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Academia Maranhense de Letras

Jomar Moraes

Cadeira 10


Alumar em festa

12 de agosto de 2015

O Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar está, neste 2015, comemorando 35 anos de sua implantação em São Luís. Dir-se-ia, se estivéssemos utilizando o linguajar corrente nas colunas sociais, que a cidade evoca as Bodas de Coral de um casamento que tem sido bem-sucedido, a despeito de alguns percalços perfeitamente superáveis e superados em relação do gênero. Não terá sido sem alguma razão, clara ou desconhecida, que esse gigantesco empreendimento industrial aportado na São Luís de 1980, chegou aqui sob o selo da Alcoa, uma das empresas-mãe do conglomerado mundial de Alumínio. Motivo que explica o fato de até hoje se haver firmado que Alumar, abreviatura da expressão masculina Consórcio de Alumínio do Maranhão, é um vocábulo feminino.

Quando aqui chegou, a Alumar produziureações as mais diversas nos ilhéus desta urbe provinciana metida a Atenas.Não a malferida capital grega de agora, mas a opulenta cidade-estado dos tempos em que por lá pontificavam Sólon e Péricles.

Embora eu haja passado o ano de 1980 ausente de São Luís, fiz questão de manter-me permanentemente sintonizado com as novidades da terra, excessivamente impulsionadas com a vinda desse parque industrial, importante para qualquer cidade, e importantíssimo para a São Luís de 35 anos atrás.

Afora a população da cidade que se manteve indiferente, e que acredito corresponda a um percentual modesto, formaram-se aqui duas correntes numerosas de opinião, expressivas e entre si contrapostas; a dos que viam na vinda Alumar um sinal efetivo de desenvolvimento material, e a dos que protestaram raivosamente contra o que consideravam uma devastadora invasão apocalíptica seguida de nefasto cortejo de horrores, por culpa do qual seríamos vítimas das mais inimagináveis consequências.

Uma quarta variante de reações que a vinda da Alumar formou, foi constituída pelos aproveitadores de ocasião, a exemplo dos que correm na frente para comprar terrenos próximos ao novo empreendimento, e adotam procedimentos outros, como recentemente aconteceu em Bacabeira. A vinda de técnicos em quantidade superior à capacidade hospedeira da cidade, contribuiu diretamente para a expansão e melhoria de nossos serviços hoteleiros, e também influi sensivelmente na majoração dos valores de compra, venda e aluguel de imóveis, assim como sacudiu para melhor os serviços de supermercados, restaurantes etc. Resumindo: muita coisa, direta ou indiretamente, melhorou, expandiu-se, cresceu em São Luís.

Por outro lado, as manifestações de resistência contra a implantação da Alumar, protagonizadas por diversos movimentos, entre os quais o Comitê de Defesa da Ilha, a cuja frente, com sua capacidade de ação e voz grave e tonitroante estava o intelectual Nascimento Morais Filho, compeliu a Alumar a refazer em grande parte seu projeto de instalação e funcionamento em São Luís. Dispêndios inicialmente não previstos tiveram que ser consignados como custos necessários do empreendimento, assim como uma ostensiva campanha de recrutamento de pessoal, emblematizada, entre outros meios, pelos anúncios publicados nos grandes órgãos da imprensa nacional, conclamado mais ou menos assim: “Maranhenses, com tais e tais habilitações profissionais, voltem pra casa. Venham trabalhar na Alcoa do Maranhão”.

Por outro lado, quanto foi possível começar atuando com emprego do pessoal da terra, foi procedimento logo adotado. Assim,aconteceu com o talentoso jornalista conterrâneo Sérgio Brito, o primeiro ocupante da função hoje denominada gerente de relações institucionais, exercida pela competente Joana Burgos da Silva. E o saudoso Sérgio Brito desincumbiu-se muito bem de sua missão, que no início foi bastante espinhosa, assim como é correto afirmar em relação ao engenheiro Nilson Ferraz, que depois de haver regressado a São Luís para o desempenho de atividades técnicas, atualmenteexerce a presidência da empresa com a competência que todos lhe reconhecemos.

Hoje, passados 35 anos de sua implantação entre nós, já é possível fazer uma apreciação isenta de que representou e representa a Alumar em São Luís. Nem seu funcionamento redimiu milagrosamente a pobreza do Maranhão, por não era essa sua função, nem tampouco estamos pior em consequência de sua chegada. Aliás, para ser honesto, devo reconhecer e proclamar que a vinda da Alumar para São Luís resultou em importantes ganhos econômicos e sociais para todos, a começar pelo pagamento de impostos de tributos que cabe aos governos aplicá-los bem.

Embora eu haja passado o ano de 1980 ausente de São Luís, fiz questão de manter-me permanentemente sintonizado com as novidades da terra, excessivamente impulsionadas com a vinda desse parque industrial, importante para qualquer cidade, e importantíssimo para a São Luís de 35 anos atrás.

À Alumar, deve o Maranhão o financiamento que tornou possível o abastecimento d’água provido pelo rio Itapecuru, sistema que hoje apresenta constantes problemas, porque o Italuís, projetado para abastecer a cidade até o ano 2000, há muito ultrapassou a estimativa da validade e foi ultrapassado pela explosão demográfica da cidade. Também a Alumar dotou, na prevenção de seus trabalhadores e de pessoas outras que eventualmente venham a precisar, um hospital com equipamentos para atender queimados.

E, iniciativa das mais louváveis e exemplares: tem dedicado atenção especial a um horto florestal em suas cercanias, onde a natureza, sistematicamente respeitada, é vista em toda sua comovedora opulência.

Para o bem de todos, não se cumpriram as catastróficas profecias que davam como certa e extinção dos caranguejos e a morte dos tão indispensáveis manguezais, pragas que efetivamente nos ameaçam, mas por outros motivos que muito bem conhecemos. E os juçarais mais frutíferos e frondosos da região, curiosa e felizmente são os que se localizam nas adjacências da Alumar.

Também não é possível nem justo omitir a ação cultural exercida sistematicamente pela Alumar através da publicação dos importantes livros lançados pela coleção Documentos Maranhenses, programa mantido em parceria com Academia Maranhense de Letras, e que já vai a caminho de atingir trinta títulos, alguns dos quais já duplamente reeditados.

Não tenho dúvida alguma de que esses 35 anos de Alumar entre nós são um forte motivo para grandes comemorações, pelo que essa empresa nos trouxe de bem, inegavelmente.