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De frente para as câmeras

25 de Março de 2017

Em processo de gravação, o curta-metragem “José Louzeiro: Depois da Luta” contará a trajetória do jornalista, escritor e roteirista maranhense autor de sucessos como “Pixote”; filme tem direção da cineasta maranhense Maria Thereza Soares

José Louzeiro é autor de obras importantes no gênero romance-reportagem (Foto: Divulgação/ Paula Monte)

A trajetória do jornalista e escritor maranhense José Louzeiro será retratada no curta-metragem “José Louzeiro: Depois da Luta”. O documentário, ainda em fase de gravações, tem previsão de finalização e lançamento para o segundo semestre deste ano. A produção conta a história do autor de “Pixote – Infância dos Mortos” e “Lúcio Flávio – O passageiro da agonia”, livros que foram adaptados para o cinema e se tornaram sucesso na década de 1980. O filme tem direção da cineasta Maria Thereza Soares, pesquisa e roteiro da jornalista Bruna Castelo Branco, editora do Caderno Alternativo de O Estado. O filme foi um dos 10 curtas selecionados no II Edital do Audiovisual do Maranhão, concebido por meio de uma parceria entre Governo do Estado do Maranhão e Agência Nacional de Cinema (Ancine).

A obra de José Louzeiro tem como característica a denúncia social e também é rica em personagens marginalizados socialmente. Nascido em São Luís, ele iniciou a carreira de jornalista nos periódicos da capital e, posteriormente, radicou-se no Rio de Janeiro, ainda na década de 1950. Teve passagem por diversos jornais brasileiros e é autor de mais de 40 livros no segmento romances-reportagens, gênero do qual é pioneiro no Brasil, além de biografias e obras para o público juvenil.

Para a produção do filme, José Louzeiro lamentou que não tenha sido possível entrevistar o cineasta argentino Hector Babenco, falecido em julho de 2016. “Uma das pessoas que teria que ser entrevistadas era o Babenco, mas ele faleceu”, emocionou-se ao lembrar dos filmes “Pixote-A Lei do Mais Fraco” e “Lúcio Flávio- O Passageiro da agonia”, ambos dirigidos pelo argentino.

Produção

Com formação em Cinema e Vídeo pela Universidade Federal Fluminense e também com estudos na escola de cinema École Nationale Supérieure Louis Lumière (Paris), Maria Thereza Soares vê no documentário uma questão afetiva, pois o seu primeiro curso de cinema, feito em 2001, foi ministrado por José Louzeiro. “A receptividade dos cineastas foi muito boa e todos abraçaram o projeto. Foi possível observar como Louzeiro é querido e respeitado no meio cinematográfico, assim como é pelo meio literário e jornalístico”, avaliou.

De acordo com a jornalista Bruna Castelo Branco, que assina o roteiro do documentário, a produção foca no trabalho do maranhense com o cinema, mas também destaca sua trajetória no jornalismo policial e na literatura, especialmente no gênero romance-reportagem, do qual é pioneiro no Brasil. “Mesmo aos 84 anos, já longe das redações, o José Louzeiro se define como jornalista policial e, de fato, seu lado de apuração de notícias dão todo um toque para a sua obra. Isso é possível perceber nos seus roteiros. Há a alma de um jornalista ali”, define a jornalista que começou a pesquisar a obra do escritor, após entrevistá-lo para uma reportagem em O Estado.

Para o cineasta Sérgio Rezende, diretor do filme “O Homem da Capa Preta”, sobre o político Tenório Cavalcanti e que foi roteirizado por José Louzeiro, uma das características no trabalho do maranhense era a parceria. “Lembro que a gente se reunia na casa dele, ele escrevendo e ouvindo música clássica. O que me marcava muito era a casa sempre cheia de gente”, declarou durante entrevista para o filme.

Sérgio Rezende dirigiu o filme “O Homem da Capa Preta”, roteirizado por José Louzeiro (Foto: Divulgação/ Paula Monte)

Gravações

As gravações foram iniciadas em fevereiro, no Rio de Janeiro, e prosseguem em São Luís. O documentário tem depoimentos do próprio José Louzeiro, que já foi ouvido, além da participação de escritores e cineastas que de alguma maneira têm ou tiveram relação com o escritor. Alguns destes nomes foram apontados pelo próprio jornalista.

No Rio de Janeiro, as filmagens duraram cerca de 10 dias e ocorreram na casa do escritor e também na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Além de muitas horas de gravações com o próprio personagem do filme, cineastas como Sérgio Rezende, José Joffily e Jorge Duran, entre outros, contaram suas experiências com Louzeiro enquanto roteirista de filmes importantes, a exemplo de “Lúcio Flávio- o passageiro da agonia”, “Pixote- a lei do mais fraco”, ambos dirigidos pelo cineasta argentino Hector Babenco; “O Homem da Capa Preta”, com direção de Sérgio Rezende e produção de Mariza Leão; “Quem Matou Pixote”, com direção de José Joffily, entre outros.

O filme tem direção de fotografia assinada por Paula Monte e Paulo Malheiros, design de som de Paulo Senise, que também assina a técnica de som ao lado de Marcos Belfort, produção de set de Fernanda Oliveira e Maria Thereza Soares, edição de Fernando Costa e assistência de produção de Claudia Marreiros. Thiago Barbosa dos Santos participa como assistente de direção.

Set de filmagens do documentário “José Louzeiro: Depois da Luta”, dirigido pela cineasta Maria Thereza Soares (Foto: Divulgação/Claudia Marreiros)

Saiba Mais

– José Louzeiro iniciou a carreira no jornalismo como revisor aprendiz de O Imparcial, para, em seguida, atuar como repórter policial.

– Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, em 1954, teve atuação em diversos jornais como O Jornal, da Cadeia dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Posteriormente, passou pelas redações da Revista da Semana, Manchete, Diário Carioca, Última Hora, Correio da Manhã (no Rio) e, em São Paulo, pela Folha e o Diário do Grande ABC. Foi repórter de polícia durante mais de 20 anos.

– É autor ainda de livros como “Aracelli, meu amor”, sobre o caso da menina Aracelli Crespo, assassinada aos 8 anos de idade em Vitória (ES), no dia 18 de maio de 1973. A morte da menina foi contada no romance-reportagem, censurado no dia do lançamento, por falar de forma clara que os culpados pela morte eram pessoas da alta sociedade da capital do Espírito Santo. Hoje, a data da morte da garota é lembrada como o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, graças, também, ao trabalho incansável de Louzeiro em denunciar o crime.

– No livro “Pixote- Infância dos Mortos”, falou do caso do grupo de meninos em situação de risco social e a história foi transformada em filme em 1981, fazendo uma contundente denúncia dos maus tratos contra crianças e adolescentes.