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Academia Maranhense de Letras

José Louzeiro

Cadeira 25


São Luís, a minha cidade

1 de fevereiro de 2015

Radicado no Rio de Janeiro, o escritor, jornalista e roteirista maranhense José Louzeiro relembra a infância e as paisagens de São Luís.

imgBinary“Minha terra tem palmeiras,

onde canta o sabiá.

As aves que aqui gorjeiam,

não gorjeiam como lá”

Principalmente na Praça Gonçalves Dias, vizinha do Colégio São Luís, onde tomava sábias lições dos professores Maria Freitas, Luiz Rego e Nascimento Moraes.

Na verdade, frequentava mais a praça que as carteiras escolares, tão gentilmente cuidadas pelo prof. Luiz Rego que, do coreto, observava os coleguinhas peraltas, entre eles, eu, na praça e arredores.

Para me ocupar, o mestre “inventou” que tinha boa letra e devia copiar, durante o recreio, trechos de autores célebres de literatura portuguesa.

Os escritores que mais me sensibilizavam eram Camilo Castelo Branco, Humberto de Campos e Aluisio Azevedo. Deste último, anos mais tarde, faria a adaptação para jovens de O Cortiço (Série Reencontro – Editora Scipione).

O monumento do “poeta dos sabiás” era visitado pelos seresteiros e enamorados.

Nessa época, o Colégio São Luís, para nós, tinha duas bases geográficas: a primeira, onde ficavam as carteiras escolares; e a outra, que constituíam o problema diário do prof. Luiz Rego em mantê-las repletas de alunos, o que nunca acontecia, pois estes estavam sempre distantes das aulas que o próprio Luiz Rego dava a uns poucos privilegiados.

O Colégio São Luís ficava pertinho do coreto, num espaço da Prefeitura; lá, festejavam-se aniversários, festas de casamento e homenagens ao próprio educador.

Praça – A praça Gonçalves Dias, de palmeiras imperiais, era bem cuidada por Luiz Rego que a transformava em “espaço de lazer”. Nas datas festivas era como se pertencesse ao seu colégio; havia, inclusive, uma banda musical do município; as maiores atividades aconteciam no mês de setembro, nas comemorações do “7 de Setembro”, com desfiles de bicicletas.

Sr. Louzeiro encarregava-se de pintar a banda branca dos pneus, onde havia bandeirolas tremulando. Já saía de casa montado na minha bicicleta, para admiração dos vizinhos.

Eu era o único garoto, filho de um pedreiro, que dispunha de tal veículo, e o velho, vaidoso, gostava que assim fosse.

Ao relembrar desses desfiles, recordo também do tio Bernardo que, em matéria de bicicleta, era meu ajudante; na verdade, era ele quem assumia a responsabilidade pela bicicleta pronta para a exibição patriota.

Claro está que dava minha ajuda para que tudo estivesse em ordem, pois havia “prêmio” para o ciclista que melhor se apresentasse. A minha ganhava sempre – tinha espelhinho e usava-se luvas brancas.

A coordenação geral do desfile ficava aos cuidados do prof. Luiz Rego, extremamente dinâmico, quando se tratava de eventos. No caso das bicicletas, eu era o principal ajudante.