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Academia Maranhense de Letras

Ubiratan Teixeira

Cadeira ubiratan-teixeira


Agosto sexta-feira 13

13 de agosto de 2010

Jornal: O Estado do Maranhão
13 de agosto de 2010 - sexta-feira
Por: Ubiratan Teixeira

Você é superticioso ou superticiosa? Acredita em mandinga, caiporismo, mau-agouro? Admite que exista uma vida supra real ou não acredita em nada e vive no caos de sua própria forma corpórea?

Você, ele ou ela, acredita num modelo superior, regente de todas as coisas, ou fica naquela do cidadão que um dia imaginou ter evoluído duma gosmenta minhoquinha botou sua idéia num pedaço de papel e impôs como verdade científica?

Hum-hum: verdade científica… O que é uma verdade científica?Um mais um igual a dois é uma verdade científica? Então Flash Gordon e o Planeta Mongo são realidades palpáveis.

“Penso, logo existo” falou um ao que o outro retrucou: “Ser ou não ser, eis a questão.”

Quem consagrou o “ouviram do Ipiranga” tinha todos os poderes para tal? Se os tinha sou obrigado então a segurar minhas genitálias em atitude reverente quando escutar o autor de “na rachinha dela”, cantando sua lambada: com a mesma dignidade e patriotismo.

Desde quando lhe disseram que 13 de agosto misturado com espelho partido e uma vela preta acesa por um gaiato na sua porta de entrada/ saída paraa rua pode lhe trazer coisas rúins? Quem te garante que gato preto atrai malefícios e rasga-mortalha chama dissabores?

Já tomei banho de sal grosso, minha mãe emergia a mim e à minha irmã toda passagem de ano num suculento banho de ervas e raízes aromáticas sem resultados místicos de alta expressão além do aroma saudável que depreendíamos ao longo do dia seguinte; líricos primeiros de janeiros.

Será que depois da leitura desta crônica, no caso de teres saco e paciência para chegar ao inevitável e necessário ponto final, algo terá acontecido? Ao leitor e ao autor do texto?

Somos produto do rústico Big-Bang ou filhos do místico “Faça-se a Luz”? O gosmento Darwin ou o lírico Gênesis?

Será que atingimos o nível ideal de nossa racionalidade? Se, por que esse auê nervoso generalizado contra a proliferação de armas nucleares, esse afiar nervoso de facões ao norte do continente, essa gritaria danada contra uma tradição ancestral de uma cultura mulçumana a de castigar a fogosidade de suas fêmeas com uma sessão de pedradas?

Evoluímos ou continuamos os mesmos bárbaros primitivos dos nossos ancestrais antediluvianos?

Qual a diferença entre maio e agosto, entre ser 25 de dezembro ou sexta-feira, 13 de agosto?

Não acredito em mandingas, fui batizado e consagrado, mas estou com meu galhinho de arruda detrás de minha orelha desde a meia noite e vou rezar minhas treze salve-rainhas ao meio dia de hoje. Muito sal grosso no batente da porta de entrada da casa, arruda queimando o dia inteiro e bons pensamentos. E para o bom leitor deixo esta peça usada para invocar os espíritos dos quatro pontos cardeais pelos Gaélicos: “Espíritos brancos e negros,/ Espíritos vermelhos e cinzas,/ Venham até nós, venham até nós, / Venham vocês que podem vir!/ Girem e rodopiem, / Para cima e para os lados, Que o bem adentrose / E o mal afaste-se.”