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Intelectualidade imortalizada

9 de março de 2019

Bustos da Praça do Panteon, que retornaram ao local após reforma feita pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com a Prefeitura de São Luís, são lembrança da importância das letras maranhenses para a cultura do estado.

Um dos bustos expostos na Praça do Panteon após a reforma (Biné Morais / O ESTADO)

SÃO LUÍS – A­pós um hiato de 11 anos, os bustos que são a origem do nome da Praça do Panteon, retomaram o espaço público reformado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em parceria com a Prefeitura de São Luís. Entalhadas em bronze, as 18 esculturas representam uma lembrança dos tempos áureos da intelectualidade local. Retirados da praça em 2007, a pedido da Academia Maranhense de Letras, que alegou falta se segurança e vandalismo em relação às obras, os bustos homenageiam 18 intelectuais que ainda são anônimos para parte dos maranhenses.

Figuram no Panteon escritores, poetas, romancistas, humanistas e intelectuais que muito contribuíram com as letras não apenas do Maranhão como também do Brasil. Assim, estão representados no espaço as figuras de Arnaldo Ferreira, Artur Azevedo, Clodoaldo Cardoso, Dunshee de Abranches, Bandeira Tribuzi, Silva Maia, Josué Montello, Corrêa de Araújo, Teixeira Mendes, Urbano Santos, Raimundo Correia, Maria Firmina, Nascimento Moraes, Ribamar Bogéa, Gomes de Sousa, Coelho Neto, Gomes de Castro e Henriques Leal, cujas muitas obras estão no anonimato.

Livro
Em seu livro “Breve história das ruas e praças de São Luís”, publicado na década de 1970, Domingos Vieira Filho discorre sobre o espaço no qual estão assentados os bustos explicando que o local era parte da área onde existiu o quartel do 24º Batalhão de Caçadores (BC). “É assim denominada parte da praça onde outrora existiu o Quartel do 24º BC. Fica fronteira à Biblioteca Pública Benedito Leite, tendo como limites, ao norte e sul, as avenidas Silva Maia e Gomes de Castro e ao nascente e poente o Parque Urbano Santos e a Praça Deodoro ou Largo do Quartel”, escreve Vieira Filho.

De acordo com o presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, é difícil precisar as datas nas quais os bustos foram colocados no logradouro, bem como os critérios usados para a escolha dos nomes. No entanto, o intelectual destaca que há um decreto municipal que dispõe sobre o assunto. Ele se refere à lei municipal nº 3697, de 20 de abril de 1998, que designa a Praça do Panteon como local de homenagem póstuma, oficial e permanente, àqueles que tenham prestado relevante contribuição às letras e às artes no Maranhão.

Em seu artigo II, a norma esclarece: “A colocação de qualquer novo busto, na Praça do Panteon, fica condicionada à prévia anuência da Academia Maranhense de Letras, que indicará ao Executivo Municipal os nomes dos que deverão ali ser homenageados, considerando a história e secular contribuição maranhense às letras, às artes, à ciência e à política brasileira”. l

Personalidades

Arthur Azevedo

O dramaturgo, contista, poeta, jornalista e crítico teatral Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo é uma das 18 personalidades que figuram no Panteon. O maranhense nasceu em São Luís, a 7 de julho de 1855, e faleceu no Rio de Janeiro, a 22 de outubro de 1908. É uma das figuras mais expressivas da literatura nacional. Fundou, na Academia Brasileira de Letras, a Cadeira que tem Martins Pena por patrono e, por sua vez, é patrono, também, da de nº 26 da Academia Paulista, fundada por Oliveira Ribeiro Neto. É autor de mais de 100 títulos entre livros e peças de teatro tendo algumas de suas obras traduzidas para outras línguas.

Dunshee de Abranches

João Dunshee de Abranches Moura é natural de São Luís, onde nasceu em 2 de setembro de 1867 e faleceu em Petrópolis (RJ) em 11 de março de 1941. Forma, entre os escritores maranhenses de todos os tempos, ao lado daqueles que deixaram produção bibliográfica das mais diversificadas e copiosas. Foi, na exata e ampla acepção da palavra, um polígrafo. E, além disso, verdadeiro humanista. Sua formação cultural lhe conferiu a soma e a diversidade de saberes que marcaram o humanismo maranhense no período de sua plena floração. Foi orador, poeta, jornalista, parlamentar e professor, tendo sido professor honorário da Universidade de Heidelberg, na Alemanha. É patrono da Cadeira 40 da Academia Maranhense de Letras, fundada por Joaquim Luz. De sua bibliografia constam mais de 50 obras.

Corrêa de Araújo

Raimundo Corrêa de Araújo nasceu na cidade maranhense de Pedreiras, a 29 de maio de 1885 e faleceu em São Luís em 24 de agosto de 1951.Formou-se em Direito pela Faculdade do Maranhão e foi professor de sociologia e história universal do Liceu Maranhense. Foi jornalista e poeta. Na Academia Maranhense de Letras fundou a Cadeira 16 que tem como patrono Raimundo Correia. De sua bibliografia constam mais de 10 obras publicadas entre as quais poemas e ensaios. Poeta de vocação forte e irrenunciável, Corrêa de Araújo fazia de si próprio tão alto conceito que se proclamava “O Último Sabiá de Atenas”, como, aliás, dizia expressamente grande placa de bronze que existia sob o busto do poeta, na Praça do Panteon, e que, roubada com o busto de Humberto de Campos, levou a Academia Maranhense de Letras a reivindicar vigilância permanente aos monumentos ou a imediata remoção deles daquele logradouro. Adotada a segunda alternativa em outubro de 2007, foram os bustos do Panteon realocados no pátio interno do Museu Histórico e Artístico do Maranhão.

Gomes de Sousa

Joaquim Gomes de Sousa nasceu na fazenda Conceição, em Itapecuru Mirim, a 15 de fevereiro de 1829, e faleceu em Londres, em 1º de junho de 1863. Formou-se em medicina e engenharia pela Universidade de Paris. Foi capitão do Real Corpo de Engenheiros do Exército e deputado federal pelo Maranhão. Sua fama e matemático correu o mundo e Gomes de Sousa, por ser uma inteligência considerada fora do comum, as Universidades e Academias de Londres, Berlim e Viena o convidaram para sócio. Matemático, astrônomo e pensador, é das maiores glórias do Maranhão. É patrono da Cadeira 8 da Academia Maranhense de Letras.

Henriques Leal

Antônio Henriques Leal nasceu na localidade de Cantanhede, Itapecuru Mirim, hoje município de Cantanhede, a 24 de julho de 1828 e faleceu no Rio de Janeiro, a 29 de setembro de 1885. Doutor em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, onde obteve distinção. Como historiador literário e biógrafo, escreveu o livro que lhe valeu consagração, “O Panteon Maranhense”, no qual levantou a biografia de um punhado de maranhenses ilustres nas letras, artes e ciências. Historiador voraz e bem documentado, Leal enriqueceu a historiografia brasileira com ensaios eruditos. Na Academia Maranhense de Letras é patrono da Cadeira 10, fundada por Astolfo Marques.

Arnaldo Ferreira

Arnaldo de Jesus Ferreira nasceu em São Luís, a 6 de outubro de 1904. Foi por diversas vezes presidente da Associação Comercial do Maranhão e ocupou diversos cargos públicos. Nas letras foi poeta, jornalista, e cultivou uma das maiores bibliotecas particulares de São Luís. Foi sócio efetivo do Instituo Histórico e Geográfico do Maranhão e ocupou a Cadeira 27 da Academia Maranhense de Letras.

Clodoaldo Cardoso

Clodoaldo Cardoso nasceu em Barra do Corda a 7 de agosto de 1894. Foi professor, financista, escritor e poeta. Ocupou o cargo de presidente da Academia Maranhense de Letras por sucessivas vezes e também foi prefeito de São Luís. Fundou a Cadeira 23 da Academia Maranhense de Letras, cujo patrono é Graça Aranha.

Bandeira Tribuzi

José Tribuzi Pinheiro Gomes foi humanista, jornalista, professor, economista, filósofo, músico e compositor que nasceu em São Luís dia 2 de fevereiro de 1927 e morreu em 8 de setembro de 1977. Antes de completar três anos de idade, seguiu com a família para a terra natal do pai, Portugal. Na Europa, frequentou escolas em Porto, Aveiro e Coimbra e por lá permaneceu até concluir sua formação superior. Formado em Filosofia e Ciências Econômicas e Sociais, Bandeira Tribuzi retornou a São Luís em 1946, onde viveu até a morte. Fundou, ao lado de José Sarney, o jornal O Estado do Maranhão e é autor de “Louvação a São Luís”, transformado em hino de São Luís.

Silva Maia

José da Silva Maia nasceu em 26 de fevereiro de 1811 em Alcântara e faleceu em São Luís em 24 de abril de 1893. Formou-se em medicina na França, regressando a São Luís onde abriu consultório e logo ganhou fama entre os menos favorecidos. Ocupou diversos cargos públicos.

Josué Montello

Josué de Sousa Montello nasceu em São Luís em 21 de agosto de 1917, e faleceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 2006. Foi membro das Academias Maranhense e Brasileira de Letras, tendo presidido esta última nos anos de 1994 e 1995. Iniciou seus estudos em São Luís, publicando os primeiros trabalhos literários em “A Mocidade”, periódico do Liceu Maranhense. Ao longo de sua carreira escreveu romances, ensaios, crônicas, novelas e peças de teatro. Detentor de inúmeros prêmios, foi membro da Academia Internacional da Cultura Portuguesa (Lisboa), da Academia das Ciências de Lisboa e da Association Internationale des Critiques Littéraires (Paris).

Teixeira Mendes

Raimundo Teixeira Mendes nasceu em Caxias no dia 5 de janeiro de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro em 28 de junho de 1927. Foi abolicionista e republicano fervoroso. Na Academia Maranhense de Letras é patrono da Cadeira 30, fundada por Alarico Cunha.

Urbano Santos

Urbano Santos da Costa Araújo nasceu em Guimarães em 3 de fevereiro 1859 e faleceu a bordo do navio Minas Gerais a 7 de maio de 1922. Formou-se em Direito em Recife (PE) e retornou ao Maranhão onde foi promotor público e juiz. Foi ainda deputado e senador pelo Maranhão e vice-presidente da República. Também ocupou o cargo de governador do Maranhão.

Raimundo Correia

Raimundo da Mota Azevedo Correia nasceu a bordo do vapor São Luís, em Cururupu, no dia 13 de maio de 1859 e faleceu num quarto de pensão, em Paris em 13 de dezembro de 1911. Foi juiz de Direito, poeta e jornalista. Era membro da Academia Maranhense de Letras e patrono da Cadeira 16, que tem como fundador Correia de Araújo.

Maria Firmina

Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís em 11 de março de 1822, entretanto, seu batismo ocorreu apenas em 21 de dezembro de 1825. Faleceu em 1917, no município de Guimarães. Formou-se professora e exerceu, no município de Guimarães, por muitos anos, o magistério, chegando a receber o título de “Mestra Régia”. Ao se aposentar, no início da década de 1880, funda, na localidade de Maçaricó, a primeira escola mista e gratuita do Maranhão e uma das primeiras do país. É autora de três narrativas de ficção entre as quais “Úrsula”, de 1859, seguramente o primeiro romance publicado por uma mulher negra em toda a América Latina e o primeiro romance abolicionista de autoria feminina da língua portuguesa, no qual aborda a escravidão a partir do ponto de vista do outro.

Nascimento Moraes

José Nascimento Moraes nasceu em São Luís aos 19 de março de 1882 e faleceu na mesma cidade a 22 de fevereiro de 1958. Foi professor emérito de português, jornalista e militante político e literário. Ocupou a Cadeira 11 da Academia Maranhense de Letras, patroneada por João Lisboa.

Ribamar Bogéa

José Ribamar Bogéa foi jornalista, nasceu em São Luís no dia 18 de setembro de 1921. Fundou o Jornal Pequeno no dia 29 de maio de 1951 e, ao completar 60 anos de idade, entregou a direção do periódico ao filho, Lourival Marques Bogéa. Também chamado de Zé Pequeno, faleceu em São Luís, aos 74 anos, no dia 4 de março de 1996, vítima de um ataque cardíaco.

Coelho Neto

Henrique Maximiliano Coelho Neto Nasceu em Caxias em 21 de fevereiro de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro em 23 de novembro de 1934. Foi jornalista, professor, romancista, poeta, teatrólogo, orador. Foi considerado o príncipe dos prosadores brasileiros.