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Academia Maranhense de Letras

Benedito Buzar

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Um século do jornalista Zuzu Nahuz

21 de julho de 2018

Na imprensa maranhense, a trajetória de Raimundo Nonato Coelho Nahuz, conhecido por Zuzu Nahuz, foi marcada pelo brilhantismo e pelo sucesso profissional.Benedito Buzar

Na imprensa maranhense, a trajetória de Raimundo Nonato Coelho Nahuz, conhecido por Zuzu Nahuz, foi marcada pelo brilhantismo e pelo sucesso profissional. Nascido em Itapecuru-Mirim (23 de julho de 1918), era bem moço quando começa a escrever em jornais de São Luís, destacando-se A Notícia, do padre Astolfo Serra, Diário do Norte, do escritor Antônio Lopes, e A Pacotilha, do desembargador Constâncio Carvalho.

Na década de 1940, recebe convite do presidente do Partido Republicano, Marcelino Machado, para trabalhar em O Combate, que fazia oposição ao situacionismo.

Depois dessa temporada oposicionista, Zuzu, nos anos 1950, é contratado pelo jornal A Tarde, de linha política governista, montado e dirigido pelo próprio senador Vitorino Freire, para combater os que tentavam derrubá-lo do poder.

No começo dos anos 1960, com a experiência adquirida nos jornais em que prestou serviços, parte para uma empreitada corajosa em termos profissionais e abrir um caminho novo no panorama jornalístico maranhense. Com a cara e a coragem funda um jornal com o nome de Correio do Nordeste, para circular mensalmente.

Em curto espaço de tempo, o jornal de Zuzu impôs-se na cidade por trazer em suas páginas farto e variado noticiário, local, nacional e internacional, ser graficamente bem produzido e dotado de um corpo redacional de invejável qualidade intelectual.

Com essa configuração, o Correio do Nordeste caiu no gosto popular e dobrou a tiragem e a circulação, requisitos que o levaram a passar de mensal a quinzenal e depois a semanal.

Essa fulminante ascensão, em tempo inimaginável, fez com que Zuzu, um homem determinado e obstinado, sonhasse com um futuro mais radioso para o seu jornal, no seu desejo de transformá-lo em diário.

No afã de alcançar esse objetivo, prepara-se para conseguir recursos e dar um salto na sua vida de dono de jornal. Nesse sentido, apresenta a um estabelecimento bancário um projeto para adquirir equipamentos gráficos modernos, a fim de oferecer ao povo maranhense um veículo de comunicação impresso, que se ombreasse aos melhores do país.

Quando tudo parecia caminhar sem atropelos, eis que o destino apronta uma cilada àquele homem de fé inquebrantável. A 8 de janeiro de 1965, a morte insidiosamente o transporta para outro plano de vida, impedindo-o de realizar o projeto que seria o coroamento glorioso de sua trajetória jornalística.

Por causa de seu trágico falecimento, não materializou a sua mais importante obra na área da comunicação impressa, mas legou à posteridade ações e iniciativas de relevância na área de comunicação social, que ficaram perpetuadas em jornais em que trabalhou e fundou, aos quais se entregou de corpo e alma, a despeito da perda completa da visão, deficiência adquirida na adolescência, que não o deixou ocioso ou inútil, ao contrário, o transformou num homem literalmente dedicado às boas causas da sociedade.

Em patética crônica, intitulada “Sentença Inexorável”, Zuzu registrou o drama que ele e os familiares viveram a 16 de março de 1930, em Itapecuru, onde morava com os pais Martinha e Sadick Nahuz.

Aos 12 anos, em plena sala de aula, no Colégio Magalhães de Almeida, foi atacado estupidamente pelo “fantasma da cegueira”, deixando-o inapelavelmente sem a visão nos dois olhos pelo resto da vida, inobstante o tratamento médico a que se submeteu no Rio de Janeiro, à época, o centro mais adiantado do país.

O poeta Lago Burnett, amigo e companheiro de redação de Zuzu, em bela crônica, publicada no Jornal do Brasil, a 22 de junho de 1973, definiu o tipo de jornalismo praticado pelo jornalista itapecuruense, que mesmo sem a visão, usava a privilegiada memória para mostrar a sua competência e o seu arrojo no intento de oferecer ao Maranhão um periódico de boa qualidade gráfica e com uma equipe de indiscutível formação intelectual.

Candidatos diferenciados

A dupla de candidatos que o governador Flávio Dino apoia e apresentou ao eleitorado maranhense para concorrer às eleições de senador é formada pelos deputados federais Weverton Rocha e Eliziane Gama.

Entre os dois candidatos uma linha bem acentuada está a separá-los em termos eleitorais e que deverá repercutir no resultado do pleito.

Weverton Rocha conta com uma forte estrutura financeira, mas não tem voto. Eliziane Gama não dispõe de recursos materiais, mas é bem vista pelo eleitorado.

O velho Chico

Quem anseia ter novamente vez e voz na cena política maranhense é o veterano Chico Coelho.

Espera ressurgir das cinzas elegendo-se deputado estadual, cargo eletivo que conquistou pelo empenho do parente e governador Luiz Rocha.

Chico Coelho ainda não se definiu quanto ao candidato a governador que apoiará, mas já conversou com o governador Flávio Dino e o ex-senador José Sarney.

Família Figueiredo

Neste final de semana, os Figueiredos que nasceram no Maranhão, estão reunidos em São Luís, não por interesses políticos, mas para se confraternizarem.

Os que residem em cidades mais distantes de São Luís, também participam desse encontro familiar que tem como ponto alto o congraçamento.

Nesses três dias de encontro, os Figueiredos evocaram as suas origens e exaltarem São Vicente Férrer e São João Batista como as cidades onde tudo começou.

Novinho em folha

O senador Edison Lobão enfrentará a campanha eleitoral que se avizinha com a mesma altivez física dos primeiros tempos de vida pública.

Nesse sentido, submeteu-se em Brasília a uma completa restauração plástica que, de tão perfeita, faz lembrar os seus primeiros tempos de atividade política.

Quem já o viu depois desse procedimento estético, afirma que ele está pronto e no ponto de participar da campanha eleitoral sem medo de ser feliz.

Advogados perigosos

Em Brasília, nos meios políticos e administrativos, só se fala num assunto: a descoberta pelo Tribunal de Contas da União de escritórios advocatícios a serviço de causas nada republicanas.

Face às ações e iniciativas do TCU as autoridades federais tomaram conhecimento de que existem advogados atuando com toda a força no Maranhão e no Piauí, tentando receberem fatias bilionárias de recursos destinados à educação básica.

Prefeitos maranhenses, menos avisados, estariam contratando esses escritórios na expectativa de serem beneficiados com milhões de recursos do FUNDEB.

Voto de protesto

O empresário Carlos Gaspar anda sobremodo revoltado com os maus exemplos das autoridades do país às novas gerações brasileiras.

Por isso decidiu na eleição deste ano protestar contra essa situação e esse estado de coisas.

O seu voto para Presidente da República será dado ao deputado Jair Bolsonaro.

Efeito teratológico

A primeira vez que ouvi a palavra teratologia foi na Faculdade de Direito de São Luís, numa aula de Medicina Legal, ministrada pelo emérito professor Pedro Neiva de Santana.

Imediatamente busquei um dicionário para saber o significado de tão inusitada palavra, que encontrei assim grafada: “Teratologia é o estudo de monstruosidades”.

Sessenta anos depois, a palavra volta a soar nos meus ouvidos, desta feita, vocalizada pela ministra Laurita Vaz, presidente do Superior Tribunal de Justiça, que acusou o desembargador gaúcho Rogério Fraveto do cometimento de ato teratológico, por querer libertar Lula da prisão ao arrepio da lei.