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Programação celebra 100 anos de Josué Montello

19 de agosto de 2017

Casa de cultura batizada com o nome do escritor fará a VII Semana Montelliana cuja abertura, nesta segunda-feira, 21, às 17h, será com palestra proferida pelo imortal da Academia Brasileira de Letras, Arnaldo Niskier

Centenário de Josué Montello terá vasta programação (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS -Jornalista, professor, romancista, cronista, ensaísta, historiador, orador, teatrólogo e memorialista, Josué Montello nasceu em São Luís em 21 de agosto de 1917. Para marcar os 100 anos de nascimento do intelectual, a Casa de Cultura que leva o nome do autor de “Cais da Sagração” vai sediar, de 21 a 25 deste mês, a VII Semana Montelliana cuja programação, gratuita, será alusiva ao centenário.

Em seus romances, como “Os Tambores de São Luís” e “Noite Sobre Alcântara”, Josué Montello retratou, com riqueza de detalhes, cenários do Centro Histórico de São Luís e do Maranhão, mesmo vivendo no estado apenas na juventude, já que passou boa parte de sua vida na cidade do Rio de Janeiro e morou ainda em países como Espanha, Portugal, Peru e França.

Seu legado literário é dos mais importantes e respeitados e reúne mais de 160 obras em vários gêneros – romances, ensaios, crônicas, história, discursos, analogias, educação, novelas, teatro, biblioteconomia, literatura infantil e juvenil, memórias, prefácios, edições para cegos e cinema. É considerado um clássico da literatura brasileira, com muitos livros traduzidos no exterior, bem como versões cinematográficas de duas de suas novelas.

Josué Montello foi embaixador do Brasil junto às Nações Unidas em Paris e o segundo mais jovem imortal da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 29, cujo fundador foi Arthur Azevedo e que tem como patrono Martins Pena. Foi membro da Academia Maranhense de Letras e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.

Além de escritor, foi colaborador do Jornal do Brasil, assessor de imprensa do presidente Juscelino Kubitschek e embaixador do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (Unesco), onde defendeu os títulos de Patrimônio Cultural da Humanidade para as cidades de Brasília e São Luís.

Semana

Para destacar a importância do maranhense, a Semana Montelliana será aberta nesta segunda-feira, 21, às 17h, com a palestra magna “Por Quem Tocam os Tambores de São Luís”, a ser proferida pelo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e amigo de Montello, Arnaldo Niskier (RJ). Entre os palestrantes convidados que falarão sobre o autor ao longo da programação estão os escritores Aldy Mello de Araújo, que proferirá a palestra “A saga maranhense”, na quarta-feira, 23, às 16h30; Reginaldo de Jesus, do Instituto Federal de Sergipe, que falará sobre “A obra diarística de Josué Montello”, quinta-feira, 24, às 16h30; e a palestra de encerramento “Montello: um mestre na construção de narrativa curtas”, com o professor José Neres.

A programação traz ainda as exposições fotográficas “Cais da Sagração”, que remete ao livro homônimo e apontado pela Universidade Estadual do Maranhão como leitura obrigatória ao Programa Seletivo de Educação Superior (Paes) de 2017; e “Centenário de Josué Montello”, que reúne registros da vida do escritor. Lançamento de livros, cordel e teatro, visitas guiadas e selo comemorativo completam a programação diária da Semana Montelliana.

Casa

Depois de dois anos fechada para reforma, a Casa de Cultura Josué Montello foi reaberta em dezembro do ano passado. Por ocasião da reforma, o museu ganhou mais um espaço para exposições. Trata-se do apartamento localizado no piso superior do imóvel e no qual o escritor Josué Montello se hospedava sempre que retornava do Rio de Janeiro para temporadas em São Luís.

A Casa de Cultura Josué Montello é localizado na Rua das Hortas, Centro de São Luís e destina-se a promover estudos, pesquisas e trabalhos nas áreas da literatura, artes, ciências sociais, história e manifestações artísticas e culturais do estado.

No local, estão expostos, entre outros itens, o Fardão usado por Josué Montello na Academia Brasileira de Letras (ABL); medalhas, títulos e condecorações recebidos pelo intelectual ao longo de sua trajetória, além de documentos pessoais, óculos e outros objetos usados por ele. O museu tem, ainda, o Catálogo de Publicações de Autores Maranhenses, que reúne 1.980 referências de autores e instituições maranhenses e que serve como fonte de pesquisa.

A Casa de Cultura foi criada por meio da Lei 4.351 de 31 de outubro de 1981 e integra o Sistema de Cultura do Estado do Maranhão. Inicialmente, foi instalada em prédio próprio, no Largo do Ribeirão. O crescimento do acervo provocou a mudança de suas instalações para um casarão antigo da família João Pereira, situado na Rua das Hortas, esquina com a Rua do Coqueiro, adquirido pelo Governo do Estado em 1989. A partir de março de 1990, a Casa de Cultura passou a funcionar nesse prédio que foi adaptado e reformado para essa finalidade.

No primeiro semestre de 1997, o imóvel passou por um processo de recuperação, ampliação e modernização das suas instalações físicas, com recursos captados pela Associação dos Amigos da Casa de Cultura Josué Montello, junto ao Ministério da Cultura com interveniência do Governo do Maranhão.

Acervo

Fazem parte do acervo da Casa de Cultura Josué Montello as coleções de obras da biblioteca particular do autor de “Noite sobre Alcântara”, acrescentando-se objetos e documentos pessoais em um acervo de aproximadamente 60.000 exemplares.

Entre os itens em exposição estão capas de romances do escritor, fotografias, livros, bandeira do Maranhão que cobriu o caixão no velório do escritor e um busto em bronze. Também estão disponíveis cerca de 2.000 exemplares de obras de autores maranhenses e sobre o Maranhão, além de documentos alusivos à fortuna crítica do escritor. Os originais dos romances de Josué Montello, sua vasta correspondência ativa e passiva também compõem o acervo do centro cultural.

A maior parte das obras que compõem a Casa foram doadas pelo próprio escritor em escritura pública, em 14 de maro de 1983, incluindo obras bibliográficas, documentais e museológicas.

Após a morte de Josué Montello, em 15 de março de 2006, sua esposa, Yvonne Montello, que era bibliotecária, tornou-se a principal responsável pela organização do acervo do centro cultural. A viúva do escritor também já é falecida. A Semana Montelliana tem patrocínio da Cemar, via Lei estadual de Incentivo à Cultura.

Serviço

O quê

VII Semana Montelliana

Quando

De segunda, 21 a sexta, 25

Onde

Casa de Cultura Josué Montello

Programação gratuita