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Academia Maranhense de Letras

Natalino Salgado

Cadeira 16


Lembrai-vos dos que sofrem…

16 de dezembro de 2017

No último dia 11, o papa Francisco publicou uma bela mensagem pela passagem do XXVI Dia Mundial do Doente, que será lembrado em fevereiro de 2018.

Em sua mensagem, ele destacou o texto bíblico “‘Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!’ E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua”. (Jo 19, 26-27)

A mensagem serviu para nos lembrar que, em meio às festividades de final de ano com suas trocas de presentes e mesas fartas, há irmãos nossos que pedem tão somente a dádiva da saúde. O Santo Padre nos alerta, desta forma, para um momento de especial fragilidade na vida de qualquer pessoa. Mais ainda, entre aqueles que, desassistidos por causa da pobreza, por exemplo, não recebem cuidados, mesmos nos lugares em que estão disponíveis.

Os cuidados médicos são caros. Em todo o mundo, milhões de pessoas estão fora de qualquer tipo de assistência de saúde. Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que há um déficit de 7,2 milhões de profissionais da saúde no mundo e que esse percentual só aumentará, podendo chegar a mais de 12 milhões, em 2035. O relatório incluiu 85 países, inclusive o Brasil.

Um agravante, no caso do nosso país, o fator determinante da ausência do médico é a má distribuição de profissionais. Há grande concentração no Sul e Sudeste e poucos profissionais, especialmente especialistas, nas demais áreas, em particular Norte e Nordeste. A título de exemplo, a média nacional é de 16,7 médicos para cada 10 mil habitantes, mas o Rio de Janeiro tem 40,9 e o Maranhão apenas 7,1.

Outro relatório da OMS, divulgado neste mês de dezembro, afirma que metade da população mundial não tem acesso a cuidados básicos de saúde. A situação é muito preocupante, pois muitas pessoas, já em condição de fragilidade econômica, veem seus magros recursos decaírem, ainda mais quando chegam a gastar um quarto de seus ganhos com saúde. Estamos falando de pessoas que vivem com cerca de 6 reais por dia.

Em países pobres, somente 17% das mães e filhos recebem cuidado médico básico no período de gestação, enquanto que nos países ricos, esta cobertura chega a 74%. Para finalizar com os dados do relatório da OMS, o documento registra que quase 1 bilhão de pessoas não podem tratar hipertensão. Cerca de 200 milhões de mulheres não têm acesso ao planejamento familiar e o mesmo número de crianças não recebem qualquer tipo de vacina.

É incalculável o custo causado pelas doenças que, podendo ser enfrentadas, não o são por diversas questões políticas e econômicas. Neste cenário, cabe destacar o trabalho desenvolvido pelo Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Maranhão, que inclui o Hospital Presidente Dutra e o Materno Infantil, que alcançou um renome no cenário nacional por ofertar um serviço de alta complexidade e excelência, cem por cento financiado com recursos do SUS, voltado para toda a sociedade.

O texto do papa nos apresenta o tamanho do desafio, mas, mais que isso, da necessidade que clama por ação aqui e agora, em favor de milhões.

Natalino Salgado Filho

Médico, doutor em Nefrologia, ex-reitor da UFMA, membro da ANM, da AML, da AMM, Sobrames e do IHGMA