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Cadeira Nº 24

Joaquim Campelo Marques

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Biografia

Joaquim Campelo Marques nasceu a 19 de maio de 1931, em Viana-MA. Aos três anos de idade mudou-se com a família para São Luís, onde estudou o curso primário e parte do secundário no Colégio Maranhense (Marista), tendo saído no último ano para concluir o ensino secundário no Colégio São Luiz. No Rio de Janeiro, cursou Jornalismo e trabalhou como redator na Standart Propaganda, na revista Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Foi aluno de Aurélio Buarque de Holanda, passando a auxiliá-lo nas correções de provas de português do Colégio Pedro II e na revisão e atualização do Pequeno dicionário brasileiro da língua portuguesa, da Editora civilização Brasileira. Em maio de 1966 foi contratado como chefe da equipe que iria elaborar um Grande Dicionário para a Editora Larousse, com Aurélio na revisão, o que não veio a acontecer em virtude de rescisão contratual da editora com Aurélio Buarque de Holanda. Então, Campelo e Aurélio juntaram esforços e produziram o Novo dicionário da língua portuguesa, popularmente conhecido como Dicionário Aurélio, do qual Campelo foi coassistente. Posteriormente, fundou a Editorial Alhambra por onde publicou títulos importantes como a 2ª edição revista e atualizada da História da literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux, em 8 volumes. Foi vice-presidente do Conselho Editorial do Senado Federal, e, na Academia Maranhense de Letras, ocupa a Cadeira n0 24, como sucessor de Dagmar Desterro.

Referências Bibliográficas:

  • Nova enciclopédia das crianças. Vol. 5. Edição do Autor, 1975.
  • Os símbolos nacionais, 1986.
  • Sexta-feira, Folha. São Paulo: Editora Siciliano, 1994. (Organizador)
  • Livro da Profecia: O Brasil no Terceiro Milênio. Editora Senado Federal, 1997.
  • O Congresso…em 300 questões. Editora Dedalo, 2001.
  • Brasília em 300 questões. Editora Dedalo, 2001.
  • MARQUES, Joaquim Campelo. Discurso de Posse de Joaquim Campelo Marques. Revista da Academia Maranhense de Letras. v. 25, Ano 91, p. 79-90, dez., 2010.

Referências para estudo:

  • MORAES, Jomar (Org.). Perfis Acadêmicos. 5. ed. São Luís: Edições AML, 2014.
  • SARNEY, José. Saudação de José Sarney a Joaquim Campelo Marques. Revista da Academia Maranhense de Letras. Nº 33, p. 91-104, dez., 2010.
  • CAMINHA, Edmilson. Campelo, o verdadeiro nome do “Aurélio”. Revista da Academia Maranhense de Letras. V. 25, Ano 91, p. 113-118, abr./jun., 2021.

DAGMAR DESTERRO

            Ao percorrer a montante o rio da sucessão histórica desta agora minha Cadeira, reverencio a memória da ilustre educadora, da poeta que cantou a cidade de São Luís, a contista lírica de Dois tempos em compasso de estórias, a teatróloga de Conflito, a ensaísta lúcida Dagmar Desterro e Silva.

            Guardo a imagem da conferencista que primou por vigorosa atuação no cenário da cultura maranhense, da atriz bissexta, que por várias vezes iluminou, fugaz embora, mas com talento, o palco do nosso teatro Artur Azevedo, assim como marcou forte nossas instituições e entidades culturais.

            Retenho o timbre da cantora – e permito-me lembrar nossa Dilu Melo –, da cantora também bissexta Dagmar, que tão bem interpretava composições de nosso cancioneiro, sempre, sempre driblando com heroísmo e estoicismo invulgares a Indesejada das indesejadas, que por tantos anos a cercou incruenta, martirizou-a, e que por fim levou sem glória aquela que viveu em desterro de vida desterrada.

            Não é de espantar que nas histórias de Dagmar, “nem a morte assusta seus personagens, tal o compromisso que eles têm com a vida”, assinala o nosso confrade José Louzeiro, ao louvar na autora o encarar a vida olho no olho, “com a coragem de camponesa que canta a primavera e a colheita, embora esconda no peito invernos tempestuosos”.

            Lira simples e solidária tangeu Dagmar em sua expressão literária, avessa a modismos, intelectualismos, artificialismos. Com singela pureza cantou seu amor à ilha em que nasceu, celebrando ilustres e humildes, a praça Gonçalves Dias, praia do Olho d’Água, o Jenipapeiro, o bairro do Lira, os gritos da rua, o garrafeiro, o jornaleiro, o verdureiro. O camaroeiro, as crianças sem lar…

            Alçou a voz da condição feminina, representando “a mulher comum”, de “história comum”, que se repete todos os dias, a todo instante, em qualquer parte. “Sou qualquer mulher”, “sou todas as mulheres”, ela declarou.

            Feita de pedaços de vida as mais variadas, tal como sua personagem Leonor, no conto Uma Primavera Vem Chegando, Dagmar Desterro e Silva “era uma vida que tinha direito a ser ela mesma, que alimentava sua verdade pessoal e tinha ânsia de realização”.

            Em vão, sociedade, moléstia, mesquinharias do cotidiano, “tentaram engaiolá-la em seus propósitos e limitações. Sua alma era pássaro festivo, almejando altura e liberdade”. Brioso e frágil pássaro!…

(MARQUES, Joaquim Campelo. [Trecho do] Discurso de Posse de Joaquim Campelo Marques. Revista da Academia Maranhense de Letras. v. 25, Ano 91, p. 81-90, dez., 2010.)Referências para Estudo:e

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