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Academia Maranhense de Letras

Sálvio Dino

Cadeira 32


Uma Visão Panorâmica da História – Pós – 1925

28 de julho de 2015

Estamos 90 anos, desde a passagem dos “Tenentes” pelo sul maranhense: de lá pra cá, o que aconteceu, de modo marcante, profundamente transformador da sociedade civil, extraordinários projetos/ideais, povoados de forte conteúdo político/social/cultural, capazes de nos incluir entre os 10 maiores países do mundo, dito, civilizado? Sim. O que aconteceu no campo dos Direitos Humanos, dos Direitos Sociais, valores que mais alto se alevantam e não mais aceitam “velhas costuras” que querem a qualquer preço a permanência da carcomida herança toda ela carregada de velhos ranços coronelistas e ou clientelistas?

Sejamos sinceros: de lá pra cá, no cenário de instituições jurídico-políticas essenciais à nossa formação de Estado-Nação, não, não se pontuam 100 Brilhantes Mentes entre as mais capazes, de variadas épocas que possam ser incluídas no belo e invejável patrimônio legado aos brasileiros de todos os tempos.

O que se sabe, mesmo, no conjunto de nossa História Político/Institucional, poucos e são tão poucos os que lutaram, se sacrificaram numa renhida luta contra o podre modelo, que sempre prevaleceu no país: o mandonismo dos currais eleitorais, o voto de cabresto, a corrupção eleitoral, a compra de votos, a impunidade administrativa, os fraudulentos financiamentos de campanha, o dilúvio de escândalos governamentais, os assaltos aos cofres públicos, coisas e loisas que nem é bom se falar.

E, o pior de toda essa novela política, de claras dimensões globais é que o potencial de crescimento desse rolo compressor vem se perpetuando desde “Velho Carnavais” do Brasil/Colônia/Império/Velha República, chegando até nossos dias.

Ao se (re) lembrar os 90 anos da passagem do CAVALEIRO DA ESPERANÇA, entre nós, cremos, ser de bom alvitre fazer uma religação desse episódio de fundo, vinculando o passado com o presente, assinalado para o futuro, na firme convicção de que, toda essa temática deságua na crise eminentemente brasileira, desde os tempos de nossa formação como povo.

E, por que não se registrar: o grito dos “tenentes”, 90 anos atrás, com visível eco nos nossos dias, aponta-nos, com certeza, o caminho que ainda precisa ser percorrido com vistas à Terra da Promissão no nosso tão sonhado chão histórico.

Clara, como a luz do sol: o clássico da literatura histórica brasileira, A COLUNA PRESTES (MARCHAS E COMBATES – Lourenço Moreira Lima), “nos revela um dos episódios máximos da história brasileira. Não há exagero na afirmação, e embora a Coluna Prestes não tenha penetrado os umbrais da historiografia oficial (a dos tratados clássicos das matérias e dos manuais de ensino), ela se situa entre os grandes acontecimentos do nosso passado. Grande pelo valor humano que encerra; grande também pela sua significação histórica. O mais puro idealismo, a abnegação e espírito de sacrifício, a fortaleza moral, se revelam na Coluna Prestes no mais alto grau, colocando-o sem o menor favor entre esses grandes fatos humanos que a história lembra para exemplo das gerações de todos os tempos e todos os lugares”.

Como diz Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

É de se bater na inferrujável tecla: tem-se de juntar as duas pontas: a do lenço vermelho dos revoltosos de ontem, com a da bandeira verde/amarelo dos movimentos sociais, de hoje, ambas – clamando por melhor qualidade de vida e moralidade da coisa pública. Era o grito das forças vivas do passado. É o clamor da hora presente.

Como diz Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Nada melhor do que, quando se comemora 90 anos da COLUNA VERMELHA atravessando o nosso coração, o coração de um povo que sempre alimentou o desejo de ter sua independência e se transformar em mais uma Estrela da Federação Brasileira, dar-se um choque de história na memória do Estado do Maranhão. E, em assim fazendo, nos orgulhamos, de dizer alto e a bom som:

Expondo, mais uma vez o CAVALEIRO DA ESPERANÇA ao sol e à sombra de novas críticas, com seus defeitos e suas virtudes, agora, quando das comemorações pelo aniversário quase de seu centenário pelas “trilhas destas terras”, abrimos mais uma janela destinada a uma reflexão crítica a respeito daqueles revolucionários em um país que não gosta de cultivar a memória daqueles que, através de feitos heróicos associados à Marchas e Combates, a sacrifícios da própria vida, ajudaram a formar o Brasil.

A COLUNA PRESTES foi muito mais do que uma legião de bravos rasgando sertões, nunca dantes percorridos. Ao nos aproximarmos das suas pegadas, sentimos a pureza dos seus gestos, a grandeza de suas mensagens, num mundo sem horizontes de vida saudável e aí, vemos renascer diante de nossos olhos, o texto evangélico sagrado que Jesus proferiu depois de ter passado a noite toda em oração com o Pai Eterno. Então só nos resta acrescentar:

“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.