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Novos imortais para AML

30 de outubro de 2014

Ocupantes das cadeiras 28 e 36 da Academia Maranhense de Letras serão conhecidos hoje, após eleição marcada para as 17h.
 
Os professores José Neres e João Renôr

Os professores José Neres e João Renôr

A Academia Maranhense de Letras (AML) elegerá hoje, às 17h, os sucessores das cadeiras 28 e 36 da Casa de Antônio Lobo, vagas, respectivamente, com as mortes de José Chagas e Ubiratan Teixeira ocorridas este ano. Para a cadeira 28 há apenas um concorrente, o músico Turíbio Santos. Já para a 36 os professores José Neres e João Renôr Ferreira de Carvalho.

Para ingressarem na AML, os interessados precisam atingir a maioria absoluta dos 38 votos. O processo pode ocorrer em até duas etapas. Na primeira será considerado vencedor aquele que obtiver metade mais um voto. Caso isso não aconteça, há nova contagem e quem obtiver mais votos estará eleito.

Único candidato à cadeira 28 – que foi ocupada pelo poeta José Chagas, morto em maio deste ano – Turíbio Santos já é membro corespondente da AML. Natural de São Luís, o músico é um dos maiores violonistas clássicos da atualidade.

Radicado no Rio de Janeiro desde criança, Turíbio Santos mantém estreita relação com São Luís, cidade que visita sempre. “Minha relação com a cidade é intensa. Quando criança voltava para passar férias na Rua das Hortas e mantenho amizades aí até hoje”, diz, em entrevista concedida por telefone do Rio de Janeiro.

Turíbio Santos tem mais de 40 discos gravados, além de editado partituras de João Pernambuco, Garoto e Dilermano Reis. Criou a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro e seus discos 12 Estudos para Violão de Heitor Villa-Lobos e Choros do Brasil são marcos da música brasileira na Europa. É membro-fundador do Consiel D’Entraide Musicale, da Unesco, foi diretor do Museu Villa-Lobos e é membro da Academia Brasileira de Música.

O artista diz que o maior incentivador de sua candidatura para a AML foi o acadêmico Jomar Moraes. “Jomar Moraes e o João Pedro Borges foram pessoas fundamentais na decisão de me candidatar”.

O violonista conta que mandou uma circular para os demais acadêmicos e que, por questão de falta de tempo, não pôde vir a São Luís. “Estou me preparando para lançar minha autobiografia que vem com um DVD e será lançada no dia 17 de novembro, na Livraria Travessa, no Rio”, adianta Turíbio Santos. A previsão é de que o trabalho seja lançado em São Luís ano que vem.

Concorrentes – Já para a vaga aberta com a morte do jornalista e teatrólogo Ubiratan Teixeira – que faleceu em junho deste ano – concorrem os professores José Neres e João Renôr.

“O que me incentivou a participar desta disputa foi a vontade de contribuir com a Academia, além do que eu gosto da instituição e a frequento”, diz Neres. “A cadeira de Ubiratan [Teixeira] tem um significado para mim, por ele ter sido meu amigo e por eu ter estudos sobre a obra dele, que considero um grande cronista e teatrólogo maranhense”, completa o professor, que é mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília (UCB), especialista em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e graduado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

José Neres tem 18 livros publicados e ainda os inéditos As múltiplas cores do batom – Estudo sobre a mulher na literatura, Na trilha das palavras – Ensaios reunidos e Nauro Machado e Arlete Nogueira: dístico perfeito.

Ele concorre com o também professor João Renôr. “Minha inscrição foi incentivada pelo próprio Ubiratan Teixeira, que era muitíssimo meu amigo e sempre dizia que, por eu ter espírito rebelde, assim como ele,deveria me candidatar. Após sua morte, sua família passou a me incentivar”, conta o professor.

Natural do município de Riachão, Sul do Maranhão, João Renôr é filho de agricultor sem terra e de mãe analfabeta descendente da Nação Indígena Timbira. É bacharel em História pela Universidade Federal de Pernambuco, mestre em Geografia Humana pela Universidade de Paris I (Sorbonne) e doutor em História Latino-Americana pela Universidade de Paris III (Sorbonne).

É professor titular do Departamento de Geografia e História da Universidade Federal do Piauí, com experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, História da América Latina, atuando nos seguintes temas: Indigenismo Brasileiro e Amazônico, Memória, História do Maranhão, História da Amazônia e Etnologia de comunidades tribais do Nordeste.

João Renôr tem mais de 30 livros publicados. O professor, que é um dos fundadores da Academia Imperatrizense de Letras e de Letras, História e Ecologia de Pastos Bons, confessa que não acredita que será eleito. “Por uma série de fatores, inclusive o fato de a instituição ser muito voltada para São Luís”, observa João Renôr.

Saiba o passo a passo da eleição na AML

– Após vagar a cadeira, o presidente da casa decreta luto oficial de sete dias;

– Findado o período, é declarada vaga a cadeira;

– Os interessados têm 30 dias para se inscrever; por meio de carta deve demonstrar interesse e apresentar currículo e produção literária;

– Após esta etapa, o presidente nomeia uma comissão formada por três imortais que avaliam se os inscritos têm requisitos para ingressar na AML;

– A comissão apresenta um parecer com o resultado aos confrades que homologam o resultado;

– 30 dias depois acontece a eleição;

– A votação pode ser presencial ou por correspondência;

– Após a apuração, os votos são incinerados e o resultado é comunicado, via de regra, por telefone;

– A seguir o eleito recebe os confrades em sua casa para uma celebração.