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Exaltação literária

3 de fevereiro de 2015

Em sua posse na Academia Ludovicense de Letras, a professora e imortal da Academia Maranhense de Letras Ceres Costa Fernandes proferirá palestra.

Foto: Biaman Prado

Foto: Biaman Prado

A obra da escritora maranhense Lucy Teixeira será revisitada pela professora Ceres Costa Fernandes que proferirá hoje, às 18h30, na sede da Academia Maranhense de Letras (AML), palestra por ocasião de sua posse na Academia Ludovicense de Letras (ALL). Naquela instituição, ela ocupará a cadeira número 34, patroneada por Lucy Teixeira.

Ceres Costa Fernandes, que é imortal da AML, diz que a oportunidade será de lançar um foco de luz sobre a importância da obra literária de Lucy Teixeira. Para a professora, Lucy é uma das maiores escritoras do Maranhão e do Brasil. “Mas seu trabalho é pouco conhecido e divulgado entre nós, infelizmente”.

Lucy Teixeira era uma mulher à frente de seu tempo e atuou no movimento de renovação da literatura maranhense, ao lado de Bandeira Tribuzi. “Enquanto Bandeira Tribuzi chegava de Portugal e divulgava as ideias dos modernistas portugueses, Lucy Teixeira, por sua vez, chegou de Minas Gerais, também no mesmo ano emblemático de 1946. Lucy, a meu ver, foi mais além, trouxe notícias frescas do que ocorria na literatura pós-modernista brasileira”, destaca Ceres Costa Fernandes.

Em Minas Gerais, participou de atividades literárias de 1942 a 1946, com ninguém menos que os escritores Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Murilo Rubião, que formariam o que seria depois o famoso grupo mineiro. “Enquanto esteve em Minas Gerais, Lucy escreveu, publicou e conquistou prêmios em âmbito nacional”, reforça Ceres Costa Fernandes.

De volta a São Luís, trabalhou em O Imparcial, no Tribunal de Justiça do Maranhão e desenvolveu intensa atividade cultural, animando iniciativas no campo da literatura e das artes plásticas. “Ela participou ativamente do grupo do que se chamou depois o Movimento da Movelaria Guanabara, por se reunirem na movelaria de propriedade do pintor Pedro Paiva”, destaca Ceres Costa Fernades.

Na Movelaria Guanabara se reuniam, além de Lucy Teixeira, os pintores Floriano, Cadmo, o próprio Paiva, Bandeira Tribuzi, José Sarney, Lago Burnett, Luís Carlos Bello Parga e mais tarde, Ferreira Gullar.

A professora Ceres Costa Fernandes diz que em sua fala discutirá a contribuição de Lucy Teixeira para a renovação literária maranhense em contraponto à de Bandeira Tribuzi. “Passados os anos, quando se fala na renovação cultural e literária do final dos anos 40 do século passado, o nome mencionado é sempre Bandeira Tribuzi. Lucy é apagada, mencionada rapidamentecomo uma simples participante do grupo. Na minha fala vou abordar por que isso acontece”.

Acadêmica – Lucy Teixeira foi a quinta mulher a ocupar uma das cadeiras da AML. Na Casa de Antônio Lobo ocupou a cadeira nº 7, tendo como patrono Gentil Braga, sendo recebida por José Sarney, em 28 de julho de 1979.

Lucy tem apenas três livros publicados. Os de poesia Elegia fundamental, de 1962 e cujos exemplares, poucos, são raros e Primeiro palimpsesto, de 1978, este publicado pelo antigo Sioge.Reuniu alguns de seus contos no livro No tempo dos alamares & outros sortilégios, de 1999.

Escreveu para o teatro Quem beija o leão? e seu único romance, Destino provisório, datado de 2001. “Mas, ela publicou muitas crônicas em jornais, nos anos 1947 a 1949, além do que tem uma rica produção de poesia e prosa inéditas”, diz Ceres Costa Fernandes.

Serviço

• O quê

Posse de Ceres Costa Fernandes na ALL

• Quando

Hoje, às 18h30

• Onde

Sede da AML, Rua da Paz, Centro