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Academia Maranhense de Letras

Lino Moreira

Cadeira 08


Gramsci em declínio

5 de janeiro de 2019

Finalmente chegou o dia da materialização da derrota da ideologia que havia monopolizado durante décadas o mundo brasileiro da cultura. Mas, atenção, mesmo em baixa, ela não está completamente derrotada, exigindo, por isso, ação atenta da sociedade brasileira, orientada ao repúdio à volta das jararacas políticas ao poder, do macro poder e do micro.

O quase monopólio, quebrado com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República, se apoiava teoricamente no gramscianismo, forma de marxismo cultural. Este propõe como estratégia para alcançar o poder o abandono de revoluções violentas, como aconteceu em países como a Rússia e China. Mais eficiente e menos traumática, segundo esse pensamento, é a gradual desconstrução dos valores das sociedades livres e estabelecimento de uma hegemonia fundamentada em novos valores, filhos e netos do pensamento de Marx.

Os resultados deletérios, enquanto essa visão foi quase hegemônica por aqui, podem ser vistos no caos e na ausência de valores éticos e morais característicos da atuação de diversos movimentos esquerdizantes de professores e alunos das nossas universidades públicas, na tentativa de ridicularização dos valores mais caros à sociedade brasileira. Esse ambiente tornou atitude corriqueira o bullying político a professores e alunos com visões alternativas.

Essas instituições, na situação de terrível confusão criada com o domínio quase completo pelos marxistas culturais dos seus vários departamentos, em especial os das ciências humanas e muitas vezes da própria direção universitária, empalmadas estas em sua maior parte por partidos de esquerda, por meio de um sistema sem sentido de escolha dos dirigentes universitários em eleições diretas – essas instituições, eu dizia – tornaram-se o alvo principal da cobiça dessas correntes destrutivas, pois criariam as condições ideais de assalto ao poder. O marxismo cultural, no entanto, não pode ser confundido com a chamada Escola de Frankfurt, porque a maioria dos intelectuais a esta associada não se declarava adepta do marxismo. Ao contrário, utilizava a chamada Teoria Crítica, tentando unir prática e teoria, inaugurada por Max Horkheimer, para criticar o marxismo em sua totalidade.

A campanha do candidato Jair Bolsonaro foi clara quando falou de sua determinação em lutar pela preservação dos valores éticos e morais caros aos brasileiros, em sua imensa maioria, especialmente aqueles sob constantes ataques pelas esquerdas. Até o momento de escrever este texto, não vi nada nos primeiros movimentos do presidente que possa indicar o abandono desse compromisso da parte dele. Há, sim, a enfática reafirmação do prometido. Ao lado das reformas econômicas, de cuja implantação depende o crescimento do país pelas próximas décadas, essa é uma área em que não há possibilidade alguma de recuo.

A maior dificuldade a ser superada está, a meu ver, no campo político. Já agora ouvem-se muxoxos de políticos, por não ter Bolsonaro oferecido ministérios aos partidos. É o caso de se perguntar: Para que desejam ministérios os políticos, com empenho desmedido os de orçamentos generosos? Afinal, eles só irão cooperar se tiverem ministérios ou a cooperação é desinteressada, pelo bem do país? Estou convencido desta última hipótese.

Lino Raposo Moreira

PhD, economista, membro da Academia Maranhense de Letras