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Cadeira Nº 14

Edson Vidigal

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Biografia

Edson Carvalho Vidigal nasceu em Caxias-MA, no dia 20 de julho de 1944. É jornalista, político e advogado.  Ingressou na vida pública em 1962 quando foi eleito vereador em Caxias-MA pelo Partido Social Progressista (PSP), porém teve o mandato cassado por ocasião movimento político-militar de 31 de março de 1964. Foi assessor de imprensa da Assembleia Legislativa do Maranhão, assessor de imprensa do governo do Maranhão, na gestão de José Sarney, chefe da Assessoria de Comunicação Social do gabinete do governador Pedro Neiva de Santana. No jornalismo, foi diretor de redação do Jornal do Dia, de São Luís, correspondente do jornal O Globo, do Rio de Janeiro e repórter do Jornal do Brasil, e Correio Braziliense. Em 1978 foi eleito deputado federal pelo Maranhão na legenda da Arena. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB), montou o seu escritório de advocacia em Brasília e, desse ano até 1985, foi procurador judicial do estado do Espírito Santo perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e tribunais superiores. Durante o mandato de José Sarney na presidência da República, foi nomeado assessor especial do presidente da República para assuntos do Judiciário e Ministério Público. Ocupou os cargos de ministro do Superior Tribunal de Justiça e membro do Conselho da Justiça Federal, presidente da 5ª Turma e 3ª Seção do STJ. Em setembro de 1997 foi nomeado ministro-substituto do TSE, exercendo essa função até junho de 1998, quando foi efetivado para um mandato de dois anos. Na Academia Maranhense de Letras, ocupa a Cadeira n0 14, como sucessor de Bernardo Coelho de Almeida.

Bibliografia

1) Os dias lindos. Brasília: Comitê de Imprensa do Senado Federal, 1979. (Crônicas)

2) As trombetas do amém. Brasília: Comitê de Imprensa do Senado Federal, 1979.

3) Relatório Jari. Brasília: Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, 1980.

4) A denúncia e o desafio. Brasília: Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, 1981. (Discursos, Câmara dos Deputados).

5) A coragem de resistir. Brasília :Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, 1982.

6) Um amor quase exemplar. São Luís: Edições AML, 1994. (Poesia)

7) Missa convite. São Luís: Fundação Cultural do Maranhão, 1975. (2. Ed., São Luís: Edições AML, 1997).

8) Como ganhar o mundo e ser ganho por ele. Rio de Janeiro: Topbooks, 2006.

 

A bibliografia de Edson Vidigal compreende, ainda, diversos trabalhos sobre assuntos jurídicos, políticos e econômicos publicados em jornais e revistas.

 

Referências para estudo

1) CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório. (1979-1983); INF. BIOG. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/edson-carvalho-vidigal.

2) ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS. Perfis Acadêmicos. 5.ed. Pesquisa, organização e textos de Jomar Moraes. São Luís: Edições AML, 2014.

RUA DA PAZ


Tudo isso enquanto

ela não se decidir

entre essa procissão

de automóveis e

a minha solidão.



Postes enfileirados postulantes à luz defloradora de trevas. Correndo ela passa e correndo os meus olhos tentam alcançá-la, na placa ao menos. Aplacando a minha ânsia há uma procissão de automóveis descambando para uma rua chamada Paz. Inquieto me inquiro e me curvo calado ao cortejo. Certeza acabada, esperança fugida de alcançá-la no sinal fechado, no cruzamento adiante.

Além de mim estão os postes, girafas sem cor nesta selva de asfalto. Na perseguição a ela estou eu, raio laser em ação, em cada raio de luz dos meus olhos. Provisório instante, estonteante, percalço, percalçado, embolado, insinuante. Tudo isso assim mais provisório tão-somente.

Provisória a paisagem posteada, que daqui a instantes não terei mais – pois a minha velocidade me trará outras tantas desposteadas desertas – quem sabe – de tudo, de mim e até do deserto mesmo. Provisória a deserção que me acomete, talvez involuntária neste “front” da guerra dos automóveis, nesta rua chamada Paz. Provisório este inquieto canto quieto no meu canto encantado. Provisório o instante. 

De praia há em mim uma provisória fome insaciável. Minha sobremesa será de dunas, meu cafezinho será o mar. Meus ouvidos eu os estenderei às distâncias numa viagem auditiva à estratosfera ou ao centro da terra para distinguir entre os mil sons que o mundo emite uma mentira ou uma verdade dela. Minha barba crescerá e descerá pelos meus pés até às raízes do meu chão. Do meu menor sopro sairá um vendaval, um terremoto, um furacão.

Tudo isso enquanto ela não se decidir entre essa procissão de automóveis e a minha solidão, infelizmente provisória, como provisória é a paisagem de postes, girafas sem cor nesta selva de asfalto, sem chão.



(VIDIGAL, Edson. Missa convite. São Luís: Edições AML, 2. Ed., 1997, p. 23,24).


 
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