{"id":208,"date":"2014-03-26T13:54:43","date_gmt":"2014-03-26T13:54:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=208"},"modified":"2014-09-22T09:29:33","modified_gmt":"2014-09-22T09:29:33","slug":"laura-amelia-damous-duailibe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/laura-amelia-damous-duailibe\/","title":{"rendered":"Laura Am\u00e9lia Damous Duailibe"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Nasceu a 10 de abril de 1945 em Turia\u00e7u-MA. Filha de Jamil Miguel Damous e Dolores Estrela Damous. Em S\u00e3o Lu\u00eds estudou no Col\u00e9gio Santa Teresa, de onde saiu como professora normalista. Cursou Filosofia na Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Ocupou cargos em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ligados a atividades culturais. Foi Diretora do Teatro Arthur Azevedo, Superintendente de Interioriza\u00e7\u00e3o da Cultura, e Secret\u00e1ria de Estado da Cultura, entre 1987 e 1989, quando desenvolveu o programa de municipaliza\u00e7\u00e3o da cultura, respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o de 36 Secretarias Municipais de Cultura, revitaliza\u00e7\u00e3o e inaugura\u00e7\u00e3o do Centro de Criatividade Odylo Costa, filho. Foi ainda Subchefe da Casa Civil do Governo do Maranh\u00e3o. Atualmente, exerce o cargo de Gestora de Programas Especiais da Casa Civil do Governo do Estado. Integrou o Conselho Estadual da Cultura, quando Secret\u00e1ria de Estado da Cultura.<\/p>\n<p>Entre outras distin\u00e7\u00f5es, recebeu as seguintes comendas do Governo do Estado do Maranh\u00e3o: Medalha do M\u00e9rito Timbira, Medalha do M\u00e9rito Gr\u00e3-Cruz da Ordem Timbira, Medalha do M\u00e9rito Cultural Jo\u00e3o Lisboa e Medalha Comemorativa aos 400 anos de S\u00e3o Lu\u00eds. Foi agraciada com Medalha Comemorativa 400 anos de S\u00e3o Lu\u00eds pela Assembleia Legislativa do Maranh\u00e3o. Professora Honoris Causa da Faculdade de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Sua obra, como escritora, \u00e9 inteiramente dedicada \u00e0 poesia, j\u00e1 havendo publicado os seguintes livros: <em>Brev\u00edssima can\u00e7\u00e3o do amor constante<\/em>, S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1987; <em>Traje de luzes<\/em>, S\u00e3o Lu\u00eds: Sioge, 1993; <em>Cimitarra<\/em>, S\u00e3o Lu\u00eds: UEMA, 2001; <em>Arabesco<\/em>, 2010. \u00a0<em>Invent\u00e1rio dos sentidos: poesia reunida.<\/em> S\u00e3o Lu\u00eds: Editora 360\u00ba, 2013.<\/p>\n<p style=\"color: #000000;\">Participa da antologia <em>Poesia maranhense no s\u00e9culo XX<\/em>, organizada por Assis Brasil (Rio de Janeiro\/S\u00e3o Lu\u00eds: Imago\/Sioge, 1994) e do <em>Dicion\u00e1rio cr\u00edtico de escritoras brasileiras<\/em>, de Nelly Novaes Coelho (S\u00e3o Paulo: Escrituras Editora, 2002), dentre outras.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<p style=\"color: #000000;\">Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Posse<\/h1>\n<p>Excelent\u00edssimo Senhor Governador Jos\u00e9 Reinaldo Carneiro Tavares e sua digna esposa Alexandra Tavares,<br \/>\nDign\u00edssimas autoridades aqui presentes ou representadas,<br \/>\nSenhor Presidente da Academia Maranhense de Letras, escritor Jomar Moraes,<br \/>\nSenhores Acad\u00eamicos, que a partir de hoje ser\u00e3o meus confrades,<br \/>\nSenhoras e Senhores convidados:<\/p>\n<p>Com este ato de posse, que n\u00e3o ser\u00e1 apenas formal e solene, mas tamb\u00e9m, e principalmente, um ato fundador e efetivo, desejo concelebrar solenemente com todos os membros desta Casa e perante esta seleta assembleia de convidados, entre os quais vejo tantas pessoas queridas \u2013 e at\u00e9 muitas que aqui n\u00e3o est\u00e3o fisicamente, mas que sinto presentes e felizes, na sublime dimens\u00e3o dos que sobrepairam em esp\u00edrito e verdade \u2013 desejo concelebrar, dizia, meu compromisso de n\u00e3o somente <em>estar,<\/em> mas de <em>ser<\/em> acad\u00eamica, pela espont\u00e2nea e fiel observ\u00e2ncia do que necess\u00e1rio para s\u00ea-lo em plenitude.<\/p>\n<p>Neste ano, em que a Academia atinge o nonag\u00e9simo quinto anivers\u00e1rio de sua funda\u00e7\u00e3o, fato que j\u00e1 nos coloca nas antev\u00e9speras das festividades do Centen\u00e1rio, venho sentar-me entre v\u00f3s, senhores acad\u00eamicos, para reafirmar o pacto solenizado em princ\u00edpios do s\u00e9culo passado, justamente neste sal\u00e3o, pelos doze fundadores pioneiros que, sacerdotes de uma nova religi\u00e3o, juraram por si mesmos e em nome das gera\u00e7\u00f5es futuras, que o candelabro de quarenta chamas votivas, ent\u00e3o feito luzeiro de certezas e esperan\u00e7as, jamais se apagaria, gra\u00e7as ao instituto das\u00a0sucess\u00f5es, que existe para repor as velas que, transformadas em estrelas, foram luzir nas constela\u00e7\u00f5es de outros c\u00e9us. E foram, n\u00e3o porque de n\u00f3s se desligaram, mas para que, l\u00e1 do alto, mais e melhor nos orientem a caminhada, inundando de luz nossos caminhos.<\/p>\n<p>Diante de mim, a Cadeira N\u00b0 6, a cuja hist\u00f3ria se ligam particularmente quatro grandes vultos da cultura maranhense. Entre o patrono e meu antecessor imediato, sobre os quais me deterei, estas palavras de respeitosa evoca\u00e7\u00e3o ao fundador e ao segundo ocupante, ambos idealistas, insatisfeitos com um mundo que desejavam transformar para melhor. Ambos sonhadores, inquietos e, portanto, figuras proativas, que haveriam de tamb\u00e9m ser poetas. E de fato o foram. Nos tempos agitados da d\u00e9cada de 30, exerceram o governo do Estado. E na mesma ordem em que ocuparam o Pal\u00e1cio dos Le\u00f5es, chegaram \u00e0 Academia, para se fazerem titulares da Cadeira que a partir desta noite passo a ocupar.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 chegado o momento de dizer que me estou referindo ao general Jos\u00e9 Luso Torres, que manejava a pena de fino e fluente cronista com a mesma compet\u00eancia com que dominava as armas de sua profiss\u00e3o oficial, e ao c\u00f4nsul Jos\u00e9 Maria dos Reis Perdig\u00e3o, jornalista veemente, de estilo t\u00e3o vibrante qual sua orat\u00f3ria patrioticamente incendi\u00e1ria, e homem de grande coragem pessoal.<\/p>\n<p>Luso Torres, ex\u00edmio sonetista, se foi o epigram\u00e1tico autor dos sonetos-perfis de <em>Chapas,<\/em> tamb\u00e9m foi o elegante estilista de <em>currente calamo,<\/em> livro em que reuniu uma sele\u00e7\u00e3o de cr\u00f4nicas anteriormente publicadas na <em>Pacotilha,<\/em> e que n\u00e3o eram textos ligeiros ou escritos sem cuidado ou medita\u00e7\u00e3o, mas profundas reflex\u00f5es de um observador atento e privilegiado.<\/p>\n<p>Desse veio algo pl\u00e1cido e sereno que era Luso Torres, ao tratar com delicadeza e eleg\u00e2ncia os seus temas, diferia radicalmente Reis Perdig\u00e3o lidando com as labaredas crepitantes de seu <em>Da fornalha de Nabucodonozor,<\/em> livro escrito no ex\u00edlio argentino. Era ele um aut\u00eantico her\u00f3i brasileiro. E her\u00f3i dotado de todo car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Lembremos o Patrono, o nome tutelar da Cadeira N\u00b0 6.<\/p>\n<p>Frederico Jos\u00e9 Corr\u00eaa, maranhense de Caxias, onde nasceu a 18 de dezembro de 1817, era, como toda a gente, bacharel em Direito, para repetir a <em>boutade<\/em> c\u00e9lebre de E\u00e7a de Queiroz. Mas repeti-la, n\u00e3o para falar de um bacharel qualquer, como E\u00e7a n\u00e3o foi, nem Frederico Jos\u00e9 Corr\u00eaa seria jamais. Logo ele, que pelos profundos conhecimentos acumulados sedimentou vasta cultura human\u00edstica em raz\u00e3o da qual possu\u00eda saber de jurisconsulto, tiroc\u00ednio de advogado que lhe permitiu manter uma das bancas mais concorridas de seu tempo em S\u00e3o Lu\u00eds, conhecimento das grandes literaturas modernas e da Antiguidade cl\u00e1ssica, dom\u00ednio da pol\u00edtica por seus fundamentos filos\u00f3ficos, al\u00e9m de ter feito, nesse campo, um aprendizado pr\u00e1tico e progressivo: primeiramente, vereador em sua cidade natal, de cuja C\u00e2mara Municipal foi presidente. Depois, deputado provincial em repetidas legislaturas, vice-presidente da Prov\u00edncia, cujo governo exerceu, comandante superior da Guarda Nacional, em S\u00e3o Lu\u00eds e titular, por seguidos anos, da Procuradoria Fiscal da Fazenda Provincial.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed o resumo da vida p\u00fablica de Frederico Jos\u00e9 Corr\u00eaa, que no plano intelectual propriamente dito desempenhou papel dos mais relevantes.<\/p>\n<p>Graduado pela famosa Escola de Direito de Pernambuco, quando ela ainda era sediada em Olinda, integrou a turma de bachar\u00e9is de 1840. Por essa \u00e9poca, o Romantismo palidamente anunciado entre n\u00f3s pelos <em>Suspiros po\u00e9ticos e saudades,<\/em> de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, era uma novidade que pairava no ar, \u00e0 espera de outro Gon\u00e7alves que viria a ser seu primeiro grande expoente: o nosso Gon\u00e7alves Dias, cujo livro de estreia, <em>Primeiros cantos,<\/em> circulou no in\u00edcio de 1847, e que, pelo extraordin\u00e1rio sucesso que logo alcan\u00e7ou, de norte a sul do pa\u00eds, produziu forte impress\u00e3o nos esp\u00edritos, inclusive no de Frederico Jos\u00e9 Corr\u00eaa, levando-o a publicar, no ano seguinte, um volume de t\u00edtulo algo rebarbativo e de conte\u00fado que n\u00e3o o confirmava: <em>Inspira\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas.<\/em> Foram as <em>Inspira\u00e7\u00f5es,<\/em> repito, \u00e9 for\u00e7oso diz\u00ea-lo, um mau primeiro passo na vida liter\u00e1ria, sobretudo para quem, contando trinta e um anos de idade, j\u00e1 n\u00e3o era um jovem, para os padr\u00f5es da \u00e9poca, e que, dotado de esp\u00edrito cr\u00edtico, n\u00e3o o teve em grau suficiente para exerc\u00ea-lo quanto a si mesmo. \u00c9 de crer que, por esse livro e por outros que no g\u00eanero viesse a publicar, Frederico Jos\u00e9 Corr\u00eaa jamais seria al\u00e7ado \u00e0 Galeria dos Patronos da Academia.<\/p>\n<p>Mas o cr\u00edtico que nele havia orientou-o para outros dom\u00ednios nos quais sua voca\u00e7\u00e3o mais adequadamente se realizou. Ao lado de algumas tradu\u00e7\u00f5es, vieram <em>Pensamentos e m\u00e1ximas, <\/em>em 1865, e <em>Medita\u00e7\u00f5es,<\/em> em 1874, livros onde demonstra admir\u00e1vel capacidade de refletir acerca de palpitantes problemas de seu tempo. J\u00e1 o fil\u00f3logo que tinha da l\u00edngua portuguesa uma vis\u00e3o equilibrada, que rejeitava estrangeirismos desnecess\u00e1rios, mas reconhecia a imperiosa necessidade de certas importa\u00e7\u00f5es, revelou-se no <em>Novo gloss\u00e1rio das palavras e frases viciosas introduzidas no portugu\u00eas e de outras que a necessidade reclama.<\/em> Este seu \u00faltimo livro, editado em 1880, portanto um ano antes do falecimento do autor, anuncia, no longo t\u00edtulo autoexplicativo, a maturidade do mestre encanecido em aturados estudos da l\u00edngua, e em raz\u00e3o dos quais aprendeu a defend\u00ea-la com ardor, por\u00e9m sem engess\u00e1-la sob o guante de uma xenofobia m\u00edope e empobrecedora.<\/p>\n<p>A essa altura, o cr\u00edtico arguto e dotado dos indispens\u00e1veis instrumentos para o exerc\u00edcio de sua miss\u00e3o, j\u00e1 se revelara atrav\u00e9s de <em>Um livro de cr\u00edtica<\/em>, editado em 1878. Trata-se de um trabalho corajoso e que, por haver aparecido h\u00e1 exatos 125 anos, \u00e9 hoje muito raro e de dif\u00edcil acesso aos interessados.<\/p>\n<p>Estou confiante, senhor Presidente da Academia, em seu prop\u00f3sito de reeditar brevemente <em>Um livro de cr\u00edtica,<\/em> a fim de que as ideias nele esposadas voltem a circular entre n\u00f3s, para que sejam reavaliadas. Esse livro, como \u00e9 sabido, investe contra o <em>Panteon maranhense<\/em> e seu autor, Ant\u00f4nio Henriques Leal, cognominado o Plutarco Maranhense. O <em>Panteon,<\/em> pelo fato de reunir dezenove biografias de grandes figuras do chamado Grupo Maranhense, entre os quis releva citar Odorico Mendes, Sotero dos Reis, Jo\u00e3o Francisco Lisboa e Gon\u00e7alves Dias, \u00e9 um \u00edcone da cultura maranhense. E, como verdadeiro Panteon que \u00e9, encerra, com as honras devidas, eternos padr\u00f5es de gl\u00f3ria de que muito se orgulha nosso povo.<\/p>\n<p>Agora, meu antecessor imediato, Eloy Coelho Netto. Ele \u00e9 autor de um pequeno-grande livro, por sinal o \u00faltimo dos doze que publicou. Livro cujo subt\u00edtulo se ajustaria \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o a uma biografia que dele se escrevesse. Falo de uma biografia do Ap\u00f3stolo Paulo, que tem por subt\u00edtulo <em>Homem e santo.<\/em> Essa, a s\u00edntese da imagem que dele guardo: a de um homem como todos os demais, por\u00e9m dotado das virtuosas qualidades que somente os revestidos de beatitude, e at\u00e9 de santidade, possuem.<\/p>\n<p>Filho \u00fanico de ricos fazendeiros do sert\u00e3o maranhense, muito cedo entendeu que havia outra riqueza a conquistar e amealhar como patrim\u00f4nio maior: a riqueza do saber, que foi amealhando em estabelecimentos educacionais de sua cidade natal, Balsas, de Carolina, de S\u00e3o Lu\u00eds e de Fortaleza.<\/p>\n<p>Na capital cearense, deteve-se para concluir o Curso M\u00e9dio e para graduar-se em Direito. E enquanto l\u00e1 permaneceu, nos anos juvenis da vida universit\u00e1ria, fez-se professor, lecionando portugu\u00eas no Gin\u00e1sio Farias de Brito. N\u00e3o por necessidade de suprir car\u00eancias materiais, jovem rico\u00a0que era, mas pela necessidade de repartir com os semelhantes o p\u00e3o do saber, sublime e essencial. E tamb\u00e9m como oportuna prepara\u00e7\u00e3o ao magist\u00e9rio, que ele, para tal labor vocacionado, iria exercer, de volta \u00e0 terra do nascimento, no Gin\u00e1sio Balsense, que ajudou a fundar e tamb\u00e9m dirigiu.<\/p>\n<p>O educador que deu a essa atividade o sentido de miss\u00e3o a ser cumprida, revelou-se, ainda, incans\u00e1vel e obstinado, quando \u00e0 frente da diretoria maranhense da Campanha Nacional de Educand\u00e1rios Gratuitos, quando professor de Direito Constitucional da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, e no exerc\u00edcio do cargo de secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura. Tamb\u00e9m secret\u00e1rio de Governo e do Interior e Justi\u00e7a de nosso Estado, passou por esses distinguidos cargos deixando uma trajet\u00f3ria de dignidade e compet\u00eancia exemplares.<\/p>\n<p>O un\u00e2nime testemunho que recolhi de muitos que com ele conviveram nesta Casa \u00e9 consagrador: homem fraterno, de esp\u00edrito conciliador, cooperativo, amava realmente a Academia, a cujas sess\u00f5es sempre esteve presente, mesmo j\u00e1 em dias de sa\u00fade muito abalada, quando nem sempre podia permanecer at\u00e9 o final dos trabalhos. Mas o gosto de estar aqui, entre seus confrades, motivava dona Jesus a acompanh\u00e1-lo e a ficar pacientemente esperando pelo tempo que lhe fosse poss\u00edvel permanecer.<\/p>\n<p>Dona Jesus, sua sol\u00edcita e constante companheira, que me honra com sua presen\u00e7a nesta noite, pelo que muito afetuosamente agrade\u00e7o, bem assim a todos os familiares de Eloy Coelho Netto, cuja mem\u00f3ria haverei de honrar, porque reconhe\u00e7o nele o homem de letras que retratou no romance <em>Arrozais em festa<\/em> uma etapa do desenvolvimento agr\u00edcola de Balsas, que a cantou em poemas, e que fez, com a <em>Geo-hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o,<\/em> a pioneira inser\u00e7\u00e3o do sul do Estado em nossos\u00a0estudos sobre a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><em>A m\u00e3o do poema<br \/>\n<\/em><em>\u00e9 a que me cabe<br \/>\ninteira. A outra, eu a<br \/>\ncarrego pesada e<br \/>\nalheia.<\/em><\/p>\n<p>E \u00e9 fiel \u00e0 m\u00e3o do poema, que escrevo este breve louvor \u00e0 poesia, sem nenhuma outra pretens\u00e3o, a n\u00e3o ser dividir com todos o contentamento que sentimos quando somos tocados por uma emo\u00e7\u00e3o especial. Este \u00e9 o dia em que se celebra a poesia, em meio ao reconhecimento e agradecimento pela honra e distin\u00e7\u00e3o que os senhores membros desta Casa me concederam, ao trazer-me para este conv\u00edvio enriquecedor e fraterno.<\/p>\n<p>O tratado de Arist\u00f3teles, <em>Po\u00e9tica,<\/em> de onde procede toda reflex\u00e3o sobre os g\u00eaneros liter\u00e1rios, abst\u00e9m-se de descrever em detalhes uma forma original que seria, em simetria com a narrativa ou com o teatro, algo de equivalente \u00e0 <em>Poesia<\/em>, no sentido moderno da palavra. Os dois grandes modos liter\u00e1rios, o dram\u00e1tico e o narrativo, encontravam uma express\u00e3o, indiferentemente, na prosa e no verso. Ou melhor, sendo a <em>prosa<\/em> relativamente rara na Antiguidade, seria vi\u00e1vel dizer que, para os antigos toda forma liter\u00e1ria \u00e9 <em>po\u00e9tica: <\/em>a palavra po\u00e9tica, do verbo <em>poiein<\/em>, do grego, <em>fabricar<\/em>, <em>construir<\/em>, <em>criar<\/em>, <em>produzir,<\/em> deu-nos a s\u00e9rie lexical <em>po\u00edesis<\/em> (poesia), <em>poietik\u00f3s<\/em> (po\u00e9tica), <em>po\u00edema<\/em> (poema), <em>poiet\u00e9s<\/em> (poeta).<\/p>\n<p>A palavra <em>poesia<\/em> tendeu muito rapidamente a especializar-se numa acep\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, mas tamb\u00e9m se pode aplicar a qualquer tipo de fabrica\u00e7\u00e3o ou constru\u00e7\u00e3o concreta. Em todo caso, ela \u00e9 empregada com um ep\u00edteto que indica sua caracteriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em literatura, prosa tr\u00e1gica, poesia \u00e9pica, l\u00edrica, e demais.<\/p>\n<p>No interior da poesia encontram-se distinguidos tr\u00eas g\u00eaneros mim\u00e9ticos: a trag\u00e9dia, a epopeia e a com\u00e9dia. Mas nada que designe uma escrita espec\u00edfica baseada na utiliza\u00e7\u00e3o\u00a0do verso. Arist\u00f3teles, na <em>Po\u00e9tica,<\/em> contesta a pertin\u00eancia <em>axiom\u00e1tica<\/em> do metro: \u201cN\u00e3o saber\u00edamos, de fato, designar por um termo comum [&#8230;] as imita\u00e7\u00f5es que se podem fazer com a ajuda do tr\u00edmetros, de metros eleg\u00edacos ou de outros metros do mesmo g\u00eanero.\u201d E \u00e9 Arist\u00f3teles quem explica ainda que, tanto Homero quanto Emp\u00e9docles utilizam, ambos, o metro, mas \u00e9 Homero que pode ser justamente chamado de poeta, ao passo que o outro, Emp\u00e9docles, deve ser chamado de \u201cnaturalista\u201d, por\u00e9m por motivos que n\u00e3o dizem respeito \u00e0 forma de sua escrita, mas ao seu conte\u00fado. E mais adiante, ele diz: \u201cA diferen\u00e7a entre o historiador e o poeta n\u00e3o se deve ao fato de que um se exprime em versos e o outro em prosa; mas a diferen\u00e7a vem do fato que um diz o que ocorreu, e outro, aquilo que podemos esperar que ocorra.\u201d<\/p>\n<p>O reconhecimento da poesia que \u00e9 formulada por esse texto, em ruptura com o julgamento negativo de Plat\u00e3o, que, no Livro III de <em>A rep\u00fablica,<\/em> expulsa o poeta da cidade, sob pretexto de que ele d\u00e1 uma imagem falsa da realidade, n\u00e3o deve desprezar algo essencial: que a poesia n\u00e3o parece, no que diz respeito \u00e0 sua forma, merecer constituir um g\u00eanero aut\u00f4nomo. Se ele vem insinuar-se nos moldes identific\u00e1veis que s\u00e3o a epopeia, a trag\u00e9dia ou o ditirambo, ela perde, nessa alian\u00e7a, toda caracter\u00edstica de originalidade. Mas quando ela se exprime diferentemente, ou seja, n\u00e3o nesses g\u00eaneros, ela escapa ao car\u00e1ter mim\u00e9tico e, assim, exclui-se, como a hist\u00f3ria, do campo da po\u00e9tica.<\/p>\n<p>A maneira de reintroduzir a poesia no esquema de uma teoria de g\u00eaneros far-se-\u00e1 por uma via diferente daquela seguida por Arist\u00f3teles. Posto que a refer\u00eancia ao metro n\u00e3o \u00e9, pelo menos, na Antiguidade, realmente pertinente e que, da mesma forma, a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mimese anula qualquer probabilidade de isolar uma forma original, \u00e9 em oposi\u00e7\u00e3o a esta \u00faltima lei que vai se constituir um <em>terceiro partido<\/em> (Genette) no qual v\u00e3o se federar \u201ctodas as esp\u00e9cies de poemas n\u00e3o mim\u00e9ticos.\u201d Tomando-se ele pr\u00f3prio como assunto, o poeta abordava o dom\u00ednio da imita\u00e7\u00e3o da realidade em troca daquele da introspec\u00e7\u00e3o individual. Essa tend\u00eancia liter\u00e1ria que negligencia a atitude de tomar o mundo como modelo, que parece traduzir, de maneira incontrolada, a interioridade do criador e reproduzir uma fala que ele dirige a si mesmo, corresponde \u00e0quilo que chamamos de lirismo. Desde ent\u00e3o, vai-se impor o h\u00e1bito de introduzir essa forma num paradigma est\u00e9tico com tr\u00eas entradas poss\u00edveis, cujas caracter\u00edsticas s\u00e3o lembradas por Stephen Dedalus, o her\u00f3i de Joyce. Diz ele:<\/p>\n<p><em>A forma l\u00edrica, em que o artista apresenta sua imagem numa rela\u00e7\u00e3o imediata consigo mesmo; a forma \u00e9pica, em que ele apresenta sua imagem numa rela\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria dele mesmo com os outros; a forma dram\u00e1tica, em que ele apresenta sua imagem numa rela\u00e7\u00e3o imediata com os outros.<\/em><\/p>\n<p>O texto po\u00e9tico encerra em si mesmo sua finalidade, que \u00e9 causar emo\u00e7\u00e3o. E cumpre-a plenamente, na medida em que dota palavras muitas vezes comuns, e at\u00e9 desgastadas, de um sentido novo que as imanta de beleza e originalidade. De originalidade e de beleza altamente potencializadas e, portanto, capazes de instaurar uma verdade est\u00e9tica fundada num c\u00f3digo que lhe \u00e9 espec\u00edfico. Ao lermos, por exemplo, o verso de Augusto dos Anjos, \u201cMeu cora\u00e7\u00e3o tem catedrais imensas\u201d, somos envolvidos de emo\u00e7\u00e3o por sua beleza e, ao contr\u00e1rio de especular se uma catedral cabe num cora\u00e7\u00e3o, naturalmente atentamos para a for\u00e7a da imagem, que, al\u00e9m de original, \u00e9 concisa, e diz, em t\u00e3o poucas palavras, mais e melhor do que uma p\u00e1gina inteira poderia dizer.<\/p>\n<p>A poesia se diferencia das outras express\u00f5es lingu\u00edsticas por uma dosagem mais forte de fun\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. Ela \u00e9, antes de mais nada, trabalho sobre a linguagem; ela \u00e9 ornamento\u00a0gratuito que se desvia do falar comum, da linha reta, do caminho regular. Paul Val\u00e9ry dizia:<\/p>\n<p><em>O poema n\u00e3o morre por ter vivido: ele \u00e9 feito expressamente para renascer das suas cinzas e tornar-se de novo indefinidamente aquilo que acabou de ser. A poesia \u00e9 reconhecida por essa propriedade que consiste em tender a se reproduzir em sua forma: ela nos incita a reconstitu\u00ed-la identicamente. Eis a\u00ed uma propriedade admir\u00e1vel e, entre todas, a mais caracter\u00edstica.<\/em><\/p>\n<p>Sabe-se que Mallarm\u00e9, admirado e comentado por Val\u00e9ry, sonhava com uma l\u00edngua original que, liberta das necessidades pr\u00e1ticas, pudesse se oferecer ao uso po\u00e9tico numa virgindade absoluta. Ele preparava, assim, todas as transgress\u00f5es da poesia moderna em busca de uma forma brilhante visivelmente liberta da necessidade de sentido pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, em se falando de poesia, calar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do nascimento dos poemas. Segundo a an\u00e1lise tradicional, contrariamente ao que se passa no caso dos g\u00eaneros narrativo ou dram\u00e1tico, a poesia n\u00e3o procede de uma vontade refletida do autor. Preocupados em defender esse car\u00e1ter de excesso, de transbordamento, \u201co desregramento dos sentidos\u201d evocado por Rimbaud, os te\u00f3ricos aplicaram-se em atribuir uma dimens\u00e3o m\u00e1gica \u00e0 fala po\u00e9tica. Nesse esfor\u00e7o, foi-lhes de grande valia um di\u00e1logo de Plat\u00e3o, o <em>\u00cdon<\/em>, no qual o fil\u00f3sofo associa o ato po\u00e9tico a uma esp\u00e9cie de <em>f\u00faria sagrada<\/em>, tamb\u00e9m nomeada, no sentido forte, de <em>entusiasmo.<\/em> \u201cO poeta \u00e9 coisa leve, coisa alada, coisa santa, e ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de criar at\u00e9 o momento em que se torne um homem habitado por um deus, at\u00e9 o momento em que tenha perdido a cabe\u00e7a e que seu pr\u00f3prio esp\u00edrito n\u00e3o lhe perten\u00e7a mais\u201d (<em>\u00cdon<\/em> \u2013 Plat\u00e3o).<\/p>\n<p>Sei que \u00e9 mais do confrade Am\u00e9rico Azevedo Neto a miss\u00e3o de falar de minhas atividades liter\u00e1rias e do poss\u00edvel valor que elas tenham.<\/p>\n<p>Desejo, por\u00e9m, pedir-vos permiss\u00e3o, senhoras e senhores, para algumas evoca\u00e7\u00f5es de natureza \u00edntima e sentimental.<\/p>\n<p>Posto assim, venho tentar compor, recompor, achar a nascente do meu caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Poesia, e que como b\u00fassola norteia, permeia a minha vida, de maneira irresist\u00edvel e fundamental.<\/p>\n<p>Em poema de refinada execu\u00e7\u00e3o barroca, Rapsodia para el Mulo, o poeta cubano Lezama Lima, alegorizou a figura do poeta com a figura de um animal obstinado e enceguecido que marcha em dire\u00e7\u00e3o ao abismo. Como o poeta, o mulo padece em sua marcha, mas resiste at\u00e9 cumprir o seu destino: encarar o abismo.<\/p>\n<p>Que destino ser\u00e1 este, de onde veio, quanta for\u00e7a trouxe consigo, que determinou um certo momento da minha vida em que, confusa e atordoada entre a necessidade de escrever o que sentia e as obriga\u00e7\u00f5es e atribui\u00e7\u00f5es do meu cotidiano, vi-me impelida a come\u00e7ar esta marcha obstinada, onde longos sil\u00eancios foram impostos, sofridos retornos escavados; enfim, sempre um abismo a ser habitado, preenchido, vivenciado? Ao fazer essas perguntas, v\u00eam-me os versos de Cec\u00edlia Meireles: \u201ce nesse abismo do meu sonho,\/ alheia a todo outro desejo\/ me decomponho e recomponho\u201d.<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o remontar esta constata\u00e7\u00e3o, sem buscar o tempo da minha inf\u00e2ncia em Turia\u00e7u, onde nasci festejada pelos meus pais, meus tios, meus av\u00f3s, n\u00e3o sem decepcionar o meu av\u00f4 Miguel Damous, que, ao saber do meu nascimento, imediatamente diminuiu o tamanho do meu \u201cdote\u201d de doze para seis cabe\u00e7as de gado, visto que, como todo bom liban\u00eas, preferia um homem como primeiro neto. Mas o que perdi, se\u00a0assim se pode falar, em cabe\u00e7as de gado, ganhei em cora\u00e7\u00f5es generosos, inclusive o dele, cheios de amor e carinhosa aten\u00e7\u00e3o, que se estendeu a toda a minha rica inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Turia\u00e7u e seus cheiros: cheiro de castanha assada de caju, cheiro de figos maduros que papai cuidadosamente empacotava em saquinhos de tecido, cheiro do jardim de mam\u00e3e, que quanto mais chovia, mais cheirava. Turia\u00e7u dos pombos dos meus av\u00f3s paternos Miguel e Am\u00e9lia, que \u00e0s tardinhas revoavam o <em>flamboyant<\/em> avistado do banco de pedra da cal\u00e7ada da tia Olga. Turia\u00e7u das hist\u00f3rias do meu pai, da sua viagem ao L\u00edbano, ao Egito, e do boi Sult\u00e3o, que na minha fantasia era um corajoso camelo a desafiar o deserto da nossa fazenda Bonfim, em Capoeira Grande. Turia\u00e7u onde os meus irm\u00e3os S\u00e2mia Jamile (t\u00e3o especial que nos deixou cedo demais, mas em tempo de se perpetuar em J\u00falia e Mariana), Jamil Miguel, poeta e compositor de rara sensibilidade e talento, Carlos Miguel, o Comandante Miguel, dono das nuvens e do vento, irm\u00e3os que come\u00e7aram a chegar quando eu tinha sete anos. Vieram para completar a fam\u00edlia de Jamil e Dolores. Turia\u00e7u dos meus queridos tios maternos Sebasti\u00e3o, Concita, Teresinha, Leonor, Manoel, Raimundo. Turia\u00e7u dos meus tios paternos Lia, Carlos, Sussu, Olga. Todos eles, sempre presentes em minha inf\u00e2ncia e nas minhas lembran\u00e7as. Turia\u00e7u, da casa dos meus av\u00f3s Raimundo e Laura Estrela, do quarto da casa do meu av\u00f4, onde dentro do arm\u00e1rio, gloriosos e bem cuidados, encapados com tecido em xadrez azul e branco, os livros da Cole\u00e7\u00e3o Tesouro da Juventude. Com certeza, foram eles a minha primeira refer\u00eancia de leitura prazerosa e constante. Quantas viagens, quantos passeios fiz, sem sair daquele quarto.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o encantamento. N\u00e3o podia mais ver livros,\u00a0sem a imediata vontade de querer t\u00ea-los \u00e0 m\u00e3o. Assim vieram: F\u00e1bulas de La Fontaine, Monteiro Lobato, Cole\u00e7\u00e3o Menina e Mo\u00e7a, Hist\u00f3rias e Lendas dos Irm\u00e3os Grimm, Almanaques do Tico-Tico e tantos outros, j\u00e1 a compor o que seria minha \u201cbiblioteca\u201d (batizada de Olimpo), impiedosamente dizimada pela minha irm\u00e3 S\u00e2mia (esta, n\u00e3o muito chegada \u00e0s letras), quando vim estudar no Col\u00e9gio Santa Teresa, das Irm\u00e3s Doroteias, em S\u00e3o Lu\u00eds: minha querida irm\u00e3 S\u00e2mia Jamile que, ao enfrentar o sofrimento com infinita e dolorida coragem, deixou inscrita na lembran\u00e7a dos que a conheceram toda uma obra de resist\u00eancia, coragem e amor.<\/p>\n<p>Antes mesmo de completar oito anos, chego a S\u00e3o Lu\u00eds para, em regime de internato, prosseguir meus estudos no Col\u00e9gio Santa Teresa. Col\u00e9gio Santa Teresa e seus fantasmas, seus ensinamentos e seus livros. Livros! Livros! Nunca os tinha visto arrumados e tantos em um s\u00f3 lugar! Ali descobri Cervantes, Shakespeare, Thomas Merton, As Irm\u00e3s Bront\u00eb, Antoine Saint-Exup\u00e9ry, Pearl S. Buck e tantos outros, para o \u201cdesespero\u201d da Madre Oliveira (respons\u00e1vel pela biblioteca), que achava que eu n\u00e3o tinha idade para ler esses autores.<\/p>\n<p>As muitas amizades, as colegas queridas, as madres sempre prontas a ajudar, as ladainhas de maio, as quermesses, o Gr\u00eamio Cultural Paula Frassinetti e suas horas de arte! (Por ocasi\u00e3o de uma delas, sob a dire\u00e7\u00e3o do nosso poeta Am\u00e9rico Azevedo Neto, que hoje aqui me recebe, vi-me representando uma \u00edndia tabajara!). Belas e felizes recorda\u00e7\u00f5es! Quantas e muitas vezes delas me vali para prosseguir e levar adiante sem amarguras e abatimento o que a vida me reservara.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lu\u00eds e um mundo a descobrir: a livraria de seu Ant\u00f4nio Neves, na rua Grande, onde, encantada, com o assessoramento sempre gentil e oportuno do seu propriet\u00e1rio e mais gentil ainda a forma de pagamento, proporcionava-me a aquisi\u00e7\u00e3o de livros, pela primeira vez.<\/p>\n<p>Em 1965, a professora normalista teria outro destino a cumprir: casada com o engenheiro Jos\u00e9 Carlos Murad Duailibe, teria quatro filhos, M\u00f4nica, Nagib Duailibe Neto,\u00a0Karina e Carla, todos \u201ccriados e diplomados\u201d (como se diz em Turia\u00e7u) e que s\u00e3o a obra mais preciosa da minha vida, com falhas e desacertos, mas, sempre, com muito amor. Vieram, bem mais depois, meus netos S\u00e2mia Jamile e Lucas, de M\u00f4nica e Paulo Humberto Coelho; e Jos\u00e9 Carlos Murad Duailibe Neto, de Carla e Carlos Serra Martins. Meus netos, pelos quais me declaro, irremediavelmente, apaixonada.<\/p>\n<p>Vi\u00fava aos 32 anos, ingresso no servi\u00e7o p\u00fablico pelas m\u00e3os do meu querido amigo Bernardo Almeida, ent\u00e3o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Maranh\u00e3o. Conheci, ali um ser humano de rara qualidade: o poeta e pesquisador da cultura popular, Valdelino C\u00e9cio Soares Dias que, com seu sorriso largo, acolhedor e amigo, me ensinou o que sei da cultura popular maranhense. Hoje, continua presente na minha vida e na de todos que o conheceram. \u00c9 uma das estrelas da constela\u00e7\u00e3o dos meus mortos.<\/p>\n<p>De ent\u00e3o at\u00e9 ir para subchefia da Casa Civil, no governo Roseana Sarney, e j\u00e1 agora, no governo Jos\u00e9 Reinaldo Tavares, acumulei uma rica experi\u00eancia no setor cultural da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, seja em assessorias especiais, seja na dire\u00e7\u00e3o do Teatro Artur Azevedo, seja na extinta Superintend\u00eancia de Interioriza\u00e7\u00e3o da Cultura, seja como secret\u00e1ria Estadual da Cultura, onde sucedi a Jomar Moraes, e fui sucedida por Am\u00e9rico Azevedo Neto. Empenhei-me na concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de muitos projetos importantes, e conheci mais de perto numerosas pessoas com as quais muito aprendi. Pessoas que n\u00e3o menciono, pelo temor da omiss\u00e3o. Tenho a consci\u00eancia de haver feito o poss\u00edvel, com os recursos existentes e com os que consegui disponibilizar.<\/p>\n<p>J\u00e1 ao t\u00e9rmino, \u00e9 de meu dever indeclin\u00e1vel agradecer a todos quantos aqui vieram para prestigiar com suas presen\u00e7as este ato de sagra\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A todos e a cada um, teria e tenho uma palavra especial de gratid\u00e3o. Na impossibilidade de faz\u00ea-lo, pe\u00e7o que todos se vejam e sintam representados simbolicamente nestas men\u00e7\u00f5es especiais: ao governador Jos\u00e9 Reinaldo Tavares, aos meus filhos, meus netos, meus irm\u00e3os e ao compositor Chico Saldanha, meu companheiro, e autor da antol\u00f3gica toada Boi de Itamirim, pelo caminhar juntos.<\/p>\n<p>Tentei, tento, conciliar ao longo de minha vida o \u201cdestino\u201d das minhas m\u00e3os. A m\u00e3o do poema, e a outra, que se desdobra em m\u00e3o de m\u00e3e, de av\u00f3, de amiga, de trabalhadora, de companheira, de mulher, que luta para cumprir o seu destino e encarar com honestidade e coragem o abismo.<\/p>\n<p>Por fim, a poeta de Turia\u00e7u chega a esta Casa, com emo\u00e7\u00e3o e humildade, prometendo honr\u00e1-la at\u00e9 que, por caprichos de uma imortalidade que n\u00e3o nos torna imorr\u00edveis, a Cadeira N\u00b0 6 seja, uma vez mais, declarada vaga.<\/p>\n<p>Muito obrigada!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o<\/span>&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Aguarde Atualiza\u00e7\u00e3o<\/span>&#8230;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Biografia Nasceu a 10 de abril de 1945 em Turia\u00e7u-MA. Filha de Jamil Miguel Damous e Dolores Estrela Damous. Em S\u00e3o Lu\u00eds estudou no Col\u00e9gio Santa Teresa, de onde saiu como professora normalista. Cursou Filosofia na Universidade Federal do Maranh\u00e3o. Ocupou cargos em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ligados a atividades culturais. 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