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Cortejo relembra cenário do livro “Os Tambores de São Luís”

1 de setembro de 2016

Roteiro dramatizado, inspirado na obra de Josué Montello, reunirá personagens da história do Maranhão em passeio hoje, às 19h, no Centro Histórico da capital
Josué Montello escreveu "Os Tambores de São Luís" (Foto: Arquivo)

Josué Montello escreveu “Os Tambores de São Luís” (Foto: Arquivo)

Damião sai de sua casa e vai até a casa de sua bisneta, Biá, na Rua da Gamboa, para o nascimento de seu trineto. E no trajeto, uma narrativa que perpassa, de forma magistral, pela história dos negros no Maranhão em minuciosa descrição do escritor Josué Montello, que faz uma ambientação épica da capital do Maranhão em “Os Tambores de São Luís”. E, assim, será para apresentar partes da cidade – que no próximo dia 8 celebrará 404 anos de fundação – que ocorrerá hoje, às 19h, o cortejo “Tambores”, um roteiro turístico dramatizado, baseado na obra do escritor maranhense.

Trata-se de um passeio por algumas ruas e largos do Centro Histórico de São Luís, partindo da Praça Benedito Leite até o Palácio dos Leões, objetivando divulgar a história e a cultura do povo ludovicense, utilizando-se de personagens e textos da obra monteliana.

A noite iniciará com a apresentação de tambor de crioula, na Praça Benedito Leite, e o cortejo seguirá, entrando em cena personagens da obra e outros, que compõem a história do Maranhão. Ao final, todos passearão pela praça interagindo com o público.

O roteiro seguido tenta aproximar-se da trajetória do negro Damião, personagem principal do romance, que, ao longo do seu percurso, rememora, não só a sua vida, desde a época como escravo, seminarista e professor, mas também daqueles que contribuíram para a história do estado e da cidade de São Luís, como poetas, padres, políticos, artistas entre outros.

Com mais de 400 personagens, entre bispos, padres, governadores, boêmios, raparigas, estudantes, professores, oradores populares, negros de ganho, artistas, a obra, cuja ação refere-se a uma jornada que se inicia às 22h de uma noite de 1915 para fechar-se às 9h da manhã seguinte, faz uma retrospectiva de vários momentos da história maranhense, misturando presente e passado.

No roteiro, se mesclarão figuras do livro outros personagens da história do Maranhão, a exemplo de Daniel de La Touche, rainha Maria Médici, Mãe Andressa Maria, Bispo Dom Manuel, Padre Policárpo, Ana Amélia, Gonçalves Dias, Baronesa Ana Rosa, Catulo da Paixão Ceaense, Nhá Zica e Ana Jansen.

Livro

O livro “Os tambores de São Luís” é um dos principais romances de Josué Montello. Através de Damião, o leitor acompanha a saga do negro brasileiro, suas lutas, dramas e tragédias que vão desde a chegada do negro ao Brasil, vindo em navios negreiros, passando pelos horrores da escravidão, da luta pela abolição do cativeiro, até alcançar os preconceitos dos quais são vítimas. Assim, Montello refaz imagens dos tempos do cativeiro e retrata ambiente cultural, político, econômico e as tensões que marcaram as relações entre senhores e escravos.

Publicado em 1975, a narrativa começa na noite em que está para nascer o trineto de Damião. Por não ter encontrado um carro de aluguel que o levasse ao outro lado de São Luís, Damião atravessa a cidade a pé a fim de conhecer o trineto que está nascendo. E são as batidas dos tambores de Mina, vindo da Casa das Minas, que o acompanham nesta travessia. Tudo isso permeado por passagens históricas da escravidão na segunda metade do século XIX.

A história se passa em feed-back, com os pais do personagem fugindo do cativeiro com os filhos Damião e sua irmã. A obra regata a luta de Damião contra a escravidão e suas piores consequências. Sua chegada a São Luís e a tentativa frustrada de se tornar padre, impossibilitada pelo preconceito das classes dominantes mesmo sendo reconhecidamente um homem de inteligência incomum. Na capital, casa e tem um casal de filhos. Enquanto a filha lhe dá netos, bisnetos e um trineto, o filho muda-se para os Estados Unidos e nunca mais dá notícias.

Em meio a tudo isso, o amor de Josué Montello por São Luís. São ruas, becos, casarões e, claro, seus tambores, as vozes dos negros escravos que ecoam nas noites da cidade.

Montello

Josué Montello foi jornalista, professor, romancista, cronista, ensaísta, historiador, orador, teatrólogo e memorialista, nasceu em São Luís a 21 de agosto de 1917, onde passou sua infância e juventude. No começo de 1936, mudou-se para Belém, dali saindo com destino ao Rio de Janeiro, em dezembro do mesmo ano. Foi agraciado com 12 prêmios literários, era membro das Academias Brasileira e Maranhense de Letras.

Sua obra literária soma 160 títulos em vários gêneros, entre eles romances, ensaios, crônicas, história, história literária, discursos, antologias, educação, novelas, teatro, biblioteconomia, literatura infantil e juvenil, memórias, prefácios, edições para cegos e cinema. Foi colaborador do Jornal do Brasil e também da Revista Manchete. Ocupou o cargo de presidente da Academia Brasileira de Letras, de 1993 a 1995. Faleceu em 15 de março de 2006, aos 88 anos no Rio de Janeiro, onde vivia. Seu corpo está enterrado no cemitério São João Batista, naquela capital.

Serviço

O quê

Cortejo “Tambores”

Quando

Hoje, às 19h

Onde

Saída da Praça Benedito Leite