{"id":1366,"date":"2014-02-23T13:45:01","date_gmt":"2014-02-23T13:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/?p=1366"},"modified":"2014-12-19T15:42:20","modified_gmt":"2014-12-19T15:42:20","slug":"joaquim-elias-nagib-pinto-haickel-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/joaquim-elias-nagib-pinto-haickel-2\/","title":{"rendered":"Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel"},"content":{"rendered":"<div id=\"tab1\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Biografia<\/h1>\n<p>Nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds no dia 13 de Dezembro de 1959. Filho de Nagib Haickel e Clarice Pinto Haickel. Poeta, contista, cronista e cineasta, fundou e dirigiu a <em>Revista Guarnic\u00ea<\/em>, que circulou em S\u00e3o Lu\u00eds entre 1983 e 1986, as <em>Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea<\/em> em 1983 e a <em>Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es<\/em> em 1984. Entre 1983 e 1990, editou livros de v\u00e1rios escritores maranhenses e de outros Estados.<\/p>\n<p>Pol\u00edtico, em 1982 elegeu-se deputado estadual, tendo sido naquela legislatura o deputado mais jovem do Brasil. Formou-se bacharel em Direito pela UFMA (1985). Elegeu-se deputado federal constituinte em 1986, onde em 1988 foi o relator discordante do projeto de emenda da pena de morte.<\/p>\n<p>Ocupou os cargos de secret\u00e1rio-adjunto de assuntos pol\u00edticos de 1991 a 1993 e de educa\u00e7\u00e3o entre 1993 e 1994. Voltando ao parlamento maranhense, foi primeiro secret\u00e1rio da Assembleia Legislativa do Estado entre 2002 e 2003 e de 2011 a 2014 foi secret\u00e1rio de esportes do Governo do Estado do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rio do setor de radiodifus\u00e3o, possui diversas emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Idealizou e constituiu a Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel, que visa a promover a educa\u00e7\u00e3o, a cultura e a cidadania, e o Museu da Mem\u00f3ria Audiovisual do Maranh\u00e3o \u2013 Mavam, dedicado a preservar e difundir a mem\u00f3ria maranhense atrav\u00e9s de meios audiovisuais.<\/p>\n<p>\u00c9 desde 2006 membro da Academia Imperatrizense de Letras ocupando a Cadeira N<strong>\u00ba<\/strong> 9 e a partir de 2011, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o, onde ocupa a Cadeira N\u00ba 47.<\/p>\n<p>Enquanto deputado foi o autor de diversas leis importantes, entre elas as Leis de Incentivo \u00e0 Cultura e ao Esporte de nosso Estado.<\/p>\n<p>Em 2010 resolveu n\u00e3o mais se candidatar a deputado, mas continua escrevendo, e produzindo e dirigindo filmes.<\/p>\n<p>saiba mais sobre Joaquim Haickel:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2014\/09\/09\/joaquim-haickel-por-joaquim-haickel\/\">http:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2014\/09\/09\/joaquim-haickel-por-joaquim-haickel\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2014\/10\/23\/a-pedidos-o-multiplo-joaquim-elias-nagib-pinto-haickel\/\">http:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/2014\/10\/23\/a-pedidos-o-multiplo-joaquim-elias-nagib-pinto-haickel\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab2\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Bibliografia<\/h1>\n<p><em>Confiss\u00f5es de uma caneta<\/em>, edi\u00e7\u00e3o do autor, 1980, contos, premiado no concurso cidade de S\u00e3o Lu\u00eds; <em>O quinto cavaleiro<\/em>, edi\u00e7\u00e3o do autor, 1981, poemas; <em>Garrafa de ilus\u00f5es<\/em>, SIOGE\/Civiliza\u00e7\u00e3o,1982, premiado no concurso SECMA\/SIOGE\/Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira; <em>Manuscritos<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea,1983, poemas;<em>Revista Guarnic\u00ea<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, seman\u00e1rio art\u00edstico e cultural publicado de 1983 at\u00e9 1986;<em>Antologia po\u00e9tica Guarnic\u00ea<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea<em>,<\/em> 1984, poemas; <em>Antologia er\u00f3tica Guarnic\u00ea<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, 1985, poemas; <em>Clara cor-de-rosa<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, 1986, contos; <em>Salt\u00e9rio de tr\u00eas cordas<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, 1989, poemas, em parceria com Rossini Corr\u00eaa e Pedro Braga; <em>A ponte<\/em>, Editora Global\/Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, 1991, contos; <em>Almanaque Guarnic\u00ea<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea: Editora Clara, 2003, mem\u00f3rias sobre a Revista Guarnic\u00ea; <em>As melhores cr\u00f4nicas da Clara on Line<\/em>, Editora Clara, 2005, cr\u00f4nicas; <em>Dito e feito<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, 2009, cr\u00f4nicas; <em>Contos<\/em>, <em>cr\u00f4nicas<\/em>, p<em>oemas<\/em> &amp; o<em>utras palavras<\/em>, Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea, 2012, v\u00e1rios g\u00eaneros.<\/p>\n<p><strong>Filmografia<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cThe Best Friend\u201d, O amig\u00e3o<\/em>, Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es, 1984, curta metragem, em super 8, de 5 minutos de dura\u00e7\u00e3o, experimental\/m\u00edmica, conquistou os pr\u00eamios de melhor filme do j\u00fari popular e melhor filme de cineasta maranhense do j\u00fari oficial, no festival de cinema e v\u00eddeo realizado pela UFMA em 1984; <em>Padre Nosso, <\/em>Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es, 2008, curta metragem de 3 minutos, fic\u00e7\u00e3o, em sua vers\u00e3o de 1 minuto foi vencedor do concurso de filme para celular da Oi em 2009<em>; Pelo ouvido<\/em>, Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es\/Mutante Filmes, 2008, curta-metragem de 18 minutos, fic\u00e7\u00e3o, selecionado para mais de 120 festivais e ganhador de 19 pr\u00eamios em alguns destes. <em>A Ponte<\/em>, Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es\/Dupla Cria\u00e7\u00e3o, 2011, curta-metragem de 8 minutos, anima\u00e7\u00e3o; <em>Upaon-A\u00e7u\u2026 Saint Louis\u2026 S\u00e3o Lu\u00eds\u2026<\/em>, Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel\/Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es\/Dupla Cria\u00e7\u00e3o, 2012, curta-metragem de 12 minutos, anima\u00e7\u00e3o sobre a funda\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lu\u00eds; <em>Academia da mem\u00f3ria \u2013 homens e imortais<\/em>, Academia Maranhense de Letras\/Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel\/Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es\/Play V\u00eddeo, 2013, s\u00e9rie de vinte e quatro document\u00e1rios com quase 9 horas de dura\u00e7\u00e3o, sobre alguns dos membros da AML. <em>A pedra e a palavra<\/em>, Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel\/Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es\/Mutante Filmes, 2013, document\u00e1rio em longa-metragem, 90 minutos sobre a vida e a obra do padre Ant\u00f4nio Vieira.<\/p>\n<p>saiba mais:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.guarnice.com\/\">www.guarnice.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.fundacaonagibhaickel.org.br\/\">www.fundacaonagibhaickel.org.br<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab3\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Discursos de Posse<\/h1>\n<h5 style=\"text-align: center;\"><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE\u00a0POSSE<\/h5>\n<p>Meu nome \u00e9 Joaquim. Mas eu tamb\u00e9m me chamo Nagib, e \u00e9 o meu duplo \u2014 ou antes, \u00e9 aquele de quem sou du\u00adplo \u2014 o meu pai Nagib Haickel a quem primeiro contemplo neste sal\u00e3o, esperando por mim, sentado ali, na fila da frente, entre aquelas duas mulheres maravilhosas: minha m\u00e3e, Clarice, e minha filha Laila. O presidente desta cerim\u00f4nia autoriza meu discurso de posse na Academia Maranhense de Letras. Eu me levanto. Meu pai n\u00e3o se cont\u00e9m: antes que eu chegue \u00e0 tribuna, ele j\u00e1 est\u00e1 de p\u00e9, aqui, diante de mim. Eu ainda n\u00e3o come\u00e7o a falar e o velho me arrebata a palavra, dedo em riste, enchendo o mundo com o seu vozeir\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 porque tu escreve umas coisinhas por a\u00ed tu acha que \u00e9 escritor, \u00e9? Tu acha que \u00e9 poeta? Poeta coisa nenhuma! Tu nem bebe! Poeta \u00e9 Z\u00e9 Chagas, poeta \u00e9 Nauro, que metem grogue. Escritor \u00e9 Jomar, que aprecia as cervejas louras e as mulheres morenas. Tu nem sabe o que \u00e9 bebida, rapaz! Como \u00e9 que tu pretende saber o que \u00e9 poesia?<\/p>\n<p>Neste recinto solene, senhores acad\u00eamicos, minhas senhoras e meus senhores, aquele que orgulhosamente se intitulava um \u201ccaboclo do Pindar\u00e9, acostumado a comer tapioca e mandub\u00e9\u201d repete uma repreens\u00e3o das mais severas que dele recebi. O caso foi h\u00e1 muito tempo: eram os idos de 1984. Ele andava aborrecido com minha prefer\u00eancia em ficar fazendo a revista <em>Guarnic\u00ea<\/em>, ao inv\u00e9s de tomar conta dos neg\u00f3cios da fam\u00edlia. Sua f\u00faria transbordou, quando eu e Paulinho Coelho nos esquecemos de fechar o registro geral da \u00e1gua, no velho dep\u00f3sito de cimento que Nagib Haickel tinha pelas bandas do Desterro. Dep\u00f3sito inundado, cimento molhado, preju\u00edzo contabilizado.<\/p>\n<p>Como todo mundo sabe, meu pai n\u00e3o fazia por menos em termos de emo\u00e7\u00e3o e muitas vezes se obrigava ao papel de ator em lances cheios de dramaticidade. Na verdade, por\u00e9m, ele estaria felic\u00edssimo neste momento, rindo em seu pr\u00f3prio \u00edntimo, com o bom humor que lhe fez a fama, e saboreando dentro de si o contentamento de perder a parada para o filho:<\/p>\n<p>\u2014 Esse menino chegou mais longe do que eu podia imaginar. Para quem tinha extrema dificuldade em ler, para quem n\u00e3o sossegava um s\u00f3 instante, o lucro foi grande. Pois n\u00e3o \u00e9 que ele conseguiu enganar a todos esses acad\u00eamicos, gente culta e instru\u00edda?<\/p>\n<p>Era assim que meu pai fingia que pensava, mas n\u00e3o era assim que ele pensava, de fato. O seu orgulho s\u00f3 encontraria repique no j\u00fabilo deste seu duplo, aceito membro da Academia Maranhense de Letras, acolhido por figuras da envergadura do presidente Jos\u00e9 Sarney e amigos de Nagib que foram professores de seu filho, como Jos\u00e9 Maria Ramos Martins, Alberto Tavares, Jos\u00e9 Joaquim Ramos Filgueiras, Jos\u00e9 Carlos Sousa Silva e Sebasti\u00e3o Moreira Duarte. Ele tamb\u00e9m se sentiria em casa, ao contabilizar o n\u00famero de velhos amigos seus da Assembleia Legislativa e da C\u00e2mara dos Deputados, com quem seu filho ir\u00e1 conviver, como Benedito Buzar, S\u00e1lvio Dino, Evandro Sarney, Joaquim Itapary, Neiva Moreira e Edson Vidigal. Com toda certeza, Nagib Haickel brincaria com seu querido amigo M\u00edlson Coutinho e com o tamb\u00e9m desembargador Lourival Serejo, recomendando\u00ad-lhes que tomem conta desse \u201cmenino\u201d, sentindo-\u00adse tamb\u00e9m envaidecido de ver seu filho compartilhar a mesa com amigos dele como Ubiratan Teixeira, Carlos Gaspar, H\u00e9lio Maranh\u00e3o, Mont\u2019Alverne Frota, Carlos de Lima, Am\u00e9rico Azevedo Neto, Ivan Sarney, Waldemiro Viana, Laura Am\u00e9lia e Manuel Lopes. N\u00e3o sei ao certo se ele teve o prazer de conhecer Jos\u00e9 Louzeiro, Lino Raposo Moreira, S\u00f4nia Almeida, Joaquim Campelo, Ant\u00f4nio Martins, Cl\u00f3vis Sena, Ceres e Ronaldo Costa Fernandes, Alex Brasil, Magson da Silva, Jos\u00e9 Ewerton e Ney Belo Filho, uns porque cedo foram morar fora do Maranh\u00e3o, outros porque, sendo de outra gera\u00e7\u00e3o e de outro meio, n\u00e3o tiveram contato com ele. Em especial, quando visse aqui Jos\u00e9 Chagas e Jomar Moraes, contra os quais me comparou em total desvantagem para mim, Nagib\u00e3o sorriria desconcertado, franziria a testa, morderia os l\u00e1bios, choraria miudinho e escondido: tamanha \u00e9 a gl\u00f3ria desses nomes, que dela, por simples cont\u00e1gio, algum tanto sobrar\u00e1 para seu filho.<\/p>\n<p>Minhas senhoras e meus senhores:<\/p>\n<p>A Cadeira que, a partir de hoje, chamarei minha na Academia Maranhense de Letras \u00e9 de In\u00e1cio Xavier de Carvalho e Ribamar Pereira e pertenceu sucessivamente a Lu\u00eds Viana, Amaral Raposo e Nascimento Morais Filho.<\/p>\n<p>In\u00e1cio Xavier de Carvalho, nascido em 1871, deixa d\u00favida se era apenas uma pessoa. Nesta Casa foi fundador e \u00e9 patrono. Ao mesmo tempo e por igual, \u00e9 do Maranh\u00e3o, \u00e9 do Amazonas e \u00e9 do Par\u00e1. Andou ainda por Minas Gerais e encontrou, por fim, a imortalidade no Rio de Janeiro, em 1944, pr\u00f3ximo de completar 73 anos de idade. Formado em Direito pelo Recife, em 1893, exerceu-\u00adse como magistrado, jornalista, poeta, professor de literatura. Pelo que, de sua lavra, se sabe esparso em peri\u00f3dicos e publica\u00e7\u00f5es circunstanciais, ser\u00e1 correta a conjectura de que ainda falta reunir escritos seus deixados nesta sua cidade natal, assim como em Manaus, onde se demorou pouco, e em Bel\u00e9m, onde permaneceu por mais tempo.<\/p>\n<p>Sua obra comp\u00f5e-\u00adse de apenas tr\u00eas t\u00edtulos, que a poucas p\u00e1ginas se estendem: <em>Frutos selvagens<\/em>,<em>Missas negras<\/em> e <em>Par\u00e1bolas para bolas<\/em>. <em>Frutos selvagens<\/em> \u00e9 de S\u00e3o Lu\u00eds, <em>Missas negras<\/em> \u00e9 de Manaus,<em>Par\u00e1bolas para bolas<\/em> \u00e9 de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p><em>Frutos selvagens<\/em> \u00e9 de S\u00e3o Lu\u00eds, 1894: \u201cum dos poucos resultados positivos da \u00e9poca de efervesc\u00eancia vivida [aqui] entre fins do s\u00e9culo xix e princ\u00edpios do s\u00e9culo seguinte\u201d \u2014 segundo avalia\u00e7\u00e3o de Jomar Moraes.<\/p>\n<p><em>Par\u00e1bolas para bolas<\/em> \u00e9 do Par\u00e1, 1919, e \u00e9 logo aqui arrolado, por suas caracter\u00edsticas, que n\u00e3o nos ocupam em maior an\u00e1lise. N\u00e3o se trata de livro em sentido pr\u00f3prio: \u00e9 apenas um folheto de 32 p\u00e1ginas, composto de seis pequenas narrativas aleg\u00f3ricas, cinco sonetos e uma ode a Rui Barbosa (recitada pelo autor, num com\u00edcio em Bel\u00e9m, por ocasi\u00e3o da campanha civilista daquele candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica), textos a que s\u00f3 a ironia e o desapontamento com a pol\u00edtica conferem sentido de unidade.<\/p>\n<p><em>Missas negras<\/em> \u00e9 de Manaus, 1902, e constitui, desta vez, n\u00e3o apenas o que de melhor escreveu o poeta In\u00e1cio Xavier de Carvalho, mas tamb\u00e9m uma fotografia das mais vivas de uma \u00e9poca em transi\u00e7\u00e3o, de interval\u00eancia e sobreposi\u00e7\u00e3o de est\u00e9ticas, de esgotamento e \u00e2nsia sem rumos, tempo de mar\u00e9 vazante, \u00e0 espera da siz\u00edgia que, entre n\u00f3s, por amor de nosso isolamento, tardaria ainda por bem meio s\u00e9culo, at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de Tribuzi e Gular. Xavier de Carvalho realiza obra de mimetismo tardio, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s matrizes francesas em que se inspira, mas em face ao simbolismo retardat\u00e1rio de portugueses e brasileiros. Os 37 poemas que fazem as suas \u201cMissas Negras sem h\u00f3stias e sem vinho\u201d povoam-\u00adse de Revoltas Supremas, Cren\u00e7as Apagadas, Risos Pretos, Pecados Brancos, Alvas Grinaldas, M\u00e1goas, Quimeras, Desventuras, Bando Esquel\u00e9tico de Cren\u00e7as, Sonho Nu de Descrente, Estranhas Rotas, M\u00e1sculas Derrotas \u2014 substantivos e adjetivos todos em mai\u00fasculas, conforme exigia o tributo da importa\u00e7\u00e3o provinciana a que o poeta se obrigava. O t\u00edtulo <em>Missas negras<\/em> lembra o de <em>Missal<\/em>, de Cruz e Sousa, poema (em prosa) de nove anos antes, e aparece quando j\u00e1 mortos o pr\u00f3prio Cruz e Sousa, Mallarm\u00e9, Ant\u00f4nio Nobre e Verlaine. Mas, em que pese a essa nota de rebate epig\u00f4nico, nem por isso deixou In\u00e1cio Xavier de Carvalho de pagar sua conta pela luz com que pretendeu iluminar a \u201ctrist\u00edssima e caliginosa noite\u201d \u2014 como lhe chamou Ant\u00f4nio Lobo \u2014 na qual \u201co Maranh\u00e3o ressonava [&#8230;] num fundo sono, pr\u00f3ximo da morte\u201d, conforme o viu e sentiu Humberto de Campos. At\u00e9 a mais afinada intelig\u00eancia que por ent\u00e3o nos restava, o mesmo Ant\u00f4nio Lobo, n\u00e3o o compreendeu, tanto quanto \u00e9 verdade que a intelig\u00eancia brasileira \u2014 Machado de Assis inclu\u00eddo \u2014 n\u00e3o fez boa recep\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura representada pelo aluvi\u00e3o finissecular de nossos p\u00f3s-\u00adrom\u00e2nticos, simbolistas, impressionistas, decadentistas. Em carta escrita, em 1908, ao jornalista Sebasti\u00e3o Sampaio e a qual deu muito o que falar, eis em que termos o Mestre maranhense exara a sua cr\u00edtica a<em>Missas negras<\/em>:<\/p>\n<p><em>[&#8230;] livro filiado \u00e0 corrente simbolista, tal como andou em geral compreendida e praticada no Brasil, isto \u00e9: consistindo quase que essencialmente no culto exagerado do disparate, na ideia e na forma. E foi exatamente essa preocupa\u00e7\u00e3o de escola que, a meu ver, prejudicou sensivelmente o trabalho do poeta, sem d\u00favida alguma, de produzir obra muito mais valiosa, se em tempo se houvesse libertado dos esterilizantes empecilhos que tal preocupa\u00e7\u00e3o irresistivelmente lhe op\u00f4s \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica.<\/em><\/p>\n<p>A bem de Ant\u00f4nio Lobo, o mais vigilante e atualizado de nossos intelectuais, diga-\u00adse que sua percep\u00e7\u00e3o de literatura pautava-\u00adse, como a de qualquer um naqueles tempos, pelo figurino franc\u00eas, mas n\u00e3o absorvia os padr\u00f5es renovadores sugeridos, da mesma Fran\u00e7a, j\u00e1 desde as <em>Flores do mal<\/em>, de Baudelaire.<\/p>\n<p>A mal de seu temperamento enfermi\u00e7o, para quem a pol\u00eamica constitu\u00eda uma esp\u00e9cie de compuls\u00e3o er\u00f3gena, leve-\u00adse em conta que sua aprecia\u00e7\u00e3o sobre In\u00e1cio Xavier de Carvalho se faz em clima de m\u00fatua desaven\u00e7a, veiculada pelos jornais <em>Pacotilha<\/em>, <em>O Maranh\u00e3o<\/em> e <em>Di\u00e1rio do Maranh\u00e3o<\/em>, da capital maranhense, e engatilhada pela <em>Folha do Norte<\/em>, de Bel\u00e9m do Par\u00e1, conforme nos diz Carlos Gaspar em trabalho rec\u00e9m-\u00adpublicado sobre Ant\u00f4nio Lobo.<\/p>\n<p>A contenda ocorreu no ano de 1907 e teve como causa imediata a chegada, a S\u00e3o Lu\u00eds, do jornalista fluminense Rafael Pinheiro, vindo do Par\u00e1 para aqui fazer confer\u00eancias sobre assuntos variados. Antecipou-\u00ado, no entanto, a not\u00edcia de seus desentendimentos com homens de letras do Estado vizinho, fato bastante para deixar de sobreaviso os intelectuais desta terra, e mais ainda, na percep\u00e7\u00e3o de alguns, porque seria Ant\u00f4nio Lobo quem lhe daria as boas-\u00advindas e o apresentaria aos maranhenses. Sobre uma confer\u00eancia, programada com pompa e circunst\u00e2ncia para ser pronunciada no teatro local, com a presen\u00e7a do governador Benedito Leite, Agostinho Reis, redator da <em>Pacotilha<\/em>, informa ao jornal de Bel\u00e9m que alguns bilhetes de entrada haviam sido distribu\u00eddos gratuitamente, com a finalidade de preencher cadeiras vazias no sal\u00e3o do evento.<\/p>\n<p>Os efeitos da not\u00edcia, desfavor\u00e1veis ao visitante e a seu anfitri\u00e3o, foram glosados por In\u00e1cio Xavier de Carvalho, editorialista d\u2019<em>O Maranh\u00e3o<\/em> e propiciam fazer\u00ad-se um close sobre o cotidiano das duas figuras envolvidas na querela, de seus pequenos interesses e da vida pequena de S\u00e3o Lu\u00eds naquela primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo xx, e bem assim sobre o que, de literatura, se criava nesta Prov\u00edncia naqueles tempos. Diz Ant\u00f4nio Lobo:<\/p>\n<p><em>O autor das <\/em>Missas negras<em> tem um talento especial para tro\u00e7ar e descompor em verso. Mas tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3: tirando isso, o rapazinho [o tal \u201crapazinho\u201d contava j\u00e1 36 anos de idade] \u00e9 de uma imper\u00edcia de fazer d\u00f3, quer se exprima em linguagem m\u00e9trica, quer n\u00e3o. [&#8230;]. Na prosa \u00e9 o mesmo descalabro e a mesma l\u00e1stima. Se o mo\u00e7o se quer exprimir em linguagem sem metro e sem rima, ou \u00e9 para se dar ao desfrute ou para dizer tolices. [&#8230;].<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cOra, Sr. Ant\u00f4nio Lobo! Que pretens\u00e3o a sua!\u201d \u2014 a de um \u201cesp\u00edrito nulo e acanhado\u201d, [&#8230;] \u201ccoreico ou paranoico\u201d, [&#8230;] \u201cum doente f\u00edsico\u201d [&#8230;], o quanto basta para torn\u00e1-lo irrespons\u00e1vel pelo que diz e escreve.<\/em><\/p>\n<p>Xavier de Carvalho nega a cr\u00edtica de seu oponente, lembrando que Guerra Junqueiro o saudou como \u201ccamarada liter\u00e1rio\u201d e que sua poesia foi recebida amigavelmente no mundo das letras por Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, Artur Azevedo, Medeiros e Albuquerque, etc.<\/p>\n<p>Interessante para bem retratar o esp\u00edrito da \u00e9poca \u00e9 perderem ambos tempo e papel em agress\u00e3o rec\u00edproca, a prop\u00f3sito de um terceto de <em>Missas negras<\/em>, em que o verbo ladrar \u00e9 usado como transitivo direto:<\/p>\n<p><em>E em complemento ap\u00f3s da Gl\u00f3ria Tua<\/em><\/p>\n<p><em>Ficar\u00e1s l\u00e1 por cima como a Lua<\/em><\/p>\n<p><em>E eles embaixo como o c\u00e3o que a Ladra!<\/em><\/p>\n<p>Ant\u00f4nio Lobo, escritor da velha cepa, n\u00e3o percebeu que a transgress\u00e3o \u00e0 reg\u00eancia verbal \u00e9 o que enriquece e d\u00e1 for\u00e7a ao verso de seu advers\u00e1rio. Dois anos depois dessa pol\u00eamica, ele ainda reafirma a mesma incompreens\u00e3o da est\u00e9tica simbolista e, sobre a poesia de In\u00e1cio Xavier de Carvalho, emite a mesma opini\u00e3o expressa a Sebasti\u00e3o Sampaio. S\u00e3o suas palavras em <em>Os novos atenienses<\/em>:<\/p>\n<p><em>I. Xavier de Carvalho \u00e9, incontestavelmente, uma organiza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de primeira ordem. De um alto poder de idealiza\u00e7\u00e3o e de express\u00e3o est\u00e9tica, sabe, aos seus temas emotivos, aplicar com maestria todos os recursos t\u00e9cnicos da sua arte. A \u00fanica falha que ter\u00edamos a lamentar na sua obra, se acaso aqui tent\u00e1ssemos exercer a cr\u00edtica, seria exatamente o malbarato de t\u00e3o belos requisitos art\u00edsticos, no cultivo do verso simbolista, tal como andou compreendido pelos sibilinos e intraduz\u00edveis decadistas franceses e pelos seus dignos imitadores brasileiros.<\/em><\/p>\n<p>Na verdade, o que h\u00e1 para se lamentar em Xavier de Carvalho \u00e9 que ele tenha chegado tarde e repetitivo, o que, s\u00f3 por isso, n\u00e3o implica inferioridade liter\u00e1ria. Sonetista ex\u00edmio, algumas de suas cria\u00e7\u00f5es mereceriam acolhida franca em qualquer antologia da l\u00edngua vern\u00e1cula. Sua poesia revela uma tentativa de introspec\u00e7\u00e3o que transcende ao seu pr\u00f3prio eu, para desvelar a alma humana em ang\u00fastia universal. Os tempos que se anunciam ser\u00e3o de Freud, Joyce, Pound, Proust. In\u00e1cio Xavier de Carvalho tem o pressentimento da mudan\u00e7a. Poderemos dizer n\u00e3o apenas que sua obra, m\u00ednima, ficou pelo meio do caminho, mas que ele \u00e9 todo um meio de caminho. Ep\u00edgono por um lado, \u00e9 mal e mal percebido como o pr\u00f3gono que poderia ter sido: culpa da Prov\u00edncia que tardou tanto em abrir os sentidos para os paradigmas da modernidade.<\/p>\n<p>De fundador da Academia e titular da Cadeira N\u00ba 9, In\u00e1cio Xavier de Carvalho foi transformado em patrono da Cadeira N\u00ba 37, fundada por Jos\u00e9 de Ribamar dos Santos Pereira.<\/p>\n<p>N\u00e3o podendo encarnar\u00ad-me na voz do bar\u00edtono que foi Ribamar Pereira, para aqui solfejar as 217 poesias que, segundo M\u00e1rio Meireles, deixou musicadas o primeiro ocupante da Cadeira 37 \u2014 algumas inclusive traduzidas para o franc\u00eas, o espanhol e o italiano \u2014 eu me desculparei por lhe fazer apenas r\u00e1pido aceno biobibliogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Nascido em S\u00e3o Lu\u00eds em 17 de setembro de 1898, estudou primeiras letras no famoso Instituto Rosa Nina. Poeta, jornalista, teatr\u00f3logo, orador. Bacharel em Direito pelo Par\u00e1, foi assistente judici\u00e1rio do proletariado e 1\u00ba promotor p\u00fablico da capital, no Maranh\u00e3o; consultor jur\u00eddico da Caixa de Aposentadorias e Pens\u00f5es de Servi\u00e7os P\u00fablicos dos Estados do Piau\u00ed e Maranh\u00e3o; representante, no Maranh\u00e3o, da Casa dos Artistas, da Associa\u00e7\u00e3o do Teatro Nacional e da Associa\u00e7\u00e3o de Cronistas de Arte. Colaborou assiduamente na imprensa de S\u00e3o Lu\u00eds, do Acre, Bel\u00e9m (<em>Folha do Norte<\/em>), Fortaleza, Recife (<em>Jornal Pequeno<\/em>), Bahia (<em>A Tarde<\/em>), S\u00e3o Paulo, Amazonas e Rio de Janeiro. Foi professor catedr\u00e1tico da Academia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o, da Escola de Agronomia do Maranh\u00e3o, da Faculdade de Direito do Maranh\u00e3o e de outros estabelecimentos secund\u00e1rios em S\u00e3o Lu\u00eds. Membro, tamb\u00e9m, do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o. Faleceu a 23 de abril de 1959.<\/p>\n<p>Sobre Lu\u00eds Viana, muito n\u00e3o direi, para n\u00e3o me arriscar a cometer erros perante familiares e parentes seus, que ainda agora nos circundam. Nascido a 29 de setembro de 1889, duas ilustres casas de S\u00e3o Bento entroncam-\u00adse em seu nome: a dos Lobatos e a dos Vianas. De r\u00e1pidos apontamentos biogr\u00e1ficos que dele colhemos, entende\u00ad-se que foi excelente em tudo: como estudante, professor, m\u00e9dico, jornalista, educador, homem de letras, cientista, administrador p\u00fablico. A esse respeito, fa\u00e7amos leitura das palavras de quem o conheceu e sucedeu nesta Casa, Amaral Raposo:<\/p>\n<p><em>Se quisermos definir, com justi\u00e7a e justeza, a vida cient\u00edfica, a vida liter\u00e1ria de Lu\u00eds Viana, cumpre-nos afirmar haver sido ele um p\u00eandulo de ouro, oscilando sem hiatos e sem pausas, durante mais de meio s\u00e9culo, entre a paix\u00e3o absorvente do estudo e o fanatismo incessante do ensino.<\/em><\/p>\n<p>Mais do que tudo, ele foi mestre. Mestre consumado em nossa l\u00edngua, foi, igualmente, em italiano, em franc\u00eas, em ingl\u00eas e alem\u00e3o, tal como atestam quantos mais \u00edntima e frequentemente o conheceram. [&#8230;].<\/p>\n<p>Quanto ao perfil humano daquele meu antecessor, nada melhor que recolher o testemunho de quem faz, na vida acad\u00eamica, a sequ\u00eancia da linhagem humana e intelectual de Lu\u00eds Viana, o romancista Waldemiro Viana:<\/p>\n<p><em>De tio Lu\u00eds, me fica na mem\u00f3ria um retrato paradoxal: enquanto meu pai, seu irm\u00e3o mais novo, Fernando Viana, me falava do seu extremo rigor (ao ajudar meu av\u00f4 na educa\u00e7\u00e3o dos cinco irm\u00e3os), na condi\u00e7\u00e3o de primog\u00eanito, a calar os mais novos ante um simples franzir de cenho, eu, que j\u00e1 o conheci no ocaso de sua vida, guardo dele a lembran\u00e7a de um doce velhinho, extremamente culto, a dar-nos, bonach\u00e3o, qualquer explica\u00e7\u00e3o sobre qualquer assunto, cuja dificuldade desaparecia face \u00e0 aula ministrada. As disciplinas de sua predile\u00e7\u00e3o eram Portugu\u00eas e Hist\u00f3ria Natural. A esse respeito, por sinal, lembro de uma entrevista que concedeu \u00e0 tv Difusora (a \u00fanica, \u00e0quela \u00e9poca), por ocasi\u00e3o de sua posse na Cadeira 37 da Academia Maranhense de Letras. Perguntado sobre o porqu\u00ea dessa prefer\u00eancia, respondeu, orgulhoso: \u201cHist\u00f3ria Natural, por natural propens\u00e3o; Portugu\u00eas, por ser maranhense\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Iniciou suas atividades liter\u00e1rias com o livro de cr\u00f4nicas lan\u00e7ado no Rio, <em>O Dia<\/em>, do qual n\u00e3o tenho quaisquer not\u00edcias. Foi articulista de v\u00e1rios peri\u00f3dicos maranhenses, em destaque o jornal <em>Pacotilha<\/em>, do qual chegou mesmo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Poeta esparso, deixou uns quantos sonetos, de lavra rebuscada e m\u00e9trica perfeita. Tive oportunidade de ler\u00ad-lhe uns contos er\u00f3ticos, ainda na flor da idade, aos doze, treze anos, que me serviram como incremento para fantasias de toalete.<\/p>\n<p>Sucedeu-\u00ado Amaral Raposo,<\/p>\n<p><em>um dos \u00faltimos abencerragens que enfrentam com denodo os sarrabulheiros do idioma [&#8230;]. <\/em>Enfant terrible<em>\u2026 garoto levado da breca\u2026 Fascinado, desde jovem, pela grandeza do estilo ruibarbosiano, tudo o que lhe tem sa\u00eddo da pena irrequieta e candente reflete, tem refletido sempre a influ\u00eancia do grande baiano.<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 o que dele afirma Fernando Viana, que lhe deu as boas-\u00advindas na Cadeira No 37 desta Casa.<\/p>\n<p>E \u00e9, outra vez, ao filho de Fernando Viana, a quem mais uma vez invoco, para falar da figura humana que fez companhia inesquec\u00edvel a muitos dos presentes, mas a quem, por um lapso de gera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o cheguei a conhecer: Dep\u00f5e Waldemiro Viana:<\/p>\n<p><em>A desenxabida revista de origem americana <\/em>Sele\u00e7\u00f5es do Reader\u2019s Digest<em>, de leitura quase obrigat\u00f3ria em certa fase da vida de todos n\u00f3s, sessent\u00f5es, trazia um quadro fixo intitulado Meu Tipo Inesquec\u00edvel, onde um escritor qualquer escrevia sobre algu\u00e9m que o impressionara sobremaneira.<\/em><\/p>\n<p><em>Se eu tivesse que escrever nessa se\u00e7\u00e3o, o meu tipo inesquec\u00edvel certamente seria o genial jornalista, poeta, articulista e \u2014 sobretudo \u2014 irasc\u00edvel gozador Amaral Raposo.<\/em><\/p>\n<p><em>Tenho-lhe, viva, na retina a imagem: meia altura, f\u00edsico de anti-atleta, era meio barrigudo, bra\u00e7os finos, amareloso, olhos esbugalhados, bei\u00e7ola deca\u00edda a sibilar assobios completamente desafinados, cabeleira rareando e em perp\u00e9tuo desalinho. Tinha por caracter\u00edstica o h\u00e1bito de emitir, ap\u00f3s a ingest\u00e3o da dose de conhaque usual, uma esp\u00e9cie de gorgolejo esquisito, que o identificava \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/em><\/p>\n<p><em>Humor c\u00e1ustico, para cada situa\u00e7\u00e3o tinha uma contundente cr\u00edtica. Recordo-me de uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora por que passei, quando, aluno do 3\u00ba Cient\u00edfico do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, fiquei entre dois fogos, por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento de um livro did\u00e1tico pertinente \u00e0 mat\u00e9ria, do meu professor de Portugu\u00eas de ent\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, esse professor cometeu a infelicidade de inici\u00e1-la com a express\u00e3o: \u201cDos teclados de minha m\u00e1quina..\u201d. Foi o quanto bastou para Amaral Raposo, impiedoso, num artigo de jornal, massacrar o pobre coitado, naquele seu humor ferino, a indagar quantos teclados ter\u00e1 a m\u00e1quina desse mentecapto? E a dar-se ao trabalho de ler detidamente a obra, somente para criticar-lhe os erros gramaticais.<\/em><\/p>\n<p><em>E eu \u00e9 que, em classe, suportava as diatribes do mestre, que tinha pleno conhecimento da minha amizade com o seu implac\u00e1vel cr\u00edtico. Tocava um viol\u00e3o divino, mas uma execu\u00e7\u00e3o sua geralmente gerava pol\u00eamica e descontentamento. Isso porque, perfeccionista, n\u00e3o admitia qualquer ru\u00eddo externo, quando da execu\u00e7\u00e3o de seus solos. Dispersivo, muito pouco ficou da obra do genial poeta de S\u00f3. Somente as piadas, blagues, observa\u00e7\u00f5es c\u00e1usticas que o notabilizaram, e respostas prontas, que confundiam (ou desmoralizavam) o inquiridor\u2026 como, por exemplo, aquela dada a uma senhora, j\u00e1 um pouco al\u00e9m de balzaquiana, que o atormentava com insistentes elogios (o poeta era avesso a eles) e que, a certa altura, perguntou-lhe, coquete:<\/em><\/p>\n<p><em>\u2014 Quantos anos o senhor me d\u00e1, poeta?<\/em><\/p>\n<p>A resposta seca e um tanto r\u00edspida:<\/p>\n<p>\u2014 Nenhum, dona: a senhora j\u00e1 tem muitos!<\/p>\n<p>Volto\u00ad-me, por fim, a desdizer o que disse Afr\u00e2nio Peixoto e repetiu Jos\u00e9 Sarney, que um acad\u00eamico s\u00e3o dois discursos, o segundo dos quais ele n\u00e3o poder\u00e1 mais ouvir. Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho marcou de tal modo a sua passagem pelo cen\u00e1rio maranhense da segunda metade do s\u00e9culo xx, que \u00e9 dif\u00edcil o imaginarmos desaparecido, sem mais nem menos, de nosso conv\u00edvio, sendo bom examinarmos se ele n\u00e3o se acha camuflado em meio a esta audi\u00eancia, prestando aten\u00e7\u00e3o a este segundo discurso a seu respeito, conferindo palavra por palavra de seu sucessor na Casa \u00e0 qual um dia ele voltou as costas para sempre.<\/p>\n<p>A seu modo, ele tamb\u00e9m ter\u00e1 sido \u201cum garoto levado da breca\u201d, podendo intuir-\u00adse, quase, venha esse timbre a firmar-se como identidade da Cadeira No 37 neste carrancudo Cen\u00e1culo da Intelig\u00eancia Maranhense. Um \u201caloprado\u201d, n\u00e3o tivesse essa palavra sofrido a deforma\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica causada pela apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de sentido que dela fez o presidente da Rep\u00fablica. Se n\u00e3o \u2014 com a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7a Aranha, no famoso epis\u00f3dio de sua confer\u00eancia na Academia Brasileira, em 1924 \u2014, de qual outro \u201caloprado\u201d h\u00e1 not\u00edcia de rompimento com uma institui\u00e7\u00e3o que, para n\u00e3o poucos, \u00e9 a capa, ou a carapa\u00e7a, com que se cobrem e se escondem em sua espera e passagem para os umbrais da imortalidade?<\/p>\n<p>Na Igreja do Velho Regime, o gesto supremo de coragem para o sacerdote era atirar a batina \u00e0s urtigas, abandonar as obriga\u00e7\u00f5es sagradas do culto. \u00c0 moda antiga, o homem de Deus tornado aos h\u00e1bitos de simples cidad\u00e3o era apontado como ap\u00f3stata, palavr\u00e3o mais pesado que o de herege ou cism\u00e1tico, den\u00fancia de infidelidade p\u00fablica e permanente, defec\u00e7\u00e3o imperdo\u00e1vel, tipo especial de sacril\u00e9gio equivalente \u00e0 morte em vida, e o qual dificultava por demais \u2014 se n\u00e3o mesmo impossibilitava de todo \u2014 os atos e pr\u00e1ticas da vida comum: contrair matrim\u00f4nio, exercer uma profiss\u00e3o, ser aceito em sociedade.<\/p>\n<p>De que outra imagem poderemos nos valer para, em compara\u00e7\u00e3o, pesar e medir a \u201caloprada\u201d coragem de Nascimento Morais Filho, quando se arrebatou do prop\u00f3sito de largar para sempre a companhia de seus pares na Academia Maranhense de Letras? A apostasia era um absurdo na teologia do catolicismo. A ren\u00fancia continua sendo um absurdo na metaf\u00edsica das academias. Ainda hoje diz o Regimento desta Casa, em seu art. 46: \u201c\u00c9 perp\u00e9tuo o t\u00edtulo de acad\u00eamico\u201d. E mesmo com a vig\u00eancia da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, cuja garantia de liberdade associativa obrigou a reescrever\u00ad-se a norma interna acad\u00eamica, eis o que foi acrescentado ao caput de referido artigo:<\/p>\n<p><em>2\u00ba O acad\u00eamico que renunciar [&#8230;] ter\u00e1 seu nome exclu\u00eddo de todos os registros da Academia, passando a figurar como per\u00edodo de vac\u00e2ncia aquele em que pertenceu \u00e0 Institui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>\u00a7 3\u00ba Verificada a hip\u00f3tese prevista neste artigo, ser\u00e1 considerado antecessor do novo acad\u00eamico eleito o antecessor imediato do que houver renunciado.<\/p>\n<p>Decreta-\u00adse nesses par\u00e1grafos a senten\u00e7a de morte do acad\u00eamico, medida decerto copiada dos regulamentos militares, pois s\u00f3 nos quart\u00e9is se encontrar\u00e1 paralelo a tamanho rigor, quando algu\u00e9m \u00e9 expulso de suas fileiras.<\/p>\n<p>Observe\u00ad-se que, para melhor an\u00e1lise, estamos distinguindo e separando o ato do fato: a ren\u00fancia e a causa da ren\u00fancia. A ren\u00fancia foi uma demonstra\u00e7\u00e3o livre, consciente e volunt\u00e1ria de estoicismo suicida. Mas, para Nascimento Morais Filho, foi a pena de pris\u00e3o perp\u00e9tua para garantir a pr\u00f3pria liberdade. Essa, a causa remota de sua dr\u00e1stica decis\u00e3o. Ele disse em um de seus livros:<\/p>\n<p><em>Liberdade<\/em><\/p>\n<p>foi o que a natureza programou para o meu ser:<\/p>\n<p>\u2014 a ordem<\/p>\n<p>a que obedecem as minhas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>E mais adiante:<\/p>\n<p><em>limpei com o povo<\/em><\/p>\n<p><em>a minha consci\u00eancia!<\/em><\/p>\n<p><em>de povo<\/em><\/p>\n<p><em>tonifiquei meu ser!<\/em><\/p>\n<p><em>agora, canto:<\/em><\/p>\n<p><em>\u2014 liberdade! liberdade! liberdade!<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o importando esmiu\u00e7ar\u00ad-se nenhuma causa remota da ruptura de meu antecessor com a Academia, transpare\u00e7a, ao inv\u00e9s, a motiva\u00e7\u00e3o imediata que lhe acendeu raz\u00f5es para isso: o capricho por assegurar \u00e0 velha Confraria a ess\u00eancia de sua pureza gen\u00e9tica. Que o sacrif\u00edcio de Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho assim seja visto e assim se guarde como li\u00e7\u00e3o pelos tempos a vir. A esta centen\u00e1ria Oficina convergem homens e mulheres que, bem ou mal, forcejam, sobre tudo e primeiro que tudo, pela express\u00e3o art\u00edstica atrav\u00e9s da escritura. Mais que simples diferen\u00e7a espec\u00edfica no quadro gen\u00e9rico dos que malham a palavra na forja de seu labor cotidiano, \u00e9 esse o seu apan\u00e1gio supremo. Elevando-\u00adse a tal plano a vigil\u00e2ncia dos guardi\u00e3es desse templo, n\u00e3o h\u00e1 confundir\u00ad-se zelo com prurido, ou escr\u00fapulo com teimosia. A pedagogia dessa cl\u00e1usula p\u00e9trea foi legado e \u00e9 cobran\u00e7a deixada pelos Doze Fundadores, conforme deduzimos pelo exemplo de Ant\u00f4nio Lobo, no relato de Carlos Gaspar, j\u00e1 mencionado.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi sem exercita\u00e7\u00f5es antecedentes que a trajet\u00f3ria de Nascimento Morais Filho culminou com a sua morte neossocr\u00e1tico-\u00adacad\u00eamica nesta outra velha Atenas. \u201cEu sou um lutador\u201d. A frase tantas vezes repetida por seu ilustre pai e que at\u00e9 ontem l\u00edamos colada ao busto daquele grande jornalista, na pra\u00e7a do Panteon, a seu filho tamb\u00e9m \u00e9 repassada, atrav\u00e9s da bagagem cromoss\u00f4mica, como s\u00famula de sua agitada biografia.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds, a 15 de julho de 1922. \u201cSua forte voca\u00e7\u00e3o de agitador de ideias\u201d \u2014 eu repito palavras de seu primo Jomar Moraes \u2014 \u201crevelou\u00adse muito cedo, quando, na lideran\u00e7a de um grupo de jovens com a participa\u00e7\u00e3o de figuras consagradas da cultura maranhense, fundou e dirigiu a Centro Cultural Gon\u00e7alves Dias, sem d\u00favida o mais importante movimento cultural de S\u00e3o Lu\u00eds na d\u00e9cada de 40\u201d,<sup>20<\/sup> de que fizeram parte Ferreira Gular, Bandeira Tribuzi, Lago Burnett, Dagmar Desterro, Vera-\u00adCruz Santana, Jos\u00e9 Filgueiras, Jos\u00e9 Bento Nogueira Neves e outros mais.<\/p>\n<p>Fala um de seus colegas daquelas priscas horas, Lago Burnett:<\/p>\n<p><em>Sempre considerei Z\u00e9 Morais e Bandeira Tribuzi os polos fundamentais de nossa gera\u00e7\u00e3o. Morais nos ensinou a cultivar os cl\u00e1ssicos; Tribuzi, sem desprez\u00e1-los, nos acenou com a viabilidade de novos rumos. Mas ambos tinham, e ainda t\u00eam, a vis\u00e3o social do caso liter\u00e1rio. Ambos sabiam e sabem que n\u00e3o se faz literatura sem povo, porque, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 para o povo que a arte se destina e \u00e9 do povo que ela nos chega, em estado bruto.<\/em><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o desse l\u00edder haver\u00e1 de ter sucedido de forma tumultu\u00e1ria como o correr de seus dias. A exuber\u00e2ncia de seu esp\u00edrito n\u00e3o lhe ter\u00e1 deixado tempo e paci\u00eancia para a realiza\u00e7\u00e3o de estudos intensivos, sistem\u00e1ticos e aprofundados em qualquer campo de saber. Em mais de um de seus livros, ele mesmo deixa esculpido o pr\u00f3prio perfil intelectual: \u201cPor natureza, forma\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia: poeta, prosador e professor. \/ Por acaso: Fiscal de Rendas do Estado do Maranh\u00e3o\u201d \u2014 fun\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m, \u201cpor acaso\u201d f\u00ea-\u00adlo encontrar e conhecer o outro Nascimento Morais Filho: o \u201cfolquelorista\u201d (sic).<\/p>\n<p>Sua obra versificada compreende: <em>Clamor da hora presente<\/em>, que, da estreia em 1955, chegou a quatro edi\u00e7\u00f5es, at\u00e9 1992; <em>Azulejos<\/em>, de 1963; e <em>Esfinge do azul<\/em>, de 1972, com segunda edi\u00e7\u00e3o em 1996, t\u00edtulos todos extra\u00eddos na capital maranhense. Considerada sob a mira da eternidade, como o dever\u00e1 ser a partir de agora, e vista em conjunto, ser\u00e1 produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o convida a uma aposta de perman\u00eancia: \u00e9 obra de leitor de poesia, cria\u00e7\u00e3o ao r\u00e9s da palavra, palavra ao r\u00e9s do ch\u00e3o, ademais de tribut\u00e1ria de inten\u00e7\u00f5es que suplantam a realiza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, tais como a ret\u00f3rica do libelo pol\u00edtico e a den\u00fancia engajada. Sabe\u00ad-se o quanto \u00e9 dif\u00edcil escapar a esse ardil, sobretudo nos tempos de juventude, e quando se luta e se labuta em esquinas miser\u00e1veis do planeta, onde muitas vezes se pratica a literatura com inten\u00e7\u00e3o de tocar fogo no mundo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 sabido que a poesia comprometida \u2014 particularmente a poesia de partido \u2014 exige uma sobrecarga inventiva apenas alcan\u00e7ada por raros poetas de alto n\u00edvel: Castro Alves, Maiakovski, Neruda, Gular. Pois n\u00e3o basta a emo\u00e7\u00e3o: \u00e9 necess\u00e1rio que a emo\u00e7\u00e3o seja recolhida em sil\u00eancio \u2014 lembra\u00ad-nos h\u00e1 quase dois s\u00e9culos o cr\u00edtico ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Ou\u00e7amos, a prop\u00f3sito, uma voz que veio de longe, na qual palavras de entusiasmo e est\u00edmulo entremeiam-\u00adse \u00e0 percep\u00e7\u00e3o sincera \u2014 sempre respeitosa e amig\u00e1vel \u2014 sobre os versos de meu antecessor. Escreve\u00ad-lhe da B\u00e9lgica Gaston\u00adHenry Aufr\u00e8re (Carta de 1o de outubro de 1955):<\/p>\n<p><em>Acabo de receber o seu livro: <\/em>Clamor da hora presente<em> e muito agrade\u00e7o ao amigo. Li os seus poemas com muito<\/em> <em>prazer, porque eu assim sou poeta <\/em>d\u2019avant\u00ad-garde<em> que n\u00e3o fica indiferente ao andar das castas laboriosas do mundo. Sa\u00fado no meu amigo um jovem poeta do povo, um desta falange dos escritores progressistas que t\u00eam a coragem de suas ideias e escreve a sua mensagem em nome do povo e dos trabalhadores, espoliados pelos capitalistas.<\/em><\/p>\n<p><em>[&#8230;].<\/em><\/p>\n<p>Talvez a poesia de meu amigo n\u00e3o tenha sempre o voo sublime que conv\u00e9m. N\u00e3o importa! O que conta \u00e9 a ideia!<\/p>\n<p>E noutro lugar, depois de afirmar que o nosso Z\u00e9 Morais levanta o seu <em>Clamor<\/em> \u201cem trombeta \u00e9pica\u201d: \u201cQuando a poesia de Morais Filho estiver purificada de algumas banalidades e lugares comuns, haver\u00e1 de estar no n\u00edvel da de um Maiakovski e de um Ritsos, e o Brasil ter\u00e1 um grande poeta\u201d.<sup>21<\/sup><\/p>\n<p>Podemos adivinhar o que responderia o destinat\u00e1rio de tal mensagem a seu correspondente e a todos os demais leitores: \u201cPrefiro ser o \u00faltimo, sendo eu, a querer ser o primeiro, sendo outro\u201d \u2014 \u00e9 esse um de seus Pensamentos, colhido em lista do livro <em>Esfinge do azul<\/em>.<\/p>\n<p>Versos de Nascimento Morais Filho serviram de letra para a m\u00fasica de compositores como Ribamar Fiquene, Ant\u00f4nio Vieira, Lopes Bogeia e Jos\u00e9 de Ribamar Passos (Chamin\u00e9), mistura intersemi\u00f3tica que certifica, de per si, seu desejo de ser simples e direto, no intuito de alcan\u00e7ar o ouvinte comum, deixando \u00e0 vista o quanto seus escritos se entendem com a linha da oralidade.<\/p>\n<p>E foi essa preocupa\u00e7\u00e3o com a oralidade, com auscultar o cora\u00e7\u00e3o de sua gente e com ele sintonizar\u00ad-se, que o levou \u00e0 cultura popular. S\u00e3o de sua lavra neste campo: <em>P\u00e9 de conversa<\/em>, de 1957, <em>O que \u00e9 o que \u00e9?<\/em>, de 1972, e <em>Cancioneiro geral do Maranh\u00e3o<\/em>, 1\u00ba v., de 1976. Seu entusiasmo pelo folclore o fez conceber projetos grandiosos, n\u00e3o realizados: uma <em>Enciclop\u00e9dia do folquelore<\/em> (sic) maranhense, um<em>Cancioneiro geral do Maranh\u00e3o<\/em>, de que saiu, em 1\u00ba volume, uma colet\u00e2nea de nossas quadras po\u00e9ticas tradicionais, apanhadas de antigos peri\u00f3dicos e da voz do povo, trabalhos que, no tocante \u00e0 sua terra, ele pretendia corressem em paralelo ao empreendimento de C\u00e2mara Cascudo para todo o Brasil.<\/p>\n<p>Sua atividade multif\u00e1ria o fez pesquisador muito a seu modo, sem maiores desvelos met\u00f3dicos e com a indisciplina pr\u00f3pria de seu temperamento. Por seu esfor\u00e7o em procura de pap\u00e9is velhos do passado maranhense, fez reeditar o livro <em>A metaf\u00edsica da contabilidade comercial<\/em> (1986), de Est\u00eav\u00e3o Rafael de Carvalho, e o jornal <em>O Bentevi<\/em> (1986), indispens\u00e1vel para quem se dedique a rastrear a hist\u00f3ria da Balaiada. Muito especialmente, o Maranh\u00e3o e o Brasil lhe ficar\u00e3o para sempre devedores por ele haver ressuscitado o nome de Maria Firmina dos Reis, promovendo\u00ad-lhe a edi\u00e7\u00e3o fac-\u00adsimilar do romance <em>\u00darsula<\/em> e fragmentos de outros escritos da not\u00e1vel escritora conterr\u00e2nea. Como acontece, compreensivelmente at\u00e9, com muitos estudiosos que exageram na paix\u00e3o por seus achados, Nascimento Morais Filho sobrevalorizou o pr\u00f3prio feito. Por sua singularidade e seu pioneirismo, Maria Firmina dos Reis h\u00e1 de constar necessariamente na hist\u00f3ria da cultura maranhense, na sociologia de nossas ideias, de nossas pr\u00e1ticas sociais, e n\u00e3o bem de nossa literatura. \u201cPoetisa med\u00edocre e ficcionista desimportante\u201d \u2014 a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Jomar Moraes \u2014 \u201cMaria Firmina dos Reis n\u00e3o tem, mesmo nos limites da literatura maranhense, a significa\u00e7\u00e3o que recentemente pretenderam atribuir\u00ad-lhe\u201d.<sup><sup>22<\/sup><\/sup><\/p>\n<p>Mas quem, tendo vivido no Maranh\u00e3o da d\u00e9cada dos 80, desconhece o movimento insistente, resistente e renitente, que foi o Comit\u00ea de Defesa da Ilha de S\u00e3o Lu\u00eds? Dif\u00edcil inventar iniciativa mais ao gosto de Jos\u00e9 do Nascimento Morais Filho, de sua op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, pela qual ele cresceu, sobrepujou-\u00adse de suas humanas propor\u00e7\u00f5es, agigantou\u00ad-se como paladino da causa ecol\u00f3gica, da qual, \u00e0queles tempos, mal se tinha not\u00edcia. O gigante assim constitu\u00eddo vestiu-\u00adse em pele de le\u00e3o e deitou a sua ira sobre o deserto de nossa indiferen\u00e7a. O poeta arrebatou\u00ad-se em f\u00faria de profeta, passou a alimentar\u00ad-se de gafanhotos, voltou-\u00adse furibundo contra uma poderosa multinacional e contra o governo que lhe fazia concess\u00f5es, no m\u00ednimo, desnecess\u00e1rias e descabidas. E n\u00e3o esque\u00e7amos que ainda andava em vig\u00eancia o governo fechado do Regime Militar. Nada o intimidava. Ele soube arregimentar adeptos, sobretudo entre os mais jovens, atacou, foi contra\u00ad-atacado, fez com\u00edcios, passeatas, manifestos, bradou aos quatro ventos, bateu \u00e0s portas dos tribunais e, perdendo, sagrou-\u00adse campe\u00e3o. N\u00e3o importa se quase tr\u00eas d\u00e9cadas depois, parecem demasiadas ou infundadas as suas invectivas, se a ind\u00fastria pesada que ele pesadamente acusava tem ganho at\u00e9 pr\u00eamios internacionais por seu cuidado no manejo ambiental em S\u00e3o Lu\u00eds. Perguntemos: como seriam as coisas, se t\u00e3o veemente n\u00e3o houvesse sido o seu protesto? Chuvas de \u00e1cido sulf\u00farico n\u00e3o ca\u00edram ainda sobre a velha Upaon-\u00adA\u00e7u, gra\u00e7as a Deus. Mas o que poderia ter feito uma grande empresa cujo objetivo maior e primeiro que todos \u00e9 o lucro, e \u00e0 qual demos tudo ou quase tudo, se o brado de Nascimento Morais Filho n\u00e3o se cristalizasse no tempo e no espa\u00e7o, levado em eco pela vira\u00e7\u00e3o que sopra nesta Ilha sobre nossas cabe\u00e7as e nossas consci\u00eancias, advertindo\u00ad-nos que, tamb\u00e9m no plano ecol\u00f3gico, o pre\u00e7o da liberdade \u00e9 a eterna vigil\u00e2ncia?<\/p>\n<p>Grande Z\u00e9 Morais! Que responsabilidade a minha: refazer os la\u00e7os que rompeste com a tua Casa, Casa da fam\u00edlia Morais, de teu pai, de teu irm\u00e3o, de teu primo, reunir\u00ad-te aos teus pares, que tanto ganhar\u00e3o por teu conv\u00edvio\u2026 Reavivar e reviver os teus ideais de liberdade, manter aclamada e acolhida a causa pela qual tanto te empenhaste. De onde estiveres, assiste\u00ad-me, d\u00e1\u00ad-me as for\u00e7as que tiveste, para que eu tamb\u00e9m me agigante a mim mesmo e seja fiel a teu compromisso.<\/p>\n<p>Em minha toada de chegan\u00e7a a este recinto lembrei meu pai. Permitam\u00ad-me agora que eu a encerre, prestando homenagem \u00e0 outra pessoa, uma das quais mais quero bem nesta vida. Dona Clarice Pinto Haickel, minha m\u00e3e que completa exatamente hoje 80 anos, \u2014 idade que n\u00e3o acredito poderei alcan\u00e7ar \u2014 e essa \u00e9 a raz\u00e3o de eu haver escolhido esta data para oficialmente ingressar neste templo sagrado.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia desta noite \u00e9 o presente que um filho deposita jubilosamente nas m\u00e3os de sua m\u00e3e, porque a ela lhe pertence, todo, inteiro.<\/p>\n<p>M\u00e3e, meu presente para ti, nesse teu anivers\u00e1rio, \u00e9 a honra e o reconhecimento que homens e mulheres da Academia Maranhense de Letras demonstraram a teu Jotinha por eventuais m\u00e9ritos seus. M\u00e9ritos, se os tenho, devo-\u00ados ao Deus que me ensinaste a honrar e respeitar e, depois dele, a ti, mais que a ningu\u00e9m, pois tudo que sou, tudo que alcancei nessa vida, devo a ti. Ao que me ensinaste, ao que me possibilitaste aprender, \u00e0s cortinas e portas que abriste para que eu pudesse ir, sem jamais me distanciar de teu carinho e de teu amor.<\/p>\n<p>Que presente poderia dar para algu\u00e9m que fez tudo por mim. Que al\u00e9m de me fazer por amor a um homem, me criou, quase que a sua imagem e semelhan\u00e7a?<\/p>\n<p>Eu cresci, sou grande, mas todo esse meu tamanho \u00e9 pequeno para conter o amor e a gratid\u00e3o que tenho por ti, pois de nada adiantaria as oportunidades que meu pai me proporcionou se n\u00e3o viesse junto com elas a tua do\u00e7ura e a tua bondade.<\/p>\n<p>Poderia continuar aqui falando a noite toda, as mesmas <em>Mil e uma noites <\/em>em que lias para mim, antes de dormir. Se mais n\u00e3o falo, \u00e9 porque a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o me deixa \u2014 e porque emo\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas n\u00e3o cabem no estreito estu\u00e1rio da palavra.<\/p>\n<p>Por fim, mesmo incorrendo em blasf\u00eamia, tenho certeza que meu bom e misericordioso Deus me perdoar\u00e1 por mais isso\u2026 \u201ca ti, toda honra e toda a gl\u00f3ria, agora e para sempre\u2026\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE RECEP\u00c7\u00c3O por\u00a0Jos\u00e9 Louzeiro<\/h5>\n<p>Caros amigos, ilustres confrades desta nossa t\u00e3o querida Academia Maranhense de Letras, sabiamente conduzida por Lino Moreira, sucessor dos valorosos intelectuais Joaquim Itapary e Jomar Moraes, que tantos e importantes trabalhos j\u00e1 desenvolveram em benef\u00edcio desta Casa:<\/p>\n<p>Este dia 2 de outubro de 2009 passa a ser, para mim, um dia de extrema import\u00e2ncia, pois aqui estou para recepcionar o querido amigo e agora confrade Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel, a quem conhe\u00e7o desde os tempos da revista <em>Guarnic\u00ea<\/em>, aventura bem sucedida de criar em nossa terra, no come\u00e7o dos anos 80, uma revista que falava de arte, literatura, cinema e cultura, de modo geral.<\/p>\n<p>Mas, antes disso, gostaria de poder dizer-\u00adlhes das recorda\u00e7\u00f5es que tenho deste lugar. Neste mesmo pr\u00e9dio funcionou a Biblioteca P\u00fablica do Estado, e era para c\u00e1 que eu vinha, aluno do Col\u00e9gio S\u00e3o Lu\u00eds, do professor Lu\u00eds Rego, fazer minhas pesquisas e exerc\u00edcios de Geografia, que a professora Maria Freitas passava e a que exigia aplica\u00e7\u00e3o. Aqui chegando, neste casar\u00e3o cheio de livros, passei a contar com a ajuda de um funcion\u00e1rio da Casa, que era o poeta Correia da Silva, membro desta Academia, e com quem muito aprendi. Ele era filho de dona Seluta, pessoa admir\u00e1vel, que vivia seus dias a lavar e engomar, mas tirava um deles por semana para fazer as entregas nas casas da sua clientela. Meu pai lavava suas camisas de punhos duplos com ela. Era parte de sua indument\u00e1ria de di\u00e1cono da Igreja Presbiteriana, ali na pra\u00e7a da Alegria, cujo pastor titular era Benedito Aguiar.<\/p>\n<p>Ao voltar a esta Academia, senhor presidente, meus ilustres confrades, minhas senhoras e meus senhores, sinto\u00ad-me tomado pela emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se estivesse retornando \u00e0 minha pr\u00f3pria casa, que ficava na Camboa do Mato, onde havia uma f\u00e1brica de fia\u00e7\u00e3o e tecelagem, que empregava quase todas as pessoas da regi\u00e3o, principalmente as mulheres.<\/p>\n<p>Mas hoje minha fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 falar de mim, nem do passado desta cidade que tanto amo, e, sim, receber para nosso conv\u00edvio um jovem admir\u00e1vel por seu talento, por seu car\u00e1ter, por seu temperamento franco e alegre. Por sua literatura leve, coloquial e cinematogr\u00e1fica. Homem conhecido por n\u00e3o fugir das pol\u00eamicas, por defender suas ideias com unhas e dentes, e por sempre colocar a arte e a cultura de nossa terra em primeiro lugar. Falo de Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel.<\/p>\n<p>Quero primeiramente agradecer ao Joaquim por ele ter me distinguido dentre tantos confrades para saud\u00e1-\u00adlo neste dia t\u00e3o importante. Penso que ele fez isso n\u00e3o apenas por sermos bons amigos, mas tamb\u00e9m como gesto simb\u00f3lico, para distinguir especificamente o segmento art\u00edstico e liter\u00e1rio a que tanto ele quanto eu estamos mais ligados: a literatura voltada para o audiovisual, para a televis\u00e3o, para o cinema documental e ficcional.<\/p>\n<p>Joaquim Haickel deve ser exaltado por seu talento liter\u00e1rio multifacetado, ora como contista, ora como poeta, ora como articulista, e agora, mais recentemente, tamb\u00e9m como cineasta premiado dentro e fora de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Joaquim se destaca em um cen\u00e1rio no qual figuram personagens marcantes de nossas letras e de nossa cultura. Nomes como os de bons cronistas, renomados poetas e pesquisadores obstinados, como \u00e9 o caso de companheiro Ubiratan Teixeira que, sozinho, fez um dicion\u00e1rio de teatro e de suas personalidades, coisa essa que no Rio seria obra de uma numerosa equipe. E o que \u00e9 melhor: a edi\u00e7\u00e3o \u00e9 primorosa, do Instituto geia que tem publicado obras da maior relev\u00e2ncia e alta qualidade gr\u00e1fica, e conta com a supervis\u00e3o do nosso tamb\u00e9m confrade Sebasti\u00e3o Moreira Duarte.<\/p>\n<p>Entre os poetas, que por aqui desenvolvem seus trabalhos, eu ouso mencionar alguns que s\u00e3o de alt\u00edssima relev\u00e2ncia, como Laura Am\u00e9lia Damous e Arlete Nogueira da Cruz, Ceres Fernandes, Alex Brasil e mestre Nauro Machado. H\u00e1 o fertil\u00edssimo Lu\u00eds Augusto Cassas, Salgado Maranh\u00e3o, o saudoso Bandeira Tribuzi e o cl\u00e1ssico Jos\u00e9 Chagas, sem nos esquecermos de Roberto Kenard e Celso Borges, parceiros de Joaquim na revista <em>Guarnic\u00ea<\/em>.<\/p>\n<p>Entre os ficcionistas de primeira linha est\u00e3o Jos\u00e9 Sarney, com sua obra\u00adprima, <em>Saraminda<\/em>, Ivan Sarney, com o inesquec\u00edvel <em>Chap\u00e9u de couro e palha<\/em>, e o jovem Jos\u00e9 Ewerton Neto, conquistador de pr\u00eamios. Entre os pesquisadores temos que lembrar Jomar Moraes e Lino Raposo Moreira, respons\u00e1veis pela bem cuidada 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do <em>Dicion\u00e1rio hist\u00f3rico-geogr\u00e1fico da Prov\u00edncia do Maranh\u00e3o<\/em>, de C\u00e9sar Augusto Marques. Jomar elaborou o trabalho cr\u00edtico, numa bel\u00edssima edi\u00e7\u00e3o, Lino incumbiu\u00ad-se do \u00edndice remissivo da importante obra.<\/p>\n<p>Outros renomados estudiosos da nossa Hist\u00f3ria s\u00e3o Carlos Gaspar, M\u00edlson Coutinho e o admir\u00e1vel historiador que \u00e9 Carlos de Lima.<\/p>\n<p>Se os nossos escritores s\u00e3o ignorados pelos cr\u00edticos do sul do pa\u00eds, azar deles, dos cr\u00edticos, pois isso significa, al\u00e9m de preconceito, limita\u00e7\u00e3o cultural e, por que n\u00e3o dizer, mental.<\/p>\n<p>Esta nossa cidade continua a ser um celeiro de pensadores e grandes mestres da arte de escrever. E entre os expoentes da nova gera\u00e7\u00e3o de intelectuais, \u00e9 para mim prazeroso aqui estar para falar de um dos mais expressivos deles: Joaquim Haickel, agora membro desta Academia.<\/p>\n<p>Conheci Joaquim Haickel na lide das letras e da cultura, na \u00e9poca do Guarnic\u00ea, mas foi Ivan Sarney quem nos aproximou ainda mais, atrav\u00e9s de nossa paix\u00e3o comum, o cinema. Quer\u00edamos implantar em S\u00e3o Lu\u00eds um polo de cinema e, reunidos, numa dessas noites agrad\u00e1veis, na casa de um amigo, lan\u00e7amos a ideia, que n\u00e3o vingou.<\/p>\n<p>Mas, sendo Joaquim Haickel um transformador de sonhos em realidade, jamais tirou de mira a inten\u00e7\u00e3o de criar um polo de cinema nesta nossa querida cidade.<\/p>\n<p>Eu vinha de maravilhosas experi\u00eancias no cinema. Havia feito os roteiros cinematogr\u00e1ficos de <em>L\u00facio Fl\u00e1vio, o passageiro da agonia <\/em>e <em>Inf\u00e2ncia dos mortos<\/em>, que resultou no filme <em>Pixote<\/em>, ambos baseados em romances de minha autoria e dirigidos no cinema pelo argentino Hector Babenco.<\/p>\n<p>Ivan j\u00e1 havia feito repetidas experi\u00eancias com o saudoso Super\u00ad8 e Haickel era apenas um cin\u00e9filo de primeira linha. J\u00e1 vira quase todos os filmes exibidos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nosso novo confrade \u00e9 o primeiro filho de Clarice e Nagib Haickel e nasceu no dia 13 de dezembro de 1959. Sonhador, rom\u00e2ntico, aventureiro, apaixonado, corajoso, honrado. Devotado a dois verbos essenciais: pensar e fazer.<\/p>\n<p>Joaquim nasceu em uma \u00e9poca de muita efervesc\u00eancia. Uma \u00e9poca que deu seus frutos no que viria a se constituir na maravilhosa gera\u00e7\u00e3o dos anos 60 e 70, com sua rebeldia, seu culto \u00e0 juventude, a op\u00e7\u00e3o pela imagem. Foi quando a televis\u00e3o, rec\u00e9m-\u00adchegada nesta capital, tomou de assalto os lares e as noites dos ludovicenses. Joaquim \u00e9, em sentido pr\u00f3prio, o primeiro daquela gera\u00e7\u00e3o a renovar as for\u00e7as criativas desta institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O novo acad\u00eamico estudou nos col\u00e9gios Pituchinha, Batista e Dom Bosco. Formou\u00ad-se em Direito pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu primeiro livro, escrito entre 1975 e 76, s\u00f3 foi lan\u00e7ado em 1980. Intitula\u00ad-se <em>Confiss\u00f5es de uma caneta<\/em>, contos premiados no concurso Cidade de S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Em 1981, lan\u00e7ou <em>O quinto cavaleiro<\/em>, poemas. Em 1982, premiado no concurso Secma\/Sioge\/Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, lan\u00e7ou o livro de contos <em>Garrafa de ilus\u00f5es<\/em>. Tamb\u00e9m em 82, Joa quim Haickel e Celso Borges, coadjuvados por Roberto Ke nard, Ivan Sarney, Ronaldo Braga e pelo irm\u00e3o ca\u00e7ula de Joaquim, Nagibinho, produziram e apresentaram o programa Em Tempo de Guarnic\u00ea, levado ao ar todas as ter\u00e7as-\u00adfeiras pela ent\u00e3o jovem Mirante fm. Foi um programa pioneiro e de sucesso que falava de literatura, arte, cultura e tocava a m\u00fasica feita, com muita compet\u00eancia, no Maranh\u00e3o. Esse programa de r\u00e1dio foi o embri\u00e3o do que viria ser, logo em seguida, a mais importante revista cultural maranhense daquele tempo.<\/p>\n<p>Manuscritos, seu segundo livro de poemas, quarto at\u00e9 ent\u00e3o, foi lan\u00e7ado em 1983, quando tamb\u00e9m ele come\u00e7ou a editar a revista <em>Guarnic\u00ea<\/em>, que foi publicada at\u00e9 1986.<\/p>\n<p>Gostaria de ler para voc\u00eas quatro dos poemas feitos por Joaquim nessa \u00e9poca, textos que, para alguns, s\u00e3o na verdade minicontos, e que acredito estarem entre os melhores, n\u00e3o s\u00f3 entre os de sua lavra, mas de seu tempo:<\/p>\n<p><em>CARRACA<\/em><\/p>\n<p>Quando se tira<\/p>\n<p>mais do que se p\u00f5e<\/p>\n<p>o poema vira escultura.<\/p>\n<p><em>SER MENINO<\/em><\/p>\n<p>Arriar o cal\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>e mijar o mundo.<\/p>\n<p>PADRE-NOSSO<\/p>\n<p>No lugar onde nasci, o padre, tr\u00eas horinhas, sa\u00eda pela sacristia<\/p>\n<p>e cruzava a Pra\u00e7a Cursino Rabelo<\/p>\n<p>\u2014 nome do av\u00f4 do ex-prefeito.<\/p>\n<p>Toalha branca no pesco\u00e7o, saboneteira na m\u00e3o, quixotesco, ia<\/p>\n<p>banhar-se na casa da vi\u00fava Sib\u00e1<\/p>\n<p>\u2014 dona da padaria.<\/p>\n<p>Seis horas, j\u00e1 banhado e paramentado, rezava a Missa: Em<\/p>\n<p>nome do Pai, do Filho e do Esp\u00edrito Santo&#8230;<\/p>\n<p>\u201camante\u201d.<\/p>\n<p><em>AMBULANTE<\/em><\/p>\n<p>Maria Rita armava barraca na mureta da<\/p>\n<p>Pra\u00e7a Benedito Leite e vendia: doist\u00e3o de<\/p>\n<p>pernas grossas; duas coxas macias, ancas<\/p>\n<p>graciosas e luzidias como as da \u00e9gua Esmeralda,<\/p>\n<p>caso de amor de seu Dico.<\/p>\n<p>Cintura de umbigo tufado \u2014 culpa da parteira<\/p>\n<p>dona Maria Jos\u00e9 do Bom Parto.<\/p>\n<p>Peitos ainda durinhos, mas j\u00e1 querendo<\/p>\n<p>murchar de tanto fregu\u00eas apalpar.<\/p>\n<p>Pesco\u00e7o de bailarina, cabelos de espanhola, olhos de mo\u00e7a-<\/p>\n<p>-virgem e andar de brincar ganzola.<\/p>\n<p>Maria Rita armava barraca e vendia&#8230;<\/p>\n<p>Em 1984, Joaquim e seus comparsas lan\u00e7aram a <em>Antologia po\u00e9tica Guarnic\u00ea<\/em>. Em 1985, a <em>Antologia er\u00f3tica Guarnic\u00ea<\/em>. Em 86, o livro de contos <em>Clara cor de rosa<\/em>. Depois de uma pausa editorial, em 89, ele re\u00fane poemas em <em>Salt\u00e9rio de tr\u00eas cordas<\/em>, juntamente com Rossine Correia e Pedro Braga dos Santos.<\/p>\n<p>Mas foi s\u00f3 em 1990, segundo o pr\u00f3prio Haickel, que amadureceu o seu primeiro livro (\u201cos outros haviam sido apenas ensaios do que viria\u201d): colet\u00e2nea de contos lan\u00e7ada pela Editora Global, <em>A ponte<\/em>, foi bem recebida por Artur da T\u00e1vola e Nelson Werneck Sodr\u00e9, a quem presenteei um exemplar do livro de Joaquim. Nelson reconheceu nele o talento inato dos bons contadores de hist\u00f3ria, como disse em carta endere\u00e7ada a Joaquim. A Artur, que seria colega de Joaquim na Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, coube prefaciar <em>A ponte<\/em>. L\u00e1 ele diz:<\/p>\n<p><em>Joaquim Haickel \u00e9 um facundo. Na vida como na literatura. Raros escritores s\u00e3o, na arte, o que na vida s\u00e3o. E sua fac\u00fandia existencial estica-se para a literatura. \u00c9 um c\u00e9lere, um devorador&#8230; A mistura de velho \u00e1rabe s\u00e1bio com garoto levado, que lhe marca a tipologia e o temperamento, aparece nos contos&#8230; Sua literatura imita-lhe a vida. E sua vida (ah! que al\u00edvio) \u00e9 venturosa. Sim, enfim, senhores, eis que surgiu algu\u00e9m naturalmente feliz e que do fundo da alegria de viver \u00e9 capaz de encontrar a tragicidade, o espanto, a parada sens\u00edvel. E assim como se atira a viver, sem tr\u00e9guas, lam\u00farias ou timidez, vai criando e devorando viv\u00eancias e personagens com apetite invej\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p>No posf\u00e1cio de <em>A ponte<\/em>, Rossine Correia mostra mais uma vez o Joaquim inventor de realidades t\u00e3o veross\u00edmeis, que s\u00e3o capazes de enganar at\u00e9 os mais argutos:<\/p>\n<p><em>Quanto a mim, viciado em leitura a ponto de j\u00e1 haver sofrido a acusa\u00e7\u00e3o de gostar mais dos livros do que dos homens, nem sempre descobri o caminho da fonte, qui\u00e7\u00e1 por amor a muitos deles, chegando a ser logrado pelo autor de A ponte. Acontece que lera um conto sobre a Coluna Prestes, narrado por um certo T\u00e9rio Tino, testemunha ocular daquela aventura. Encontrando o escritor em uma manh\u00e3 de sol tropical, entre ladeiras e sobrados, lhe perguntei como e onde poderia entrevistar o tal personagem, que ele, em uma nota de p\u00e9 de p\u00e1gina, dissera estar vivo, com 70 anos, num asilo de mendicidade em S\u00e3o Lu\u00eds. Como eu poderia perder a oportunidade de conhecer um her\u00f3i popular, vivo e mendigo, relacionado \u00e0 Coluna Prestes? Percebendo que eu, um historiador, confundira totalmente as fronteiras da verdade e da fantasia, Joaquim Haickel explodiu em uma gargalhada&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Passando ao campo da cinematografia, Joaquim produziu o filme <em>The best friend<\/em>, <em>O amig\u00e3o<\/em>, que conquistou os pr\u00eamios de melhor filme do j\u00fari popular, e melhor filme de cineasta maranhense do j\u00fari oficial, no Festival Guarnic\u00ea de Cinema e V\u00eddeo, realizado pela Universidade Federal do Maranh\u00e3o em 1984. Naquele mesmo ano, participou de um concurso de roteiros para cinema, promovido pelo Departamento de Assuntos Culturais da ufma, no qual mereceu men\u00e7\u00e3o honrosa. Mas, para ele, o mais importante daquele evento foi o coment\u00e1rio de um dos jurados, Jos\u00e9 Chagas, hoje seu confrade, que confessava n\u00e3o estar preparado para ler um roteiro apresentado da forma t\u00e9cnica como aquele fora apresentado. Chagas disse mais: tinha certeza que ali havia uma hist\u00f3ria com potencial incr\u00edvel para ser contada em forma de filme. \u00c9 que Joaquim havia comprado um livro de Doc Comparato sobre como fazer roteiro para cinema e televis\u00e3o e preparou a adapta\u00e7\u00e3o de um conto seu, com roteiro t\u00e9cnico, marca\u00e7\u00e3o de c\u00e2mera, ilumina\u00e7\u00e3o e sequ\u00eancia, n\u00e3o se atendo apenas ao argumento liter\u00e1rio e \u00e0 sinopse cinematogr\u00e1fica. Tratava-\u00adse de A Vingan\u00e7a, que est\u00e1 em seu livro <em>Garrafa das ilus\u00f5es<\/em>. Joaquim tentou realizar o respectivo filme, mas n\u00e3o o conseguiu, por dificuldades t\u00e9cnicas e porque, naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia no Maranh\u00e3o uma atriz com desprendimento e desnudamento bastantes para desempenhar determinado papel desprovida de qualquer pano.<\/p>\n<p>Mas Joaquim \u00e9 incans\u00e1vel: descansa carregando piano. Dorme com um olho aberto, para n\u00e3o perder o momento que passa.<\/p>\n<p>Em 2003, na comemora\u00e7\u00e3o dos vinte anos da revista <em>Guar nic\u00ea<\/em>, a Clara Editora e as Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea publicaram o <em>Almanaque Guarnic\u00ea<\/em>, esp\u00e9cie de ensaio-\u00adentrevista\u00ad-reportagem, a cargo de F\u00e9lix Alberto Lima, na qual vem narrada a trajet\u00f3ria do seman\u00e1rio e de seus idealizadores. Tamb\u00e9m em parceria com a Clara Editora, Joaquim lan\u00e7ou naquela ocasi\u00e3o uma colet\u00e2nea de seus melhores artigos publicados no site Clara on Line.<\/p>\n<p>E como j\u00e1 est\u00e1 demonstrado que a sua inven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da imagem cinematogr\u00e1fica est\u00e1 associada \u00e0s artes de sua cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, fa\u00e7amos a passagem de um terreno para outro, com o que lan\u00e7aremos mais luzes sobre o perfil multif\u00e1rio de Joaquim Haickel.<\/p>\n<p>A modo de aperitivo, assinalemos que o inquieto e indisciplinado Joaquim valeu-\u00adse da ajuda de diversos amigos para fazer em Pa\u00e7o do Lumiar, em 2008, o curta\u00ad-metragem <em>Padre Nosso<\/em>, de 58 segundos, baseado em um poema de sua autoria.<\/p>\n<p>Curiosa traquinagem, por\u00e9m, foi a do primog\u00eanito de Nagib Haickel, a qual culminou com a realiza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m em 2008, de um antigo sonho seu: roteirizar, produzir e dirigir um filme, baseado no conto Pelo Ouvido, por ele escrito nos anos 80 e publicado em seu livro <em>A ponte<\/em>. Esse conto foi dado a p\u00fablico pela primeira vez de modo ins\u00f3lito e singular, como n\u00e3o raro ocorre com fatos e fa\u00e7anhas da hist\u00f3ria pessoal desse habilidoso carcamano Haickel.<\/p>\n<p>Contemos o fato pela palavra de F\u00e9lix Alberto Lima:<\/p>\n<p><em>O escritor ga\u00facho Caio Fernando Abreu veio a S\u00e3o Lu\u00eds ministrar uma oficina de conto para jovens poetas, escritores, jornalistas e universit\u00e1rios maranhenses. Organizado por Teresa Nascimento e Telma Rego, o evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio Carlos Alvim, Raimundo Garrone, Wilson Marques, Paulo Melo Sousa, Lu\u00eds In\u00e1cio, Mois\u00e9s Matias e Marilda Mascarenhas, entre outros.<\/em><\/p>\n<p>Uma semana de exerc\u00edcios liter\u00e1rios e leitura de textos de Machado de Assis, L\u00edgia Fagundes Teles, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, etc. Cada dia um conto indicado por algu\u00e9m da oficina, com uma posterior rodada de coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>No pen\u00faltimo dia do curso, Joaquim Haickel sugeriu a leitura em grupo do conto Pelo Ouvido, de David Linch, o diretor e roteirista norte\u00ad-americano. Lido o conto na oficina, a maioria do grupo \u2014 inclusive o pr\u00f3prio Caio Fernando Abreu \u2014 reconheceu, escancaradamente, tra\u00e7os cinematogr\u00e1ficos que ligavam o texto a experi\u00eancias anteriores do soturno diretor de <em>Veludo azul<\/em>, <em>Cora\u00e7\u00e3o selvagem<\/em> e <em>Twin peaks<\/em>. O conto, ambientado em Georgetown, bairro de Washington, tem como personagens Churck e Kate.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o constrangimento foi geral. Soube\u00ad-se que o conto Pelo Ouvido era de Joaquim Haickel, e n\u00e3o de David Linch.<\/p>\n<p>Transmudado para o c\u00f3digo da imagem em movimento, <em>Pelo Ouvido<\/em> foi selecionado para mais de 120 festivais de cinema, no Brasil e no exterior. Mencionemos alguns: o 12\u00ba Los Angeles Latino International Film Festival, o 34\u00ba Festival de Cine Ibero\u00adamericano de Huelva, o Festival des Films du Monde, do Canad\u00e1, o Festival International du Film d\u2019Amour da B\u00e9lgica, o European Independent Film Festival 2009, o Festival Internacional de Filme Independente de Hamburgo, o 30\u00ba Festival Internacional del Nuevo Cine Latino\u00adamericano de Cuba, o 3\u00ba New Beijing International Movie Week.<\/p>\n<p>Quanto a pr\u00eamios, em espec\u00edfico, <em>Pelo Ouvido<\/em> ganhou nada menos que doze at\u00e9 agora, entre eles o de melhor filme, no 17\u00ba Concurso Iberoamericano de Cortometrajes de Cartagena, na Col\u00f4mbia; o de melhor diretor, no Boston International Film Festival, nos Estados Unidos; o pr\u00eamio especial do j\u00fari, na Mostra de Cinema Latino-americ\u00e0 de Catalunya, na Espanha.<\/p>\n<p>\u00c9 que, ao ser transposto para o cinema, o relato de Pelo Ouvido ganhou vida e se transformou numa pe\u00e7a de rara profundidade psicol\u00f3gica, sem falar nas qualidades t\u00e9cnicas que o trabalho, em imagens e sons, alcan\u00e7ou.<\/p>\n<p>Se Joaquim quisesse fazer um longa-\u00admetragem, era s\u00f3 estender um pouco a magn\u00edfica atua\u00e7\u00e3o do talentoso casal de atores Eucir Sousa e Amanda Acosta. Bastaria aliviar a m\u00e3o pesada e cr\u00edtica de contista-\u00adroteirista e deixar no corpo do filme o que acabou por figurar apenas no <em>making-of<\/em> constante do respectivo dvd.<\/p>\n<p>Nesse trabalho de Haickel, o que surpreende \u00e9 a sutileza com que ele trabalha a rela\u00e7\u00e3o da jovem executiva de vendas, saud\u00e1vel e bonita, com o marido escultor e poeta, surdo e cego, que lhe tem amor intenso e \u00e9 correspondido. Mas, para que a rela\u00e7\u00e3o seja perfeita, ela tem que escutar as cantadas que outro obstinado admirador lhe passa, de que ela gosta e a que d\u00e1 corda, sem jamais se encontrar com ele. Em certo momento, estando na cama, esculpida pelas m\u00e3os suaves e sequiosas do marido, ela telefona para o admirador e se relaciona com o seu parceiro real, ouvindo as palavras do amante virtual como se fossem as do amado presente. O momento \u00e9 tocante, a inven\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria: numa hist\u00f3ria de amor em que nada parecia haver de inovador, Joaquim Haickel consegue dar a volta por cima, descobrindo um caminho novo, admiravelmente inusitado. A fala do amante invis\u00edvel orienta a mulher para melhor relacionar\u00ad-se com o marido, em sua sepultura viva de eterno sil\u00eancio.<\/p>\n<p>\u00c9 simplesmente genial. Posso dizer que Joaquim Haickel \u00e9 artista dotado de grande capacidade de avalia\u00e7\u00e3o dos sentimentos humanos, e eu aqui estou para receb\u00ea\u00adlo tamb\u00e9m como ficcionista, como um senhor inventor de hist\u00f3rias, de estilo enxuto, de linguagem cuidadosa e esmerada.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o para nisso a ansiedade inventiva do guerrilheiro palestino que a partir de agora arma sua partida no o\u00e1sis de nosso conv\u00edvio. Joaquim tem projetos liter\u00e1rios engatilhados: lan\u00e7ar\u00e1 at\u00e9 o final de novembro deste ano o livro <em>Dito &amp; feito<\/em>, sele\u00e7\u00e3o das cr\u00f4nicas que tem publicado aos domingos no jornal <em>O Estado do Maranh\u00e3o<\/em>, nos \u00faltimos quinze anos.<\/p>\n<p>Para 2010, quando completar\u00e1 trinta anos do lan\u00e7amento do seu primeiro livro, Joaquim pretende nos presentear com uma obra incomum. Chamar\u00ad-se-\u00ad\u00e1 <em>M\u00faltiplo de quatro <\/em>e reunir\u00e1 o melhor de sua produ\u00e7\u00e3o. Ser\u00e3o contos, poemas, cr\u00f4nicas, roteiros de cinema, discursos proferidos na Assembleia Legislativa do Maranh\u00e3o, entrevistas, fotografias.<\/p>\n<p>Em 2011, preparemo-\u00adnos para a leitura de alguns de seus discursos pol\u00edticos em <em>A palavra quando acesa<\/em> (o t\u00edtulo \u00e9 uma homenagem ao poeta Jos\u00e9 Chagas, de quem o tomou emprestado). Para 2012, antes de o mundo acabar, teremos o que, segundo o pr\u00f3prio autor, ser\u00e1 sua obra definitiva, e na qual Joaquim Haickel falar\u00e1 de sua maior paix\u00e3o, o cinema. Refiro-\u00adme a <em>365 filmes para n\u00e3o precisar de psican\u00e1lise<\/em>, que Joaquim come\u00e7ou a escrever a mais de dez anos, reunindo coment\u00e1rios de pel\u00edculas a que assistiu. N\u00e3o ser\u00e1 simplesmente uma lista dos melhores filmes, segundo a opini\u00e3o do autor, mas sua aprecia\u00e7\u00e3o quanto a filmes que o ajudaram a formar seu cabedal de instru\u00e7\u00e3o e cultura, e ainda serviram para que ele consolidasse seu c\u00f3digo moral e, sobretudo, para que ele n\u00e3o precisasse recorrer a qualquer dos seguidores de Freud, Jung ou Lacan.<\/p>\n<p>Joaquim costuma dizer que se sente uma esp\u00e9cie de filho de Alexandre Dumas, pois se identifica profundamente com as personagens, as hist\u00f3rias e os sentimentos de honra e lealdade emanados do universo liter\u00e1rio do grande folhetinista franc\u00eas.<\/p>\n<p>Certa vez, a uma pergunta sobre seu livro de cabeceira, Joaquim respondeu que eram dois livros que falavam de pr\u00edncipes. Pela ascend\u00eancia \u00e1rabe do entrevistado, o entrevistador imaginou que um desses livros deveria ser <em>As mil e uma noites<\/em>, mas Joaquim respondeu\u00ad-lhe que os dois t\u00edtulos eram <em>O pr\u00edncipe<\/em> e <em>O pequeno pr\u00edncipe<\/em>, \u201cprincipalmente\u201d \u2014 ele completou \u2014 \u201cpor causa do cap\u00edtulo xvii do livro de Nicolau, que discute o que seria melhor que fossemos, amados ou temidos, e por aquela conhecida frase do livro de Antoine que nos faz lembrar para sempre que somos eternamente respons\u00e1veis por quem cativamos\u201d.<\/p>\n<p>Cabe ainda registrar aqui que o novo confrade da Cadeira N\u00ba 37 \u00e9 desportista e grande incentivador dos esportes como forma de inser\u00e7\u00e3o social. Ele foi vice-\u00adpresidente da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de T\u00eanis e da Associa\u00e7\u00e3o Desportiva Mirante, al\u00e9m de ter conquistado, pessoalmente, diversos t\u00edtulos em modalidades como t\u00eanis, v\u00f4lei e basquete.<\/p>\n<p>Projetos de responsabilidade social a encargo de Joaquim t\u00eam sido desenvolvidos pelo Instituto de Cidadania Empresarial do Maranh\u00e3o \u2014 ice, de que \u00e9 membro-\u00adfundador. Mas seu empreendimento mais obstinado consiste em consolidar a Funda\u00e7\u00e3o Nagib Haickel, entidade sem fins lucrativos, que pretende acionar uma rede de televis\u00e3o educativa via sat\u00e9lite voltada para o ensino formal e para a difus\u00e3o cultural, a qual contar\u00e1 com duas geradoras de tv, uma em S\u00e3o Lu\u00eds e outra em Imperatriz. A mesma Funda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m implantar\u00e1, em breve, o Museu da Mem\u00f3ria Audiovisual do Maranh\u00e3o \u2014 mavam, incumbido de preservar a mem\u00f3ria de nossa gente e de nossa terra por meios audiovisuais. Para tanto, o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional j\u00e1 est\u00e1 restaurando, com recursos da Uni\u00e3o, conseguidos pelo deputado Joaquim Nagib Haickel junto \u00e0 bancada federal maranhense, um pr\u00e9dio, doado por ele, onde funcionava uma das empresas de seu pai e onde funcionar\u00e1 o Museu.<\/p>\n<p>Observem bem como se movimenta este d\u00ednamo\u00ad-gente que leva o nome de Joaquim Haickel. Trabalhando com as m\u00e3os e com o esp\u00edrito, imbu\u00eddo da paci\u00eancia dos bedu\u00ednos na aridez do deserto, ele lutou, sofreu, resistiu, at\u00e9 chegar \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do magn\u00edfico projeto que vai acabar realizando o nosso velho sonho do polo de cinema de S\u00e3o Lu\u00eds, desenvolvendo-\u00ado em torno do Museu.<\/p>\n<p>Falei h\u00e1 pouco que Joaquim Haickel representa bem a gera\u00e7\u00e3o da imagem viva que, em nosso meio, se difundiu a contar da segunda metade dos anos 60. Outros fatores, no entanto, explicam-\u00adlhe a prefer\u00eancia pelo movimento, alimentada pelo caleidosc\u00f3pio de talentos que \u00e9 a sua personalidade em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Joaquim diz que, disl\u00e9xico, foi salvo por sua professora particular, Terezinha, escolhida cuidadosamente por dona Clarice. Era uma jovem dedicada e delicada, talvez fosse capaz de lidar com o temperamento el\u00e9trico do filho de Nagib\u00e3o, tido por todos como desassossegado por demais. A mestra notara que seu aluno obtinha melhor aproveitamento nos estudos quando ela se punha ao seu lado em condi\u00e7\u00f5es de igualdade nas tarefas escolares, fazendo-\u00ado superar as dificuldades de leitura e o d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o, lendo para ele e com ele os livros ilustrados da biblioteca dom\u00e9stica, despertando-\u00adlhe, por essa maneira, a curiosidade e a aventura do saber.<\/p>\n<p>A esse primeiro influxo educativo, some\u00ad-se o exemplo de seu tio posti\u00e7o, St\u00eanio, irm\u00e3o de m\u00e3e Tet\u00ea e m\u00e3e Lol\u00f3, um incompar\u00e1vel pedagogo que, invariavelmente, todos os s\u00e1bados e domingos, levava o futuro cineasta e seu irm\u00e3o ao cinema. Pode-\u00adse dizer que o que mais aprendeu Joaquim foi de tanto ouvir e tanto ver.<\/p>\n<p>Fiz antes, tamb\u00e9m, r\u00e1pida men\u00e7\u00e3o ao deputado Joaquim Haickel. Foi outra aprendizagem, por osmose ou simbiose. O acad\u00eamico de hoje relembra que, menino, adorava ficar ouvindo as conversas dos mais velhos. Participava, assim, desde pequeno, da vida pol\u00edtica e empresarial de seu pai, em meio a pol\u00edticos do interior do Estado e a empres\u00e1rios da capital. Vez por outra, o velho Nagib tinha que arregalar os olhos na dire\u00e7\u00e3o do filho, c\u00f3digo cujo significado era \u201cte sossega, rapaz!\u201d. Muitas vezes o gesto n\u00e3o adiantava de nada e o pai tinha que recorrer a dona Clarice: \u2014 M\u00e3e, chama Joaquim, que ele j\u00e1 est\u00e1 aqui ouvindo conversa de gente grande.<\/p>\n<p>Dividido entre os estudos e a divers\u00e3o, aquele rapaz s\u00f3 veio a trabalhar em 1978, quando passou a assessor na Assembleia Legislativa, onde seu pai era deputado estadual. Naquele ano participou decisivamente da campanha eleitoral. No ano seguinte iria morar em Bras\u00edlia, j\u00e1 seduzido pelo Parlamento, ao qual servia seu pai, ent\u00e3o deputado federal. De volta a S\u00e3o Lu\u00eds, passou a ser oficial de gabinete do ent\u00e3o governador Jo\u00e3o Castelo. Recebia os pol\u00edticos com aten\u00e7\u00e3o e cortesia, tratava a todos com simpatia e defer\u00eancia. Mas, certo dia, cansado de apenas abrir portas, pediu para trabalhar com o chefe da Casa Civil, Jos\u00e9 Burnett, pol\u00edtico experiente de quem se tornou aprendiz.<\/p>\n<p>Assim foi e foi. Joaquim procurou aprender com os melhores: primeiro que todos, seu pai, que n\u00e3o conseguiu transferir-\u00adlhe o jeito \u201ccaboclo\u201d de ser, mas que, pelo cont\u00e1gio e pelo exemplo, lhe entregou algumas das principais ferramentas da vida \u2014 lealdade, honradez, coer\u00eancia, simplicidade \u2014 e alguns de seus maiores defeitos \u2014 ansiedade e desassossego; com seu tio Z\u00e9 Ant\u00f4nio, exemplo do que um prefeito deveria fazer e de como um deputado jamais poderia agir; com Clodomir Milet, um lorde, discreto, culto; com Jos\u00e9 Burnett, quase cego dos olhos, mas com privilegiad\u00edssima vis\u00e3o pol\u00edtica; com Ivar Saldanha, um pragm\u00e1tico convicto; com Pedro Neiva de Santana e Haroldo Tavares, tio e pai de sua namorada de ent\u00e3o: o primeiro, senhor de uma eleg\u00e2ncia e de uma ironia t\u00e3o bem engomada quanto seus ternos de linho tropical; o outro, um g\u00eanio planejador, magn\u00edfico sonhador; com Nunes Freire, a rudeza doce e honesta; com Castelo, presen\u00e7a e energia; com Alexandre Costa, leal tenacidade; com Lob\u00e3o, conciliador, diplom\u00e1tico; e, fora de s\u00e9rie, com Jos\u00e9 Sarney, a quem sempre cuidou de observar e analisar milimetricamente, na tentativa de aprender com ele tudo o que fosse pol\u00edtica ou com pol\u00edtica se relacionasse, tudo o que nela se deveria fazer e principalmente deixar de fazer.<\/p>\n<p>Apoiado na popularidade que o pai deputado esbanjava por todo o Maranh\u00e3o, Joaquim Haickel elegeu-\u00adse para a Assembleia Legislativa estadual em 1982, o mais jovem em todo Brasil naquela legislatura. Eleito em seguida deputado federal Constituinte em 1986, foi relator da Comiss\u00e3o de Direitos e Garantias Individuais, respons\u00e1vel, entre outros encargos, pela aprecia\u00e7\u00e3o do projeto que visava instituir a pena de morte no Brasil. Seu parecer, vencedor, posicionava-\u00adse contr\u00e1rio ao projeto do not\u00f3rio deputado Amaral Neto. Foi em uma audi\u00eancia p\u00fablica naquela comiss\u00e3o que nos reencontramos. Joaquim que tinha apenas 27 anos, e j\u00e1 convivia com Ulisses Guimar\u00e3es, Afonso Arinos, Roberto Campos, Florestan Fernandes, Nelson Jobim, Jos\u00e9 Serra, Delfim Neto, Artur da T\u00e1vola, Fernando Henrique Cardoso e Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, para citar alguns nomes.<\/p>\n<p>Acrescentemos, como detalhe, o instrumento inovador de que Joaquim lan\u00e7ou m\u00e3o, para convencer os seus pares quanto \u00e0 inconveni\u00eancia da pena de morte na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Consciente de viver em tempos nos quais uma imagem vale por mil palavras, ele fez uma edi\u00e7\u00e3o resumida do filme <em>O caso dos irm\u00e3os Naves<\/em>, famoso erro judicial de Minas Gerais, apresentou\u00ad-o \u00e0 Comiss\u00e3o que votaria o tal indesejado projeto, e esperou o resultado. Sua tese prevaleceu sem maiores percal\u00e7os.<\/p>\n<p>Proveniente de emenda aglutinadora do relator da comiss\u00e3o de sistematiza\u00e7\u00e3o, pois v\u00e1rios constituintes apresentaram projeto semelhante, \u00e9 tamb\u00e9m da autoria de Joaquim, a frase que abre diariamente os trabalhos nas duas casas do Congresso Nacional: \u201cSob a prote\u00e7\u00e3o de Deus e em nome do povo brasileiro, declaro aberta essa sess\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Por indica\u00e7\u00e3o de Ulisses Guimar\u00e3es, o congressista maranhense representou a C\u00e2mara dos Deputados no Congresso Americano de Jovens L\u00edderes Mundiais, de 1987, juntamente com A\u00e9cio Neves, Henrique Eduardo Alves e C\u00e9sar Cals Neto, e em viagem diplom\u00e1tica \u00e0 China, em 1988. Ao fim desse mandato, n\u00e3o se candidatou a nenhum cargo eletivo, mas foi convidado pelo ent\u00e3o governador Edison Lob\u00e3o para secretari\u00e1\u00ad-lo na pasta de Assuntos Pol\u00edticos, a mesma em que, mais de uma d\u00e9cada antes, fora aprendiz de Burnet. Depois, foi para Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. Afastou\u00ad-se dos cargos p\u00fablicos de 94 at\u00e9 98 para dedicar\u00ad-se \u00e0s suas empresas de radiodifus\u00e3o: fm e tv Maranh\u00e3o Central, espalhadas por mais de 50 cidades do Estado. Naquela \u00e9poca plantou a semente do que viria a ser a Fund a\u00e7\u00e3o Nagib Haickel.<\/p>\n<p>Em 1998, candidatou-\u00adse e elegeu\u00ad-se o deputado estadual mais votado do seu partido, mas, daquela vez n\u00e3o p\u00f4de contar com a preciosa ajuda de seu pai, que falecera no dia 7 de setembro de 1993, como presidente da Assembleia Legislativa do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Joaquim \u00e9 detentor da medalha Manuel Bequim\u00e3o da Assembleia Legislativa do Maranh\u00e3o, da medalha do M\u00e9rito Timbira do Governo do Maranh\u00e3o, e da medalha Bar\u00e3o de Mau\u00e1, do Minist\u00e9rio dos Transportes. Cidad\u00e3o honor\u00e1rio dos munic\u00edpios de Pindar\u00e9\u00ad-Mirim, Santa In\u00eas, Itapecuru\u00ad-Mirim, S\u00e3o Domingos do Maranh\u00e3o, S\u00e3o Benedito do Rio Preto, Vitorino Freire, seu curr\u00edculo se enriquece tamb\u00e9m com a Cadeira N\u00ba 9 da Academia Imperatrizense de Letras, para a qual foi eleito em 2006, tendo como patrono o eminente Tuc\u00eddides Barbosa e fundador e \u00fanico ocupante, at\u00e9 ent\u00e3o, o professor, escritor e humanista Vito Milesi.<\/p>\n<p>O Poder Legislativo do Maranh\u00e3o continua a contar com Joaquim Nagib Haickel como representante de sua gente. L\u00e1 ele tem exercido cargos dos mais importantes, como o de primeiro secret\u00e1rio da Casa e membro efetivo da Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a e Reda\u00e7\u00e3o Final.<\/p>\n<p>Em 2008, apresentou e fez aprovar, na Assembleia Legislativa, um projeto de resolu\u00e7\u00e3o que institui no Maranh\u00e3o, a exemplo do que h\u00e1 em outros Estados, um pr\u00eamio de incentivo ao cinema maranhense.<\/p>\n<p>Declaradamente apaixonado por sua bela Jacira, o que n\u00e3o esconde de ningu\u00e9m, ele n\u00e3o para, e continua fazendo planos para amanh\u00e3, sem deixar de realizar hoje aqueles que foram projetados ontem.<\/p>\n<p>Quando lhe perguntei sobre qual seria sua obra mais importante e em qual das vertentes de sua vida mais se sentia realizado, ele me respondeu: \u201cMinha melhor e mais bela obra \u00e9 minha filha Laila. O melhor Joaquim Haickel \u00e9 a pessoa, o amigo: \u00e9 a\u00ed onde eu mais me realizo, \u00e9 da\u00ed que prov\u00e9m tudo que sou e que fa\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>Na \u00faltima vez em que estivemos juntos no Rio de Janeiro, onde Joaquim foi apresentar o seu filme <em>Pelo ouvido <\/em>em um importante festival de cinema, ele estava com as m\u00e3os sobre a mesa, e Selton, filho do Serginho \u2014 que hoje \u00e9 as minhas pernas \u2014 lhe perguntou o que significavam aquela tatuagem em seu antebra\u00e7o esquerdo. Joaquim sorriu e disse para o menino que, como ele \u00e9 extremamente hiperativo, que era um poema. Selton arregalou os olhos: \u2014 Como assim!? A\u00ed s\u00f3 tem sinais! Pois bem, depois que ele traduziu para mim e para o Selton aquele intrincado c\u00f3digo contendo 22 s\u00edmbolos gr\u00e1ficos \u2014 tendo que esmiu\u00e7\u00e1\u00ad-lo para mim, pois pouco ou nada eu pude ver em seu bra\u00e7o, j\u00e1 que estou ruim das vistas \u2014 depois que ele explicou o que estava escrito ali, nessa hora eu soube como melhor definir Joaquim Haickel, e tenho certeza que voc\u00eas concordar\u00e3o comigo, depois que ouvirem o que est\u00e1 tatuado em seu bra\u00e7o, e que passo a ler agora:<\/p>\n<p><em>*,;.:&#8230;!?\u00a7&amp;@1#&gt;=$%+\u00d7\u2260\u00b1\u221e<\/em><\/p>\n<p><em>Chame aten\u00e7\u00e3o. Fa\u00e7a uma pausa. A entona\u00e7\u00e3o demonstra sua inten\u00e7\u00e3o, seu pensamento, seu sentimento. Depois, uma pausa maior, que puxe outra ideia ou relacione duas. Agora uma pausa ainda maior. Uma parada. Cite, exemplifique. Fa\u00e7a suspense, insinue&#8230; Surpreenda. Pergunte. Depois, mude de assunto \u2014 isso sempre funciona. Valorize os coadjuvantes: eles s\u00e3o mais importantes &amp; necess\u00e1rios do que parecem. Comunique-se. N\u00e3o se esque\u00e7a dos n\u00fameros: eles s\u00e3o indispens\u00e1veis. Nem das equa\u00e7\u00f5es: nada funciona sem elas. Maior? \u00c9 sempre igual a valor! O contr\u00e1rio nem sempre \u00e9 verdadeiro. N\u00e3o se esque\u00e7a. Todo inteiro \u00e9 feito de partes. Adicione! Multiplique! Fazer a diferen\u00e7a \u00e9 mais ou menos feito&#8230; O Infinito.<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 verdadeiramente o Joaquim Haickel a quem hoje recebemos como membro desta Casa \u2014 e a quem, para tomar posse do que lhe pertence por todos os m\u00e9ritos, aplicamos o maior castigo: \u201cnunca antes nem depois neste pa\u00eds\u201d, n\u00f3s o vimos, ou veremos calado e quieto por tanto tempo&#8230; E sem o celular ao ouvido.<\/p>\n<p>E eu que, por falar muito, sou o causador disso, proclamo-\u00ado, depois de tudo, o mais novo her\u00f3i de nossa comunidade&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab4\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Textos Escolhidos<\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>AS PROVAS DO M\u00daLTIPLO<\/em><\/p>\n<p><em>Quando, a 2 de outubro de 2009, Joaquim Haickel tomou posse na Academia Maranhense de Letras, Jos\u00e9 Louzeiro, que o recebia, n\u00e3o se limitou a fazer-lhe a resenha da obra realizada, mas surpreendeu a audi\u00eancia ao revelar os planos de trabalho futuro do confrade: tornou-se p\u00fablico o compromisso, com firma reconhecida em cart\u00f3rio o mais apropriado, de que, j\u00e1 em 2010, na celebra\u00e7\u00e3o dos trinta anos do lan\u00e7amento de seu primeiro livro, Joaquim Haickel presentearia seus leitores com nova publica\u00e7\u00e3o \u2013 reunindo contos, cr\u00f4nicas, poemas, falas em voz alta, roteiros para cinema, <\/em>pens\u00e9esdetach\u00e9es,<em>entrevistas, fotografias, hist\u00f3rias em quadrinhos\u2026 \u2013 na qual o formato ins\u00f3lito deveria ajustar-se ao campo vasto do conte\u00fado, a numera\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas partindo de cada capa para se encontrar no meio do livro, tipos, cores e desenhos diversificados marcando o come\u00e7o de cada segmento, etc.Seria a mostra, com textos in\u00e9ditos, do que o Autor produzira sob diferentes meios de express\u00e3o, ao longo do tempo.<\/em><\/p>\n<p><em>Nem tudo cumprido como programado, aquele plano se implementa neste agora, quando sua cidade completa 400 anos. Por essa circunst\u00e2ncia,ser\u00e1 visto como encerrando o percurso de tr\u00eas d\u00e9cadas passadas e abrindo novo horizonte \u00e0s promessas do jovem acad\u00eamico para os pr\u00f3ximos trinta anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Aconteceu, ent\u00e3o, que, por demais confiado em qualifica\u00e7\u00f5es que o escrevente destas linhas tem por de menos, o projetista da obra entregou-lhe numeroso e variado material para a prepara\u00e7\u00e3o dos originais. A bem considerar, por\u00e9m, este amanuense mais n\u00e3o fez que passear osolhos sobre as p\u00e1ginas por ele compostas, delas extraindo deleites de primeiro leitor. Emretribui\u00e7\u00e3opela defer\u00eancia, apenas contribuiu com alguma proposta no ordenamento dos textos e na disposi\u00e7\u00e3o das partes. <\/em><\/p>\n<p><em>Segundo a profecia de Jos\u00e9 Louzeiro, intitular-se-ia <\/em>M\u00faltiplo de quatro <em>este novo produto da esfuziante criatividade de Joaquim Haickel. Mas os leitores e leitoras concordar\u00e3o que aqui n\u00e3o est\u00e3o quatro composi\u00e7\u00f5es, nem mesmo uma partitura em quatro movimentos.Temos, na verdade, um livro-rio, que recebe afluentes de \u00e1guas diversas e curso distinto, a correr livre pelo estu\u00e1rio da forma art\u00edstica. \u00c9 um livro comemorativo \u2013 e essa \u00e9 a marca que diversifica, unifica e justifica o conjunto. Sua diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a colet\u00e2neas do g\u00eanero est\u00e1 em que o Autor n\u00e3o bateu o mofo de odres velhos para neles deposita rvinho novo. Evitando requentar edi\u00e7\u00f5es antigas, revisitou a mem\u00f3ria para reinventar outro registro dos pr\u00f3prios feitos, cr\u00e9ditos e d\u00e9bitos de sua forma\u00e7\u00e3o multif\u00e1ria, a marca at\u00e1vica de suas origens carcamanas, suas a\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e decep\u00e7\u00f5es, a saudade que recolheu por onde passou, a gratid\u00e3o que distribui por onde anda,sua avers\u00e3o ao solene, a solidez de sua alegria e a leveza de sua ironia, marcas mais destac\u00e1veis de sua intelig\u00eancia irrequieta. Joaquim Haickel \u00e9 jocoso e espont\u00e2neo,sem deixar de ser s\u00e9rio e sincero, consciente, a um s\u00f3 tempo, da for\u00e7a destro\u00e7adora do humor, e da inefic\u00e1cia \u2013 \u00e9tica e pol\u00edtica, inclusive \u2013 que subjaz a toda pretens\u00e3o demolidora que se apresente de cara fechada e rancorosa. Ele lembraria, com o her\u00e9tico-ortodoxo Chesterton, que h\u00e1 muita seriedade em ser engra\u00e7ado.<\/em><\/p>\n<p><em>Juntam-se, assim, neste volume as provas do criador m\u00faltiplo, de que j\u00e1 falamos em outro rinc\u00e3o de sua obra.<b> <\/b><\/em><em>N\u00e3o hesitando em mostrar-se por inteiro \u2013 e da\u00ed, por certo, a coerente corpul\u00eanciadeste livro \u2013 Joaquim Haickel nada deseja esconder a seus novos leitores, a quem parece dizer: \u201cConhe\u00e7am-me\u201d, e a seus velhos amigos, a quem reafirma: \u201cReconhe\u00e7am-me\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>A po\u00e9tica do filho de Nagib Haickel se manifesta numa variedade de g\u00eaneros que leva a recarregar lembran\u00e7as de seu pai \u2013 o Nagib\u00e3o inesquec\u00edvel ao afeto dos maranhenses \u2013e a originalidade de sua <\/em>Meruoca<em>, o armaz\u00e9m sem portas dos anos 70, em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, aberto 24 horas, e no qual nada faltava ao gosto dos fregueses. Em tra\u00e7o sim\u00e9trico, abre-se aqui a Meruoca art\u00edstica de Joaquim Haickel, bazar de profus\u00e3o semi\u00f3tica, p\u00e1ginas em convite aberto \u00e0 pluralidade de apetites de seus leitores: \u201cSirvam-se, irm\u00e3os!\u201d<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, mar\u00e7o de 2012<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Sebasti\u00e3o Moreira Duarte<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O M\u00daLTIPLO JOAQUIM HAICKEL<\/strong><\/p>\n<p>Apraz-me bastante, verdadeiramente bastante me apraz lan\u00e7ar algumas palavras acerca desse mundar\u00e9u de palavras que meu confrade e prezado amigo Joaquim Haickel reuniu sob o t\u00edtulo abrangente de <em>Contos<\/em>, <em>Cr\u00f4nicas, Poemas&amp; Outras Palavras, <\/em>a maior parte delas, postas a cumprirem seu papel expressional sem outro aux\u00edlio que os inerentes a elas mesmas, seja no vasto campo da denota\u00e7\u00e3o, pois sem ele n\u00e3o resta base para lavrar nem muito menos palavrar, seja na via bem mais estreita e seletiva da conota\u00e7\u00e3o bem sucedida, de onde se ascende \u00e0 plenitude plurissignificativa propiciada pelas sinestesias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 palavras submetidas a uma fun\u00e7\u00e3o ancilar, posto que \u201cfalam\u201d a servi\u00e7o ou por sugest\u00e3o das imagens que animam a \u00faltima parte do livro, intitulada Hist\u00f3rias em Quadrinhos.<\/p>\n<p>Privilegiado pela variedade poli\u00e9drica de seus diversos talentos, Joaquim Haickel, poeta, articulista, contista, cineasta, quadrinista, desportista, h\u00e1bil articulador pol\u00edtico, entusiasmado promotor cultural, \u00e9 bem um homem dos sete (ou mais) instrumentos, dotado de ineg\u00e1vel capacidade para bem execut\u00e1-los. Se necess\u00e1rio, simultaneamente.<\/p>\n<p>Desde os anos juvenis de Joaquim Haickel, acompanho sua trajet\u00f3ria, entre din\u00e2mica e fren\u00e9tica. Homem de muitos neg\u00f3cios e tamb\u00e9m de n\u00e3o poucos \u00f3cios, de c\u00e1lculos real\u00edsticos e de sonhos generosos, mal sa\u00eddo das cal\u00e7as curtas, aglutinou em torno de sua despretensiosa lideran\u00e7a de um grupo de jovens que promoveram, no in\u00edcio dos anos 80, o movimento cultural em Tempo de Guarnic\u00ea, que agitou em programas de r\u00e1dio, em edi\u00e7\u00e3o de revistas, jornais, livros, quadrinhos e o escambau.<\/p>\n<p>Logo depois o jovem promotor cultural estreou-se como deputado \u00e0 Assembleia Legislativa do Estado, est\u00e1gio preparat\u00f3rio para aos 26 anos de idade, conquistar uma cadeira de constituinte nacional. Com seu retorno posterior a reiterados mandatos de deputado estadual, imaginei que o militante intelectual sucumbira \u00e0s prem\u00eancias e solicita\u00e7\u00f5es do pol\u00edtico engajado nas lutas partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>Enganei-me, felizmente. E tanto foi assim que aconteceu, que posso hoje repetir, porque envolto no mesmo frescor de quando o redigi, h\u00e1 cerca de 25 anos, este trecho que encerra o longo verbete MARANH\u00c3O, da <em>Enciclop\u00e9dia de literatura brasileira, <\/em>de Afr\u00e2nio Coutinho e J. Galante de Sousa (1970): \u201co movimento cultural Guarnic\u00ea re\u00fane jovens poetas e prosadores, publica um suplemento liter\u00e1rio, edita livros, produz filmes, sob a lideran\u00e7a de Joaquim Haickel\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Jomar Moraes<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">CONTOS<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">O CADAR\u00c7O<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">1<\/p>\n<p>O amor aparece na sua vida quando voc\u00ea menos espera, e nem sempre ele se apresenta de uma forma que voc\u00ea o reconhe\u00e7a ou compreenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>A primeira vez que seus olhos se cruzaram foi por puro acaso.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o conseguiu impedir que ca\u00edsse no ch\u00e3o uma bolsa imensa, Louis Vuitton, que tentava equilibrar sobre uma mala, e ele, que ia passando, gentilmente, juntou-a e entregou a ela olhando-a firmemente nos olhos. Ela sorriu suave, timidamente agradecida.<\/p>\n<p>Puxava numa das m\u00e3os a elegante mala de viagem e com a outra segurava carinhosamente uma pequena r\u00e9plica de si mesma.<\/p>\n<p>Atencioso, passou a m\u00e3o carinhosamente na cabe\u00e7a da garotinha e cumprimentou a m\u00e3e com um aceno de cabe\u00e7a. Ela fez um movimento id\u00eantico e disse-lhe <em>thankyou,<\/em> com uma voz grave que combinava com seu tipo n\u00f3rdico. Grande como Greta Garbo, elegante como Ingrid Bergman e linda como Cl\u00e1udia Schiffer.<\/p>\n<p>Mais atr\u00e1s vinha um homem trazendo uma mala igual \u00e0 dela e uma outra crian\u00e7a, c\u00f3pia fiel da primeira, s\u00f3 que um menino.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">2<\/p>\n<p>O sagu\u00e3o de um aeroporto \u00e9 um microcosmo admir\u00e1vel. L\u00e1 podemos ter, de gra\u00e7a, magn\u00edficas aulas de antropologia, de sociologia, de psican\u00e1lise, e at\u00e9 mesmo um r\u00e1pido curso de sedu\u00e7\u00e3o no mais perfeito estilo pirandelliano.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>Ele foi pro seu lado e ela para o dela. Iam para lados diferentes, em voos diferentes. Distintos, diferentes.<\/p>\n<p>Ao chegar ao balc\u00e3o de atendimento, ele notou que havia uma senhora muito nervosa. \u00c9 que ela iria viajar de avi\u00e3o pela primeira vez. Ele se p\u00f4s a conversar com ela em seu rudimentar italiano, aprendido primeiro com Giuliano Gemma e depois, j\u00e1 mais refinado, com Marcelo Mastroianni.<\/p>\n<p>Depois de uns vinte minutos, ele conseguiu tranquilizar a <em>nonna<\/em>. Com isso, ganhou a gratid\u00e3o da mo\u00e7a da companhia a\u00e9rea que lhe deu um <em>upgrade<\/em> para a classe executiva, o que lhe renderia mais do que o simples conforto. Na verdade, lhe deu a possibilidade de v\u00ea-la mais uma vez, mas isso ele ainda n\u00e3o sabia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">3<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos sagu\u00f5es, toda sala <em>vip<\/em> \u00e9 igual. Num ambiente mais restrito, as pessoas n\u00e3o se p\u00f5em t\u00e3o \u00e0 vontade, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o naturais. Com a maioria das pessoas \u00e9 assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>Quando ele chegou l\u00e1, ela j\u00e1 estava. Ela o olhou primeiro e n\u00e3o parou de olh\u00e1-lo. Olhou-o dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a. Observou seus sapatos, o jeito dele falar ao celular, como colocava o bra\u00e7o apoiado no balc\u00e3o da lanchonete. Observou o seu sorriso, ora discreto, ora incontido. S\u00f3 ent\u00e3o ele a viu. Viu e olhou. Olhou e viu que ela o via e n\u00e3o lhe tirava os olhos. O acompanhava para onde fosse.<\/p>\n<p>Ele notou que ela observava particularmente os seus p\u00e9s, seus sapatos. Lembrou-se de seu primo Lu\u00eds, que tinha uma estranha fascina\u00e7\u00e3o por p\u00e9s femininos. \u201cSer\u00e1 que as mulheres tamb\u00e9m t\u00eam esses fetiches?\u201d \u2013 interrogou-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">4<\/p>\n<p>Os olhos s\u00e3o sempre o come\u00e7o e o final de tudo. Sem eles a vida n\u00e3o \u00e9 completa. Falta algo, falta alma, falta uma janela pra se debru\u00e7ar. A palavra tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. A l\u00edngua, a linguagem\u2026 Uma porta para se sair ou entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>Constantemente seus olhos se cruzavam. Ele come\u00e7ou a jogar. Ia para um lado e via se ela o acompanhava com os olhos. E ela acompanhava. Resolveu ent\u00e3o ir ao banheiro. \u201cSer\u00e1 que ela vai me acompanhar?\u201d Para sua tristeza, s\u00f3 os olhos dela o acompanharam.<\/p>\n<p>Ao voltar, viu que ela falava ao telefone. O idioma, a princ\u00edpio quase inaud\u00edvel, lhe parecia familiar. Aos poucos foi notando que as palavras eram mastigadas, mordidas, mesmo que no caso dela isso fosse feito com certa do\u00e7ura. Depois teve certeza que aquela era a l\u00edngua de Goethe, de Schopenhauer e de Nietzsche.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">5<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As atitudes fazem a diferen\u00e7a entre os homens. O dif\u00edcil \u00e9 saber quando e como devemos tom\u00e1-las.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem deixe que as coisas aconte\u00e7am naturalmente, e elas at\u00e9 acontecem satisfatoriamente.Esses s\u00e3o uns poucos afortunados. Tem os que se deixam direcionar pelos acontecimentos e quebram a cara. Estes s\u00e3o a grande maioria. Uma quarta parte \u00e9 formada pelos que controlam os acontecimentos e invariavelmente tamb\u00e9m quebram a cara. H\u00e1, no entanto, os que tentam controlar as coisas e conseguem. Estes s\u00e3o poucos, pouqu\u00edssimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>Ele criou coragem para tomar uma atitude. Foi novamente \u00e0 lanchonete e pediu uma coca. De repente sentiu um aroma conhecido e, ao virar-se, viu que ela estava bem ao seu lado. Seu perfume a denunciou. Ele o sentira desde seu primeiro encontro, no sagu\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 <em>J\u2019adore!<\/em>\u2013 disse ele, como quem nada quisesse.<\/p>\n<p>\u2013 <em>Pardon\u2026<\/em>\u2013 ela respondeu em um perfumado franc\u00eas.<\/p>\n<p>\u2013<em>Your smell\u2026Your perfume\u2026 Is\u2026J\u2019adore!<\/em><\/p>\n<p>\u2013 <em>Are you a perfumist?<\/em><\/p>\n<p>\u2013 <em>No.I\u2019m a writer.<\/em><\/p>\n<p>Ela fez um ar de genu\u00edna admira\u00e7\u00e3o e disse que era um prazer conhec\u00ea-lo. Ele agradeceu e retribuiu a gentileza. Ela pagou os dois sucos de laranja que pedira para seus filhos e foi-se, n\u00e3o sem antes cumpriment\u00e1-lo com um sorriso um tanto insinuante, ao que ele retribuiu da mesma forma.<\/p>\n<p>Mesmo que sempre odiasse atrasos a\u00e9reos, ele daria qualquer coisa para que o tempo mudasse e todos os voos daquela noite fossem atrasados em pelo menos duas horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">6<\/p>\n<p>O final \u00e9 sempre reservado ao que h\u00e1 de melhor, mesmo que o melhor n\u00e3o seja aquilo que n\u00f3s quis\u00e9ssemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p>Os olhares deles continuaram a se cruzar por mais uns trinta r\u00e1pidos, mas intermin\u00e1veis minutos, at\u00e9 que ela pegou suas coisas e o filhinho pela m\u00e3o e dirigiu-se para a sa\u00edda. Mais na frente ia o cavalheiro com a menininha.<\/p>\n<p>Ao passar por ele, que estava sentado, de pernas cruzadas, observando tudo, disse-lhe em um ingl\u00eas germ\u00e2nico:<\/p>\n<p>\u2013 Tome cuidado\u2026 Seus olhos s\u00e3o muito perigosos\u2026 Acabam n\u00e3o deixando nenhuma sa\u00edda para uma mulher curiosa como eu\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Ah! Seus sapatos s\u00e3o muito bonitos\u2026 Mas cuidado, n\u00e3o v\u00e1 cair\u2026 Seu cadar\u00e7o est\u00e1 desamarrado\u2026<\/p>\n<p>E ela se foi, com um olhar meigo e um sorriso maroto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>SHITAKE<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(em tr\u00eas tempos)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">AO CELULAR<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2013 Al\u00f4! Meu bem?\u2026 Estou morrendo de vontade de comer aqueles deliciosos cogumelos salteados que voc\u00ea faz\u2026<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea t\u00e1 onde, querida?<\/p>\n<p>\u2013 Saindo do trabalho.<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o passa no supermercado e compra o <em>shitake<\/em> fresco. Compra tamb\u00e9m alho e cebola em flocos; pimenta calabresa e rosa; sal defumado; canela e noz-moscada pra ralar; e ervas de Provence. Aproveita e compra um vinho, pra combinar.<\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 estou com \u00e1gua na boca!<\/p>\n<p>\u2013Estarei no <em>flat<\/em> em quarenta e cinco minutos.<\/p>\n<p>\u2013 Chego logo depois.<\/p>\n<p>\u2013 Precisa de mais alguma coisa?<\/p>\n<p>\u2013 \u2026 Preciso sim\u2026 Sua boca gostosa!<\/p>\n<p>Sua, boca gostosa\u2026<\/p>\n<p>Sua boca, gostosa.<\/p>\n<p>Gostosa, sua boca!<\/p>\n<p>Boca, sua gostosa\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">NO MSN<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2013 t\u00f4 desejando aquele seu <em>shitake<\/em>.<\/p>\n<p>\u2013 quando?<\/p>\n<p>\u2013 agora!<\/p>\n<p>\u2013 pra hj?<\/p>\n<p>\u2013 claro\u2026<\/p>\n<p>\u2013 a\u00ed tem azeite, pimenta e sal?<\/p>\n<p>\u2013n\u00e3o sei\u2026 azeite e sal sim\u2026<\/p>\n<p>\u2013 frigideira grande, tem?<\/p>\n<p>\u2013 mas pimenta\u2026 n\u00e3o sei n\u00e3o<\/p>\n<p>\u2013 tem\u2026 vc j\u00e1 esqueceu da frigideira?<\/p>\n<p>\u2013 manda comprar pimenta, cebola e alho\u2026 eu levo o <em>shitake<\/em>.<\/p>\n<p>\u2013 hum\u2026 j\u00e1 t\u00f4 babando\u2026<\/p>\n<p>\u2013vc quer ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 claro que quero\u2026<\/p>\n<p>\u2013 o q mais vc quer?<\/p>\n<p>\u2013 o q mais precisa?<\/p>\n<p>\u2013 sua boca gostosa\u2026<\/p>\n<p>\u2013 ela me acompanha aonde vou\u2026<\/p>\n<p>\u2013 sua boca, gostosa\u2026<\/p>\n<p>\u2013 \u2026entaonao preciso compr\u00e1-la<\/p>\n<p>\u2013 gostosa, sua boca\u2026<\/p>\n<p>\u2013 entendi\u2026 rsrsrrs\u2026<\/p>\n<p>\u2013 boca, sua gostosa\u2026<\/p>\n<p>\u2013hummm\u2026<\/p>\n<p>\u2013 gostosa, sua boca\u2026<\/p>\n<p>\u2013 ok, ok, ok\u2026ela estar\u00e1 l\u00e1\u2026a boca, a gostosa, a sua\u2026<\/p>\n<p>\u2013 minha o q?<\/p>\n<p>\u2013 n\u00e3o sei\u2026rsrsrsrrsrs\u2026 deixa pra l\u00e1\u2026 vai estar td l\u00e1\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">NO <em>TWITTER<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vou fazer <em>shitake<\/em> pra vc hj!<\/p>\n<p>Traz azeite, cebola, alho, pimenta e sal<\/p>\n<p>Vinho eu tenho<\/p>\n<p>Vou precisar tbm de sua boca gostosa<\/p>\n<p>Gostosa, de sua boca!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">CR\u00d4NICAS<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">FASE DE SUBLIMA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Muito cedo descobri que, em algum lugar em meu c\u00e9rebro, havia um dispositivo que fazia que eu n\u00e3o agisse de determinada maneira, que me censurava, e que fazia que eu simplesmente redirecionasse minhas energias para outras coisas, fazia que pensasse, idealizasse, sonhasse, vivenciasse, mas n\u00e3o fizesse, n\u00e3o realizasse aquele intento previamente censurado, mas ainda assim essa tal engrenagem fazia que eu sentisse o prazer advindo daquela energia, fazia que eu conseguisse sentir prazer como se tivesse realizado meu intento primordial. Foi assim que comecei a escrever muito cedo, foi assim que busquei os esportes, foi assim que me apaixonei pelo cinema. Hoje vejo que foi tamb\u00e9m assim que optei pela pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Depois descobri que, em algumas circunst\u00e2ncias, isso tamb\u00e9m servia de adiamento, procrastina\u00e7\u00e3o, matura\u00e7\u00e3o e at\u00e9, de certa forma, como planejamento de algo que eu desejava realizar e que, atrav\u00e9s daquele instinto poderoso, eu apenas treinava para quando chegasse a hora de colocar em pr\u00e1tica. Talvez por isso, tudo em minha vida tenha acontecido de forma mais arrumada, mais planejada e natural.<\/p>\n<p>Muito tempo depois de conhecer tal sintoma, de identificar com precis\u00e3o suas circunst\u00e2ncias, seus efeitos e at\u00e9 algumas formas correlatas e an\u00e1logas de seu desenvolvimento em minha vida, lendo sobre psicologia, descobri tecnicamente, cientificamente, de que se tratava.<\/p>\n<p>A palavra usada para designar tal fun\u00e7\u00e3o de nosso inconsciente, para nomear esse nosso instinto, \u00e9 t\u00e3o esclarecedora que n\u00e3o precisa de maiores aprofundamentos para seu entendimento. Trata-se da sublima\u00e7\u00e3o, que em qu\u00edmica significa mudan\u00e7a do estado s\u00f3lido para o estado gasoso ou vice-versa, sem passar pelo estado l\u00edquido. Palavra que no dicion\u00e1rio est\u00e1 assim descrita: <em>Sublima\u00e7\u00e3o<\/em> \u2013 1. Tornar sublime; purificar, enaltecer, exaltar. 2. <em>Tr. dir.<\/em> Elevar \u00e0 maior perfei\u00e7\u00e3o. 3. <em>Pron.<\/em> Tornar-se sublime; enaltecer-se, engrandecer\u2026<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da psican\u00e1lise, esse fen\u00f4meno, a sublima\u00e7\u00e3o, \u00e9 o processo inconsciente que consiste em desviar a energia da libido para novos objetos, de car\u00e1ter \u00fatil, Mecanismo de defesa do eu, atrav\u00e9s do qual alguns impulsos, desviados de seu objeto primitivo, s\u00e3o integrados na personalidade que os investe em objetos equivalentes de valor social. Segundo Freud, sublima\u00e7\u00e3o \u00e9 a fonte da nossa cultura. S\u00f3 produzimos arte, ci\u00eancia e tudo o mais, porque deixamos nossa energia canalizada para isso, porque n\u00e3o podemos ou pelo menos n\u00e3o devemos sair por a\u00ed matando, roubando, mentindo\u2026<\/p>\n<p>Em suma, sublimar um desejo, uma a\u00e7\u00e3o, \u00e9, por uma atitude consciente ou semiconsciente, deixar de realizar esse desejo, mas sentir-se como se o tivesse realizado.<\/p>\n<p>Estou passando por uma fase dessas em minha veia art\u00edstica. Tenho sublimado muitas ideias, tenho armazenado energia para uma realiza\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o consigo identificar, mas sei que ela est\u00e1 por aqui em algum lugar, dentro de minha cabe\u00e7a, rondando, espreitando, esperando uma oportunidade.<\/p>\n<p>A coisa \u00e9 t\u00e3o s\u00e9ria, que comecei a fazer uma lista de ideias de poemas, cr\u00f4nicas, contos, roteiros, ou mesmo de algumas mudan\u00e7as neles. S\u00f3 para citar alguns: h\u00e1 pelo menos tr\u00eas anos venho observando que com frequ\u00eancia tenho engolido a letra <em>e<\/em> quando estou escrevendo. \u00c9 como se o <em>e<\/em> n\u00e3o existisse, principalmente em alguns casos. Por exemplo, acabei de voltar \u00e0 linha anterior para colocar o segundo e o terceiro <em>e<\/em> na palavra <em>escrevendo<\/em>, pois meus dedos, guiados por meu c\u00e9rebro, os eliminaram. D\u00e1 um bom ensaio, n\u00e3o acham?<\/p>\n<p>Tenho comigo, desde a primeira vez \u2013 eu devia ter doze anos \u2013 em que assisti ao filme <em>Sans\u00e3o e Dalila,<\/em>com Victor Mature e HedyLamar, a tese de que a for\u00e7a de Sans\u00e3o jamais esteve em seus cabelos, mas sim em seu amor, da mesma maneira que sua fraqueza n\u00e3o consistia em simplesmente ser careca, mas sim na decep\u00e7\u00e3o pela trai\u00e7\u00e3o de sua amada.<\/p>\n<p>Tenho sentido muita vontade de falar sobre o que aconteceu e continua acontecendo no Haiti. Preciso dizer o que penso e o que sinto sobre a segunda funda\u00e7\u00e3o do Estado maranhense, agora com essa nova arrancada para o progresso.<\/p>\n<p>Da mesma forma, tenho sentido muita vontade de escrever sobre alguns amigos meus, pessoas de quem gosto, com quem tenho afinidades, que s\u00e3o caras para mim como Paulo Nagem, Ant\u00f4nio Carlos Barbosa, Fernando Sarney e Edinho Lob\u00e3o, que s\u00e3o quase como irm\u00e3os. Paulo Coelho, Celso Borges, \u00c9rico Junqueira Ayres e Roberto Kenard, de quem sinto tanta falta (deles e do tempo em que \u00e9ramos muito, muito felizes). Helo\u00edsa Collins, amiga para sempre. Cristina Tavares, meu primeiro amor verdadeiro. Ivana Farias, com quem aprendi muito do que sei e com quem fiz minha melhor hist\u00f3ria: Laila.<\/p>\n<p>E queria falar tamb\u00e9m de outros amigos: Nelson Frota, esp\u00e9cie de primo mais velho, precoce. Falar de Gon\u00e7alvinho e da inveja boa que tenho de sua compet\u00eancia e do orgulho que sinto de sua simplicidade prestativa; de Benjamin Alves, de quem nem sou t\u00e3o \u00edntimo, mas que consegue ser t\u00e3o elegante que me sensibiliza. Falar de Zeca Br\u00e1s, que vota em mim h\u00e1 vinte e oito anos, e principalmente de H\u00e9lio Sales, um pequeno amigo em estatura f\u00edsica, pois mede pouco mais de um metro de altura, mas que \u00e9 um gigante em lealdade, que, mesmo em meio \u00e0 trai\u00e7\u00e3o da qual fui v\u00edtima no munic\u00edpio de Pio XII, me ligou e disse que n\u00e3o deixaria de me apoiar, pois via em mim uma boa pessoa e o melhor deputado para o representar.<\/p>\n<p>Bem, um dia desses, quando passar essa fase de sublima\u00e7\u00e3o, vamos falar de todos esses assuntos. Por enquanto, sublimemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">MEU PRESENTE DE CINQUENTA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O texto a seguir foi escrito por mim ano passado, por ocasi\u00e3o de meu anivers\u00e1rio de cinquenta anos, quando fiz uma esp\u00e9cie de balan\u00e7o de minha vida e resolvi dar a mim mesmo um presente para comemorar aquela data t\u00e3o simb\u00f3lica. O presente seria eu me reconciliar com qualquer pessoa a quem pudesse ter magoado, a quem pudesse ter ferido, de quem eu pudesse de um modo ou de outro ter me distanciado.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre me achei um sujeito de muita sorte, pois tenho muitos e bons amigos. Amigos que fiz durante toda a vida, por todos os lugares por onde passei.<\/p>\n<p>Meus amigos s\u00e3o como far\u00f3is iluminando meu caminho, orientando minha viagem, minha vida. S\u00e3o como portos seguros onde posso ancorar meu barco quando precisar me reabastecer ou fugir de um vendaval.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de cada um desses meus amigos, todos verdadeiros, mesmo aqueles com quem n\u00e3o convivo diariamente, me garante a exist\u00eancia de um ombro, de um abra\u00e7o, de uma palavra de incentivo ou de um alerta, e at\u00e9 de um pux\u00e3o de orelha, num caso de precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Cultivei meus amigos como faz um agricultor em seu campo. Semeei desde muito cedo, adubei, reguei, combati as pragas.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o amigos desde antes do tempo em que estudava no Pituchinha. Fiz amigos no Col\u00e9gio Batista, e depois os cultivei no Dom Bosco. Fiz amigos no grupo de lobinhos e escoteiros Dezoit\u00e3o, na academia de jud\u00f4 do major Vicente, e fiz tamb\u00e9m muitos amigos no bairro do Outeiro da Cruz e no Sacav\u00e9m, meninos com quem eu jogava futebol na inf\u00e2ncia e a quem ainda hoje encontro pela vida e me sinto orgulhoso de ter convivido com eles. Amigos do tempo do s\u00edtio do Angelim, do L\u00edtero, do Jaguarema. Amigos da \u00e9poca da Sele\u00e7\u00e3o Maranhense de Basquetebol, da Associa\u00e7\u00e3o Desportiva Mirante, da Federa\u00e7\u00e3o Maranhense e da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de T\u00eanis. Grandes amigos das peladas de futebol na praia do Olho d\u2019\u00c1gua. Amigos que fiz quando fui morar em Bras\u00edlia, no bloco J da 202-Norte e no Clube de Unidade Vizinhan\u00e7a. Amigos do cursinho pr\u00e9-vestibular, da universidade, do curso de Direito. Amigos que cultivei quando fui trabalhar com meu pai, em suas empresas, amigos que continuei fazendo quando fui trabalhar como chefe de gabinete do ent\u00e3o governador Jo\u00e3o Castelo, para sair de l\u00e1 fazendo amigos Maranh\u00e3o a fora, como deputado estadual, eleito pela primeira vez em 1982. Amigos dos movimentos culturais, do Guarnic\u00ea, da Jornada Maranhense de Cinema, da Mirarte, do Circo Voador\u2026 Uns e Outros amigos P\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nunca parei de fazer amigos, nunca deixei de conviver bem com as pessoas. Fiz muitos amigos na Assembleia Nacional Constituinte, e fiz muito mais ainda quando passei pelas Secretarias de Assuntos Pol\u00edticos e de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Meus colaboradores, os empregados de minhas empresas, s\u00e3o meus amigos. Orgulhoso, digo sempre que jamais tive uma causa trabalhista que n\u00e3o tivesse sido resolvida de forma amig\u00e1vel.<\/p>\n<p>Voltei a me eleger deputado estadual e continuei fazendo amigos. Estes n\u00e3o s\u00e3o apenas meus eleitores, s\u00e3o muito mais: s\u00e3o pessoas que me conhecem, convivem comigo e me t\u00eam como seu amigo verdadeiro, pessoas que confiam em mim, que me respeitam, n\u00e3o apenas como deputado, mas como cidad\u00e3o, como pessoa.<\/p>\n<p>Fiz amigas em todas as mulheres que passaram por minha vida. Foram amigas em todos os sentidos, at\u00e9 mesmo aquelas com as quais o tempo ou o relacionamento foram fugazes. S\u00e3o amigas at\u00e9 mesmo aquelas que a dist\u00e2ncia e as circunst\u00e2ncias tenham nos afastado.<\/p>\n<p>Fiz mais do que confrades, fiz bons e grandes amigos tanto na Academia Maranhense de Letras quanto na Imperatrizense.<\/p>\n<p>Tenho muita sorte, porque se, por um lado tenho muitos amigos, tenho pouqu\u00edssimos desafetos, j\u00e1 que inimigo n\u00e3o contabilizo nenhum.<\/p>\n<p>Tenho advers\u00e1rios pol\u00edticos, pessoas e grupos aos quais me oponho pol\u00edtica ou eleitoralmente, mas dentre esses n\u00e3o h\u00e1 nenhum por quem eu nutra \u00f3dio ou que tenha por mim esse sentimento.<\/p>\n<p>Tem acontecido de alguns pol\u00edticos resolverem se afastar de mim por motivos inconfess\u00e1veis, mas isso faz parte do jeito deles serem e agirem, nada tem com a amizade que dediquei a eles, muito pelo contr\u00e1rio: esse \u00e9 o imposto que temos que pagar para permanecermos com os verdadeiros amigos ao nosso lado.<\/p>\n<p>Nestes cinquenta anos de minha vida, s\u00e3o poucos aqueles dos quais eu me afastei ou que de mim tenham se afastado. Talvez duas ou tr\u00eas pessoas, em cinquenta anos de vida, possam ser apontadas como exemplo de quem tenha de mim se apartado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando escrevi o texto acima, n\u00e3o vi motivo para public\u00e1-lo. Escrevi para meu deleite, para meu prazer. Hoje, um ano depois, esse texto se imp\u00f5e como reafirma\u00e7\u00e3o de minha condi\u00e7\u00e3o de pessoa feliz e de sorte, por ter os amigos que tenho e por n\u00e3o ter muitos desafetos.<\/em><\/p>\n<p><em>Mesmo aqueles que se afastaram de meu conv\u00edvio, mesmo aqueles que me abandonaram ou que tenham se sentido por mim abandonados, mesmo aqueles, continuam tendo em mim uma amizade latente, capaz de como f\u00eanix ressurgir das cinzas.<\/em><\/p>\n<p><em>Exemplo disso foi o que aconteceu no ano passado mesmo, quando me reconciliei com uma importante figura de nosso mundo cultural, da qual tinha motivos para me afastar, mas a quem descobri motivos mais que suficientes para me reaproximar e manter uma sincera e respeitosa amizade.<\/em><\/p>\n<p><em>Segundo um bom e velho amigo meu, a prova maior da minha disponibilidade e capacidade para ser realmente amigo \u00e9 o fato de ter amigos comuns que, se n\u00e3o s\u00e3o inimigos, t\u00eam grandes dificuldades de conviv\u00eancia ou interesses bastante antag\u00f4nicos. E mais ainda, consigo ser amigo deles o suficiente para manter verdadeiramente essas amizades, servindo, sempre que poss\u00edvel, a um e a outro, como farol ou porto seguro.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">POEMAS<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">TATUAGEM<\/p>\n<p>*,;.:\u2026!?\u00a7&amp;@1#&gt;=$%+\u00d7\u2260\u00b1\u221e<\/p>\n<p>Chame <em>aten\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Fa\u00e7a uma <em>pequena pausa.<\/em> Sua entona\u00e7\u00e3o demonstra sua inten\u00e7\u00e3o, seu pensamento.<\/p>\n<p>Depois, uma <em>pausa maior,<\/em> que puxe outra ideia ou relacione duas.<\/p>\n<p>Agora uma pausa ainda maior. <em>Uma parada.<\/em><\/p>\n<p>D\u00ea um <em>exemplo:<\/em><\/p>\n<p>Fa\u00e7a suspense, <em>insinue\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Surpreenda;<\/em><\/p>\n<p><em>Pergunte.<\/em><\/p>\n<p>Depois, <em>mude de assunto<\/em>\u2013 isso sempre funciona.<\/p>\n<p><em>Valorize os coadjuvantes,<\/em> eles s\u00e3o mais importantes &amp; necess\u00e1rios do que parecem.<\/p>\n<p><em>Comunique-se.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o se esque\u00e7a dos <em>n\u00fameros,<\/em> eles s\u00e3o indispens\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nem das <em>equa\u00e7\u00f5es. <\/em>Nada funciona sem elas.<\/p>\n<p><em>Maior?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 sempre <em>igual<\/em>a <em>valor.<\/em> O contr\u00e1rio nem sempre \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o se esque\u00e7a. <em>Todo inteiro \u00e9 feito de partes.<\/em><\/p>\n<p><em>Adicione!<\/em><\/p>\n<p><em>Multiplique!<\/em><\/p>\n<p>Fazer <em>a diferen\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 mais ou menos\u2026 Infinito.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">POEMA DITADO, DEITADO, AO LADO DELA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O vento a\u00e7oita a janela<\/p>\n<p>e o sol come\u00e7a<\/p>\n<p>a invadir pelas frestas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bem-te-vis e curi\u00f3s<\/p>\n<p>entoam o que lembra<\/p>\n<p>uma melodia de Vivaldi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agarrada a mim<\/p>\n<p>ela n\u00e3o para de tremer<\/p>\n<p>pede pra eu n\u00e3o parar<\/p>\n<p>e diz que gosta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Asm\u00e1tica,<\/p>\n<p>ensaia uma tosse<\/p>\n<p>mas a hip\u00f3fise vence os br\u00f4nquios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De que mais precisa um homem?<\/p>\n<p>Vento, sol, passarinhos.<\/p>\n<p>Uma mulher linda,<\/p>\n<p>de pele branca.<\/p>\n<p>Uma rosa tatuada,<\/p>\n<p>nome de filme.<\/p>\n<p>Doida para aprender<\/p>\n<p>o que se faz<\/p>\n<p>e como ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luz artificial?<\/p>\n<p>Pra qu\u00ea?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo l\u00e1 fora<\/p>\n<p>e ela comigo<\/p>\n<p>aqui dentro,<\/p>\n<p>aqui dentro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qualquer coisa a mais<\/p>\n<p>\u00e9 excesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">LINGUAGEM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fala!<\/p>\n<p>Fela!<\/p>\n<p>Fila!<\/p>\n<p>Fola!<\/p>\n<p>Fula!<\/p>\n<p>E o cora\u00e7\u00e3o dela foi parar na virilha\u2026<\/p>\n<p>Depois caiu para o joelho<\/p>\n<p>que tremia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">MOB\u00cdLIA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 os m\u00f3veis permanecem l\u00e1<\/p>\n<p>imp\u00e1vidos<\/p>\n<p>im\u00f3veis<\/p>\n<p>compondo o cen\u00e1rio previamente desenhado para o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Os personagens principais mudam<\/p>\n<p>mas n\u00e3o mudam os serventes<\/p>\n<p>n\u00e3o mudam os gar\u00e7ons<\/p>\n<p>nem as arrumadeiras.<\/p>\n<p>Mudam os c\u00e3es que n\u00e3o mudam,<\/p>\n<p>latem<\/p>\n<p>e a caravana passa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">SOBRE AQUELA NOITE<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu poderia come\u00e7ar falando de sua boca e de seus beijos\u2026<\/p>\n<p>Poderia continuar falando de suas coxas e de seus seios\u2026<\/p>\n<p>E s\u00f3 poderia terminar falando de seu sexo e de seus jeitos\u2026<\/p>\n<p>Mas de tudo, naquela noite, o que houve de melhor,<\/p>\n<p>foi que depois de tudo, depois do banho,<\/p>\n<p>ela tirou a toalha na qual estava enrolada<\/p>\n<p>e com ela secou meu rosto, meus ombros, meu peito e minhas costas.<\/p>\n<p>Depois se ajoelhou, e com olhos e rever\u00eancia de uma gueixa<\/p>\n<p>enxugou minhas coxas, minhas pernas e meus p\u00e9s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O SONHO DE ONTEM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Elegante,<\/p>\n<p>falante,<\/p>\n<p>galante\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro direito, mas n\u00e3o esque\u00e7o jamais.<\/p>\n<p>Flores,<\/p>\n<p>vinho,<\/p>\n<p>coisas pra beliscar,<\/p>\n<p>m\u00fasica,<\/p>\n<p>dan\u00e7a,<\/p>\n<p>conversa ao p\u00e9 do ouvido.<\/p>\n<p>Sorriso infantil,<\/p>\n<p>olhar denunciador,<\/p>\n<p>seu corpo fala por ela,<\/p>\n<p>vibra(literalmente vibra)<\/p>\n<p>ao som da flauta de Euterpe<\/p>\n<p>e da lira de Terps\u00edcore.<\/p>\n<p>No colo dela,<\/p>\n<p>em seu decote,<\/p>\n<p>descortino o mundo e des\u00e7o\u2026<\/p>\n<p>Montes,<\/p>\n<p>vasta pradaria,<\/p>\n<p>vales,<\/p>\n<p>um rio feito de suor\u2026<\/p>\n<p>Precip\u00edcio\u2026<\/p>\n<p>Mergulho.<\/p>\n<p>Quando emergi estava nas costas dela,<\/p>\n<p>em sua nuca<\/p>\n<p>e aos seus ouvidos fechei a noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">REFAZENDO AQUELE SONHO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De mim s\u00f3 me lembro estar elegante.<\/p>\n<p>Terno escuro, camisa clara, gravata de seda\u2026<\/p>\n<p>Dela, n\u00e3o esquecerei de nada,<\/p>\n<p>jamais\u2026<\/p>\n<p>Era um sonho\u2026<\/p>\n<p>Seu vestido longo de cetim,<\/p>\n<p>seus olhos cor de mel,<\/p>\n<p>sua boca carnuda.<\/p>\n<p>Um aroma de sedu\u00e7\u00e3o no ar\u2026<\/p>\n<p>Vinho,<\/p>\n<p>conversa ao p\u00e9 do ouvido,<\/p>\n<p>m\u00fasica,<\/p>\n<p>coisas pra beliscar,<\/p>\n<p>inclusive seu bra\u00e7o pela fresta da cadeira.<\/p>\n<p>Dan\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Seu corpo juntinho ao meu<\/p>\n<p>encaixados como p\u00e9rola e ostra<\/p>\n<p>ondulavam.<\/p>\n<p>Seu olhar era denunciador,<\/p>\n<p>seu rosto e seu corpo falavam por ela\u2026<\/p>\n<p>Tudo que aconteceu naquela noite<\/p>\n<p>depois da hora em que a vi\u2026<\/p>\n<p>preferi esquecer\u2026<\/p>\n<p>Agora, distante em tempo e espa\u00e7o<\/p>\n<p>me imagino,<\/p>\n<p>me quero em seu colo.<\/p>\n<p>Mergulho em seu decote,<\/p>\n<p>nele descortino o mundo e des\u00e7o\u2026<\/p>\n<p>Encontro montes,<\/p>\n<p>uma vasta pradaria,<\/p>\n<p>vales,<\/p>\n<p>um rio feito de suor\u2026<\/p>\n<p>Precip\u00edcio\u2026<\/p>\n<p>Mergulho nele.<\/p>\n<p>Quando emergir<\/p>\n<p>quero estar de novo<\/p>\n<p>nas costas dela,<\/p>\n<p>imprensando-a contra a parede,<\/p>\n<p>mordendo sua nuca,<\/p>\n<p>lambendo seu pesco\u00e7o,<\/p>\n<p>e aos seus ouvidos<\/p>\n<p>quero fechar a cortina de outra noite<\/p>\n<p>e ver outro dia nascer.<\/p>\n<p>Mais tarde,<\/p>\n<p>depois do caf\u00e9,<\/p>\n<p>ler pra ela esse poema<\/p>\n<p>e faz\u00ea-la sentir ci\u00fame<\/p>\n<p>imaginando que refiz meu sonho<\/p>\n<p>com outra mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">NUM QUADRO DE MONET<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na velhice<\/p>\n<p>s\u00f3 me restar\u00e1 entrar<\/p>\n<p>num quadro de Monet.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desenhar<\/p>\n<p>uma casinha<\/p>\n<p>de sap\u00e9;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 beira<\/p>\n<p>de um lago<\/p>\n<p>em Giverny;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E me p\u00f4r<\/p>\n<p>a ouvir<\/p>\n<p>os p\u00e1ssaros<\/p>\n<p>da mem\u00f3ria<\/p>\n<p>a cantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">DISCURSOS &amp; PRONUNCIAMENTOS<\/h5>\n<p style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE POSSE NA<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">ACADEMIA IMPERATRIZENSE DE LETRAS<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(27 de abril de 2006)<\/p>\n<p>Como novo ocupante da Cadeira n\u00ba 9 da Academia Imperatrizense de Letras, cabe a mim, como de praxe, em meu discurso de posse \u2013 que n\u00e3o dever\u00e1 ser longo \u2013 falar um pouco do Patrono deste posto, da vida e obra de seu \u00faltimo ocupante, e de mim mesmo.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar, no entanto, gostaria de citar uma frase daquele que, para mim, \u00e9 o Pai da Ideia, o fil\u00f3sofo Plat\u00e3o, evocado por Vito Milesi na abertura de sua apresenta\u00e7\u00e3o de Thucydides Barbosa:<em>\u201cAquele que durante a vida amou o saber e adornou sua alma com virtudes como a Temperan\u00e7a, a Justi\u00e7a, a Liberdade e a Veracidade, este deve esperar tranquilo a hora da partida para o outro mundo, porque ele n\u00e3o parte, mas chega \u00e0 imortalidade.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Para falar de Thucydides Barbosa, busquei subs\u00eddios em ningu\u00e9m menos que Vito Milesi, que, por sua vez, apoiou-se nas palavras de um grande amigo de meu pai e meu professor na Faculdade de Direito de S\u00e3o Lu\u00eds, o Dr. Eloy Coelho. Ele nos diz que a primeira informa\u00e7\u00e3o a respeito de Thucydides Barbosa \u00e9 a de que <em>\u201cse trata de um sertanejo, autodidata, observador e com voca\u00e7\u00e3o para a cultura. Entusiasta pela cidade, a ent\u00e3o vila de Santo Ant\u00f4nio de Balsas, nela viveu um grande per\u00edodo, exercendo cargos como o de funcion\u00e1rio p\u00fablico da \u00e1rea fazend\u00e1ria, prefeito municipal e seu representante como deputado estadual em quatro legis\u00adla\u00adturas consecutivas\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou relatar aqui toda a vida de Thucydides Barbosa, principalmente porque esta n\u00e3o deve ser uma solenidade longa. Em breve faremos editar e distribuir, com a devida permiss\u00e3o desta Casa e dos colegas empossados nessa ocasi\u00e3o, Maria Helena e Jos\u00e9 Her\u00eanio, a \u00edntegra destes nossos pequenos discursos.<\/p>\n<p>Entretanto, direi mais duas coisas que, muito curiosamente me ligam a este nosso personagem. Ele, que nasceu na cidade de Loreto, no dia 8 de julho de 1885, veio a falecer em S\u00e3o Lu\u00eds, no dia 5 de novembro de 1959, aos 74 anos de idade, exatos trinta e oito dias antes de minha m\u00e3e sentir as dores do parto e me presentear com a luz da vida, permitindo-me que viesse c\u00e1 pra fora, pra este mund\u00e3o de meu Deus.<\/p>\n<p>As coincid\u00eancias continuam: em 1925, Thucydides Barbosa, como prefeito de Balsas, foi testemunha ocular e personagem da passagem da Coluna Prestes pelo sert\u00e3o do Maranh\u00e3o. O professor Eloy Coelho comentava possuir fotoc\u00f3pia do original datilografado de <em><em>Subs\u00eddios para a hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o,<\/em><\/em>em que h\u00e1 um cap\u00edtulo \u2013 18 p\u00e1ginas \u2013 datado de junho de 1956, ededicado a um epis\u00f3dio que est\u00e1 entre os mais significativos de nossa hist\u00f3ria republicana.<\/p>\n<p>Ao saber desses dois fatos \u2013 que o meu patrono faleceu dias antes de eu nascer, e que participou de um evento sobre o qual eu escreveria uma pequena hist\u00f3ria sessenta anos depois do acontecido \u2013 ap\u00f3s ler o que Thucydides escreveu sobre a passagem da Coluna Prestes no Maranh\u00e3o, minha mente de <em><em>cronicontista<\/em><\/em>\u2013 adjetivo com que me qualifica meu mestre Sebasti\u00e3o Moreira Duarte \u2013 sentiu-se motivada a escrever uma pequena hist\u00f3ria de realismo m\u00e1gico, na qual um velho e s\u00e1bio pol\u00edtico, amante das artes e da cultura, antes de partir na dire\u00e7\u00e3o da Luz que o esperava, aguardou quase quarenta dias, at\u00e9 que um bebezinho nascesse e ele lhe soprasse ao ouvido:<strong>\u201cP<\/strong><em>repara-te; temos um encontro marcado\u201d\u2026 <\/em>S\u00f3 depois disso, ele subiria.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas depois, eu, aquele beb\u00ea j\u00e1 homem feito, tentava colocar no papel o meu incompreens\u00edvel fasc\u00ednio pela Coluna Prestes, por seus componentes destemidos, heroicos e gloriosos, por sua passagem nas terras do sul do Maranh\u00e3o. \u00c9 quando, mais uma vez, aquele velho e s\u00e1bio pol\u00edtico me sopra ao ouvido, como j\u00e1 o fizera antes. Desta vez, o que eu deveria escrever.<\/p>\n<p>Nosso terceiro encontro estava, a partir de ent\u00e3o, marcado para c\u00e1, para hoje, para esta ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, para que isso acontecesse foi preciso que o destino, atrav\u00e9s do querido amigo Livaldo Fregona e das especiais amigas Edna Ventura e Maria Helena, conspirassem, fazendo que a cadeira de n\u00ba 9 desta Casa ficasse para mim. Agrade\u00e7o muito a voc\u00eas, por esse outro magn\u00edfico presente.<\/p>\n<p>Se meu encontro com Thucydides Barbosa pode ser considerado c\u00e1rmico, com Vito Milesi deve ser considerado sentimental.<\/p>\n<p>H\u00e1 algunsanos, o que me trouxera aqui fora a paix\u00e3o por uma mulher, a maravilhosa Jane Carneiro\u2026 No conv\u00edvio com sua fam\u00edlia, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, ouvi falar, pela primeira vez, em Vito Milesi, mas nunca imaginei que f\u00f4ssemos nos desencontrar tanto. O que \u00e9 uma pena, pois tenho certeza que ser\u00edamos grandes amigos e nos dar\u00edamos muito bem.<\/p>\n<p>\u00c9 incr\u00edvel como a presen\u00e7a de Vito Milesi \u00e9 t\u00e3o marcante nesta Casa. Sinto-me at\u00e9 como se o conhecesse pessoalmente, pela forma como voc\u00eas, as pessoas que conviveram com ele, falam sobre sua personalidade, sua vida e seus feitos. A sua presen\u00e7a se imp\u00f5e de forma doce e delicada, mas com uma for\u00e7a e uma pujan\u00e7a que s\u00f3 se v\u00ea em esp\u00edritos iluminados.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou falar sobre a obra liter\u00e1ria e cultural de Vito Milesi. Todos sabem de sua import\u00e2ncia. Quero falar de outra import\u00e2ncia sua, algo que descobri no primeiro dia em que entrei neste pr\u00e9dio e conversei com alguns de voc\u00eas. Vito Milesi representa a argamassa, o concreto, produto utilizado na constru\u00e7\u00e3o e inventado pelos romanos, antepassados do Menino de Roncobello, prov\u00edncia de B\u00e9rgamo, norte da It\u00e1lia, nascido a 13 de maio de 1931, e que veio para o Brasil como mission\u00e1rio em 1955, e para Imperatriz em 1979.<\/p>\n<p>Vito Milesi me lembra muito Franco Jasiello, outro italiano que veio para o Brasil, infelizmente para Natal, no Rio Grande do Norte. Jasiello, como Milesi, foi, para os que viviam em seu entorno, um farol, como o colosso de Rodes.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma \u00faltima coisa sobre Vito Milesi que gostaria de ressaltar. Quando fui escrever este pequeno discurso, pedi ao Livaldo que me enviasse subs\u00eddios para que bem o fizesse. No final do texto sobre o Vito, vi escrito: <strong>\u201c<\/strong><em>N\u00e3o deixaherdeiros brasileiros\u201d<\/em>. Imediatamente liguei para o Livaldo para confirmar a informa\u00e7\u00e3o e refut\u00e1-la peremptoriamente. Somos todos n\u00f3s, herdeiros de Vito Milesi.<\/p>\n<p>Por fim, de mim nada falarei, a n\u00e3o ser o fato de estar aqui para servir, mais do que para ser servido. Tamb\u00e9m reconhe\u00e7o ser muito ego\u00edsta, a ponto de ter inventado um dispositivo psicossocial deque me utilizo, e que me faz sentir mais prazer servindo ao inv\u00e9s de ser servido. \u00c9 simples, \u00e9 s\u00f3 descobrirmos o prazer que h\u00e1 em ver a felicidade estampada nos rostos das pessoas \u00e0 nossa volta, felicidade proveniente de nosso trabalho, nosso respeito, nossa dedica\u00e7\u00e3o, nosso companheirismo, nossa amizade.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso e para isso que eu estou aqui.<\/p>\n<p>Muito obrigado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">DISCURSO DE POSSE NO INSTITUTO HIST\u00d3RICO<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">E GEOGR\u00c1FICO DO MARANH\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(13 de setembro de 2011)<\/p>\n<p>Senhora Presidente do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o, Professora Telma Bonif\u00e1cio dos Santos Reinaldo,<\/p>\n<p>Ilustres S\u00f3cios,<\/p>\n<p>Minhas senhoras e meus senhores:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bem, gostaria que voc\u00eas soubessem que eu sempre quis, pelo menos uma vez na vida, subverter a ordem, e vou fazer isso agora, agradecendo em primeiro lugar aos de corpo e alma presentes.<\/p>\n<p>Refiro-me a Excelent\u00edssima Presidente, Telma Bonif\u00e1cio e ao meu particular amigo Leopoldo Vaz, pelo convite que me fizeram para ingressar nesta entidade.<\/p>\n<p>Sinto-me muito honrado pelo convite.<\/p>\n<p>Igualmente agrade\u00e7o aos demais diretores e associados deste Instituto, pela carinhosa acolhida.<\/p>\n<p>Aqui irei conviver com queridos amigos como Elizabeth Rodrigues, Manoel dos Santos Neto, Nivaldo Macieira, Jo\u00e3o Francisco Batalha, Edomir Oliveira, Jos\u00e9 Marcio Leite, entre tantos outros com quem a partir de agora poderei estreitar la\u00e7os de sincera amizade.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o tamb\u00e9m a todos que me distinguem, nesta noite, com sua presen\u00e7a e sua paci\u00eancia.<\/p>\n<p>Minhas palavras agora s\u00e3o de respeito e reconhecimento, pois tenho a honra de suceder nesta Casa a Kalil Mohana, ilustre professor, homem carism\u00e1tico e batalhador, que lutou pela vida at\u00e9 o seu \u00faltimo suspiro. Pessoa extremamente afetuosa, sempre com a preocupa\u00e7\u00e3o de estimular a juventude, Kalil Mohana gostava de refletir sobre os mist\u00e9rios e as peculiaridades da consci\u00eancia humana. Gostava de analisar os sentidos da vida, usando para isso aquilo que ela tem de mais verdadeiro: os exemplos da hist\u00f3ria, da filosofia e da humanidade.<\/p>\n<p>Esse valoroso maranhense, que faleceu em S\u00e3o Lu\u00eds no dia 24 de dezembro de 2010, era filho de Miguel e Anice Mohana, libaneses e crist\u00e3os maronitas que se mudaram para o Brasil, dentre outros motivos, em raz\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o dos turcos islamitas contra os de sua cren\u00e7a em um L\u00edbano sitiado.<\/p>\n<p>Resolveram se estabelecer consecutivamente nas cidades de Coroat\u00e1, Bacabal e Viana, sendo que nesta \u00faltima foi o local onde Kalil nasceu no dia 10 de novembro de 1935.<\/p>\n<p>Cursou o Prim\u00e1rio e o Gin\u00e1sio no Col\u00e9gio Marista. J\u00e1 o Cient\u00edfico, no Ateneu Teixeira Mendes e no S\u00e3o Lu\u00eds. Fez os cursos de Geografia, Hist\u00f3ria e Did\u00e1tica na Faculdade de Filosofia, semente da Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Lecionou no Maristas, na Escola Normal do Estado, em v\u00e1rios cursinhos Pr\u00e9-Vestibular, na Federa\u00e7\u00e3o das Escolas Superiores sendo dos fundadores da Universidade Estadual do Maranh\u00e3o, onde foi catedr\u00e1tico durante v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Formou sucessivas gera\u00e7\u00f5es de maranhenses, e conheceu o mundo inteiro por meio de suas viagens. Realizou aproximadamente 130 viagens: cerca de 35 com alunos do Col\u00e9gio Maristas, e mais de 90 com formandos universit\u00e1rios, sem contar as que fez sozinho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de membro efetivo do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Maranh\u00e3o, ele ocupava a cadeira de n\u00ba 8 da Academia Vianense de Letras, patroneada por seu irm\u00e3o, o m\u00e9dico, escritor e padre Jo\u00e3o Mohana.<\/p>\n<p>Autor de diversas obras, dentre elas o livro <em>Viajando e educando: As grandes viagens,<\/em> o meu antecessor nesta Cadeira era oriundo de fam\u00edlia tradicional maranhense, composta por sete irm\u00e3os: Jo\u00e3o, Alberto, Laura, j\u00e1 falecidos; e Ibraim, Julieta e a professora Olga Mohana, ainda entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>De todos, Kalil era o mais receptivo e inquieto. Bom amigo e aconselhador, passar-se \u00e0 tarde pela Rua Afonso Pena e n\u00e3o encostar-se na Casa Mohana para bater um bom papo n\u00e3o tinha sentido, pois ele estava sempre l\u00e1, pronto para recepcionar e trocar ideias com os in\u00fameros amigos que conquistou ao longo de vida.<\/p>\n<p>Sobre Kalil e a fam\u00edlia Mohana, h\u00e1 um fato que devo citar: passei os primeiros anos de minha vida vivendo praticamente na casa de minha av\u00f3 paterna, Maria Haickel, que ficava na Rua da Sa\u00fade, uma travessa da Afonso Pena. Quase todos os dias ela me levava para tomar ben\u00e7\u00e3o para tia Anice, m\u00e3e de Kalil. \u00c9 que para os libaneses, os amigos mais queridos s\u00e3o como parentes, como irm\u00e3os mesmo.<\/p>\n<p>Na Casa Mohana, eu era tratado como um principezinho, tanto pelo padre, que mais tarde seria decisivo em minha op\u00e7\u00e3o pela literatura, como pelo vibrante Kalil, mas principalmente por Julieta que era amiga de minha tia, Rose Mary.<\/p>\n<p>Hoje, aqui, tenho a n\u00edtida sensa\u00e7\u00e3o de suceder um parente, um tio, um primo bem mais velho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhoras e senhores:<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de fazer o registro de que, antes do professor Kalil, dois outros ilustres intelectuais \u2013 Domingos Chateaubriand e Domingos Vieira Filho \u2013 ocuparam esta Cadeira n\u00ba 47, patroneada por Joaquim Serra, que tamb\u00e9m \u00e9 o patrono da Cadeira n\u00ba 21 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, e da de n\u00ba 12 da Academia Maranhense de Letras.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar o esp\u00edrito universal das obras de meu xar\u00e1, Joaquim Serra, o qual, em suas cr\u00f4nicas maravilhosas no <em>Seman\u00e1rioMaranhense<\/em> e em outros jornais, sempre relacionava a economia com o progresso, e o trabalho com a t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Sua pe\u00e7a <em>Quem tem boca vai a Roma<\/em> faz-nos pensar na velocidade com que as ondas eletromagn\u00e9ticas levam o som e a imagem pelos meios modernos de comunica\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a facilidade com que aquele e outros maranhenses aprendem l\u00ednguas estrangeiras.<\/p>\n<p>Joaquim Serra era filho do dono do imenso sobrado que ficava no Largo de S\u00e3o Jo\u00e3o, que ficou conhecido como Pal\u00e1cio das L\u00e1grimas, pois uma linda escrava que servia na casa, pareceu, ao dono, ser a assassina, por envenenamento, de seus dois filhos menores, irm\u00e3os de nosso patrono. Como o caso n\u00e3o foi esclarecido, a escrava foi enforcada. Quando a verdade foi descoberta, o pai de Serra, Leonel, enlouqueceu.<\/p>\n<p>Mas nosso mentor na Cadeira 47 n\u00e3o se tornou abolicionista apenas para fazer justi\u00e7a p\u00f3stuma \u00e0 negra bela que seu pai mandou executar. Tudo leva a crer que meu hom\u00f4nimo desejava para o Maranh\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o encontrada por S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul: a imigra\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n<p>Joaquim Serra conhecia bem os progressos da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, assim como seus malef\u00edcios trabalhistas. Era humanista como C\u00e2ndido Mendes, C\u00e9sar Marques e Sous\u00e2ndrade. Pensava numa economia forte, grande produ\u00e7\u00e3o, mas com produtividade: ou seja, o m\u00e1ximo de frutos, com o menor esfor\u00e7o poss\u00edvel. Ali\u00e1s, essa \u00e9 a filosofia da computa\u00e7\u00e3o e da eletr\u00f4nica modernas.<\/p>\n<p>Ele escreveu tamb\u00e9m a pe\u00e7a <em>O salto de Leucade.<\/em> Leucade, como sabem, \u00e9 uma ilha grega com um alto penedo, de onde eram atirados ao mar os condenados \u00e0 morte. Assim, Joaquim Serra sonhou com a velocidade horizontal em <em>Quem tem boca vai a Roma, <\/em>e com a vertical em <em>O salto de Leucade.<\/em> Com certeza, o grande maranhense pensava na escrava inocente enforcada, ao escrever essa pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Joaquim Serra nasceu em S\u00e3o Lu\u00eds, no ano de 1838, e faleceu no Rio de Janeiro em 1888, ano da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e com quase dois anos a menos que a idade que tenho hoje.<\/p>\n<p>J\u00e1 Domingos Chateaubriand, no \u00edntimo, talvez pensasse como La Fontaine. O poeta via na zoologia e na entomologia, par\u00e1bolas da vida humana, em seus aspectos belos ou sombrios.<\/p>\n<p>Domingos Vieira Filho estudava o folclore como algu\u00e9m que analisa a alma do povo.<\/p>\n<p>Falar de Serra e Chateaubriand faz lembrar de dois outros ilustres membros desteInstituto: os professores Ronald de Carvalho e M\u00e1rio Meireles.<\/p>\n<p>Enquanto Ronald de Carvalho ensinou Geografia, apontando para a Hist\u00f3ria, M\u00e1rio Meireles ensinava Hist\u00f3ria, focando a base f\u00edsica das civiliza\u00e7\u00f5es. A Hist\u00f3ria e a Geografia entrosam-se, abra\u00e7am-se, influenciam-se, revelam mutuamente seus segredos.<\/p>\n<p>Lendo-se as cr\u00f4nicas de Joaquim Serra, seus poemas, ou suas pe\u00e7as de teatro, mesmo as humor\u00edsticas, temos diante de n\u00f3s um esp\u00edrito inteligente, culto, otimista, ao mesmo tempo profundamente brasileiro e internacional, cultuador dos direitos humanos e desejoso de ver a democracia reinar de direito e de fato sobre a imensa na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>H\u00e1 um forte la\u00e7o que une Serra e Vieira. \u00c9 not\u00e1vel o fato de que, em pleno s\u00e9culo XIX, Joaquim Serra era um fervoroso amigo da ra\u00e7a negra, e de se admirar que Domingos Vieira Filho, na d\u00e9cada de 50 do s\u00e9culo XX, escreveu algo t\u00e3o not\u00e1vel e reivindicador para seu tempo, em rela\u00e7\u00e3o ao prest\u00edgio dos irm\u00e3os de pele de Jo\u00e3o do Vale.<\/p>\n<p>No livro <em>Folclore sempre,<\/em> Vieira Filho, professor de Geografia Humana, comenta que em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o os brancos aceitam sem reserva a competi\u00e7\u00e3o do negro e sua consequente ascens\u00e3o social.<\/p>\n<p>Em Serra, encontra-se a mesma eleg\u00e2ncia f\u00edsica, mental e liter\u00e1ria de Vieira.<\/p>\n<p>Domingos Vieira Filho tanto trabalhou pela cultura do Maranh\u00e3o, que sua atua\u00e7\u00e3o fez surgir a Secretaria de Estado da Cultura, sucessora ampliada dos \u00f3rg\u00e3os culturais que ele dirigiu.<\/p>\n<p>Em seus escritos, ele cita autores de muitos pa\u00edses e d\u00e1 sempre a origem dos fatos que estuda e n\u00e3o apenas a etimologia dos nomes.<\/p>\n<p>Dizem que o semblante reflete a pessoa. Os t\u00edtulos dos livros s\u00e3o como os semblantes dos escritores, revelando sua alma.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00e1vel o fato de Serra ter intitulado dois de seus escritos assim: Epic\u00e9dio \u00e0 Morte de Odorico Mendes, e A Capangada. Capangada \u00e9 um termo bastante popular, e epic\u00e9dio \u00e9 uma flor erudita do vocabul\u00e1rio, usada para designar uma ode f\u00fanebre.<\/p>\n<p>Em outros livros, como <em>Um cora\u00e7\u00e3o de mulher<\/em>e <em>Os melros brancos,<\/em>vemos que o mesmo Joaquim Serra, que foi um enamorado, um apaixonado, vergastava com classe os espertalh\u00f5es e fin\u00f3rios, como podemos observar no uso e no sentido do termo melro.<\/p>\n<p>Pietro de Castellamare era um de seus pseud\u00f4nimos, o que revelava seu esp\u00edrito jocoso e internacional. Traduziu muitos poetas franceses e praticava verdadeira exegese, pois n\u00e3o se cingia \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o literal: muitas vezes usava express\u00f5es um pouco diferentes do original, para ser mais fiel ao pensamento do autor. Algo como, traduzindo o portugu\u00eas de Portugal para o brasileiro, a melhor vers\u00e3o de <em>rapariga<\/em> ser <em>mo\u00e7adonzela<\/em>.<\/p>\n<p>Joaquim Serra nasceu quando espocou a revolta da Balaiada, pouco antes de ser declarada a maioridade de Dom Pedro II.<\/p>\n<p>Como se sabe, Serra traduzia fluentemente do franc\u00eas, conhecia o alem\u00e3o, sabia latim, usou um pseud\u00f4nimo italiano, estava por dentro de toda a etimologia grega de nossa l\u00edngua culta e bela.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Lu\u00eds, era comum ouvirem-se pelas ruas e pra\u00e7as conversas em grego, latim, franc\u00eas e alem\u00e3o. Em sua fazenda de Itapecuru, Gomes de Sousa lia Goethe, no original. Sous\u00e2ndrade ensinava grego. Sotero era ex\u00edmio em l\u00ednguas.<\/p>\n<p>Assim se explica porque Joaquim Serra possui um estilo t\u00e3o at\u00e1vico, um pensamento t\u00e3o claro, uma pedagogia t\u00e3o did\u00e1tica no escrever, conversar, planejar e agir.<\/p>\n<p>Explica-se muito mais: por que aquela S\u00e3o Lu\u00eds era chamada de Atenas Brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meus caros amigos:<\/p>\n<p>Estou muito feliz, honrado e emocionado. Vivo um momento importante em minha vida, um momento muito gratificante, pois a Geografia sempre me fascinou e a Hist\u00f3ria sempre foi o meu maior fator de aprendizado para a vida.<\/p>\n<p>Acredito piamente que n\u00f3s n\u00e3o somos apenas n\u00f3s, mas sim, n\u00f3s e mais as nossas circunst\u00e2ncias e nossas consequ\u00eancias, n\u00f3s e a \u00e9poca em que vivemos, n\u00f3s e as viagens que fazemos, os mares que singramos, as hist\u00f3rias que lemos e aquelas que escrevemos.<\/p>\n<p>Entusiasmo-me com a \u00e9poca em que vivo, assumo-ade pleno e com ela me identifico. Mas devo dizer que adoraria ter, como tenho certeza que todos voc\u00eas tamb\u00e9m, uma m\u00e1quina do tempo, que me permitisse passar a limpo, se n\u00e3o todos, mas muitos dos acontecimentos da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sobre mim h\u00e1 pouco a dizer, mas que fique registrado \u2013 para que no futuro, quando algu\u00e9m, quem sabe, for pesquisar quem teve a honra de representar Joaquim Serra e suceder Domingos Chateaubriand, Domingos Vieira Filho e Kalil Mohana na Cadeira 47 deste Instituto \u2013 que Joaquim Elias Nagib Pinto Haickel era o primog\u00eanito de Nagib Haickel e Clarice Pinto Haickel, e pai de Laila Farias Haickel, e quando aqui tomou posse, era o amant\u00edssimo marido de Jacira, mais bela que a lua cheia, mais doce que o mel, mais forte que o jatob\u00e1.<\/p>\n<p>Que se diga que esse dito Joaquim era membro das Academias Imperatrizense e Maranhense de Letras, e que tentava, com afinco e dedica\u00e7\u00e3o, ser contista, poeta, cronista e cineasta.<\/p>\n<p>Que se diga que esse maranhense, por mais de trinta anos, militou na Pol\u00edtica, ora como Deputado Estadual, ora como Deputado Federal e Constituinte, ora como Secret\u00e1rio de Estado. Que sempre soube a hora certa de entrar e de sair de cena.<\/p>\n<p>Que, por fim, se diga, principalmente por quem for um dia suceder este Joaquim, que ele foi acima de tudo um homem feliz, que teve a sorte de fazer o de que gosto e de gostar do que fez. Um homem para quem as jornadas foram passeios, e as guerras nada mais que juvenis jogos de basquete.<\/p>\n<p>Balzac dizia que \u201c\u00e9 um sinal de mediocridade ser-se incapaz do entusiasmo\u201d. Eu n\u00e3o desejo ser med\u00edocre e \u201ccomo jamais se faz algo de grande sem entusiasmo\u201d, no pensar de Ralph Emerson, eu vivo com entusiasmo os momentos que me rodeiam, envolvo-me e fa\u00e7o parte deles sempre fugindo da solid\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos idos do ano de 1682, Bartolomeu Bueno da Silva, hoje conhecido como o Anhanguera, afirmava como bandeira de sua vida: \u201cOu encontro o que procuro, ou morrerei na empreitada\u201d.<\/p>\n<p>Sou disc\u00edpulo desse pensamento e herdeiro dessa vontade, e \u00e9 talvez por isso que tenha chegado at\u00e9 aqui. \u00c9 tamb\u00e9m por isso que vou continuar com voc\u00eas at\u00e9 onde a nossa hist\u00f3ria nos levar.<\/p>\n<p>Muito obrigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">NA SESS\u00c3O DO DIA 15 DE DEZEMBRO DE 2010<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Discurso de despedida da Assembleia Legislativa do Estado do Maranh\u00e3o)<\/p>\n<p><em>O Sr. Deputado Joaquim Haickel<\/em> \u2013 Sr. Presidente, senhoras e senhores deputados, minhas senhoras e meus senhores, com esse discurso encerro hoje um cap\u00edtulo de minha vida.<\/p>\n<p>Despe\u00e7o-me deste mandato que muito possivelmente poder\u00e1 ser o \u00faltimo que exercerei nessa augusta Corte legislativa.<\/p>\n<p>A menos que mude a forma de se fazer elei\u00e7\u00f5es em nosso estado, a menos que se mude a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral de nosso pa\u00eds, n\u00e3o pretendo mais me candidatar a mandato eletivo direto, salvo no caso de tentar representar o meu partido, o PMDB, o nosso estado e o nosso pa\u00eds no Parlamento do Mercosul.<\/p>\n<p>A minha trajet\u00f3ria nessa Casa iniciou-se quando eu tinha 18 anos, em 1978, e passei a compor seu quadro de assessores, cargo que exerci at\u00e9 1979, quando meu pai tomou posse como deputado federal e fomos morar em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Quando voltei a morar no Maranh\u00e3o, passei por um magn\u00edfico est\u00e1gio como oficial de gabinete do governador Jo\u00e3o Castelo. Depois fui requisitado pelo Chefe da Casa Civil de ent\u00e3o, Jos\u00e9 Burnet, para funcionar como seu chefe de gabinete. Ali dei continuidade a meu aprendizado pol\u00edtico, iniciado quando eu ainda era muito crian\u00e7a e acompanhava meu tio Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Haickel e meu pai em suas primeiras campanhas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Comecei a aprender pol\u00edtica ouvindo e vendo. Eu vi e ouvi muitas conversas pol\u00edticas. E o melhor disso \u00e9 que elas tinham como protagonistas, entre outras, figuras da estatura de Henrique de La Roque, Clodomir Milet, Alexandre Costa, Pedro Neiva de Santana, Nunes Freire, Ivar Saldanha e, \u00e9 claro, Jos\u00e9 Sarney.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, tudo aconteceu muito r\u00e1pido, como num sonho. Um sonho intenso, emocionante, eletrizante, cheio de aventuras, como um filme com final feliz, gra\u00e7as aos produtores, aos diretores, aos atores, gra\u00e7as \u00e0 fam\u00edlia que tive a sorte de possuir e aos amigos que tive o privil\u00e9gio de conseguir durante essa jornada.<\/p>\n<p>O tempo, o momento, \u00e9 um fator importante em toda hist\u00f3ria e nessa n\u00e3o poderia ser diferente. Meu tempo aqui foi magn\u00edfico. Ingressei na pol\u00edtica em uma \u00e9poca sensacional, convivi com pessoas fant\u00e1sticas e pude aprender com elas tudo aquilo que pratico hoje.<\/p>\n<p>J\u00e1 tive a oportunidade de comentar que a legislatura de 1983 a 1987 nessa Casa foi uma grande legislatura, quem sabe a melhor da segunda metade do s\u00e9culo XX, ou at\u00e9 mesmo de todo ele, e eu tenho orgulho de dizer que fiz parte dela, que eu era o mais jovem entre os deputados de ent\u00e3o. Naquela legislatura, eu fui o mais jovem deputado estadual de todo o Brasil.<\/p>\n<p>Eu era um ne\u00f3fito, como bem me adjetivou em um antol\u00f3gico discurso o deputado Carlos Guterres. Em tom pejorativo, certo de que eu n\u00e3o sabia o significado da palavra e achando que eu iria me ofender com a forma agressiva com que ele discursava, dirigindo-se a mim, esbravejando e gesticulando.<\/p>\n<p>Realmente fiquei at\u00f4nito: \u201cCarrinho\u201d era amigo de meu pai, era pessoa de dentro de minha casa! Achei estranha a forma como ele me tratou, mas como eu n\u00e3o sabia mesmo o que significava a palavra <em>ne\u00f3fito<\/em>, achei melhor n\u00e3o retrucar, mas devo ter ficado com uma cara esquisita e sem gra\u00e7a. Controlei-me e n\u00e3o devolvi a aparente agress\u00e3o. Depois, no final do discurso, ele me explicou sorrindo que ne\u00f3fito era algu\u00e9m novato, inexperiente, que eu n\u00e3o me ofendesse com aquilo, que aquele era meu batismo de tribuna, que eu havia sido aprovado no teste e aceito naquela irmandade.<\/p>\n<p>J\u00e1 disse antes e repito agora: participar daquela legislatura me serviu como um mestrado, pois o que mais tinha no plen\u00e1rio de ent\u00e3o eram mestres, dos quais citarei apenas alguns: Jos\u00e9 Bento Neves, Gerv\u00e1sio Santos, Celso Coutinho e Raimundo Leal.<\/p>\n<p>Se no meu primeiro mandato fui logo fazendo mestrado, o seguinte me valeu como doutorado. Ter sido deputado federal constituinte e ter podido participar da discuss\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o e vota\u00e7\u00e3o de nossa Carta Constitucional foi para mim o mesmo que ter frequentado os bancos da mais prestigiosa universidade do planeta. L\u00e1 n\u00e3o tive apenas colegas, tive professores, pois muitos deles eram autores de livros nos quais estudei, como Afonso Arinos de Melo Franco e Florestan Fernandes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pude me tornar amigo de pessoas extraordin\u00e1rias como Artur da T\u00e1vola, Wladimir Palmeira, A\u00e9cio Neves, Roberto Campos, Michel Temer, Nelson Jobim, Delfim Netto e Sandra Cavalcante, e ter sido colega de dois futuros presidentes da Rep\u00fablica: Fernando Henrique Cardoso e Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o esse relato, porque, em momentos de despedida, precisamos lembrar do caminho percorrido e dos amigos que nele encontramos.<\/p>\n<p>Deixei de ser candidato em 1991, porque queria ajudar meu pai a realizar o sonho de ser presidente desta Casa. E o fiz. Ele foi, mesmo que por breves sete meses, o suficiente para ter marcado \u00e9poca e se tornado um dos mais benquistos e respeitados presidentes da hist\u00f3ria deste Parlamento, tanto para seus pares quanto para os funcion\u00e1rios, que ainda hoje, 17 anos ap\u00f3s sua morte, ainda se lembram dele com carinho e saudade.<\/p>\n<p>Quando resolvi que n\u00e3o mais seria candidato a deputado, minha mulher me perguntou duas coisas: se eu estava preparado para isso, e de que mais eu sentiria falta quando n\u00e3o fosse mais deputado.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m pode imaginar que sentirei mais falta do poder que emana do cargo e dos salamaleques decorrentes dele. Dos convites para as solenidades, das pompas e circunst\u00e2ncias. Dos proventos. Mas quem me conhece \u2013 e me conhecer n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil \u2013 quem me conhece, como minha querida amiga Helena Heluy, sabe que eu n\u00e3o sentirei falta de nada disso. Do que sentirei falta mesmo \u00e9 desse plen\u00e1rio. Dessas tribunas, dessas bancadas, dessas cadeiras, desse corredor central por onde caminhei quil\u00f4metros, entre uma conversa e outra, entre um acordo e uma vota\u00e7\u00e3o, entre uma quest\u00e3o de ordem e um aparte.<\/p>\n<p>Vou sentir falta do conv\u00edvio com os colegas deputados, vou sentir falta do conv\u00edvio com os funcion\u00e1rios desta Casa.Alguns deles est\u00e3o comigo nessa lida desde 1983, quando pela primeira vez entrei aqui como deputado.<\/p>\n<p>Sentirei falta dos olhares de cumplicidade e aquiesc\u00eancia das taqu\u00edgrafas, as primeiras a interpretarem minhas palavras. Sentirei falta das conversas ou mesmo das discuss\u00f5es com Verde, Gonzaga, Br\u00e1ulio e Maneton sobre o funcionamento da Casa. Sentirei falta do bate-papo gostoso, antes do in\u00edcio das sess\u00f5es, com jornalistas e radialistas que cobrem nosso trabalho. Sentirei falta dos excelentes colaboradores da Consultoria Legislativa, entre os quais citarei apenas Lula e Aristides.<\/p>\n<p>Sentirei muita falta, sim! Sentirei falta de tudo. Do que \u00e9 bom e at\u00e9 do que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom, como a tens\u00e3o causada pelo acaloramento dos debates, das discuss\u00f5es. Sentirei falta at\u00e9 do descontrole de alguns colegas.<\/p>\n<p>Em minha modesta opini\u00e3o, os \u00faltimos quatro anos foram os mais dif\u00edceis jamais vividos em nosso estado. Nessa Casa, sentimos os reflexos e os efeitos disso.<\/p>\n<p>Pessoalmente, para mim, foram anos de grande realiza\u00e7\u00e3o, tanto profissional quanto pessoal.<\/p>\n<p>Sinto que cumpri a contento minha miss\u00e3o enquanto parlamentar. Nos \u00faltimos anos, eu fui membro titular das duas mais importantes comiss\u00f5es permanentes dessa Casa, a de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e a de Or\u00e7amento e Finan\u00e7as. Presidi as mais importantes comiss\u00f5es especiais desta legislatura, uma que atualizou a nossa Constitui\u00e7\u00e3o e outra que reformou nosso Regimento. Al\u00e9m disso, apresentei importantes requerimentos, indica\u00e7\u00f5es, projetos de resolu\u00e7\u00e3o e de lei, entre os quais os que implantam em nosso estado o incentivo \u00e0 cultura e ao esporte. Se nada mais tivesse feito em toda minha vida como parlamentar, ter feito apenas isso teria sido suficiente.<\/p>\n<p>A partir do ano que vem, sem a minha presen\u00e7a nem a do Deputado Edivaldo Holanda nesse plen\u00e1rio, o Deputado Ricardo Murad passar\u00e1 a ser o mais antigo deputado deste Parlamento, pois n\u00f3s tr\u00eas somos os \u00faltimos remanescentes da legislatura de 1983-87. Pe\u00e7o a ele que, ladeado pelo deputado Arnaldo Melo, que tem o maior n\u00famero de elei\u00e7\u00f5es consecutivas nessa Casa do Povo, e a outros colegas que continuar\u00e3o por aqui, que fa\u00e7am o poss\u00edvel, e tentem fazer at\u00e9 o imposs\u00edvel, para que o Legislativo maranhense seja um poder do qual o nosso povo realmente se orgulhe.<\/p>\n<p>Nesses 28 anos de vida p\u00fablica, tentei fazer isso, tentei fazer com que, se n\u00e3o todo o povo de meu estado, pelo menos aquele povo que me confiou a procura\u00e7\u00e3o de represent\u00e1-lo, pudesse se orgulhar de mim, de meu trabalho, de minhas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Gostaria de poder dirigir uma palavra de agradecimento a todos os funcion\u00e1rios dessa Assembleia Legislativa, individualmente, a um por um, pelo carinho para comigo durante todo esse tempo. Mas como isso me seria imposs\u00edvel, dirijo-me simbolicamente a minha comadre Alda, que come\u00e7ou a trabalhar aqui comigo 28 anos atr\u00e1s: obrigado por tudo que voc\u00ea, que voc\u00eas fizeram por mim nesses anos que passamos juntos.<\/p>\n<p>Gostaria de me dirigir aos meus colegas deputados, tamb\u00e9m de um a um. Isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Por isso espero que os n\u00e3o citados sintam-se representados pelos que nominarei:<\/p>\n<p>Deputado Rubens J\u00fanior: V. Exa., que hoje \u00e9 o mais jovem e na legislatura que vem n\u00e3o mais o ser\u00e1, fa\u00e7a com que a confian\u00e7a e o respeito de seus eleitores possam simbolizar o sentimento de todo nosso povo. Aja com sabedoria, com paci\u00eancia, com pertin\u00e1cia, com consci\u00eancia, com coer\u00eancia, todas essas coisas muito f\u00e1ceis de relacionar em um discurso, mas muito dif\u00edceis de colocar em pr\u00e1tica no dia a dia da pol\u00edtica. Dizendo isso a V. Exa.,dirijo-me tamb\u00e9m aos novos deputados que tomar\u00e3o posse em 1\u00b0 de fevereiro de 2011.<\/p>\n<p>Gostaria de me dirigir conjuntamente \u00e0s deputadas Cleide Coutinho, Eliziane Gama, Gra\u00e7a Paz e F\u00e1tima Vieira, que me prestigiaram de maneira muito especial nesses quatro anos, recorrendo a mim sempre que tiveram alguma d\u00favida, sempre que precisaram de alguma informa\u00e7\u00e3o ou necessitaram de algum aconselhamento. Muito obrigado pela confian\u00e7a que demonstraram em mim. Ter-lhes ajudado, dentro de minhas modestas possibilidades, muito me honrou.<\/p>\n<p>Ao deputado Carlos Braid, a quem chamo de tio, que era amigo-irm\u00e3o de meu pai, t\u00e3o pr\u00f3ximo dele, que foi praticamente em seus bra\u00e7os que meu pai faleceu, obrigado pelas luzes de sua viv\u00eancia.<\/p>\n<p>Deputado Milhomem, de quem fui o primeiro-secret\u00e1rio naquela Mesa Diretora que come\u00e7ou a mudar os destinos desse poder, fazendo com que ele passasse a ser mais ouvido e mais respeitado, fazendo com que os deputados, individualmente, fossem realmente valorizados, com que esse Poder passasse a ter a representatividade que a Constitui\u00e7\u00e3o lhe reservou e que h\u00e1 muito n\u00e3o era exercida. Esse Deputado Milhomem, que n\u00e3o \u00e9 uma pessoa f\u00e1cil, e ele n\u00e3o faz mesmo muita quest\u00e3o de s\u00ea-lo, nesses anos de conviv\u00eancia, sabendo eu dar os descontos devidos, tem servido de modelo para mim. Olhando para ele, consigo intuir qual deveria ser a posi\u00e7\u00e3o e a rea\u00e7\u00e3o de meu pai, que se parecia um pouco com ele. Muito obrigado, Tat\u00e1.<\/p>\n<p>Deputado Marcelo Tavares, meu amigo pessoal, mas com quem n\u00e3o me alinho eleitoralmente. Ele presidiu essa Assembleia por dois anos, e o fez sempre de maneira correta, sem jamais ultrapassar o limite da moral, e de quem sempre cobrei apenas um melhor e mais efetivo funcionamento da Casa, desse pr\u00e9dio e de todos os mecanismos de que ele disp\u00f5e e que faz dele, hoje, o melhor pr\u00e9dio p\u00fablico de nosso estado, mas que ainda carece de vida, de identidade, de operacionalidade.<\/p>\n<p>Gostaria de me dirigir tamb\u00e9m aos funcion\u00e1rios de meu gabinete, na pessoa de meu assessor-chefe,Waldimir Filho, o Vadeco. Eles, nesses anos todos, me deram o suporte indispens\u00e1vel para que eu realizasse o meu trabalho. Muito obrigado por tudo.<\/p>\n<p>Para o final fica o agradecimento aos meus amigos prefeitos, vereadores, chefes pol\u00edticos, cabos eleitorais, l\u00edderes comunit\u00e1rios, pessoas do povo, que em algum momento estiveram comigo: dos munic\u00edpios que contribu\u00edam para as minhas elei\u00e7\u00f5es com uma imensa vota\u00e7\u00e3o, como S\u00e3o Domingos ou Primeira Cruz, at\u00e9 munic\u00edpios onde obtive uma pequena vota\u00e7\u00e3o, como Icatu ou Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Muito obrigado pela confian\u00e7a dispensada a mim. Saibam que, enquanto seu deputado, sempre procurei fazer o melhor em defesa dos seus interesses.<\/p>\n<p>A amizade, o carinho, a confian\u00e7a e o respeito que voc\u00eas em mim depositaram nesses anos de conviv\u00eancia ser\u00e3o sempre honrados por mim.<\/p>\n<p>Um grande estadista disse uma vez que na pol\u00edtica s\u00f3 existe a porta de entrada. Que dela n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda. \u00c9 verdade. O pol\u00edtico verdadeiro, aquele que faz pol\u00edtica por convic\u00e7\u00e3o, por idealismo, nunca deixa a pol\u00edtica,e como acredito que eu seja um dessa esp\u00e9cie, que parece estar em extin\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vou sair da pol\u00edtica, apenas n\u00e3o exercerei mandato eletivo.<\/p>\n<p>Quando comecei esse discurso, disse que com ele encerrava um cap\u00edtulo de minha vida, que era uma esp\u00e9cie de despedida, mas agora depois de quinze laudas com letras no corpo 16 e em espa\u00e7o dois, ao chegar ao final de minha fala, vejo que ela se transformou na verdade em um grande agradecimento, por isso acredito que o melhor a fazer agora seria dizer simplesmente obrigado.<\/p>\n<p>Muito obrigado mesmo. Muito obrigado a todos. Muito obrigado por tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">FRASES<\/h5>\n<p>Um homem est\u00e1 apaixonado quando<\/p>\n<p>deixa de pensar em tudo o que deseja fazer com todas<\/p>\n<p>e s\u00f3 pensa no que quer fazer com uma.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 como a gravidade. Elas sempre imp\u00f5em sua for\u00e7a.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A decolagem \u00e9 o come\u00e7o do pouso.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter muita coragem para querer ser feliz de verdade,<\/p>\n<p>para enfrentar as dores que se interp\u00f5em entre n\u00f3s e ela.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o plena do poder \u00e9 diretamente proporcional<\/p>\n<p>a capacidade de se desejar apenas e t\u00e3o somente<\/p>\n<p>aquilo que realmente se pode conseguir.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A morte, normalmente, nos absolve da grande maioria<\/p>\n<p>de nossos pequenos pecados.<\/p>\n<p>Dos grandes, a absolvi\u00e7\u00e3o vem pelo castigo da vida eterna.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Ao conseguirmos tudo o que queremos,<\/p>\n<p>descobrimos que ainda nos falta alguma coisa.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>O pessimista, quando se pergunta se \u00e9 feliz, responde que n\u00e3o.<\/p>\n<p>O realista conclui que o poder\u00e1 ser, \u00e0s vezes.<\/p>\n<p>O otimista n\u00e3o tem tempo de se indagar tal coisa.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A vaidade maior n\u00e3o \u00e9 se achar bonito, ou inteligente, ou rico.<\/p>\n<p>A maior de todas as vaidades \u00e9 reconhecermos nossas defici\u00eancias.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>De pouco adianta a viscosidade vermelha e nobre do sangue familiar, comparado ao impuro, sem cor e honrado suor fraternal<\/p>\n<p>conseguido no corpo a corpo de uma renhida luta.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>De tanto guardar algumas coisas, acabei ficando somente com a sua lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea estabelece o tipo de verdade que quer ouvir,<\/p>\n<p>nesse momento voc\u00ea estabelece que o que voc\u00ea quer ouvir<\/p>\n<p>pode ser uma grande mentira.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>No final vamos acabar descobrindo que todos os personagens,<\/p>\n<p>de qualquer hist\u00f3ria, de uma forma ou de outra, uns mais, outros menos, t\u00eam sua cota de culpa e de responsabilidade<\/p>\n<p>no desfecho do enredo que protagonizam.<\/p>\n<p>Seja como ator principal ou como mero figurante,<\/p>\n<p>uma coisa \u00e9 certa:<\/p>\n<p>a parte maior da culpa cabe sempre a quem det\u00e9m o poder,<\/p>\n<p>a quem manda, ou a quem delega esse mandato.<\/p>\n<p>Dessa culpa ningu\u00e9m pode fugir.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Antes eu pensava que a vida era uma mera quest\u00e3o de contabilidade.<\/p>\n<p>Era s\u00f3 colocarmos as coisas em suas devidas colunas de cr\u00e9ditos e d\u00e9bitos.<\/p>\n<p>Hoje, acredito que, al\u00e9m de balan\u00e7o cont\u00e1bil,<\/p>\n<p>devemos fazer tamb\u00e9m uma boa auditoria,<\/p>\n<p>e at\u00e9, em alguns casos, contratarmos uma competente consultoria.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A arte \u00e9 a \u00fanica coisa que n\u00e3o \u00e9 corro\u00edda pelo tempo.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Quando se encontra o que se procura<\/p>\n<p>as outras ofertas perdem o seu valor.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>O melhor pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 necessariamente o mais poderoso,<\/p>\n<p>o mais popular, o mais financiado.<\/p>\n<p>O melhor pol\u00edtico \u00e9 aquele que sabe usar melhor<\/p>\n<p>os instrumentos que estejam ao seu dispor,<\/p>\n<p>causando o menor dano poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: center;\">ROTEIROS CINEMATOGR\u00c1FICOS<\/h5>\n<h3 style=\"text-align: center;\">FIL\u00d3 DO MALAQUIAS SUMIU<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">Baseado no conto de mesmo nome<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Arturo Saboia<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">* * *<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Roteiro<\/em><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos iniciais do filme<\/p>\n<p>01 \u2013 Interna \/ Dia \/ Delegacia de Pol\u00edcia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>TRAVELLING<\/em>numa pequena sala de delegacia de apar\u00eancia bastante decr\u00e9pita e desorganizada. H\u00e1 pap\u00e9is espalhados pelas mesas, os ventiladores funcionam parcamente e as paredes apresentam elevado est\u00e1gio de arruinamentoe h\u00e1 marcas de cupim em diversas localidades da sala.<\/p>\n<p>Um homem, 40 anos, franzino e trajando um terno surrado, est\u00e1 sentado em sua escrivaninha situada no meio da sala e fala ao telefone. Sua camisa est\u00e1 banhada em suor e seu rosto transpira, de modo a torn\u00e1-lo ainda mais reluzente. Ele se utiliza de uma pasta de processo para se abanar e espantar as moscas, que insistentemente se aproximam dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(enfadado, falando ao telefone)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2026A senhora est\u00e1 me dizendo que no momento da compra, o papagaio j\u00e1 n\u00e3o movia nenhuma pena\u2026?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2026Voar ent\u00e3o, nem pensar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2026Hmm\u2026Imagino que seja in\u00fatil eu perguntar se esse papagaio balbuciava alguma palavra!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2026Sei\u2026 Duro como pedra\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2026\u00c9, minha senhora\u2026 Lamento dizer que essa compra definitivamente n\u00e3o foi um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u2026 Vai ficar dif\u00edcil fazer alguma coisa, nesse caso! Uma hora dessas, esse sujeito que lhe vendeu o papagaio j\u00e1 deve estar bem longe!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(exaltado)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Epa!!! Calma a\u00ed, minha senhora\u2026 Assim a senhora j\u00e1 est\u00e1 me faltando com o respeito!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Espera.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">A senhora se acalme, que vou ver o que eu consigo fazer! Todas as provid\u00eancias poss\u00edveis ser\u00e3o tomadas imediatamente! N\u00e3o se preocupe! Passar bem!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Delegado bate com for\u00e7a o telefone no gancho e suspira profundamente, olhando circunspectoa sua sala, no mais completo estado de marasmo. (Obs.: a c\u00e2mera faz o trajeto do olhar). Ele olha para uma gaveta acoplada \u00e0 sua escrivaninha e retira um calhama\u00e7o de pap\u00e9is. No meio dessa pilha de pap\u00e9is, ele retira uma revista, em cuja capa vemos uma mulher nua, e come\u00e7a a folhe\u00e1-la, enxugando com um len\u00e7o o suor que escorre de seu rosto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Voz OFF<\/em><\/p>\n<p>Bom dia!<\/p>\n<p>O Delegado, num susto, tenta repor desajeitadamente a revista na gaveta de onde a retirara, e olha para o sujeito baixo e franzino, Malaquias, aparentando uns 60 anos, parado no limiar da porta de sua sala.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Bom dia! Pois n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Em que posso ajudar?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c9 aqui que eu devo dar queixa de um desaparecimento?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(surpreso)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">E foi quem que desapareceu?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Foi a Felomena, dot\u00f4 Delegado\u2026 Eu acho que a velha Felomenaindoidou de vez!<\/p>\n<p>O Delegado se levanta, demonstrando bastante interesse no assunto, e se aproxima de Malaquias, de modo a fazer com que ele se sente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(ensimesmado e aparentando grande satisfa\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Um desaparecimento?! \u00c9 real?! Finalmente um caso digno de minha altura e compet\u00eancia!<\/p>\n<p>Os olhos do delegado brilham de alegria, e depois ele parece voltar a si.<\/p>\n<p>Malaquias est\u00e1 sentado em frente \u00e0 mesa do Delegado, e este, por sua vez, retorna \u00e0 sua cadeira. Os dois ficam sentados frente a frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Como \u00e9 mesmo seu nome?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Malaquias Bento da Cruz, ao seu dispor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pois muito bem, seu Malaquias, sou o Delegado Juca. Conte-me melhor essa hist\u00f3ria da Felomena!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Malaquias se compraz ao come\u00e7ar a falar de Fil\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ah, dot\u00f4, a Fil\u00f3 tinha os quadri mais bunito de todo o munic\u00edpio, e a pele da Fil\u00f3, dot\u00f4, era macia como seda. Adorava alisar ela, e ela adorava. Ficava toda tr\u00eamula. E os \u00f3ios, os \u00f3ios da Fil\u00f3\u2026dot\u00f4, eram de um negro todo especi\u00e1. Posso jurar que ela nunca foi trai\u00e7oeira, n\u00e3o! Nunca foi arisca!<\/p>\n<p>O Delegado escuta atentamente Malaquias n\u00e3o consegue disfar\u00e7ar seu contentamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Dot\u00f4! Quando me alembro da l\u00edngua de Fil\u00f3, fico todo arrepiadim\u2026 ela gostava de passar a l\u00edngua in meu pesco\u00e7o, no meu gurgumim traseiro\u2026<\/p>\n<p>Malaquias fecha os olhos, embalado pela evoca\u00e7\u00e3o de suas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aquele rebolado dela n\u00e3o me sai da cabe\u00e7a em nenhum instante! Aquele seu reboladinho\u2026Era como se cal\u00e7asse sand\u00e1lia alta e um vestido justo! Seu bailado era de uma belezura! Meu Deus!!<\/p>\n<p>O Delegado agora fica visivelmente constrangido com as palavras e express\u00f5es sensuais de Malaquias. Levanta-se de sua cadeira,interrompendo-lhe o relato.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Eu sou um grande adepto da precis\u00e3o meticulosa dos relatos, para elucidar os casos mais dif\u00edceis que sempre se apresentaram em minha extensa e merit\u00f3ria carreira servindo \u00e0 comunidade, seu Malaquias! Mas eu prefiro que o senhor me poupe desses detalhes mais \u00edntimos. O tempo \u201cruge\u201d. Conte-me logo como foi que a Dona Felomena desapareceu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Malaquias se encolhe na cadeira tomado por uma grande sensa\u00e7\u00e3o de desalento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ela tomou dori, dot\u00f4, sumiu que nem deixou rastro!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Mas ela foi embora e nem disse nada?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Assim sem mais nem menos?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pois \u00e9\u2026 Uma coisa eu sei, dot\u00f4: ela deu nos p\u00e9 onte, antes daquela chuvarada\u2026 Essa \u00e9 a \u00fanica forma de se explicar\u2026desde ent\u00e3o eu s\u00f3 fico pensando na Fil\u00f3 e come\u00e7o a ficar com uma vontade\u2026montar nela, naquele seu corpo macio e gostoso\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(cortando-o peremptoriamente)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Esse parte pode pular, seu Malaquias. Temos que agir logo, se ela foi embora ontem, n\u00e3o deve estar muito longe! O senhor n\u00e3o tem ideia de onde ela possa estar? Um irm\u00e3o, uma tia, um parente?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o, n\u00e3o\u2026 Ela s\u00f3 tinha eu nesse mundo, a tadinha\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Mesmo assim vamos ach\u00e1-la pro senhor. O senhor deve estar sentindo muito a sua falta, n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">E como t\u00f4, dot\u00f4\u2026<\/p>\n<p>O Delegado se aproxima de Malaquias, infla o peito em gesto altivo e varonil, e diz com uma voz que beira a solenidade, levantando um dos bra\u00e7os como se estivesse brandindo uma espada. Seu discurso vai gradativamente se inflando de empolga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p>Mas o senhor pode ficar tranquilo, seu Malaquias, eu prometo pro senhor, juro pela b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus que logo voc\u00ea ter\u00e1 de novo sua Fil\u00f3 em seus bra\u00e7os. O mundo inteiro ir\u00e1 se emocionar com esse reencontro de voc\u00eas! Eu a trarei de volta, custe o que custar! Nada ir\u00e1 me acabrunhar diante de t\u00e3o intr\u00e9pida e auspiciosa aventura. Tal qual um infante que se lan\u00e7a em epopeias jamais contadas pela mais ex\u00edmia das narrativas, para resgatar a mais tenra das donzelas acossada em t\u00e3o rude e r\u00edspido mundo que n\u00e3o \u00e9 digno de sua tamanha ternura e singeleza!<\/p>\n<p>Malaquias olha-o com um olhar atabalhoado, e o Delegado, percebendo sua s\u00fabita empolga\u00e7\u00e3o, tenta, de forma um tanto envergonhada, se recompor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Muito bem, dot\u00f4! Agrade\u00e7o muito! Principalmente se tudo isso que o senhor disse a\u00ed \u00e9 pra trazer minha Fil\u00f3 de volta!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">A coitada n\u00e3o comeu e deve estar morrendo de fome!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O senhor tem raz\u00e3o, seu Malaquias! Devemos correr contra o tempo! D\u00ea-me licen\u00e7a um instante, que eu vou colocar o senhor em contato com meu pessoal, pra que o senhor d\u00ea uma descri\u00e7\u00e3o mais detalhada de Dona Felomena!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Delegado se dirige a um canto da sala, onde se um encontra uma antiga parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aten\u00e7\u00e3o, todas as viaturas! Aten\u00e7\u00e3o, todas as viaturas! C\u00e2mbio!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ele puxa o fone e fala.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o h\u00e1 nenhum retorno, apenas um pouco de est\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Irritado)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00d4 Tonh\u00e3o e Maneco! Magote de sem-vergonhas! Atende logo isso a\u00ed!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Voz OFF<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Na escuta, Chefe! Est\u00e1vamos no encal\u00e7o de um ladr\u00e3o de bicicleta aqui no mercado, Chefe!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p>Deve ser o Chiquinho da Gorda! Depois a gente pega ele! O caso \u00e9 o seguinte: temos aqui uma den\u00fancia de desaparecimento. Pode ser que tenhamos em nossas m\u00e3os o primeiro sequestro de nossa regi\u00e3o! O denunciante vai dar a descri\u00e7\u00e3o da desaparecida!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Voz OFF<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Positivo! Na escuta!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O delegado passa o microfone para Malaquias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Delegado<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">A palavra \u00e9 toda sua, seu Malaquias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Malaquias se aproxima do microfone e se ajeita no banco. Faz um gesto para o Delegado para saber se j\u00e1 pode come\u00e7ar. O Delegado anui com a cabe\u00e7a, na expectativa.<\/p>\n<p><em>Close<\/em> num dos r\u00e1dios de viatura da Pol\u00edcia. Ouvimos apenas a voz em <em>off<\/em> de Malaquias.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Malaquias<\/em><\/p>\n<p>Bem, pessu\u00e1, minha Fil\u00f3 \u00e9 maiada, branca e marrom. Tem chifre curto, \u00e9 robusta e gorda. \u00c9 holandesa. Tem quase uma tonelada. \u00c9 meiga, sens\u00edvel. Tenho pressa de encontr\u00e1 ela\u2026ham, sim\u2026ia me esquecendo, ela t\u00e1 precisando de um refor\u00e7o contra a aftosa, e tamb\u00e9m passar bicarbonato de s\u00f3dio nas tetas que a Claudete feriu em sua \u00faltima refei\u00e7\u00e3o\u2026 Claudete \u00e9 uma bezerra que a m\u00e3e morreu e a Fil\u00f3 cuidou dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>FIM<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">O VISITANTE<\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">Baseado no conto de mesmo nome<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Colabora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Francisco Colombo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Roteiro<\/em><\/p>\n<p>1. INT. NOITE. BAR.<\/p>\n<p>Ambiente lotado. Grupo de Pagode tocando. Mulheres e homens cantam e dan\u00e7am, fumam e bebem. Pedidos s\u00e3o feitos. Gar\u00e7ons andam de um lado pro outro. Carregam bandejas cheias e vazias, trazem contas. O balc\u00e3o est\u00e1 apertado.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o, aproximadamente 40 anos, \u00e9 um desses gar\u00e7ons. Camisa branca e cal\u00e7a escura, ele \u00e9 magro, um tipo comum, cabelos curtos. Nem bonito e nem feio, mas com algo que atrairia uma mulher. Encosta-se no balc\u00e3o, faz um pedido e aproveita para descansar a bandeja. Est\u00e1 abatido, talvez pelo cansa\u00e7o do trabalho. Enxuga-se com uma toalhinha. Olha para o rel\u00f3gio de pulso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. INT. NOITE. COZINHA \/ SALA.<\/p>\n<p>A casa \u00e9 pequena, simples, mas toda arrumada. Faltam muitos eletrodom\u00e9sticos. Tudo est\u00e1 em seu devido lugar.<\/p>\n<p>Maria est\u00e1 sozinha, \u00e0 espera de Jo\u00e3o. Ela \u00e9 jovem, tem pouco mais de 25 anos. Bonita, tem tamb\u00e9m um corpo escultural. Veste-se apenas com um <em>baby-doll<\/em> barato. Est\u00e1 descal\u00e7a. Abre a geladeira velha e toma \u00e1gua. Vai para a sala e se deita no sof\u00e1. Olha para o teto. Levanta e liga a televis\u00e3o, tamb\u00e9m bastante velha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. INT. NOITE. SALA.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o continua ligada. Maria est\u00e1 cochilando no sof\u00e1. O <em>baby-doll <\/em>j\u00e1 n\u00e3o cobre t\u00e3o bem o belo corpo, insinuando as curvas sensuais. Ouve-se o ru\u00eddo de chaves e da porta batendo, fechada. Jo\u00e3o aparece e contempla a mulher apenas com a luz da televis\u00e3o. Liga a luz da sala, desliga a TV e pega a mulher nos bra\u00e7os. Ela sorri levemente, e os dois v\u00e3o para o quarto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. INT. DIA. SALA.<\/p>\n<p>Maria est\u00e1 varrendo a sala. Ouve-se uma batida \u00e0 porta. Gritam o nome de Jo\u00e3o, que ainda est\u00e1 deitado no quarto.<\/p>\n<p>O homem, do outro lado, \u00e9 Abel, um interceptador de mercadorias roubadas, que as revende por pre\u00e7os mais vantajosos. Jovem, tem aproximadamente 30 anos. Atraente, veste-se bem e tem os olhos esverdeados.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Quem \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c9 o Abel. Quero falar com Jo\u00e3o. Ele est\u00e1?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Est\u00e1 sim, mas ainda\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pode abrir, Maria. Deixa ele entrar!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Maria abre a porta. Abel agradece apenas com um aceno. Aproveita e aprecia Maria por inteiro e entra, chamado por Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Entra,rap\u00e1. Aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Maria acompanha Abel com o olhar, ainda segurando a vassoura. Ele d\u00e1 uma \u00faltima olhada antes de entrar no quarto. Ela desvia o olhar.<\/p>\n<p>5. INT. DIA. QUARTO.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">E a\u00ed, cad\u00ea o som?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Pois \u00e9. Foi por isso que vim aqui. A merreca n\u00e3o deu!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Qual \u00e9, meu? Tu passa tr\u00eas semanas, nada de som, e ainda quer mais dinheiro? Puta que pariu. Que papo mais torto!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00c9 a crise\u2026 O dinheiro vira fuma\u00e7a\u2026 Mas me diz uma coisa: quem \u00e9 essa morena a\u00ed, toda certinha, que abriu a porta pra mim? Ela d\u00e1 uns tra\u00e7os de Elsa!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Porra, \u00e9 a minha mulher, cacete!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Hummmmmm\u2026 Casado? E a velha Elsa?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Carta fora do baralho. Fala baixo que Maria \u00e9 prima dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Caminho livre ent\u00e3o? Maravilha!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Nada disso! Com o casamento, ela foi promovida. Agora \u00e9 a minha amante oficial!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">P\u00f4, Jo\u00e3o, tu quer todas? Mas daquela vez que tu queria o rel\u00f3gio, a gente fez jogo na Elsa, n\u00e9? Ou tu t\u00e1 esquecido agora?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Isso \u00e9 passado. O que importa agora \u00e9 o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Futuro? Ent\u00e3o t\u00e1 bom. Tenho um proposta pra ti. Te dou o som, sem necessidade de mais grana. Tu ainda leva uma televis\u00e3o. Novinha, que essa a\u00ed deveria t\u00e1 num museu! Topa?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Claro, porra!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Mas agora vem a minha pedida! Eu n\u00e3o quero mais a Elsa. Quero essa tua mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Tu t\u00e1 doido, cara? V\u00e1 se foder! Claro que n\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Rap\u00e1, eu sei que tu \u00e9 um negociante. \u00c9 preciso agarrar as oportunidades. Pra tu ver que n\u00e3o t\u00f4 de brincadeira, ainda de dou mais uma geladeira, dessas grandonas, duplex! A tua t\u00e1 baleadona. Tua patroa vai adorar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Porra, Abel, tu \u00e9 foda! Desse jeito fica dif\u00edcil\u2026 Cara, eu topo, mas quero mais duzentinho\u2026 tenho que pagar umas dividas!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Agooooraaaaaaaaaaa!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Como \u00e9 que tu vai fazer? Tem que ser de um jeito que n\u00e3o d\u00ea problema!\u2026 E nada de deixar minha mulher toda marcada como tu fez com a Elsa, porra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o te preocupa. Vai ficar tudo limpeza!<\/p>\n<p>6. INT. NOITE. SALA.<\/p>\n<p>Maria est\u00e1 \u00e0 vontade em casa. Usa apenas <em>baby-doll<\/em> e calcinha. Cal\u00e7ada apenas com um chinelo. Batida \u00e0 porta. Maria, sonolenta, se aproxima.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jo\u00e3o, abre aqui. Sou eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Maria, com um leve sorriso, entreabre a porta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jo\u00e3o n\u00e3o t\u00e1! J\u00e1 foi pro trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Abel<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Eu sei. Foi por isso que vim.<\/p>\n<p>Abel tira do bolso um canivete tipo su\u00ed\u00e7o. Maria v\u00ea a arma e permanece im\u00f3vel. J\u00e1 n\u00e3o sorri. Ele empurra a porta e entra, para depois fech\u00e1-la. Corta uma das al\u00e7as do <em>baby-doll.<\/em> Ela apenas mira os olhos de Abel. Abel acaricia os ombros de Maria. Beija-lhe o pesco\u00e7o. Maria fecha os olhos. Abel guarda o canivete no bolso. Abel toca um dos seios de Maria. Beija a boca. Primeiro, timidamente. Depois, com mais intensidade. Abel se ajoelha. Beija os p\u00e9s de Maria, sobe pelas pernas. Levanta-se e toma-a nos bra\u00e7os. J\u00e1 sabe o caminho do quarto e \u00e9 para l\u00e1 que vai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. INT. NOITE. BAR.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o est\u00e1 trabalhando. Sua muito. Enxuga-se. O movimento no local \u00e9 grande. Olha repetidamente para o rel\u00f3gio. Aproxima-se do balc\u00e3o. Faz o pedido. Enxuga-se novamente. Joga a toalha no balc\u00e3o. Suspira. Pede \u00e1gua. Toma um gole. P\u00f5e o copo no balc\u00e3o e olha de novo o rel\u00f3gio. Apanha a tolha e caminha em dire\u00e7\u00e3o a um cliente, que numa mesa, o chama. Ele vai \u00e0 mesa. Princ\u00edpio de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. INT. NOITE. QUARTO.<\/p>\n<p>A janela est\u00e1 aberta. Len\u00e7ol no ch\u00e3o. Roupas tamb\u00e9m. Abel est\u00e1 deitado com Maria, sorridente. Abel a acaricia. Levanta-se, veste-se vigiado pelo olhar de Maria, que junta o len\u00e7ol e cobre-se. Trocam um \u00faltimo olhar. Abel vai embora. Maria fecha os olhos. (Obs.: as cenas 7 e 8 podem ser alternadas na montagem, o que causaria um efeito de suspense).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9. INT. NOITE. SALA.<\/p>\n<p>Maria est\u00e1 na sala, de baby-doll. Uma das al\u00e7as, a que fora cortada, agora com um n\u00f3. Som de chaves abrindo a porta. Jo\u00e3o entra, desconfiado. Maria chora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O que foi, mulher?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Um homem veio aqui. Pensei que fosse algu\u00e9m conhecido, a voz pareceu familiar. (Solu\u00e7a).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">E a\u00ed? Aconteceu alguma coisa?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ele empurrou a porta e entrou. Rasgou a al\u00e7a da minha camisola.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">(Volta a chorar).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Quem? Quem foi o desgra\u00e7ado? Ah, se eu n\u00e3o mato esse vagabundo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ele te fez alguma coisa?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Ele\u2026 ele me for\u00e7ou\u2026 ele me for\u00e7ou\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">E como \u00e9 esse desgra\u00e7ado. Vamos, mulher, diz logo. Pera\u00ed, vamo na Pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Como ele \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Eu n\u00e3o sei direito! Tava escuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Como n\u00e3o sabe? Que porra \u00e9 essa? N\u00e3o olhou pro homem? N\u00e3o viu a cara dele?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o. N\u00e3o consegui ver nada. Fiquei cega\u2026 Ai, meu Deus!\u2026 Acho que ele tava com um capuz, uma m\u00e1scara.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O olho do filho da puta, n\u00e3o viu nem o olho dele?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vi. Isso eu vi\u2026 Era, parece que era\u2026 avermelhado. Parecia duas brasas!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Como assim? Vermelho? N\u00e3o era preto? Azul? Verde, sim, verde?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Maria<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">N\u00e3o. Era vermelho. Tenho certeza que era vermelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Maria o abra\u00e7a. Jo\u00e3o \u00e9 carinhoso. Maria sorri. Jo\u00e3o sorri.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Jo\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Vai l\u00e1, Maria. Te arruma. Vamo na Delegacia.<\/p>\n<p>10. INT. DIA. SALA.<\/p>\n<p>Batida \u00e0 porta. Jo\u00e3o e Maria est\u00e3o na sala, sentados no sof\u00e1, assistindo \u00e0 velha televis\u00e3o. Os dois trocam olhares. Maria levanta e abre a porta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Entregador<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Aqui \u00e9 que mora o Seu Jo\u00e3o e a Dona Maria? O Abel mandou entregar umas coisas pra eles\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>FIM<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">saiba mais<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.blogsoestado.com\/joaquimhaickel\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"tab5\" class=\"info_tabs\">\n<h1>Iconografia<\/h1>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-1366 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/1-O-pai-e-a-m\u00e3e-2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/1-O-pai-e-a-m\u00e3e-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1309\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1309'>\n\t\t\t\tO pai e a m\u00e3e\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/2-Estudando.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/2-Estudando-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1310\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1310'>\n\t\t\t\tEstudando\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/3-Garoto-magrinho-e-cabeludo.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/3-Garoto-magrinho-e-cabeludo-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1311\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1311'>\n\t\t\t\tGaroto, magrinho e cabeludo\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/4-Futebol-no-S\u00edtio.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/4-Futebol-no-S\u00edtio-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1312\" srcset=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/4-Futebol-no-S\u00edtio-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/4-Futebol-no-S\u00edtio-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/4-Futebol-no-S\u00edtio-274x275.jpg 274w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/4-Futebol-no-S\u00edtio.jpg 799w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1312'>\n\t\t\t\tFutebol no S\u00edtio\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/5-Postal.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/5-Postal-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1313\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1313'>\n\t\t\t\tPostal\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/6-Aos-15-com-Tet\u00e9-e-Lol\u00f3.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/6-Aos-15-com-Tet\u00e9-e-Lol\u00f3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1314\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1314'>\n\t\t\t\tAos 15, com Tet\u00e9 e Lol\u00f3\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/7-Com-amigos.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/7-Com-amigos-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1315\" srcset=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/7-Com-amigos-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/7-Com-amigos-300x298.jpg 300w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/7-Com-amigos-276x275.jpg 276w, https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/7-Com-amigos.jpg 804w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1315'>\n\t\t\t\tCom amigos\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/8-J\u00e1-foi-jovem...-E-bonito...-Anos-70.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/8-J\u00e1-foi-jovem...-E-bonito...-Anos-70-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1316\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1316'>\n\t\t\t\tJ\u00e1 foi jovem&#8230; E bonito&#8230; Anos 70\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/9-J\u00e1-foi-jovem...-E-bonito...-Anos-80.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/9-J\u00e1-foi-jovem...-E-bonito...-Anos-80-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1317\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1317'>\n\t\t\t\t J\u00e1 foi jovem&#8230; E bonito&#8230; Anos  80\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/10-Enfrentando-o-grande-Marquinhos.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/10-Enfrentando-o-grande-Marquinhos-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1318\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1318'>\n\t\t\t\tEnfrentando o grande Marquinhos\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/11-Com-a-filha-Laila.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/11-Com-a-filha-Laila-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1319\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1319'>\n\t\t\t\tCom a filha Laila\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/12-Com-as-filhas-Laila-Ananda-e-Avana.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/12-Com-as-filhas-Laila-Ananda-e-Avana-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1320\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1320'>\n\t\t\t\tCom as filhas Laila, Ananda e Avana\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/13-Flambando.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/13-Flambando-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1321\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1321'>\n\t\t\t\tFlambando\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/14-Com-Jacira-sua-mulher.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/14-Com-Jacira-sua-mulher-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1322\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1322'>\n\t\t\t\tCom Jacira, sua mulher\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/15-Joama-Romulo-Nilma-Joaquim-Jacira-e-Neto.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/15-Joama-Romulo-Nilma-Joaquim-Jacira-e-Neto-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1323\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1323'>\n\t\t\t\t Joama, Romulo, Nilma, Joaquim, Jacira, e Neto\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/16-Foto-de-campanha-de-1986.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/16-Foto-de-campanha-de-1986-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1324\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1324'>\n\t\t\t\tFoto de campanha de 1986\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/17-Discursando-na-Constituinte-de-1988.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/17-Discursando-na-Constituinte-de-1988-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1325\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1325'>\n\t\t\t\tDiscursando na Constituinte de 1988\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/18-Na-elei\u00e7\u00e3o-do-pai-para-Presidente-da-ALM.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/18-Na-elei\u00e7\u00e3o-do-pai-para-Presidente-da-ALM-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1326\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1326'>\n\t\t\t\tNa elei\u00e7\u00e3o do pai para Presidente da ALM\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/19-Aparteando.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/19-Aparteando-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1327\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1327'>\n\t\t\t\tAparteando\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/20-Aplaudindo.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/20-Aplaudindo-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1328\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1328'>\n\t\t\t\tAplaudindo\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/21-Na-Tribuna-Nagib-Haickel.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/21-Na-Tribuna-Nagib-Haickel-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1329\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1329'>\n\t\t\t\tNa Tribuna Nagib Haickel\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/22-Discursando-1.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/22-Discursando-1-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1330\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1330'>\n\t\t\t\tDiscursando 1\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/23-Discursando-2.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/23-Discursando-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1331\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1331'>\n\t\t\t\tDiscursando 2\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/25-Vice-Presidente-do-Forum-Nacional-de-Secret\u00e1rios-de-Esporte.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/25-Vice-Presidente-do-Forum-Nacional-de-Secret\u00e1rios-de-Esporte-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1333\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1333'>\n\t\t\t\tVice-Presidente do Forum Nacional de Secret\u00e1rios de Esporte\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/26-A-Fam\u00edlia-no-lan\u00e7amento-de-Clara-Cor-de-Rosa.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/26-A-Fam\u00edlia-no-lan\u00e7amento-de-Clara-Cor-de-Rosa-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1334\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1334'>\n\t\t\t\tA Fam\u00edlia no lan\u00e7amento de Clara Cor-de-Rosa\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/27-Os-cinco-da-Revista-Guarnic\u00ea.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/27-Os-cinco-da-Revista-Guarnic\u00ea-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1335\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1335'>\n\t\t\t\tOs cinco da Revista Guarnic\u00ea\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/28-com-Ferreira-Gullar.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/28-com-Ferreira-Gullar-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1336\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1336'>\n\t\t\t\tcom Ferreira Gullar\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/29-Prata-Joaquim-e-Fernando.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/29-Prata-Joaquim-e-Fernando-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1337\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1337'>\n\t\t\t\tPrata, Joaquim e Fernando\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/30-A-AML-vai-cumunicar-sua-elei\u00e7\u00e3o.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/30-A-AML-vai-cumunicar-sua-elei\u00e7\u00e3o-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1338\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1338'>\n\t\t\t\tA AML vai cumunicar sua elei\u00e7\u00e3o\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/31-Com-o-irm\u00e3o-Nagib.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/31-Com-o-irm\u00e3o-Nagib-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1339\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1339'>\n\t\t\t\tCom o irm\u00e3o, Nagib\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/32-Recebendo-o-diploma-da-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/32-Recebendo-o-diploma-da-AML-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1340\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1340'>\n\t\t\t\tRecebendo o diploma da AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/33-Posse-na-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/33-Posse-na-AML-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1341\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1341'>\n\t\t\t\tPosse na AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/34-Assinando-o-termo-de-posse.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/34-Assinando-o-termo-de-posse-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1342\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1342'>\n\t\t\t\tAssinando o termo de posse\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/35-Discurso-de-posse-na-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/35-Discurso-de-posse-na-AML-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1343\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1343'>\n\t\t\t\tDiscurso de posse na AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/36-Foto-oficial-da-AML-na-posse-de-Joaquim.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/36-Foto-oficial-da-AML-na-posse-de-Joaquim-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1344\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1344'>\n\t\t\t\tFoto oficial da AML na posse de Joaquim\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/37-Com-a-m\u00e3e-a-mulher-e-a-filha-na-posse-na-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/37-Com-a-m\u00e3e-a-mulher-e-a-filha-na-posse-na-AML-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1345\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1345'>\n\t\t\t\tCom a m\u00e3e, a mulher e a filha, na posse na AML\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/38-Palestra-na-II-Feira-do-Livro-de-SL.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/38-Palestra-na-II-Feira-do-Livro-de-SL-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1346\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1346'>\n\t\t\t\tPalestra na II Feira do Livro de SL\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/39-Com-o-Staff-do-Padre-Nosso.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/39-Com-o-Staff-do-Padre-Nosso-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1347\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1347'>\n\t\t\t\tCom o Staff do Padre Nosso\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/41-Premiado-no-35\u00b0-Guarnic\u00ea.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/41-Premiado-no-35\u00b0-Guarnic\u00ea-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1349\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1349'>\n\t\t\t\tPremiado no 35\u00b0 Guarnic\u00ea\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/42-Premiando-L\u00e9a-Garcia-no-35\u00b0-Guarnic\u00ea.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/42-Premiando-L\u00e9a-Garcia-no-35\u00b0-Guarnic\u00ea-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1350\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1350'>\n\t\t\t\tPremiando L\u00e9a Garcia no 35\u00b0 Guarnic\u00ea\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/43-Exibi\u00e7\u00e3o-de-Pelo-Ouvido-em-Havana.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/43-Exibi\u00e7\u00e3o-de-Pelo-Ouvido-em-Havana-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1351\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1351'>\n\t\t\t\tExibi\u00e7\u00e3o de Pelo Ouvido em Havana\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/44-Em-havana-com-Alberto-Granado-e-senhora-ao-lado-de-Daniela-Thomas-e-Jaciara-Guerra.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/44-Em-havana-com-Alberto-Granado-e-senhora-ao-lado-de-Daniela-Thomas-e-Jaciara-Guerra-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" 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href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/46-Agradecendo-o-pr\u00eamio-em-Cartagena.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/46-Agradecendo-o-pr\u00eamio-em-Cartagena-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1304\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1304'>\n\t\t\t\tAgradecendo o pr\u00eamio em Cartagena\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/47-Premiado-em-Cartagena.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/47-Premiado-em-Cartagena-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1305\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1305'>\n\t\t\t\tPremiado em Cartagena\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/48-Denise-Dumont-o-marido-Joaquim-e-L\u00edrio-Ferreira-em-Cartagena.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/48-Denise-Dumont-o-marido-Joaquim-e-L\u00edrio-Ferreira-em-Cartagena-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1306\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1306'>\n\t\t\t\tDenise Dumont, o marido, Joaquim e L\u00edrio Ferreira em Cartagena\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/49-Na-inaugura\u00e7\u00e3o-do-MAVAM-da-FNH.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/49-Na-inaugura\u00e7\u00e3o-do-MAVAM-da-FNH-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-1307\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-1307'>\n\t\t\t\tNa inaugura\u00e7\u00e3o do MAVAM da FNH\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.academiamaranhense.org.br\/inf_aml\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/50-Lan\u00e7amento-de-Contos-poemas-cr\u00f4nicas...-E-outras-Palavras-na-AML.jpg'><img width=\"150\" height=\"150\" 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Filho de Nagib Haickel e Clarice Pinto Haickel. Poeta, contista, cronista e cineasta, fundou e dirigiu a Revista Guarnic\u00ea, que circulou em S\u00e3o Lu\u00eds entre 1983 e 1986, as Edi\u00e7\u00f5es Guarnic\u00ea em 1983 e a Guarnic\u00ea Produ\u00e7\u00f5es em 1984. 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