,<\/p>\n<p>tenso supor de perigo latente<\/p>\n<p>a espalhar tr\u00eamulo torpor;<\/p>\n<p>horror da espera, conflito iminente,<\/p>\n<p>cedo aguarda, quieto o porteiro<\/p>\n<p>\u2013 porteiro do medo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cerco se faz na rua desnuda,<\/p>\n<p>desce a viol\u00eancia insana e v\u00e3:<\/p>\n<p>irm\u00e3 da droga, prima do \u00e1lcool;<\/p>\n<p>golpes e socos, animais em luta,<\/p>\n<p>gritando e gemendo em surda agonia;<\/p>\n<p>morte espreitando no canto da vida:<\/p>\n<p>cede o vento, a viol\u00eancia, o porteiro<\/p>\n<p>\u2013 porteiro da morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amanhece.<\/p>\n<p>Na pol\u00edcia, a ocorr\u00eancia;<\/p>\n<p>no jornal, a not\u00edcia;<\/p>\n<p>e para a rua marcada<\/p>\n<p>um novo porteiro:<\/p>\n<p>herdeiro da noite<\/p>\n<p>do frio<\/p>\n<p>do medo<\/p>\n<p>da morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do livro <em>Versos e anversos<\/em>, 2002)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>QUANDO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a \u00faltima luz se apagar<\/p>\n<p>a noite eterna ser\u00e1 meu sol<\/p>\n<p>as estrelas piscar\u00e3o no atol<\/p>\n<p>e eu l\u00e1, pequena, a cismar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a \u00faltima voz se calar<\/p>\n<p>ouvirei o sil\u00eancio dos ressentidos<\/p>\n<p>soltarei o grito engasgado dos contidos<\/p>\n<p>em meio \u00e0 solid\u00e3o do mar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o \u00faltimo perfume se esvair<\/p>\n<p>buscarei a fragr\u00e2ncia das flores<\/p>\n<p>com o cheiro de mil amores<\/p>\n<p>e me porei, surpresa, a sorrir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o \u00faltimo sabor se perder<\/p>\n<p>encontrarei o gosto da vida<\/p>\n<p>no doce aceno da partida<\/p>\n<p>e degustarei as del\u00edcias do ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o \u00faltimo toque se findar<\/p>\n<p>sentirei a chama que me consome<\/p>\n<p>apalparei a fr\u00e1gua da minha fome<\/p>\n<p>e descobrirei o verdadeiro lar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a \u00faltima porta se fechar<\/p>\n<p>daquele parapeito da janela do tempo<\/p>\n<p>verei a vida passar em contratempo<\/p>\n<p>e me olvidarei nas asas do sonhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do livro <em>Quando<\/em>: poesias, 2008)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MEDO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sou o beco escuro em noite sem luar<\/p>\n<p>Sou o rev\u00f3lver empunhado pronto a disparar<\/p>\n<p>Sou a voz sufocada que n\u00e3o consegue falar<\/p>\n<p>Sou o barco condenado que afunda em alto-mar<\/p>\n<p>Sou a \u00e1gua invasiva que n\u00e3o para de inundar<\/p>\n<p>Sou o mar portentoso prestes a encrespar<\/p>\n<p>Sou a pena que n\u00e3o escreve para n\u00e3o errar<\/p>\n<p>Sou o dedo que aponta para n\u00e3o se culpar<\/p>\n<p>Sou a m\u00e3o que conquista para n\u00e3o se curvar<\/p>\n<p>Sou o passado atormentado que n\u00e3o quer acabar<\/p>\n<p>Sou o presente ocupado que teima em faltar<\/p>\n<p>Sou o futuro incerto que amea\u00e7a chegar<\/p>\n<p>Sou a morte que n\u00e3o se esquece de matar<\/p>\n<p>Sou a vida que n\u00e3o se lembra de viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu sou<\/p>\n<p>e jamais deixarei de ser<\/p>\n<p>pois temer ou me ter<\/p>\n<p>\u00e9 pr\u00f3prio do ser humano<\/p>\n<p>que se diz sano<\/p>\n<p>em um mundo<\/p>\n<p>de vez em quando<\/p>\n<p>cada vez mais<\/p>\n<p>por vezes demais<\/p>\n<p>insano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do livro <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte<\/em>: poesias, 2012)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O N\u00c1UFRAGO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 espera do chamado, encharco o meu pensamento<\/p>\n<p>do que emerge de dentro, do que submerge de fora<\/p>\n<p>dos ventos que colho, das entranhas que alimento<\/p>\n<p>borbulham ideias no caos oceano do eu em mora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qual n\u00e1ufrago agarrado \u00e0 t\u00e1bua, \u00f3rf\u00e3o de seu barco<\/p>\n<p>contemplo as nuvens, que me ignoram e passam<\/p>\n<p>afundo sob os pedregulhos com que atiro e arco<\/p>\n<p>torno \u00e0 superf\u00edcie das \u00e1guas que sitiam e enla\u00e7am.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ah, quisera eu ser levada por ondas encrespadas<\/p>\n<p>\u00e0 ilha de Morus, do nunca e de depois-de-amanh\u00e3<\/p>\n<p>aonde assomam sereias que n\u00e3o querem ser fadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a chuva cai e os sonhos enrijecem no sangue<\/p>\n<p>a carruagem de Apolo procura os dom\u00ednios de P\u00e3<\/p>\n<p>e eu me debato embalde, e mergulho no mangue.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do livro <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte<\/em>: poesias, 2012)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O N\u00c1UFRAGO II<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do f<\/p>\n<p>o<\/p>\n<p>r<\/p>\n<p>t<\/p>\n<p>e da ilha<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>vislumbro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>os meus sonhos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>delirantes<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>a bordo de um barquinho<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>que se esvaece<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>p\u00a0\u00a0 o\u00a0\u00a0 u\u00a0\u00a0 c\u00a0\u00a0 o\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 a\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 p\u00a0\u00a0 o\u00a0\u00a0 u\u00a0\u00a0 c\u00a0\u00a0 o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>d\u00a0\u00a0 e\u00a0\u00a0 v\u00a0\u00a0 a\u00a0\u00a0 g\u00a0\u00a0 a\u00a0\u00a0 r<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>na extrema linha<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>do horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Do livro <em>O n\u00e1ufrago e a linha do horizonte<\/em>: poesias, 2012)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O N\u00c1UFRAGO III<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O n\u00e1ufrago<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00e9 o eu<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>cercado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>os lados\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0 de outrem<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>por todos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Da <em>Revista Poesia Sempre<\/em>: Pol\u00f4nia, Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, ano 15, n. 30, 2008)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>xxxxxxxxxx<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O N\u00c1UFRAGO VIII<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Navego pelas ondas de teu corpo<\/p>\n<p>sem saber que rochedos evitar<\/p>\n<p>sou uma errante vaga de teu anticorpo<\/p>\n<p>a explorar as profundezas do mar<\/p>\n<p>perto do <em>iceberg <\/em>que me afundar\u00e1<\/p>\n<p>se eu perder o controle do tim\u00e3o<\/p>\n<p>ou do bra\u00e7o que me oferecer\u00e1<\/p>\n<p>pequenas t\u00e1buas de salva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>quando alguma tormenta se avizinha<\/p>\n<p>busco o porto seguro de teu peito<\/p>\n<p>e a bujarrona n\u00e3o \u00e9 mais minha<\/p>\n<p>at\u00e9 o pr\u00f3ximo cora\u00e7\u00e3o desfeito<\/p>\n<p>as tuas veias sorvem o meu sangue<\/p>\n<p>e eu naufrago na tua imersa ilharga<\/p>\n<p>\u00e1gil volvo \u00e0 tona e repouso langue<\/p>\n<p>e confio a tuas m\u00e3os a carga<\/p>\n<p>refugio-me sob os teus ombros<\/p>\n<p>e guardo no seio os sonhos submersos<\/p>\n<p>agarro-me aos numerosos escombros<\/p>\n<p>que a mar\u00e9 acolheu e refez em versos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(Da revista italiana <em>Il Convivio<\/em>, ano 17, n. 66, 2016)<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-2118 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/01-1972-aproximadamente-Ana-crianca.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/01-1972-aproximadamente-Ana-crianca-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2534\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2534'>\n\t\t\t\t1972-Aproximadamente-Ana, quando crian\u00e7a.\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/02-1975-Aluna-do-Santa-Teresa.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/02-1975-Aluna-do-Santa-Teresa-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2535\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2535'>\n\t\t\t\t1975-Aluna do Santa Teresa\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/03-1983-Colegio-Itamarati-Instituto-Guanabara-Rio.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/03-1983-Colegio-Itamarati-Instituto-Guanabara-Rio-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2536\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2536'>\n\t\t\t\t1983-Col\u00e9gio Itamarati-Instituto Guanabara-Rio\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/04-1988-Letras-Formatura-UFMA5.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/04-1988-Letras-Formatura-UFMA5-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2537\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2537'>\n\t\t\t\t1988-Letras-Formatura-UFMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/05-1988-Letras-Formatura-UFMA6.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/05-1988-Letras-Formatura-UFMA6-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2538\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2538'>\n\t\t\t\t1988-Letras-Formatura-UFMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/06-1991-Equipe-de-Tenis-de-mesa-University-of-Oregon.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/06-1991-Equipe-de-Tenis-de-mesa-University-of-Oregon-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2539\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2539'>\n\t\t\t\t1991-Equipe de T\u00eanis de mesa-University of Oregon\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/07-1991-University-of-Oregon.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/07-1991-University-of-Oregon-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2540\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2540'>\n\t\t\t\t1991-University of Oregon\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/08-1993-Direito-Formatura-UFMA2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/08-1993-Direito-Formatura-UFMA2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2541\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2541'>\n\t\t\t\t1993-Direito-Formatura-UFMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/09-1993-Direito-Formatura-UFMA7.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/09-1993-Direito-Formatura-UFMA7-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2542\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2542'>\n\t\t\t\t1993-Direito-Formatura-UFMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/10-1993-Direito-Formatura-UFMA8.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/10-1993-Direito-Formatura-UFMA8-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2543\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2543'>\n\t\t\t\t1993-Direito-Formatura-UFMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/11-1993-Direito-Missa-de-formatura-UFMA.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/11-1993-Direito-Missa-de-formatura-UFMA-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2544\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2544'>\n\t\t\t\t1993-Direito Missa de formatura-UFMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/12-1994-Entrega-das-vestes-talares-Promotora-de-Justica-Palacio-Henrique-de-La-Rocque.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/12-1994-Entrega-das-vestes-talares-Promotora-de-Justica-Palacio-Henrique-de-La-Rocque-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2545\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2545'>\n\t\t\t\t1994-Entrega das vestes talares-Promotora de Justi\u00e7a-Pal\u00e1cio Henrique de La Rocque\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13-2002-Mestrado-UFMG.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/13-2002-Mestrado-UFMG-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2546\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2546'>\n\t\t\t\t2002-Mestrado-UFMG\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/14-2004-Posse-AMLJ2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/14-2004-Posse-AMLJ2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2547\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2547'>\n\t\t\t\t2004-Posse-AMLJ\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/15-2006-Doutorado-UFMG.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/15-2006-Doutorado-UFMG-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2548\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2548'>\n\t\t\t\t2006-Doutorado-UFMG\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/16-2008-Palestrante-sobre-crime-de-colarinho-branco-Membro-de-Honra-SBPJ-Porto-Alegre-RS.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/16-2008-Palestrante-sobre-crime-de-colarinho-branco-Membro-de-Honra-SBPJ-Porto-Alegre-RS-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2549\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2549'>\n\t\t\t\t2008-Palestrante sobre crime de colarinho branco-Membro de Honra-SBPJ-P. Alegre\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/17-2008-Posse-ACL2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/17-2008-Posse-ACL2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2550\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2550'>\n\t\t\t\t2008-Posse-ACL\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/f74535d9-a9d1-4d67-8955-0c98fcbf5264.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/f74535d9-a9d1-4d67-8955-0c98fcbf5264-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2586\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2586'>\n\t\t\t\t2009-Palestrante sobre crime organizado-USP\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/18-2010-Programa-do-Jo.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/18-2010-Programa-do-Jo-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2551\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2551'>\n\t\t\t\t2010-Programa do J\u00f4\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/19-2011-aproximadamente-Lancamento-de-livro-AMPEM.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/19-2011-aproximadamente-Lancamento-de-livro-AMPEM-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2552\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2552'>\n\t\t\t\t2011 Aproximadamente-Lancamento de livro-AMPEM\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/20-2011-Posse-Presidente-AMLJ.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/20-2011-Posse-Presidente-AMLJ-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2553\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2553'>\n\t\t\t\t2011-Posse-Presidente-AMLJ\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/21-2011-Posse-Socia-efetiva-IHGM.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/21-2011-Posse-Socia-efetiva-IHGM-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2554\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2554'>\n\t\t\t\t2011-Posse S\u00f3cia efetiva-IHGM\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/22-2011-Posse-Socia-efetiva-IHGM4.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/22-2011-Posse-Socia-efetiva-IHGM4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2555\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2555'>\n\t\t\t\t2011-Posse S\u00f3cia efetiva-IHGM\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/23-2014-Elogio-ao-patrono-ALL.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/23-2014-Elogio-ao-patrono-ALL-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2556\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2556'>\n\t\t\t\t2014-Elogio ao patrono-ALL\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/24-2014-Lancamento-de-livro.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/24-2014-Lancamento-de-livro-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2557\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2557'>\n\t\t\t\t2014-Lan\u00e7amento de livro\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/25-2014-Membro-honorario-APLJ-Joao-Pessoa-PB.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/25-2014-Membro-honorario-APLJ-Joao-Pessoa-PB-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2558\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2558'>\n\t\t\t\t2014-Membro honor\u00e1rio-APLJ-Jo\u00e3o Pessoa-PB\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/26-2014-Palestrante-sobre-Batalha-de-Guaxenduba-IHGM-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/26-2014-Palestrante-sobre-Batalha-de-Guaxenduba-IHGM-AML-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2559\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2559'>\n\t\t\t\t2014-Palestrante sobre Batalha de Guaxenduba-IHGM-AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/27-2014-Premio-literario-Sicilia-Italia.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/27-2014-Premio-literario-Sicilia-Italia-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2560\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2560'>\n\t\t\t\t2014-Pr\u00eamio liter\u00e1rio-Sicilia-It\u00e1lia\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/28-2015-Lancamento-de-antologia-Forte-de-Copacabana2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/28-2015-Lancamento-de-antologia-Forte-de-Copacabana2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2561\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2561'>\n\t\t\t\t2015-Lan\u00e7amento de antologia-Forte de Copacabana\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/29-2015-Mencao-honrosa-Premio-Pedro-Calmon-2014-IHGB-Rio.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/29-2015-Mencao-honrosa-Premio-Pedro-Calmon-2014-IHGB-Rio-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2562\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2562'>\n\t\t\t\t2015-Men\u00e7\u00e3o honrosa-Pr\u00eamio Pedro Calmon 2014-IHGB-Rio\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/30-2015-Posse-Membro-titular-PEN-Clube-do-Brasil-Rio4.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/30-2015-Posse-Membro-titular-PEN-Clube-do-Brasil-Rio4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2563\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2563'>\n\t\t\t\t2015-Posse-Membro titular-PEN Clube do Brasil-Rio\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/31-2015-Premio-Literario-Nacional-PEN-Clube-do-Brasil-categoria-Ensaio-Rio2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/31-2015-Premio-Literario-Nacional-PEN-Clube-do-Brasil-categoria-Ensaio-Rio2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2564\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2564'>\n\t\t\t\t2015-Pr\u00eamio Liter\u00e1rio Nacional PEN Clube do Brasil-categoria Ensaio-Rio\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2565\" srcset=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA-275x275.jpg 275w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/32-2015-Professora-de-especializacao-Turma-de-Cultura-e-Criminologia-Comparada-IUA.jpg 790w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2565'>\n\t\t\t\t2015-Professora de especializa\u00e7\u00e3o-Turma de Cultura e Criminologia Comparada-IUA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/33-2016-Eleicao-para-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/33-2016-Eleicao-para-AML-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2566\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2566'>\n\t\t\t\t2016-Elei\u00e7\u00e3o para AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/34-2016-Escritora-homenageada-1-FLAEMA.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/34-2016-Escritora-homenageada-1-FLAEMA-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2567\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2567'>\n\t\t\t\t2016-Escritora homenageada-1\u00aa FLAEMA\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/35-2016-Premio-Excelencia-e-Qualidade-Brasil-Comendadora-Braslider-Sao-Paulo-SP.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" 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alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2569\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2569'>\n\t\t\t\t2016-Trof\u00e9u Latin American Quality Institute-M\u00e9xico\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/37-2016-Trofeu-Latin-American-Quality-Institute-Mexico6.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/37-2016-Trofeu-Latin-American-Quality-Institute-Mexico6-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2570\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2570'>\n\t\t\t\t2016-Trof\u00e9u Latin American Quality Institute-M\u00e9xico\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/38-2016-Trofeu-2-lugar-Concurso-Sem-Fronteiras-categoria-Verso-Blumenau-SC.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/38-2016-Trofeu-2-lugar-Concurso-Sem-Fronteiras-categoria-Verso-Blumenau-SC-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2571\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2571'>\n\t\t\t\t2016-Trof\u00e9u lugar-Concurso Sem Fronteiras-categoria Verso-Blumenau-SC\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/39-2017-Palestrante-sobre-crime-organizado-Universidad-de-Salamanca-Espanha.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/39-2017-Palestrante-sobre-crime-organizado-Universidad-de-Salamanca-Espanha-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2572\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2572'>\n\t\t\t\t2017-Palestrante sobre crime organizado-Universidad de Salamanca-Espanha\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/41-2017-Posse-Membro-correspondente-IHGSC-Florianopolis-SC3.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" 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class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/45-2017-Posse-AML4.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/45-2017-Posse-AML4-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-2578\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-2578'>\n\t\t\t\t2017-Posse-AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/46-2017-Posse-AML9.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/46-2017-Posse-AML9-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" 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