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Academia Maranhense de Letras é celebrada em seu aniversário

10 de agosto de 2016

Academia Maranhense de Letras celebra 108 anos de fundação, sendo um dos mais importantes templos da cultura do Maranhão; hoje também é celebrado o aniversário de Gonçalves Dias
Academia Maranhense de Letras celebra 108 anos hoje (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Academia Maranhense de Letras celebra 108 anos hoje (Foto: Flora Dolores / O ESTADO)

Transcorrem hoje duas entre as mais importantes datas da cultura maranhense, a saber – o nascimento de Gonçalves Dias e a fundação da Academia Maranhense de Letras, que no início denominava-se Academia Maranhense, por influência da sua congênere nacional, fundada sob o título de Academia Brazileira e com z na palavra Brasileira, de conformidade com o prescrito pela ortografia da época. Hoje tal inscrição acha-se devidamente atualizada na fachada do chamado Petit Trianon, denominação originária do prédio construído pela França para sediar a exposição daquele país nas grandes festas comemorativas do I Centenário da Independência do Brasil, em 1822. Prédio esse doado pelo presidente de França. Alexandre Millerant e por seu primeiro-ministro, Raymond Poincaré. Das gestões que resultaram em dar à Academia Brasileira sua bela sede própria, situada na Avenida Presidente Wilson, 203, muito trabalhou o então presidente da Casa, Afrânio Peixoto, que contou com a simpatia do embaixador francês no Brasil, Alexandre Conty.

E a excepcional solidez da Academia Brasileira deve-se ao vultoso legado que lhe deixou o livreiro Francisco Alves, patrimônio crescentemente aumentado pelas administrações da Academia, sobretudo pela longa e proficiente presidência de Austregésilo de Athayde, construtor do suntuoso edifício fronteiro, denominado, com muita justiça, Palácio Austregésilo de Athayde.

A Academia Brasileira de Letras, como sabido, moldou- se à semelhança da francesa. Por isso, adotou (por iniciativa de Medeiros e Albuquerque, fardão verde ornado com ramos de louro, chapéu armado de plumas e símbolos da República, colar vistoso e espada flamejante e até a divisa, que na entidade francesa é Ad Immortalitatem, igualzinho ao que tomou a ABL para sua divisa). Daí dizerem alguns que os acadêmicos, se devidamente enfarpelados, são generais das letras, enquanto outros, mais espirituosos e menos reverentes, veem neles meros generais da banda. Também se deve aos acadêmicos franceses o epíteto de “immortel”, que, traduzido, motivou a blague de Bilac, um dos fundadores da ABL, nestes termos: “Somos imortais porque muitos de nós não temos onde morrer”.

A nossa Academia, apesar de adotar certos ditames acadêmicos (como o quadro de 40 membros efetivos, cada um com seu respectivo patrono, eleição provocada pelo candidato, solenidade de posse com discurso formal do empossando e saudação por um acadêmico) foi parcimoniosa na adoção de tais ditames.

E já que falei da nossa Academia, dedicar-lhe-ei o que se segue:

A Academia Maranhense de Letras

Como resultado da intensa vida literária que São Luís conheceu entre a última e a primeira década dos séculos XIX-XX, diversas agremiações culturais foram fundadas, duas das quais tiveram particular importância: a Oficina dos Novos e a Renascença Literária, destacando-se a última, pela saudável emulação que estabeleceu com a primeira.

A Oficina dos Novos, criada a 28 de julho de 1900, tinha estrutura organizacional semelhante à das academias. Dava a seus membros o título de operários e editava um boletim oficial denominado Os Novos, em cujo frontispício se lia: “periódico evolucionista”.

Constituída, inicialmente, com 20 cadeiras, a Oficina ampliou seu quadro para 30, em 1904. Afora os membros efetivos, tinha-os honorários e correspondentes. Cada cadeira estava sob o patronato de um vulto eminente da cultura maranhense.

Como é natural, muitos desses patronos também seriam adotados como patronos de cadeiras da Academia, da mesma forma que diversos “operários” viriam integrar o grupo dos fundadores desta Instituição ou nela posteriormente ingressaram, o mesmo cabendo dizer relativamente aos sócios honorários e correspondentes.

Tendo Gonçalves Dias como seu patrono geral, a Oficina dos Novos escolheu o poeta Sousândrade para seu presidente honorário. O culto a Gonçalves Dias estava representado pelos propósitos, declarados em estatuto, de organizar uma estante gonçalvina que fosse a mais completa possível, editar a obra do poeta e, futuramente, transformar a Oficina em Grêmio Literário Gonçalviano.

Ainda sobre a Oficina dos Novos, contradiga-se, por oportuno, a errônea versão segundo a qual essa entidade desapareceu para que em seu lugar surgisse a Academia. Além de um jantar de confraternização que as duas entidades promoveram no Hotel Central, a 15 de dezembro de 1908, diversos fatos atestam a coexistência da Oficina e da Academia, por alguns anos. Um deles foi a reorganização que a Oficina realizou em 1917, quando ocorreram a aprovação de novos estatutos, a eleição de diversos “operários” e da diretoria.

A Academia Maranhense de Letras, oficialmente instituída às 19 horas de 10 de agosto de 1908, data do 85º aniversário do nascimento do poeta da Canção do Exílio, também já demonstrava claramente, com esse fato, sua resolução de adotar Gonçalves Dias como seu nume tutelar.

Fundada no salão de leitura da Biblioteca Pública do Estado (prédio onde, a partir de 1950, tem sua sede própria), compôs-se a Academia, inicialmente, de 20 cadeiras.

Dispunha seu primeiro Estatuto que ao grupo dos 12 fundadores – Antônio Lobo, Alfredo de Assis, Astolfo Marques, Barbosa de Godóis, Corrêa de Araújo, Clodoaldo Freitas, Domingos Barbosa, Fran Paxeco, Godofredo Viana, I. Xavier de Carvalho, Ribeiro do Amaral e Vieira da Silva – viriam juntar-se os oito membros restantes, admitidos mediante eleição, e também com as honras de fundadores.

Em razão de disposição estatutária, foi o primeiro presidente da agremiação o professor e historiógrafo José Ribeiro do Amaral, que era, aos 55 anos, o mais idoso entre seus confrades.
Fonte: OEstadoMA.com