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Academia Maranhense de Letras

Ceres Costa Fernandes

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A TERRA SE ESPREGUIÇA

9 de agosto de 2019

A velha mãe Terra está em fase de achaques novamente. Inquieta sacode-se, retorce-se como se sofresse de incômodos e dores. Um ligeiro espreguiçamento que se lhe acomete a espaços curtos de milhares ou milhões de anos. O tempo da Terra não se conta como o dos homens. 
É bastante para reacender os alertas do Apocalipse. Falharam as profecias de Nostradamus e de outros menos acreditados, para os anos 1000 e 2000, e a dos Maias, para 2012. Acabaram? Não, continuamos na expectativa. Muitos encontram, nos sinais de fúria da natureza, o castigo contra os desmandos da humanidade, culpam os habitantes do planeta de terem alterado o equilíbrio dos ecossistemas e desregulado a poderosa Terra, que agora sacoleja, com o fito de sacudir de suas costas os incômodos carrapatos humanos que a estão destruindo.
Destruindo? Quanta pretensão! A Terra esquenta, esfria, acende vulcões, provoca terremotos e maremotos, quando quer. Meteoritos colidiram com ela, diversas vezes, em uma delas, sabe-se, foram-se para sempre os grandes sáurios. E ela sobreviveu. Só será um planeta morto, em bilhões de anos quando o sol, o seu promotor de vida, esfriar. Então, ela, como uma velha senhora, sossegará (velhas senhoras sossegam?), sem vida, mas não destruída. Será mais um corpo celeste frio, a vagar pelos céus como a Lua ou Marte. 
Quanto aos carrapatos, habitantes da fina camada chamada crosta, que se equilibra malmente por cima das placas tectônicas, navegantes dos mares de rocha derretida, esses humanos tão frágeis de uma hora para outra podem ir para o beleléu. Todos juntos ou aos pacotes. 
Em 2010, nossa fragilidade não aguentou nem a ação de um vulcão de quinta numa ilha-nação, a Islândia. Só por juntarem-se uma série de coincidências: o vulcão para turista ver que se situa no meio da Dorsal do Atlântico, onde as placas tectônicas Norte-Americana e Eurasiática se afastam, estava debaixo de uma geleira, isso o fez expelir cinzas misturadas a elementos sólidos em quantidades gigantescas que, empurradas pelos ventos, encaminharam-se rumo à Europa. Bastou para que o trânsito aéreo do mais importante dos cinco continentes deixasse de acontecer. Aviões no chão. O caos. Os povos não se imaginam mais sem poder voar. Já imaginaram se esse vulcão de brinquedo prolonga a sua ação? 
Segundo estudiosos, a mega–erupção do vulcão Toba, na Indonésia, por volta de 70 mil anos A.C., cobriu a atmosfera com um manto de cinzas, reduziu a temperatura em 15ºC, acelerou uma era glacial já em curso e extinguiu 90% da humanidade. Um valente, também com esse nome…
Quem sabe do imponderável? Tememos o “fim do mundo”, quando devíamos temer mais as tragédias anunciadas. Vamos aplicar nossas energias no que está em nossas mãos realizar. Limpar rios e mares, não obstruir os esgotos, nem as saídas naturais das águas pluviais, reciclar o lixo, só usar plástico biodegradável, não destruir matas ciliares ou não, tentar diminuir a emissão de gazes, usar energia limpa, e outras coisas que todos sabem, mas não cumprem. 
Acreditem, me incomoda mais morrer só que de pacote com toda a humanidade, nada deixando para trás (ou para frente?). Tão rápido que não haverá tempo para dizer “gaderipoliti”. Aliás, fim do mundo é relativo, o mundo se acaba quando morremos. Pequenos fins de mundo estão acontecendo a todo o momento em vários países. No Oceano Índico, 2004, ocorreu o tsunami que detém a mortandade maior de todas, nos últimos tempos: mais de 250 mil pessoas. Nesses casos o que os carrapatos podem fazer? Só rezar