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José Sarney: vida e obra de um imortal

9 de abril de 2013

A literatura de José Sarney será analisada no seminário A vida intelectual de José Sarney

cartazseminarioA vida acadêmica do imortal das Academias Brasileira e Maranhense de Letras, José Sarney, que completará 83 anos no dia 24 deste mês, será tema de uma série de palestras e exposição que têm início hoje, às 17h, no Convento das Mercês (Desterro). O evento, que prossegue amanhã e sexta-feira, é o primeiro de uma série de Seminários Literários idealizados pela Fundação da Memória Republicana Brasileira (FMRB) em parceria com a Academia Maranhense de Letras (AML).

O senador e escritor José Sarney, que é patrono da FMRB, terá sua obra exaltada e analisada em três palestras literárias bem como por meio da exposição intitulada A vida intelectual de José Sarney, patrono da Fundação da Memória Republicana Brasileira. A mostra será aberta hoje e permanecerá em cartaz até o dia 10 de maio e reúne peças dos acervos que contam a trajetória literária do escritor maranhense, desde a exposição de exemplares de livros publicados pelo autor até a exibição de um vídeo com imagens de encontros do homenageado com importantes nomes da literatura mundial.

Entre as palestras, a primeira será proferida hoje, às 17h, pelo professor, escritor e pesquisador Sebastião Moreira Duarte. Confrade de Sarney na AML, o palestrante falará sobre o tema Sarney, o homem de letras. Na ocasião, ele explanará sobre a obra literária de José Sarney e fará uma síntese da vida acadêmica do homenageado, ressaltando sua contribuição para o cenário literário do Maranhão e do Brasil.

Duarte abordará o contista, romancista e o poeta por meio dos livros publicados por José Sarney. De acordo com o pesquisador, ele não seguirá, em sua fala, a ordem cronológica de publicação das obras e sua fala deverá ter a duração de 50 minutos. Amanhã quem fala à plateia é o professor e pesquisador Dyêgo Martins, que tecerá comentário sobre o prelúdio da carreira do ex-presidente como romancista.

Na sexta-feira, será a vez da professora, escritora e imortal da AML Ceres Costa Fernandes proferir palestra. Ela abordará o tema O romance na obra de José Sarney, com ênfase no livro A Duquesa Vale uma Missa. “Darei uma pincelada geral na prosa de autoria de José Sarney, falarei sobre as características do seu romance e de detalhes do livro”, adianta Ceres Costa Fernandes.

Durante a análise, a professora buscará relações entre A Duquesa Vale uma Missa com os outros dois romances de José Sarney: Saraminda e O Dono do Mar. Aspectos como verossimilhança, estudo de tipos e contraposição aos outros livros serão ressaltados pela palestrante, que diz que seu primeiro contato com a obra de José Sarney é como leitora comum. “Mas, por ser professora de teoria literária, sempre observo, em um segundo momento, os aspectos de criação que o autor lançou mão para escrever o livro”, diz.

Esta será a primeira palestra que Ceres Costa Fernandes proferirá sobre a obra de José Sarney. “O meu interesse pela obra de Sarney é de quem lê, escreve e estuda literatura”, pontua a professora.

O público esperado para as palestras são estudantes de ensino médio, universitários e interessados em literatura de um modo geral. A explanação terá duração de 50 minutos e em seguida a palestrante se colocará à disposição para o debate com os presentes.

Homenageado – José Sarney começou na literatura ainda jovem influenciado pela descoberta da poesia moderna portuguesa. Seu primeiro livro foi Ensaio sobre a Pesca de Curral, publicado em 1953. No ano seguinte, escreveu A Canção Inicial. Este livro afirmava sua liderança no círculo intelectual, formado por escritores e artistas, que se reunia na Movelaria Guanabara, em São Luís.

Com a intensa atividade política dos anos seguintes, só voltaria a publicar literatura depois de um longo intervalo, justamente quando vivia a efervescência do Governo do Maranhão. Tratava-se de um livro de contos, Norte das Águas (1969), escrito com uma linguagem de grande riqueza vocabular e domínio formal, saudado em todo o Brasil como uma nova vertente literária. Depois de novo intervalo, em 1978, voltou à poesia, com Os Maribondos de Fogo. Em 1995, publicou O Dono do Mar, romance em que renovaria as experiências formais de Norte das Águas, num contexto de tempo múltiplo e forte erotismo.

Em 2000, um novo romance, Saraminda, o confirmaria como mestre do gênero, com uma escrita despojada e poética, e transferindo seu cenário para a região da fronteira do Amapá com a Guiana Francesa. Um terceiro romance, A Duquesa Vale uma Missa, de 2007, novamente muda o cenário, para o eixo Rio-São Paulo, e o tratamento literário.

As crônicas semanais publicadas em jornais foram reunidas em sete volumes e uma antologia. Escreveu grande quantidade de textos políticos, coletados em muitos livros e que constituem um repertório de seu pensamento.

A obra de José Sarney tem sido publicada em vários países com repercussão internacional, como atestam textos de grandes intelectuais brasileiros, franceses, argentinos, portugueses, etc.

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