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Academia Maranhense de Letras

Sálvio Dino

Cadeira 32


A Coluna Prestes – Conclusões – IV

21 de julho de 2015

Historicamente, Siqueira Campos e seus companheiros, em 05 de julho de 1922, na Praia de Copacabana não queriam combater e vencer as tropas de governistas e, sim, convencê-las, de que o GRITO REVOLUCIONÁRIO – era honroso, pois visava, antes e acima, de tudo, persuadi-las a aderir à sua marcha sobre o palácio presidencial e derrubar o governo corrupto, que não expressava a vontade do povo brasileiro. Foi, com certeza, a semente da COLUNA que, por dois anos trilhou pelo inóspito e desconhecido interior do nosso país.

O próprio TASSO FRAGOSO, do alto de suas botas, de homem probo, militar de respeito e visão, historiador culto e de observação aguda, com acerto e propriedade, dizia:

(…) As eleições se processavam com tais vícios, que todos sentiam não serem os seus resultados a expressão autêntica da vontade ou do sentimento nacional. Primeiro a natureza do eleitoral em si mesmo, depois o mecanismo das eleições, facilismo de fraudar, patenteavam defeitos substanciais, de que só excepcionalmente poderia ocorrer resultado favorável aos interesses coletivos: Era patente nos meios políticos o desejo de eliminar as lutas eleitorais, francas e desassombradas, no terreno nobilitante das ideias. A nação tentou reagir contra opressão injustificável. Fê-lo, por exemplo, de modo ruído e brilhante com a candidatura do Doutor Rui Barbosa e com a oposição tenaz aos que se utilizavam de um general do exército para lhes facilitar as manobras políticas. Mas o resultado foi o esmagamento impiedoso do bravo e imorredouro campeão do civismo nacional. (A Revolução de 30 – General Tasso Fragoso).

(…) Se a epopeia da Coluna Prestes foi um fator decisivo, para que se mantivesse vivo o clima revolucionário que propiciou a conspiração tenentista e o próprio desencadeamento da “Revolução de 30”, a vitória das forças políticas de oposição, aglutinadas em torno de Getúlio Vargas, só pode ser alcançada na medida em que a – Marcha dos Revolucionários pelo Brasil conseguiu capitalizar a simpatia e a solidariedade de amplos setores populacionais para a causa dos “tenentes”.

Nessa expressiva linha pensamental, é de se sustentar, numa linguagem, bem popular: foi, sim, com certeza, do seio da COLUNA PRESTES que nasceu a semente donde cresceu e mais tarde floresceu vitoriosa REVOLUÇÃO DE 30

(…) A Coluna Prestes, pela sua importância enquanto movimento militar, político, social e, em certa medida, popular exerceu uma influência decisiva para que as formasse uma ampla frente, ainda que bastante desestruturada das forças de oposição, capaz de levar ao colapso a República Velha, o que, afinal viria acontecer com a vitória da chamada “Revolução de 30”. (Anita L. Prestes – A Coluna Prestes).

(…) Ao percorrer cerca de 25 mil quilômetros por praticamente todos os estados do Brasil, mais alguns trechos do Paraguai e da Bolívia – desde abril de 1925 até junho de 1927, a Coluna Prestes serviria de modelo para a grande marcha que Mao Tsé-Tung e seu exército revolucionário realizariam na China, 20 anos mais tarde. Seriam também um dos episódios mais dramáticos e simbólicos da luta revolucionária no Brasil com seu quixotismo, seus sonhos e seus delírios; a imensa distância entre suas intenções e suas ações; a nulidade quase total de seus resultados práticos; seu heroísmo vão e sua violência latente.

(…) Embora o apoio da população rural não passasse de ilusão e as possibilidades de êxito militar tivessem sempre sido nulas, a Coluna Prestes surtiu um efeito simbólico entre os setores da população urbana, insatisfeitos com a elite dirigente. Para esses setores, havia esperanças de mudar os destinos da República, como sempre parecia mostrar a macha heroica dos “Cavaleiros da Esperança”. (Brasil – Uma História – Eduardo Bueno).

Nessa expressiva linha pensamental, é de se sustentar, numa linguagem, bem popular: foi, sim, com certeza, do seio da Coluna Prestes que nasceu a semente donde cresceu e mais tarde floresceu vitoriosa Revolução de 30.

É como afirma renomado historiador:

(…) Se “a questão social” para Washington Luís, era “questão de polícia – a chapa Vargas – João Pessoa decidira acenar para as reformas de “base”, daí, sem sombra de dúvida, esse o legado positivo da Revolução de 30. Sobrou, também, o Legado Negativo: até, hoje algumas lideranças partidárias de inegável prestígio no chamado “alto credo” político nacional, ainda não se aperceberam de que, o poder é efêmero, todos nós passamos.