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Academia Maranhense de Letras

Benedito Buzar

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Gripe espanhola mata governador maranhense

23 de maio de 2020

No começo deste mês, o jornalista e confrade Antônio Carlos Lima, publica matéria em O Estado do Maranhão, focalizando o falecimento de um dos homens públicos mais importantes de nossa terra, Urbano Santos, que não resistiu ao vírus da gripe espanhola e contraiu uma infecção pulmonar, quando viajava de São Luís para o Rio de Janeiro, a bordo do vapor “Minas Gerais”, no dia 7 de maio de 1922, para tomar posse, pela segunda vez, na função de vice-presidente da República.

Urbano Santos não foi o único governante maranhense, que falece em decorrência da devastadora gripe que invadiu e se alastrou em São Luís, no século passado, ceifando a vida de muitos conterrâneos.

Quatro anos antes da morte do vice-presidente, a 9 de outubro de 1918, quando o vírus da moléstia atingia o pico em nossa cidade, o político José Joaquim Marques, eleito 1º vice-governador do Estado, que se encontrava no exercício do cargo de governador, morre em sua residência, na Rua de Santana.

Quem era José Joaquim Marques

Nascido em Penalva e sobrinho do grand os José Joaquim Marques, Raul Machado e Lisboa Filho se elegeram 1º, 2º e 3º vice-governadores.

Também, pela permissividade da legislação, pela segunda vez, Urbano Santos se elegia vice-presidente da República, desta feita, na chapa encabeçada pelo mineiro Artur Bernardes.

Convocado para tomar posse como vice-presidente da República, Urbano Santos não assume o cargo de governador do Estado do Maranhão, ato que enseja a ascendência do 1º vice, José Joaquim Marques, à chefia do Poder Executivo, a 1º de março de 1918, cargo que recebe das mãos de Brício de Araújo.

Marques, portanto, na condição de 1º vice-governador, ocupa o Palácio dos Leões até o dia 9 de outubro de 1918, quando a gripe espanhola atacava indiscriminadamente a população da capital maranhense.

Versão falsa da morte

O governador em exercício, contava 49 anos e morreu, segundo informações nada oficiais, “pelo peso das contrariedades e pela baixa politicagem vigente no Maranhão”, divulgação essa contraditada pela imprensa, que a achava falsa, descabida e fruto da invencionice política, com o objetivo de embair a sociedade, que tinha absoluta certeza de que a morte de José Joaquim Marques resultara, como centenas de outros maranhenses, da terrível moléstia que contaminava estupidamente a cidade de São Luís.

A Gripe Espanhola no Brasil

A epidemia começou em agosto de 1917 nas casernas e rapidamente ganhou as ruas.

Com medo de ser contaminada, a população brasileira evitou sair de casa, mas de pouco adiantava se esconder, porque a doença alcançava suas vítimas em qualquer lugar e os hospitais sem leitos disponíveis para atender os doentes, que acabavam morrendo em casa ou nas ruas, onde, muitas vezes, ficavam insepultos.

Só no Rio de Janeiro, o vírus matou em poucos meses, cerca de 15 mil pessoas.

A Gripe Espanhola no Maranhão

De acordo com o jornal Pacotilha, no ano de 1918, a gripe espanhola atacou a população de São Luís sem dó e piedade, doença que já vinha ceifando a vida dos maranhenses desde 1917.

A moléstia chegou na capital maranhense a bordo dos vapores que atracavam em nosso porto, que transportavam gente e cargas, mas só desembarcavam depois que os agentes sanitários inspecionavam as embarcações, os passageiros e as bagagens.

Mesmo assim, a doença não estancava e provocava numerosas mortes na cidade, cujos doentes eram encaminhados a um hospital de isolamento, instalado no bairro do Lira, onde os médicos Almeida Nunes, Carlos Nunes e Hamleto Godois se desdobravam para atendê-los e curá-los à base de remédios que visavam combater a profilaxia da gripe, para isso praticavam a antissepsia da cavidade bucal e das fossas nasais.