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Academia Maranhense de Letras

Sálvio Dino

Cadeira 32


Carolina: capital, sim senhor!

11 de agosto de 2015

Puxemos o fio existencial de nossa Carolina! Pra começo de conversa, ela, a bela Carolina, à luz dos mais telúricos dos nossos historiadores, nasceu com a sina de ser capital, muito embora jamais tenha usufruído sequer, um segundo dessa utópica predestinação.

Mas, no sonho popular associado à capacidade natural, ela sempre foi, a capital do nosso mundo, o mundo “sulmaranhense”. Vejamos como tomou corpo e vida esse maravilhoso “sonho-coletivo”:

CAPITAL PRIMEIRA, quando em 1809 (precisamente 206 anos atrás) o guerreiro da luz, vindo lá dos históricos pastos bons, Elias F. Barros, construiu os currais de suas fazendas – no beiço do Manoel Alves Grande e, depois, levantando capela e casas, no colo do Tocantins, gerando daí, a povoação, São Pedro de Alcântara, mais tarde batizada pelas autoridades goianas e confirmadas pelos maranhenses de CAROLINA, por iniciativa do nobre deputado do Governo Provincial, Luis Gonzaga de Camargo Fleury em homenagem à nossa Imperatriz, Arquiduquesa, MARIA LEOPOLDINA JOSEFA CAROLINA DE HABSBURGO – LORENA.

Nesses tão futurosos tempos, a nossa CAROLINA, em função de sua privilegiada posição geográfica, logo passou a ser denominada, a PRINCESA DO SERTÕES DO TOCANTINS (de outrora). É que a fácil comunicação com fazendeiros do sul maranhense, com navegantes/ aventureiros /goianos /baianos / pernambucanos/ paulistas/paraenses, com certeza, a levaram ser – a CAPITAL DA ESPERANÇA daqueles chãos longínquos, onde o GADO, era a maior riqueza dos vastos e bastos territórios e, tinha por isso mesmo varias funções: “seu couro servia de ensacamento da produção do fumo, e embalagens de alimentos nas viagens, a fabricação de malas, bolsas, laços e redes. Isso sem se falar nas “boladas” ganhas com a vendas das boiadas gordas”.

Puxemos o fio existencial de nossa Carolina! Pra começo de conversa, ela, a bela Carolina, à luz dos mais telúricos dos nossos historiadores, nasceu com a sina de ser capital, muito embora jamais tenha usufruído sequer, um segundo dessa utópica predestinação

Mais tarde, saindo da gênesis (a capital das origens sertanejas, retoma a história fascinante do homem barqueiro d’Tocantins desenhado pela mão de Deus e, passa a ser a CAPITAL DA ROTA DO TOCANTINS, fruto natural e inevitável da mudança do grande comércio (via Caxias) pro espaço emergente do grande Rio, passando a representar importante papel na vida social/econômica/cultural dos nossos sertões verdes. É como diz com acerto e propriedade a nossa escritora maior, Maria do Socorro Coelho Cabral:

“A rota do Tocantins integrou o sertão ao mercado de Belém, o que fez crescer em população e importância a região, em especial a zona tocantina e suas proximidades”. Nesses históricos caminhos (a estrada era o rio), sem sombra de dúvida, a nossa Carolina dava as cartas, de mão em mão, inclusive das políticas desenvolvimentista. Eram “momentos de apogeu nascidos à beira dos rios”.

E, lá na frente, lá se vem, novamente, CAROLINA surgindo como Capital. Agora, a CAPITAL DA CULTURA do sul maranhense, onde brilharam como estrelas de primeira grandeza, homens de pensamento da estatura de – Odolfo Medeiros, Jose Queiroz, Nelson Maranhão, Elpidio Pereira, Alfredo Maranhão, Catão Maranhão, Rossini Gonçalves, Ulisses Braga e outros que não me vêm à memoria no momento. É verdade, esses monstros-sagrados carolinenses fizeram história, escreveram a história e agora, nos levam a declarar, alto e a bom som: eles, sim, senhor, foram os responsável diretos de ser a nossa bela e querida CAROLINA, considerada, ontem, hoje e sempre a CAPITAL DA CULTURA, a nossa invejável cultura “sulmaranhense”.

E, lá se vem, borbulhando em minha mente, uma outra, justa, merecida denominação de – CAROLINA A CAPITAL DO PARAÍSO DAS ÁGUAS…e ou CAPITAL ECOLÓGICA DO MARANHÃO. Há dúvida, meu senhor? Não, não há a menor dúvida. Se há uma cidade onde as águas são cristalinas, transparentes, sonoras, saudáveis; onde as pedras caídas são perfumadas e cativantes; onde as cachoeiras são lindas e maravilhosas, sempre convidando a gente daqui e d’além fronteiras, pra um banho gostoso…incomparável…inesquecível. CAROLINA não tem pra seu ninga. Por isso, além de princesa, com um Museu, de vergonha é com muito orgulho nosso, “sulmaranhense”, a cidade que se transformou na CAPITAL DAS BELEZAS NATURAIS, onde, também, o inspirado poeta canta aos quatro ventos: o homem vive na paz e na ventura num ambiente de amor e de ternura.

Mas, está faltando, ainda, um batismo de CAPITAL. Qual é mesmo? Bem. Isso é outra história. Contaremos, com riqueza de detalhes, quando das comemorações dos 90 anos da COLUNAS PRESTES. Onde? Na própria CAROLINA, em novembro do andante. Até lá!