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Academia Maranhense de Letras

Ivan Sarney

Cadeira 17


Bons tempos, aqueles!

15 de agosto de 2010

Jornal: O Estado do Maranhão
15 de agosto de 2010 - domingo
Por: Ivan Sarney

Ainda se encontra muito viva, na memória de todos os esportistas do Maranhão, a lembrança de um dos mais populares programas do governo de Roseana, denominado de Nota na Mão. Através dele, o cidadão participava, com entusiasmo, do esforço de arrecadação do Estado, exigindo a Nota Fiscal de suas compras, no comércio.

Em contrapartida, essas Notas Fiscais eram trocadas por ingressos de acesso ao estádio Castelão, nos jogos do campeonato maranhense, o que possibilitou algumas dezenas de jogos com estádio lotado, torcedores mais felizes e reforço financeiro no caixa dos clubes, por um lado.

Por outro lado, aumentou significativamente a arrecadação estadual que era o outro objetivo do programa Nota na Mão. O próprio nome do programa já sintetizava o aspecto fiscal de seu conteúdo, a partir do exercício responsável desse instrumento da cidadania que é a fiscalização, inerente a todo cidadão enquanto consumidor e contribuinte, evitando a sonegação tributária.

Nunca o estádio Castelão, em jogos estaduais, foi tão freqüentado, tão lotado, como nos anos em que esse programa de governo foi executado. Com suas acomodações em perfeito estado de conservação, com sua estrutura física intacta, o estádio e o nosso futebol viveram dias de glória especial; com a presença de famílias, de torcidas organizadas que proliferaram; de comércio informal, que se multiplicou em torno e dentro do estádio; com mais ampla transmissão de rádios de televisões.

Foram tempos exemplares para o nosso futebol, sob o aspecto de presença de público, de gente no estádio, de torcidas que davam vida, cores e sons a todos os jogos que ali se realizaram, sob a égide desse programa que teve uma felicíssima concepção.

Estádio lotado sem qualquer custo adicional aos torcedores, ao público que o lotava; sem pagamento de ingressos, porque os ingressos tinham sido obtidos pela simples troca de Notas Fiscais, das compras que cidadãos realizávamos no comércio, como um todo. Esse foi o maior mérito do programa. Estimular o aumento da arrecadação, através do combate à sonegação fiscal, ao mesmo tempo em que estimular o desenvolvimento do nosso futebol, através da presença do público nos jogos, e do apoio financeiro aos clubes.

Hoje, quem passa pelo estádio Castelão, abandonado há quase dez anos, por estar, ainda, com parte de sua estrutura física comprometida, sente uma tristeza profunda com a perspectiva de seu futuro de abandonado, com o vazio e o silêncio de lembranças que vivem ali, gritando, pedindo, querendo atenção, cuidado, socorro, que ainda não vieram e que, certamente, não virão este ano.

Os governantes que sucederam Roseana, a partir de 2002, não demonstraram real interesse em recuperá-lo, em equipá-lo para que ali voltem a ser realizados jogos; em recuperar o complexo esportivo que ali está implantado, prestigiando os clubes, os esportistas, as torcidas, e devolvendo ao uso a que se destina este orgulho de todos nós que é o Castelão. Ali, a seleção pentacampeã do mundo jogou seu último e decisivo jogo, quando de sua classificação para a Copa de 2002.

No desastrado governo Jackson, mais de cem milhões de reais foram contratados, sem licitação, com uma construtora do Piauí, a pretexto de serem realizadas as obras de recuperação de parte de sua estrutura, que estava comprometida, para devolvê-lo ao uso público. Como em muitos outros casos, o dinheiro foi pago, mas, tudo indica, a obra não foi concluída até hoje. Podemos concluir desta forma, pelo fato do estádio permanecer interditado para uso público até a presente data, sem que tenham sido dadas quaisquer explicações para esse fato.

Por conta disso, também, fomos sumariamente excluídos do processo de escolha das cidades brasileiras que acolherão jogos da Copa do Mundo de 2014, quando nosso país sediará esse mega acontecimento esportivo, de interesse mundial. São Luís não chegou nem a ser visitada pois nossa principal praça esportiva, o Castelão, já estava interditado e sem perspectivas de recuperação, a partir do desinteresse dos, então, governantes do Estado.

Bons tempos, aqueles! Centenas de pessoas, amantes do futebol, fiéis torcedoras de nossos principais times, já exclamaram esta frase, em algum momento, nestes últimos anos, em nosso Estado, vendo o abandono e o descaso com o nosso futebol, com o nosso Castelão. Bons tempos, aqueles! Sim, com estádio cheio, sem pagar ingressos e, algumas vezes, com a carismática presença da Governadora Roseana, vibrando, torcendo, compartilhando com o povo seu charme, sua simpatia, suas alegrias e esperanças.

Nossos principais clubes: Moto, Maranhão, Sampaio, Imperatriz todos já foram, e continuarão sendo prejudicados com a interdição do estádio. Ainda o serão, por mais algum tempo, até que tais problemas venham ser resolvidos, no próximo governo de Roseana, se Deus quiser.

Vamos rezar para que as chuvas do próximo “inverno” não agravem, de forma irrecuperável, a parte da estrutura física do estádio que está danificada, e que motivou a interdição pelo CREA e a Defesa Civil. E que ele continue a resistir a todo o descaso a que foi condenado por omissão, por falta de sensibilidade dos governantes que a sucederam. Amanhã será outro dia. Amar a cidade é crer no amanhã.

ivansarney@uol.com.br
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