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Lembranças de Hector Babenco

24 de julho de 2016

Escritor e roteirista maranhense relembra o processo de produção dos filmes “Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia” e “Pixote, a lei do mais fraco ”
Hector Babenco dirigiu os filmes "Pixote- A Lei do Mais fraco" e "Lúcio Flávi_ O Passageiro da Agonia" (Foto: Arquivo)

Hector Babenco dirigiu os filmes “Pixote- A Lei do Mais fraco” e “Lúcio Flávi_ O Passageiro da Agonia” (Foto: Arquivo)

Nosso conhecimento, como dois irmãos, foi casual: havíamos marcado encontro na minha casa (nessa ocasião morava na rua Real Grandeza – Botafogo) e, obviamente, era a primeira vez que tinha contato com Babenco, a quem recebi como sendo um diretor de cinema argentino.

Havia lançado o livro “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1ª edição – Editora Civilização Brasileira, 1975), que fez muito sucesso e me aproximou muito do Ênio Silveira, meu editor.

A partir daí, Hector vinha de São Paulo e, com a parceria de Jorge Durán, o roteiro foi sendo elaborado.

A escolha de Reginaldo Faria para protagonizar a película foi extremamente adequada ao papel de Lúcio Flávio. O elenco de apoio contou com Ana Maria Magalhães, Milton Gonçalves, Paulo César Pereio, Ivan Cândido, Lady Francisco; e as com as participações especiais de Grande Otelo, Stepan Nercessian e Erico Vidal.

Minha relação com Babenco que fui conhecer nessa época, tornou-se estreita como é, em geral, a postura do autor-roteirista e o roteiro técnico, que pela primeira vez tinha contato.

O filme dirigido por ele fez grande sucesso. Filas enormes formaram-se nas portas do Odeon na Cinelândia. Graças a esta vitória cinematográfica, Babenco partiu para outra aventura com a minha parceria e do experiente Jorge Duran. O novo filme seria “Pixote, a lei do mais fraco”, baseado em outro livro de minha autoria – “Infância dos Mortos” – lançado pela Record em 1977. Este filme consagrou Babenco internacionalmente.

Bilheteria

“Lúcio Flávio, o passageiro da agonia” fala de uma organização criminosa surgida nos anos 1960 no Brasil, chamada de Esquadrão da Morte, que passa a combater o crime à margem da lei.

Nessa conjuntura, surgem vários episódios e personagens que marcaram uma época. Lúcio Flávio (Reginaldo Faria) é um deles. Ele se tornou um conhecido bandido no Rio de Janeiro. O filme e o livro são baseados em história real, Louzeiro se aproximou de Lúcio Flávio em reportagens policiais. O filme levou cinco milhões de pessoas ao cinema e até hoje é considerado um dos 10 filmes de maior público no Brasil (atualmente, ocupa a sétima posição). l

* Escritor, jornalista e roteirista e membro da AML

Minha relação com Babenco que fui conhecer nessa época, tornou-se estreita como é, em geral, a postura do autor-roteirista e o roteiro técnico, que pela primeira vez tinha contato