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Cadeira Nº 35

Lourival Serejo

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Biografia

Clóvis Ramos Pereira nasceu em Tabatinga-AM, a 20 de novembro de 1922, e faleceu em Niterói-RJ, a 7 de outubro de 2003. Foi jornalista, poeta e pesquisador. Chegou a São Luís aos 5 anos de idade e fez seus estudos primários e o curso secundário no Colégio Militar de Fortaleza-CE. Tornou-se perito-contador pela Escola de Comércio do Maranhão e, em 1935 bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Foi promotor público no Maranhão; inspetor do trabalho em Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro e no Maranhão, onde foi delegado regional do trabalho, de 1965 a 1968. Colaborou de forma intensa na imprensa de diversas cidades brasileiras e pertenceu a diversas instituições culturais como o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Instituto Campista de Letras, Cenáculo Brasileiro de Artes e Letras, Academia de Letras e Artes de Brasília, Instituto de Cultura Espírita, Associação de Jornalistas e Escritores Espíritas. Foi agraciado com as medalhas Graça Aranha e Gonçalves Dias (AML), e do Mérito Timbira, do Governo do Estado do Maranhão. Na Academia Maranhense de Letras, ocupou a Cadeira n0 35, como sucessor de Vera-Cruz Santana.

 

Bibliografia

Poesia

  • Evangelho do poeta. Rio de Janeiro: Pongetti, 1953.
  • O pranto ao limiar. Rio de Janeiro: Pongetti, 1956.
  • Rosa de cinza. Rio de Janeiro: Pongetti, 1957.
  • Amarga tatuagem. Rio de Janeiro: Pongetti, 1960.
  • Estrela mansa. São Luís: Meimei, 1985.
  • Leito dos ventos. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Turismo e Desportos, 1988.

Pesquisa com estudos biobibliográficos e antologias

  • Incêndios vermelhos. São Luís: Dep. de Cultura do Estado, 1966. (Maranhão Sobrinho)
  • Minha terra tem palmeiras (trovadores maranhenses). Rio de Janeiro: Pongetti, 1970.
  • Onde canta o sabiá. Rio de Janeiro: Pongetti, 1972. (Poesia maranhense)
  • Nosso céu tem mais estrelas (140 anos de literatura maranhense). Rio de Janeiro: Pongetti, 1973.
  • Nossas várzeas têm mais flores (poetas modernos do Maranhão). São Luís: Func, 1975.
  • Violão ao luar: Catulo da Paixão Cearense. Rio de Janeiro: Grêmio Cultural Catulo da Paixão Cearense, 1974.
  • Vulcão de flores (Corrêa de Araújo). Rio de Janeiro: Grêmio Cultural Catulo da Paixão Cearense, 1974.
  • Alma de fogo; Adelino Fontoura, ator jornalista e poeta. São Luís: Sioge, 1977.
  • Ano Centenário: Humberto de Campos. São Luís: Sioge, 1986.
  • Xavier de Carvalho ou revoltas supremas. São Luís: Sioge, 1986.
  • Tristeza e alegria na poesia de Manuel Bandeira. São Luís, IM, 1987.
  • O puro canto de Tasso da Silveira. São Luís: IM, 1987.
  • As aves que aqui gorjeiam: vozes femininas na poesia maranhense. São Luís: Sioge, 1993.
  • O poeta Sousândrade; cristal dos Andes, o gênio imorredouro do Guesa. São Luís: FSADU, 1994.
  • Uma harpa religiosa. São Luís: Sioge, 1994.

Espiritismo

  • Antologia de poetas espíritas. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959.
  • Temas espíritas na poesia brasileira. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1969.
  • Primavera que desponta. Rio de Janeiro: Letras Espíritas, 1970.
  • Operários de um mundo melhor. São Luís: Novos Rumos, 1975.
  • A imprensa espírita no Brasil: 1869 – 1978. Juiz de Fora: Instituto Maria, 1979.

Outros

  • Aspectos jurídicos do acidente de trabalho. São Luís: Senac, 1968.
  • Os primeiros jornais do Maranhão: 1821-1830. São Luís: Sioge, 1986.
  • Japiaçu, o principal da Ilha (estudo sobre a fundação de São Luís). São Luís: IM, 1987.
  • A intelectualidade maranhense (apontamentos para o Dicionário bibliográfico do Maranhão). Brasília: Academia de Letras e Artes, 1990.
  • Opinião pública maranhense: jornais antigos do Maranhão (1831 a 1861). São Luís: Sioge, 1992.

 

Referência para estudo:

  • MORAES, Jomar (Org.). Perfis acadêmicos. 3. ed. São Luís: Edições AML, 1993.

HOSANAS A UM GRANDE POETA

 

No Brasil muitos têm se ocupado da poesia de Joaquim de Sousa Andrade, “romântico e bucólico”. Às vozes que o louvaram no passado e o enaltecem agora, juntamos a nossa voz obscura. É que não poderíamos nos furtar à alegria de entoarmos, também, hosanas a um poeta que orgulha o Maranhão.

            Podemos observar o interesse que despertou a figura excêntrica de Sousa Andrade, ou Sousândrade, de estro diferente, consultando a Bibliografia Crítica da Literatura Maranhense, de Jomar Moraes (1972). Quando ainda na Terra vivia, conheciam-no: Inocêncio Francisco da Silva, que o registrou no Dicionário Bibliográfico Português, obra ampla, em 22 volumes, que abrange o período de 1858 a 1923 (no Tomo IV, de 1860, está o nosso poeta); J. M. Vaz Pinto Coelho, em Promessas literárias, in Diário do Rio de Janeiro, de 1867, talvez o primeiro a tentar um estudo crítico da poesia sousandradina; Camilo Castelo Branco, que o incluiu no Cancioneiro Alegre de Poetas Portugueses e Brasileiros, editado no Porto, em 1879; Joaquim Serra, escrevendo sobre O Tatuturema, na Revista da Exposição Antropológica, do Rio de Janeiro e Augusto Vitorino Alves (Sacramento Blake) no seu Dicionário Bibliográfico Brasileiro, vol. IV, onde vem biografado.

            E não se pode esquecer que Sousândrade está entre os 52 poetas do Parnaso Maranhense, de 1861, com os poemas “Te Deum”, “À…, “Fragmento”, “Ao Sol”, às páginas 182 a 186; que Sílvio Romero, na História da Literatura Brasileira, vol. 4, págs. 1.129 a 1.131, opinou ora favorável e até com muita antecipação com relação à crítica moderna, ora contrário, apontando defeitos. Que escreveu o mestre sergipano?:

            – “Joaquim de Sousa Andrade é quase inteiramente desconhecido, o que facilmente se explica pela índole de seu poetar. É merecedor, porém, de atenção.

            Descubro-lhe alguns sinais característicos: primeiramente de poetas é, creio, o único a ocupar-se de assunto americano estanho ao Brasil, um assunto colhido nas repúblicas espanholas, depois, é um poeta de forte elevação de ideias; mas de forma muitas vezes áspera e rude e quase ininteligível.

            Não é possível entrar em grandes desenvolvimentos.

            O leitor muna-se dos dois volumes de Sousa Andrade publicados sob o título – Impressos – no Maranhão em 1868; leia-os a começar pelo princípio, o Guesa errante, passando depois pelas peças soltas.

            Andrade viajou e tomou o grande faro da literatura do século no estrangeiro; mas não assimilou uma tendência qualquer definitiva. Daí certa indecisão em seus ideais e certas vacilações em suas poesias.

            Não possuía também a destreza e habilidade da forma; de longe em longe ou às vezes de perto em perto aparece algum verso, alguma estrofe excelente, ou até admirável e depois sucedem-se pedaços e pedaços muito menos felizes.

            Uma coisa, porém, é preciso que se diga: o poeta sai quase inteiramente fora da toada da poetização do seu meio; suas ideias e linguagem têm outra estrutura.

            É pena que a forma não obedeça a uma igual diferenciação; porque, se tal acontecesse, Andrade seria um poeta de primeira ordem”.

            E, no final, após transcrever um dos Cantos de o Guesa Errante, admitindo audácias e belezas, obscuridades e asperezas no poema singular:

            – “Uma leitura cuidadosa das produções de Sousa Andrade irá descobrir nele boas ideias e grandes belezas e obscuridades por descuidos e defeitos.

            Há muita cousa no pessimismo, no satanismo moderno que tem a ali suas predecessoras.

            Leia-se, por exemplo, “Vascas do Justo”, e, com esta, outras composições do autor”.

            Morto Sousândrade, Adolfo Marques sonhando com uma Seleta Maranhense estampou, na Revista do Norte, de São Luís, em 1903, “Os escritores maranhenses: apuntos biobibliográficos”, e o poeta foi um dos homenageados. Cinco anos depois, foi a vez de Antônio Lobo, em Os Novos Atenienses; citou-o entre os que viviam no Maranhão em 1899, dedicados às letras, às ciências, ao lado de Sotero dos Reis, Marques Rodrigues, Henriques Leal, César Marques, Gentil Braga, Joaquim Serra, Heráclito Graça, Martins Costa e Celso Magalhães. E narrou a entusiástica e calorosa manifestação do povo maranhense ao seu filho ilustre, em visita à terra natal, Coelho Neto, naquele ano:

             – “O brinde de honra, a que Coelho Neto respondeu, numa peça oratória emocionada e brilhante, foi-lhe feito pelo púnico sobrevivente da grande e fecunda geração literária de outrora, o poeta do Guesa Errante, Joaquim de Sousândrade. E nessa troca de cumprimentos entre o velho e o moço, entre o batalhador que chegava exausto das lutas ingentes do passado, carregado de anos e de glórias, e o outro que, por entre os triunfos promissores do presente, houve alguém que visse, palpitante de entusiasmo e de esperanças, o símbolo grandioso de duas literárias que se dessem as mãos, por cima dos anos tristes de decadência mental que entre uma e outra se cavavam, para depois, unidas e fortes prosseguirem na tarefa nobre do restabelecimento dos créditos mentais da terra feliz que lhes serviu de berço. E não se enganava esse alguém nas sua emocionadas previsões”.

            Em 1911 outra voz se elevou, no Maranhão, para exaltar o mérito do nosso poeta: Domingos Barbosa, no seu admirável Silhuetas, onde também retratou o Dr. Silva Maya, Benedito Leite, Paula Duarte, Gomes de Castro, Palmério Cantanhede, Euclides Faria, Casemiro Júnior, Augusto Brito, o padre Fábio e o tenor Antônio Rayol. Traçou-lhe o perfil republicano, fazendo ver que fora à América do Norte e americanizou-se; recordou que, ao ser proclamada a República, que cantou em versos, colaborou no Federalista: “Eram coisas dum simbolismo nebuloso, onde, não raro luzia um lampejo de gênio”.

            Sobre Sousândrade disse pouco: “quando, lendo-os (seus admiráveis livros de versos), mais está a gente presa ao encanto e a doçura do seu rútilo estro, vêm de repente, uns versinhos, que quebram a grande e honrosa harmonia…” E ainda: “Para os que o conheciam e lhe conheciam o valor, era um erudito, um douto, um sábio. Para os néscios e para muitos dos que o não conheciam, um louco”.

            Caiu, em seguida, o silêncio, só quebrado, parece, por Crisóstmo de Souza e seus cavaleiros da Távola do Bom Humor – José Augusto Vieira dos Reis, Cipriano Marques da Silva, Joaquim de Sousa Martins, Carlos Castro Martins e José de Ribamar Teixeira leite – organizadores dos Sonetos Maranhenses, surgido em 1922. Divulgaram “Amo-te”, soneto em que se vê o poeta saudoso de uns olhos verdes, – poesia romântica que lembra um anjo sobre o túmulo alvar neviluzentes o meigas asas a abrir, e o veneno da flor e os perfumes que solta o lírio enoitecido, às auras dos jardins frescas e olentes: soneto divulgado, também, por Laudelino Freire nos Sonetos Brasileiros, e noutras antologias.

 

(RAMOS, Clóvis. O poeta Sousândrade – Cristal dos Andes, o gênio imorredouro do Guesa. São Luís: Fundação Sousândrade, p. 7-10.)

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