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Academia Maranhense de Letras

Benedito Buzar

Cadeira beneditobuzar


Filhos de governadores

23 de fevereiro de 2019

“Aproveito esse momento invulgar em que os rebentos do atual Chefe de Governo estão em plena e danosa atividade política, para lembrar que no Maranhão alguns governadores chegaram ao poder e chamaram os filhos, não para criarem problemas, mas para ajudá-los na tarefa de gerir a máquina administrativa do Estado”

O Brasil atravessa um momento diferente em sua história. Vive-se um tempo em que o Presidente da República, depois de sair consagrado popularmente das urnas, assume o poder e inaugura um estilo de governo inédito na vida brasileira, na qual o destino da Nação resulta do que sai da cabeça dos filhos que ele botou no mundo e especializados em fomentar e gerar crises políticas.

Aproveito esse momento invulgar em que os rebentos do atual Chefe de Governo estão em plena e danosa atividade política, para lembrar que no Maranhão alguns governadores chegaram ao poder e chamaram os filhos, não para criarem problemas, mas para ajudá-los na tarefa de gerir a máquina administrativa do Estado.

Pelas minhas contas e avaliação, da redemocratização do País, em 1947, aos dias atuais, dezoito governadores ocuparam o Palácio dos Leões, quase todos eleitos por via direta e pelo povo. Desse número, apenas quatro governadores contaram com a colaboração pessoal e direta dos filhos, nomeados para auxiliá-los a enfrentar as complicadas empreitadas governamentais.

Foi com esse objetivo que Sebastião Archer nomeou Renato Archer para Chefe de Gabinete; Newton Bello delegou ao filho Newtinho as funções de Primeiro Ministro; Pedro Neiva fez de Jaime Santana um eficiente Secretário de Fazenda; e Edson Lobão outorgou a Edinho Lobão poderes extraordinários para, como seu Secretário Particular, executar múltiplas ações de governo, muitas das quais relevantes e espinhosas.

Os governadores Matos Carvalho, José Sarney, Antônio Dino, João Castelo, Luiz Rocha, Epitácio Cafeteira, João Alberto e Roseana Sarney, quando assumiram o Poder Executivo estadual, os filhos por serem menores de idade, estavam inabilitados cronologicamente para o exercício de cargos de qualquer escalão ou natureza.

Já os governadores Eugênio Barros, Nunes Freire, Ivar Saldanha, José Reinaldo e Jackson Lago, quando ocuparam o cargo de governador do Maranhão, tinham filhos adultos e aptos às atividades públicas, mas não foram convocados para o desempenho de cargos ou funções da máquina administrativa, por motivos que só os pais podem responder.

Para esses governadores, restavam a nomeação de técnicos para o preenchimento de cargos que exigiam competência e seriedade no trato com a coisa pública, e/ou indicação das próprias esposas, que, dotadas de preparo e de sensibilidade às causas sociais, cuidariam das políticas assistencialistas.

Enquanto José Sarney, Pedro Neiva e João Castelo tiveram nas esposas Marly, Eney e Gardênia excelentes colaboradoras na presidência da Fundação do Bem Estar Social, Epitácio Cafeteira, Edison Lobão, José Reinaldo e Jackson Lago, contaram com o trabalho eficiente de Isabel, Nice, Alessandra (?) e Clay, na Secretaria de Desenvolvimento Social e Comunitário.

Os vices João Alberto e Ribamar Fiquene, que completaram os mandatos de Epitácio Cafeteira e de Edison Lobão, tomaram posições diferentes quando assumiram os cargos de governador. O primeiro não nomeou nenhum familiar para o Governo, mas o segundo deitou e rolou na área do nepotismo.

Coronel no SPU

Custou mas saiu a nomeação do companheiro de farda do Presidente Jair Bolsonaro, o coronel maranhense José Ribamar Monteiro.

Será o diretor no Maranhão do SPU-Serviço do Patrimônio da União.

Pelas estreitas ligações do coronel Monteiro com o capitão Bolsonaro, esperava-se que fosse nomeado para um cargo mais elevado.

Múltipla Escolha

Pelo teste de Múltipla Escolha, o leitor poderá apontar a opção que a seu ver é a mais adequada para justificar o encontro do governador Flávio Dino com o vice-presidente Hamilton Mourão.

Irritar o Presidente Jair Bolsonaro.

Ter o vice como aliado e defensor

Vê-lo, como convidado especial, no Encontro de Governadores, a se realizar em São Luís, no final de março.

Ser assimilado pelas Forças Armadas.

Flávio e estudantes

A efusiva recepção da estudantada da Bahia ao Governador do Maranhão, em Salvador, proporcionou a ele momentos de emoção e de rumos quanto ao seu futuro político.

Os estudantes baianos, com os seus gritos de guerra, mostraram fé na sua candidatura à Presidência da República e o desejo de lutar por ela nas ruas.

Daqui por diante, o governador não abrirá mão da presença de estudantes em suas palestras e conferências.

Crise no ensino superior

Os estabelecimentos de ensino particular de São Luís estão atravessando dificuldades financeiras de monta e jamais vistas.

Até recentemente era a inadimplência rondava as salas de aulas.

Agora é o espantalho da evasão de alunos.

Profissionais liberais

Encontrar um profissional liberal de qualquer ramo ou atividade, no centro da cidade, é tarefa difícil e complicada.

Sintonizados com a nova realidade de São Luís, sobretudo os médicos e os advogados, se transferiram em massa para áreas mais habitadas e mais movimentadas da cidade: Ponta d’Areia, Calhau, São Francisco, Renascença, Jaracati e similares.

No que abandonaram o Centro Histórico, instalaram-se em modernos edifícios, que de uns tempos para cá se impuseram de modo irreversível na parte mais urbanizada da cidade.

Feminicídio à maranhense

Bater em mulher, ao contrário de assassiná-la, nunca deixou de ser ato corriqueiro no Maranhão.

Feminicídio por aqui é novidade e coisa inventada pelos meios de comunicação social, que passaram a divulgá-lo como algo banal e marcante de nossos tempos.

Com esse crime em voga e em alta, o feminicídio ganhou notoriedade e virou modismo.

Prefeito de Ribamar

Não acredito e juro que Luís Fernando não se seduzirá com a proposta de trocar a Prefeitura de Ribamar por um cargo de primeiro escalão no Governo Flávio Dino.

Aceitar essa proposta é como permutar o Real Madri pelo Sampaio Correa, e Luís Fernando é sabido demais para entrar numa jogada dessa e de puro risco.

Logo ele, que em passado não tão remoto, viveu um caso que só não implodiu a sua trajetória política porque um pássaro na mão vale mais do que dois voando.

Forma de governo

Além de democracia, monarquia, oligarquia, teocracia e autoritarismo, o Brasil criou mais uma forma de governo: a Filhocracia.

A propósito, vale lembrar esta frase antológica do poeta Vinicius de Moraes: Filhos, melhor não tê-los. Mas sem tê-los, como sabê-los?