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Um mosaico literário

29 de outubro de 2015

O escritor, professor e procurador do Estado Bruno Tomé Fonseca lança hoje, às 19h, na Academia Maranhense de Letras, “As carências das horas tardias da noite”, seu segundo livro de contos

1446064386-9781414Baseado em experiências pessoais e imaginativas, e debruçando-se sobre o fazer literário com rigor e voracidade ao longo de seis anos, o escritor maranhense, professor universitário e procurador do Estado do Maranhão Bruno Tomé Fonseca apresenta hoje, às 19h, na Academia Maranhense de Letras (AML), “As carências das horas tardias da noite”, seu segundo livro de contos.

O estímulo para lançar a obra veio da positiva repercussão de “Contos Cruéis”, que Bruno Tomé Fonseca editou em 2009. Na verdade, fora uma espécie de “batismo de fogo literário” do autor, como ele mesmo define, tendo representado um teste pessoal para que vencesse a autocrítica, em primeiro lugar, e depois, o medo de expor sua criação publicamente. “Nesse teste, acho que me saí relativamente bem. Foi bem produzido, e, creio eu, bem recebido pela comunidade maranhense. Lógico que se tratava do primeiro e, pontualmente, veio com alguns recursos ou ‘muletas’ literárias, que hoje procuro evitar. Mas, no todo, o resultado foi satisfatório. Aliás, preciso dizer que a obra é um pouco mais radical, e menos sutil que esta segunda. Mas eu me orgulho de todo o processo que envolveu sua gestação”, analisa.

Escrever revela várias coisas. Uma delas é a carência do escritor. Carência de dizer aquilo que não tem coragem de expor corriqueiramente, ou simplesmente deixar subentendido. Expor os personagens as situações diversas, manipulá-los, sacrificá-los, pô-los dentro de algum limite”

Desta vez, a nova coletânea de contos (selecionada em edital específico para obras literárias ano passado, via Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão – Fapema), traz personagens conduzidos por caminhos bifurcados que lembram os passos das criações literárias de João Gilberto Noll, como expressa no prefácio o professor José Neres, membro da AML. Conforme Neres, o autor “parece querer mostrar para seus leitores que a vida é bem mais do que se está acostumado a ver”.

Assim sendo, o leitor encontrará textos agradáveis e histórias curiosas, entre elas, a de “Olindo da portaria” e sua relação amigável com o empresário Matias, ou o insucesso do encontro de Naim com Catarina. Ao leitor, Tomé oferece um mosaico de narrativas a partir de argumentos simples e singelos, como uma caminhada na rua, uma fala de um andarilho, o trabalho jurídico ou o conflito de gerações, de olho no alcance universal, com “tiros curtos”, próprios da natureza dos contistas. Ele permitiu-se escrever mais de 20 contos, de naturezas diversas e diferentes tamanhos. A maioria traz narrativas curtíssimas, mas há histórias mais longas. “A proposta é trazer algo mais cuidadoso, tipo trabalho de artesão, mas que traga a ideia do prazer versus esforço de escrever”, resume.

Dedicação
Bruno Tomé Fonseca é um agente do Direito. Dedicado e engajado, ainda encontra tempo para a literatura. Ele mesmo confessa que o equilíbrio profissional é muito difícil com a função de escrever. “São esforços diferentes. O esforço profissional, pelo menos na área de Direito, envolve agendas, tensões e obrigações. Mas na vida profissional, quando você escreve, desenvolve um raciocínio cartesiano, existe uma obrigação constante de ser compreendido, com muita objetividade, preferencialmente. A questão de desenvolver literatura envolve outro tipo de esforço, mas igualmente sacrificante. É como se fosse uma artesania, construir camadas, desenvolver histórias dentro de outra perspectiva. E não há um dever de você ser tão claro, mas pode deixar uma margem para a dúvida, para ambiguidades. Isso é fundamental para o escritor”, diz.

O maranhense sempre admirou os grandes contistas, desde os mais impactantes e de efeito, como Rubem Fonseca, João Antônio, Edgar Allan Poe, até os mais artesãos e sutis, como o russo Tchekov. Hoje, é mais ligado em romances e, ao fim do dia, quando tira o terno, consegue relaxar lendo, por exemplo, Eça de Queiroz. “Há muitos dramas em comum entre as bandeiras do Brasil e de Portugal. Você compreende alguma coisa do Brasil na literatura portuguesa. Desde a origem de algumas expressões, palavras, estados de espírito, comportamentos, a forma de ver o país, os políticos. Ultimamente, tenho lido muito literatura portuguesa”, finaliza.

Serviço
O quê Lançamento do livro “As carências das horas tardias da noite”, de Bruno Tomé Fonseca Quando Hoje, às 19h Onde Academia Maranhense de Letras (AML), na Rua da Paz Preço do livro R$ 50,00


fonte: OEstadoMA.com