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Academia Maranhense de Letras

Joaquim Haickel

Cadeira 37


Memória gastronômica afetiva

29 de dezembro de 2018

Recentemente, conversando com alguns amigos, empresários, jornalistas e escritores, os conclamei a escrevermos um guia memorial e afetivo sobre as comidas de nossa cidade, os locais onde elas eram preparadas e servidas e as pessoas que as faziam com dedicação e esmero, como forma de registrar a nossa história gastronômica. Para minha surpresa recebi em um grupo de WhatsApp a lista abaixo que eu passo a reproduzir, acrescendo alguns itens, que serão vistos entre parênteses.

Faço isso em homenagem ao jornalista Lourival Bogéa, que postou o texto, conclamando-o, assim como a outros, a fazermos esse trabalho que julgo ser de suma importância para a preservação da memória de nossa cidade.

“50 SABORES E LUGARES QUE MARCARAM O LUDOVICENSE.

A abundância de informações culinárias ou gastronômicas que aparecem nos canais de televisão atiça o paladar e seduz aquele que de restrições alimentares sobrevive. O pecado da gula transcende a razão de qualquer um. São Luís tem o charme e a tipicidade própria do maranhense no quesito gourmet. A cidade tem paladares e odores inconfundíveis. Lugares e características que contam história e fascinam quem nasceu aqui ou teve o privilégio de morar na ilha mais bonita do Brasil. Pontuei 50 situações gastronômicas que marcaram a vida do maranhense ludovicense e dessas, imagino que pelos menos 10 você conheça. Delicie-se e não morra de saudade.

1 – Jantar no Restaurante Palheta; 2 – Pão cheio recheado com camarão seco vendido nas ruas do centro; 3 – Cachorro quente do Companheiro, (do Boliviano) e do Sousa; 4 – Caldo de ovos do João do Caldo; 5 – Galeto da Base do Rabelo. 6 – Caldeirada do Germano (e do Edilson); 7 – Sorvete de coco na casquinha; 8 – Quebra-queixo; 9 – Pirulito enrolado com papel de seda; 10 – Peixe-pedra cozido ou frito; 11 – Peixe-serra frito com arroz de cuxá; 12 – Torta de camarão seco (ou fresco); 13 – Torta de caranguejo; 14 – Sururu no leite de coco; 15 – Juçara com farinha d’água e camarão seco (ou jabiraca); 16 – Em tempos de politicamente incorreto e sem compromisso com o meio ambiente, arroz de jaçanã (ou casquinha de mussuam); 17 – Galinha de parida com pirão (ou ao molho pardo); 18 – Peixada da Peixaria Carajás (ou da Fátima); 19 – Caldo de cana do abrigo ou do Bar do Cajueiro na Rua Afonso Pena; 20 – Queijo de São Bento; 21 – Cola-Guaraná Jesus; 22 – Frango assado na brasa (com Batipuru) do Restaurante Frango Dourado no Anil; 23 – Feijoada do Baiano; 24 – Costela de porco (e a carne de grelha com feijão mulata gorda) da Base da Diquinha; 25 – Gelado do Reviver; 26 – Bolachinha da Padaria Santa Maria e da Padaria Nossa Senhora de Fátima; 27 – Cuscuz Ideal; 28 – Roleto de cana vendido na Praça da Matriz em São José de Ribamar; 29 – Descascar e comer uma tanja na porta da Igreja de São José; 30 – Quibe do Abdon na Praça da Misericórdia ou de dona Nilza na antiga padaria do Anil; 31 – Manga de fiapo com farinha d’água (manga bacuri ou manguita); 32 – Tiquira da feira da Praia Grande; 33 – Jeneve; 34 – Sorveteria Elefantinho; 35 – Pastel do garoto do Bigode na Praça Deodoro; 36 – Murici amassado com açúcar; 37 – Pamonha; 38 – A Churrascaria Filipinho; 39 – Sorvete de ameixa no bar do Hotel Central; 40 – Quem está na casa dos 70 não esquece o sanduiche de pernil do extinto Moto Bar; 41 – O caranguejo da Base da Lenoca; 42 – Espetinho de camarão do Jaguarema ou do Lítero; 43 – Ingá, Maria Pretinha, canapu, (tucum) e guajuru; 44 – Pizzaria Internacional na Cohab ou na Cohama; 45 – Mocotó, sarrabulho ou cozidão do Mercado Central; 46 – Bar do Amendoeira e o seu tradicional bode no leite de coco servido na calçada do bar, no Olho d’Água; 47 – Quem frequentava a Praia da Ponta d’Areia não se esquece do Bar Tóquio, das peladas, da cerveja e do caranguejo; 48 – Mocotó e feijoada da Base do Binoca no Vinhais Velho; 49 – A novidade do Hibiscus, na Vila Palmeira na década de 1980; 50 – Restaurante La Boheme frequentado pela turma da moda e do poder político da época; (sem esquecermos os quitutes da maior banqueteira do Maranhão, Dona Henriqueta, os doces de Salomé, o Restaurante do BEM, as delícias da Maria Castelo, o camarão com ovos do Gago, os flambados do Hotel Quatro Rodas, o L””Aquários, o Solar do Ribeirão, aquele sanduíche que havia na Deodoro que esqueci o nome, o Ali Babá, o Flerte, o milk shake do Crepes, os salvadores ovos fritos das madrugadas, no abrigo da João Lisboa…)

Lembre-se que a sua memória afetiva e gustativa estão sempre preservadas. Alguns se perderam com o processo de crescimento da cidade, outros ainda resistem bravamente e nos identificam culturalmente.

Bom apetite e boa diversão!”

Joaquim Haickel

Membro das Academias Maranhense e Imperatrizense de Letras e do IHGM