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Academia Maranhense de Letras

Joaquim Haickel

Cadeira 37


6 pautas em 15 dias

9 de novembro de 2019

As duas últimas semanas foram muito agitadas, como de resto têm sido quase todas deste ano complicado, e como não consegui me decidir sobre qual assunto tratar em meu texto de hoje, fiz um resumo de algumas pautas.

1 – O deputado federal mais votado da história do Brasil, Eduardo Bolsonaro, que por acaso é filho do atual presidente da República, verborragiou desatinos sobre um possível retrocesso democrático, movido principalmente por mera falta de tato, de tino, de capacidade de entender o enredo desta tragicomédia, que ele, sua turma e seus adversários, são os protagonistas, enquanto nós e o Brasil, as vítimas.

2 – A Rede Globo, exibiu uma matéria especulativa e facciosa, onde ela mesmo colocava em dúvida suas próprias declarações e notícias. Fez isso na tentativa de envolver o presidente e seus filhos no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, e para isso usa milenar tática da fofoca e não as técnicas do bom jornalismo.

Uma matéria tão asquerosa que conseguiu o repúdio até de pessoas que se opõem a Bolsonaro, deixando claro que parte da imprensa está realmente orquestrando uma campanha contra o presidente e seu governo, não que ele não lhes dê bastante motivo para isso!

3 – Enquanto isso, Cazuza não me deixou esquecer que O Tempo Não Para! Continuamos trabalhando na produção da série A Pedra e a Palavra, que enfoca a vida e a obra do Padre António Vieira. Nessa etapa, entrevistamos em São Paulo, Adma Muhana, João Adolfo Hansen e Alcír Pécora, professores geniais, que são alguns dos maiores especialistas em assuntos relacionados àquele que segundo o poeta Fernando Pessoa é o Imperador da Língua Portuguesa.

Mas foi a quinta-feira, 7, o dia mais intenso desta quinzena!

4 – O presidente Jair Bolsonaro resolveu retirar as atribuições do antigo Ministério da Cultura, do Ministério da Cidadania, mas incoerentemente, ao invés de vinculá-las ao Ministério da Educação, as transferiu para o Ministério do Turismo. E aqui outra coisa causa estranheza! Por que ele não fez o mesmo em relação às atribuições do antigo Ministério do Esporte, que figurava em similaridade com a cultura, no Ministério comandado pelo deputado Osmar Terra?

Ainda sobre esse fato, vale lembrar que Bolsonaro comete o mesmo erro perpetrado por seu desafeto, Flávio Dino, em seu primeiro mandato como governador do Maranhão, quando juntou Cultura e Turismo, imaginando que apenas os calendários de eventos culturais e turísticos seriam justificativas suficientes para juntar na mesma pasta atividades tão distintas. Dino demorou, mas reviu seu erro!

Acredito que Turismo estaria melhor junto com Indústria, Comércio e Economia, enquanto Cultura e Esporte deveriam ser geridos juntos com Educação. Uma coisa tão simples quanto somar um mais um!

5 – Em outro acontecimento marcante, o jornalista Glenn Greenwald, chamou o também jornalista Augusto Nunes de covarde, ao vivo, no Programa Pânico, da Jovem Pan. Descontrolado, o insultado, depois de advertir seu ofendedor, para que não o insultasse, deu-lhe um bofete, e os dois protagonizaram uma daquelas briguinhas características do programa Os Trapalhões.

Esse seria um outro assunto que eu poderia abordar aqui hoje. A dosimetria e a hierarquia dos direitos ou o que é mais grave, um insulto moral ou um tapa na cara!? Polêmica garantida!

6 – Por fim, o Supremo Tribunal Federal se desdisse pela terceira vez. Estabeleceu que aquilo que havia dito antes, sobre a prisão de réus condenados em segunda instância, a partir de agora, seria novamente diferente, permitindo que fiquem livres os condenados por um juiz e um tribunal revisor.

Eu, que fui deputado federal constituinte, tive a honra de assinar, no dia 5 de outubro de 1988, a Constituição da República Federativa do Brasil, (ao contrário de Lula e alguns de seus colegas petistas, que não a assinaram) e acredito que o que aconteceu de mais importante com aquela Constituição, foi o apoio popular que ela teve, a vontade dos políticos de então, em estabelecer de forma pacífica e ordeira, um regime verdadeiramente democrático em nosso país, depois de vivermos durante 21 anos em um regime de exceção.

Continuo acreditando que naquele momento, colocarmos no texto constitucional uma série imensa de direitos, era o mais correto e sensato a ser feito, pois primeiro precisávamos que a democracia que nós estávamos ali plantando, germinasse, crescesse, florescesse e frutificasse.

Agora, 30 anos depois, tendo nossa democracia já sido testada diversas vezes, de diversas formas, em diversas crises, e tendo ela alicerces e fundações, profundas e sólidas, é hora de repensarmos alguns parâmetros que estabelecemos naquela ocasião, sob pena de ao invés de fortalecermos nossa democracia, nós a fragilizarmos, por interesses meramente político-partidários, que visam a defesa de projetos de poder de alguém ou de alguns.

Joaquim Haickel

Membro das Academias Maranhense e Imperatrizense de Letras e do IHGM