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Reconhecimento a um grande intelectual

25 de novembro de 2018

Bandeira Tribuzi, uma das grandes mentes da política, economia e literatura maranhenses, será homenageado pela Universidade Federal do Maranhão com título de Doutor Honoris Causa

O intelectual Bandeira Tribuzi será homenageado pela Universidade Federal do Maranhão (Bandeira Tribuzi)

SÃO LUÍS – “Ó minha cidade / Deixa-me viver / que eu quero aprender / tua poesia / sol e maresia / lendas e mistérios / luar das serestas / e o azul de teus dias”, diz a letra do poema “Louvação a São Luís”, de autoria do militante, humanista, erudito e intelectual Bandeira Tribuzi. Os versos, que foram transformados no hino oficial da capital, é um dos trabalhos da rica produção intelectual do maranhense que será homenageado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) com a outorga do título – post mortem – de Doutor Honoris Causa. A sessão está marcada para esta segunda-feira, 26, no Palacete Cristo Rei (Centro), às 17h. Na ocasião será feita entrega da Medalha Sousândrade a personalidades.

Visto como uma das grandes mentes da política, economia e literatura maranhenses, Tribuzi deixou um legado literário e filosófico incontestável. Foi ele quem iniciou o Modernismo no Maranhão em 1948, com a publicação do livro de poesia “Alguma Existência”. Ao lado do ex-presidente José Sarney, José Bento e outros escritores, fez parte de um movimento literário difundido por meio da revista A Ilha, que lançou o modernismo no Maranhão e da qual foi um dos fundadores. Foi também com o ex-presidente que fundou o jornal O Estado do Maranhão.

Em sua cidade natal, os elevados propósitos de Tribuzi pairavam muito acima das cabeças de seus conterrâneos, que logo reconheceram nele a erudição. Sob a influência de nomes até então desconhecidos no meio maranhense, como Sá-Carneiro, José Regio, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade, além de Garcia Lorca, o poeta e escritor logo contagiaria sua geração com ideias novas.

José Tribuzi Pinheiro Gomes nasceu em São Luís dia 2 de fevereiro de 1927 e morreu em 8 de setembro de 1977. Teve o codinome incorporado ao nome devido à predileção pela obra de Manuel Bandeira, a quem admirava. Filho do português Joaquim Pinheiro Ferreira Gomes e da maranhense Amélia Pinheiro Gomes, antes de completar três anos de idade, seguiu com a família para a terra natal do pai.

Na Europa, frequentou escolas em Porto, Aveiro e Coimbra e por lá permaneceu até concluir sua formação superior. Apesar de filho de comerciante bem-sucedido, não assumiu cargo na firma do pai. A sólida formação humanística o impeliu para outras paragens. Formado em Filosofia e Ciências Econômicas e Sociais, Bandeira Tribuzi retornou a São Luís em 1946, onde viveu até a morte. Além de Portugal e de São Luís, morou ainda em Fortaleza e no Rio de Janeiro, trabalhando em jornais e em departamentos de comunicação social de empresas.

Como prova de sua importância, além das obras, a festa de comemoração pelo aniversário de 50 anos do escritor, meses antes de sua morte, reuniu, no Teatro Arthur Azevedo, escritores como Jorge Amado, Luís Rego, Oswaldino Marques, Ferreira Gullar, Domingos Vieira Filho, Odylo Costa, filho, Josué Montello, Lago Burnett, os membros da Academia Maranhense de Letras, o pintor Floriano Teixeira, os amigos e a família.

Além de intelectual engajado, Tribuzi também lutou por causas humanitárias. O escritor chegou a ser preso durante o regime militar, acusado de tentativa de subversão da ordem política e social. Da pena de Bandeira Tribuzi surgiram publicações como “Rosa da Esperança” (1950); “Safra” (1960); “Sonetos” (1962); “Pele & Osso” (1970); e “Poesias Completas” (1979).

Para o filho de Bandeira Tribuzi, Francisco Tribuzi, a homenagem da UFMA fortalece a relação entre a instituição de ensino e a memória do intelectual. “Para nós é uma emoção e alegria receber, em nome da família, este título. Meu pai foi um poeta, músico, mas acima de tudo foi um humanista que doou-se ao seu povo e à cidade”, diz.

O Jornal

Bandeira Tribuzi fundou, ao lado de José Sarney, o jornal O Estado do Maranhão. Parceiros de vida, os amigos se juntaram no fim dos anos 1950 em torno do projeto do Jornal do Dia, rebatizado com o nome O Estado do Maranhão em 1973.

Fascinado pelo cotidiano da Redação, a ao lado de escribas importantes daquele período, Tribuzi foi o jornalista vibrante, o coordenador eficiente, o editor competente, além de editorialista e colunista respeitado. Permaneceu à frente de O Estado até a sua morte, aos 50 anos, em decorrência de uma parada cardíaca.

Acervo

A relação da UFMA com o intelectual vem sendo construída ao longo do tempo. Uma das ações foi o projeto de pesquisa desenvolvido no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão e coordenado pelo professor Ferreira Júnior, que digitalizou a obra do escritor Bandeira Tribuzi para torná-la de domínio público. Todo o material do projeto está disponível para consulta e pesquisa no endereço eletrônico https://bandeiratribuzi.ufma.br/jspui/.

A digitalização das obras de Bandeira Tribuzi teve o objetivo de preservar e popularizar o pulso literário desse autor no ambiente virtual. Com o processo de digitalização, são salvaguardados documentos originais que, devido à fragilidade material, não podem ser manuseados com tanta frequência. O material digitalizado compreende livros publicados por Bandeira Tribuzi, bem como artigos de jornais e revistas sobre o escritor, além de poemas avulsos, manuscritos, correspondências, letras de música, entre outros.

Serviço

O quê

Outorga do título Doutor Honoris Causa a Bandeira Tribuzi

Quando

Segunda-feira, 26

Onde

Palacete Cristo Rei, Praça Gonçalves Dias, 351, Centro