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Academia Maranhense de Letras

Benedito Buzar

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As vacinações de 1904 e 2021

30 de janeiro de 2021

No Brasil, em dois momentos da sua história, a vacinação da população gerou problemas sociais e políticos de gravidade.

Mesmo ocorrendo em épocas históricas distintas, um problema de saúde pública mostrou como o povo e o poder, no passado e no presente, agiram e se comportaram de modo visivelmente diferenciados.

Em 1904, o Brasil era governado pelo presidente Rodrigues Alves. Em 2021, está sob o comando do presidente Jair Bolsonaro. Entre os dois governos, passaram-se 117 anos. Em que pese a distância cronológica e o posicionamento eloquente dos dirigentes da nação, a vacinação gerou problemas na sociedade e repercussões na cena política.

Em 1904, Rodrigues Alves providenciou uma vacina para debelar a varíola e proteger a saúde dos mais necessitados e vulneráveis, mas a população recusou-se a tomá-la.

Em 2021, o povo brasileiro queria se livrar do Covid-19, a monstruosa doença que vem causando gritante letalidade no mundo inteiro, mas irresponsavelmente o presidente Bolsonaro não se movimentou, como era sua obrigação institucional, para providenciar vacinas e livrar da morte milhares de brasileiros.

A revolta contra a vacina

Segundo o historiador Eduardo Bueno, no seu livro “Brasil Uma História” o estopim da violenta insurreição popular que eclodiu no Rio de Janeiro em novembro de 1904 foi a recusa de boa parte da população da cidade em aceitar o cumprimento da lei, aprovada pelo Congresso, que tornava obrigatória a vacina contra a varíola, lei inspirada no trabalho pessoal do jovem médico Oswaldo Cruz.

“Desconhecida no Brasil, a vacina – já testada com êxito em vários países da Europa – era encarada com desconfiança pelos brasileiros em geral e pelos cariocas em particular, por isso, tão logo as Brigadas Sanitárias passaram a entrar em todas as casas da cidade, acompanhadas por policiais, para vacinar os moradores à força, os adversários da medida começaram a chamá-las de violadores de lares e túmulos da liberdade.

“Num comício contra a vacina, no dia 10 de novembro, um orador foi preso e a multidão partiu para o confronto com os policiais. A revolta espalhou-se como um rastilho de pólvora e os revoltosos dominaram o centro da cidade, incendiando bondes e depredando e saqueando estabelecimentos comerciais.

“No dia 14 de novembro, uma das principais – e talvez a mais reveladora – das várias faces da rebelião começou a se desvendar: a Escola Militar da Praia Vermelha decidiu unir-se ao povo e aderir ao levante. Ficou evidente que a vacina foi um pretexto para a eclosão de um movimento político-social, provocado pelas classes menos favorecidas contra a carestia, a inflação, o achatamento salarial, o aumento abusivo dos alugueis e a remodelação do centro do Rio de Janeiro, realizado pelo prefeito Pereira Passos.

2021: a luta pela vacina

No Brasil, desde o ano de 2020, a população vem sendo atacada pelo coronavírus, que já matou mais de 200 mil almas. A despeito dos esforços dos profissionais de saúde, que heroicamente tentaram salvar os infectados, mas em vão, por culpa total do governo federal que não cuidou da doença com capacidade e seriedade, sendo tratada pelo presidente Bolsonaro como uma “gripezinha”, no sentido de impedir a população de se vacinar.

Desde que a maldita doença chegou ao Brasil, o chefe da Nação, com relação ao enfrentamento da pandemia, só agiu no sentido de negligenciar sistematicamente a gravidade da doença; de fomentar aglomerações, de desdenhar e de descumprir medidas preventivas determinadas por autoridades sanitárias; de boicotar a produção e obtenção de vacinas; de desacreditar as vacinas produzidas pelos países com os quais não têm simpatia política e diplomática; de não envidar esforços financeiros e logísticos para assegurar o atendimento emergencial do enfermo; de contribuir por meio de ações e omissões para o adoecimento de milhões de brasileiros.

Por conta desse desleixo e dessa irresponsabilidade, o Brasil só perde para os Estados Unidos, no tocante à morte da população.

Maranhão e Amazonas

Houve um tempo em que o Maranhão era o campeão de notícias nada boas, face aos indicadores sociais vigentes em nossa terra.

Agora, com a pandemia e a presença da crise hospitalar, causada pela falta de leitos e oxigênio, o Amazonas tomou o nosso lugar.

O vômito de Trump

Comentário ferino do comediante americano Seth Meyers, sobre a saída de Donald Trump do governo dos Estados Unidos.

“É como se livrar do último convidado numa festa. Você passa horas bocejando e se espreguiçando, dando indiretas para o cara ir embora e quando ele finalmente vai, é um alívio, até que você se lembra de que precisa limpar o vômito dele. E ele vomitou por todo lado”.

São Luís e Bolsonaro

Pesquisas realizadas nas capitais brasileiras, mostrou que em São Luís a avaliação da população contra o governo do presidente Jair Bolsonaro é marcadamente acentuada.

Na mais recente sondagem, a gestão de Bolsonaro, no que diz respeito à mediocridade, subiu de 46% para 57%.

Conselho de Zé Reinaldo

Se o vice-governador Carlos Brandão tivesse acatado o conselho do ex-governador José Reinaldo Tavares, não teria se metido nessa eleição da Famem.

Motivo: se ganhasse a eleição, ela não teria nenhuma repercussão na sua candidatura à sucessão de Flávio Dino.

Se perdesse, como aconteceu, o ônus da derrota seria desastroso para as suas futuras pretensões políticas.

Troca de partido

Amigos e correligionários políticos do ex-prefeito Edivaldo Holanda Junior não se cansam de zoar nos seus ouvidos, se ele quiser ser candidato nas eleições majoritárias de 2022.

Trocar o PDT pelo PTB é uma providência que se faz necessária e inadiável.

Votos no escurinho

Os adeptos da candidatura do prefeito Fábio Gentil a presidente da Famem, acham que ele perdeu a eleição por causa dos votos no escurinho.

Esse tipo de voto, segundo o saudoso Tancredo Neves, é o praticado pelos traidores.