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“Cais da Sagração” em nova edição

21 de setembro de 2017

Academia Maranhense de Letras lança hoje, às 15h em sua sede, a 9ª edição do romance de Josué Montello

Josué Montello terá uma de suas obras relançadas hoje (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS – Mais de quatro décadas depois do lançamento da primeira edição, o romance “Cais da Sagração”, de Josué Montello, retorna às livrarias por meio da Academia Maranhense de Letras (AML) que lança hoje, às 15h, a 9ª edição da obra que é uma das indicadas ao Programa Seletivo de Aceso a Educação Superior da Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Na ocasião, os imortais José Neres e Ceres Costa Fernandes falarão sobre o livro e seu autor cujo centenário de nascimento é celebrado este ano.

O presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, explica que a iniciativa de uma nova edição de “Cais da Sagração” se justifica por diversos motivos. “Trata-se do centenário de Montello, um dos grandes romancistas brasileiros, que foi membro da Academia Maranhense e Brasileira de Letras, e também pelo fato de o livro estar esgotado, o que estava dificultando o acesso de estudantes que precisam se preparar para o vestibular da Uema, que indicou a obra para seu certame”, pontua Benedito Buzar.

A obra que tem como herói o barqueiro Severino e como pano de fundo o Cais da Sagração (atual Rampa Campos Melo) nasceu em Paris no ano de 1969. Mas, segundo Josué Montello em texto de introdução da obra, a ideia já estava consigo deste 1965, quando em uma conversa com amigos teve a inspiração. “Daí em diante ficou morando em mim a urdidura do livro. Ainda não era o romance, mas apenas seu esboço, com figuras indecisas. Eu tinha comigo o mar, a cidadezinha de pescadores, a orla do cais em São Luís. No entanto ainda não via bem seu personagem central”, escreve Montello.

Em texto de apresentação à 9ª edição, Benedito Buzar resgata a noite lançamento da obra e o sucesso do evento que levou uma multidão à Avenida Beira-Mar para prestigiar Montello, que lançava na cidade “Cais da Sagração” e Odylo Costa, filho que apresentava seu “São Luís e Alcântara” naquela noite de 21 de outubro de 1971.

A narrativa de Montello se passa entre São Luís e uma cidade litorânea de onde os personagens saem apenas por transportes marítimos. Proprietário de um barco, é irredutível e machista que, preso por algum tempo, volta e avisa a Lourença, mulher simplória, acabrunhada e matuta, que se casará na semana seguinte com a prostituta Vanju. Ambas simbolizam o quadro da condição feminina.

Prêmios

Com o romance, Montello conquistou o Prêmio Intelectual do Ano em 1971 e o Prêmio de Ficção da Fundação Cultural de Brasília em 1972. O livro foi considerado pela crítica como um dos mais importantes romances de língua portuguesa e Gilberto Freyre afirmou que “‘Cais da Sagração’ é o nosso melhor romance desde ‘Gabriela, Cravo e Canela’, de Jorge Amado”.

Tristão de Atayde desatacou que “toda grande obra literária de Josué Montello, tanto em seu aspecto crítico e cronístico como em seu aspecto ficcionista é de uma translucidez cristalina”. A obra também teve grande reconhecimento fora do Brasil, tendo sido estudado na Universidade de Toulouse, na França, pelo professor Jean Roche. Esta edição tem patrocínio do Gripo Mateus por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

O professor José Neres explica que sua palestra será voltada aos alunos do ensino médio, já que o livro é uma das obras indicadas pela Uema para o próximo vestibular. “Falarei principalmente sobre a estrutura da obra e a construção das personagens, principalmente mestre Severino e Vanju” adianta Neres.

Para ele, “Cais da Sagração” é uma das grandes produções de Montello. “ Os estudantes que lerem esse livro só têm a ganhar, pois além de se prepararem para o vestibular, poderão discutir diversos temas que aparecem no decorrer da obra, como, por exemplo, a homofobia, o machismo, o desenvolvimento do Maranhão na década de 1970, entre outros. Como a obra é narrada de forma fragmentada, explorando constantemente o recurso do flash-back, o leitor fica preso em cada capítulo”, pontua .

Centenário

Josué Montello foi jornalista, professor, romancista, cronista, ensaísta, historiador, orador, teatrólogo e memorialista. Nasceu em São Luís em 21 de agosto de 1917 e escreveu romances como “Os Tambores de São Luís” e “Noite Sobre Alcântara”, nos quais retratou, com riqueza de detalhes, cenários do Centro Histórico da capital e do Maranhão, mesmo vivendo no estado apenas na juventude, já que passou boa parte de sua vida na cidade do Rio de Janeiro. Morou ainda em países como Espanha, Portugal, Peru e França.

É autor de mais de 160 obras em vários gêneros – romances, ensaios, crônicas, história, discursos, analogias, educação, novelas, teatro, biblioteconomia, literatura infantil e juvenil, memórias, prefácios, edições para cegos e cinema. É considerado um clássico da literatura brasileira, com muitos livros traduzidos no exterior, bem como versões cinematográficas de duas de suas novelas.

Josué Montello foi embaixador do Brasil junto às Nações Unidas em Paris e o segundo mais jovem imortal da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 29, cujo fundador foi Arthur Azevedo e que tem como patrono Martins Pena. Foi membro da Academia Maranhense de Letras e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.

Em São Luís, seu acervo está em poder da Casa de Cultura Josué Montello, na rua das Hortas, Centro de São Luís. O local destina-se a promover estudos, pesquisas e trabalhos nas áreas da literatura, artes, ciências sociais, história e manifestações artísticas e culturais do estado.

Para a ex-governadora Roseana Sarney, celebrar a obra de Josué Montello é essencial para divulgar a sua obra para as futuras gerações. “Celebramos o centenário de nascimento do escritor Josué Montello. Autor de vastíssima e extraordinária obra, é reconhecido como um dos mais importantes escritores brasileiros. Muitos dos seus livros tornaram-se clássicos da literatura, especialmente os que descreveram a sua terra e a sua gente. ‘Noite Sobre Alcântara’, ‘Os Tambores de São Luís’ e ‘Cais da Sagração’ expressam o profundo amor que ele dedicava ao Maranhão. Josué também ocupou cargos de alta relevância cultural, como diretor da Biblioteca Nacional, embaixador do Brasil junto a Unesco, presidente da Academia Brasileira de Letras e reitor da Universidade Federal do Maranhão. Uno-me às celebrações pelo centenário de seu nascimento, desejando que sua obra seja cada vez mais conhecida e difundida, principalmente entre as novas gerações de leitores”, destacou. l

Serviço

O quê

Lançamento da 9ª edição de “Cais da Sagração”, de Josué Montello

Quando

Hoje, às 15h

Onde

Academia Maranhense de Letras, Rua da Paz, Centro

Acesso gratuito