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Academia Maranhense de Letras

Lino Moreira

Cadeira 08


Antissocial

27 de janeiro de 2021

Há poucos meses, dei aqui pequena nota sobre Delfim Moreira, presidente provisório do Brasil (1918-1919). O eleito para o período 1918-1922, Rodrigues Alves, ocupante do cargo entre 1902-1906, morreu em 1918, durante a pandemia da Gripe Espanhola, antes de tomar posse pela segunda vez. Delfim, vice-presidente, assumiu com a missão de preparar nova eleição, conforme mandava a Constituição brasileira da época. O antecessor imediato de Delfim foi seu primo Wenceslau Brás (1914-1918).

Havia um problema com Delfim infelizmente. Ele tinha esclerose precoce. A doença o levava a alternar momentos de completa lucidez com outros de comportamentos absolutamente bizarros e desligados da realidade. O governo, apesar disso, funcionou, pois ele delegou parte de suas funções a seu ministro da Viação, Afrânio de Melo Franco. Mas o povo o chamava de louco, embora ele não o fosse. No fim, nova eleição foi feita e ele entregou o poder a Epitácio Pessoa (1919-1922). Tivemos, é certo, ao longo da República, além do problema de Delfim, as variadas e até engraçadas bizarrices de Jânio Quadros, a grossura de Figueiredo, afeito a cavalos, mas não a gente, a atitude imperial de Collor e outras estranhezas de alguns presidentes com personalidades peculiares. Nenhuma, no entanto, chegando sequer perto de Jair Bolsonaro, pelo menos no plano psíquico.

Notei, nas últimas semanas, ou talvez meses, forte aumento de percepções negativas pelos internautas sobre a mente do atual presidente do Brasil. A maioria dessas visões o avaliam como antissocial. Mas trata-se exatamente de quê, como se pode caracterizar alguém com os atributos psíquicos mostrados até agora por Bolsonaro?

O Transtorno de Personalidade Antissocial junta em seus conceitos, de acordo com alguns estudiosos, mas não todos, psicopatas e sociopatas. Estes dois tipos têm em comum o desrespeito tanto pelos direitos alheios, quanto pelas leis e costumes; e uma tendência ao comportamento violento. Agora, se olharmos tão só as características singulares dos primeiros, veremos a incapacidade deles de se colocar mentalmente no lugar de outro ser humano e entender seus sofrimentos e angústias. No máximo, imitam a emoção, a despeito de não senti-las. Eles têm um ego infinito, acham sua opinião a mais importante do universo, mentem tanto que acabam acreditando na própria mentira e dão uma ordem hoje para, amanhã, dar uma oposta. Contestados, têm reações impulsivas a qualquer discordância. Resumindo, são legítimos antissociais.

Todos esses traços podem ser avaliados objetivamente por meio da adoção da Escala de Hare, criada pelo psicólogo canadense especialista em psicologia criminal e psicopatia, Robert Hare. Parece-me inequívoco que o perfil de Bolsonaro permite classificá-lo como psicopata, quando submetido a essa medida. O presidente tende à violência, como se percebe por sua fixação em armas e por sua mania de fazer “arminha” com os dedos, é indiferente ao sofrimento alheio e lhe falta empatia com o homo sapiens bem como com a mulher sapiens de Dilma Rousseff.

Há vários outros traços de personalidade psicótica em Bolsonaro. Bastas essas citadas acima, no entanto, se queremos mostrá-lo como ele realmente é: um doente perigoso, sem humanidade perceptível em tudo que faz ou diz. Não o subestime, caro leitor. De tudo ele é capaz. De qualquer coisa maligna e mais uma.

Lino Raposo Moreira

PhD, economista, membro da Academia Maranhense de Letras