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Academia Maranhense de Letras

Benedito Buzar

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Um fracassado assalto no Rio de Janeiro

27 de janeiro de 2018

Como não lhe dei condições de realizar o infame desejo e nem de molestar-me fisicamente, saí praticamente ileso daquela refrega corporal e pronto para relatar, ainda que assustado, aos leitores desta coluna um episódio inusitado e dantesco

Morei no Rio de Janeiro de 1958 a 1961 em pleno fulgor da mocidade. Foram os melhores anos da minha vida. À época, ainda sede da Capital da República, pontificavam os três poderes, que funcionavam relativamente em harmonia. Presidia a Nação o mineiro Juscelino Kubitscheck, que realizava um governo democrático e voltado para o desenvolvimento econômico e social.

Por ostentar o título de Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro era cantado em verso e prosa por renomados intelectuais e artistas, que lhe conferiam a imponência de ser a capital cultural do país, onde se gerava e produzia o que de melhor se tinha em matéria de literatura, música teatro, cinema, artes plásticas e outras manifestações do corpo e da alma.

Naqueles idos, por não ser um estado federal, o Rio não vivia sob o comando de governadores eleitos pelo povo, mas de prefeitos, nomeados pelo Presidente da República.

Não havia no Brasil cidade melhor e mais segura para morar do que o Rio de Janeiro. Fosse dia ou noite, nela podia-se andar e se deslocar de um bairro para outro, geralmente em bondes, que cruzavam a cidade em todas as direções, sem receio de ser atacado, assaltado ou inopinadamente morto.

Naqueles saudosos dias, dois pontos marcavam o Rio de Janeiro e polarizavam as atenções da população: o centro da cidade, com o comércio, os teatros, os cinemas, as casas de diversão, as bibliotecas, os museus e as repartições públicas; e Copacabana, com a praia, as boates e os majestosos edifícios residenciais. Ipanema e Leblon ainda não tinham a configuração urbanística de agora.

Foi nessa encantadora urbe, nos anos dourados, que eu tive o prazer e a alegria de viver quatro anos de febril e intensa atividade estudantil e cultural, sem nunca ter a desventura de passar por sobressaltos ou ameaçado de perder a vida por motivo fútil, quadro esse que se contrasta visivelmente com o Rio de Janeiro de hoje, que, de uns tempos para cá, transformou-se numa cidade sem lei e onde a violência, a insegurança e a intranquilidade social imperam com força total.

O dissabor de vê-la virada do avesso, isto é, destituída daqueles atributos agradáveis do passado, ocorreu agora, em pleno crepúsculo de 13 de janeiro deste ano, tendo por palco a famosa Praia de Copacabana.

Vamos aos fatos. Hospedado com Solange num hotel da Avenida Atlântica, localizado no Posto Seis, por volta das 17 horas, resolvi esticar as pernas no calçadão de Copacabana. De bermuda e com camisa bem esportiva, andei até o Forte de Copacabana.

Depois da visita ao Forte, retornei ao calçadão, com o propósito de chegar ao lugar de onde havia partido. Nas proximidades do hotel, surpreendo-me com um fulminante ataque pelas costas, praticado por um jovem que tentava afoitamente extorquir do meu pescoço um valioso cordão de ouro, que sustentava uma preciosa moeda, também de ouro, de origem francesa, presente da minha avó, Rafisa Buzar, que trouxe do Líbano e prometeu doar ao seu primeiro neto.

Ao sentir aquela mão estranha e violenta no meu corpo, girei-me na direção do agressor, enfrentando-o e tentando impedi-lo de praticar por completo o ato criminoso, já que havia conseguido seccionar o cordão, mas sem se apossar do mesmo.

Ele pensou quebrar a minha resistência, levando em conta a diferença de idade entre nós, que era visível. Como não conseguiu, abandonou a luta e partiu em desabalada correria. A cena foi vista por várias pessoas com a maior naturalidade.

Depois de tanta agonia e sofreguidão, concluí o quanto fui imprudente e negligente naquela fatídica tarde-noite de 13 de janeiro de 2018, em que poderia ter perdido a vida por dois motivos: primeiro, por não deixar no hotel um cordão de ouro, de extraordinário valor. Segundo, por enfrentar um bandido, que se portasse uma arma de fogo, poderia ter disparado alguns tiros contra a minha pessoa ou esfaqueando-me, caso contasse com um instrumento apropriado para tal fim.

Como não lhe dei condições de realizar o infame desejo e nem de molestar-me fisicamente, saí praticamente ileso daquela refrega corporal e pronto para relatar, ainda que assustado, aos leitores desta coluna um episódio inusitado e dantesco, logo agora que um irreversível ocaso está à minha espreita.

Exames médicos

Como mudou o conceito da medicina maranhense em São Paulo.

Lembro bem, que até pouco tempo, quando a gente chegava a São Paulo para se consultar, e apresentava as radiografias feitas em São Luís, estas, eram desprezadas e até ridicularizadas pelos médicos.

Pelo fato de apresentarem-se imperfeitas e defeituosas, quem pagava o pato era o paciente maranhense, obrigado a submeter-se a uma nova bateria de exames.

Hoje, a coisa mudou completamente. Os médicos paulistas, além de não criticarem as radiografias realizadas em São Luís, esmeram-se em elogiá-las pela boa imagem e pelos laudos produzidos pelos nossos profissionais.

Sarney no carnaval

Mauro Fecury não se cansa de convidar o senador José Sarney a passar o carnaval no Rio de Janeiro, a fim de assistir os desfiles das Escolas de Samba, na Marquês de Sapucaí.

Para Sarney não ser reconhecido pelo público, Mauro chegou ao ponto de lhe oferecer um disfarce.

Mas o político maranhense não caiu nessa. Carnaval por carnaval, ele prefere vir a São Luís, o que fará este ano, onde mesmo sem ir às ruas, consegue de longe ouvir o som e ver as brincadeiras momescas.

Bibi Ferreira

Aproveitei um fim de semana no Rio de Janeiro, para assistir no Teatro Casa Grande, a um maravilhoso show musical.

Trata-se de uma homenagem aos 75 anos de carreira artística de Bibi Ferreira, intitulado “Por toda a minha vida”.

Quem for à Cidade Maravilhosa, não pode perder este espetáculo, cujo texto é do excelente jornalista Artur Xexéu.

No Teatro Casa Grande, no Leblon, ao término do show, encontrei os professores maranhenses, Rosa Carvalho, Raimundo Viana e Rubem Ferro.

Casamento gay

Já, em São Paulo, eu e Solange, assistimos, no final da semana passada, uma cena jamais vista em nossas vidas: um casamento gay.

A nossa presença naquela cerimônia deveu-se ao meu irmão Raimundo Buzar, amigo dos noivos, que teve autorização para nos convidar a comparecer ao ato civil e participar da recepção, realizada numa mansão, localizada em Pinheiro, bairro nobre da capital paulista.

No ato do casamento, tudo normal, mas na recepção o que rolou de beijo na boca foi para assustar a quem não estava acostumado com cenas tão inusitadas.

Outro fato que nos chamou a atenção: a alegria e a felicidade estampada no rosto dos pais dos noivos.

LATAM e Gol

De São Luís para o Rio de Janeiro, viajamos pela LATAM. Na viagem de volta, de São Paulo para São Luís, usamos a GOL.

Sem medo de errar, posso garantir que essa fusão da TAM com a LAM não deu bom resultado para o passageiro. Em matéria de atendimento, serviço de bordo, espaço, cumprimento de horário e outros itens, a GOL está a muitas milhas na frente da LATAM.

Em tempo: a partir de novembro, a GOL voltará a voar para os Estados Unidos, com saídas previstas de Fortaleza. Que boa notícia.

Tote Leite

Ao regressar a São Luís, soube do falecimento de um amigo de geração: Tote Leite.

A última vez que nos vimos foi na Festa dos Amigos, em dezembro passado, evento organizado por Mauro Fecury, nas dependências do Ceuma, onde sofreu um ligeiro mal estar, que funcionou como um aviso prévio.

Tote Leite era uma figura humana da melhor qualidade, gostava de viver em companhia de amigos, com os quais, diariamente, trocava figurinhas nos shoppings.

Com a morte de Tote, a cidade, que já perdeu criaturas do porte de Mário Bazuka, Simão Felix, Carroca, Cláudio Pinto Reis, Murilo Sarney e outros, fica agora desfalcada de um seus mais estimados filhos.