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Cadeira Nº 16

Natalino Salgado

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Biografia

Nasceu em 25 de julho de 1946, na cidade de Cururupu-MA. É Médico, professor titular, pesquisador, cronista. Após concluir a educação elementar em Cururupu, transferiu-se para São Luís para cursar o ginasial e o científico no Colégio São Luís. Em 1973, graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão. Fez residência em Clínica Médica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e em Nefrologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Hospital Pedro Ernesto). Mestre e Doutor em Medicina/Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo, foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Atualmente é reitor e professor titular da Universidade Federal do Maranhão e membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial, Sociedade Brasileira de Nefrologia, International Society of Nephrology (ISN), American Society of Nephrology, Sociedade Brasileira de História da Medicina. É membro titular da Academia Nacional de Medicina, Academia Maranhense de Medicina e coordenador do Projeto de Qualificação em Nefrologia Multidisciplinar. Cronista, tem vasta produção publicada no jornal O Estado do Maranhão. Na Academia Maranhense de Letras, ocupa a Cadeira n0 16, como sucessor de Neiva Moreira.

Bibliografia

1) Atualidades em nefrologia. São Paulo: Sarvier ,12. ed, 2012.
2) Os meus dias de cadeia: origem e memórias. (Prefácio, notas e organização). São Luís: Edições AML, 2. ed. 2016.
3) Atualidades em nefrologia. São Paulo: Sarvier, 1988. (Capítulo)
4) Atualidades em nefrologia. São Paulo: Sarvier, 1992. (Capítulo)
5) Atualidades em nefrologia. São Paulo: Sarvier, 2. ed. 1992. (Capítulo)
6) Na casa de Antônio Lobo – Discurso de Posse de Sebastião Jorge. São Luís: Edições AML, 2017.
7) A revolução nacional: contribuição subsidiária para a história do Maranhão. (Prefácio, organização e notas). São Luís: Edições AML, 2. ed. 2016.
8) Na casa de Antônio Lobo – Discurso de Posse de Natalino Salgado Filho. São Luís: Edições AML, 2013.
9) Tarquínio Lopes Filho: médico, político, jornalista, administrador que virou mito. São Luís: EDUFMA, 2015.
10) Faculdade de Medicina do Maranhão: uma história de 59 anos. São Luís: EDUFMA, 2016.
11) A reorganização do serviço sanitário do Maranhão no início do século XX. São Luís: EDUFMA, 2019.
12) Lupus renal involvement: a case-based atlas. New York: Nova Biomedical, 2016.
13) Discurso de posse de Natalino Salgado Filho. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, nº 33, p. 45-63, jun., 2016.
14) Oito anos depois de cem. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, ano 97, vol. 28, p. 134-36, out., 2016.
15) Discurso de saudação a José Jorge por Natalino Salgado Filho. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, vol. 93, nº 30, p. 155-165, jul., 2019.
16) A pandemia e a literatura. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, nº 31, p. 144-154, out./dez., 2020.
17) Discurso de recepção ao acadêmico Sebastião Jorge na Cadeira nº 10, em 1º de junho de 2017. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, nº 32, p. 68-84, jan./mar., 2021.
18) Tempos de Pandemia na UFMA: a gestão dos inesperados. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, nº 33, p. 85-103, abr./jun., 2021.
19) Azulejos ao vento. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, nº 34, p. 97-99, jul./set., 2021.

No prelo

20) Narrativa de serviços no libertar-se o Brasil da dominação portuguesa, prestados pelo Almirante Conde de Dundonald. (Prefácio, organização e notas). 3. ed. São Luís: EDUFMA, 2021.
21) História da Medicina e do Hospital Universitário da UFMA. São Luís: EDUFMA, 2021.

Referências para estudo

1) ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS. Perfis acadêmicos. Pesquisa, organização e textos de jomar Moraes. São Luís: Edições AML, 2014.

2) AZEVEDO NETO, Américo. Saudação de Américo Azevedo a Natalino Salgado Filho. Revista da Academia Maranhense de Letras. São Luís: Edições AML, ano92, vol. 27, p. 65-70, jun., 2016.


AS RÉPLICAS HUMANAS EM REDE


O que a bomba atômica e as alterações genéticas (H. G Wells), o submarino (Julio Verne), os robôs (Isaac Asimov), o mundo mediado pela virtualidade (Pierre Lévy) têm em comum? Mentes prodigiosas muito além de seu tempo.

O último desta pequena lista, Pierre Lévy, não se encaixa com os demais, pois não é um escritor de ficção científica. Escreve como quem vê a realidade adiante como realidade mesmo. Ainda na quase longínqua década de 1990, escreveu muito sobre este mundo, agora mais virtualizado do que nunca, graças à pandemia.

Uma entrevista deste sociólogo/filósofo publicada recentemente na edição brasileira do jornal espanhol El País é fundamental para se entender parte deste mundo e esta palavra é mais que uma ideia, é um fato inconteste. Tornamo-nos navegadores da rede. Mares bravios e grandemente desconhecidos.

As obras de Lévy, a despeito de décadas, ainda nos ofertam insights profundos e necessários para que mantenhamos o que é fundamental em nossa humana característica principal: “O que distingue o ser humano é a linguagem… E penso que isso condiciona todo o resto, toda a evolução econômica, política e cultural”.

A questão se refere ao modo como usamos a linguagem. De que maneira ela nos serve? Lévy, novamente, foi um dos primeiros a perceber o potencial do uso da linguagem de forma devastadora das relações em todos os sentidos, ao ponto de se tornar fakenews, pós verdade e outras tantas formas de desconstrução da realidade.

Uma pesquisa recente prevê situações em que as pessoas não terão mais parâmetros para distinguir o falso do verdadeiro. Segundo o MIT, as notícias falsas se espalham 70% mais rápido e alcançam muito mais gente na rede. Mas Lévy destaca, em sua pesquisa, algo basilar: a natureza humana não mudou. Em sua entrevista ele diz que “a partir do momento em que há linguagem, há mentira e há manipulação.” A rede dá a esta natureza possibilidades infinitas.

Sim, a rede pode ser um instrumento terrível, mas Lévy sugere que nosso desafio é saber utilizá-la de forma produtiva e útil. A educação formal tem nela seu principal aliado. A situação que a pandemia criou é a prova inconteste. Criou um novo paradigma com o qual devemos trabalhar de agora em diante. Mas há algo mais para que Lévy adverte que já é completamente verdadeiro: a rede é fruto de um mundo democrático. Sua natureza intrínseca é ser aberta, mas este status está mudando rápido. 

As megaempresas que nasceram neste ecossistema virtual têm hoje mais poder que alguns estados e não se deixam guiar por princípios coletivos, mas por seus interesses. Elas têm capacidades de identificar qualquer indivíduo e de eleger ao seu bel prazer o que é importante e o que é ameaçador. De fato, estas empresas têm mais informações sobre as pessoas que qualquer estado organizado no mundo.

De tudo o que Lévy diz em sua lúcida entrevista, talvez seja este o alerta mais grave de suas palavras acerca das gigantescas estruturas por trás desse emaranhado: as empresas “já regulam a opinião pública, porque são elas que dominam as redes sociais onde as pessoas se expressam, então se decidem censurar algo censuram e ponto, e se decidem valorizar algo acima do resto, também. Têm um poder ilimitado.”

Diante disso, resta continuar perguntando sobre o que restará de nós, seres reais, no mundo virtual; sobre como sobreviveremos ao poder da linguagem que nos recria virtualmente; sobre se continuaremos a ser o que somos ou se nos tornaremos o que a rede inventa de nós; sobre como resistiremos à enxurrada de fatos que a rede tece à revelia da verdade. Se não pensarmos sobre essa questão, corremos o risco de nos perdermos como réplicas e de jamais nos reencontrarmos como exemplares originais da humanidade, mas como peças falsificadas do acervo humano.

SALGADO FILHO, Natalino. As réplicas humanas em rede. O Estado do Maranhão. São Luís, ed. 10, jul., 2021.

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