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A Praça Deodoro

16 de fevereiro de 2014

Em 1960, conheci a Praça Deodoro, em São Luís. Era muito limpa e cercada de muitas residências. Era muito agradável caminhar sobre ela e, ao mesmo tempo, contemplando a sua beleza paisagística formada por lindos imóveis residenciais de estilo europeu.

Era um ambiente familiar. Nela todas as pessoas ficavam tranquilas. Em qualquer hora do dia ou da noite as pessoas nela se sentiam num ambiente de completa paz. Como se estivessem no seu próprio lar sob o comando do amor. Assim, ela abrigava pobres e ricos sem discriminação. Havia nela um convívio pacífico, muito ordeiro, sem agressão a ninguém.

Por que, hoje, a Praça Deodoro não é mais aquela de outrora? O que houve? Está contaminada de ódio, de baderneiros, de agressores a tudo e a todos? Ela é patrimônio público. Ninguém, rico ou pobre, exerce sobre ela o direito de ocupá-la como se ela fosse sua propriedade. Sobre ela todas as pessoas têm o direito de locomoção num clima de completa ordem, segurança, indo e vindo sem medo, em completo respeito ao direito alheio.

Olhar, hoje, a Praça Deodoro com o mesmo sentimento de respeito e de admiração com que a olhou, na década de sessenta, sente logo uma dor interior muito forte e se pergunta: o que houve? Responde à sua própria pergunta: ela está realmente abandonada e agredida.

Por que e para que fazem o que querem na Praça Deodoro no sentido de destruí-la como se ela fosse patrimônio exclusivo de comerciante informal?

O que é praça? É lugar público. E a Praça Deodoro é, hoje, lugar público, portanto, de todas as pessoas? Não. É lugar de alguns poucos e que fazem dela um balcão de negócios. Ela merece assim continuar? Não. Ela precisa urgentemente de restauração e a seguir ser colocada à disposição do povo para que nela possa caminhar à vontade e contemplar a sua beleza integral.

Ela merece, sim, voltar ao que era, justamente para continuar a merecer transeuntes dignos do respeito, da admiração e da confiança da humanidade. Isso é possível? É, sim, é um lugar de todos. E, para isso, os poderes públicos devem unir-se, justamente com medidas preventivas e repressivas contra os maus e sempre em defesa das pessoas de bem, que não fazem mal a ninguém.

A ordem social é imprescindível para que as pessoas possam desfrutar do melhor viver.

A liberdade tem os seus limites ditados pela legalidade e esta deve ser imposta para que a paz se torne sempre abrigo de todos.

Quem é o proprietário da Praça Deodoro? Como, hoje, está, são seus proprietários os comerciantes informais, que nela fazem o que querem. Tomaram o espaço do povo, que nela não fica mais à vontade. Assim, para onde vamos? Vamos para a desordem social, onde só o agressor a tudo e a todos se sente feliz e o resto que se dane!

Desse modo, o convívio é comandado pela violência constante. As pessoas de bem ficam em silêncio com medo dos agressores, cujo número cresce e sem visão dos limites do que é legítimo e legal.

Os poderes legítimos, amparados na legalidade, podem, sim, comandar a ordem social em defesa dos direitos individuais e coletivos. Assim, é possível que as pessoas vivam em paz nos lugares de acesso a todos e sem ameaça ou agressão aos seus direitos.

A nossa Praça Deodoro merece ser outro palco urgentemente, o palco da história de São Luís, das pessoas de bem a fim de que assim possa ser abrigo do povo para o encontro do melhor na vida.

E-mail: jcss@elo.com.br