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Academia Maranhense de Letras

Ewerton Neto

Cadeira 11


Ajudando a autoajuda

20 de janeiro de 2019

Ainda que os livros de autoajuda não precisem de ajuda (vendem pra burro!) eis os mais requisitados recentemente.

1.O Obstáculo é o Caminho. Ryan Holliday

Caminho é uma palavra useira e vezeira em livros de autoajuda. O caminho de Santiago, por exemplo, é citado pelo menos uma vez em todo livro de Paulo Coelho e quinze vezes a cada meia hora de entrevista sua. Tanta recorrência a “caminho”, deve vir da eterna procura da felicidade, cuja frase mais emblemática é “Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho”, que, embora definitiva não  convence  ninguém. Tanto assim que a maioria anda busca a felicidade como se esta fosse um artigo de ocasião, encontrável na prateleira de uma loja.

Só o que faltava era o Ryan Holliday descobrir que o obstáculo, esse sim, é o caminho, significando que se você está atrás de felicidade o melhor é sair correndo  atrás de um obstáculo como se já não bastassem, na vida, os engarrafamentos de trânsito e a falta de lugares para estacionar.

Bons tempos aqueles em que a palavra ‘caminho’ frequentava poemas de Drummond ao invés de páginas de autoajuda. Naquele tempo, como dizia o poeta, havia uma pedra no meio do caminho. Qualquer dia vai aparecer um especialista em autoajuda capaz de descobrir que, ao contrário,  ha um caminho no meio de uma  pedra.

2.Quem me roubou de mim. Padre Fábio Mello

Este livro, que vende horrores, deve ter alguma razão para tanto sucesso. A julgar pelo título deve ser porque o autor descobriu, finalmente, porque no Brasil todo mundo rouba – a ponto da própria pessoa se roubar. Finda a leitura aprende-se que neste país se rouba tanto que todos devem desconfiar de si próprios. Mesmo sendo padre.

3. Porque fazemos o que fazemos. Mário Sérgio Cortella

Mário Cortella, recordista brasileiro de palestras de autoajuda sabe perfeitamente o que faz. Suas palestras geram uma infinidade de livros onde os temas e os assuntos são os mesmos das palestras,  sem tirar nem as vírgulas e os pigarros. O autor só não explica o “porque o faz” já que, assim, teria de dizer que age dessa forma pra se encher de grana, o que é bastante aceitável, mas é politicamente incorreto que se diga.

Pois se Mário faz o que faz,  mas esconde o porquê,  como acreditar que ele possa ensinar a alguém porque os outros fazem o que fazem;   como Gilmar Mendes, por exemplo? Se nem Freud ou a  Lava-Jato explicam, que dirá o Sérgio Cortella…

4. Os segredos do homem mais rico do mundo. Steven Scott

Dá para acreditar que os homens mais ricos do mundo compartilharam mesmo, com o autor, os segredos de como ficaram milionários? Claro que não. Parece evidente que se os caras são os mais ricos é porque nunca contaram seus segredos a ninguém. Ou não?

5. Deus o ama do jeito que você é. Bremann Manning

Tem certeza, Bremann? Por favor, não nos imponha isso.  Deus em sua infinita bondade, claro, deve amar muita gente, mas não precisava exagerar no público alvo.

Como acreditar que Deus possa amar Nicólas Maduro, por exemplo,  do jeito que ele é? Calma, Brennan, Deus nos livre se isso for verdade!

6. Não espere pelo epitáfio. Mário Sérgio Cortella.

O insinuante Cortella ataca de novo. Ora, você sabe muito bem Cortella, que ninguém espera pelo Epitáfio. O epitáfio é que espera pela gente, infelizmente. Concorda?

                                                                       ewerton.neto@hotmail.com 

Jose Ewerton Neto é autor de O ofício de matar suicidas