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Enfim, uma luz no fim do túnel

1 de maio de 2014

De inquestionável relevância político-administrativa a crônica de José Ewerton Neto publicada neste mesmo espaço na edição de sábado último. Com impecável maestria, ele volta e retoma o tema dos buracos nas ruas da cidade que de modo cabal engoliram a Capital e seus administradores, vezes sem conta tratado por outros cronistas e repórteres. Só que, dessa vez, ele deixa de lado os prosaicos buracos de ruas, tormentos de quantos se aventuram a sair de casa para o trabalho, a escola ou para um simples passeio. Adotando como contraponto o clássico romance de Alexandre Dumas – O Conde de Monte Cristo -, José Ewerton tece judiciosas considerações sobre a continuada e permanente escavação de túneis por operosos detentos de Pedrinhas, declarando-se pasmado diante da inequívoca demonstração de perícia e competência nessa inusitada alternativa de lazer prisional. Ainda que desconsidere as velhas galerias do Ribeirão, da Fonte das Pedras e do Santo Antônio, onde se sepultam centenários sonhos de lendas de riqueza, entre serpentes, ratos e baratas, para Ewerton São Luís tornou-se a “Cidade dos túneis”, graças à copiosa quantidade e a imensurável extensão daqueles escavados no subsolo de Pedrinhas. Diz o cronista: “É tanto túnel surgindo para aquele lado que dá a impressão de que, quando descobertos, de fato não são tapados, mas reaproveitados; afinal de contas, por que desperdiçar tantas horas de trabalho e suor?” Em seguida, aventa ele a possibilidade da utilização dos apenados de Pedrinhas, fonte de mão-de-obra de comprovada qualificação, na construção de túneis e instalação de linhas de modernos e velozes trens metropolitanos ligando entre si os mais diversos bairros da Capital. Seria – penso como Ewerton – a adoção de um sistema construtivo original e barato para a definitiva solução dos graves problemas de mobilidade urbana da população de São Luís, a custos compatíveis ao erário municipal. Ora, se dos milhares de criminosos à solta no Maranhão não se pode esperar nada que preste, por que não tentarmos utilizar em proveito social o potencial de trabalho da minoria encarcerada? Eu já não mais acreditava em nada prometido para a solução dos eternos problemas desta São Luís tão malquerida dos políticos. Mas, confesso que a viabilidade da hipótese aventada, de modo pioneiro, pelo brilhante colega cronista me enche de otimismo e renova minhas esperanças em dias melhores. Daí porque entendo urgente a criação de grupo de trabalho para incluí-la em programas administrativos, elaborar projetos técnicos e orçamentos e definir necessidades e fontes de financiamento. Antes de tudo, porém, providenciar para que antes de implodirem as cadeias de Pedrinhas – à moda de um Carandiru tabajara -, como anunciado por jovem e impetuoso candidato ao governo do Maranhão, alguém se lembre de selecionar os operosos presidiários e reservar-lhes, também a eles, um lugar em órgãos públicos responsáveis por obras de infraestrutura urbana. No caso, desnecessário o concurso público de admissão, pois a aptidão e a competência profissional dos escolhidos são atributos de conhecimento público e notório, independendo de provas. Todavia, a modo de impedir o costumeiro uso do pistolão político, que se exija a apresentação de títulos, que a administração prisional está habilitada para a expedição de verossímeis diplomas e certificados de capacitação.

Enfim, uma luz no fim do túnel.

jitapary@uol.com.br