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Cinema e homenagem na Casa de Antônio Lobo

13 de junho de 2019

Academia Maranhense de Letras exibe, hoje, às 18h, o curta-metragem “José Louzeiro: Depois da Luta”, da cineasta Maria Thereza Soares e da pesquisadora e argumentista Bruna Castelo Castelo Branco; sessão é organizada pelo imortal Félix Alberto Lima

José Louzeiro faleceu no fim de 2017 (Divulgação/ Paula Monte)

– Pelo viés da cinematografia, a Academia Maranhense de Letras (AML) presta hoje, às 18h, uma homenagem a um de seus ilustres imortais. A convite do escritor e jornalista Félix Alberto Lima, que na Casa de Antônio Lobo ocupa a cadeira 25, anteriormente ocupada pelo homenageado, será apresentado o documentário em curta-metragem de “José Louzeiro: Depois da Luta”, dirigido pela cineasta Maria Thereza Soares, com argumento e pesquisa da jornalista Bruna Castelo Branco. A sessão é gratuita e será seguida de roda de conversa.

“José Louzeiro: Depois da Luta” foi lançado ano passado, com menções honrosas nos festivais “Guarnicê de Cinema” e “Maranhão na Tela”. O documentário, com 15 minutos de duração, foi aprovado no II Edital do Audiovisual do Maranhão, concebido por meio de parceria entre Governo do Estado do Maranhão e Agência Nacional de Cinema (Ancine). O curta tem apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão, Restaurante Thai – Cozinha Contemporânea e TV Universitária (antiga TV UFMA).

A proposta é mostrar a contribuição de José Louzeiro no cinema brasileiro, que assina roteiros de obras como “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, “Lúcio Flávio: o Passageiro da Agonia”, “O Homem da Capa Preta”, entre outras. Rodado no Rio de Janeiro, cidade na qual Louzeiro vivia desde 1954, e em São Luís, o filme tem locações na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, casa onde Louzeiro viva e na Academia Maranhense de Letras. Depoimentos de cineastas como José Joffily, Sérgio Rezende e Jorge Duran foram colhidos para a obra.

“A obra de Louzeiro, tão vasta e impregnada de instigante crítica social, precisa ser conhecida e reconhecida pelas novas gerações. Daí a importância da exibição, na Academia de Letras, de um filme que fale da trajetória desse maranhense tão ilustre”, destaca Félix Alberto Lima.

Segundo a cineasta Maria Thereza Soares, que atualmente mora no Rio de Janeiro, onde dá prosseguimento a um Mestrado, mas está em São Luís para o evento, a opção por explorar no documentário a atuação de José Louzeiro como roteirista foi justamente para valorizar essa faceta do maranhense.

“Eu conheci José Louzeiro quando decidi que estudaria cinema. Foi um dos meus primeiros professores. Fiz um pequeno curso, aqui em São Luís, justamente de roteiro, antes de ingressar na graduação de cinema. Nós temos um vasto material de gravação, mas José Louzeiro já é conhecido como jornalista, como escritor e esse lado dele – o de roteirista,- o rosto de quem está por trás das câmeras, quase nunca é visto e traz um legado importantíssimo para o cinema nacional e necessitava fortemente ser destacado. Por isso, fizemos um recorte dentro de sua imensa obra”, destaca.

Inicialmente, o projeto de retratar a obra de José Louzeiro seria um livro. A pesquisa teve início em 2013, pela jornalista Bruna Castelo Branco que assina o argumento e pesquisa do filme. “É inegável a valiosa contribuição de José Louzeiro para o cinema brasileiro. Logo que tive contato com sua produção, me apaixonei, e a admiração só aumentou depois que passei a ter um contato mais próximo com a sua família. A parceria com Maria Thereza nesse documentário é, também, uma forma de mostrar o quanto admiramos seu trabalho e valorizamos o seu legado”, disse Bruna Castelo Branco.

Entrevista
A ideia, conforme Bruna Castelo Branco, surgiu após uma entrevista que ela fez com ele sobre o lançamento do livro “Lições de amor” (2012), acerca da educadora maranhense Maria Freitas. “Louzeiro era um escritor diferenciado. A obra dele era de uma precisão para expor os problemas sociais. O olhar que ele lançava para as pessoas que são consideradas invisíveis socialmente é de um simbolismo imenso. Acho que a obra dele é fundamental e atual, diante de um país com tanta intolerância”, lembrou a jornalista, editora do Caderno Alternativo de O Estado e que, atualmente, desenvolve outras pesquisas sobre o processo de criação da obra “Pixote” no mestrado em Cultura e Sociedade, da Universidade Federal do Maranhão.

Trajetória
Falecido em 29 de dezembro de 2017, aos 85 anos, o maranhense José Louzeiro tem uma trajetória de vida e profissional marcante. De menino pobre, morador do bairro Camboa, em São Luís, ele conseguiu imprimir seu nome no jornalismo, na literatura e no cinema nacional. Louzeiro começou a carreira na imprensa ainda muito jovem, passou pelas redações de O Imparcial e O Combate até transferir-se para o Rio de Janeiro, em 1954, quando atuou em diversos jornais e revistas, sempre com um olhar voltado para as injustiças sociais e para pessoas marginalizadas socialmente.

Autor de mais de 40 livros, nos segmentos infantojuvenil, biografias e romance-reportagem, gênero do qual é pioneiro no Brasil, aos 84 anos, José Louzeiro colaborou esporadicamente com artigos em jornais e é autor de livros como “Aracelli, meu amor”, sobre o caso da menina Aracelli Crespo, assassinada, aos 8 anos de idade, em Vitória (ES), no dia 18 de maio de 1973.

A morte da menina foi contada no romance-reportagem censurado no dia do lançamento, por falar de forma clara que os culpados pela morte eram pessoas da alta sociedade da capital do Espírito Santo. Hoje, a data da morte da garota Aracelli é lembrada como o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, graças também ao trabalho incansável de Louzeiro em denunciar o crime. l

Serviço

O quê

Exibição do documentário José Louzeiro – Depois da Luta

Quando

Hoje, às 18h

Onde

Academia Maranhense de Letras (Rua da Paz)

Sessão gratuita

Classificação indicativa: 10 anos