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Exaltação aos Paula Barros

13 de setembro de 2017

A trajetória de Amina e José de Paula Barros, casal com influência nas artes plásticas maranhenses é tema do livro “Revivescência: a vida e a arte dos Paula Barros”, que será lançado hoje na AML

O grande mestre da pintura José de Paula Barros (sentado) com os amigos Ramos Cotoco e Antonio Rodrigues. (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS- A sede da Academia Maranhense de Letras (AML) será palco, hoje, às 19h, do lançamento do livro “Revivescência: a vida e a arte dos Paula Barros”, de autoria do pesquisador maranhense João Carlos Pimentel Cantanhede. O livro traz a história do pintor Paula Barros e sua esposa, a também pintora Amina de Paula Barros e sua influência nas artes plásticas do Maranhão no século XX. A apresentação da obra será feira pelo acadêmico e imortal Eliézer Moreira Filho.

O casal foi fundamental para o desenvolvimento das artes visuais no Maranhão em sua época. Natural de Fortaleza, Paula Barros chegou em São Luís em 1915, vindo de Belém (PA) e trazendo na bagagem grandes sonhos. Era desenhista, pintor, decorador, arquiteto e fotógrafo.

Segundo apontam as pesquisas sobre o pintor, ele começou seus estudos artísticos com Antonio Rodrigues, ainda em Fortaleza. Mas para aprimorar-se estudou em Paris, onde teve contato com museus e galerias importantes, descobriu novos materiais e manteve vínculos com artistas da época.

De volta ao Brasil, casou com Francisca Miranda, sua primeira esposa, com que teve cinco filhos – Neópolo, Murilo, Rembrandt, Rafael e Rubens. O segundo casamento foi com sua discípula, a pintora Amina Carmen Varela, jovem de origem italiana e também diplomada pela Escola de Música em 1907. Com ela teve as filhas Maria de Lourdes, Zilda, Maria Frassinetti (atualmente com 97 anos) e Maria de Nazareth (com 92 anos).

Segundo relatos do livro, Paula Barros usava as mais diversas técnicas com maestria – óleo, crayon, pastel, lápis, fusain, aquarela. Esses e outros detalhes interessantes sobre o mestre Paula Barros foram coletados em uma ampla pesquisa e finalizados em livro ao longo de dois anos. O pesquisador, professor de artes da rede pública e autor João Carlos Cantanhede conta que usou como fontes os jornais de época, documentos da família e de cartórios, informações de trabalhos acadêmicos, além de contar com o apoio do amigo e também pesquisador e autor Luiz de Mello.

“Paula Barros foi um grande retratista e paisagista também, e como também era exímio fotógrafo, estava à frente de seu tempo e misturava técnicas de fotografia e pintura em seus retratos (foto desenho e foto pintura), o que era bastante inovador naquele tempo. Outra tradição iniciada aqui por ele foi a pintura de casarios. Como professor, foi decisivo para ensinar e influenciar uma importante leva de pintores maranhenses”, revela o pesquisador João Carlos.

Amina de Paula Barros foi uma das artistas importantes no Maranhão (Foto: Divulgação)

Escola

Segundo o autor, o pintor fundou, em 1922, uma Escola de Belas Artes em São Luís, a qual ajudou a criar uma nova e importante geração de artistas – não apenas pintores, mas alunos de teatro, música e arquitetura, entre outras disciplinas. Entre os muitos alunos e discípulos de Paula Barros, destacaram–se em especial nomes como o dos pintores Newton Pavão, Telésforo de Moraes Rego, Arthur Marinho, Hilton Leite Aranha, Levi Damasceno, entre outros.

“Tão importante nas artes plásticas quanto o marido, a pintora Amina merece crédito por mais um feito – foi uma revolucionária por ter se destacado em um universo tipicamente masculino em sua época, as artes plásticas. Para tal, Amina quebrou importantes tabus e paradigmas daquela época, ao abraçar de forma profissional as artes plásticas, com ardor e muito talento”, diz em seu livro o pesquisador.

O casal de artistas sem dúvida pagou um preço alto por seu pioneirismo nas artes. Paula Barros por exemplo, bem antes de conhecer Amina, logo ao chegar à capital maranhense decidiu reunir seu grande acervo de pinturas e apresentar seu trabalho à cidade, na forma de uma grande exposição. Apesar de bem prestigiada pela imprensa e público local, a mostra gerou apenas duas vendas inicialmente, das obras “Estudo do Nu” e “Retrato de Rio Branco”. O acervo era rico não apenas em quantidade de obras, mas variedade também de temas e gêneros: retratos, naturezas – mortas, nus, entre outros.

Esse episódio, retratado pelo livro no capítulo “Expectativas e Sonhos” é importante para mostrar a genialidade de Paula Barros também no marketing e na administração de sua carreira. Precisando sobreviver da arte, decidiu-se então abrir a sua Escola de Desenho e Pintura. Pioneiro para a época, Paula Barros anunciou que em seus cursos seriam aceitos alunos de ambos os sexos. Com anúncios publicados em jornais, conseguiu montar a primeira turma.

Vale destacar que a fundação dessa escola foi relevante para o desenvolvimento das artes plásticas em São Luís, uma vez que a cidade já não recebia mais com frequência artistas estrangeiros como acontecia no século XIX. E os artistas locais possuíam limitada formação e atuação artística. E nas escolas, a matéria era voltada para o desenho geométrico e técnico.

Acervo

De fácil e agradável leitura, além de rica pesquisa bibliográfica, o livro “Revivescência: a vida e a arte dos Paula Barros” traz detalhes importantes sobre o acervo artístico produzido pelos dois artistas. E, segundo o livro, o ano de 1922 teria sido um dos mais importantes na carreira do artista, não só pelo número significativo de encomendas de obras que recebeu e produziu, mas também por sua participação ativa na criação da Escola de Belas Artes, fundada graças ao empenho do grupo formado por Paula Barros, Fran Paxeco, Antônio Lopes e Francisco Furiati; em 9 de abril de 1922, com sede inicial no Casino Maranhense. Mas a escola só permaneceria aberta até o ano de 1935, por falta de apoio do poder público.

Além do texto o livro traz um rico álbum de fotografias com imagens de ambos os pintores e suas obras, além de fotos dos filhos e descendentes do casal. A tiragem da primeira edição foi de 500 exemplares.