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Academia Maranhense de Letras

Benedito Buzar

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A Importância das Estradas de Rodagem

29 de junho de 2019

Enquanto o DER implanta a ligação rodoviária entre São Luís e Itapecuru e de Itapecuru a Vargem Grande, sem esquecer as que ligavam São Luís à praia do Olho D’Água e à cidade balneária de Ribamar, a Campanha de Produção, construía no interior do Estado uma rede de estradas vicinais, para facilitar o tráfego produtivo entre povoados e cidades.

No período colonial, os produtos que sustentavam a economia do Maranhão, provinham essencialmente do setor agrícola, que usavam os rios para transportar os bens de consumo dos centros de produção para as vilas e cidades.

Pelos rios Itapecuru, Mearim e Pindaré, os gêneros de primeira necessidade chegavam ao mercado consumidor e geravam receitas para a classe dominante se impor numa sociedade em que o braço escravo era o pilar da economia.

Esse quadro econômico, em que a navegação fluvial pontificava, se altera a partir da segunda metade do século XIX, quando os rios passam a dividir com o transporte ferroviário a incumbência de dinamizar o sistema produtivo.

Essa mudança na vida brasileira, ocorre com os movimentos insurrecionais dos anos 1930 e afetam diretamente os meios de comunicação e transporte, a ponto de induzirem o então presidente do Brasil, Washington Luís, a dizer que “Governar é abrir estradas”.

Com esse grito de alerta, o país inicia um novo ciclo na política de transporte, que vem à tona no Estado Novo, com o ditador Getúlio Vargas, mas ganha força na redemocratização, com o Plano SALTE, do presidente Eurico Dutra, que previa alavancar os programas de Saúde, Alimentação, Transporte e Educação.

No Maranhão, os reflexos dessa política de incremento ao transporte, incidem com certa impetuosidade no governo de Paulo Ramos, com a criação do Departamento de Estradas de Rodagem, dirigido pelo competente engenheiro Emiliano Macieira, e a instalação da Campanha de Produção, incentivada pela Associação Comercial do Maranhão.

Enquanto o DER implanta a ligação rodoviária entre São Luís e Itapecuru e de Itapecuru a Vargem Grande, sem esquecer as que ligavam São Luís à praia do Olho D’Água e à cidade balneária de Ribamar, a Campanha de Produção, construía no interior do Estado uma rede de estradas vicinais, para facilitar o tráfego produtivo entre povoados e cidades.

Um novo impulso foi injetado na política de transporte, na gestão do presidente Juscelino Kubitschek (1954-1958), por meio do Programa de Metas, que aumentou significativamente a quilometragem rodoviária e gerou a instalação da indústria automobilística.

Como consequência da aplicação de abundantes recursos federais, advindos do governo JK, o Maranhão viu o seu território enriquecido com a abertura das BR-21, BR- 22 e BR- 24, bem como de estradas estaduais, construídas pelo DER, nas gestões dos governadores Matos Carvalho e Newton Bello.

A malha rodoviária estadual, que se expandiu significativamente e facilitou o escoamento da produção agrícola interna e externamente, com a eleição de José Sarney, em 1965, teve um ganho substancial, na medida em o governador maranhense contratou com o Governo federal, através de delegação de competência, as pavimentações das rodovias São Luís-Teresina, Miranda-Arari e o acesso à barragem da Boa Esperança, bem como a construção da estrada Santa Luzia-Açailândia e a integração rodoviária da Baixada Maranhense.

Essa despretensiosa e resumida retrospectiva da presença dessa gigantesca malha rodoviária no Maranhão, constituída por estradas federais, estaduais e municipais, boa parte pavimentadas pelos governadores que sucederam a Sarney, uns mais, outros menos, mostra a importância do transporte rodoviário no processo de desenvolvimento estadual, que ora, lamentavelmente, se ressente dessas valiosas estradas, na medida em que se encontram em situação de abandono e destruídas pelo rigor do inverno, mas precisam de urgente recuperação, para que sejam colocadas em boas condições de tráfego e não prejudicarem o escoamento da produção agrícola e impedirem a circulação das riquezas econômicas dentro e fora do espaço geográfico maranhense.

As chuvas de ontem e de hoje

A coluna do jornalista Lago Burnett, no antigo Jornal do Povo, edição de 6 de fevereiro de 1953, registra a informação de que o prefeito de São Luís, Otávio Passos, apontava como “o melhor funcionário do município a chuva, porque limpa a rua com uma precisão absoluta e graças às irregularidades topográficas da cidade”.

Será que o prefeito Edivaldo Holanda Junior, com relação à chuva, pensa igual ou diferente do prefeito Otávio Passos, que governou São Luís há mais de 60 anos?

Nunes Freire e Bolsonaro

O modo como o presidente Jair Bolsonaro demitiu o presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social, Joaquim Levy, remete ao final do governo Nunes Freire, em março de 1979, ao demitir o então secretário da Fazenda, Raimundo Ribeiro ou Ribeirinho, pelo fato de não cumprir as determinações do Palácio dos Leões.

Em ação rápida, Nunes Freire nomeia o secretário de Segurança, coronel Santana, para substituir Ribeirinho e com ordem para prendê-lo se esboçasse qualquer reação.

Levantamento de Cursino

O economista José Cursino realiza um trabalho interessante e oportuno sobre as vilas e os povoados maranhenses, transformados em municípios, em função da nova Constituição do Estado do Maranhão, votada e promulgada em 1989.

De acordo com o estudo, dos 83 novos municípios, criados irresponsavelmente pelos constituintes, a metade poderia reverter à situação anterior, pois 30 anos não foram suficientes para que deixassem de ser pobres e atrasados, a despeito do Mais IDH, programa criado pelo governador Dino para recuperá-los.

Sem autoridade

Não é porque Weverton Rocha esteja investido no mandato de senador – ele responde na Justiça a processo por desvio de recursos públicos – que pense ter autoridade moral para questionar uma figura da estirpe do ministro Sérgio Moro, magistrado que merece do país inteiro o maior respeito e admiração por haver estourado um dos maiores tumores da corrupção brasileira e que botou na cadeia o chefe de toda essa lama fétida, chamado Lula.

Bumba-boi e Carnaval

As brincadeiras de Bumba-Boi no Maranhão precisam ser advertidas e corrigidas, para não enveredarem pelo mesmo caminho do carnaval carioca.

Antigamente, eram as figuras do povo que atuavam como atores nas brincadeiras juninas, que, com suas toadas e modestas vestimentas coloridas, divertiam as classes mais favorecidas, que as contratavam para se apresentar em suas residências.

Nos tempos mais recentes, são as figuras das classes médias altas que participam ativamente das brincadeiras do Bumba- Boi, que, com as suas belezas físicas (femininas e masculinas), se apresentam com ricas indumentárias e toadas sofisticadas, e, dessa forma, ocuparam os lugares dos brincantes do povo, os quais, viraram espectadores ou coadjuvantes de nossa maior festa popular.

Turistas em São Luís

Há muito tempo não se via tanto turista em São Luís como neste mês de junho, principalmente nos dias dedicados às festas juninas.

A presença desse considerável contingente de turistas, que lotou nossos hotéis e apreciaram também a nossa culinária e o nosso patrimônio artístico e cultural, ainda que mal cuidado, não se deve aos galdinos e catulés, mas à política de governo que vem dos tempos de Roseana e incrementada no governo Flávio Dino.

Andar na Rua Grande

Falta pouco para o IPHAN concluir a obra e entregá-la ao povo de São Luís: a nova Rua Osvaldo Cruz, que desde o ano passado sofre benditas reformas, graças ao empenho e ao trabalho de Kátia Bogéa e Maurício Itapary.

Reformas essas que estão fazendo a nossa mais importante artéria urbana se modernizar, ser mais bela e mais agradável de nela se caminhar.

Eu, pessoalmente, trafego vez por outro pela nova Rua Grande e com prazer a vejo retornar aos tempos em que a população e a cidade dela se orgulhavam.

Crise sexual

São Luís, até bem pouco tempo, era uma das cidades nordestinas mais repletas de motéis.

De uns tempos para cá, contudo, essas casas de libertinagem passaram a sumir da nossa urbe, sinal de que a crise sexual no Maranhão é uma indiscutível realidade.

Bolsonaro precisa saber disso e tomar as devidas providências para saná-las.